> Pauta - CPOVOS - 03/10/2023 15:00

CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DA AMAZÔNIA E DOS POVOS ORIGINÁRIOS E TRADICIONAIS
57ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária

ATA DA 30ª REUNIÃO ORDINÁRIA
AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 3 DE OUTUBRO DE 2023.

Às quinze horas e doze minutos do dia três de outubro de dois mil e vinte e três, reuniu-se a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, no Anexo II, Plenário 12 da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as) Chico Alencar - Vice-Presidente; Airton Faleiro, Amom Mandel, Defensor Stélio Dener, Dorinaldo Malafaia, Duda Salabert, Eduardo Velloso, Juliana Cardoso, Túlio Gadêlha e Zezinho Barbary - Titulares; Coronel Chrisóstomo, Delegado Caveira e Josenildo - Suplentes. Compareceu também o Deputado Carlos Henrique Gaguim, como não-membro. Deixaram de comparecer os Deputados Átila Lins, Célia Xakriabá, Dilvanda Faro, Elcione Barbalho, Gabriel Mota e Silvia Waiãpi. Justificou a ausência a Deputada Silvia Waiãpi. ABERTURA: Havendo número regimental, o Deputado Airton Faleiro (PT/PA) declarou abertos os trabalhos da audiência pública, destinada a “debater a regulamentação do mercado de carbono”, em razão da aprovação do Requerimento n. 72/2023 CPOVOS, de sua autoria, subscrito pelo Deputado Stélio Dener (Republicanos/RR). A seguir, saudou os membros do colegiado, os parlamentares, os demais presentes e falou brevemente sobre o assunto, quando questionou sobre as consequências de regulamentar ou não o mercado de carbono e, em caso afirmativo, como se daria a gestão e a regulamentação no País. A seguir, solicitou que os palestrantes fizessem suas considerações, nessa ordem: 1. Mary Allegretti, Presidente do Instituto de Estudos Amazônicos (IEA); 2. Júlio Barbosa, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS); 3. Kleber Karipuna, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB); 4. Beatriz Soares, coordenadora-geral da Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; 5. Leandro Gomes Cardoso, representante do Departamento de Políticas de Mitigação, Adaptação e Instrumentos de Implementação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (online); 6. Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa (online); 7. Pedro Guilherme Kraus ,CEO da Lux Carbon Standard (online). O presidente em exercício firmou o compromisso de reunir as principais contribuições dos palestrantes para encaminhá-las, em nome da CPOVOS, à relatora do Projeto de Lei 412/2022, na Comissão do Meio Ambiente do Senado Federal, Senadora Leila Barros. Dessa forma, a senhora Mary Allegretti defendeu que o projeto de crédito de carbono seja desenvolvido em reservas extrativistas, em razão da amplitude significativa, do modelo inovador e da proteção que essas reservas possuem. Na sequência, em relação ao Projeto de Lei 412/2022, sugeriu as seguintes considerações: 1) garantir a participação e a anuência das entidades representativas dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais na comercialização dos créditos de carbono; 2) excluir o Plano de Manejo de todas as unidades de conservação, pois muitas não o possuem; 3) repartição justa dos benefícios, preferencialmente com utilização da filantropia para prover os recursos dos povos indígenas e dos povos e comunidades tradicionais; 4) retirar “manifestação e anuência prévia” dos órgãos responsáveis pela gestão das áreas de projetos de carbono, tendo em vista a previsão de titularidade da gerência para os povos indígenas e os povos e comunidades tradicionais. O senhor Júlio Barbosa ratificou as opiniões apresentadas e propôs, ainda, que seja respeitada a Convenção 169 da Organização Nacional do Trabalho (OIT), a fim de garantir a participação e a anuência dos povos indígenas e povos e comunidades tradicionais na comercialização dos créditos de carbono, de acordo com as diretrizes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS). O Senhor Kleber Karipuna também afirmou ser necessário o respeito à Convenção 169 da OIT, o acompanhamento dos órgãos fiscalizadores diante da possível comercialização, a exemplo do Ministério Público Federal e da Fundação dos Povos Indígenas (FUNAI), e ratificou a participação direta dos povos indígenas e tradicionais no processo de governança. O senhor Leandro Gomes Cardoso concordou com as manifestações apresentadas e elencou como condições o apoio à atividade produtiva sustentável, à proteção social, à valorização cultural e à gestão territorial e ambiental, além da previsão de indenização contratual a povos indígenas e tradicionais por possíveis danos gerados por esse tipo de comercialização. A senhora Natalie Unterstell aconselhou a regulamentação do mercado de carbono a fim de punir aqueles produzam poluição e, assim, defendeu a emenda 33, que prevê a governaça de forma sólida e transparente. O deputado Airton faleiro sugeriu uma reunião entre os membros do colegiado da CPOVOS e a Senadora Leila Barros, além de reafirmar a necessidade de enviar com urgência as recomendações oriundas do debate. Por fim, a senhora Letícia Camargo, da Liderança do PSOL, fez questionamentos quanto à temática e os senhores Leandro Cardoso, Beatriz Soares e Mary Allegretti responderam as indagações. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, o presidente em exercício convocou reunião deliberativa extraordinária para o dia dez de outubro de dois mil e vinte e três e encerrou os trabalhos às dezesseis horas e cinquenta e quatro minutos. E, para constar, eu, Clarice Nader Pereira, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pela Presidenta, Deputada Célia Xakriabá, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio correspondente a integrar o acervo documental desta reunião.