|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA QUINQUAGÉSIMA TERCEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) REALIZADA EM 22
DE SETEMBRO DE 2015.
Às
catorze horas e quarenta e cinco minutos do dia vinte e dois de setembro
de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 13 da Câmara
dos Deputados. Presentes os Deputados Carlos Henrique Gaguim e Nilson
Leitão - Vice-Presidentes; Adilton Sachetti, Celso Maldaner, César
Messias, Dilceu Sperafico, Evair de Melo, Heitor Schuch, Jony Marcos,
Marcelo Castro, Newton Cardoso Jr, Odelmo Leão, Raimundo Gomes de Matos,
Ricardo Teobaldo, Silas Brasileiro, Tereza Cristina, Zé Carlos e Zé Silva
- Titulares; Alexandre Baldy, Átila Lins, Domingos Sávio, Nelson
Marquezelli, Professor Victório Galli, Sergio Souza e Subtenente Gonzaga –
Suplentes. Compareceram também os Deputados Gabriel Guimarães, Goulart,
Lucas Vergilio e Raquel Muniz, como não-membros. Deixaram de comparecer os
Deputados Abel Mesquita Jr., Afonso Hamm, André Abdon, Assis do Couto,
Beto Faro, Bohn Gass, César Halum, Elcione Barbalho, Evandro Roman,
Francisco Chapadinha, Hélio Leite, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo
Goergen, João Daniel, Josué Bengtson, Kaio Maniçoba, Luis Carlos Heinze,
Luiz Cláudio, Luiz Nishimori, Marcon, Nelson Meurer, Onyx Lorenzoni, Pedro
Chaves, Roberto Balestra, Rogério Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa, Sérgio
Moraes, Valdir Colatto, Valmir Assunção e Zeca do Pt. Justificaram a
ausência os Deputados César Halum, Evandro Roman, Francisco Chapadinha,
Hélio Leite e Luciano Ducci. ABERTURA:
O Deputado Zé Silva, no exercício da Presidência, declarou abertos os
trabalhos e cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares e
convidados, e esclareceu que a reunião tinha a finalidade de "Discutir
questões relativas à retomada das obras de conclusão da Barragem de
Berizal, na região do Alto Rio Pardo de Minas, em Minas Gerais", objeto do
Requerimento nº 029/2015, de autoria do Deputado Zé Silva - SD/MG. O Presidente esclareceu as regras para o
procedimento da reunião e convidou para compor a Mesa os seguintes
convidados:
IRANI
BRAGA RAMOS - Secretário Nacional de Desenvolvimento Regional do
Ministério da Integração Nacional; ANTONIO CARVALHO FEITOSA - Secretário
Nacional Substituto de Irrigação do Ministério da Integração Nacional;
Deputado Estadual PAULO GUEDES – Secretário de Estado de Desenvolvimento e
Integração do Norte e Nordeste de Minas Gerais - Sedinor; ELIZABETH
SIQUEIRA JULIATTO - Coordenadora de Estudos Setoriais da Agência Nacional
de Águas - ANA; GLÁUCO ROGÉRIO DE ARAÚJO MENDES - Diretor de
Infraestrutura Hídrica do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas -
DNOCS; CARLITO PEREIRA DA COSTA - Representante da Associação Comercial,
Industrial e de Serviços de Taiobeiras/MG - ACIT; e HÉLVIO LELES ARAÚJO –
Presidente da ONG Amigos das Águas, de Taiobeiras/MG.
O
Presidente registrou a presença e deu as boas-vindas aos seguintes
participantes: Gustavo Xavier – Coordenador estadual do DNOCS de Montes
Claros/MG; aos Senhores Fernando Francisco Chagas, Jarbas de Oliveira, e
Ermano Pereira de Oliveira – Vereadores de Berizal/MG; Januário Francisco
de Castro – Vereador de Taiobeiras/MG; Anaézio Alves da Costa – Liderança
política de Iturama/MG; José Maria Sucupira – Representante da Empresa
Arruda Alimentos de Taiobeiras/MG; e Juliana Pacheco – Secretária-Adjunta
da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Integração do Norte e
Nordeste de Minas Gerais – Sedinor. Após,
o Presidente passou a palavra aos Senhores convidados: Carlito
Pereira da Costa, que
cumprimentou a todos, agradeceu o convite para participar da Audiência
Pública e ponderou que a distância do município de Berizal em relação ao
centro do poder, em Brasília, talvez explique o abandono que sofre aquela
região. Enalteceu a iniciativa do Deputado Zé Silva em promover o debate
sobre a conclusão das obras da Barragem de Berizal, que vai revitalizar a
sobrevivência da população da região. Destacou que, em 2011, a comunidade
foi alertada para o perigo de desertificação da região em razão da
escassez de chuva e que tal processo levaria 20 anos, caso nenhuma
providência fosse tomada que pudesse reverter essa previsão. Concluiu,
dizendo, que a Barragem representa um potencial econômico expressivo para
a região, visto que poderá irrigar dez mil hectares de terras que poderão
tornar-se produtivas e com capacidade de gerar trinta mil empregos
diretos;
Hélvio Leles
Araújo,
que cumprimentou a todos, e fazendo uso de recursos audiovisuais,
demonstrou a crítica situação que se encontram as obras abandonadas da
Barragem de Berizal, com as ferragens expostas e elevado risco de perda do
que já foi construído e que compõe quarenta por cento da obra. Relatou,
ainda, sobre a situação degradante da população daquela região em razão da
falta d’água e que motivou a criação da ONG Amigos das Águas do Alto do
Rio Pardo, que estabeleceram como meta a luta pela efetivação da Barragem.
Defendeu, também, o uso de tecnologia na solução definitiva desse problema
e que esta responsabilidade está nas mãos das pessoas, como seres
inteligentes, e não em promessas de cunho religioso. Alegou, também, que o
baixo índice pluviométrico tem se mantido perene na região e a construção
de barragens tem demonstrado que existe solução hídrica que seja capaz de
manter os empregos e proporcionar uma condição de vida melhor para a
população; Irani
Braga Ramos, que
cumprimentou a todos e agradeceu em nome do Ministro Gilberto Occhi, o
convite para participar da Audiência Pública e ressaltou que,
preliminarmente, após contato com o Ministério do Planejamento, obteve a
informação que a construção da Barragem foi iniciada com recursos
federais, mas, para sua conclusão, seria necessário a participação e
colaboração dos outros entes da federação, especialmente do governo
estadual. Enfatizou que tem conversado intensamente com representantes do
governo do estado de Minas Gerais sobre repartição e redução dos custos e
que, ultimamente, as discussões têm convergido favoravelmente, embora
ainda sem definição de acordo para finalização das obras. Ressaltou,
entretanto, que tanto o Ministério do Planejamento quanto o Ministério da
Integração estão convencidos da importância da barragem, bem como da sua
conclusão e que as questões de operação e manutenção serão equacionadas,
de forma hidrológica e economicamente sustentável. Concluiu, dizendo, que
conta com a mobilização política para superar os entraves técnicos e que o
Ministério da Integração fornecerá toda a cooperação necessária para,
também, superá-los; Gláuco Rogério de Araújo
Mendes,
que cumprimentou a todos e afirmou que desde o ano de dois mil e doze,
quando iniciou seu trabalho no DNOCS, empreende esforços para que o
projeto da Barragem seja concretizado dado sua grande importância para
aquela região. Ponderou ainda, utilizando recursos audiovisuais, que a
obra beneficiará os municípios de Berizal, Rio Pardo de Minas, São João do
Paraíso, Taiobeiras, Indiabira, Inhinheiras, todos no Estado de Minas
Gerais, com uma cumulação de 340 milhões de metros cúbicos de água, uma
bacia de quatro mil hectares e terá uso múltiplo para a população.
Discorreu sobre o histórico de sua construção que se iniciou a partir do
ano de mil, novecentos e noventa e oito e, logo após, houve interrupção em
razão de ações ambientais, para serem retomadas no ano de dois mil e
quatro e finalizadas no ano de dois mil e seis, com investimento à época
de vinte e seis milhões e quinhentos. Informou, também, que já houve a
obtenção da outorga da Agência Nacional de Águas – ANA e que a licença de
instalação da barragem foi liberada no ano de dois mil e dez contendo
algumas condicionantes que deverão ser atendidas com a retomada de sua
construção, além da previsão de investimento em torno de duzentos e
quarenta milhões para sua conclusão, em parceria com o governo estadual de
Minas Gerias. Finalizou, dizendo, que o orçamento necessário já está
atualizado e sua aplicação depende, apenas, da ação da bancada federal de
Minas Gerais e autorização do Ministério do Planejamento; Deputado Estadual Paulo
Guedes,
que cumprimentou a todos e afirmou que, como diretor do DNOCS de Minas
Gerais no período de 2003 a 2006, conhece bem a realidade daquela região,
bem como suas demandas. Reiterou que a construção da barragem foi iniciada
em mil, novecentos e noventa e oito e foi embargada no ano de dois mil e
dois e que, no ano de dois mil e quatro, era composta tão-somente de
ferragem exposta. Relatou, também, que do período de 1998 a 2006, constava
todos esses anos na previsão orçamentária do DNOCS recursos para a
continuidade da obra, visto que foram concluídas a tomada d’água e o
vertedouro, entre os anos de 2004 a 2006, após a concessão de licença ad
referendum, pelo Secretário de Estado do Meio Ambiente à época. Completou
ainda que, embora houvesse recursos no orçamento e a obra estivesse
prevista no PAC/2207, havia impedimento de prossegui-la porque a licença
ambiental fora cassada a partir do ano de 2006. Ressaltou, entretanto, que
após muitos movimentos para efetivação da obra provenientes de
agricultores familiares, comunidade, representantes dos municípios
atingidos e autoridades em geral, o governo estadual acenou com a
possibilidade de solucionar definitivamente esse problema. Finalizou,
dizendo, que foi instalada uma comissão técnica integrada por oito
secretarias estaduais, sob a coordenação da Sedinor, para avaliar todas as
condicionantes que impedem a execução da obra e elaborar um acordo de
cooperação técnica e financeira entre o governo estadual e o governo
federal. O Presidente prosseguiu a reunião registrando, também, a presença
e dando as boas-vindas aos Senhores Marcelo Pereira Borges – Diretor de
Obras Hídricas do Ministério da Integração Nacional e Vinícius Bernardo
Borges – Gerente do Comitê Gestor do Programa de Aceleração do Crescimento
– PAC/MG. Em seguida, passou a palavra aos
convidados:
Elizabeth Siqueira Juliatto,
que cumprimentou a todos e, fazendo uso de recursos audiovisuais,
demonstrou que a bacia do Rio Pardo é de domínio da união e está
localizada inteiramente no território de Minas Gerais, sendo que a parte
alta da bacia fica na cidade de Berizal, cuja população é composta por cem
mil habitantes na área urbana e sessenta mil na área rural, conforme censo
demográfico do IBGE/2010. Ponderou, também, que considerando o índice
pluviométrico médio de 790mm e a ocorrência de secas e estiagem com maior
frequência e intensidade nos últimos anos, a região é classificada como
semiárido de acordo com estudos da ONU. Considerou, também, conforme os
estudos efetuados pela ANA, que foram detectadas áreas críticas e, dentre
elas, destaca-se a região norte de Minas Gerais como maior foco a ser
verificado pelo Plano Nacional de Segurança Hídrica. Complementou, ainda,
que esse plano está sendo elaborado juntamente com o Ministério da
Integração e segue a tendência mundial em melhorar a segurança hídrica
para as populações, garantindo a oferta hídrica e reduzindo os riscos
associados às secas e inundações. Concluiu, dizendo que a barragem de
Berizal enquadra-se como obra estruturante de natureza de segurança
hídrica, porque existe uma demanda efetiva da população já assentada
naquele território e que depende da água para sua sobrevivência; e
Antônio Carvalho
Feitosa,
que cumprimentou a todos e informou que a Barragem de Berizal integrou as
obras do PAC do ano de dois mil e sete com um orçamento de sessenta e
quatro milhões de reais e no ano de dois mil e oito, em face da
inexistência da licença ambiental e consequente falta de execução, foi
retirada da previsão de obras do PAC condicionando seu retorno à
regularização dessa pendência. Ressalvou, ainda, que após a regularização
da pendência ambiental, o TCU recomendou que o Comitê Gestor do Programa
de Aceleração do Crescimento - GPAC e o DNOCS providenciasse um plano de
ação para dar continuidade à obra, conforme nota técnica elaborada no ano
de dois mil e treze. Frisou, também, que houve uma considerável elevação
no orçamento previsto, passando de sessenta e quatro milhões para duzentos
e quarenta milhões e que a redução desse valor é essencial para conseguir
apoio do governo e do Congresso Nacional. Finalizou, destacando a
importância da barragem e que a obtenção da outorga para trinta e cinco
anos e o apoio expressado por todos os expositores presentes na audiência
favorecem bastante o reinício de sua construção. Em sequência, o
Presidente concedeu a palavra aos Senhores Januário Francisco de
Castro
– Vereador de Taiobeiras/MG e Ermano Pereira de Oliveira
–
Vereador de Berizal/MG. Prosseguiu a reunião passando a palavra aos
Deputados inscritos: Newton Cardoso Jr.,
Gabriel
Guimarães,
Raquel Muniz
e
Domingos
Sávio.
Em seguida, o Presidente concedeu a palavra aos convidados para as
considerações finais. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
todos e encerrou os trabalhos às dezessete horas e trinta e um minutos,
antes, porém, convocou os Senhores Parlamentares para Reunião Ordinária
(Deliberativa), dia vinte e três de setembro,
quarta-feira, às dez horas, no Plenário 6. O inteiro teor foi
gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental
desta reunião. E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
________________________________, secretário, lavrei a presente Ata, que
por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em exercício,
Deputado Zé Silva _______________________________, e publicada no Diário
da Câmara dos Deputados.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx |