Rádio Câmara

Reportagem Especial

Setor Elétrico - Risco de apagão no novo modelo para o setor energético (06' 23")

  • Setor Elétrico - Risco de apagão no novo modelo para o setor energético (06' 23")

NA EDIÇÃO DE HOJE DO REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO, VAMOS FALAR SOBRE O RISCO DE APAGÃO NO NOVO MODELO PARA O SETOR ENERGÉTICO.

Quem não se lembra do apagão, como ficou conhecido o último racionamento nacional de energia elétrica da história brasileira, que aconteceu em 2001? Durante cerca de nove meses, os brasileiros sofreram com a redução compulsória de consumo. De acordo com especialistas em questões do setor elétrico, as principais causas da escassez foram a falta de investimentos em geração e transmissão de energia, o precário planejamento governamental, atrasos nas obras de hidrelétricas, o programa de privatizações, a seca e o crescimento do consumo. A dona de casa Ana Maria lembra bem daqueles dias de crise. Para Ana Maria, foram dias difíceis, mas que resultaram em um ponto positivo: a união dos brasileiros contra o desperdício.

"Foi um sufoco. Teve que mudar a rotina da casa totalmente. Ficar atrás das crianças para diminuir o banho, para gastar menos energia... desliguei freezer, microonda e outras coisas. Mas, eu, já era uma pessoa muito econômica, mas devido a isso, eu aprendi a ser muito mais preocupada, para não ficar no escuro. A gente pagava um consumo mais alto, então, naquela fase da economia diminuiu bastante. Aí eu soube dar valor também, que estava gastando energia desnecessária"

Segundo o diretor de campanha do Greenpeace, Marcelo Furtado, uma possível solução para que o risco de apagão não volte a se repetir no futuro é investir em um programa bastante agressivo de eficiência energética, além de buscar a conscientização da própria população quanto ao uso racional da energia elétrica.

"As pessoas lembram muito bem na época do apagão de 2001, quando a gente conseguiu economizar e chegar a índices de 20% de economia, porque a gente sabia que tinha uma crise energética pela frente"

O professor de engenharia Elétrica da UnB, Ivan Camargo, lembra que qualquer solução nessa área demora cerca de três, quatro anos para ser efetivada o que obriga a uma tomada de decisão agora para que não falte energia em um futuro próximo.

"É uma continha simplérrima: o consumo cresce, se não tiver investimento, o consumo vai ficar maior do que a oferta, aí acaba, não tem jeito. Essa previsão de que vai acabar é uma previsão quase óbvia. Se existe risco, não tem dúvida nenhuma. Qual é o antídoto do risco? É investimento, dinheiro. A gente precisa de investimento na geração"

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, afirma que o novo modelo do setor elétrico permite uma situação de bastante conforto para o país. Tolmasquim explica que conforme a demanda brasileira cresce, o Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica prevê a necessidade de completar a interligação do sistema nacional, para permitir o escoamento da produção de energia até as fontes de consumo. A idéia é instalar 41 mil quilômetros de linhas de transmissão nos próximos dez anos, com um investimento de cerca de 40 bilhões de reais, que permitirá interligar sistemas isolados como Acre, Rondônia e Manaus.

"O Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica recentemente divulgado pelo Ministério de Minas e Energia indica que até 2010 o risco de déficit de energia é menor do que 3%, ou seja, bastante baixo. Hoje o Brasil vive uma situação bastante diferente do passado, quando existia uma grande vulnerabilidade no setor elétrico. Um exemplo da solidez do setor elétrico é que hoje no sul do Brasil nós estamos passando a pior seca dos últimos 70 anos. E graças aos investimentos feitos em transmissão, hoje se transmite do sudeste para o sul do País o equivalente a 5 mil megawtts médio. Um recorde de cooperação entre a região sudeste e a região sul. Graças a essa quantidade de energia que é mandada do sudeste para o sul hoje nós conseguimos enfrentar a situação de seca da região sul sem risco de racionamento"

O secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Nelson Hubner, também não vê risco de faltar energia. Para o secretário, o leilão realizado em fins de junho teve como objetivo contratar a oferta de energia necessária ao atendimento da demanda prevista para 2009. Ele adianta que para 2011, está programado novo leilão para contratação de energia de novas usinas que estarão funcionando a partir de 2011.

"De hoje até o ano de 2010, toda a energia declarada pelas distribuidoras como necessária a atender os consumidores do Brasil está toda ela contratada, a partir de usinas já construídas ou a partir de usinas que já tiveram o seu processo de licenciamento ambiental aprovado. Porque agora a gente não permite mais a participação de leilões de usinas que não têm a sua licença prévia já aprovada. Então, a gente não vê esse risco de forma alguma. Teria que ter uma catástrofe absurda. Nós procuramos criar no modelo do setor elétrico essas exigência das liçenças prévias exatamente para diminuir esses riscos. E a gente está conseguindo fazer isso"

Nelson Hubner complementa que, como o sistema brasileiro é de base hídrica, há necessidade de complementação térmica também, porque se não houver chuvas, a capacidade instalada de energia das usinas hidrelétricas não é gerada. Segundo Hubner, o planejamento atual prevê a implementação de usinas térmicas exatamente com a finalidade de suprir o país com a energia que precisa para manter seu funcionamento adequado quando o ciclo hidrológico é ruim.

De Brasília, Simone Salles

AMANHÃ, NA TERCEIRA EDIÇÃO DO REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO, VAMOS FALAR SOBRE AS FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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