> Pauta - CAPADR - 28/09/2023 10:00

CÂMARA DOS DEPUTADOS

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL

57ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária

 

ATA DA VIGÉSIMA OITAVA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

REALIZADA EM 28 DE SETEMBRO DE 2023.

 

Às dez horas e oito minutos do dia vinte e oito de setembro de dois mil e vinte e três, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural no Anexo II, Plenário 06, da Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as): Daniel Agrobom - Titular; Thiago Flores e Zé Neto - Suplentes. Deixaram de comparecer os Deputados Adilson Barroso, Afonso Hamm, Albuquerque, Alceu Moreira, Alexandre Guimarães, Ana Paula Leão, Coronel Meira, Daniela Reinehr, Dilceu Sperafico, Domingos Sávio, Emidinho Madeira, Evair Vieira de Melo, Gabriel Mota, Giacobo, Giovani Cherini, Henderson Pinto, João Daniel, José Medeiros, Josias Gomes, Lázaro Botelho, Lebrão, Luciano Amaral, Luiz Nishimori, Lula da Fonte, Magda Mofatto, Marcelo Moraes, Márcio Honaiser, Marcon, Marussa Boldrin, Misael Varella, Murillo Gouvea, Pastor Diniz, Paulo Azi, Pedro Lupion, Pezenti, Raimundo Costa, Rodolfo Nogueira, Rodrigo Estacho, Romero Rodrigues, Samuel Viana, Tião Medeiros, Toninho Wandscheer, Valmir Assunção, Zé Silva, Zezinho Barbary e Zucco. Justificou a ausência o Deputado Rafael Simoes. ABERTURA – O Presidente em exercício, Dep. Zé Neto – PT/BA, declarou aberta a audiência pública, cumprimentou a todos e agradeceu a presença dos parlamentares e dos convidados. Em seguida, esclareceu que, de acordo com a Resolução nº 123/2021, a participação dos parlamentares e palestrantes dar-se-ia de modo presencial ou remoto, via plataforma de videoconferência. Ainda, esclareceu que a reunião, objeto do Requerimento nº 102/2023-CAPADR, de sua autoria, tinha por finalidade debater sobre os ““Os riscos diretos para a cacauicultura brasileira em razão da vigência e efeitos da Instrução Normativa nº 125, de 2021". Após explanar sobre a importância do tema, anunciou os seguintes convidados: EDUARDO HENRIQUE PORTO MAGALHÃES, coordenador-geral de Fiscalização e Certificação Fitossanitária Internacional, do Ministério da Agricultura - MAPA (participação virtual); JADERGUDSON PEREIRA, professor do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC; VANUZA LIMA BARROSO, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau - ANPC; JÚLIO CÉSAR PERRUSO, coordenador substituto de Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (participação virtual); MARIA GORETI DA FONSECA GOMES, coordenadora de Projetos Estratégicos da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará - FAEPA (participação virtual). O Sr. Eduardo disse que o Ministério já tinha apresentado informações à Câmara na época que a Instrução Normativa º 125/2021 foi criada. Não existem restrições ao uso de brometo de metila pelo Protocolo de Montreal para fins sanitários. Contudo, o governo do Costa do Marfim pediu para dispensar o seu uso e, após a visita dos técnicos do Ministério aos exportadores africanos, o Ministério resolveu atendê-lo. O Sr. Jadergudson fez uma apresentação e listou algumas pragas que atacam a cacauicultura. A grande preocupação, motivadora dos debates contra a portaria, é sobre a doença causada pela Phytophthora megakarya, restrita à África. Diferentemente do que afirma o relatório técnico do MAPA e que fundamentou a edição da Portaria 125/2021, os frutos doentes são colhidos e processados junto com os frutos sadios. Ainda, apresentou fotos de como é a “fermentação” das amêndoas, feitas “de qualquer jeito” e que não permite atingir a temperatura ideal para neutralizar o patógeno. O próprio MAPA, em 2018, fez uma ARP que mostrou o risco alto de introdução da praga no Brasil. Em visita técnica posterior, foi desconsiderada a ARP e não houve a visita geral aos produtores, onde a realidade é a de descuido no processamento das amêndoas. A agente técnica do Mapa, que realizou a visita, desconsiderou que, do porto brasileiro até a indústria, as amêndoas são transportadas em caminhões por estradas que cortam plantações de cacau, o que gera risco altíssimo de introdução da praga no Brasil. Assim, recomenda a revogação da referida Instrução Normativa e a elaboração de uma nova que contemple as exigências de IN anteriores, inclusive, com o uso de brometo de metila em todas as amêndoas secas de cacau vindas da Costa do Marfim. A Sra. Maria Goreti disse que se preocupa com os dois posicionamentos contrários dos palestrantes anteriores. Falou das ações da Câmara cacaueira no Estado do Pará e da preocupação que possuem em serem obrigados, novamente, a usar brometo de metila nas amêndoas que transportam do Estado para os outros do país caso haja mudança na IN º 125/2021. O Sr. Júlio César explanou sobre a forma de coleta de dados do IBGE e as pesquisas que realizam envolvendo a produção no campo, na agricultura e na pecuária. Explanou sobre a produção histórica do cacau, a quantidade de municípios que possuem lavouras, os dados de produção no Pará, nos Estados do Norte e do Nordeste. O Pará e a Bahia lideram a produção cacaueira, com tendência de crescimento. A Sra. Vanuza disse que o Brasil se tornou importador de amêndoas de cacau na década de 90. Todas as Instruções Normativas e portarias editadas antes da IN 125/2021 previram o uso de brometo de metila para efeitos sanitários. A única que não previu foi a IN 47/2011, que foi alvo do Ministério Público, vez que surgiu por pressão da indústria e começaram a chegar insetos vivos nas amêndoas importadas. Falou das pragas quarentenárias, apresentou os documentos apresentados à época pelo Ministério Público, inclusive, com o reconhecimento do Embaixador da Costa do Marfim do problema das pragas citadas. A edição da IN 125/2021 foi irregular. Não considerou a Avaliação de Risco de Pragas – ARP, que é alto para as pragas vindas da Costa do Marfim. Sequer falam como são descartadas as sacarias e resíduos das importações. Ainda, ao questionarem sobre a visita da técnica do MAPA ao país africano, responderam que a responsável visitou apenas um pequeno produtor na África. Apontou e criticou todas as falhas técnicas do MAPA para editar a referida IN, a ganância das indústrias e explicou que o país não precisa importar, eis que a produção é maior do que o consumo interno. O Deputado Tiago Flores fez uso da palavra. Ato contínuo, o Presidente agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às onze horas e trinta e dois minutos, antes, porém, convocou os senhores Deputados a participarem da Reunião Deliberativa Extraordinária no dia 04/10/23, quarta-feira, às 10h, para deliberar sobre as proposições constantes da pauta. E, para constar, eu____________________________________, Fco Alexandre Pierre Barreto Lima, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Tião Medeiros__________________________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx