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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E CONTROLE
55ª Legislatura - 2ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 13ª REUNIÃO ORDINÁRIA
AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 31 de agosto de 2016.
Às
dez horas e dezenove minutos do dia trinta e um de agosto de dois mil e
dezesseis, reuniu-se a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, no
Anexo II, Plenário 09 da Câmara dos Deputados, para discutir a política de
transporte de mototáxi e a viabilidade de implantação do equipamento de
mototaxímetro no Brasil, em atendimento ao Requerimento Nº 246/2016 de
autoria do deputado Leo de Brito, com a presença dos senhores deputados
Leo de Brito – presidente -; Edinho Bez, Hildo Rocha, Jorge Solla, Luiz
Cláudio e Moisés Diniz – suplentes -. Compareceram também os Deputados
Angelim, Carlos Henrique Gaguim e Delegado Edson Moreira, como
não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Adelmo Carneiro Leão,
Alberto Filho, Aníbal Gomes, Fernando Francischini, Hugo Motta, Lindomar
Garçon, Mauro Benevides, Nilton Capixaba, Pauderney Avelino, Paulão, Paulo
Pimenta, Sandes Júnior, Toninho Wandscheer, Uldurico Junior, Vinicius
Gurgel e Wellington Roberto. Justificou a ausência o Deputado Uldurico
Junior. Abertura:
Havendo número regimental, o Presidente declarou abertos os trabalhos e
convidou a compor a Mesa os expositores convidados: Jefferson Figueiredo,
responsável pela área comercial da empresa Sufab fabricante de
Mototaxímetro; José Expedito Brandão Filho, especialista em regulação da
Gerência de Regulação e Outorgas – Gerot - da Agência Nacional de
Transportes Terrestres - ANTT
-; Eliomar José Pereira, presidente do Sindicato dos Profissionais
Mototaxistas, Motoboys e Motofretes de Patos / MG; André Santiago Pimentel
Filho – Presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Fortaleza / CE;
Raimundo Alves de Rezende, diretor executivo de Metrologia Legal, do
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro -;
Pedro Silva Mourão, presidente da Federação Interestadual das Regiões
Norte e Nordeste dos
Trabalhadores em Transportes de Mototaxistas, Motoboys e Motofretes – Fenordest. Em
seguida, o presidente esclareceu as regras e procedimentos relativos à
Reunião da Audiência Pública e passou a palavra ao primeiro expositor,
Jefferson Figueiredo. O
representante da empresa Sufab informou que era a única fabricante do
mototaxímetro no país, que o equipamento existia há dois anos e vinha
sendo aperfeiçoado. Na próxima fase, o mototaxímetro seria testado em uma
cidade brasileira de pequeno porte, que seria definida. O equipamento
custaria R$ 950,00, estimou o fabricante. Em seguida, o presidente passou
a palavra ao expositor Pedro Silva Mourão. O representante da federação
interestadual afirmou que a prestação de serviços de mototáxis já era
realidade em muitas cidades brasileiras, principalmente nas regiões Norte
e Nordeste, com a presença de 280 mil prestadores de serviços com motos.
Somente em uma cidade, a capital amazonense, Manaus, havia 6.600
mototaxistas registrados. De
posse da palavra, o representante da Agência reguladora, José Expedito,
esclareceu que as atribuições da ANTT não incluíam diretamente a regulação
do transporte por moto. Ressaltou, no entanto, que fazia parte das
atribuições incentivar que fossem atendidos por meios de transportes todos
os nichos do mercado consumidor. Ele disse que pessoal e profissionalmente
louvava a iniciativa de desenvolvimento de uma política de transportes
referente ao uso de motocicletas para atender a nichos sociais, e que o
desenvolvimento desse transporte poderia exigir uma inter-relação com
outros tipos de transporte, e que, ainda que indiretamente, seria da
responsabilidade da ANTT atuar, pelo menos acompanhar a iniciativa, tendo
se colocado, em nome da Agência, à disposição da Comissão para ajudar no
desenvolvimento do transporte por motocicleta. Na sequência, com a
palavra, o presidente do Sindicato de Patos, de Minas Gerais, Eliomar
Pereira, que historiou a atuação no segmento de mototransporte, desde a
época em que eram perseguidos até a regulamentação por lei federal
sancionada pelo ex-presidente Lula. Enalteceu o papel dos parlamentares,
inclusive dos vereadores, na extensão da aplicação e na regulamentação da
lei pelos municípios. Disse que muitos municípios não haviam regulamentado
a atividade. Ressaltou que era um progresso ir a um município e ver
mototáxis com capacetes identificados, com registro profissional, que
atuavam na legalidade. E afirmou que a questão primordial daquele momento
era a forma de cobrança, que deveria ser regulamentada de modo criterioso,
de modo a que fosse alcançada a adesão dos trabalhadores profissionais do
setor. Disse que a oscilação de preços praticados em um mesmo município
era considerada pejorativa para a profissão. Observou que a legislação em
relação à cobrança deveria considerar a maneira em que seria aferido o
preço a ser cobrado. Eliomar Pereira disse que, no caso do mototaxímetro,
ganhava proporção não só o equipamento, que deveria ser confiável, como a
maneira de adquiri-lo, de modo a que fosse efetivamente possível aos
profissionais usar tais equipamentos; assim como que tipo de empresas
poderiam produzi-los e como seria o acompanhamento pelos profissionais.
Logo após, usou a palavra o presidente do sindicato de Fortaleza. André
Santiago, que confirmou ser a disparidade de preços um problema que
deveria ser enfrentado. Disse ainda que a regulamentação deveria servir a
que o cliente do mototáxi não fosse prejudicado, e, igualmente, não
deveria ser prejudicado o mototaxista. A aferição da corrida teria de
resolver essa dualidade de modo que fosse a corrida interessante para o
cliente e para o profissional. Depois, a palavra foi concedida pelo
presidente da Comissão ao representante do Inmetro, Raimundo Rezende. O
diretor-executivo de Metrologia Legal do Instituto afirmou que o modelo
atualmente em estudo aprovado no Inmetro, Fabus, de cujo projeto
participavam um conjunto de atores econômicos coordenados pela Sufab,
considerava as peculiaridades da instalação, em motos, de um equipamento
de medição da distância, combinada com a medição do tempo para percorrer a
distância. Entre as peculiaridades estavam a preocupação com a segurança
do equipamento contra furtos; contra fraudes, não apenas elétricas ou
mecânicas, como também as fraudes eletrônicas; com a exposição direta aos
raios solares e à chuva; e com a trepidação característica da viagem por
moto. O representante do Inmetro elencou uma série de dispositivos legais
pertinentes à atuação do Instituto no desenvolvimento do mototaxímetro, e
disse que o selo de qualidade e procedência favoreceria a valorização pela
sociedade do serviço de mototáxi medido pelo mototaxímetro. Esclareceu que
o selo de qualidade de serviços seria estendido também para as oficinas
que viessem a atuar na manutenção e reparo do mototaxímetro, o que
exigiria treinamentos específicos para as pessoas que as oficinas viessem
a designar para esses serviços. O presidente, em seguida, passou aos
debates, explicou a dinâmica da Audiência Pública na fase de debates;
disse que não tinha havido dissenso com relação à importância da
implantação do mototaxímetro e avaliou que havia a possibilidade de
acelerar o desenvolvimento legislativo e tecnológico relativo ao
equipamento, tendo feito menção a projeto de lei que estava em tramitação,
do qual era o autor, e poderia vir a ser aprovado nas três comissões
necessárias, dispensando-se o exame de plenário; estimou que até 2017 já
haveria um aperfeiçoamento na legislação. Após as considerações,
transmitiu a palavra, inicialmente, ao deputado Moisés Diniz, que destacou
a importância, entre os direitos dos cidadãos, como educação e saúde, do
direito de ir e vir, a mobilidade, que estava sendo desconsiderado, ora
nas barreiras do estado, ora no abismo do mercado, para muitas pessoas,
que antes andavam distâncias enormes a pé e passaram a contar com a opção
do mototaxista, que trabalhava sob sol e sob chuvas. Parabenizou a luta
pelo mototaxímetro e em favor da categoria dos mototaxistas. O presidente
agradeceu a participação e os elogios do Deputado Moisés Diniz e passou a
palavra ao deputado Angelim, que destacou o desenvolvimento da
regularização da atividade do mototaxista em municípios do Acre e
manifestou que a segurança do passageiro e do mototaxista deveria ser um
item de fundamental preocupação em todo o País. Em seguida, o presidente
passou a palavra a representantes de entidades que ocupavam cadeiras no
plenário. Julio César dos Santos, diretor jurídico da Associação
Brasileira dos Usuários de Mototáxi e Motofrete – Abaumm – frisou a necessidade de se
resolver a situação dos seguros para o usuário, elogiou a modificação da
legislação e chamou a atenção para que houvesse correspondência entre a
legislação e a possibilidade de aplicação dos dispositivos legais. Disse
que a associação estava inteiramente à disposição para colaborar nesse
processo. Em seguida, assumiu a presidência da Reunião o deputado Moisés
Diniz, que passou a palavra a Espiridião Teixeira, presidente do Sindicato
dos Taxistas de Rio Branco. Ele informou que a entidade, no Acre, era a
única credenciada pelo Inmetro para coordenar e fiscalizar a implantação
dos mototaxímetros, e defendeu o fortalecimento da federação nesse
procedimento. Na sequência, com a palavra, José Ribamar Silva, o Alemão,
presidente do sindicato no Pará, ressaltou que acontecia naquele momento a
mudança no cenário em favor dos mototaxistas e lamentou não haver mais
representantes estaduais na Reunião. Anunciou que o Governo do Pará
manifestou disposição para apoiar a implementação do serviço de
mototaxímetro no Estado e que o assunto também era acompanhado na
prefeitura de Belém. Denunciou uma certa rivalidade com os taxistas de
carros, que, na capital paraense, foram causadores de alguns incidentes de
trânsito em prejuízo dos mototaxistas. Disse que o mototaxímetro deveria
ser implantado em mais do que apenas uma cidade, no caso Goiânia, e
defendeu imediata e conjuntamente a implantação em outras cidades.
Reivindicou que Belém fosse uma dessas cidades. Ressaltou que era preciso
abrir linhas de crédito para a renovação da frota de mototáxis, e que isso
já era uma realidade no Pará, mas poderia ser federal. Reassumindo a
presidência, o Deputado Leo de Brito passou a palavra, para considerações
finais, ao representante da Sufab, Jefferson Figueiredo, que propôs o
exame da possibilidade de utilização das tarifas dos táxis automóveis como
base para o estabelecimento das tarifas dos mototáxis, e que nesse
processo de referenciação teriam de ser consideradas as características de
cada município, para que houvesse uma adaptação que as considerasse, o que
afastaria a ideia de um sistema de tarifas padrão. Figueiredo disse que
seria melhor que mais empresas se propusessem a investir no mercado do
mototaxímetro, o que daria maior confiabilidade ao processo de
implantação, com a existência de mais de uma empresa em condições de
produzir os mototaxímetros conforme as exigências estabelecidas pelo
Inmetro. Defendeu que gradativamente em todos os municípios, fosse
discutida e aprovada legislação que obrigasse todo mototaxista a colocar o
mototaxímetro, além de um sistema local de aprovação das tarifas.
Sustentou que a Sufab tinha condições de atender gradativamente não apenas
a um pequeno grupo de cidades, mas todas as cidades brasileiras. Na
sequência, a palavra foi passada a Pedro Mourão. O representante da
Federação interestadual disse que era preciso que o usuário pagasse pelo
consumo. Se a distância e o tempo eram maiores, o preço do serviço deveria
ser maior, argumentou, condenando preços iguais para serviços de distância
e tempo diferenciados. Concluiu que o mototaxímetro resolvia esse
problema. Questionou o Inmetro sobre o prazo previsto para homologação do
modelo do equipamento e à Sufab, fazendo menção a um possível consórcio
que, imaginava, fosse produzir o equipamento, para que se respondesse
sobre a estimativa de valor de aquisição do mototaxímetro. Para responder
às perguntas dirigidas a empresas, o Presidente passou a palavra ao
representante da Sufab. Inicialmente, Jefferson Figueiredo esclareceu que
não havia propriamente um consórcio de empresas, mas que haviam se juntado
cinco fábricas de taxímetros de carros para que se tivesse condições
financeiras e tecnológicas para garantir a produção do equipamento para
motos. Disse que o simulador já estava pronto para que fosse instalado e
verificado em campo o mototaxímetro. O preço do equipamento, informou a
Sufab, foi estimado em novecentos e cinquenta reais, e previa-se o
parcelamento em seis vezes sem juros. A cidade de verificação seria
definida o mais rápido possível, para que todo o restante do processo
fosse desenvolvido o mais celeremente. Em seguida, a palavra foi dirigida
ao representante do Inmetro. Raimundo Rezende informou que o Inmetro, em
princípio, não estabelecia preços, mas uma taxa metrológica que, nos
taxímetros de automóveis, era calculada em aproximadamente cinquenta
reais. Em cada estado, o órgão metrológico estadual cobraria conforme uma
taxa criada por lei. Quanto ao preço do instrumento, a princípio, não
existia a ideia de vir a ser tabelado um preço, mas o poder constituído
estabeleceria algumas diretrizes, e o mercado se encarregaria de definir
os preços. Com a conclusão do
simulador, seria preciso haver treinamento dos metrologistas de base
estadual para que procedessem às aferições dos equipamentos. Informou
ainda a possibilidade de vir a ser impresso um selo e assinado um
certificado de verificação metrológica. Logo após, a palavra foi concedida
a Expedito Brandão. O representante da Agência reguladora ANTT sugeriu a
participação do Ministério das Cidades nas discussões sobre as situações
relativas ao mototáxi, inclusive para colaborar nas políticas de fomento.
Depois, com a palavra, o representante do Sindicato de Patos, Eliomar
Pereira, elogiou as intervenções dos expositores e demais convidados e a
participação da Comissão no debate, afirmando que a entidade que
representa estava à disposição para ajudar em todo o processo. Por último,
com a palavra, o presidente do Sindicato de Fortaleza, André Santiago,
disse que ficou esperançoso com a possibilidade de se estabelecer a
dignidade ao serviço. Ponderou que o preço do equipamento estava muito
alto para a maioria dos trabalhadores mototaxistas. O deputado Leo de
Brito agradeceu a presença de todos, afirmou que a Comissão encaminharia
ao governo federal a sugestão de que fosse aberta a linha de crédito
sugerida pelo sindicalista Alemão e que haveria o acompanhamento da
tramitação do projeto. Nada mais havendo a tratar, encerrou a Reunião às
doze horas e quatorze minutos. E, para constar, eu ______________________,
Luiz Paulo Pieri, lavrei a presente Ata, que, por ter sido lida e
aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Leo de Brito,
______________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx. |