Às
quinze horas e trinta e nove minutos do dia vinte de outubro de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 10, da Câmara dos Deputados.
Presentes os Deputados Irajá Abreu - Presidente; Carlos Henrique Gaguim -
Vice-Presidente; Adilton Sachetti, Dilceu Sperafico, Evair de Melo,
Francisco Chapadinha, Heitor Schuch, Jony Marcos, Josué Bengtson, Kaio
Maniçoba, Luis Carlos Heinze, Luiz Nishimori, Nelson Meurer, Odelmo Leão,
Raimundo Gomes de Matos, Ricardo Teobaldo, Roberto Balestra, Tereza
Cristina, Valdir Colatto, Valmir Assunção e Zé Silva - Titulares; Alberto
Fraga, Alexandre Baldy, Luciano Ducci, Marcelo Aro e Professor Victório
Galli – Suplentes. Compareceram também os Deputados Cabuçu Borges, Lincoln
Portela, Tenente Lúcio e Weliton Prado, como não-membros. Deixaram de
comparecer os Deputados Abel Mesquita Jr., Afonso Hamm, André Abdon, Assis
do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, Celso Maldaner, César Halum, César
Messias, Elcione Barbalho, Evandro Roman, Hélio Leite, Heuler Cruvinel,
Jerônimo Goergen, João Daniel, Luiz Cláudio, Marcelo Castro, Marcon,
Newton Cardoso Jr, Nilson Leitão, Onyx Lorenzoni, Pedro Chaves, Rogério
Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa, Sérgio Moraes, Silas Brasileiro e Zeca do
PT. O Deputado Zé Carlos justificou a ausência. ABERTURA:
O Presidente declarou abertos os trabalhos, cumprimentou a todos,
agradeceu a presença dos parlamentares e convidados, esclarecendo que a
reunião tinha por objetivo "debater sobre as reiteradas invasões de terras
ocorridas nos arredores do Distrito Federal”, objeto do Requerimento n.º
125/2015, de autoria dos deputados Luis Carlos Heinze e Valdir Colatto.
Esclareceu as regras para o procedimento da reunião e convidou para compor
a Mesa os seguintes convidados: GERCINO JOSE DA SILVA FILHO - Ouvidor
Agrário Nacional e Presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência
no Campo - OAN/MDA; MARCO AURÉLIO BEZERRA DA ROCHA - Superintendente
Regional SR-28, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária;
FRANCISCO JOSÉ MARTINS NETO - Representante da Associação Brasileira de
Produtores de Grãos - ABRASGRÃOS; DÊNIA ÉRICA MAGALHÃES – Advogada da
Associação Brasileira de Produtores de Grãos – ABRASGRÃOS; JUSTINO FELICIO
PERIUS - Presidente do Sindicato Rural de São João D'Aliança/GO; JOSÉ
GUILHERME LEAL - Secretário da Agricultura, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural - DF; e HUGO DANIEL MACIEL ZAIDAN - Coordenador
Nacional da Frente Nacional de Luta de Campo e Cidade. Após, o Presidente
passou a palavra ao Deputado Luiz Carlos Heinze,
o qual defendeu que problema não estaria na falta de terras, mas na falta
de estrutura aos assentamentos, vez que haveria mais terras destinadas à
reforma agrária do que as dos agricultores. Ainda, denunciou que nações
estrangeiras, cuja produção compete com os produtos brasileiros, financiam
ONG’s internacionais, como o Green Peace e WWF, para promover as invasões
de terras e prejudicar o país. A presidência foi repassada ao Deputado
Roberto Balestra
às
quinze horas e quarenta e sete minutos. A seguir, a palavra foi repassada
ao Sr. Gercino José
da Silva Filho,
que discorreu sobre as reinvindicações dos invasores, os acordos
realizados entre os proprietários de terra com a ouvidoria agrária
nacional e outros entes públicos, além das ações tomadas para solucionar
os problemas que ainda persistem. O Deputado Alberto Fraga,
no uso da palavra, defendeu a aprovação de projeto de lei para liberar o
uso de arma de fogo aos proprietários rurais para o desforço imediato,
criticando diversas ações do ouvidor à frente do órgão, como a ostentação
do título de desembargador mesmo estando aposentado, envio de ofícios aos
juízes da região para interferir em seus julgados, a atuação para afastar
um Major que defendia os agricultores das invasões, dentre outras, pelo
que solicitou a sua saída do cargo. O Sr. Marco Aurélio Bezerra da Rocha
destacou
as ações do Incra contra o líder das invasões na região e explicou como as
denúncias recebidas são encaminhadas às autoridades competentes, além de
discorrer sobre as ações tomadas pelo órgão no enfrentamento do problema.
