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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO
DE FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E CONTROLE
55ª
Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA 23ª REUNIÃO – EXTRAORDINÁRIA,
AUDIÊNCIA PÚBLICA
– REALIZADA DIA 30/11/2016
Às
onze horas e cinquenta e oito minutos do dia trinta de novembro de dois mil e
dezesseis, reuniu-se a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, no Anexo
II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, com a presença dos senhores deputados
Leo de Brito – Presidente; Aníbal Gomes e Lindomar Garçon - Titulares; Antonio
Bulhões, Edinho Bez, Jorge Solla, Luiz Cláudio, Valtenir Pereira e Vanderlei
Macris – Suplentes. Compareceram também os deputados Capitão Augusto, Evair
Vieira de Melo, Subtenente Gonzaga e Weliton Prado, como não-membros. Deixaram
de comparecer os Deputados Adelmo Carneiro Leão, Alberto Filho, Cacá Leão,
Fernando Francischini, Hugo Motta, Nilton Capixaba, Pauderney Avelino, Paulão,
Paulo Pimenta, Pedro Paulo, Toninho Wandscheer, Uldurico Junior, Vinicius Gurgel
e Wellington Roberto. ABERTURA: Havendo número regimental, mantido o painel da
Reunião anterior, Deliberativa, Ordinária, assumiu a presidência da Reunião o
deputado Leo de Brito, que declarou abertos os trabalhos, convocados para
debater, em Audiência Pública, o tema: “Experiências inovadoras de atividade do
Controle Externo, realizadas no âmbito dos Tribunais de Contas Estaduais”,
conforme o Requerimento nº 243/2016, da autoria do próprio deputado, Leo de
Brito, que estimou que houvesse experiências inovadoras riquíssimas nos
tribunais de contas estaduais, além de no Tribunal de Contas da União, e
esperava uma boa discussão a respeito de inovações. O presidente convidou para
compor à mesa os expositores convidados presentes: Felício Ribas Torres,
secretário-geral adjunto de Controle Externo do Tribunal de Contas da União –
TCU; Valdecir Fernandes Pascoal, conselheiro do TCE de Pernambuco e Presidente
da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil – Atricon –; Doris
de Miranda Coutinho, conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins;
Roney Wellington da Silva Caldera, representante do TCE do Acre; Douglas
Avedikian, diretor de Gestão e Modernização do TCE do Mato Grosso do Sul;
Jacqueline Vianna de Paula, representante do TCE de Minas Gerais. Em seguida, o
Presidente esclareceu as regras da Audiência Pública e concedeu a palavra, nessa
ordem, para as exposições iniciais, iniciando-se por Felício Ribas Torres, que
elogiou a presença de representante de tribunais de contas estaduais. Defendeu o
estímulo às boas práticas, à transparência e ao compartilhamento de informações.
Ressaltou que as inovações devem contribuir para o controle externo,
especialmente para viabilizar o acesso a informações e ressaltou a importância
do tratamento de dados de modo a agregar-lhes valor e produzir informações,
inclusive para subsidiar o controle social. Dados e informações, defendeu,
deviam estar disponíveis. Noticiou que havia um esforço no TCU para o tratamento
de dados e a oferta de síntese informacional. Citou como o sistema de auditoria
de orçamento de obras e o sistema de riscos de obras rodoviárias como exemplares
dos inúmeros painéis informatizados que permitiam uma visualização clara até
para pessoas que não pertenciam ao meio técnico de fiscalização e controle.
Salientou que a sociedade poderia se organizar para construir aplicativos que
processassem dados e informações e gerassem informações para o controle social
dos gastos e aplicações de despesas públicas. Realçou por fim que a parceria com
os tribunais de contas estaduais era determinante para a eficácia do controle
das contas públicas. O presidente concedeu a palavra aos deputados Edinho Bez, e
expressou a preocupação de prefeitos que querem atender à legislação e muitas
vezes não encontravam informações suficientes e pessoas gabaritadas para
orientá-los, e Zé Geraldo, que questionou a existência de tribunais de
municípios ao lado de tribunais de contas estaduais e do TCU. Disse que o Pará
gastava mais de 300 milhões por ano para manter um tribunal para contas
municipais. As indagações parlamentares foram dirigidas inicialmente ao
representante do TCU, que teria de se ausentar. Felício informou que o TCU
reconhece que muitas dificuldades existiam em razão de desconhecimento das
autoridades sobre prestações de contas, controle e fiscalização, inclusive
utilizando as representações do TCU nos estados, inclusive para atender aos
municípios. Informou que há aproximadamente mil e trezentos auditores do TCU
prestando serviço de controle externo, dos quais mais de 700 nos estados.
Esclareceu que a responsabilização era compatível com a ordenação de despesa,
mas havia situações de responsabilidade solidária, apurando-se o tamanho da
responsabilidade de cada agente e o nexo de causalidade com o possível ilícito.
Informou que o TCU, por meio do Instituto Serzedelo Correa, oferecia e
ministrava cursos a todos os agentes políticos interessados, de qualquer âmbito
gestor, mas o exame atribuído constitucionalmente ao TCU é das contas em que há
recursos federais aplicados. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao
representante da Atricon. Valdeci Fernandes disse que a luta precípua é o
aprimoramento dos tribunais de contas, estimando que, apesar da valorização dos
tribunais de contas, pelas leis da Responsabilidade Fiscal e da Ficha Limpa,
entre outras, há um caminho para trilhar até a excelência. Que, para esse
objetivo, a Atricon aprovou uma série de resoluções inovadoras, que indicam
ações preventivas e de gestão, além de corretivas, e algumas que preveem também
como informar a população, como incentivar a transparência, a geração de dados e
o estímulo ao controle social, com informações em linguagem clara, simples. Foi
criado o Marco de Medição do Desempenho dos Tribunais de Contas, uma ferramenta
de avaliação do trabalho de fiscalização e controle dos tribunais, com
quinhentos itens, incluindo o controle interno e as auditorias preventivas.
Noticiou que 34 tribunais de contas aderiram às diretrizes da Atricon. Defendeu
um conselho nacional de tribunais de contas e o desenvolvimento de um portal de
contas que facilite o aprendizado relativo a contas públicas e a boas práticas
de gestão, fiscalização e controle de programas e políticas públicas e de
contas. Na sequência, a palavra foi
passada à representante do TCE do Tocantins. Doris Coutinho afirmou que o Brasil
passava por uma crise de gestão e que, nesse contexto, era desaconselhável a
demora no processo de apreciação das contas que envolve o TCE e a Assembleia
Legislativa, e a falta de transparência embutida na inexistência de publicidade
do parecer prévio de contas. Ela criticou a dependência dos TCEs em relação às
assembleias, inclusive para a contratação e renovação de efetivos. Isso traria
dificuldades como a cobrança de multas. A ligação das mesas legislativas aos
titulares do poder executivo em diversos níveis também levaria a dificuldades na
gestão controlável das contas. Doris criticou a decisão do Supremo Tribunal
Federal, que reconheceu às câmaras municipais a competência para o julgamento
das contas das prefeituras. Isso teria retirado força fiscalizatória e
controladora dos tribunais de contas estaduais, avaliou. Com a palavra, o
representante do TCE do Acre, Roney Caldeira, disse que era preciso trabalhar
com o lado da sociedade, com transparência, e com o lado do controle das contas
realizado pelas cortes de contas. Com esses objetivos, explicou, o tribunal do
Acre vinha buscando parcerias com o TCU e TCEs de estados, e adotando diversas
inovações. Informou que muitos jurisdicionados têm procurado o portal do TCE na
Internet para buscar informações que antes eram pesquisadas nos portais das
prefeituras, das câmaras ou da assembleia legislativa. Com relação à tecnologia,
que o TCE do Acre vinha utilizando painéis informativos e apresentou números
relativos à eficácia do trabalho realizado pelas equipes do TCE do Acre. Citou
que a cada 100 reais auditados, 23 foram notificados por inconsistência, entre
diversos outros dados e informações possibilitadas pelos sistemas de informação
desenvolvidos e disponíveis. Após, falou o representante do TCE do Mato Grosso
do Sul. Douglas Avedikian discorreu sobre matriz de risco, metodologia que
permite antecipar situações de risco. Entre os cenários, estariam o cenário
governamental, o cenário de controle externo, o cenário nacional e o
internacional. A metodologia tem trabalhado com 529 quesitos e tem possibilitado
melhorias nos gastos com saúde, entre outros citados por Avedikian. O TCE também
vinha trabalhando, informou com sistemas de inteligência artificial, que
ofertavam análises de dados, com base, entre outros, nos dados contidos em notas
fiscais eletrônicas. Por último, a palavra foi passada pelo presidente à
representante do TCE de Minas Gerais. Jaqueline de Paula reforçou que é uma
dificuldade a morosidade na apreciação das contas. Informou que os tribunais de
contas são os órgãos que reúnem mais informações sobre os municípios. Minas tem
mais de 800 municípios, com maior número de jurisdicionados que a França, com um
orçamento bem mais reduzido para a atuação. Exemplificou o cruzamento de dados
obtidos com notas fiscais para a consolidação de informações que tem levado o TC
estadual a conseguir maior eficácia na gestão e controle dos gastos públicos,
com recuperação de ativos desviados. Destacou também a elaboração constante de
relatórios com base em tecnologia de informação, a criação de painéis
informativos, entre outras iniciativas. O Presidente e autor do Requerimento,
Leo de Brito, indagou aos palestrantes se há parcerias também com os municípios,
além das parcerias com os governos estaduais, e solicitou aos convidados que
fizessem as suas considerações finais. Com a palavra, Roney Caldeira disse que
havia treinamento destinado aos municípios e parceria com as prefeituras.
Douglas Avedikian informou que também no seu estado havia parceria com as
prefeituras para capacitação dos prefeitos e outros indicados. Disse que antes o
tribunal buscava proporcionar a educação e o conhecimento sobre contas, para
depois mostrar possíveis equívocos e incorreções. Jaqueline de Paula destacou a
prática de acompanhamento das compras públicas a partir do treinamento dos
agentes públicos, e que, inclusive, na ação de fiscalização está incluída a ação
de monitoramento e acompanhamento, que permite troca de conhecimentos e
informações entre tribunal e municípios. Leo de Brito parabenizou o TCE de Minas
por estar disputando troféu do prêmio Innovare, patrocinado pelo STF, com o
programa Prática Suricato – fiscalização integrada para melhoria das compras
públicas. Para finalizar, a conselheira Doris Coutinho disse esperar que o
controle externo entre na pauta pública e com mais afinco nas categorias das
boas práticas e das medidas corretivas. Nada mais havendo a tratar, o Presidente
agradeceu a participação dos expositores convidados e dos deputados, a presença
do público, disse que o tema era importante para que houvesse aperfeiçoamento no
controle das contas públicas, inclusive com mais transparência, e encerrou a
Reunião às quatorze horas e um minuto. E, para constar, eu
______________________, Luiz Paulo Pieri, lavrei a presente Ata, que por ter
sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, ______________________,
deputado Leo de Brito, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.