> Pauta - CAPADR - 05/11/2024 10:00

CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
57ª Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária

ATA DA TRIGÉSIMA SÉTIMA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

REALIZADA EM 05 DE NOVEMBRO DE 2024.

Às dez horas e dezessete minutos do dia cinco de novembro de dois mil e vinte e quatro, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural no Anexo II, Plenário 06, da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as): Evair Vieira de Melo - Presidente; Afonso Hamm - Vice-Presidente; Adilson Barroso, Alceu Moreira, Coronel Meira, Daniel Agrobom, Daniela Reinehr, Elisangela Araújo, Giovani Cherini, Luciano Amaral, Marcelo Moraes, Márcio Honaiser, Nelson Barbudo e Thiago Flores - Titulares; Afonso Motta, Bohn Gass, Cabo Gilberto Silva, Charles Fernandes, General Girão, Heitor Schuch, Marcel van Hattem, Marcos Pollon, Newton Bonin, Pedro Westphalen, Raimundo Santos, Reinhold Stephanes e Tadeu Veneri - Suplentes. Compareceram também os Deputados Any Ortiz, Franciane Bayer, Lucas Redecker, Osmar Terra, Pompeo de Mattos e Silvia Waiãpi, como não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Albuquerque, Alexandre Guimarães, Ana Paula Leão, Dilceu Sperafico, Dilvanda Faro, Domingos Sávio, Eli Borges, Emanuel Pinheiro Neto, Emidinho Madeira, Giacobo, Henderson Pinto, João Daniel, José Medeiros, Josias Gomes, Josivaldo Jp, Lázaro Botelho, Luiz Nishimori, Magda Mofatto, Marcon, Marussa Boldrin, Murillo Gouvea, Pedro Lupion, Pezenti, Raimundo Costa, Ricardo Salles, Rodolfo Nogueira, Rodrigo Estacho, Tião Medeiros, Valmir Assunção, Vicentinho Júnior, Zé Silva e Zezinho Barbary. Justificou a ausência o Deputado Emanuel Pinheiro Neto. ABERTURA – O Presidente em exercício, Deputado Afonso Hamm – PP/RS, declarou aberta a audiência pública, cumprimentou a todos e agradeceu a presença dos parlamentares e dos convidados. Em seguida, convidou a todos a ouvir, de pé, o Hino do Estado do Rio Grande do Sul em respeito a todos que enfrentam a calamidade das enchentes. Ato seguinte, esclareceu que, de acordo com a Resolução nº 123/2021, a participação dos parlamentares e palestrantes dar-se-ia de modo presencial ou remoto, via plataforma de videoconferência. Ainda, informou que a reunião, objeto do Requerimento nº 163/2024 CAPADR, de sua autoria, tinha por finalidade debater sobre a "Renegociação das dívidas dos produtores gaúchos em razão das enchentes". Após explanar sobre a importância do tema, anunciou os seguintes convidados: GILSON BITTENCOURT, subsecretário de política agrícola e negócios agroambientais do Ministério da Fazenda; WILSON VAZ DE ARAÚJO, secretário-adjunto de política agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA; GRAZIELE DE CAMARGO, coordenadora do Movimento SOS AGRO RS; LUIS FERNANDO PIRES, assessor da presidência da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul – FARSUL; LÉRIDA MATILDE PIVOTO PAVANELO, coordenadora de mulheres da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul – FETAG; RODRIGO TELLES PIRES HALLAK, chefe do departamento de modelagem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES; PAULA REGINA DE MELO COSTA, gerente executiva da diretoria de agronegócios e agricultura familiar do Banco do Brasil – BB; e ROBSON OLIVEIRA SANTOS, superintendente de agronegócios do Banco do Estado do Rio Grande do Sul – BANRISUL. O Presidente em Exercício também anunciou a presença de outros participantes ilustres que poderiam contribuir com os debates. A palavra foi repassada ao Dep. Marcel Van Hatten, o qual falou sobre os trabalhos realizados e sobre o que espera desta audiência pública. Após terminar de explicar as regras do evento, o Presidente em exercício falou da importância do Movimento SOS Agro e dos outros produtores nesta audiência. Descreveu as ações políticas com o governo federal, relacionou as dificuldades dos produtores do Rio Grande do Sul e repassou a palavra aos inscritos. A Sra. GRAZIELE DE CAMARGO disse que nem todos os produtores puderam voltar às suas terras. As medidas públicas não foram suficientes. Muitos perderam tudo, não possuem mais condições de continuar produzindo. Querem soluções para os produtores continuarem a trabalhar. A medida provisória não resolveu os problemas dos produtores e pediu linha de crédito para reconstituir o solo. Os agricultores não receberam os recursos e gostariam de saber quem foram os beneficiados pelo governo federal. Já se passaram 6 meses e pediu a sensibilização de todos para ajudar os agricultores a cumprirem suas missões. O Sr. LUIS FERNANDO PIRES disse que, em 07 de maio, pediu linha especial aos produtores, tanto para a situação atual quanto para o passivo advindo dos anos de seca. Já foram 15 a 20 medidas tomadas e, só agora, saiu a linha de crédito, em 