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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA QUADRAGÉSIMA OITAVA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) REALIZADA EM 3 DE
SETEMBRO DE 2015.
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Às dez horas e vinte e cinco
minutos do dia três de setembro de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão
de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, no Anexo
II, Plenário 6 da Câmara dos Deputados. Estiveram presentes os Deputados:
Carlos Henrique Gaguim - Vice-Presidente; Dilceu Sperafico, Evair de Melo,
Francisco Chapadinha, Hélio Leite, Luiz Cláudio, Luiz Nishimori, Odelmo
Leão, Raimundo Gomes de Matos, Ricardo Teobaldo, Silas Brasileiro e Zé
Carlos – Membros Titulares; Carlos Melles, João Rodrigues, Lázaro Botelho,
Luciano Ducci, Marcelo Aro, Nelson Marquezelli, Professor Victório Galli,
Rocha e Sergio Souza – Suplentes. Compareceram também os Deputados
Ezequiel Fonseca e Weliton Prado, como não-membros da Comissão. Deixaram
de comparecer os Deputados Abel Mesquita Jr., Adilton Sachetti, Afonso
Hamm, André Abdon, Assis do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, Celso Maldaner,
César Halum, César Messias, Elcione Barbalho, Evandro Roman, Heitor
Schuch, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo Goergen, João Daniel, Jony
Marcos, Josué Bengtson, Kaio Maniçoba, Luis Carlos Heinze, Marcelo Castro,
Marcon, Nelson Meurer, Newton Cardoso Jr, Nilson Leitão, Onyx Lorenzoni,
Pedro Chaves, Roberto Balestra, Rogério Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa,
Sérgio Moraes, Tereza Cristina, Valdir Colatto, Valmir Assunção, Zé Silva
e Zeca do PT. Justificaram a ausência os Deputados: César Messias, Heitor
Schuch, Heuler Cruvinel e Roberto Balestra. ABERTURA: O Presidente em
exercício, Deputado Carlos Henrique Gaguim, declarou aberta a reunião,
cumprimentou todos e agradeceu a presença. Em seguida, esclareceu que o
propósito da Audiência seria debater a importação de Café Verde – tema do
Requerimento nº 74/2015, de autoria do Deputado Evair de Melo - e discutir
o PL 1.713/2015, que "Institui a Política Nacional de Incentivo à produção
de Café de Qualidade", objeto do Requerimento nº 118/2015, de autoria do
Deputado Luiz Claudio. O Presidente explicou os procedimentos para uso da
palavra na reunião e convidou para compor a Mesa: Deputado Silas
Brasileiro - Presidente do Conselho Nacional do Café - CNC;
André Nassar - Secretário de Política Agrícola - SPA/MAPA; Gabriel
Ferreira Bartholo - Gerente-Geral da Embrapa Café; Cláudio Borges - Gestor
de Projetos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e
Investimentos - Apex-Brasil; Pedro Rodrigues Alves Silveira - Analista da
Gerência Técnica e Econômica da Organização das Cooperativas Brasileiras
(OCB); Nathan Herszkowicz - Diretor-Executivo da Associação Brasileira da
Indústria de Café - ABIC; Pedro Guimarães Fernandez - Presidente da
Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel - ABICS; Guilherme
Braga - Diretor-Geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil;
Breno Pereira de Mesquita - Diretor da Federação da Agricultura e Pecuária
do Estado de Minas Gerais e Presidente da Comissão Técnica de Café da CNA;
Ênio Queijada - Gerente da Unidade de Atendimento Setorial Agronegócios do
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE; Marcus
Mendes de Magalhães - Presidente do Sindicato dos Corretores de Café do
Estado do Espírito Santo - ES; Vanusia Nogueira - Diretora
Executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais. Após assumir a
presidência da Mesa, o Deputado Evair de Melo mencionou o
crescente investimento realizado no Brasil em busca do aumento da
qualidade do café e destacou a
atuação das entidades presentes à Audiência, em seguida passou a palavra
aos convidados: Deputado Silas Brasileiro teceu em sua
apresentação considerações sobre qualidade e importação do café. Ele
informou que o fomento
à qualidade do café envolve o incentivo à adoção de boas práticas no campo
e na indústria, além da necessidade de se educar o consumidor final a
valorizar tipos de café com qualidade superior. Entretanto a expansão da
demanda interna depende de programas de promoção dos atributos de
qualidade e está diretamente relacionada ao poder aquisitivo da população.
Já no âmbito internacional, o Brasil desponta como um grande fornecedor de
cafés de alta qualidade, com aumento de 60% nas exportações em 2014. O
Deputado destacou o papel das cooperativas como facilitadoras ao acesso
dos produtores a recursos importantes para elevar a qualidade dos cafés.
Desse modo, permite-se que o cafeicultor brasileiro receba, em média, mais
de 85% do valor da exportação do café. Com relação à atuação do CNC, o
Deputado Silas Brasileiro informou que o Conselho defende a retomada das
discussões para o estabelecimento de padrões oficiais de identidade e
qualidade do café industrializado, visando à garantia de qualidade do café
referendada pelo poder público e à ampliação da fiscalização na indústria
para coibir fraudes – em especial, a adição de matérias estranhas ao café,
como milho e cevada, antes da sua torrefação. Quanto à importação de café verde,
destacou que o CNC entende a necessidade de se debater o assunto e não
cria objeção inicial às discussões, mas que discorda de medidas que sejam
adotadas sem consultas prévias ao setor produtivo, haja vista o risco de
ocorrer impactos reversos e gerar prejuízos econômicos aos cafeicultores;
Cláudio Borges inicialmente
destacou parcerias realizadas pela APEX com as entidades Sindicafe/SP,
ABIC e BSCA desde 2002. Em seguida, fez uma análise da matriz SWOT com
relação aos cafés especiais produzidos pelo Brasil, mencionando como
pontos fortes, dentre outros aspectos: capacidade de oferta, o fato da
tecnologia brasileira de produção de cafés ser a melhor do mundo, e a alta
margem de lucro dos cafés especiais. Os principais pontos fracos
destacados na matriz foram: poucos
produtores qualificados para atuar globalmente, baixa capacitação
gerencial dos pequenos produtores, dificuldades no acesso aos canais de
distribuição e ausência de mecanismos de seguro e financiamento às
exportações. Como principal oportunidade, foi destacado o fato de o
mercado estar em expansão nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
Já a grande ameaça apontada foi a forte concorrência no mercado
internacional, disse Cláudio; Pedro Rodrigues Alves Silveira
informou que existem, ao total, 102 cooperativas de café no Brasil,
das quais 50 são especializadas em cafés do tipo gourmet. 58% dessas cooperativas
estão localizadas em Minas Gerais e 14% no Espírito Santo. Ele explicou
que as cooperativas são responsáveis pelo armazenamento, beneficiamento e
comercialização do café, bem como por fornecer insumos, serviços e
assistência técnica, além de estarem associadas à mitigação dos impactos
provenientes da redução de renda; Guilherme Braga destacou o
aumento do consumo mundial de café, reportando que o crescimento do
mercado interno brasileiro foi inferior à média mundial nos últimos anos.
Acrescentou que diversos mercados produtores passaram a importar café,
seja para complementar o volume de suas produções, seja para diversificar
as opções de tipos de café em seus mercados. Apresentou, também, a relação
do volume de importações realizadas pelo Brasil nos últimos quatro anos,
com destaque para os cafés do tipo solúvel, dos quais foram importados 49
mil sacas em 2014. Por fim, reiterou a necessidade de que haja uma
discussão mais ampla acerca das importações de café nas suas mais diversas
formas, e não apenas relacionadas ao café verde, objeto da presente
Audiência. Após assumir a presidência da Mesa, o Deputado Luiz Claudio parabenizou a
qualidade das palestras realizadas e reportou a capacidade de geração de
emprego da cafeicultura, e passou a palavra ao próximo convidado: Gabriel Ferreira Bartholo
informou que o foco da pesquisa na Embrapa atualmente reside na
melhoria da qualidade do café. Destacou que diversas regiões no País já
atuam utilizando boas práticas agrícolas na cafeicultura, aprimorando,
dessa forma, a qualidade de suas produções. Isso faz com que os produtores
atuem no mercado de forma mais competitiva, proporcionando melhoria da
qualidade de vida dos cafeicultores; Nathan Herszkowicz inicialmente
detalhou o significado do Selo de Pureza ABIC, explicando que é realizada,
na metodologia para que determinada marca possa adquirir o selo, análise
detalhada dos componentes do café, a fim de se verificar a presença de
substâncias estranhas na amostra. Enfatizou, também, que a produção de
