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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 48ª
REUNIÃO ORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 27 DE OUTUBRO DE 2015
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Às quatorze horas e
cinquenta e nove minutos do dia vinte e sete de outubro de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional,
no Anexo II, Plenário 05
da Câmara dos Deputados. Compareceram os Deputados Jô Moraes -
Presidente; Arlindo Chinaglia, Átila Lins, Claudio Cajado, Eduardo
Barbosa, Eduardo Cury, Ezequiel Fonseca, Henrique Fontana, Nelson
Marquezelli, Pastor Eurico, Rômulo Gouveia, Rosangela Gomes e Rubens Bueno
- Titulares; Goulart, João Gualberto e Roberto Sales –
Suplentes. Compareceram também os Deputados Carlos Henrique Gaguim,
Evair de Melo e Weliton Prado, como não membros. Deixaram de comparecer os
Deputados Antônio Jácome, Arthur Oliveira Maia, Benito Gama, Bruna Furlan,
Carlos Zarattini, César Halum, Chico Lopes, Deley, Heráclito Fortes, Ivan
Valente, Jarbas Vasconcelos, Jean Wyllys, Jefferson Campos, Luiz Lauro
Filho, Marco Maia, Marcus Vicente, Paulo Abi-Ackel, Stefano Aguiar,
Subtenente Gonzaga e Takayama. Apresentaram escusas os Deputados Givaldo
Vieira, Jarbas Vasconcelos e Luiz Nishimori. ABERTURA: A
Presidente Jô Moraes deu início à Reunião Ordinária de Audiência Pública
com o objetivo de conhecer os preparativos do Brasil para a sessão da Organização
das Nações Unidas, em abril de 2016, onde seria debatida a política de
drogas internacional. Explicou que a reunião
decorria da aprovação, no Colegiado, do Requerimento nº 74/15, de autoria
dos Deputados Henrique
Fontana e Paulo Teixeira. Em seguida, o Presidente chamou para compor a
Mesa o Senhor
Cristiano Maronna, Secretário-Executivo da Plataforma Brasileira de Política de
Drogas;
o Coronel Ubiratan
de Oliveira Angelo,
Coordenador de Segurança Humana, do Instituto Viva Rio; o
Conselheiro Gabriel Boff Moreira, Chefe da Coordenadoria-Geral de Combate
aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores; o
Senhor Luiz Guilherme Mendes de Paiva, Secretário Nacional de Políticas
sobre Drogas, do Ministério da Justiça; e o Juiz José Henrique Torres, da Associação Juízes para a
Democracia. Nesse momento, a Presidente
passou a direção dos trabalhos ao Deputado Paulo Teixeira. Em seguida, o
Presidente franqueou a palavra ao Senhor
Cristiano Maronna que explicou
que a reunião que a Assembléia-Geral da ONU faria em abril de 2016, a
UNGASS 2016, era uma sessão especial para tratar do problema global de
drogas e era fruto de um chamamento liderado por países latino americanos,
em especial a Colômbia e o México. Afirmou que a guerra às drogas
fracassou no mundo todo e a ideia de um mundo livre delas se mostrou
irrealizável e com um custo social altíssimo, com violência, corrupção e
encarceramento em massa. Ressaltou que a Colômbia e o México, assim como o
Brasil viviam situações extremamente graves no que dizia respeito às
drogas, por isso a UNGASS 2016 seria uma oportunidade que não poderia ser
desperdiçada. Esclareceu que na organização do evento ficara definido que
as propostas deveriam seguir cinco eixos temáticos: drogas e saúde, drogas
e delinquência, direitos humanos, novos enfoques e desenvolvimento
alternativo. Esclareceu que a Plataforma Brasileira de Política de Drogas
apresentara à Secretaria Nacional de Política de Drogas um conjunto de
propostas que deveria ser encaminhado para discussão na UNGASS 2016. Por
fim, apresentou algumas dessas propostas. Em seguida, o Presidente franqueou a palavra ao
Coronel
Ubiratan
de Oliveira Angelo que mostrou
dados sobre homicídios no Brasil constantes do Anuário do Fórum Brasileiro
de Segurança Pública – FBSP – 2014-2015 e dados sobre mortes relacionadas
ao uso de drogas lícitas e ilícitas no Brasil, constantes do Sistema de
Informações sobre Mortalidade – SIM, do Ministério da Saúde. Afirmou que
as drogas lícitas matavam mais do que as ilícitas e defendeu que a
política de atenção ao usuário precisava sofrer reformas. Ressaltou que o
confronto pelo comércio ilegal de drogas mata muito mais do que a relação
das drogas e os seus usuários e defendeu a reforma da legislação para que
se pusesse fim a essa guerra. Por fim, defendeu uma definição do papel das
forças de segurança em relação ao tráfico, uma vez que o policial era
visto como um solucionador da questão e dele era cobrada uma
solução. Em seguida, o Presidente
franqueou a palavra ao Juiz
José Henrique Torres que falou
sobre a Assembleia Geral da OEA, ocorrida em 2013, em Antigua, na
Guatemala, ocasião em que o Uruguai estava promovendo a descriminalização
e a regulamentação da maconha. Ressaltou que o Uruguai justificou sua
conduta em homenagem aos princípios de direitos humanos, que deveriam
prevalecer em relação às políticas repressivas das drogas suscitadas pelos
tratados internacionais. Falou que, ao final da assembleia, a OEA dera o
aval à posição do Uruguai no sentido de que as políticas públicas de
direitos humanos deveriam prevalecer em relação aos demais tratados
internacionais. Defendeu que o Brasil tinha o dever de rever a sua
política de drogas nessa direção, uma vez que a política de drogas adotada
como repressiva e criminalizadora tinha sido inútil e ineficaz. Afirmou que a política de drogas
adotada pelo País violava os princípios da idoneidade, da racionalidade,
da subsidiariedade, da lesividade, da igualdade, da intimidade da vida
privada e do respeito à diferença. Citou o Relatório Anual sobre Drogas da
ONU (UNDOC 2009) onde constava que deveria ser garantido o acesso
universal ao tratamento da toxicodependência, como um dos melhores meios
para a redução do mercado ilegal de drogas. Falou sobre a experiência de
Portugal que descriminalizara o porte da maconha para consumo pessoal e em
consequência possuía as taxas de consumo mais baixas da Europa.
Nesse momento, o Presidente passou a
direção dos trabalhos ao Deputado Henrique Fontana. Em seguida, o
Presidente franqueou a palavra ao Conselheiro
Gabriel Boff Moreira que afirmou que a questão das drogas era um
tema complexo e multidimensional. Ressaltou que a dimensão policial e
repressiva era, talvez, a face mais visível, mas também havia outras
dimensões igualmente importantes. Disse que a questão das drogas também
era um caso de saúde pública, que envolvia direitos humanos, que o tráfico
movimentava enormes quantias de dinheiro e que tinha impacto significativo
sobre a economia, a sociedade, o sistema judicial e a política da maioria
dos países. Citou alguns dados oficiais do Escritório das Nações Unidas
sobre Droga e Crime. Afirmou que as drogas continuavam sendo um grande
desafio mundial e que tinham um alto custo social e humano para um elevado
número de países. Apesar disso, o Brasil via com certa satisfação uma
evolução recente no tratamento dessa questão no plano multilateral.
Afirmou que o debate internacional e as políticas nacionais deixaram de
ser caracterizados por uma perspectiva eminentemente repressiva e passaram
gradualmente a refletir um enfoque mais amplo e equilibrado, baseado no
princípio das responsabilidades comuns e compartilhadas. No entanto, ainda
não fora possível chegar ao reconhecimento universal de que os problemas
das drogas era uma questão de saúde pública e, portanto, requeria o
aperfeiçoamento do serviço de saúde, treinamento de profissionais da área
e a não estigmatização de usuários. Esclareceu que, nas discussões sobre o
assunto nos fóruns dos quais participava, o Brasil procurava defender
soluções equilibradas para esse problema. Ressaltou que isso incluía
algumas questões que eram caras para o País, como tratamento diferenciado
para usuários drogas, adoção de enfoques de prevenção, de cuidado, de
tratamento voluntário e reintegração social assentados sobre a base do
respeito aos direitos humanos. Relatou que a sociedade brasileira vinha
dando uma expressiva contribuição para o INGASS 2016, principalmente por
meio do diálogo no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas e em outros
âmbitos. Falou sobre a UNGASS 2016, sobre a participação brasileira no
evento e da importância dele para tratar do assunto em questão. Em seguida, o Presidente franqueou a palavra ao
Senhor
Luiz Guilherme Mendes de Paiva que enfatizou que o quadro
ideológico entre os países representados na UNGASS 2016 era bastante
polarizado, o que tornava os consensos muito difíceis. Afirmou que em
relação à América Latina havia questões sobre o assunto que já estavam
superadas, mas não estavam superadas no contexto mundial. Esclareceu que,
em relação à América Latina, a partir de um esforço conduzido pelos
governos da região e com o apoio intenso da sociedade civil, fora possível
construir documentos regionais (do Mercosul, da Unasul e da Celac),
apresentados ao grupo que estava organizando a UNGASS 2016, que
sintetizavam de certa forma uma posição do continente, apesar de haver
peculiaridades e posições não necessariamente únicas desses países sobre a
questão. Defendeu que o Brasil, com posições iniciais muito bem definidas,
deveria estar preparado para atuar como uma ponte entre esses dois
cenários muito distintos. Afirmou que, do ponto de vista interno, ao
demandar esforços governamentais, parlamentares e de representantes de
outros poderes, dentro do processo da UNGASS 2016, permitira-se a formação
de redes governamentais para tratar de políticas de drogas para além do
evento. Citou como um fruto importante desse processo a mobilização da
sociedade civil. Destacou a oportunidade que o processo preparatório e o
próprio evento ofereciam para que a política de drogas brasileira fosse
apresentada ao mundo. Defendeu que a participação do Brasil nesse processo
era importante para que, além do texto da UNGASS 2016, fossem
estabelecidos temas centrais para a posição brasileira, ou seja, até onde
o país poderia avançar, até onde poderia defender as próprias políticas e
até onde poderia buscar um consenso internacional. Defendeu ser importante
aproveitar a oportunidade para trocar informações e experiências.
Finalizou afirmando que os países estavam procurando alternativas para o
controle internacional de drogas vigente atualmente e que o Brasil estava
atento a isso e defendeu a participação de todos nesse processo para que
se pudesse desenvolver efetivamente uma participação na UNGASS 2016 que
permitisse que houvesse repercussão dentro do País, uma vez que a
participação isolada, meramente diplomática no evento poderia ter um
sucesso momentâneo, mas só valeria a pena se se conseguisse fazer com que
esse processo se transformasse em aperfeiçoamento da política interna
brasileira. Em seguida, passou-se à lista dos
Deputados inscritos. Usaram da palavra para comentários e questionamentos
os Deputados Ezequiel Fonseca e Carlos Andrade. Em sequência, o
Presidente cedeu a palavra aos convidados, que responderam aos
questionamentos formulados e às dúvidas suscitadas e apresentaram suas
considerações finais. ENCERRAMENTO: Nada mais
havendo a tratar, o Presidente agradeceu a presença dos convidados, dos
senhores parlamentares e demais presentes e encerrou os trabalhos às
dezessete horas e quarenta e três minutos. E, para constar, eu
______________________, Edilson Holanda Silva, Secretário-Executivo,
lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada
pelo Presidente em exercício, Deputado Henrique Fontana
______________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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