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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL
55ª Legislatura - 4ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 3ª REUNIÃO ORDINÁRIA
DE AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 25 DE ABRIL DE
2018
Às nove horas e trinta
minutos do dia vinte e cinco de abril de dois mil e dezoito, reuniu-se a
Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, no Anexo II, Plenário 03
da Câmara dos Deputados. Compareceram os Deputados Nilson Pinto - Presidente; Antonio Imbassahy, Arlindo
Chinaglia, Cabuçu Borges, Carlos Zarattini, Cesar Souza, Claudio Cajado, Eduardo
Barbosa, Giovani Feltes, Henrique Fontana, Jarbas Vasconcelos, Jean Wyllys, Jô
Moraes, Joaquim Passarinho, Luiz Lauro Filho, Luiz Sérgio, Márcio Marinho,
Pastor Eurico, Pedro Fernandes, Rubens Bueno, Vanderlei Macris e Vinicius
Carvalho - Titulares; Benedita da
Silva, Cristiane Brasil, Delegado Edson Moreira, Eduardo Cury, Jorge Côrte Real,
Luiz Carlos Hauly, Luiz Nishimori, Marcus Vicente, Nelson Marquezelli, Nelson
Pellegrino, Pr. Marco Feliciano, Rosangela Gomes, Stefano Aguiar e Subtenente
Gonzaga – Suplentes. Compareceram
também os Deputados Capitão Augusto, Evair Vieira de Melo, Orlando Silva,
Professor Victório Galli e Tenente Lúcio, como não membros. Deixaram de
comparecer os Deputados Átila Lins, Benito Gama, Bruna Furlan, Dimas Fabiano,
George Hilton, Heráclito Fortes, Jefferson Campos, Mendonça Filho, Miguel
Haddad, Paulo Abi-Ackel e Soraya Santos. ABERTURA: O
Presidente, Deputado Nilson
Pinto,
deu início à Reunião Ordinária de Audiência Pública, informando que foram
chamados para atuar como debatedores na audiência pública os seguintes
convidados, a quem convidou a compor a mesa: o senhor
Vinícius Mariano de Carvalho,
professor de estudos brasileiros e do Departamento de Estudos de Guerra
do King’s College London; o senhor
Chamon Malizia de Lamare, coronel e
subchefe de operações do Ministério da Defesa; a senhora Maria Cecília Barcelos
Cavalcante Vieira, subchefe da
Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do Ministério das Relações
Exteriores, e o senhor Danilo Coelho, oficial de inteligência da Agência
Brasileira de Inteligência (ABIN). Em seguida, explicou que naquela audiência
pública, atendendo o Requerimento nº 248 de 2018, de autoria do deputado
Vinícius Carvalho, subscrito pelo deputado Delegado Edson Moreira, iria-se
debater sobre a ameaça da utilização
das armas químicas e biológicas no planeta. Ressaltou que a discussão do
tema era bastante oportuna, considerando que no dia 29 do mês corrente seria
celebrado o Dia em Memória das Vítimas de Guerra Química, data instituída pela Organização das
Nações Unidas para marcar o aniversário de 103 anos da primeira vez que esse
tipo de armamento fora empregado, durante a Primeira Guerra Mundial, na Bélgica.
Afirmou que, lamentavelmente, mesmo passados 93 anos da assinatura do Protocolo
de Genebra Sobre a Proibição do Uso de Armas Químicas e Bacteriológicas, o
número de mortes causadas por essas armas vinha aumentando e o mundo continuava
lutando contra os seus desumanos e atrozes efeitos. Parabenizou os autores do
requerimento pela oportunidade do tema, ao mesmo tempo em que aproveitou para
agradecer a presença de todos e sua participação naquele importante
debate. Nesse momento, o Presidente passou a direção dos trabalhos ao Deputado
Vinícius Carvalho, que franqueou a palavra ao senhor
Vinícius Mariano de Carvalho. O expositor disse que não era um especialista no
assunto tema daquela audiência e estava ali na condição de professor. Leu um
trecho do discurso proferido pelo embaixador brasileiro José Maurício Bustani,
primeiro diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ),
durante a Conferência “A Convenção da Proibição de Armas Químicas (CPAQ)
Trajetória Futura“, que fora patrocinada pelo Centro de Estudos Estratégicos do
Ministério da Ciência e Tecnologia no ano de 2000. Afirmou que, 18 anos após a
fala do embaixador, parecia que o mundo tomara uma direção contrária. Disse que
o fragelo representado pela arma química ainda estava presente e preocupava
demasiadamente de forma real e crescente o mundo. Ressaltou que o utilitarismo
militar se sofiscara de forma muito grande desde o ano de 2000 e o espectro de
conflitos contemporâneos globais não ecoavam mais aquele bipolarismo da guerra
fria, mas demonstrava que os esforços internacionais por controle de armamento
de destruição em massa, especialmente os biológicos e químicos, estavam
claudicando e estavam bem longe daquela visão idealista que o embaixador Bustani
apresentara em seu discurso naquele longínquo 2000. Em relação às armas
biológicas, fez um histórico do arcabouço normativo existente sobre o assunto,
citando a legislação internacional e a brasileira. Explicou que o risco
biológico era bastante complexo e seu espectro transitava em certas variantes
que nem sempre eram controláveis: podiam ser riscos naturais como pandemias
naturais e doenças infecciosas emergentes; riscos acidentais, podendo advir de pesquisas,
acidentes em laboratórios ou até mesmo da falta de compreensão de riscos na
manipulação dos artefatos; e riscos intencionais. Citou os riscos que poderiam
ser provocados pelas armas biológicas. Explicou que no espectro de proteção e de
defesa biológica se trabalhava com três conceitos básicos: Biosafety – proteger
as pessoas contra os patógenos; Biosecurity – proteger os patógenos contra as
pessoas; e Biosurety – combinação de proteger as pessoas contra os patógenos,
proteger os patógenos contra as pessoas e, principalmente, incluir meios de
respostas quando um dos elementos dessa cadeia se rompesse. Considerou ser importante que se
construísse a capacidade nacional de resposta para construir uma Biosurety mais
eficiente. Defendeu que o Brasil tivesse uma eficiente capacidade de perícias
biológicas, com mecanismos sólidos e eficientes, que houvesse uma integração de
atores com uma cooordenção muito precisa. Defendeu, também, um engajamento
internacional do Brasil com ação proativa e contundente quanto à garantia de que
a convenção sobre o assunto fosse respeitada por todos os países signatários.
Quanto às armas químicas, falou sobre a Organização para a Proibição de Armas
Químicas (OPAQ). Afirmou que todos os membros do Conselho de Segurança da ONU
eram signatários e faziam parte daquela organização, o que, na opinião dele,
dava respaldo muito grande sob a perspectiva de defesa. Citou os ataques
químicos ocorridos no Reino Unido e na Síria e chamou a atenção para a
necessidade de uma unidade muito grande e de uma resposta, fosse ela diplomática
brasileira, que garantisse que ações como aquelas não se repetiriam. Finalizou
dizendo achar importante que dentro do país se pensasse em alguns pontos mais
relevantemente concretos, como uma política nacional de prevenção, contenção e
contramedidas contra armas químicas e biológicas; a necessidade de aumentar a
capacidade de prevenção, contenção e contramedidas tanto das Forças Armadas,
quanto entre agentes de saúde pública, na segurança pública, nas indústrias
químicas e farmacêuticas; e nos institutos de pesquisa nacionais; a necessidade
de uma rede ampla de vigilância epidemiológica; e uma política nacional de
inspeção em instalações industriais e farmacêiuticas para garantir transparência
internacional nesses fatos. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao senhor Chamon Malizia de Lamare, que afirmou que aquele tema era
bastante afeto às Forças Armadas Brasileiras. Falou sobre a estrutura dentro do
Ministério da Defesa para atender aquela temática. Fez um histórico da Atividade
de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear no Brasil (DQBRN). Discorreu
sobre a experiência do Ministério da Defesa nos grandes eventos realizados no
país, como os jogos olímpicos e a copa do mundo. Mostrou as atividades
desenvolvidas pelo Ministério em conjunto com a Organização para Proibição de
Armas Químicas (OPAQ). Citou a
parceria existente com outros órgãos brasileiros nas atividades desempenhadas.
Por fim, divulgou um vídeo que fora realizado logo após um ataque com armas
químicas ocorrido na província de Idlib, na Síria. Em seguida, o Presidente
passou a palavra à senhora Maria
Cecília Barcelos Cavalcante Vieira,
que explicou que cabia à divisão na qual trabalhava acompanhar os temas
relativos à Convenção sobre Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas (CPAB) e
Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas (CPAQ). Informou que o Brasil
fazia parte das duas convenções. Fez um histórico sobre a CPAB e a CPAQ e falou
sobre elas. Ressaltou que o Brasil era um país megadiverso, um dos maiores
detentores de biodiversidade. Ressaltou que o país possuía uma ampla rede de
saúde pública, muitos laboratórios e centros de pesquisa, de modo que havia
grande potencial nesse ponto e interessava que esse potencial pudesse ser
concretizado no marco de uma CPAB vigorosa, que não impedisse o progresso
técnico e científico do país. Afirmou que na OPAC o Brasil atribuía prioridade à
destruição completa dos arsenais químicos ainda existentes. Afirmou, ainda, que
o Brasil detinha a 7ª maior indústria química mundial e avaliava que os
controles nas áreas de desarmamento químico, assim como na de desarmamento
biológico não deviam gerar obstáculos adicionais para o progresso técnico e
científico dos países em desenvolvimento. Ressaltou o papel da Coordenação Geral
de Bens Sensíveis, uma unidade integrante da estrutura da Assessoria Especial de
Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e
Comunicações – MCTIC, que coordena e acompanha a implementação da política de
controle de exportação de bens sensíveis e serviços diretamente vinculados a
tais bens, além do acompanhamento de convenção, regimes e tratados
internacionais nas áreas de desarmamento e não proliferação de armas de
destruição em massa dos quais o Brasil fazia parte, no caso, a CPAB e a CPAQ.
