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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE MINAS E ENERGIA
56ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA MESA REDONDA A
FIM DE DEBATER A COBRANÇA ABUSIVA DE ENERGIA ELÉTRICA
Aos dezoito dias do mês
de outubro do ano de dois mil e dezenove, ás 09:00 horas, no Plenário Lameira Bitencout da Câmara
Municipal de Belém , sito na Travessa Curuzu, nº 1755 , em Belém - Estado do
Pará, contistuiu-se sob a presidência Srº CÁSSIO COELHO ANDRADE, que convidou a
mim Ana Paula Moraes da Cunha Alves para secretariar a mesa diretora da MESA REDONDA A FIM DE DEBATER A
COBRANÇA ABUSIVA DE ENERGIA ELÉTRICA, EM ATENDIMENTO AO REQUERIMENTO Nº
25/2019 CME, DE AUTORIA DOS
DEPUTADOS CÁSSIO ANDRADE, CELSO SABINO E DA DEPUTADA ALINE GURGEL. Iniciado os
trabalhos com a abertura solene convidamos a tomar assento a mesa dos trabalhos os senhores: Cássio Coelho Andrade - Presidente da
Frente Parlamentar em Defesa dos Consumidores de Energia Elétrica, Alessando Molon – Deputado Federal, Fábio Figueiras – Deputado Estadual, Thiago Araújo – Deputado Estadual, César Mattar Júnior – Promotor de
Justiça (Defesa do Consumidor/MPPA), Cássio Bittar – Denfensor Público
(DPE/PA), Milton Teixeira – Diretor
da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia –
SEDEME/PA, José Maria Gonçalves –
conciliador do PROCON/PA, Mauro
Chaves – Diretor da Centrais Elétricas do Pará – CELPA (Equatorial Energia),
Gleisson Oliveira – Vereador de
Belém, Rildo Pessoa – Vereador de
Belém, Toré Lima – Vereador de
Belém, Nilda Paula – Vereadora de
Belém e Alexandre Gomes – Vereador
de Ananindeua. Feito
isso o presidente procedeu ao exame da ordem do dia, que versava sobre cobranças
abusivas nas tarifas de energia, alertando que sempre foi questionado pela
população paraense o elevado valor cobrado nas contas de energia e sentia
obrigação em explicar a referida cobrança, mesmo em que pese o Estado do Pará
ser produtor de energia suficiente para abastecer a si e aos demais Estados. Foi
então que, quando tomou posse do cargo de deputado federal, junto a outros
deputados federais, como o deputado Alessandro Molon, propuseram a criação da
Frente Parlamentar em Defesa dos Consumidores de Energia Elétrica,
ressaltando que a mesma não tem cunho político ou partido à frente, é uma luta
do grupo de deputados pela sociedade. Reforça que, um dos motivos do alto valor
cobrado pela energia elétrica no Estado do Pará, é a
distribuição de energia no Estado, tendo em vista a imensidão territorial. Há um
grande custo na distribuição de energia para um pequeno volume de habitantes, no
entando num grande espaço territorial. Diferente de outros Estados, onde num
pequeno espaço territorial se distribui energia elétrica para um volumoso número
de habitantes. Cita o segundo motivo relatado pela concessionária que é a tarifa
social, que é concedida à grande parte da população paraense, que é carente. O
terceiro item é o pequeno parque
industrial, o qual não estimula o grande consumo de energia pelas empresas. E
concluiu que o quarto item, é o rateio da perda técnica de energia elétrica. O
teto da perda de energia elétrica distribuído na conta de energia elétrica dos
consumidores do Pará é de trinta e quatro por cento, enquanto do Maranhão é de
dez por cento. Divisão injusta, que prejudica a população paraense. Conclui
questionando principalmente a perda técnica, pois não acha justo o percentual de
rateio com o consumidor paraense, bem como a cobrança dupla, feita quando
detectado o desvio de energia individual. No entanto, parabeniza a
concessionária pelos avanços e pela disponibilidade em discutir as
problemáticas. Ato continuo o
presidente colocou em discurssão a pauta, dando a palavra ao Dr. Cássio Bittar, o mesmo relatou que
em 2018, houveram mais de oito mil atendimentos relacionados à energia elétrica
na Delegacia do Consumidor, demonstrando o descontentamento e problemas
enfrentados pela população paraense. Relatou ainda que, após várias discussões
