> Pauta - CAPADR - 18/06/2024 10:15

CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
57ª Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária

ATA DA VIGÉSIMA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

REALIZADA EM 18 DE JUNHO DE 2024.

 

Às dez horas e quarenta e seis minutos do dia dezoito de junho de dois mil e vinte e quatro, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural no Anexo II, Plenário 06, da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as): Evair Vieira de Melo - Presidente; Rodolfo Nogueira, Ana Paula Leão e Afonso Hamm - Vice-Presidentes; Alceu Moreira, Coronel Assis, Coronel Meira, Daniel Agrobom, Daniela Reinehr, Emanuel Pinheiro Neto, Emidinho Madeira, José Medeiros, Júlio Oliveira, Lázaro Botelho, Luciano Amaral, Marcel van Hattem, Marcon, Marussa Boldrin, Murillo Gouvea, Nelson Barbudo, Pedro Lupion, Pezenti, Thiago Flores, Tião Medeiros, Valmir Assunção e Zezinho Barbary - Titulares; Alberto Fraga, Augusto Puppio, Carlos Veras, Coronel Fernanda, Dr. Luiz Ovando, Gabriel Mota, General Girão, Marcos Pollon, Pastor Diniz, Rafael Simoes, Raimundo Santos, Sergio Souza e Zucco - Suplentes. Compareceram também os Deputados Coronel Chrisóstomo, Delegado Caveira, Fernanda Pessoa, Gisela Simona e Juliana Cardoso, como não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Adilson Barroso, Albuquerque, Alexandre Guimarães, Dilceu Sperafico, Dilvanda Faro, Domingos Sávio, Eli Borges, Giacobo, Giovani Cherini, Henderson Pinto, João Daniel, Josias Gomes, Josivaldo Jp, Luiz Nishimori, Magda Mofatto, Marcelo Moraes, Raimundo Costa, Rodrigo Estacho e Zé Silva. ABERTURA – O Presidente, Deputado Evair Vieira de Melo – PP/ES, declarou aberta a audiência pública, cumprimentou a todos e agradeceu a presença dos parlamentares e dos convidados. Em seguida, esclareceu que, de acordo com a Resolução nº 123/2021, a participação dos parlamentares e palestrantes dar-se-ia de modo presencial ou remoto, via plataforma de videoconferência. Ainda, informou que a reunião, objeto do Requerimento nº 97/2024-CAPADR, de sua autoria do Dep. Coronel Meira – PL/PE e do Dep. Tião Medeiros - PP/PR, tinha por finalidade debater sobre a "Avaliação da necessidade de importar 1 milhão de toneladas de arroz". Após explanar sobre a importância do tema, anunciou os seguintes convidados: ANTÔNIO DA LUZ, economista chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul – FARSUL (participação virtual); e NERI GELLER, ex-secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura – MAPA. Após terminar de explicar as regras do evento e de explanar sobre a importância do tema discutido, o presidente passou a palavra aos convidados. O Sr. Antônio da Luz disse que não há necessidade de importar arroz e que houve o uso injusto, das enchentes, para fazê-la. Houve o uso político, pois, segundo dados da Conab, a produção deste ano é maior do que a do ano passado. Há problemas logísticos para escoar a produção, o que deveria ter sido o foco do governo. Não houve nenhum caso de desabastecimento no país. A própria Conab diz que o estoque, ao final do ano, estará maior do que o do ano passado, não havendo necessidade de importação. Pediu que fossem dados incentivos e recursos para o Estado recomeçar suas atividades econômicas, entendendo que não há nenhuma razão técnica para a importação do arroz. A palavra foi repassada ao Sr. Neri Geller. Em síntese, disse que a imprensa não lhe deu espaço para dizer a sua versão dos fatos. Assumiu a Secretaria de Política Agrícola - SPA em dezembro. Em janeiro, já tinha sido chamado para debater sobre o alto preço do arroz, principal item da cesta básica do país. Na época, disse que deveria ir com calma, eis que havia uma previsão de super safra no Sul e em outras partes do país. Discorreu sobre outras tratativas, mas, com o início das colheitas, as previsões mudaram e indicaram que haveriam perdas na produção. Por fim, vieram as enchentes e tiveram que tomar várias medidas para gerir a crise, como a suspensão temporária da cobrança de dívidas, novas fontes de recursos, dentre outras ações, mas com foco nos produtores