11 de outubro. Contudo, só foram disponibilizados 400 milhões de Reais e, por isso, cobraram mais recursos ao governo, que posteriormente incremento o valor em torno de 3,3 bilhões. Contudo, os recursos acabaram em pouco tempo. Precisa-se de mais recursos e pediu que se aumente o prazo de carência, eis que 8 anos não será suficiente. Muitos produtores ainda não conseguiram a desnegativação e precisa-se de acesso ao crédito mais fácil. A Sra. LÉRIDA MATILDE PIVOTO PAVANELO falou do papel da Fetag ao longo dos anos na defesa dos agricultores locais e da agricultura familiar. Há produtores que, depois das enchentes, não possuem mais nem a propriedade. Em obediência à burocracia estabelecida, muitos municípios criaram conselhos, cadastraram os prejudicados e os que tiveram perdas de 30% já foram quase todos atendidos. O problema é para os que perderam acima de 60%, que tiveram que passar por uma comissão para receberam o aval de renegociação das dívidas com os bancos. Essa burocracia tem prejudicado esses agricultores. A expectativa é que serão precisos 25 bilhões de Reais para ajudar os agricultores. Falou dos trabalhos para o fundo garantidor e listou outras medidas que entende serem necessárias. O Presidente em exercício alternou a fala dos convidados com outros membros da plateia, fazendo uso da palavra: Sérgio Feltracoda, engenheiro agronomista da Fecoagro; Enio Nascimento; e Celso Giroto, assentado do Movimento SOS AGRO RS. O presidente em exercício passou a palavra, ainda, aos Deputados inscritos: Lucas Redecker, Evair Vieira de Melo e Marcel van Hattem. A presidência foi repassada ao Sr. Marcel van Hattem. A palavra retornou aos convidados. A Sra. PAULA REGINA DE MELO COSTA disse que, desde o início, tentaram ajudar os desabrigados. Os funcionários do Banco do Brasil coletaram e doaram mais de 61 milhões de reais. Além disso, ofereceram os espaços dos bancos para acolhê-los. Listou todas as medidas para ajudar os produtores, como a suspensão da cobrança das faturas, postergação da cobrança dos boletos, recursos e linhas de crédito disponibilizadas aos produtores, dentre outros. Ainda, informou como a ajuda é operacionalizada, divulgou os números de adesões aos programas governamentais e administrativos de prorrogações e forneceu outros dados. Fez o uso da palavra os Deputados Pompeo de Mattos e Afonso Hamm. O Sr. ROBSON OLIVEIRA SANTOS falou que o Banrisul tem feito todos os esforços para ajudar a agricultura gaúcha, que vem sofrendo com três anos de estiagem e, agora, com enchentes. Estão buscando medidas para auxiliar os produtores. Desde o primeiro dia, postergaram a cobrança das dívidas. Há uma grande complexidade negocial por sobreposição de medidas. Há dificuldades de entender-se e repassar as informações, com clareza, aos gerentes e aos produtores da região. Há muita desinformação. Listou os valores disponibilizados e disse que conseguiram atender 90% da demanda de crédito. O presidente em exercício, Marcel van Hattem, informou que a equipe da Comissão estaria preparando o Plenário II para acomodar melhor os presentes na reunião. O Sr. RODRIGO TELLES PIRES HALLAK reafirmou o compromisso do BNDES em auxiliar os afetados pelas enchentes. Foram disponibilizados diversos recursos, os quais acabaram rapidamente, mas esperam a liberação de outros na ordem de, aproximadamente, 5 bilhões de Reais, a serem divididos entre os agricultores e pequenas e médias empresas. Detalhou a divisão dos recursos já empregados, os refinanciamentos realizados, os valores de dívidas suspensas, como foi aplicado o fundo social, dentre outros. Logo após, o Sr. Rodrigo respondeu às perguntas da Sra. Graziele de Camargo, do Dep. Afonso Hamm e do Dep. Pompeo de Matos. O Dep. Giovani Cherini fez o uso da palavra pela liderança do PL. O presidente em exercício, Dep. Marcel van Hattem, suspendeu a reunião às 12h18 para que pudessem se deslocar ao plenário II. Às 12h28, o Presidente em exercício, Dep. Afonso Hamm, reiniciou a reunião no novo plenário, repassando a palavra aos convidados. O Sr. WILSON VAZ DE ARAÚJO disse que a situação no RS é grave e complexa. Havia uma crise de liquidez, já em março, eis que o RS já vinha de secas que quebraram a produção agropecuária local. Devido a isso, já havia sido publicada uma portaria para prorrogar as dívidas. Quando começaram as enchentes, no final de abril e começo de maio, concedeu-se crédito extraordinário, de forma emergencial, para ajudar com os danos causados. Houveram prorrogações das dívidas à medida que o Decreto 12.138 estava sendo implementado. Falou do Pronaf, do Pronamp e das verbas indicadas aos programas. Houve a regulamentação do decreto, a fim de dar condições para o financiamento e pagamento das dívidas ocorridas pelas enchentes, mas precisa-se seguir os trâmites burocráticos, especialmente, para