> Pauta - CAPADR - 25/04/2024 10:00

CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
57ª Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária

ATA DA NONA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

REALIZADA EM 25 DE ABRIL DE 2024.

 

Às dez horas e vinte e oito minutos do dia vinte e cinco de abril de dois mil e vinte e quatro, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural no Anexo II, Plenário 06, da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as): Coronel Assis, Daniel Agrobom e Márcio Honaiser - Titulares; Coronel Fernanda, Marcos Pollon e Sergio Souza - Suplentes. Deixaram de comparecer os(as) Deputados(as) Adilson Barroso, Afonso Hamm, Albuquerque, Alceu Moreira, Alexandre Guimarães, Ana Paula Leão, Coronel Meira, Daniela Reinehr, Dilceu Sperafico, Dilvanda Faro, Eli Borges, Emanuel Pinheiro Neto, Emidinho Madeira, Evair Vieira de Melo, Giacobo, Giovani Cherini, Henderson Pinto, João Daniel, José Medeiros, Josias Gomes, Josivaldo Jp, Lázaro Botelho, Luciano Amaral, Luiz Nishimori, Magda Mofatto, Marcel van Hattem, Marcelo Moraes, Marcon, Marussa Boldrin, Murillo Gouvea, Pedro Lupion, Pezenti, Raimundo Costa, Rodolfo Nogueira, Rodrigo Estacho, Thiago Flores, Tião Medeiros, Valmir Assunção, Vicentinho Júnior, Zé Silva e Zezinho Barbary.  ABERTURA – A Presidente em exercício, Deputada Coronel Fernanda – PL/MT, declarou aberta a audiência pública, cumprimentou a todos e agradeceu a presença dos parlamentares e dos convidados. Em seguida, esclareceu que, de acordo com a Resolução nº 123/2021, a participação dos parlamentares e palestrantes dar-se-ia de modo presencial ou remoto, via plataforma de videoconferência. Ainda, informou que a reunião, objeto do Requerimento nº 11/2024-CAPADR, de sua autoria, tinha por finalidade debater sobre a “Moratória da Soja". Após explanar sobre a importância do tema, anunciou os seguintes convidados: ANTÔNIO GALVAN, Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja — APROSOJA-Brasil; ANDRÉ FIGUEIREDO DOBASHI, Presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil — CNA; LUCAS COSTA BEBER, Presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso — APROSOJA-MT; CLEITON GAUER, Superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária — IMEA (on-line); LEONARDO BORTOLIN, Prefeito de Primavera do Leste e Presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios — AMM (on-line); ANDRÉ MELONI NASSAR, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais — ABIOVE; ARMANDO BIANCARDINI CANDIA, Assessor Jurídico da Associação dos Criadores de Mato Grosso — ACRIMAT (on-line); e SÉRGIO CASTANHO TEIXEIRA MENDES, Diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais — ANEC. Após terminar de explicar as regras do evento, a presidente passou a palavra aos convidados. O Sr. ANDRÉ FIGUEIREDO DOBASHI afirmou que não se pode negar ou deixar de reconhecer o papel do produtor no desenvolvimento da cadeia de soja, mesmo com pouca tecnologia no passado. As inovações tecnológicas vieram só depois do desenvolvimento e estabelecimento dessa cultura. A tecnologia, hoje, como o monitoramento por satélite, traz grandes benefícios ao produtor, mas não se pode deixar essas tecnologias irem a contragosto da produção brasileira e serem usadas com parcialidade pela União Europeia, a qual não deve dizer como nós devemos produzir a soja. O Sr. LUCAS COSTA BEBER falou sobre os problemas da moratória da soja na Amazônia e, agora, estão tentando impô-la ao cerrado. Na Amazônia, quando se estabeleceu a moratória da soja, deveria durar até a aprovação do Código Florestal, que permitiria a plantação em apenas 20% da área. Após a aprovação do mesmo, não se entende o motivo da continuação da moratória, a qual deveria ser extinta. Ela provoca uma concorrência desleal, viola a soberania do país e o direito ao uso da terra por parte dos nossos produtores. Cerca de 94% dos produtores da região não tem opção em relação a quem vai vender, e produção colhida em áreas legalmente desmatadas acaba sendo vendida para terceiros que lucram com a situação, inclusive, empresas que possuem benefícios fiscais e que exportam esses produtos. A Aprosoja planeja entrar com ação no CADE pela concorrência desleal e pede a ajuda ao Congresso, inclusive, para impedir a moratória do Cerrado que está sendo levantada. O Sr. CLEITON GAUER disse que estão se aprofundando nas conversas sobre o tema, em especial, porque 56% do PIB do Estado do Mato Grosso vem do agronegócio e a moratória impacta, principalmente, os pequenos municípios cujos territórios são fiscalizados por satélite. Por isso, estão aprofundando-se ainda nos estudos para contestar as informações levantadas por agricultores. O Sr. ARMANDO BIANCARDINI CANDIA disse que falaria quanto à moratória da Carne. Em síntese, informou que os frigoríficos fizeram termos de ajuste de conduta, ainda em 2009, nos quais se comprometeram a não adquirir carne de regiões que compõem a chamada Amazônia Legal, mesmo que o desmatamento associado fosse legalizado. Com isso, os produtores foram empurrados para a ilegalidade através dessas barreiras comerciais, cujos acordos se sobrepõem às leis e à Constituição. A moratória seria um desrespeito contra produtores e cidadãos