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Reportagem Especial

Especial Caos Urbano 3 - Propostas discutidas na Câmara dos Deputados e no Ministério das Cidades ( 05' 34'' )

  • Especial Caos Urbano 3 - Propostas discutidas na Câmara dos Deputados e no Ministério das Cidades ( 05' 34'' )

NA TERCEIRA REPORTAGEM DA SÉRIE SOBRE O CAOS NO TRÂNSITO DAS CIDADES, VOCÊ ACOMPANHA O QUE O GOVERNO ESTÁ PROPONDO PARA MELHORAR O COTIDIANO DE ENGARRAFAMENTOS DOS GRANDES CENTROS. SAIBA TAMBÉM O QUE A CÂMARA DOS DEPUTADOS PRETENDE DEBATER A RESPEITO DESTA QUESTÃO.

O trânsito confuso de muitas cidades brasileiras é fruto de uma falta de planejamento generalizada. As políticas públicas não valorizaram o transporte coletivo como o direcionador do crescimento das metrópoles. O carro, que é símbolo de status social, foi visto como a solução dos problemas de mobilidade. Com a estabilidade na economia, cada vez mais brasileiros podem comprar o seu automóvel. De acordo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, de janeiro a março deste ano foram vendidos 387 mil automóveis. Mas o que era solução virou problema.
As ruas cada vez mais lotadas de carros estão impedindo as pessoas de se locomoverem. Qual seria a solução, ampliar as ruas e avenidas? Para o secretário nacional de mobilidade urbana do Ministério das Cidades, José Carlos Xavier, a resposta é não. Ele destaca que a sociedade precisa reavaliar os seus conceitos sobre mobilidade.

"Hoje a demanda que as pessoas colocam aos governantes na maioria das cidades está centrada na questão da ampliação do espaço para o automóvel. Há uma ilusão de que o problema do automóvel reside em uma ampliação do viário, em uma melhoria dos semáforos, enquanto os Estados Unidos já descobriram há décadas que isso não é solução"

O Ministério das Cidades finalizou um projeto de lei com as diretrizes da mobilidade nas cidades. A proposta pretende estabelecer as linhas gerais para que os municípios desenvolvam suas políticas. O projeto se norteia por três eixos: a melhoria do transporte público, a acessibilidade universal que inclua as pessoas com dificuldade de locomoção, e o estímulo ao uso de bicicletas.

Os benefícios de andar de bicicleta são muitos: é um exercício para o corpo e para a mente, é barato e o meio ambiente agradece pela diminuição da poluição. São essas as razões que fazem Reinaldo Friedemann optar voluntariamente pela bicicleta no seu dia a dia em Joinville, Santa Catarina. Joinville é conhecida como a cidade das bicicletas, mas Reinaldo conta que essa característica já se perdeu. Os ciclistas agora disputam espaço com os carros.

"Mas é muito difícil porque não temos as pistas exclusivas, temos que disputar espaço com os veículos, muitos acidentes ocorrem aqui na cidade, você fica muito tenso"

O secretário do Ministério das Cidades, José Carlos Xavier, aponta que para dar espaço à bicicleta e ao transporte coletivo é necessário diminuir o espaço do carro. O projeto de lei que será enviado ao Congresso Nacional permite que os prefeitos promovam medidas de racionalização do uso do automóvel, como os rodízios e a cobrança pelos estacionamentos públicos. O presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, deputado Zezéu Ribeiro, do PT baiano, concorda que o momento atual exige que a circulação do automóvel tenha algum tipo de restrição, e espera que o projeto de lei ajude nessa mudança.

"Espero que ele contribua nisso, para a redução da circulação do transporte individual, e o transporte individual utilizado por uma única pessoa, o que é mais agravante, que a gente tenha mecanismos de cerceamento econômico para isso, que vai na cobrança do estacionamento, na alternância de dias que aquele carro pode circular"

Zezéu Ribeiro destaca outro problema que impede as pessoas de se locomoverem: o alto preço das passagens.

"Muitas viagens, principalmente pelo aspecto financeiro, as pessoas fazem a pé. Na cidade de Salvador, 32% das viagens se dão a pé, porque as pessoas têm dificuldade financeira de pegar o transporte. E você não tem os caminhos de andar a pé, e as facilidades para que isso se dê"

O deputado Zezéu Ribeiro explica que outras propostas também serão analisadas no Congresso neste ano, como a possibilidade de zerar as tarifas para o transporte público, transferindo os custos para o IPTU comercial. Para justificar a medida, Zezéu Ribeiro explica que o comerciante não paga nada por receber o seu cliente na porta da loja, e que esse benefício deve ser custeado entre a sociedade. Já o projeto de lei de mobilidade urbana do governo está em análise na Casa Civil e deve ser enviado à Câmara ainda neste ano.

De Brasília, Daniele Lessa

AMANHÃ VOCÊ VAI SABER MAIS SOBRE UMA DISCUSSÃO QUE ESTÁ CHEGANDO AO BRASIL: O PEDÁGIO URBANO, QUE É UMA TAXA PAGA PELO MOTORISTA PELO USO DO CARRO EM ALGUMAS ÁREAS URBANAS. ESSA COBRANÇA JÁ ACONTECE EM CIDADES COMO LONDRES E CINGAPURA. LEMBRANDO QUE VOCÊ PODE OUVIR AS CINCO MATÉRIAS SOBRE O CAOS NO TRÂNSITO DAS CIDADES BRASILEIRAS NA PÁGINA DA RÁDIO CÂMARA NA INTERNET. O ENDEREÇO É WWW.CAMARA.GOV.BR/RADIO.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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