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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA QUINQUAGÉSIMA SÉTIMA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA
PÚBLICA) REALIZADA EM 06 DE OUTUBRO DE 2015.
Às
quatorze horas e trinta minutos do dia seis de outubro de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 06 da Câmara dos Deputados.
Presentes os Deputados Carlos Henrique Gaguim e Nilson Leitão -
Vice-Presidentes; Adilton Sachetti, Celso Maldaner, César Messias, Dilceu
Sperafico, Evair de Melo, Francisco Chapadinha, Heitor Schuch, Hélio
Leite, Luiz Nishimori, Odelmo Leão, Raimundo Gomes de Matos, Ricardo
Teobaldo , Rogério Peninha Mendonça, Silas Brasileiro, Tereza Cristina,
Valdir Colatto e Zé Silva - Titulares; Alceu Moreira, Carlos Melles, João
Rodrigues, Marcelo Aro, Professor Victório Galli, Rocha, Ronaldo Benedet,
Sergio Souza e Subtenente Gonzaga - Suplentes. Compareceram também os
Deputados Carlos Gomes, Carmen Zanotto, Edinho Bez, Izalci, Lincoln
Portela, Mauro Pereira, Vitor Valim e Weliton Prado, como não-membros.
Deixaram de comparecer os Deputados Abel Mesquita Jr., Afonso Hamm, André
Abdon, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, César Halum, Elcione
Barbalho, Evandro Roman, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo Goergen,
João Daniel, Jony Marcos, Josué Bengtson, Kaio Maniçoba, Luis Carlos
Heinze, Luiz Cláudio, Marcelo Castro, Marcon, Nelson Meurer, Newton
Cardoso Jr, Onyx Lorenzoni, Pedro Chaves, Roberto Balestra, Ronaldo Lessa,
Sérgio Moraes, Valmir Assunção, Zé Carlos e Zeca do PT. ABERTURA:
O Deputado Alceu Moreira, no exercício da Presidência, declarou abertos os
trabalhos, cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares e
convidados, esclarecendo que a reunião tinha por finalidade "debater temas
relacionados à cadeia produtiva da Maçã", objeto do Requerimento n.º
150/2015, de sua autoria. Esclareceu as regras para o procedimento da
reunião e convidou para compor a Mesa os seguintes convidados: LUIS
EDUARDO PACIFICI RANGEL - Diretor do Departamento de Sanidade Vegetal da
SDA/MAPA; YURI BALZANI - Analista de Comércio Exterior do Ministério do
Desenvolvimento Agrário – MDA; MAURO CELSO ZANUS - Chefe-Geral da Embrapa
Uva e Vinho, representando o Presidente da Embrapa; NEUTO FAUSTO DE CONTO
- Diretor-Presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul –
BRDE; DEPUTADO ESTADUAL NATALINO LAZARÉ - Presidente da Comissão de
Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa de Santa
Catarina; HUMBERTO
LUIZ BRIGHENTI - Prefeito do Município de São Joaquim – SC; AARÃO LUIZ
SCHMTIZ - Gerente Estadual de Defesa Vegetal da Companhia Integrada de
Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina – CIDASC; JOAQUIM
TADEU BORGES - Secretário do Desenvolvimento Econômico do Município de
Fraiburgo – SC; JOSÉ EDUARDO BRANDÃO COSTA - Assessor Técnico da
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; PIERRE NICOLAS
PÉRÈS - Presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã – ABPM e
representante da FAESC; IVANIR LEOPOLDO DALANHOL - Presidente da
Associação dos Fruticultores do Paraná - Frutipar e representante da FAEP;
JOSÉ MARIA RECKZIEGEL - Presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de
Maçã – AGAPOMI; e ARIVAL PIOLI - Diretor da Associação Brasileira dos
Produtores Exportadores de Frutas e Derivados – ABRAFRUTAS. Após, o
Presidente passou a palavra aos Senhores convidados: Luis
Eduardo Pacifici Rangel,
que destacou o papel do Mapa na defesa fitossanitária do Brasil, os
problemas enfrentados, as soluções aplicadas e solicitou a modernização
legislativa do setor; Neuto
Fausto de Conto,
que apresentou um breve histórico da cultura da maçã no Brasil, as suas
características e discorreu sobre o papel no BRDE para ajudar o setor;
Mauro
Celso Zanu,
que discorreu sobre as inovações tecnológicas na produção da maçã, os
projetos desenvolvidos pela Embrapa objetivando o desenvolvimento
sustentável do setor, as dificuldades enfrentadas e, por fim, pediu a
união entre o setor público e o privado com o instituto de pesquisa
objetivando as melhorias desejadas; Moisés
Lopes de Albuquerque,
que disse representar a ABM, a AMAP, a AGAPOMI, a Frutipar e a Abrafrutas,
as quais teriam se reunido, antes da audiência, para elaborar uma
apresentação conjunta, a seu encargo. Apresentou os dados setoriais e
explicou a importância econômica da cadeia produtiva bem como os riscos
socioeconômicos e sanitários causados pela possível importação da China,
solicitando a participação do setor produtivo em futuras discussões e
decisões do governo sobre o assunto. Ainda, solicitou a publicação do
plano de contingência, a preservação da Embrapa e das associações do setor
no grupo de trabalho junto ao Ministério da Agricultura, o estabelecimento
de requisitos fitossanitários mínimos a todos os países que exportam
frutas ao Brasil e a divulgação, em tempo real, de interceptações de
produtos importados com problemas fitossanitários. Pediu subvenção ao
prêmio de seguro agrícola na safra 2014/2015, o desenvolvimento de
tecnologias contra o cancro europeu, recursos para o projeto Moscasul,
para estudos relacionados às podridões pós-colheita e para os estudos de
avaliação de porta-enxertos nas diferentes regiões produtoras. O
presidente repassou a palavra ao Sr. Airton
Spies, Secretário
Adjunto de Agricultura de Santa Catarina-SC, que falou sobre os problemas
relacionados aos altos custos na cadeia produtiva da maçã e a importância
da atividade na região. Dando continuidade, repassou a palavra aos demais
convidados: Aarão
Luiz Schmtiz,
que falou sobre os combates às pragas da maçã e os perigos socioeconômicos
caso seja liberada a importação de maçãs da China; Deputado Natalino
Lázere,
que pediu a defesa da produção de maçã no Brasil, solicitando aos
presentes o encaminhamento de sugestões; Ivo
Biazzolo, prefeito
de Fraiburgo-SC, que afirmou que irão à falência os mais de vinte
munícipios da região caso seja liberada a importação de maçãs da China.
Ainda, ressaltou o pioneirismo tecnológico do Município e o avanço
socioeconômico trazido pela atividade; José
Eduardo Brandão Costa,
que elogiou o poder de organização do setor e posicionou-se contrário a
liberar a importação de maçãs da China; Pierre
Nicolas Pérès,
que discorreu sobre os volumosos investidos empregados no setor, os quais
serão perdidos caso a importação de maçãs da China seja liberada,
solicitando ao Mapa que os produtores fossem consultados nos planejamentos
do setor; Ivanir
Leopoldo Dalanhol,
que também pugnou pela melhoria nos processos fiscalizatórios e que não
houvessem subvenções ao seguro agrícola para culturas que não têm risco,
mas que acabam por retirar recursos da fruticultura, além de ser
necessário evitar as importações subvencionadas de maçãs da China;
José
Maria Reckziengel,
que criticou as falhas na medidas contra à reintrodução das pragas no
país, a exigir ações mais efetivas por parte do Ministério da Agricultura,
inclusive, contra as novas que possam surgir; Arival
Pioli,
que salientou ser o Brasil o 3º produtor mundial de frutas, mas não um
grande exportador e que, nos próximos 50 anos, seria necessário dobrar a
produção sem degradar o meio ambiente. Disse que a maçã brasileira possui
todas as certificações dos
mercados mais rígidos no mundo e pediu ao Mapa apoio para impedir a
abertura do mercado de maçãs importadas da China. O presidente sugeriu que
só fossem importadas as maçãs cujos países também tivessem erradicadas as
mesmas pragas que foram extintas no Brasil. O Deputado Afonso
Hamm
alegou que, caso a medida sugerida pelo presidente não fosse adotada, os
produtores brasileiros passariam a investir e a produzir na Argentina.