sobre o tema, chegou à conclusão que dois pontos devem ser observados para
tentar minimizar os referidos problemas: 1. A recuperação do consumo (em que a
Concessionária deixa de faturar algo em um mês e passa a cobrar nos meses
seguintes), que através da Resolução 414/2010 da ANEEL autoriza o faturamento
posterior de Consumo Não Faturado; 2. A capacidade econômica do consumidor não
vem sendo observada. Dessa forma, enfatiza que deve haver um equilíbrio entre as
perdas financeiras da concessionária e a capacidade econômica do consumidor,
devendo ser estudado parâmetros para sua aplicação. Em seguida, foi dada a
palavra ao Senhor Alexandre Gomes, o
qual informou que no município de Ananindeua foi solicitada, na Câmara dos
Vereadores, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para
investigar os abusos nas cobranças e a “indústria de gatos”, onde explica que há
suposta criação de “metas” para quem identificar/inventar o maior número de
desvio de energia no município. Entende que a concessionária tem que arrecadar,
que há alto custo na distribuição, mas tem que haver uma facilitação ao
consumidor, principalmente aos mais humildes. No entanto, reforça que até pra
solicitar religação, a concessionária exige que seja encaminhado o comprovante
de pagamento por e-mail, sendo que a grande maioria da população nem acesso à
internet tem. Passada a palavra ao
Dr. Cesar Mattar Júnior, o mesmo
ressaltou que a resolução 414/2010 da ANEEL é o obstáculo, é o maior entrave
para a resolução do conflito, pois autoriza os abusos da concessionária. A
solução para a imensa gama de ações judiciais é do parlamento federal, com a
modificação da lei federal. Em seguida, o vereador Toré Lima informou que na Frente
Parlamentar Do Município de Belém, fecharam cinco pontos a serem discutidos: 1.
Cálculo do ICMS nas faturas; 2. Desvinculação de débitos pretéritos das faturas
atuais; 3. Verificação frequente dos aparelhos de medição de energia; 4.
Proibição de corte de energia às sextas-feira; e 5. Observação das Tarifas
Sociais. Pondera que em todos os debates a concessionária apenas se resume em
dizer que estão baseados na Resolução 414/2010 da ANEEL, no entanto a ANEEL
nunca se faz presente. Solicita ainda que a Celpa atenda a lei municipal que
proíbe a suspensão do fornecimento de energia às sextas-feira e reivindica
atendimento mais rápido nas lojas da concessionária, além de questionar o fato
do Procon abrigar atendimento da Celpa em seu prédio, em troca de benfeitorias.
Em seu discurso, o Sr. José Maria
Gonçalves parabenizou a mobilização das autoridades e seu o esforço
juntamente com a sociedade sem solucionar os conflitos com a concessionária de
energia. Reforça que o Procon recebe grande demanda de atendimento referente a
energia elétrica e que busca se juntar à essa força tarefa. Em seguida, o
deputado Thiago Araújo reforça a
necessidade que a sociedade tem de energia elétrica no seu dia-a-dia e que isso
é colocado à mercê de um sistema federativo, que prejudica o Estado produtor,
que mesmo tendo superávit que abrange seu consumo, não recebe a devida
compensação. Muito pelo contrário, há paraense sem energia elétrica em sua
residência, mesmo estando no Estado produtor. Ressalta que a Concessionária não
passa por uma fiscalização, sendo necessária a retomada do convênvio entre a
ANEEL e a ARCON para ocorrer essa fiscalização. Pondera a respeito dos avanços
da Celpa, principalmente em relação ao Marajó. No entanto, denuncia que o Estado
anuncia cobrança de ICMS de vinte e cinco por cento, mas na realidade porque há
uma bitributação, elevando essa cobrança para o patamar de trinta e três por
cento. Passada a palavra ao Sr. Milton Teixeira, o mesmo comunga que as
problemáticas já abordadas pelos outros oradores são os problemas a serem
discutidos a respeito da energia elétrica e também reforça a necessidade de
retomada do convênio ANEEL e ARCON para fiscalização da concessionária. O
vereador Rildo Pessoa questiona se a
ANEEL está para defender o interesse da população ou das concessionárias?