O Sr. Francisco
José Martins Neto
denunciou as ações violentas dos invasores de terra e os prejuízos
socioeconômicos causados à região. Apresentou a cronologia dos fatos
relativos às invasões na região e pediu o fim dessas ações. No uso da
palavra, o Deputado Valdir Colatto
condenou as ações dos baderneiros nas invasões, defendendo o direito à
propriedade. Disse que há mais de 90 milhões de hectares de terra
destinadas à reforma agrária e 60 milhões de hectares em áreas produtivas,
condenando as perseguições aos produtores. Pediu a convocação do Ministro
Patrus Ananias para discorrer sobre as invasões de terras e os desvios de
recursos do órgão para o MST. A Sra. Dênia Érica
Magalhães,
no uso da palavra, pediu que, além do Min. Patrus Ananias, também fosse
convocado o Procurador de Justiça do Estado de Minas Gerais, Sr. Afonso
Henrique, que estaria fomentando as invasões de terra. Solicitou a
instalação de CPI sobre o uso de dinheiro público nesses processos,
criticou a ausência de representantes dos proprietários de terra na
Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, discorreu sobre os
aspectos jurídicos do desforço imediato e denunciou que os invasores da
região não são produtores rurais, mas especuladores que querem terras para
ganhar dinheiro. Ainda, relatou as várias ações ilegais do movimento
invasor na região, enumerou as omissões dos órgãos estatais e questionou
os legisladores a respeito do desforço imediato, apresentando um trecho de
um vídeo sobre audiência pública realizada em São João da D’Aliança – GO.
O Deputado Alberto
Fraga
ressaltou a importância da reunião e lamentou a ausência dos demais
membros. O Sr. Justino Felicio
Perius
disse que os agentes do governo estão sendo parciais e são contrários aos
agricultores da região, denunciando que alguns invasores são proprietários
de terra, funcionários públicos e comerciantes, pedindo soluções aos
problemas apresentados. Logo após, o presidente em exercício repassou a
palavra aos inscritos: Sr. Benedir Ribas,
que acusou o Incra de não apoiar os Municípios onde ocorrem os
assentamentos e criticou a violência no campo; Sr. Vilson Baron,
que acusou o líder do movimento de invasores na região de extorquir,
intimidar e chantagear os agricultores, além de não ser um sem-terra, mas
um comerciante, cobrando ações do Incra e da ouvidoria no enfrentamento do
problema. Por fim, questionou sobre o que fazer quando houver pedidos de
reintegração de posse deferidos pelo Judiciário; Sr. Marco Pinna,
que relatou sobre os investimentos suspensos na sua fazenda devido às
invasores na região e que vive sofrendo ameaças por parte dos invasores,
mas que estaria pronto para reagir, defendendo o uso das leis que já
existem e que não são aplicados por interferência política. O Deputado
Alberto
Fraga
disse que os proprietários, no desespero, estão sendo forçados a tomarem
medidas que poderão gerar uma catástrofe na região, pedindo providências
do ouvidor. O Presidente passou a palavra aos convidados para suas
considerações finais. O Sr. Gercino José da Silva
Filho
disse que solicitou a retirada do Major Berneli por seu posicionamento em
defender a desocupação das propriedades sem ordens judiciais, situação
irregular que ensejou o seu afastamento pelo superior hierárquico. Afirmou
que todas as ações da ouvidoria estão sendo acompanhadas pelos Ministérios
Públicos Federais e Estaduais, inclusive, com recomendações expedidas às
polícias militares para que evitem tais condutas. Afirmou que o desforço
imediato deve ser feito sem a presença da polícia e, quanto ao título de
desembargador, o Conselho Nacional de Justiça – CNJ entende que pode ser
usado até o fim de sua vida, mesmo após sua aposentadoria. O Deputado Alberto
Fraga
afirmou que o STF, no julgamento do RE 549.60, entendeu que a inscrição na
OAB, após a aposentadoria, gera a perda do título de Desembargador. O Sr.
