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Reportagem Especial

Especial Crescimento Econômico - O segredo dos países com bom crescimento.

  • Especial Crescimento Econômico - O segredo dos países com bom crescimento.

Na nossa série sobre crescimento econômico, vamos falar hoje sobre dois países que muitos economistas classificam como casos de sucesso econômico: China e Índia. Nós conversamos com o professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Reinaldo Gonçalves.

As taxas de crescimento anuais na China ultrapassam 9% e na Índia, elas chegam a 8%. E a inflação está em torno de 2% ao ano na China. Para o professor Reinaldo Gonçalves, o segredo está na baixa vulnerabilidade externa e no alto investimento público.

Quem já não ouviu falar de globalização, de integração entre os mercados financeiros? Para o investidor, é interessante poder sair de um lugar e ir para outro quando quiser. Mas, para os países, isso pode ser fatal. Na China e na Índia, um dos indicadores da baixa vulnerabilidade externa, segundo Reinaldo Gonçalves, é justamente o controle do dinheiro que entra no país:

"Há um controle sobre esses fluxos. Ou seja, o estado impõe, ele verifica qual é o tipo de capital e se vale a pena para o estado ter esse tipo de capital. É como se fosse a nossa casa. Na sua casa você recebe quem você quer, não é uma casa da mãe Joana, que entra qualquer tipo de gente, de capital. (...) Esses dois países, como resultado disso, eles não têm um passivo externo muito elevado."

A outra dimensão desse controle acontece na entrada de empresas estrangeiras na China ou na Índia:

"Não é qualquer empresa que vai se instalar nesses países. Eles exigem que a empresa tenha uma certa conduta, um certo desempenho com o objetivo de maximizar os frutos do processo de desenvolvimento. (...) Por exemplo, a Embraer está produzindo aviões na China, mas ela só foi lá em esquema de joint venture, uma associação compulsória, obrigatória, com a empresa estatal chinesa."

A mesma coisa é aplicada à entrada de tecnologia de outros países. Os governos avaliam o custo de pagar esse conhecimento em relação aos benefícios que ele pode trazer. Mas uma quarta vertente é a questão comercial. Como se sabe, a Índia vem investindo pesadamente em software e a China, que antes era mais conhecida pelos artigos encontrados em camelôs, hoje produz computadores.

Mas há quem aponte que China e Índia crescem sem distribuir a renda, deixando uma grande parte da população na pobreza. Também existem problemas ambientais e de respeito aos direitos humanos. Mas Reinaldo Gonçalves acha que esses argumentos desviam um pouco o foco da discussão. E cita o exemplo do próprio Brasil:

"Tem baixos salários, tem violação dos direitos humanos, tem trabalho escravo, tem degradação brutal do meio-ambiente, pentacampeão mundial de degradação ambiental e em compensação tem uma enorme vulnerabilidade externa. Então existem esses problemas nesses países, mas eles não são os fatores determinantes do sucesso. (...) Nós precisamos aprender com os nossos fracassos. O Brasil tem sido um fracasso rotundo, inclusive atualmente numa conjuntura internacional muito favorável. E o Brasil está perdendo a oportunidade de fazer uma ruptura com esse padrão de altíssima vulnerabilidade externa."

Reinaldo Gonçalves é crítico em relação à política externa brasileira nos aspectos econômicos. Nos últimos anos, o país vem brigando na Organização Mundial do Comércio e em outros fóruns para eliminar os subsídios que outros países oferecem aos seus produtores rurais. Tudo com o objetivo de tornar os nossos produtos agrícolas ainda mais competitivos no exterior.

Mas o economista lembra que preços agrícolas variam muito e isso é um fator que aumenta a vulnerabilidade externa do país. Nas palavras de Gonçalves, não dá para apostar apenas em ser um grande exportador de soja e de asas de frango. Ou seja, o Brasil tem que se organizar para fabricar produtos mais elaborados, que tenham mais valores agregados a eles.

Mas existem outros exemplos de vitórias econômicas pelo mundo. Alguns economistas preferem destacar casos em que o esforço fiscal continuado foi o fator determinante para o crescimento sustentado. E citam o exemplo da Irlanda que desde os anos 80 vem reduzindo a sua dívida pública, economizando recursos de impostos. O crescimento aumentou e a taxa de desemprego caiu de 17% para 4%.

Para esses economistas não vale ficar criticando o Banco Central por manter os juros altos. É preciso aumentar a capacidade de investimento, reduzindo significativamente os gastos públicos.

E os juros estão na edição de amanhã da nossa reportagem especial. Afinal, as taxas de juros podem ser reduzidas mais rapidamente? Então não perca.
De Brasília, Sílvia Mugnatto.

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