em um primeiro momento. Explicou todas as ações tomadas, em sintonia com a frente parlamentar, e que gostaria de esclarecer tudo, item por item, para que o debate não fosse contaminado pelo discurso ideológico. Em reunião na Casa Civil, hoje, sabe-se que 83% da safra foi colhido e os outros 17% estava fora do eixo de inundação, mas, na época das enchentes, isso não estava claro nem se sabia quanto arroz teria sido perdido nos armazéns. Sem informações e como houve ataque especulativo, a sugestão que deu foi para abaixar a tarifa de importação, mas venceu o entendimento de comprar arroz via leilões. Primeiro, decidiram importar arroz via Mercosul, mas houve especulação dos países vizinhos e abriu-se o edital para comprar de outras nações, no limite de trezentas mil toneladas. Contudo, como é de conhecimento geral, o edital foi cancelado e, a partir de então, teve pouca participação nas discussões. Porém, não tem nada a esconder. Estava trabalhando pelo plano-safra quando veio a denúncia da empresa do Mato-Grosso. Recebeu ligação do Globo-Repórter questionando sobre a participação de seu filho na empresa que venceu o leilão de arroz. Entrou em contato com ele e foi informado que já tinha saído da sociedade desde o ano passado. Informou isso ao repórter e reafirma que o envolvido foi seu ex-assessor, que já foi sócio de seu filho, mas antes dele assumir a Secretaria. Entrou em contato com o ex-assessor e esse afirmou que o Secretário não era mais seu chefe e que tinha direito de participar de leilões, tanto que já tinha ganhado em dois eventos. O filho dele já tinha saído da sociedade desde o ano passado e ele tinha o direito de trabalhar para sustentar-se. Explicou como funcionou o leilão, esclarecendo que só participa quem já está cadastrado na Conab, aparecendo só os ganhadores após o fechamento do leilão, sendo que as empresas têm cinco dias para apresentar a documentação e dar as garantias necessárias. Ainda, só após a entrega do produto é que o governo faz o pagamento. Não deve nada e ficou chateado como saiu do governo. Sempre defendeu a não importação e, se houvesse, que se fosse apenas de cem mil toneladas. Agradeceu pela oportunidade e sempre defendeu os interesses da produção nacional. Não cai atirando, mas colocando os fatos como eles são. O Dep. Coronel Meira disse que apoia a CPI para investigar a corrupção, fazendo perguntas sobre quem teria competência para fazer a compra de arroz e o que teria a dizer sobre as suspeitas de irregularidades de arroz importado. Em resposta, o Neri Geller informou que a decisão de importar arroz foi da Casa Civil, dentro do Comitê de Crise, mas foi discutido e decidido de forma geral. A SPA não é a gestora do edital da Conab. Como havia dito, ele via uma janela de oportunidade para fazer do Brasil um player na exportação de arroz. Não devia, não deve e está chateado do governo, pois, não seria justo por não dever nada. O governo tem uma visão social de levar comida barata à população, mas não teve nenhuma irregularidade de sua parte e não tem nada a esconder. O segundo autor, Dep. Tião Medeiros, disse que fica feliz por trazer luz ao tema. São muitas histórias que dão margens a narrativas diversas e que todo gestor público deve ser e parecer honesto, pelo que ficou feliz pelas falas do Sr. Neri Geller. Questionou quem propôs a importação do arroz durante a reunião da Casa Civil. Ainda, como a Conab tinha previsões de que haveria aumento na colheita de arroz, quem defendeu essa importação, de onde viria esses recursos e quem fez o edital. Em resposta, o Sr. Neri Geller disse que foi uma decisão geral, com os membros do governo na Casa Civil, não foi de alguém em específico. Reiterou que, apesar de voto vencido, defendeu a importação de no máximo, cem mil toneladas, pois, na época, não sabiam como estariam os estoques na enchente. Não lembra quem sugeriu a importação. Só sugeria a retirada da TEC para gerar concorrência e diminuir o preço. Com relação às empresas, o edital era claro. Quem não apresentasse os documentos, em cinco dias, estaria fora do leilão. Não teria como criticar as empresas, vez que