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Reportagem Especial

Especial Crescimento Econômico - Taxa de juros é considerada um dos maiores entraves para crescimento econômico

  • Especial Crescimento Econômico - Taxa de juros é considerada um dos maiores entraves para crescimento econômico

A taxa de juros básica, definida pelo Banco Central, é considerada um dos grandes entraves para o crescimento econômico. Na última reunião, a taxa foi reduzida para 17,25% ao ano. Ou seja, um ganho de 12,75% sobre a meta de inflação deste ano, que é de 4,5 %. Além de atrair o dinheiro das empresas para as aplicações financeiras em detrimento da produção, essa taxa reduz os investimentos do setor público porque é preciso ter mais dinheiro para controlar o crescimento da dívida pública.

BG

O tamanho do impacto da taxa de juros sobre o Orçamento da União é dado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias. Para 2006, foi estimado que para cada 1 ponto percentual de aumento da taxa, a despesa com juros cresce 1 bilhão e meio de reais em um ano. Isso é o dobro do que o governo gastou em 2004 com a manutenção das rodovias federais.

A taxa de juros definida pelo Banco Central remunera mais da metade da dívida pública interna. Ou seja, dos títulos públicos que são emitidos todas as semanas pelo governo. Mas por que os juros estão altos há tanto tempo?

A resposta do governo é a de que elevar os juros é a principal forma de controle da inflação. Ou seja, inibir o consumo evita aumento de preços. O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Reinaldo Gonçalves, explica a situação de uma outra forma:

"O problema é que a inflação no Brasil não é uma inflação de demanda. O problema é de custos porque não tem investimento no Brasil. E qualquer aumentozinho de demanda bate lá na oferta e gera esse problema. Além de tudo tem os preços administrados, que é um problema da privatização. Quando ele bota o juro lá em cima e faz esse megasuperávit, ele faz o que? Ele inibe o investimento, contrai a capacidade de oferta. Então ele agrava mais ainda o problema da inflação."

Para o professor da Unicamp, Geraldo Biasoto, a taxa de juros atrai principalmente o capital externo, o que acaba reduzindo o preço do dólar no país de maneira exagerada:

"O câmbio baixo garante uma taxa de inflação baixa, através dos importados e do seu impacto dentro do conjunto da economia, que é um impacto obviamente extremamente amplo porque a taxa de câmbio acaba definindo o preço de combustíveis e outros grandes insumos."

O efeito perverso da taxa de câmbio valorizada é a redução da renda dos exportadores. Ou seja, dos recursos que ficam no país para impulsionar novos investimentos.

A taxa de juros está caindo agora, mas, para Geraldo Biasoto, o nível atual, de 17,25% ao ano, ainda gera um ganho real, ou seja, acima da inflação, muito alto para quem precisa crescer:

"A taxa de juros subiu num determinado momento porque era uma política emergencial. Por que? Crise externa, crise de confiança interna. Mas tem sentido ela permanecer nesses patamares reais depois? Nenhum."

Para modificar de maneira mais direta a forma de agir do Banco Central, vários economistas defendem uma mudança no sistema de metas de inflação. A meta deste ano é atingir 4 e meio por cento na inflação medida pelo IPCA. Mas a meta é considerada cumprida se ficar entre 2 e meio e 6 e meio por cento.

Mesmo assim, existem críticas em relação à inclusão dos preços administrados, ou seja, de tarifas públicas como combustíveis e energia elétrica, na conta total. Isso porque esses preços não são sensíveis às ações do Banco Central. Geralmente estão amarrados por contratos. É o que explica o professor de Economia da Unicamp, Ricardo Carneiro:

"O sistema de metas no Brasil ele não pode englobar um conjunto de preços sobre os quais o efeito da taxa de juros não tem nenhum impacto. Em qualquer lugar do mundo você tem o chamado núcleo de preços, que é de fato aquele núcleo que é sensível à demanda. A demanda diminui, então esses preços diminuem. Agora se a demanda diminuir ou aumentar nada acontece com os preços de tarifas. Então eu não posso incluir no índice a ser controlado."

Geraldo Biasoto afirma que o governo atual usou o sistema de metas para ganhar a confiança dos agentes econômicos:

"Quando você usa da maneira absolutamente xiita que muitos fizeram, ela é um verdadeiro torniquete, uma coisa parecida com o cachorro que sai correndo atrás do próprio rabo. Quando você utiliza como uma forma de indicar para o mercado para onde que o nível de inflação está indo, você consegue organizar as expectativas e a forma de ação dos agentes econômicos. Mas o que o governo Lula fez desde o início foi usar a idéia de que metas de inflação seriam honradas a qualquer custo para criar a credibilidade que o governo não tinha."

Mesmo com todo o esforço, nos últimos dois anos a variação da inflação ficou acima da meta central do governo.

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