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Às
dez horas e vinte e cinco minutos do dia dezenove de novembro de
dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural - CAPADR, no Plenário do Anexo
IV (Freitas Nobre), Câmara dos Deputados. Presentes os Deputados
Carlos Henrique Gaguim - Vice-Presidente; Afonso Hamm, Luis Carlos
Heinze, Luiz Nishimori, Odelmo Leão e Raimundo Gomes de Matos –
Titulares. Deixaram de comparecer os Deputados Abel Mesquita Jr.,
Adilton Sachetti, André Abdon, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass,
Celso Maldaner, César Halum, César Messias, Dilceu Sperafico,
Elcione Barbalho, Evair de Melo, Evandro Roman, Francisco
Chapadinha, Heitor Schuch, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo
Goergen, João Daniel, Jony Marcos, Josué Bengtson, Luiz Cláudio,
Marcelo Castro, Marcon, Nelson Meurer, Newton Cardoso Jr, Nilson
Leitão, Onyx Lorenzoni, Pedro Chaves, Ricardo Teobaldo, Roberto
Balestra, Rogério Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa, Sérgio Moraes,
Silas Brasileiro, Tereza Cristina, Valdir Colatto, Valmir Assunção,
Zé Carlos e Zeca do PT. Justificaram a ausência os Deputados Luciano
Ducci, Hélio Leite e Zé Silva. ABERTURA: O Deputado Alceu
Moreira, no exercício da Presidência, declarou abertos os trabalhos
e cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares, dos
convidados e esclareceu que a reunião tinha o objetivo de "debater a
possibilidade de aproveitamento de colostro para fins de alimentação
humana", objeto do Requerimento n.º 164/2015, de sua autoria. O Presidente esclareceu as regras para o
procedimento da reunião e convidou para compor a Mesa os seguintes
convidados:
ALEXANDRE CAMPOS, Diretor Substituto do Departamento de Inspeção de
Produtos de Origem Animal da SDA/MAPA; FÁTIMA MACHADO BRAGA,
Especialista em Regulação da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária – ANVISA; Deputado RONALDO SANTINI, Vice-Presidente da
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul; Dra. MARA HELENA
SAAFELD, Médica Veterinária da Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural do Rio Grande do Sul - EMATER/RS; e Dra. DANIELA
BRAYER PEREIRA, Professora do Departamento de Microbiologia e
Parasitologia da Universidade Federal de Pelotas – UFPEL.
Em
sequência, o Presidente passou a palavra aos convidados. O Sr. ALEXANDRE CAMPOS explanou
sobre a normatização que envolve o uso do colostro e o papel do MAPA
no processo, pedindo que fossem ouvidos os demais participantes da
área técnica para manifestar-se de forma mais embasada,
posteriormente. A Sra. FÁTIMA
MACHADO BRAGA explicou
como a possível aprovação do colostro para alimentação humana seria
tratado pela ANVISA. O Deputado RONALDO SANTINI
ressaltou a importância da Emater, congratulou os trabalhos
realizados pela Dra. Mara e afirmou que a assembleia legislativa do
Rio Grande do Sul fará outra audiência pública para discutir o tema.
A Sra. MARA HELENA
SAAFELD discorreu sobre o valor nutricional do colostro, os
benefícios de seu uso, a tecnologia desenvolvida para guardá-lo em
silagem, os preconceitos que envolvem a temática, as falhas
normativas e solicitou a revisão das normas para permitir o uso do
colostro na alimentação humana. A Sra. DANIELA BRAYER PEREIRA
disse que já está provado ser o colostro um alimento saudável e de
possível uso medicinal. O Sr. FÁBIO PEREIRA LEITE, médico
veterinário e professor da Universidade Federal de Pelotas,
ressaltou a importância do colostro na agricultura familiar e na
medicina. O Presidente
defendeu a constituição de uma oficina técnica, com a participação
da Anvisa e do Mapa, para discutir o uso do colostro. O Sr.
Alexandre
Campos disse
que o MAPA tem vários grupos de trabalho em funcionamento e que, no
caso do colostro, haveria a necessidade de participação do setor
produtivo nos debates. O Presidente esclareceu que a
audiência pública teria como objetivo analisar a viabilidade do
colostro como produto e que depois será chamado o setor produtivo
para debater o seu uso. O Deputado Afonso Hamm
ressaltou a qualidade do trabalho da Dra. Mara Helena Saafeld, a
importância da silagem do colostro e do debate realizado, defendendo
o aprofundamento do estudo com as universidades, a Anvisa e o Mapa.
Aberta à realização de perguntas, a participante Daniela, consultora
de assuntos regulatórios, perguntou se a proibição incide sobre o
uso de fração de colostro. O Deputado Estadual Ronaldo Santini perguntou à
Anvisa se há algum impeditivo, além da norma vigente, que impeça a
utilização de colostro. Ao Mapa, perguntou se o colostro está sendo
analisado para o uso nas pequenas indústrias. À Dra. Mara, se o
colostro estocado em silagem pode ser usado por seres humanos. O
Presidente repassou a palavra à Sra. MARA HELENA SAAFELD,
que disse haver intenso controle sanitário sobre os animais, no
Brasil, a fim de preservar a saúde dos consumidores. Disse que é
necessário, em primeiro lugar, definir a liberalização do uso do
colostro para alimentação humana para, só então, chamar o setor
industrial e definir as regras de seu uso. Sobre a silagem do
colostro, disse que ele pode sim ser usado para uso humano. A Sra. FÁTIMA MACHADO BRAGA
respondeu que não bastaria suspender a norma que proíbe o uso do
colostro para que a Anvisa aprovasse o seu uso comercial, pois, há a
necessidade de seguir as exigências da legislação sanitária. A Sra. DANIELA BRAYER PEREIRA
disse que colostro é leite, com uma concentração maior de certos
nutrientes, pelo que não há motivos para proibir o seu uso. O Deputado Afonso Hamm
destacou as questões culturais que impedem a utilização do colostro
na alimentação. O Presidente ressaltou que a
discussão serve para introduzir o assunto e que, só depois, a Anvisa
é que poderia aprovar ou não o seu uso. A Sra. FÁTIMA MACHADO BRAGA
ressaltou que há a necessidade de definir critérios e especificações
sobre o que seria colostro, a fim de evitar a enganação do
consumidor. O Sr. ALEXANDRE
CAMPOS disse que não se opõe a revisar a proibição do uso do
colostro para o consumo humano, mas que deve haver um pleito formal,
o que não haveria acontecido. A Sra. MARA HELENA SAAFELD disse
que, desde 2011, já havia pedido essa revisão ao Mapa. O Sr. ALEXANDRE CAMPOS afirmou
que só tem conhecimento de pleitos realizados a partir de 2013, mas
que, de qualquer forma, são necessários procedimentos técnicos a fim
de evitar questionamentos posteriores dos órgãos de regulação
externa ao Mapa sobre a aprovação do uso do colostro. Quanto à
pergunta da participante Daniela, afirmou que é necessário um estudo
técnico, junto com a Anvisa, para verificar se o composto pode ou
não ser comercializado. O Presidente defendeu que a
discussão seja feita com o grupo técnico, a ser formado na sede do
MAPA e com a participação de todos os interessados. O Sr. ALEXANDRE CAMPOS
afirmou que acha ser impossível disponibilizar um espaço de tempo
para esse ano, apenas ano que vem, ante o acúmulo de trabalho e
falta de profissionais. O Presidente comprometeu-se a
tratar com a Ministra da Agricultura para agilizar a formação do
grupo de estudo. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
todos e encerrou os trabalhos às doze horas e quarenta e quatro
minutos, antes, porém, convocou os Senhores Parlamentares para
Reunião Ordinária de Audiência Pública da Comissão de Agricultura,
Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, a ser realizada no
dia vinte e quatro de dezembro, terça-feira, às 14h30, no Plenário
VI, para “debater a importância da exploração do potássio para a
agricultura brasileira”. O inteiro teor foi gravado, passando as
notas taquigráficas a integrarem o acervo documental desta reunião.
E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
_____________________________, secretário-executivo, lavrei a
presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo
Presidente em exercício, Deputado Alceu Moreira
_______________________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.
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