Questiona porque a cobrança não é feita igual para todo o país como antes? Cita
que da forma como está, o paraense que paga a conta de energia do Paulistano ou
do Braziliense, tendo em vista que paga mais caro que o resto do país. Que este
sistema é decisão política. Exemplifica que o Pará está de “joelhos”, implorando
para dividir os custos da concessionária com todo o país, solicitando que o
deputado Cássio Andrade proponha no parlamento federal, que o valor da tarifa de
energia elétrica seja único em todo o país. O deputado Fábio Figueiras ressalta que o Estado
do Pará pode ser considerado o maior produtor de energia elétrica do país, mas,
por outro lado, apesar de ser autossustentável, tem a segunda tarifa mais cara
do país. Outro ponto a ser discutido é o ICMS cobrado no Estado, onde impera a
bitributação, além de ser o maior percentual cobrado no Brasil. Questiona també
o sistema de divisão da tarifa, o qual foi imposto ao Estado do Pará, não foi
uma escolha. E apesar da produção, das reservas naturais beneficiarem todo o
Brasil, os custos são impostos apenas ao Estado do Pará. Figueiras pondera
ainda, que a concessionária cobra duas vezes a perda técnica, pois ela divide o
prejuízo da perda com o consumidor em geral e depois, quando consegue
identificar, cobra a perda individualmente. Em sua fala, o deputado federal Alessandro Molon parabeniza a atuação
conjunta do Ministério Público e da Defensoria Pública em busca da defesa do
consumidor. Reforça que como deputados federais, devem propor alguma atuação
junto à ANEEL ou propor alguma medida legislativa de normas gerais no Congresso
de forma a orientar a ação da ANEEL, pois muitas vezes se observa das Agências
reguladoras uma maior sensibilidade sobre os seus regulados do que para as
necessidades dos consumidores, diferente a finalidade para que foram criadas.
Sintetiza que a energia elétrica é um bem fundamental à população, pois agrava o
principal problema brasileiro, que é a desigualdade, seja sócio/econômica, de
raça, de gênero, ou regional. E que tais abusos devem ser combatidos. Dada a
palavra à veredora Nilda Paula
agradece pelo convite para compor a mesa, pois esclarece que a presença feminina
nas mesas de trabalho ainda não são frequentes. Questiona o rateio das perdas
técnicas, citando o Código de Defesa do Consumidor, onde as empresas devem
assumir seus prejuízos sob o manto dos “riscos do negócio”, não devendo esse
custo ser repassado aos consumidores. Outro ponto que questiona é o fato do
consumidor só poder fazer as denúncias pessoalmente, tendo que perder o dia todo
de trabalho, devido às grandes filas que encontra nas lojas de atendimento das
concessionárias, enquanto que nos canais eletrônicos disponibiliza outros
serviços, sempre favorecendo a concessionária. Denuncia a cobrança de religação
de energia após o corte, pois o consumidor já é penalizado com a suspensão do
fornecimento de energia, com multas e juros, ainda sendo imposta a cobrança de
religação. Já o vereador Gleisson
Oliveira ressalta que a Câmara Municipal de Belém já foi palco de grandes
debates, uma vez que os vereadores são os mais próximos da sociedade, o que
iniciou a luta em defesa do consumidor paraense e a presença do parlamento
federal cria esperança à população, que não sabe mais a quem recorrer. Assim,
tendo resolvido as tratativas sobre o assunto, foi encerrada a mesa redonda,
para que fosse lavrada a presente ata. Nada mais havendo a tratar, lavro a
presente ata, que vai assinada por mim (secretária) ___________ e pelo
presidente ________________. Belém/PA, 22 de outubro de 2019.