Rádio Câmara

Reportagem Especial

Especial - Seca na Amazônia - ( 3' 43" )

  • Especial - Seca na Amazônia - ( 3' 43" )

Assolada por uma seca histórica, a Amazônia revela paisagens inéditas. O rio Amazonas, famoso por ser o maior do mundo em volume de água, já não é o mesmo. Bancos de areia no meio do rio formam imensas praias nunca vistas antes pelos moradores de Itacoatiara, município a 230 quilômetros de Manaus. O nível do rio está tão baixo que há trechos em que as praias estão quase fechando os braços do Amazonas.

Na região, a água é o recurso natural mais presente na vida das pessoas. Nos rios Madeira e Purus, importantes afluentes do Amazonas, a população enfrenta problemas com o transporte. Só embarcações pequenas conseguem navegar. As balsas encalham com freqüência, prejudicando o escoamento de soja em grão.

Em várias localidades, o isolamento de lagos e braços do rio está causando a morte de peixes, gerando risco de contaminação das pessoas que se alimentarem deles. Há risco também de proliferação de doenças contagiosas e virais como a cólera, o rotavirus, diarréias agudas, hepatite A e febre tifóide.

Para o cientista peruano José Antônio Maringo, do Instituto Nacional de Pesquisas espaciais, a principal causa da seca na região amazônica é o aquecimento das águas do oceano Atlântico.

"Colocando a seca de 2005 como um caso de variabilidade climática, o responsáveis seriam mais a circulação de grande escala, as temperaturas da superfície do mar."

Segundo avaliou o cientista, ainda não se pode falar em mudança do clima na Amazônia. Ele afirma que não existem evidências científicas de que a seca pode durar 50 ou 100 anos. Mas Maringo não descarta a possibilidade de, a longo prazo, o desmatamento e as queimadas causarem efeitos permanentes no clima da região.

Apesar da chuva que já começou a cair, a situação climática só voltará ao normal dentro de algum tempo, conforme revelou o cientista.

O deputado Fernando Gabeira, do PV do Rio de Janeiro, sobrevoou a região no último fim de semana e constatou a gravidade da situação. Gabeira está preocupado com os problemas que as chuvas podem trazer.

"As chuvas já começaram a cair nas cabeceiras, muito possivelmente, daqui a 40 dias vai se voltar ao normal. Mas o normal também é problemático, porque nas cheias, depois de uma grande seca como esta, costumam vir muitas doenças."

Apesar de o governo ter anunciado a liberação de 30 milhões de reais para a operação de socorro às populações atingidas pela seca, o deputado Sarney Filho, do PV do Maranhão, afirma que faltou coordenação nos trabalhos.

"De uma parte, as Forças Armadas, que são acostumadas com a Amazônia e que têm experiência nesse tipo de trabalho agiram com competência, apesar de sem os recursos necessários, com poucos recursos. Mas, por outro lado, os outros ministérios foram muito lentos, como os ministérios da Integração e o do Meio Ambiente."

Depois de uma reunião na quarta-feira, o Partido Verde decidiu reforçar o pedido para que o governo decrete o congelamento do desmatamento em toda a Amazônia. Ficaria liberado apenas o corte seletivo, baseado em estudos científicos. Outro pedido que o PV vai enviar ao governo é a sistematização dos estudos para se chegar a um diagnóstico sobre a real situação na região.

De Brasília, Idhelene Macedo

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De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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