Gercino Jose da
Silva Filho concordou
com a afirmação do Deputado Alberto Fraga e o posicionamento do STF,
esclarecendo que, após a sua aposentadoria, não se inscreveu na OAB e, por
não ser advogado, não precisa renunciar ao seu título de desembargador,
destacando ainda algumas de suas ações como magistrado e como ouvidor.
Após, rebateu outras críticas recebidas durante a audiência, dizendo que:
a CNA tem representação na Comissão Nacional de Combate à Violência no
Campo; só é beneficiado quem preenche os requisitos do programa de reforma
agrária; os fazendeiros apoiam suas ações; a ouvidoria é imparcial; não se
pode pedir a ação da PM contra as ocupações de terra pacíficas, tanto que
as diversas Promotorias de Justiças baixaram recomendações nesse sentido;
haveria distribuições de cestas básicas pelo ministério da fome, não por
parte do Incra, além de que, após o assentamento, elas não são mais
fornecidas; já teria expedido notificações às lideranças dos movimentos
para não invadirem as terras dos produtores; a política da presidência é
de dar infraestrutura aos assentamentos; em relação ao questionamento do
Sr. Vilson Baron, caso mandasse cópia dos mandados de reintegração de
posse, seria o primeiro a ir à região para ajudar no processo de
desocupação. O Sr. Marco Aurélio B. da
Rocha
disse que o Incra não fornece cestas básicas, ressaltando as ações
sociais, em parceria com os demais entes públicos, para dar a
infraestrutura aos assentamentos, não apoiando as ações irregulares dos
invasores. A Sra. Dênia Érica Magalhães
criticou
o ouvidor por não a ter respeitado durante a audiência, conduta que ela
não teria praticada contra ele. Afirmou que, juntamente com os
agricultores, iria pesquisar qual seria a taxa de ocupação dos
assentamentos, criticando, ainda, a falta de apoio e a parcialidade do
Incra. O Sr. Francisco José Martins
Neto
pediu a ajuda do ouvidor para que o líder do movimento, José Rainha Jr.,
fosse preso. O Sr. Vilson Baron
perguntou ao ouvidor, caso houvesse a concessão de mandado de reintegração
de posse, quanto tempo ele iria gastar para ajudar na desocupação do
imóvel, de forma pacífica. Em resposta, o Sr. Gercino Jose da Silva
Filho
disse que se ele enviasse uma cópia do mandado, com uma pequena nota
explicativa, imediatamente, marcaria reunião para desocupar a área,
pacificamente. O Deputado Roberto Balestra
comprometeu-se a pedir um encontro na cidade São João D’Aliança para
debater o problema, pedindo ações mais ágeis, por parte do governo, nos
processos de reintegração de posse, além de pedir que fosse instituído um
canal de comunicação mais efetivo entre a ouvidoria e os produtores para
evitar situações extremadas. Nada mais havendo a tratar, o Presidente em
exercício agradeceu a todos e encerrou a sessão às dezoito horas e vinte
minutos. O inteiro teor foi gravado, passando as notas taquigráficas a
integrarem o acervo documental desta reunião. E, para constar, eu, Moizes
Lobo da Cunha, ______________________secretário, lavrei a presente Ata,
que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em
exercício, Deputado Roberto Balestra _______________________________, e
publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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