|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO
55ª Legislatura - 3ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 2ª REUNIÃO – COMPARECIMENTO DO
MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO, RONALDO NOGUEIRA.
|
Às onze horas e vinte e dois minutos do dia 29 de março de dois mil
e dezessete, reuniu-se a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público, no Plenário 12 do Anexo II da Câmara dos Deputados, sob a
presidência do Deputado Orlando Silva. Compareceram os Deputados: André
Figueiredo, Assis Melo, Bebeto, Benjamin Maranhão, Bonh Gass, Daniel
Almeida, Erika Kokay, Flávia Morais, Gorete Pereira, Jozi
Araújo, Leonardo Monteiro, Marcelo Castro, Roberto de Lucena, Robinson
Almeida, Rôney Nemer, Sílvio Costa, Vicentinho, Walney Rocha e Wolney
Queiroz – titulares; Alex Canziani, Augusto Coutinho,
Cabo Sabino, Jorge Côrte Real, Laercio Oliveira, Marcelo Aguiar, Nelson
Pellegrino, Sabino Castelo Branco, Soraya Santos e Waldir Maranhão
– suplentes. Compareceram também os Deputados
Carlos Henrique Gaguim, Delegado Edson Moreira, Evair Vieira de Melo,
Izalci Lucas, Julio Lopes, Pedro Fernandes, Raquel Muniz, Tenente Lúcio e
Welinton Prado - não membros. O Senhor Presidente agradeceu
a presença de todos, declarou aberta a reunião, realizada em razão do REQ
179/2017, de autoria do próprio Presidente, Deputado Orlando Silva, que
“convida o Ministro do Trabalho e Emprego, Senhor Ronaldo Nogueira, para
tratar do Projeto de Lei da Reforma Trabalhista” e apresentar em linhas
gerais o que está sendo feito pelo Ministério, sob orientação do Senhor
Ministro. O Senhor Presidente expôs ainda ao Senhor Ministro a
reivindicação de vários parlamentares da Comissão de Trabalho em
participar ativamente dos debates travados na Comissão Especial criada
para discutir a reforma Trabalhista e, ao mesmo tempo, ressaltou a
necessidade de o Brasil oferecer o tempo necessário de maturação da
sociedade frente às mudanças que impactarão tão decisivamente na vida dos
trabalhadores. O Presidente Orlando Silva falou ainda da necessidade de
diálogo para que se alcance o melhor resultado para o povo. Em seguida, o
Presidente esclareceu as normas para o debate e passou a palavra ao Senhor
Ministro do Trabalho e Emprego, Ronaldo Nogueira. O Ministro então falou
de sua satisfação em voltar a dialogar com seus antigos pares, falou da
importância do Parlamento em permitir o aumento da autonomia dos entes
federados e o fortalecimento das entidades. Ressaltou também a necessidade de
que cada uma das autoridades presentes faça uma reflexão sobre o que se
pode fazer para dar dignidade aos cidadãos, no que tange ao acesso ao
emprego e ao salário. O Ministro disse ainda que as seis principais áreas
de produção no país, a exemplo da construção civil, começam a sentir os
reflexos da retomada do crescimento econômico, mas ressaltou a necessidade
de se buscar novos formatos nas relações trabalhistas, com modernização da
legislação, como pretende o governo atual. O Ministro falou ainda sobre
segurança nos acordos coletivos, que “terão força de lei” e sobre a
possibilidade de pequenas e micro empresas aderirem ao Seguro Emprego.
Falou ainda que, em breve, o Ministério noticiará a prisão de uma
quadrilha especializada em fraudar o Seguro Desemprego. Por fim, o
Ministro Ronaldo Nogueira disse que o Ministério está a preparar uma
cartilha com 13 questões a respeito da Convenção Coletiva que será
distribuída aos trabalhadores e ao Parlamento. Terminada a fala do
Ministro, o Presidente Orlando Silva passou a palavra aos deputados.
Antes, porém, prestou sua homenagem ao Deputado Wolney Queiroz, que esteve
à frente dos trabalhos da Comissão no ano de 2016. O primeiro a falar foi
o Deputado Assis Melo, que questionou o anúncio do Ministro a respeito da
recuperação do emprego e da pressa do governo em aprovar o PL nº 4.302/98.
Em seguida, o Deputado Vicentinho falou que o Ministério do Trabalho
sempre defendeu os direitos do trabalhador, entretanto, segundo o
Deputado, agora existe uma grande ameaça, quando se permite que o
negociado se sobreponha ao legislado. O Deputado Vicentinho questionou
também a falta de apoio aos auditores fiscais que atuam contra o trabalho
escravo e a falta de divulgação da “lista suja”, que contém o nome de
empresários que usam esse tipo de mão de obra. Na sequência, o Deputado
Daniel Almeida questionou o Ministro, cuja origem política é ligada ao
Trabalhismo de Vargas, sobre a aprovação do PL nº 4.302/98, sobre a
terceirização e sobre a reforma da Previdência que, nas palavras do
Deputado, significam “jogar a CLT no lixo”. O próximo a questionar o
Ministro foi o Deputado Robson Almeida que, citando o fato de a aprovação
da Terceirização já estar sendo questionada no Supremo Tribunal Federal, e
sobre o fato de que, para sancionar o PL nº 4.302/98, o Presidente da
República provavelmente buscaria o parecer do Ministério, como o Ministro
opinará a respeito dela. Em seguida, o Deputado Bebeto, ao afirmar que a
reforma Trabalhista proposta pelo governo só interessa aos empresários e,
questionando a atuação do Presidente da Casa, Deputado Rodrigo Maia, na
condução dos trabalhos, atropelando os trâmites necessários à análise da
proposta, levaram à aprovação dela, perguntou ao Ministro qual será a
posição dele com relação ao PL nº 4.302/98, quando sua opinião for
solicitada. O Deputado Alex Cansiani falou em seguida, elogiando a
retomada do crescimento econômico e dizendo que isso mostra que o país
está no caminho certo. O Deputado falou ainda que o Ministro tem tido um
papel fundamental nisso, ao dialogar tanto com empresários, quanto com os
trabalhadores. Já o Deputado Bohn Gass, disse que não consegue enxergar
essa expectativa de emprego e de retomada de crescimento e questionou o
Ministro sobre como o Presidente Temer vai sancionar uma lei que vai
precarizar a segurança do trabalho, ao possibilitar a terceirização da
atividade fim. Na sequência, a Deputada Erika Kokay falou que, para além
da ilegalidade de ter-se colocado em pauta o projeto nº 4.302/98, cujo
autor tinha solicitado que fosse retirado de pauta, a terceirização é um
ataque aos direitos conquistados e significa a fragmentação da
representação sindical. Além disso, segundo ela, não há explicação para
não se divulgar a lista dos empresários que se utilizam de trabalho
análogo à escravidão. O próximo a falar foi o Deputado Pedro Fernandes,
que disse ser favorável à terceirização e afirmou ter votado
favoravelmente a ela, mas disse questionar e ser contra a forma como foi
votado o PL nº 4.302/98 e pediu providências ao Presidente da CTASP com
relação a isso. O próximo escrito, Deputado Adalberto Cavalcanti,
questionou o Ministro sobre quais os pontos positivos e negativos da
Terceirização para os trabalhadores. O Deputado Leonardo Monteiro, na
sequência, falou que a reforma trabalhista significará aumento de carga
horária, diminuição das férias e o pior de tudo, é que ela será decidida
por uma comissão composta apenas por 37 pessoas. “37 pessoas vão decidir a
relação capital versus trabalho”. Ele apontou para a necessidade de um
trabalho tanto do Presidente da Comissão, quanto do Ministro, para que a
discussão da matéria seja feita em nível de Plenário. Em seguida a
Deputada Flávia Morais falou da necessidade de muita cautela na discussão
da reforma Trabalhista, porque numa negociação entre empregador e
trabalhador, o lado mais frágil é geralmente o do trabalhador. Depois da
Deputada Flávia Morais, o Deputado Sílvio Costa perguntou ao Ministro se
ele tem ciência de que a reforma Trabalhista irá impactar em
aproximadamente 25 bilhões de reais por ano o caixa da Previdência. Em
seguida o Deputado Sabino pediu a palavra para defender a atuação do
Ministro Ronaldo Nogueira à frente do Ministério do Trabalho e Emprego.
Terminada a lista de deputados inscritos para arguirem o Ministro, o
Presidente Orlando Silva agradeceu a prontidão do Ministro em atender ao
convite para participar da primeira reunião do ano da CTASP e passou a
palavra para que ele respondesse a todos os questionamentos que lhe foram
feitos. O Ministro também teceu suas considerações finais. Em seguida, o
Presidente cedeu a palavra aos deputados que solicitaram a tréplica, sendo
eles a Deputada Erika Kokay e o Deputado Bohn Gass, que respondendo ao
Ministro sobre a questão do Impeachment da ex-presidente Dilma, disse que
não reconhece o processo, porque não houve crime de responsabilidade,
opinião subescrita pelo Presidente da Comissão. O Deputado Vicentinho
pediu a palavra apenas para anunciar a presença de José Roberto Nogueira
(Bigodinho), dirigente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos. Em
seguida, o Presidente Orlando Silva se comprometeu com o Deputado Leonardo
Monteiro em cuidar para garantir a votação da reforma Trabalhista no
Plenário da Casa. Em seguida o Presidente agradeceu a presença do Ministro
e, nada mais havendo a tratar, às treze horas e sete minutos, encerrou a
reunião, antes, porém, convocou os Senhores Deputados, membros desta
Comissão, para reunião ordinária, a realizar-se no dia 05 de abril, às 10
horas, no Plenário 12 do Anexo II da Câmara dos Deputados.
E,
para constar, eu, _______________________, José
Mauro Meira Magalhães, Secretário, lavrei a presente Ata que, após lida e aprovada, será
assinada pelo Senhor Presidente, Deputado Orlando
Silva__________________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados. O inteiro teor da reunião encontra-se gravado, passando o
arquivo de áudio a integrar o acervo documental da
Comissão. . |