aqueles que tiveram perdas acima de 60%. Falou dos demais recursos já aplicados e das dificuldades enfrentadas para atender a demanda. Disse que houve aumento do fundo social alocado. Inclusive, o Ministro Fávaro está requerendo mais recursos para atender a região. Listou os recursos liberados e executados, leu dados sobre as operações do ano passado e ressaltou que o Governo está correndo contra o tempo. Fizeram o uso da palavra a Sra. Graziele de Camargo, o Dep. Bohn Gass e o Dep. Alceu Moreira. O Sr. GILSON BITTENCOURT disse que as ações do governo para o Rio Grande do Sul foram variadas, mas que iria concentrar-se nas questões rurais. Há uma dificuldade para pensar entre uma situação de calamidade e as necessidades das ações em face da legislação e dos gastos que podem ser feitos. Ou se ajuda todo mundo e quem menos precisa é beneficiado ou se faz medida restritiva para focalizar quem mais precisa e pode-se “errar a mão” e dificultar o acesso. Este último caso foi o que aconteceu, em que se limitou a ajuda aos agricultores mais afetados pelas enchentes. Ressaltou que diversos agricultores já estavam afetados pelas secas anteriores e com suas dívidas sobrestadas ou renegociadas. O governo também enfrenta limitações quanto ao tempo de ajuda. Se fosse muito longo para atender, atrapalharia as safras. Se muito curto, deixariam de ajudar muitas pessoas. Essas previsões são difíceis de serem realizadas e, sem elas, não conseguem calcular um montante adequado. Os cálculos precisam ser os mais fies possíveis devido à Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige uma estimativa. O Crédito Rural não é do governo, são os bancos que levam prejuízos se não recebem dos agricultores. Por isso, o governo não pode obrigá-los a negociar, pois, é uma operação de mercado. Os riscos são dos bancos e o governo não tem como mandar neles. Os prazos sempre foram curtos e, dos quase 497 municípios, mais de 450 decretaram calamidade, mas, mesmo assim, não havia como atender a todos devido às operações bancárias serem privadas e pelo tamanho do desastre. Os dados são atualizados, pelos bancos, a cada 45 dias, contudo, esclareceu que, no Brasil inteiro, houve uma redução na procura de crédito em relação ao ano passado. Citou as medidas feitas, como 15 bilhões do Proagro só no RS, linha de crédito pelo Pronam e Pronaf, com rebate de 1 bilhões de Reais, cujo foco era a recuperação de solo. Contudo, muitos “afetados” desviaram as verbas e compraram drones e máquinas. Há sobra de recursos no Pronaf nos bancos financeiros e há margem de crescimento nos números de financiamentos. É preciso saber o que está acontecendo para saber o porquê não está chegando aos que foram prejudicados. A prorrogação dos débitos, porém, é decisão dos bancos por serem operações privadas. Os conselhos foram criados para validar quais eram os agricultores mais necessitados, que tiveram perdas acima de 60%, porém, os resultados não foram bons. Teve conselho coordenado pelos municípios que se negaram até a se reunirem e discutir os problemas locais. Muitos disseram que não iam se manifestar por que não eram pagos para isso. Relatou a situação das cooperativas, do fundo social, das renegociações de crédito, de dívidas de agricultores com cooperativas e cerealistas, dos valores destinados ao capital de giro e investimentos nas manchas de alagamentos, explicando a necessidade de novas leis para alocar recursos diante do arcabouço legislativo brasileiro. Compareceu na reunião e fez uso da palavra o Sr. Cláudio Filgueiras, representando o Banco Central do Brasil, o qual falou do pagamento no Proagro, das prorrogações de 9 bilhões de Reais das dívidas, dentre outros assuntos. Participaram dos debates, vindos da Plateia: Mario Vainer, Giseli Fátima Machado, Behur Terra, Velle Jansen, Arlei Romeiro, Valnei Brose, Solon de Lemos Rosa, Alexandre Azevedo, Luis Fernandes Pires, Juarez Petry, Arlindo Rappel, Everton Garcia, Fernanda Mendes, José Antônio da Silva e Diego Rodrigues. Fizeram uso da palavra os(as) Deputados(as): Bohn Gass, Alceu Moreira, Marcel van Hattem, Lucas Redecker, Pedro Westphalen, Marcelo Moraes, Osmar Terra, Elisangela Araújo, Pompeo de Mattos e Any Ortiz. Durante a segunda parte da reunião, assumiram interinamente a presidência dos trabalhos o Dep. Marcel van Hattem e o Dep. Pompeo de Mattos, retornando-a ao final para o Dep. Afonso Hamm. Após as manifestações finais dos convidados, o Presidente em exercício agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às dezesseis horas e cinquenta e três minutos. E, para constar, eu______________________________________, Fco Alexandre Pierre Barreto Lima, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Evair Vieira de Melo __________________________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx