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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 41ª
REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 23 DE SETEMBRO DE 2015.
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Às onze horas e trinta e cinco minutos
do dia vinte e três de setembro de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão
de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, no Anexo II, Plenário 03 da
Câmara dos Deputados.
Compareceram os Deputados Jô Moraes - Presidente, Carlos
Zarattini e Subtenente Gonzaga - Vice-Presidentes; Antônio Jácome,
Ivan Valente, Jarbas Vasconcelos, Luiz Lauro Filho, Marcus Vicente, Pastor
Eurico, Rubens Bueno e Takayama - Titulares; Benedita da Silva,
Cabo Daciolo, Eduardo Bolsonaro, Luiz Carlos Busato, Luiz Nishimori,
Newton Cardoso Jr e Roberto Sales – Suplentes. Compareceram também os
Deputados Carlos Andrade e Weliton Prado, como não membros. Deixaram de
comparecer os Deputados Arlindo Chinaglia, Arthur Oliveira Maia, Átila
Lins, Benito Gama, Bruna Furlan, Chico Lopes, Claudio Cajado, Deley,
Eduardo Barbosa, Eduardo Cury, Ezequiel Fonseca, Henrique Fontana,
Heráclito Fortes, Jefferson Campos, Marco Maia, Nelson Marquezelli, Paulo
Abi-Ackel, Rômulo Gouveia, Rosangela Gomes e Stefano Aguiar. Apresentaram escusas os
Deputados César Halum, Jean Wyllys e Raul Jungmann. ABERTURA: a
Presidente, Deputada Jô Moraes, deu
início à Reunião Extraordinária de Audiência Pública explicando que
ela
decorria da aprovação do Requerimento
nº
80, de autoria dos Deputados Ivan Valente e Jean Wyllys, aprovado pela
Comissão e que tinha
por objetivo debater
os recentes casos de ataques
xenófobos no Brasil, em atenção especial para os imigrantes haitianos. Em
seguida, a Presidente chamou para compor a Mesa a Senhora
Juliana Felicidade Armede,
da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São
Paulo; Pastora
Romi Márcia Bencke, do
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil; Eliza
Odila Conceição Silva Donda, Projeto “Missão Paz” – São Paulo; Rene Simon, responsável pela recepção de
imigrantes no Centro de Referência e Assistência Social do vale do Taquari
– Rio Grande do Sul; e Magali Naves, Assessora Internacional da
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da
República (SEPPIR). Em seguida, a Presidente passou a direção dos
trabalhos à Deputada Benedita da Silva, que franqueou a palavra à Senhora
Juliana Felicidade Armede. A expositora afirmou
que, do ponto de vista do Estado de São Paulo, havia circunstâncias em que
os imigrantes sofriam situações de violação de direitos. No entanto, até o
momento, essas situações não eram consideradas especiais ou diferentes das
violências cotidianas às quais os brasileiros estavam eventualmente
submetidos. Relatou a situação de trabalho, às vezes precária, em que os
imigrantes, principalmente haitianos, encontravam-se. Falou sobre a
articulação da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de
São Paulo com a região de Americana para dar visibilidade às políticas que
proporcionassem trabalho e moradia aos imigrantes.
Em seguida, a Presidente passou a palavra à Pastora Romi Márcia Bencke que
disse
que a temática da xenofobia estava relacionada a outras intolerâncias que
vinham ocorrendo no Brasil, como a intolerância religiosa, a intolerância
de gênero, linchamentos públicos e o aumento da violência policial.
Afirmou que, no caso específico dos haitianos e senegaleses, a xenofobia
tinha relação estreita com o racismo, que ainda era bastante forte no
País. Ressaltou que, se fossem observados os primeiros fluxos migratórios
no Brasil nos séculos passados, ver-se-ia que a política migratória
brasileira tinha muito a ver com as políticas econômicas e, muitas vezes,
com questões de eugenia. Defendeu o rompimento do ordenamento jurídico
vigente, que se baseava no enfoque de segurança nacional, e a construção
de uma lei que tratasse o tema sob a perspectiva de direitos humanos.
