> Pauta - CAPADR - 16/10/2024 11:00

CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
57ª Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária

ATA DA TRIGÉSIMA QUARTA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA (AUDIÊNCIA DE MINISTRO)

REALIZADA EM 16 DE OUTUBRO DE 2024.

 

Às onze horas e catorze minutos do dia dezesseis de outubro de dois mil e vinte e quatro, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural no Anexo II, Plenário 06, da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as): Evair Vieira de Melo - Presidente; Ana Paula Leão e Afonso Hamm - Vice-Presidentes; Alexandre Guimarães, Coronel Meira, Daniel Agrobom, Daniela Reinehr, Domingos Sávio, Elisangela Araujo, Emidinho Madeira, Giovani Cherini, José Medeiros, Lázaro Botelho, Luciano Amaral, Márcio Honaiser, Marussa Boldrin, Nelson Barbudo, Pedro Jr, Pezenti, Ricardo Salles e Thiago Flores - Titulares; Alberto Fraga, Antônio Doido, Augusto Puppio, Aureo Ribeiro, Bohn Gass, Cabo Gilberto Silva, Carlos Veras, Charles Fernandes, Coronel Fernanda, Cristiane Lopes, Dagoberto Nogueira, General Girão, Julia Zanatta, Marcel van Hattem, Marco Brasil, Marcos Pollon, Marreca Filho, Maurício Carvalho, Mauricio do Vôlei, Newton Bonin, Nilto Tatto, Pastor Diniz, Pedro Lupion, Rafael Simões, Raimundo Santos, Silvia Cristina, Silvia Waiãpi, Tadeu Veneri e Zucco - Suplentes. Compareceram também os Deputados Coronel Chrisóstomo, Felipe Francischini, Gisela Simona, Nikolas Ferreira e Paulo Guedes como não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Adilson Barroso, AJ Albuquerque, Albuquerque, Alceu Moreira, Dilceu Sperafico, Dilvanda Faro, Emanuel Pinheiro Neto, Giacobo, Henderson Pinto, João Daniel, Josias Gomes, Josivaldo Jp, Luiz Nishimori, Magda Mofatto, Marcelo Moraes, Marcon, Murillo Gouvea, Raimundo Costa, Rodolfo Nogueira, Rodrigo Estacho, Tião Medeiros, Valmir Assunção, Vicentinho Júnior, Zé Silva e Zezinho Barbary. ABERTURA – O Presidente da Comissão, Deputado Evair Vieira de Melo, declarou aberta a audiência, cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares, dos convidados, e esclareceu que a reunião, objeto dos Requerimentos nº 143/2024-CAPADR e nº 148/2024-CAPADR, de sua autoria, e do Requerimento   147/2024 CAPADR, do Deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), tinham por finalidade a realização de uma audiência com a Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Sra. Marina Silva, para falar sobre as queimadas. Em seguida, explicou as regras procedimentais e passou a palavra à Ministra. Em síntese, A Sra. Marina Silva ressaltou a importância de discutir-se os efeitos das mudanças climáticas e os problemas que causam para o país, citando as inundações e tempestades no Rio Grande do Sul, São Paulo e outros, além das secas nos Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Apresentou dados sobre as secas no país e explicou que a combinação de altas temperaturas e baixa humidade geram matéria orgânica a ponto de combustão. Apesar de haverem incêndios que podem ser causados por raios, todas as queimadas no Mato Grosso foram de origem humana, dolosa ou culposamente. É com esse olhar que o governo federal está enfrentando o problema. Além de outras agravantes para as alterações do clima, recordou que, se fosse cumprido o acordado em 1992, a mudança climática não teria acontecido. A elevação da temperatura em 1,5ºC foi projetado para acontecer em 2028, mas ocorreu esse ano e há grandes possibilidades de não retroagir, o que fará com que esses eventos climáticos extremos sejam constantes. O Governo brasileiro tomou medidas e providências em 2003, o que derrubou 80% dos desmatamentos, mas essas medidas foram abandonadas a partir de 2020. Ainda, apresentou dados sobre a proteção dos indígenas ao longo dos governos, a redução dos desmatamentos ocorrida, os esforços para aumentar o orçamento ao Ministério, dentre outros. Citou e explicou as ações de cooperação do governo federal com os Estados, Municípios, Embrapa etc., defendendo que as ações preventivas são mais baratas e eficazes do que esperarem haver queimadas para, só então, agirem. Há pessoas que ainda usam queimadas para abrir pastagens, mas, neste ano, houveram ações dolosas. As brigadas contra incêndios trabalharam em conjunto com outras forças, usando ações de dissuasão, prevenção e de informações em campanhas publicitárias. Muitos incêndios estão ocorrendo por ações ilegais, dolosas e culposas, e a PRF e a PF estão agindo para investigar os casos, havendo mais de 100 inquéritos em andamento. O enfrentamento precisa de um sistema que envolva o governo federal e os governos estaduais e municipais, defendendo a criação de uma autoridade de mudanças climáticas que aja em sintonia com os demais Ministérios, com um comitê técnico-científico dando apoio. O ministro do MAPA conseguiu abrir vários mercados, mas o fundamental para isso foi a criação de uma política pública que reduzisse os desmatamentos, fazendo que os consumidores parassem de boicotar aos produtos agrícolas no Brasil. Assim, os desmatamentos criminosos geram prejuízos para todos, inclusive, para os interesses econômicos do país. A palavra foi repassada aos autores dos requerimentos. O Dep. Evair Vieira de Melo apresentou dados sobre o crescimento alarmante das queimadas, dizendo que foram afetados 10,6 milhões de hectares, equivalente ao território do Estado de Roraima, um aumento de 150% em relação aos períodos anteriores.  Diante deste cenário de seca, que estava previsto, perguntou à Ministra se ela reconhece alguma falha do governo federal para prevenir as queimadas. Ainda, a redução do orçamento do ICMBIO foi de 34%, com redução de 25% dos brigadistas. Com base em que o governo tomou essa decisão? A seca foi amplamente prevista, então, a Ministra reconhece alguma falha foi tomada como lição aprendida para novas ações para o futuro? Disse que o setor privado conseguiu 10 mil brigadistas em SP, 1500 caminhões e o Governo Federal, para todo o Brasil, mobilizou 3000 brigadistas. Não houve uma falha do governo? Quanto ao fundo amazônico, quais ações concretas e quem são os operadores dele? Em resposta, a Ministra falou da época da construção da transamazônica, em que queriam que a produção ocorresse em todo país. Naquela época, não se tinha conhecimento nem dados que se tem hoje, o que gerou, em parte os problemas que estamos enfrentando hoje. É preciso que haja um processo de adaptação, o que não aconteceu. O PLO DE 2024, o ICMbio pediu 112,7 milhões para as ações de prevenção e combate ao incêndio. O Ibama também pediu 65,7 milhões. O Congresso Nacional aprovou bem menos. O governo federal conseguiu, no semestre passado, recuperar o orçamento. Além disso, de forma preventiva, trabalharam com crédito extraordinário no valor de 179 milhões ao ICMbio, mais 80 milhões ao Ibama. Fizeram esforço adicional para que tivessem mais recursos para as ações na Amazônia e no Pantanal, no valor de 114 milhões de reais. Precisam ampliar os recursos e, quando chegar o próximo período da estiagem, conscientizar para que as pessoas não coloquem fogo. No caso do pantanal, todos os incêndios foram causados por humanos. O orçamento aprovado não foi suficiente. Quanto à mobilização de SP, é o Estado mais rico e com maior estrutura, tendo mais de 8 mil pessoas no corpo de bombeiros. A iniciativa privada foi treinada para isso porque há grandes plantações por lá. O governo trabalha com a iniciativa privada ajudando-a, eis que, diferentemente dos Estados do Sudeste, a maioria dos outros não possuem estrutura. No caso do pantanal, o governo federal foi que deu estrutura e apoio para combater os incêndios. O banco da Amazônia poderia ter linha de crédito para ajudar as empresas a terem estrutura ao enfrentamento de incêndios. Falou das ações do governo federal nos incêndios em São Paulo, inclusive, que ocorreram de forma criminosa. O Presidente da Comissão disse que todos os partidos votaram para cortar o orçamento. A Ministra então perguntou se ele também votou para cortar o orçamento. O Presidente disse que fundo amazônico deveria ser para máquinas e equipamentos e pediu apoio ao PL, de sua autoria, para que fosse aprovado. A palavra foi repassada ao Dep. Marcel van Hattem pelo tempo de liderança da oposição. Em síntese, apresentou dados sobre os recordes de queimadas ao longo dos anos, defendeu o governo Bolsonaro e criticou a inoperância do governo atual para ajudar o Rio Grande do Sul, perguntando se a Ministra tinha vergonha em estar nos governos que tiveram os piores índices de incêndios. Em resposta, a Ministra disse que tem vários amigos do Rio Grande do Sul e, vendo o sofrimento do povo de lá, a imprensa sempre pergunta sobre o que ela sente depois de uma vida toda defendendo o meio ambiente e ser criticada pelo que está acontecendo. Nesses casos, sempre fala que não vai ficar dizendo “bem que eu disse”, mas que o momento serve para despertar a generosidade, o compromisso com a verdade e não ficar fazendo fustigamento político. No que tange ao Rio Grande do Sul, conversou com alguns pesquisadores e disseram que o ocorrido foi um evento avassalador porque não foi manutenido o sistema de bombardeamento em Porto Alegre. No vale onde ocorreram as inundações, não poderia ter sido feito nada, a não ser que tivessem agido há trinta anos atrás. Além disso, não houve manutenção das comportas. Agravou-se a situação vez que, em 2021, foi mudada a lei de edificação em morros e em costas, margens dos rios etc., dando poder aos prefeitos para avançarem além daquilo que foi limitado na legislação ambiental. Quanto à pergunta sobre estar no governo nos piores anos ao meio ambiente, a Ministra diz a si mesma que, graças a Deus, estava trabalhando nesses períodos, eis que atuou para conseguir recursos para apagar incêndios. Citou as ações dos governos ao longo dos anos em que atuava, mas, infelizmente, não lhe deram ouvidos e espera que o aprendizado fique. Pela liderança do PT, o Dep. Nilton Tatto disse que os demais companheiros do Congresso não conhecem o trabalho da Ministra no combate às mudanças climáticas. Citou as ações dela ao longo dos anos e alegou que os desmatamentos aumentaram nos governos da oposição, além do aumento da forme. Há ações criminosas partindo não só de particulares individuais, mas do crime organizado tanto na Amazônia quanto no pantanal e nos canaviais de São Paulo. A operação da PF mostrou que empresas que atuam na regularização de terras estão pagando suborno aos fiscais e, com isso, quem mais sofre são os pobres. A Ministra disse que não há ações mágicas ou rápidas, mas ações de longo prazo para recuperar o que pode ser recuperado e evitar o que precisa ser evitado, mudando-se a lei que permitiu avançar sobre as áreas de preservação ambiental e que causou esses problemas. Citou o exemplo do RS, onde mais de 700hc de terras foram avançadas por agricultores em áreas de preservação ambiental e são os mesmos que, agora, cobram ações para recuperá-las. Deve-se investigar os criminosos costumazes. A palavra foi repassada aos Deputados inscritos: Elizangela Araújo, Nikolas Ferreira, Ricardo Salles (tempo de líder) e Júlia Zanatta. Em resposta, a Ministra disse que gostaria que as preocupações apresentadas por alguns deputados fossem executadas. Alegou que as coisas estariam melhores se dessem estrutura ao Ministério em outros governos. Há quarenta anos alerta para as mudanças climáticas. Pediu para que os deputados não coloquem palavras em sua boca e defendeu a preparação anual de, no mínimo, dois meses e meio antes dos períodos de seca. Houve o aumentou em 18% do número de brigadistas. Luta pelo meio-ambiente desde os 17 anos de idade, já reduziu 50% o desmatamento ano passado, reafirmando e listando todas as ações que já fez na vida em favor do meio ambiente, além de criticar os ambientalistas de conveniência. A palavra foi repassada aos deputados inscritos: Bohn Gass, Silvia Waiãpi, Coronel Chrisóstomo e Daniela Reinehr. Em resposta, a Ministra falou sobre o fundo amazônico para a agricultura e como ele está sendo operacionalizado para combater e recuperar o meio-ambiente. Ainda, pediu que se registrasse a afirmação da Deputada Silvia Waiãpi, que acusou os indígenas de não poderem plantar arroz e feijão, mas somente maconha. Ainda, detalhou os números dos recursos destinados do fundo amazônico aos Estados. Alegou que, em alguns casos, tiveram que pedir ajuda da Força Nacional devido a ação de pessoas que impediam a entrada dos brigadistas, eis que queriam a propagação do fogo. Em Rondônia, houve o incentivo às queimadas, com ataques à bala aos indígenas. É o Estado da região Amazônica que mais desmata, em que invasores colocam fogo e, depois, pedem a regularização. Em Roraima, acontece o mesmo. A polícia vai descobrir quem são os criminosos que colocam fogo. Detalhou os recursos destinados a cada estado amazônico e explicou os detalhes da burocracia. A atuação do governo deve ser na área federal, mas sempre ajudam nas áreas de outros entes federativos, além dos particulares. Os indígenas são os que mais protegem o meio ambiente e são acusados de serem maconheiros. O Tribunal de Contas determinou investigação do governador de Roraima por não combater os incêndios e os deputados podem contribuir cobrando seus governadores para cumprirem a lei. A palavra foi repassada aos demais deputados inscritos: Paulo Guedes, Pedro Júnior, Julia Zanatta, Daniela Reinher e Nilto Tatto. Em resposta, a Ministra disse que há muita área pública degradada vítima de queimadas praticadas por invasores que, depois, pedem a regularização da terra. Há programas para restaurar essas áreas, de diversas formas. Algumas áreas rurais do Sul, vítimas das enchentes, estão completamente destruídas, como no Vale do Taquari. Há diversas medidas para readaptação, para recuperar áreas degradas. O homem legisla, mas a natureza não assimila. É preciso recuperar o meio ambiente. As fiscalizações estão aumentando na nova gestão. Ela se considera a maior amiga do verdadeiro agronegócio, com tecnologia, povo vocacionado para a agricultura, grande área fértil a ser explorada, mas o maior ativo é um clima equilibrado. Apesar de toda a resistência por parte de alguns, hoje esses são os novos convertidos à proteção do meio ambiente. Os verdadeiros amigos do agronegócio são aqueles que não deixam ocorrer o desmatamento. O Brasil conseguiu novos mercados devido à proteção do meio ambiente. Os inimigos do agronegócio são os que se vinculam à regularização de terras roubadas, tentam impedir a regularização das terras indígenas, os que acham que não precisam obedecer às leis, inclusive as da natureza. A sustentabilidade não é retórica, mas ações concretas. A polícia federal está fazendo o seu papel e deve-se aguardar a conclusão dos inquéritos e respeitar o devido processo legal. Precisamos de um agronegócio sustentável, baixo carbono, com uso de bioinsumos para garantir o meio ambiente saudável ás gerações presentes e futuras. Prefere sofrer injustiça do que praticá-la. Sente-se íntegra com sua equipe para combater o desmatamento no país, em todos os biomas, e que todos poderão usufruir desse trabalho. O presidente repudiou a vitimização. Acusou a Ministra de não ter respondido objetivamente, de ter usado retórica de militância e afirmou que não ia retirar as suas palavras. Repudiou a atuação do seu assessor, além de afirmar que ela foi treinada para estar na reunião, sem responder as questões que lhe foram feitas. A Ministra refutou as agressões e pediu respeito. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às quatorze horas e trinta e sete minutos. E, para constar, eu________________________________, Fco Alexandre Pierre Barreto Lima, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Evair Vieira de Melo __________________________________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx