Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial Drogas 4 - Saiba mais sobre a realidade das pessoas que tentam se livarar do vício ( 06' 12'' )

  • Especial Drogas 4 - Saiba mais sobre a realidade das pessoas que tentam se livarar do vício ( 06' 12'' )

NA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS DESTA SEMANA, VOCÊ VAI CONHECER HOJE A REALIDADE DAS PESSOAS QUE TENTAM SE LIVRAR DO VÍCIO.

"O meu 1º pileque eu tinha 12 anos. Eu tive um problema porque não tive pai para me corrigir, só era mãe, então no meu 1º pileque eu não levei nenhuma surra. O problema foi se agravando."

Essas palavras são do construtuor José Hamilton, que foi viciado em álcool e drogas, durante anos. Ele afirma que, para o alcóolico, tudo é desculpa para se embriagar.

"Está fazendo frio, vou tomar uma, para almoçar, vou tomar uma, para jantar, vou tomar uma. E as coisas vão se agravando."

Depois do primeiro porre, aos 12 anos, José Hamilton tomou outros incontáveis pileques. Como várias pessoas que bebem exageradamente, ele demorou a reconhecer que tinha problemas com o álcool. Ele afirma que não assumir a doença é o pior entrave no tratamento do alcóolico. Até que um dia, José Hamilton se envolveu também com as drogas ilícitas. Com elas vieram as inúmeras perdas que as pessoas têm ao longo da vida de vício.

"Eu tive oportunidade de emprego no Corpo de Bombeiro, chutei para o alto. Eu tive oportunidade no Ministério do Trabalho, chutei para o alto. Há 27 anos atrás, tive oportunidade no GDF, chutei para o alto, tudo por causa da droga."

A perda do controle da própria vida é apontada pela maioria dos viciados em álcool ou drogas. É o que confirma Ezequiel, professor de 36 anos, que começou a se embebedar aos 15.

"Chegou um momento que eu perdi o controle da minha vida. Uma coisa absurda, estava perdendo emprego, eu estava fazendo faculdade, estava querendo perder a faculdade, família, tudo. Aí que deu uma reviravolta na minha vida, graças a Deus."

Em todos os casos, os viciados tiveram o primeiro contato com as drogas muito cedo, ainda pré-adolescentes, algumas vezes. Um rapaz de 25 anos que preferiu não se identificar, e que vamos chamar de Lucas, começou a fumar maconha com apenas 12 anos. Ele comenta que muitas pessoas na sua família também usavam maconha, mas não concordaram com a precoce ligação dele com a droga. Lucas reconhece que era muito rebelde e começou a fumar maconha por birra.

"Comecei sozinho mesmo, na rua com os amigos, na época era legal, era divertido. Depois de um tempo começou a me dar um medo muito grande, uma monotonia, e eu não conseguia procurar emprego, não conseguia ter expectativas e realizá-las. A minha expectativa era muito impossível de realizar ou era nenhuma."

Essas três pessoas citam o fundo do poço como um momento de tentativa de ruptura com as drogas. Para José Hamilton e Ezequiel, foi a religião que ajudou a encontrarem outro caminho. Na vida de Lucas, depois de se formar em turismo e não ter ânimo para procurar emprego, ele mesmo decidiu que era hora de tentar parar com as drogas. Procurou, então, por conta própria, uma clínica de recuperação, decisão comemorada em casa.

"Eu aprendi lá na clínica que esse desânimo já vinha um pouco anterior à maconha e a maconha só solidificou, só botou em prática alguma dificuldade de enfrentar os problemas, e a maconha me conforta, quando eu fumava estava tudo bem, tudo tranquilo e tal."

O resgate dos valores morais perdidos para o vício é a base da metodologia de recuperação da Casa Dia, entidade de Rio Claro, interior de São Paulo. O diretor Roberto Gomes Ferreira Jr., diz que a dependência de drogas e álcool é incurável, progressiva e fatal. Mas os efeitos da doença são amenizados com o tratamento.

"Praticamente todo esforço e todo trabalho vem de dentro do próprio dependente. A vontade, a unidade, o serviço da própria pessoa, é que ele mesmo se auto-valoriza, sua auto-estima, e mantém também esse contato que é muito importante. Não vou dizer ´nunca mais eu vou beber´ ou ´nunca mais eu vou usar´, eles vivem o só por hoje, que é o lema do AA e do narcóticos anônimos".

Depois de vários anos de álcool, Ezequiel abandonou a bebida, passou num concurso e dá um conselho para aqueles que estão cruzando a fronteira do vício.

"Elas tem que colocar na balança. De um lado, colocar as vantagens do álcool. Do outro lado, as desvantagens: o que você ganha bebendo e o que você perde. Com certeza, se você ficar sem beber, você ganha muito mais e não perde nada. Quando você bebe, você perde dinheiro, família, amigo, até sua dignidade. Porque você faz coisas que em estado normal você não faria."

Outra coisa que o viciado perde é a saúde. José Hamilton, por exemplo, largou as drogas e a bebida há mais de 20 anos, e até hoje seu corpo sofre as consequências do vício, como o constante problema de memória.

De Brasília, Adriana Magalhães.

NA REPORTAGEM ESPECIAL DE AMANHÃ, VOCÊ VAI ENTRAR NA POLÊMICA DA LIBERAÇÃO DAS DROGAS E CONHECER OS ARGUMENTOS DAQUELES QUE QUEREM MANTER A PROIBIÇÃO.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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