mato-grossenses. Explicou os desdobramentos ao setor decorrentes da operação Carne Fria, a qual resultou em assinatura de termos de ajustamento de conduta no Pará e que, após o Código Florestal, não faziam mais sentido. Existem 38.689 CAR’s proibidos de comercializar com os frigoríficos, mesmo obedecendo o Código Florestal e isso precisa ser revisto. O Sr. LEONARDO BORTOLIN disse que os Municípios que representa repudiam a moratória da soja, a qual colocam em risco a sobrevivência dos municípios mato-grossenses. A moratória é uma aberração, já que não deriva da Lei, e a produção vem de áreas que, pela lei, podem plantar e criar gado. Além disso, vai inviabilizar a produção, aumentar as desigualdades regionais, aumentar o desemprego e ensejar a quebra econômica de grande parte dos Municípios. O Sr. ANTÔNIO GALVAN disse que esse problema, abordado há mais de 18 anos, precisa ser resolvido em definitivo. Os Estados do Norte possuem grande potencial econômico e podem produzir legalmente, mas são impedidos. Há essa alegação de problemas ambientais, mas há terras antropomorfizadas e que podem ser usadas para a produção. Diziam, há quarenta anos atrás, que, em trinta anos, a Amazônia viraria deserto e isso não aconteceu, pois, são inverdades contadas por grandes “players” mundiais. Muitas dessas empresas aproveitam-se dessa situação para comprar milho e outros produtos por preços mais baixos, já que os produtores sofrem boicotes. Ou seja, esses “players” mundiais incentivam a moratória e beneficiam-se dela, explorando os produtores da região. A soja não ameaça a Amazônia e só produzem nas áreas legais. Estão falando em moratória no cerrado e no Sul do Brasil. O problema envolve interesses econômicos, não ambientais, os quais violam a lei e impõem sansões a produtores que, legalmente, poderiam produzir e vender seus produtos. O Sr. SÉRGIO CASTANHO TEIXEIRA MENDES disse que, há 20 anos, a China começou a devolver safras dessas regiões sob argumento de que eram colhidas em regiões ilegais. Isso influenciou a postura da Europa, dando início à “moratória da soja”. Daí, por medo, os produtores e as empresas assinaram, em 2008, os termos de ajustamento de conduta até que fosse votado o novo Código Florestal. Contudo, mesmo após a sua aprovação, a moratória continuou contra o texto da lei. A China pode continuar pressionando para pagar menos dos produtos produzidos na Amazônia e isso é que deixa todos com medo. A palavra foi repassada ao Sr. PEDRO BERNET EYMAEL, representante da área de sustentabilidade da ANEC, o qual falou sobre o contexto histórico em que a Moratória da Soja foi assinada e foi criada. A ANEC e a ABIOVE emitem certificados para as empresas associadas, as quais comprovam que estão seguindo com os requerimentos da moratória. Esses certificados são exigidos pelos importadores em diversos países e isso foi aumentando cada vez mais nos últimos 15 anos. O mundo volta-se cada vez mais às questões ambientais e o certificado dá credibilidade à produção brasileira e são fundamentais para as exportações. O Sr. ANDRÉ MELONI NASSAR disse que os mercados não querem comprar qualquer tipo de produto de área com desmatamento e, como país, é preciso encontrar uma solução. Logo, não está errada a moratória, apesar de ter impactos negativos a alguns produtores. A moratória trabalha com o conceito de imóvel rural, não com CPF. Logo, os satélites conseguem verificar se houve produção em área desmatada. Já são quase 250 mil hectares monitorados. Há muitos casos em que uma fazenda, que não está bloqueada, entrega muito mais soja do que a capacidade dela de produção, pois, aquele grupo familiar tem outros imóveis em área irregular. Daí, identifica-se esses agricultores na fiscalização. Há casos em que a área da moratória é identificada errada, mas os produtores podem contestar. Daí, fazem estudos e elaboram laudos para verificar se o agricultor está certo ou não. O processo pode levar um ano. Pediu-se à Aprosoja que apresentassem uma lista dos produtores que abriram áreas legalmente a fim de lutar por eles, porém, não foi entregue. Se o crescimento do plantio de soja ocorrer em área desmatada, depois de 2008, isso vai inibir o crescimento porque as empresas não vão comprar por conta da legislação europeia. Foi aberto o debate entre os participantes. Após os encaminhamentos acordados entre a Presidente em exercício e os palestrantes, combinou-se a realização de um encontro em Cuiabá-MT, dia 10 de maio, para formar um grupo de trabalho e discutir a situação, convidando ONG’s e Prefeitos da região e estabelecer um plano de ação. Nada mais havendo a tratar, a Presidente em exercício agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às doze horas e quarenta e dois minutos, antes, porém, convocou os deputados para participarem da Reunião Deliberativa Extraordinária desta Comissão, marcada para o dia 8 de maio de 2024, quarta-feira, às 10 horas, para deliberar sobre as proposições constantes da pauta, a ser publicada oportunamente. E, para constar, eu______________________________________, Fco Alexandre Pierre Barreto Lima, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Vicentinho Júnior __________________________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.