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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA SEXAGÉSIMA NONA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) REALIZADA EM 4 DE
NOVEMBRO DE 2015.
Às
quinze horas e trinta minutos do dia quatro de outubro de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 5, da Câmara dos Deputados.
Presentes os Deputados: Carlos Henrique Gaguim - Vice-Presidente; Adilton
Sachetti, Dilceu Sperafico, Heitor Schuch, Hélio Leite, Luis Carlos
Heinze, Luiz Nishimori, Nelson Meurer, Pedro Chaves, Raimundo Gomes de
Matos, Ricardo Teobaldo, Ronaldo Lessa, Tereza Cristina e Valdir Colatto -
Titulares; Aelton Freitas, Carlos Melles, Professor Victório Galli e
Sergio Souza – Suplentes. Compareceram também os Deputados João Gualberto
e Weliton Prado, como não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados
Abel Mesquita Jr., Afonso Hamm, André Abdon, Assis do Couto, Beto Faro,
Bohn Gass, Celso Maldaner, César Halum, César Messias, Elcione Barbalho,
Evair de Melo, Evandro Roman, Francisco Chapadinha, Heuler Cruvinel, Irajá
Abreu, Jerônimo Goergen, João Daniel, Jony Marcos, Josué Bengtson, Kaio
Maniçoba, Luiz Cláudio, Marcelo Castro, Marcon, Newton Cardoso Jr, Nilson
Leitão, Odelmo Leão, Onyx Lorenzoni, Roberto Balestra, Rogério Peninha
Mendonça, Sérgio Moraes, Silas Brasileiro, Valmir Assunção e Zé Carlos.
Justificaram a ausência os deputados Luciano Ducci, Zé Silva e Zeca do PT.
ABERTURA: O Presidente em exercício, Deputado Sérgio Souza, declarou
abertos os trabalhos, cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos
parlamentares e convidados, esclarecendo que a reunião tinha por objetivo
de "discutir a proposta em consulta
pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, de nº
94/2015, publicada no DOU de 09/10/2015, na qual estabelece o prazo de 30
dias para envio de comentários e sugestões conforme minuta de resolução
anexa, que visa cancelar os informes de avaliação toxicológica de todos os
produtos técnicos e formulados à base do ingrediente ativo paraquate e
seus respectivos sais", objeto do Requerimento n.º 173/2015, de sua
autoria. Em seguida, esclareceu as regras para o procedimento da reunião e
convidou para compor a Mesa os seguintes convidados: GIRABIS EVANGELISTA
RAMOS - Diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agropecuários -
SDA/MAPA; FERNANDO STORNIOLO ADEGAS - Pesquisador da Embrapa Soja,
representando o Presidente da EMBRAPA; SÍLVIA DE OLIVEIRA SANTOS CAZENAVE
- Superintendente de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária - ANVISA; Ex-Ministro ALYSSON PAOLINELLI - Presidente Executivo
da Associação Brasileira dos Produtores de Milho - Abramilho; REGINALDO
MINARÉ - Consultor da Área de Tecnologia da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil – CNA; ALMIR DALPASQUALE - Presidente da Associação
Brasileira dos Produtores de Soja do Brasil - Aprosoja/Brasil; SILVIA
FAGNANI - Vice-Presidente Executiva do Sindicato Nacional da Indústria de
Produtos para Defesa Vegetal - SINDIVEG, representando a Associação
Nacional de Defesa Vegetal – ANDEF; ELAINE LOPES DA SILVA – Coordenadora
da Força Tarefa de Paraquate do Sindicato Nacional da Indústria de
Produtos para Defesa Vegetal – SINDIVEG; LEONARDO MINARÉ - Assessor
Técnico da Aprosoja Brasil; EDSON RICARDO DE ANDRADE JÚNIOR -
Representante da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão - Abrapa;
ÂNGELO ZANAGA TRAPÉ, Coordenador
da Área de Toxicologia Ambiental do Centro de Controle de Intoxicações da
FCM/HC/Unicamp; JOSÉ CARLOS FERIGOLO - Presidente da Cooperativa Agrícola
de Unaí - Coagril, representante do CNC; WAGNER GONÇALVES - Engenheiro
Agrônomo da Cooperativa Agrícola de Unaí - Coagril, representante do CNC;
e ALFONSO ADRIANO SLEUTJES - Diretor Presidente da Federação Brasileira de
Plantio Direto e Irrigação – FEBRAPDP. Após, o Presidente passou a palavra
aos participantes: SILVIA FAGNANI
falou sobre a existência de um grupo de trabalho para estudar o paraquate
no SINDIVEG; Deputado Adilton Sachetti,
que falou sobre a importância de discutir-se sobre o uso responsável de
defensivos agrícolas; ALYSSON PAOLINELLI
discorreu sobre a importância do desenvolvimento tecnológico para a
produção agrícola no solo brasileiro, inclusive, para alimentar a
população mundial em crescimento, destacando os riscos com o banimento de
defensivos agrícolas; ELAINE LOPES DA
SILVA
falou sobre os benefícios do paraquate para a agricultura, os riscos no
seu manuseio e o plano de segurança promovido para mitigar intoxicações
acidentais, ocupacionais e intencionais; FERNANDO STORNIOLO
ADEGAS
discorreu sobre a resistência de plantas daninhas aos herbicidas no
Brasil, os impactos econômicos e as vantagens no uso do paraguate,
defendendo a sua manutenção no mercado; GIRABIS EVANGELISTA
RAMOS
discorreu sobre o sistema regulatório brasileiro de defensivos agrícolas,
defendendo a sua atualização com o uso de pesquisas científicas,
criticando a judicialização do tema; SÍLVIA DE OLIVEIRA SANTOS
CAZENAVE
esclareceu que, no processo de reavaliação RDC 10/2008, catorze
ingredientes ativos foram colocados em estudo e, no dia 23/06/2015, uma
liminar expedida, em sede de ação civil pública, determinou que fossem
finalizados os processos de reavaliação. No caso do paraquate, o processo
está na fase de consulta pública e que no estudo técnico foi considerado
extremamente tóxico e deverá ser proibido o seu uso. A presidência
repassada ao Deputado Valdir Colatto,
que deu continuidade à apresentação dos convidados: ALMIR DALPASQUALE
afirmou que o uso correto do paraquate não causaria problemas,
questionando o fato de que justamente quando o produto cai em domínio
público, surgem “pesquisas” que o denigrem, causando prejuízos à
agricultura; ÂNGELO
ZANAGA TRAPÉ
disse ter realizado pesquisas sobre os efeitos dos agrotóxicos em mais de
30 mil agricultores, nunca tendo encontrado uma pessoa com doenças
relacionadas ao paraquate, cujas únicas vítimas seriam os que o tomaram
para provocar o suicídio. Alegou que há tratamento pentaconjugado para
salvar essas pacientes, rebatendo as afirmações de que o paraquate seria
teratogênico, mutagêncio, carcinogênico, neurotóxico, disruptor endócrino
ou reprotóxico, bem como que a avaliação do seu risco toxicológico, com a
aplicação dos parâmetros do Método Científico em Toxicologia, considerando
sua toxicocinética, toxicodinâmica e com base em análise de um universo de
milhares de agricultore(as) com contato sistemático com o produto há
décadas através do uso na agricultura, os quais não apresentaram efeitos
adversos resultantes deste uso, permite afirmar que o Paraquate é um
produto com baixo Risco para a Saúde Pública do Brasil; AFONSO ADRIANO
SLEUTJES
discorreu sobre como seria a agricultura antes e depois do uso do
paraquate, discorrendo sobre seus benefícios na agricultura e no meio
ambiente; REGINALDO
MINARÉ
criticou as agendas contraditórias do governo sobre o uso dos agrotóxicos
e transgênicos, bem como que seria o Grupo de Estudos em
Agrobiodiversidade – GEA o responsável por representar ao Ministério
Público, ideologicamente, contra os defensivos agrícolas, sem a
cientificidade adequada. Criticou o formato da consulta pública, pedindo
que fossem consultados outros grupos de pesquisa e não só os da Fiocruz,
além de pedir que fosse dada mais transparência ao processo; EDSON RICARDO DE ANDRADE
JÚNIOR
discorreu sobre a importância do paraquate na produção agrícola e no
combate às pragas resistentes a outros herbicidas, pedindo a sua
manutenção. Dada a palavra aos presentes para suas manifestações finais, a
Sra. SÍLVIA DE
OLIVEIRA SANTOS CAZENAVE
afirmou que a Anvisa, no caso do paraquate, está na fase de consulta
pública, podendo todos os interessados enviar documentos, propor encontros
técnicos e audiências para consolidar os dados. Ainda, disse estar ouvindo
outros grupos técnicos, que os dados da Anvisa foram embasados em estudos
internacionais por serem poucos os realizados no Brasil e que gostaria de
analisar os dados apresentados pelo Sr. Ângelo Zanaga Trapélos, afirmando
desconhecer quem seria o grupo responsável em acionar o Ministério Público
para banir o uso do paraquate. O Deputado Luis Carlos Heinze
discorreu sobre produtos que foram banidos e que geraram prejuízos de 10
bilhões de dólares, pedindo mais cuidado da Anvisa nesses processos. O
Deputado Lázaro
Botelho
citou do inseticida que combatia o “bicudo” nas lavouras de algodão, que
foi banido sem haver outro para substituí-lo, a inviabilizar a produção,
sugerindo que, antes de proibir, sejam criadas regras de transição até que
haja um substituto viável. O Sr. ALYSSON PAOLINELLI
ressaltou a importância das tecnologias desenvolvidas no Brasil e que
estariam atraindo a atenção dos concorrentes internacionais, questionando
quem levantou a questão da toxidade do paraquate como problema nos autos
da ação judicial, criticando a dubiedade nas ações do governo no
enfrentamento do problema. O Sr. GIRABIS EVANGELISTA
RAMOS
pediu que fossem instituídos instrumentos públicos para evitar problemas
semelhantes aos discutidos nessa audiência, com o estabelecimento de um
novo marco regulatório. O Presidente em Exercício, Deputado Valdir Colatto,
pediu que os materiais e os estudos apresentados na audiência fossem
encaminhados à Anvisa. O Deputado Sérgio Souza
pediu que também fossem enviadas as notas taquigráficas, com uma
recomendação da Comissão para que se mantenha o uso da molécula no
território nacional. Nada mais havendo a tratar, o Presidente em Exercício
agradeceu a todos e encerrou a sessão às dezoito horas e vinte e três
minutos. O inteiro teor foi gravado, passando as notas taquigráficas a
integrarem o acervo documental desta reunião. E, para constar, eu, Moizes
Lobo da Cunha, ______________________Secretário, lavrei a presente Ata,
que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em
exercício, Deputado Sérgio Souza____________________________, e publicada
no Diário da Câmara dos Deputados.
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