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Reportagem Especial

Criança Segura - dicas para a segurança dos seus filhos - ( 07' 23" )

  • Criança Segura - dicas para a segurança dos seus filhos - ( 07' 23" )

TRILHA: ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA...

Os pais, às vezes, têm a impressão de que a rua é um local perigoso para as crianças. Mas na maioria das vezes, o perigo mora mesmo dentro de casa. Por isso, conhecer os pontos de risco de sua casa é a melhor maneira para evitar acidentes. A coordenadora da ONG Criança Segura, Luciana O´Rilley, diz que os afogamentos são responsáveis por mil e seiscentas mortes de crianças de 0 a 14 anos por ano. Os afogamentos acontecem em águas abertas, como mares ou rios, mas também são freqüentes em ambiente doméstico, e não apenas na piscina. Baldes, vasos sanitários, tanques, piscininhas plásticas e as banheirinhas são locais que devem receber atenção especial.

"Um bebê pode se afogar em apenas 2,5cm de água. Basta um pouquinho de água para tampar as vias aéreas, que é o nariz e a boca, que um bebê pode se afogar. Ele também não tem condições de identificar o risco e conseguir sair desse risco. Então, mesmo que a criança saiba nadar, é preciso uma supervisão ativa toda vez que a criança esteja próxima da água. Porque ela sabe nadar, mas não é a prova de afogamento"

Então, fique atento: na hora de lavar a roupa, não deixe baldes com água no chão. Nunca deixe a criança sozinha na banheira, mesmo que seja somente para buscar a toalha no outro quarto. O ideal é colocar em volta da piscina uma grade de pelo menos um metro em meio de altura, com portão trancado. Luciana adverte os pais de que uma rede sozinha sobre a piscina não deve ser usada como forma única de proteção.

TRILHA: "QUE QUE TEM NA SOPA DO NENÉM?"

Outro local perigoso para as crianças é a cozinha. Portanto, na medida do possível, você deve proibir as crianças de andarem por ali. Mas, se for impossível, lembre-se de colocar os cabos da panela virados para trás, de preferência nas bocas de trás do fogão. Outro problema são os produtos de limpeza. O álcool líquido, por exemplo, é responsável por 45 mil hospitalizações de crianças. A recomendação é usar somente o álcool em gel, mas bem longe do alcance das crianças, trancado em armário alto, assim como o fósforo e o isqueiro, explica Luciana.

"Os produtos de limpeza são muito atrativos, têm cores fortes, cheiros atrativos, então a criança não reconhece, não sabe, às vezes acha que é um suco. Acontece muita intoxicação com esses produtos também. Então, todos em armários altos e trancados. Assim como os medicamentos."

Para evitar quedas de janelas e sacadas, instale grades ou redes de segurança nelas. As quedas de escada podem ser evitadas com a instalação de portões de segurança. Cubra as tomadas com protetores e proteja os fios desencapados.

TRILHA: CARRO

O carro também é um perigo para as crianças. Os pais insistem em colocar a criança solta no banco de trás e não sabem os riscos que isso pode representar. A coordenadora da ONG Criança Segura alerta as mães do perigo segurar seus filhos no colo, mesmo estando sentadas no banco de trás, usando cinto de segurança. Segundo a coordenadora do Criança Segura, um bebê de 5kg, numa freada brusca a 50km por hora, passa a pesar 100kg. Como a mãe não tem força para segurar, a criança corre o risco de ser projetada para fora do carro.

"Da mesma forma como nós acostumamos hoje, na hora em que estamos dirigindo, usamos o cinto, por que a criança vai solta? Como o pai ou a mãe se protegem, colocando o cinto na frente, e a criança atrás vai solta, às vezes, entre os bancos. Então isso é muito sério"

Ela lamenta que o Código de Trânsito brasileiro seja vago sobre a utilização de cadeirinhas de carro. A lei exige apenas que a criança de menos de 10 anos ande no banco de trás, mas não especifica os outros apetrechos que devem ser utilizados. Luciana O´Rilley explica o que os pais devem fazer.

"O bebê, desde que nasce, saindo da maternidade, deve já sair na cadeirinha, que é o bebê conforto, que é adequado para o peso dele até 9kg. De 9 a 18kg, ele vai andar já numa cadeirinha, voltada de frente para o movimento do carro. Bebê conforto, bebê vai olhando para trás, para proteger a coluna cervical numa batida frontal. A partir dos 9kg, por volta de 1 ano, ele já pode andar na cadeirinha, ele vai andar nela até 18kg, por volta de 3 a 4 anos. A partir dessa idade, ele não tem altura suficiente para usar o cinto do carro, o cinto do carro, em média, ele é projetado para uma pessoa de 1,45m, então ela precisa ainda de um dispositivo, que é o assento de elevação, que faz com que a criança fique mais alta, e o cinto de 3 pontos do carro passe no local correto, que é o centro do ombro e sobre o quadril."

A criança deve ficar nesse assento até pesar 36kg, que é por volta de 8, 9 anos. Luciana adverte que as cadeirinhas nacionais devem ter o selo do Inmetro. Todas as importadas dos Estados Unidos ou Europa já vem certificadas. A instalação deve ser bem feita, com uma sobra de não mais de 2cm de cada lado. E como lidar com uma criança gritando porque não quer sentar na cadeirinha? Luciana sugere a negociação. Em último caso, os pais devem colocar mesmo, à força, porque isso é fundamental para a segurança da criança. Luciana adverte ainda, que somente a partir dos 10 anos, a criança é capaz de atravessar uma rua sozinha com segurança. Antes disso, o menino não consegue calcular distância e velocidade adequadamente.

TRILHA -

Ouvindo todas essas recomendações, pode surgir um pavor na cabeça dos pais. Luciana tranqüiliza a família, dizendo que o primeiro passo é conhecer o risco, para, em seguida, eliminá-lo.

"Não é trancar a criança numa redoma, é o contrário. É fazer com que aquela criança possa crescer e se desenvolver de forma natural, com toda sua curiosidade, com toda sua brincadeira, de forma saudável."

A ONG Criança Segura faz parte de uma organização internacional e atua no Brasil desde 2001. Para conhecer mais dicas de segurança para seu filho, entre no site: www.criancasegura.org.br

De Brasília, Adriana Magalhães.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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