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Reportagem Especial

Especial Crescimento Econômico - Por que o Brasil cresceu pouco em 2005?

  • Especial Crescimento Econômico - Por que o Brasil cresceu pouco em 2005?

O IBGE ainda não divulgou o crescimento econômico de 2005, mas todos contam com uma taxa de no máximo 2 e meio por cento. É pouco? É pouco. Na América Latina, a taxa média foi estimada em 4,3%. A China cresceu quase 10% e a Índia, mais de 7%. Ironicamente, a nossa taxa se aproxima da média dos países mais ricos do mundo.

Mas, por que o Brasil não deslancha? Essa é a pergunta que nós vamos tentar responder esta semana em uma série de reportagens com economistas de diferentes tendências.

A década de 70 fica ainda mais distante quando a gente busca comparações entre as taxas de crescimento. Naquela década, o país cresceu 8,6% em média. Nos anos 80 amargamos 1,6% e nos 90, 2,6%.

Mas já faz algum tempo que os governos vêm repetindo que é melhor crescer pouco, mas de maneira sustentável, sem riscos para o aumento da inflação, que gerar um descontrole de preços mais tarde.

Em um seminário recente, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, resumiu a estratégia do governo:

"Nós vamos atingir grau de investimento em poucos anos e nós vamos atingir níveis de crescimento mais vigoroso e nós fizermos um acordo social no país. Vamos gastar melhor, vamos gastar menos. Vamos fazer esforço fiscal nos próximos longos anos. Ter tranquilidade, não ter ansiedade com isso. Quem deve, tem que economizar e pagar sua dívida porque é assim que a dívida cai de maneira adequada. É assim que as coisas melhoram de forma mais profunda no país."

Quando Palocci fala em grau de investimento ele está se referindo à nota que agências internacionais dão para as dívidas dos países. Se um país atinge esse grau, os investidores ficam mais seguros em colocar seu dinheiro lá. Nos últimos anos, os governos brasileiros têm buscado justamente isso: credibilidade.

Essa credibilidade vem sendo buscada de três formas: mantendo a inflação baixa, deixando o preço do dólar variar conforme os ventos do mercado e assegurando o pagamento das dívidas.

O outro ponto da fala do ministro é justamente o esforço fiscal. Ou seja, economizar receitas de impostos para pagar dívidas. Mas, o que isso tem a ver com crescimento?

Bem, uma corrente de economistas, na qual se inclui boa parte dos que comandam a nossa economia, avalia que a despesa com os juros da dívida já está fixada e não pode ser modificada. Então é preciso gastar menos, gastar melhor, como diz o ministro Palocci. Nos últimos anos, porém, a despesa mais sacrificada é o investimento público. E a falta de boas estradas, por exemplo, prejudica o crescimento.

Outra corrente de economistas, porém, avalia que o nível dos juros no Brasil, um dos mais altos do mundo, deve ser questionado porque prejudica o investimento público e o privado. Que empresa vai investir no setor produtivo se pode ganhar no mínimo 17,25% ao ano comprando títulos do governo?

Mas aí o governo contra-ataca: Os juros altos seguram a inflação porque inibem o consumo. Este ponto, que fará parte de outra reportagem da nossa série, é controverso porque muitos economistas não acreditam que a inflação passada tenha sido causada por uma onda de consumo.

Esses economistas batem na seguinte tecla: A política econômica é uma questão de escolha. Ou seja, não existe apenas um caminho a seguir como explica o consultor técnico da liderança do PSDB na Câmara, José Roberto Afonso:

"Responsabilidade fiscal, metas de inflação, câmbio flutuante são remédios. A maneira como aplicar são outros 500. Câmbio flutuante é adotado por muitos países do mundo, em economias emergentes. Mas nenhuma economia emergente nos últimos meses deixou a sua moeda se valorizar do jeito que valorizou no Brasil."

A valorização do real em relação ao dólar diminui o ganho dos empresários brasileiros com a venda de seus produtos no exterior. Por outro lado, torna mais barato a compra de importados.

Para o professor de Economia da Unicamp, Ricardo Carneiro, a situação não recomenda tanta tranquilidade, palavra usada pelo ministro Palocci:

"O Brasil tem uma população jovem. A cada ano milhões de pessoas entram no mercado de trabalho. Então a economia brasileira precisa crescer. E precisa crescer muito rápido para dar emprego para essas pessoas que entram no mercado de trabalho. Isso já há alguns anos. Nós temos nos últimos 20 anos, como você tem crescido de uma forma insuficiente, isso tem depositado aí na periferia das grandes cidades uma massa de jovens desempregados, subocupados e esse é um caldo de cultura para o desenvolvimento da violência, da criminalidade que a gente tem assistido no país."

Ricardo Carneiro afirma ainda que o país não tem políticas de desenvolvimento. Ou seja, estratégias para o futuro como vêm mostrando países como a China e a Índia.

Amanhã vamos acompanhar como outros países vêm lidando com o problema do crescimento econômico.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

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