o leilão foi suspenso antes de vencer o prazo deles apresentarem os documentos e fazer os depósitos ou apresentar as garantias apresentadas. O Dep. Marcel Van Hatten criticou o governo e pediu os nomes das pessoas que decidiram pela importação e quem decidiu colocar o logotipo do governo federal no arroz a ser vendido. Perguntou sobre a participação do Ministro Paulo Teixeira e do Edgar Preto na importação e qual o papel do MST, se viria da Venezuela, além de questionar sobre sua fala. Em resposta, o Sr. Neri Geller argumentou ter dito ao Ministro que sabe como funciona o leilão, que existe um edital, com regras, não havendo nada a esconder. Como e de onde viria o arroz, ninguém saberia, eis que o edital estava aberto a qualquer país. Poderia vir da Tailândia, do Mercosul (por questões de logística) ou de qualquer outra parte do mundo. Quanto a sua posição, nunca foi de extrema esquerda ou de extrema direita, mas sempre foi de centro e busca resultados pragmáticos. Não pediu demissão e, quanto ao logotipo, não participou da discussão. O Dep. Zucco defendeu a criação de CPI e perguntou se o Neri Geller não acham suspeitos os ganhadores. Perguntou se houve fraudes nas divulgações para a Conab sobre a produção e estoques de arroz, dentre outros questionamentos. Em resposta, o Sr. Neri Geller, disse que não tinha nenhum vínculo com as empresas, as quais tinham cinco dias para apresentar documentos. Apresentados, em 90 dias, deveria importar o arroz, só após estarem nos armazéns da Conab, é que o governo liberaria o pagamento. Quanto ao levantamento de safra, os indicadores da Conab apresentavam, sem nenhum mascaramento, que haveria crescimento de 20 a 30% em outras regiões do país, inclusive, haveria crescimento no Sul, o que foi confirmado. O preço sofre influência e variações nos mercados internacionais. Os dados da Conab são muito confiáveis, sem interferência política. Com relação à licitação, foi via medida provisória, mas que seria um equívoco político e que não pode ser atribuído a ele. O presidente informou que as perguntas passariam a ser feitas em bloco, antes, porém, abriu a palavra ao Senador Ireneu Orth defendeu ações de apoio aos produtores do Rio Grande do Sul. A palavra foi repassada aos deputados inscritos: Rodolfo Nogueira, Pedro Lupion (liderança), Coronel Fernanda, Emanuel Pinheiro Neto (liderança) e José Medeiros. O Sr. Neri Geller, em resposta, disse que o vídeo vazado de pessoas vaiando-o em um avião é de 2 anos atrás. Ainda, reitera que o edital é claro. Se tiver irregularidades, será encontrado pela PF, reiterando o que já havia dito sobre a lisura de sua conduta. Concorda que os juros estão altos nos financiamentos e sempre defendeu a redução para os agricultores. Sobre questões da Conab, não tem como responder por que não é o responsável pela companhia. Não teve nenhum momento de má-fé do governo durante essa crise do arroz e sempre agiu com extrema transparência. Com relação ao Paulo Pimenta, Paulo Teixeira e outros, a discussão deu-se na Casa Civil durante a reunião de emergência ante as enchentes no Sul. Abriu-se a palavra a outro bloco de deputados: Marcon, Walmir Assunção, Pedro Uczai, Ana Paula Leão, Pezenti, Daniela Reinehr, Afonso Hamm, Alceu Moreira, Bohn Gass, Osmar Terra e General Girão. O Sr. Neri Geller, em resposta, disse que a responsabilidade do leilão não era de sua secretaria, mas da Conab, vinculado ao MDA. A decisão do leilão foi no Âmbito da Casa Civil em virtude do grupo para tratar a questão das enchentes. Recorda que se colocava contra o leilão na Casa Civil, vez que novas colheitas garantiriam o abastecimento e reduziria o preço do arroz, tanto que a pauta do governo voltou-se para as enchentes, não da importação do arroz, recentemente. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a todos e encerrou os trabalhos quatorze horas e trinta e quatro minutos. E, para constar, eu______________________________________, Fco Alexandre Pierre Barreto Lima, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Evair Vieira de Melo __________________________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx