> Pauta - CAPADR - 21/06/2022 10:30

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL

56ª Legislatura - 4ª Sessão Legislativa Ordinária

 

ATA DA DÉCIMA QUARTA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA)

REALIZADA EM VINTE E UM DE JUNHO DE 2022.

 

Às onze horas e trinta e oito minutos do dia vinte e um de junho de dois mil e vinte e dois, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 06, Câmara dos Deputados, com a PRESENÇA dos(as) Senhores(as) Deputados(as): Giacobo - Presidente; Domingos Sávio, Pedro Lupion e Emidinho Madeira - Vice-Presidentes; Aelton Freitas, Aline Sleutjes, Aroldo Martins, Bosco Costa, Charles Fernandes, Cristiano Vale, Edio Lopes, Evair Vieira de Melo, Giovani Cherini, Jaqueline Cassol, João Daniel, Jose Mario Schreiner, Mara Rocha, Marcelo Moraes, Marcon, Neri Geller, Paulo Bengtson, Tereza Cristina, Tito, Vilson da Fetaemg e Zé Silva - Titulares; Benes Leocádio, Beto Rosado, Bilac Pinto, Capitão Fábio Abreu, Carlos Veras, Cleber Verde, Coronel Tadeu, Covatti Filho, David Soares, Dr. Luiz Ovando, Dra. Soraya Manato, Eleuses Paiva, Junio Amaral, Lucas Follador, Luizão Goulart, Marco Brasil, Padre João, Pedro Westphalen, Rodrigo Agostinho e Silvia Cristina - Suplentes. Compareceram também os Deputados Carlos Henrique Gaguim, Charlles Evangelista, Denis Bezerra, Liziane Bayer, Ney Leprevost e Vermelho, como não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Afonso Hamm, Airton Faleiro, Alceu Moreira, Beto Faro, Carla Zambelli, Caroline de Toni, Edna Henrique, Expedito Netto, General Girão, Heitor Schuch, Hélio Leite, Jerônimo Goergen, Josias Gomes, Junior Lourenço, Lucio Mosquini, Luiz Nishimori, Magda Mofatto, Nelho Bezerra, Onyx Lorenzoni, Raimundo Costa, Sergio Toledo, Valmir Assunção e Zé Vitor. ABERTURA – O Presidente em exercício, Deputado Vilson da Fetaemg – PSB/MG, declarou aberta a audiência pública, cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares e convidados, explicou as regras procedimentais e esclareceu que, de acordo com a Resolução nº 107/2021, a participação dos parlamentares dar-se-ia de modo presencial ou remoto, via plataforma de videoconferência. Em seguida, esclareceu que a reunião, objeto do Requerimento nº 29/2022-CAPADR, de sua autoria, tinha por finalidade debater sobre “O papel do Ministério Público no combate ao trabalho escravo". Após breves comentários, o Presidente em exercício passou a anunciar os seguintes convidados: LYS SOBRAL CARDOSO, Coordenadora Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas - CONAETE e Procuradora do Trabalho - MPT; HENRIQUE OLIVEIRA SANTOS, Delegado de Polícia Federal; GABRIEL BEZERRA SANTOS, Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados e Assalariadas Rurais - CONTAR; BRUNO TEMPESTA, Coordenador-Geral de Combate ao Trabalho Escravo do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - MDH; VALTER PUGLIESI, Diretor da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA); LUCAS REIS DA SILVA, representante do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho - SINAIT; e PAULO GONÇALVES VELOSO, Diretor da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho - ANPT. Após, a palavra foi repassada aos convidados. A Sra. LYS SOBRAL CARDOSO lamentou a existência persistente do trabalho escravo na atualidade. Explanou sobre as causas do problema e discorreu sobre as atribuições do MPT e de outros órgãos para combatê-lo. Apresentou o conceito de escravidão contemporânea, listou as situações que a caracterizam e afirmou que é preciso lutar contra essa situação, que tira a dignidade dos trabalhadores. O Sr. VALTER PUGLIESI preocupa-se com a estrutura de fiscalização atual e com a tentativa de redefinir, juridicamente, o que seria trabalho análogo ao escravo. Apesar do aumento nos números de trabalhadores que vivem nessa condição, a estrutura e os recursos dos órgãos de resgate foram diminuídas. Há vários projetos de lei que tentam alterar a conceituação de trabalho escravo que violam os acordos internações assinados pelo Brasil e a Constituição Federal. Permitir a aprovação dessas normas seria um retrocesso terrível. O Sr. GABRIEL BEZERRA SANTOS lamentou a situação vivida no Brasil. A reforma trabalhista, a extinção do Ministério do Trabalho, dentre outras medidas, precarizaram as relações de trabalho e agravam as situações análogas à escravidão. Há um déficit de quase 4 mil fiscais do trabalho e isso impede a fiscalização. São necessárias mais verbas e a atuação conjunta com outros parceiros, como a Polícia Rodoviária Federal. O Sr. BRUNO TEMPESTA relatou que é difícil punir as pessoas físicas que praticam o trabalho escravo. Os responsáveis pela chacina da Unaí, por exemplo, onde 3 auditores fiscais foram assassinados, até hoje não foram presos, apesar de 18 anos após o ocorrido. Procura-se, hoje, colocar a vítima do trabalho escravo numa rede de proteção, já que, por viverem em situações precárias, sem ajuda, voltam à condição anterior. Por isso, é necessária uma ação coordenada global para enfrentar o problema. O Sr. LUCAS REIS DA SILVA disse que o trabalho escravo vive da miséria e da pobreza. Ainda, houve uma diminuição do arcabouço jurídico de proteção aos trabalhos. Tudo isso, piorou a situação com a diminuição de recursos e com a falta de mais de 4 mil fiscais do trabalho. Os responsáveis precisam sentir no bolso para não mais reincidirem e os grupos de fiscalização precisam atuar em conjunto com outros órgãos e agentes. Não se pode mudar a conceituação de trabalho escravo contemporâneo e deve-se fortalecer os grupos que lutam contra ele e acabar com a miséria e a pobreza. A Sra. LYDIANE MACHADO E SILVA, Vice-presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho – ANPT, disse que é preciso respeitar a Constituição Federal para valorizar, socialmente, o trabalho e reduzir a pobreza e a miséria social. Contudo, até hoje, o Estado não fez isso. O aumento da miséria e a precarização do trabalho incentivam o trabalho escravo. Sem os direitos sociais mínimos, não há dignidade humana. Para mudar a situação, é preciso combater a cultura escravagista no Brasil, fortalecer os meios de fiscalização e punir os responsáveis. Fizeram o uso da palavra os Deputados Padre João e Elias Vaz.  A palavra ainda foi repassada aos inscritos: Sérgio Coleto, Paulo Célio e Francisco Urban.  Findas as considerações finais, o Presidente em exercício agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às treze horas e dez minutos, antes, porém, convocou os senhores Deputados a participarem da Reunião Deliberativa Extraordinária, a ser realizada no dia vinte e nove de junho de 2022, quarta-feira, às 10h, para debater as proposições constantes na pauta. E, para constar, eu ______________________, Alexandre Pierre Barreto Lima, lavrei a presente Ata que, por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Giacobo______________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx