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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA QUINQUAGÉSIMA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA)
REALIZADA EM 9 DE SETEMBRO DE 2015.
Às
onze horas e vinte e seis minutos do dia nove de setembro de dois mil e quinze,
reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural, no Anexo II, Plenário 6 da Câmara dos Deputados. Presentes os Deputados
Irajá Abreu - Presidente; Carlos Henrique Gaguim e Nilson Leitão -
Vice-Presidentes; Abel Mesquita Jr., Adilton Sachetti, Afonso Hamm, Bohn Gass,
Celso Maldaner, Dilceu Sperafico, Elcione Barbalho, Evair de Melo, Francisco
Chapadinha, Heitor Schuch, Hélio Leite, João Daniel, Josué Bengtson, Kaio
Maniçoba, Luis Carlos Heinze, Luiz Cláudio, Luiz Nishimori, Marcon, Nelson
Meurer, Newton Cardoso Jr, Odelmo Leão, Ricardo Teobaldo, Rogério Peninha
Mendonça, Sérgio Moraes, Silas Brasileiro, Tereza Cristina, Valdir Colatto,
Valmir Assunção, Zé Carlos, Zé Silva e Zeca do PT - Titulares; Alfredo Kaefer,
Daniel Vilela, Domingos Sávio, Marcos Montes, Nelson Marquezelli, Remídio Monai,
Rocha, Sergio Souza e Subtenente Gonzaga – Suplentes. Compareceram também os
Deputados Adelmo Carneiro Leão, Chico Alencar, Edinho Bez, Edmilson Rodrigues,
Ivan Valente, Leo de Brito, Mandetta, Nilto Tatto, Osmar Serraglio, Padre João e
Vicente Candido, como não membros. Deixaram de comparecer os Deputados André
Abdon, Assis do Couto, Beto Faro, César Halum, César Messias, Evandro Roman,
Heuler Cruvinel, Jerônimo Goergen, Jony Marcos, Marcelo Castro, Onyx Lorenzoni,
Pedro Chaves, Raimundo Gomes de Matos, Roberto Balestra e Ronaldo Lessa.
Justificaram a ausência os Deputados César Messias e Luciano Ducci. O Presidente,
Deputado Irajá Abreu, declarou aberta a reunião, cumprimentou a todos e
agradeceu a presença dos parlamentares e convidado. Ainda, explicou que a
audiência pública contaria com a participação do Ministro de Estado da Justiça,
José Eduardo Cardozo, para discutir “conflitos indígenas que vêm ocorrendo em
todos os Estados, e as ações que o Governo Federal tem tomado para dar segurança
jurídica aos produtores e às nações indígenas" - conforme
solicitação do Requerimento nº 145/2015
de autoria da Deputada Tereza Cristina, aprovado pela Comissão. Após anunciar a
presença do Ministro e convidá-lo para sentar à mesa, o Presidente informou as
regras para o procedimento da reunião e passou a palavra ao Ministro.
José Eduardo Cardozo mencionou que a maior parte das terras
qualificáveis como tradicionalmente indígenas que poderiam ser demarcadas sem
conflito já o foram. As demarcações remanescentes ainda não foram concluídas
pela dificuldade em se conciliar os interesses dos envolvidos. O Ministro citou
que a morosidade no processo de demarcação ocorre principalmente devido às
inúmeras ações judiciais que contestam as diversas fases do processo. Para ele,
a mediação é a forma mais eficaz para se tentar solucionar as disputas entre
produtores rurais e indígenas. Especificamente sobre os conflitos que vêm
ocorrendo no Estado do Mato Groso do Sul, o Ministro explicou que esteve na
região e propôs a formação de uma equipe de representantes dos Governos Federal
e Estadual, dos índios e dos produtores rurais para negociarem a propriedade de
cinco áreas. Ainda, José Eduardo afirmou que não serão admitidas incitações ao
crime e que a Polícia Federal está autorizada a agir para manter a ordem e a
Lei. Por fim, o Ministro defendeu a inconstitucionalidade da PEC 215/2000 e
admitiu que a PEC 71/2011 pode ter seu texto aperfeiçoado a fim de atender às exigências do Governo,
Congresso, produtores rurais e indígenas. Ato contínuo, foi dada a
palavra aos Deputados inscritos. Tereza Cristina criticou a
morosidade na execução das ações para solucionar os conflitos e a atuação do
Ministério Público e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Ainda, defendeu uma
política nacional para a solução dos conflitos. Luis Carlos
Heinze criticou as discussões
ideológicas no debate sobre o processo de demarcação de áreas indígenas e
defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 71/2011 (PEC
71/2011), recentemente aprovada no Senado Federal. João Daniel
defendeu a demarcação das terras indígenas para evitar os conflitos. Também
questionou o andamento da investigação da morte
de um índio Guarani-Kaiowá no sul do Mato Grosso do Sul. Luiz
Cláudio questionou o posicionamento do Ministério acerca da legalização
da lavra de minérios nas terras indígenas. Valdir Colatto
questionou se haverá recursos financeiros para pagar as indenizações de que
tratam a PEC 71/2011, caso essa seja aprovada, e defendeu o tratamento
diferenciado que deve ser dado a indígenas integrados à civilização.
Zeca do PT relembrou que os conflitos no Estado do Mato Grosso
do Sul iniciaram ainda durante o Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso
e defendeu a mediação entre os envolvidos para dirimir os conflitos. Ainda,
posicionou-se contrário à aprovação da PEC 215/2000. Mandetta
defendeu que a PEC 215/2000 apresenta mecanismos capazes de auxiliar a solução
dos conflitos entre indígenas e produtores rurais. Questionou se o Governo
Federal tem alguma outra proposta para solucionar o problema, já que se
posiciona contrário à aprovação da citada PEC. Celso Maldaner
criticou a parcialidade dos estudos da FUNAI e defendeu a aprovação da PEC
71/2011. Nilto Tatto defendeu a aprovação da PEC 71/2011 e
posicionou-se contrariamente à aprovação da PEC 215/2000. Abel Mesquita
Jr. criticou o fato de o Estado de Roraima ser o único Estado
brasileiro não contemplado pelo sistema nacional
interligado de energia elétrica devido a não liberação da carta de
anuência da FUNAI. O Deputado aproveitou para questionar o Ministro sobre o
andamento do processo de liberação das obras. Marcos Montes
sugeriu um grupo de trabalho para elaborar uma norma jurídica que possa
efetivamente dirimir os conflitos. Osmar Serraglio defendeu a
constitucionalidade da PEC 215/2000 na condição de relator da comissão especial que
discute a proposta. Sergio Sousa citou o caso do
Município de Guaíra, no Paraná, no qual a demarcação das terras indígenas também
é conflituosa. Domingos Sávio defendeu o processo de convocação
de Ministro, em vez de convite; posicionou-se favorável à aprovação da PEC
215/2000, por entendê-la constitucional; e criticou a atuação do Governo
Federal. Remídio Monai questionou sobre as ações do Governo
Federal para resolver a questão da insegurança pública na Reserva Indígena
Raposa Serra do Sol. Também destacou a necessidade de revitalizar a BR-174, em
Roraima, construída nas terras dos índios Waimiri Atroari. Bohn
Gass defendeu a mediação para solucionar os conflitos e a
inconstitucionalidade da PEC 215/2000. Ivan Valente criticou as
poucas demarcações ocorridas a partir da
Constituição Federal de 1988 e propôs que a solução para os conflitos seja
buscado por meio do diálogo. Nilson Leitão defendeu a
aprovação da PEC 215/2000 e criticou a atuação do Governo Federal.
Edmilson Rodrigues defendeu a aprovação da PEC 71/2011.
Chico Alencar destacou a necessidade de se dar um tratamento
diferenciado aos povos indígenas, tendo em vista suas particularidades. Ainda,
questionou sobre a possibilidade de insubordinação da Polícia Federal e Polícia
Rodoviária Federal frente as ordens do Ministério da Justiça. Nada mais havendo
a tratar, o Presidente encerrou os trabalhos às catorze horas e trinta e um
minutos. Antes, porém, convidou os parlamentares para participarem da Reunião
Ordinária de Audiência Pública, dia 15 de setembro, terça-feira, às 14h30, no
plenário 6, para “discutir e apresentar alternativas frente às constantes quedas
de tensão e a baixa qualidade da energia elétrica fornecida ao meio rural
brasileiro". E, para constar, eu
_________________________, Francisco Alexandre Pierre Barreto Lima,
Secretário-Executivo em exercício, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida
e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Irajá Abreu
___________________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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