Nesse
momento, a Presidente passou a palavra à Senhora Elisa Odila Conceição
Silva Donda que falou
sobre a Missão Paz e em que consistia o trabalho de acolhida que a
organização missionária desenvolvia. Afirmou que toda forma de xenofobia e
de racismo era fruto da falta de informação. Citou a violência sofrida por
seis haitianos em São Paulo em agosto do ano em curso e informou que a
polícia estava investigando o ocorrido. Defendeu uma lei migratória
coerente com os direitos humanos que não desse margem a violações. Falou
da importância do envolvimento dos Ministérios de Educação e de Cultura
nos debates sobre a questão, a fim de construir uma base de conhecimento
sobre migração para que gerações futuras pudessem lidar com a diversidade.
Defendeu a aprovação do PL 2516/15, que instituía a lei de migração, em
tramitação na Câmara dos Deputados. Ressaltou que outro ponto que poderia
ser trabalhado era a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos
de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros de suas Famílias, também
em tramitação na Casa. Defendeu um texto que tivesse como base o trabalho
decente para os imigrantes. Por fim, colocou-se à disposição para ajudar
nas atividades e na forma de condução dos processos relacionados ao tema.
Ato contínuo, a Presidente passou a
palavra ao Senhor Rene Simon que começou
a exposição falando sobre si e sobre sua atuação no atendimento a
imigrantes no Centro de Referência e Assistência Social do Vale do
Taquari. Defendeu que para mudar as leis e criar políticas migratórias era
necessário ouvir os imigrantes. Afirmou que havia vários casos de
xenofobia em relação aos imigrantes. Disse que a falta de informação da
sociedade brasileira sobre os haitianos fazia com que eles sofressem
discriminação. No entanto, acreditava que com diálogo essa situação
poderia ser mudada. Em
seguida, a
Presidente passou a palavra à Senhora Magali Naves que afirmou
que havia desconhecimento da sociedade brasileira sobre os haitianos. Além
disso, a questão do racismo perpassava por todas as relações sociais no
país. Disse que os haitianos estavam sofrendo uma situação de migração que
era um direito, mas, ao mesmo tempo, estavam sofrendo uma questão
histórica que o Brasil estava trabalhando para mudar, que era a não
aceitação do outro, a não aceitação do ser humano, enquanto ser humano.
Afirmou que era lamentável o país perder a oportunidade de ter mão de obra
qualificada, ao utilizá-la em serviços braçais por ser negra. Defendeu o
ensino do idioma brasileiro para os imigrantes, a educação como forma de
combater o preconceito e o respeito aos compromissos internacionais
assumidos pelo Brasil. Por fim, falou sobre a SEPPIR e o trabalho
desenvolvido pelo órgão. Nesse
momento, a Presidente passou a palavra ao Deputado Ivan Valente, que falou
na condição de autor do Requerimento que motivara a Audiência Pública. Em
seguida, a Presidente passou a direção dos trabalhos ao Deputado Ivan
Valente. Ato contínuo, passou-se à lista dos parlamentares
inscritos.
Fizeram uso da palavra para comentários e questionamentos os
Deputados Henrique Fontana e Takayama. Em
sequência, o Presidente franqueou a palavra a cada um
dos convidados, os quais responderam aos questionamentos formulados e às
dúvidas suscitadas e apresentaram suas considerações finais.
ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, o Presidente apresentou
seus comentários finais e agradeceu a
presença dos convidados, dos senhores parlamentares e dos demais
presentes e
encerrou os trabalhos às treze horas e trinta e nove minutos. E,
para constar,
eu ______________________, Clesione Alves Gomes,
Secretaria-Executiva Substituta,
lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será
assinada pela
Presidente em exercício, Deputada Benedita da
Silva_____________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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