Retornada a palavra aos convidados: Humberto
Luiz Brighenti
discorreu sobre as características e apresentou os dados sobre a produção
da maçã no Município de São Joaquim, enfatizando os perigos da importação;
Ernani
Pollo, Secretário
da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul, defendeu as medidas de
segurança fitossanitária e pediu ações para desenvolver o setor. O
presidente,
ao fazer o encaminhamento aos debates, pediu que fossem discutidos com o
setor e com o Ministério da Agricultura os seguintes temas: quais seriam
as fragilidades legislativas e qual seria o texto legislativo mais
adequado; a questão sanitária, para evitar a volta de pragas já combatidas
ou o aparecimento de novas; a questão da importação predatória; e ações
para evitar a volta da Cydia pomonella, pedindo que quatro ou cinco
membros técnicos das associações pudessem realizar uma oficina com o setor
técnico do Mapa, após a audiência pública, a fim de encontrar soluções.
Após, repassou a palavra ao Dep. Afonso
Hamm, que
disse
ser
prioridade
combater a volta da Cydia pomonella e pediu melhorias nas condições de
financiamento ao setor. O Dep. Luiz
Carlos Heinze falou
sobre
as conversas que já teve com a Ministra Kátia Abreu sobre os temas
levantados na audiência e pediu a organização do setor. O Dep.
João Rodrigues
criticou a importação da maçã da China, reiterando as críticas já citadas.
O Dep. Ronaldo
Benedeti defendeu
que
a prioridade seria impedir a abertura do mercado à importação de maçãs da
China. O Dep.
Estadual Gabriel Ribeiro destacou
os riscos da maçã chinesa e agradeceu pela iniciativa da audiência
pública. O Dep.
Peninha
defendeu que só a aplicação das normas sanitárias já impediriam a
importação das maçãs e outras frutas chinesas. O Dep.
Valdir Colato discorreu
sobre as formas de se proteger o setor. O Dep.
Mauro Pereira
disse que a qualidade da maçã e o controle fitossanitário da região sul
são ótimos, ao contrário da Chinesa, pedindo atuação do Mapa para proteger
os produtores e divulgar a qualidade do produto. O Dep.
Celso Maldaner
defendeu que o governo não poderia incluir a importação de maçãs em
negociações com outros países sem que fossem exigidos os mesmos critérios
fitossanitários e ambientais implementados no setor produtivo do Brasil,
incrementando-se, ainda, o número de fiscais nas fronteiras. Por fim,
convidou os presentes a participarem da audiência pública no senado sobre
o vinho, que seria realizado no dia posterior. O presidente repassou a
palavra aos convidados para suas considerações finais. O Sr. Mauro
Celzo Zanus
alegou que deveria haver o manejo integrado de pragas, com a aplicação de
novas tecnologias, como o uso de moléculas de terceira geração. O Sr.
Luis
Eduardo Pacifici Rangel afirmou
que os instrumentos usados pelo Mapa são suficientes para evitar a
reintrodução da Cidy palmonela no Brasil. Ainda, disse que a abertura do
mercado brasileiro às maçãs da China ainda estão sendo estudadas, não só
na questão fitossanitária, mas levando em conta também os impactos
socioeconômicos. Nada
mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a todos, convocou os
deputados para reunião deliberativa amanhã, às dez horas, neste Plenário,
e encerrou os trabalhos às dezoito horas e um minuto. O inteiro teor foi
gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental
desta reunião. E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
________________________________, secretário, lavrei a presente Ata, que
por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em exercício,
Deputado Alceu Moreira _______________________________, e publicada no
Diário da Câmara dos Deputados.
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