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Reportagem Especial

Especial - Depois da eleições internas, reacende o debate sobre o futuro do PT - ( 05' 02" )

  • Especial - Depois da eleições internas, reacende o debate sobre o futuro do PT - ( 05' 02" )

Enquanto o Campo Majoritário ainda comemora a eleição de Ricardo Berzoini para a presidência do PT, a esquerda do partido reforça o apelo por mudanças na economia. A eleição do deputado federal paulista reacendeu o debate sobre o futuro do Partido dos Trabalhadores. Berzoini recebeu 51,6% dos votos dos militantes, contra os 48,4% computados para Raul Pont, ligado à esquerda do partido.

O deputado Carlito Merss, de Santa Catarina e integrante do Campo Majoritário, admite que - com a vitória apertada - o grupo dele terá de negociar com as outras tendências. Mas Carlito Merss está otimista e afirma que o PT vai renascer, tal qual a fênix.

"A extrema direita e a direita no Brasil tinham certeza de que, com 4 meses de massacre... nós estamos sofrendo um processo que nunca imaginei ver aqui no país. Porque as acusações são feitas primeiro e depois vai verificar se tem verdade. É só fazer um levantamento dos 4 meses; são mais de 26 acusações. Todas elas duravam 4, 5 dias, mas nenhuma delas até hoje teve eco no sentido da prova. A única questão é que se carimbou a discussão do mensalão, que é algo que não existe. Ela foi ditada pelo editor-chefe Roberto Jefferson. A grande mídia nacional inclusive comprou essa idéia. E o que existe não é mensalão. O que existe é caixa 2"

Carlito Merss afirma que quem errou vai ser punido, mas pelo eleitor. O líder do PT, Henrique Fontana, também reconhece os erros do partido, mas diz que seria um equívoco o afastamento do governo, postura defendida por Raul Pont, candidato derrotado à presidência do partido.

"Primeiro que seria um erro se um partido como o PT pensasse em se distanciar do seu próprio governo. Nós somos governo. Somos o principal partido da base de sustentação do governo Lula. Temos um enorme orgulho do balanço que fazemos do governo Lula, que é um governo vitorioso, que está mudando o Brasil para melhor, com limites, evidentemente, que nós queremos superar ainda neste governo e no próximo governo"

O gaúcho Henrique Fontana fala que o papel da nova direção será preparar a reeleição do presidente Lula. Já o deputado Wasny de Roure, do Distrito Federal, membro do Movimento Alternativa Socialista, acha que é hora de mudar a política econômica.

"Não desconhecemos os resultados positivos, mas entendemos que a fase desta proposta é uma fase transitória (...) Nós entendemos que este é o momento em que o repensar do endividamento interno do país, um alongamento dele - não é perda de compromisso com o pagamento - uma negociação que prolongue o pagamento da dívida interna (....) Como também um trato na taxa de juros, um pouco mais acessível ao processo produtivo (...) Nós entendemos que agora é hora de nós priorizarmos de fato o setor produtivo."

Wasny de Roure diz ainda que a discussão sobre a ética não pode parar embaixo do tapete. O professor de Ciências Políticas da UNB, Ricardo Caldas, que não tem dúvidas da fidelidade da nova direção ao Planato, acha que a tarefa de Berzoini será reduzir as perdas do partido na eleição do ano que vem.

"O grupo que ganhou é o grupo mais afinado com o Palácio do Planalto, com o executivo, etc. O que também não quer dizer que eles vão apoiar ou referendar tudo. Até agora, Berzoini tem feito muitas concessões. Ele não tocou na questão da manutenção do Dirceu na direção do partido etc (...) O trabalho do presidente Lula neste ano e até no ano que vem e do presidente do PT, Berzoini, é fazer o que os americanos chamam de ´damage containment´: tentar conter os prejuízos ao mínimo possível. Esse é que é o grande trabalho dele. E que eles estão fazendo até com relativo sucesso, ajudado por outros escândalos, como a questão da máfia do futebol. Tudo isso veio em ´boa hora´. Mas eu acho dificil tirar completamente a crise e o escândalo político do noticiário."

O professor de Ciências Políticas da UNB, Ricardo Caldas, ressalta que o PT perdeu a bandeira da ética para sempre. Para compensar, o governo poderá apelar para a economia: inaugurando obras e reduzindo os juros. Ricardo Caldas também acredita que a eleição de Berzoini para a presidência do PT provocará uma nova debandada do partido.

De Brasília, Mauro Ceccherini
SM

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