Falou sobre os bens sensíveis e suas classificações. Explicou o desenvolvimento
de suas atividades. Citou os casos de ataques químicos ocorridos no Reino Unido
e na Síria; e destacou que a posição que o Brasil sempre defendia era a de
condenação nos mais veementes termos do uso de armas químicas ou de quaisquer
armas de destruição em massa. Afirmou que o Brasil defendia que houvesse
investigação abrangente e imparciais sobre todos os incidentes reportados e
registrados. Nos casos citados, a expositora falou sobre as atitudes que foram
tomadas pelos organismos competentes e a posição do Brasil em relação a eles. Em seguida, o Presidente passou a
palavra ao senhor Danilo Coelho, que informou que as ameaças químicas e
biológicas eram um tema prioritário na agenda da inteligência brasileira. Disse
que, na Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), ele coordenava a fração que
buscava antecipar fatos e situações relacionadas a eventos químicos, biológicos
radiológicos e nucleares. Explicou que fazia essa antecipação com o objetivo de
assessoramento presidencial a nível supraministerial. Ressaltou que também
trocava informações com os parceiros do sistema brasileiro de inteligência,
entre eles o Ministério de Relações Exteriores e o Ministério da Defesa. Citou a
estrutura da agência envolvida nesse trabalho. Falou sobre a ABIN e sobre o
arcabouço normativo a que está subordinada. Fez uma explanação sobre
os agentes químicos biológicos selecionados e seus riscos. Destacou a
importância do papel da inteligência do Estado para análise das informações
sobre essas ameaças químicas e biológicas e para a prevenção, detecção,
obstrução e neutralização de ações adversas que buscavam disseminar esses
agentes selecionados. Explicou que, por se tratar de assunto complexo, não
poderia prescindir de análise de inteligência especializada em um nível
supraministerial porque as ações de prevenção, preparo e resposta, com ênfase na
prevenção, deveriam ser realizados por diversos ministérios e órgãos de maneira
integrada. Destacou que essa análise devia se basear na idéia de múltiplas
causas e múltiplos alvos, sobretudo num país como o Brasil, que é um celeiro do
mundo e um país megadiverso. Deu como exemplos, o agroterroismo, que, segundo
ele, deveria ser mais debatido no país; e a sabotagem à agropecuária nacional e
ao meio ambiente. Explicou que esses exemplos estavam relacionados a ameaças
químicas selecionadas. Afirmou que eventos como o do Reino Unido e da Síria
envolvendo agentes químicos abalavam a confiança mútua entre os países e a
confiança mútua nos regimes de não proliferação era considerado um pilar, algo
fundamental. Ressaltou que um resultado possível de um sistema em que a
confiança mútua estivesse abalada poderia ser o aumento do risco de
desenvolvimento de precursores de armas de destruição em massa e,
consequentemente, o aumento do risco de um evento biológico químico. Afirmou
que, para a realidade brasileira, o foco dos regimes de não proliferação vinha
sendo predominante a prevenção para que um estado desenvolvesse e utilizasse
armas de destruição em massa. Falou sobre o risco de uma ameaça não estatal
disseminar um agente desse e afirmou que no Brasil, por causa da opção de
política externa de solução pacífica de conflitos e a não inernvenção como
princípios de relações internacionais, a ameaça não estatal era maior do que a
ameaça de outros estados contra o Brasil. Defendeu a necessidade de se ampliar a
cooperação internacional para se fazer frente às ameaças internas de atores não
estatais contra a nossa sociedade. Afirmou acreditar que a tríade de cultura de
proteção; equipes especializadas nos órgãos de saúde, segurança, defesa e
inteligência; e plano de resposta formavam um conjunto prioritário de
necessidade contínua de aprimoramento para que o Brasil enfrentasse
adequadamente as ameaças químicas e biológicas selecionadas no sentido de
proteger a sociedade, os recursos agropecuários e o meio ambiente Em seguida,
passou-se à lista de parlamentares inscritos. Usaram da palavra para comentários
e questionamentos os Deputados Márcio Marinho e Jô Moraes. Em sequência, o
Presidente cedeu a palavra aos convidados, que responderam aos questionamentos
formulados e às dúvidas suscitadas e apresentaram suas considerações finais.
ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
presença dos convidados, dos senhores parlamentares e demais presentes e
encerrou os trabalhos às onze horas e quarenta e três minutos, antes pediu que
os senhores deputados e deputadas permanecessem em plenário, pois em três
minutos daria-se início à reunião deliberativa do Colegiado. E, para constar, eu
______________________, Edilson Holanda Silva, Secretário-Executivo, lavrei a
presente Ata, que por ter sido aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado
Nilson Pinto ______________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados. O inteiro teor foi gravado, passando o arquivo de áudio
correspondente a integrar o acervo documental desta
reunião.x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x