café gourmet adquiriu grande
importância no âmbito de atuação da ABIC, quando, no ano de 2004, foi
lançado o Programa de Qualidade do Café, por meio do qual são emitidos
certificados de qualidade para cafés que atendem padrões predeterminados;
Pedro Guimarães Fernandez
explicou que a indústria de café solúvel brasileira enfrenta graves
problemas. Para corrigi-los, a ABICS pretende estabelecer parcerias
visando aumentar a eficiência produtiva da indústria nacional. O café
solúvel tem grande aceitação no mercado externo, entretanto a grande
maioria do café solúvel exportado pelo Brasil não é comercializada como
produto final, permitindo que países importadores desse produto, como os
Estados Unidos, tenham maior lucratividade ao concluir o processo de
industrialização e revender o produto acabado. Reportou que o mercado do
sudeste asiático tem grande perspectiva de crescimento, porém barreiras
alfandegárias impedem que o Brasil possa exportar café solúvel a países
dessa região. Para que esse impasse possa ser solucionado, o presidente da
ABICS mencionou que a Associação necessita de auxílio para negociar
acordos e, assim, poder penetrar nesse promissor mercado, destacando que
países como México e Equador, que não são tradicionais produtores de café,
não têm barreiras à entrada nesse mercado. Por fim, explicou que para o
desenvolvimento da indústria do café solúvel no Brasil, é necessário que
as empresas do ramo tenham acesso a produto com o mesmo nível de preço que
os competidores internacionais, que importam sua matéria prima de países
como Vietnã, Equador e Índia; Vanusa Nogueira destacou que o
café brasileiro é uma marca mundialmente reconhecida, inclusive por sua
qualidade, mas que não há a divulgação necessária para que a marca possa
desenvolver todo seu potencial. Reportou a intenção da BSCA em criar um
portal para divulgar os diferentes tipos de café existentes no território
brasileiro e informar técnicas corretas de melhores práticas de plantio e
torra do café; André Nassar
defendeu que a destinação de recursos do Fundo de Defesa da Economia
Cafeeira - Funcafé (para pesquisa e marketing) deve ser apresentada pelos
membros do Conselho Deliberativo da Política do Café - CDPC ao Ministério.
Outra questão destacada foi o endividamento do setor. A respeito da
importação de café, informou que a ministra Kátia Abreu pretende discutir
abertura de mercado. Após o Deputado Evair de Melo reassumir a
presidência da Mesa, Marcus Mendes
de Magalhães ressaltou a importância e fez considerações acerca do PL
1.713/2015, além de manifestar, em nome do Sindicato, apoio ao
PL; Breno
Pereira de Mesquita destacou
os riscos ao Brasil da importação de café verde. Informou que a produção
de café
no Brasil é um exemplo para o mundo, por ser o País líder da
produção de café ambientalmente correta e socialmente justa. Porém,
mencionou o alto custo de produção como a principal desvantagem
competitiva do Brasil frente aos demais países produtores de café. Ênio Queijada explicou que a
estratégia do SEBRAE é aumentar a competitividade, eficiência produtiva e
gestão dos pequenos negócios relacionados ao café, com foco em cafés
especiais, diferenciados, de origem, sustentáveis e procedentes de origens
geográficas singulares, de modo a agregar valor aos produtos e gerar maior
renda aos produtores. Como proposições necessárias, ele citou: buscar um
conceito mais objetivo para o café de qualidade,
uniformização
das estatísticas de comércio exterior – alto potencial exportador, porém
com números diferentes, ampliar o Funcafé para produtores de cafés
especiais,
e buscar
melhor integração e governança da cadeia produtiva – agenda estratégica
integrada. O Deputado Carlos
Melles defendeu que as políticas relacionadas ao café sejam realizadas
de forma independente pelo FUNCAFÉ, de modo que o Governo abra mão do
controle estatal sobre esse ramo da agricultura. Por fim, o Presidente passou a
palavra aos convidados para as considerações finais. Nada mais havendo a
tratar, o Presidente agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às quatorze
horas e um minuto. Antes, porém, convocou os Senhores Parlamentares para
Reunião Ordinária (Audiência Pública), no dia 15 de setembro, terça-feira, às 14h30 horas, no
Plenário 6. O inteiro teor foi gravado, passando as notas taquigráficas a
integrarem o acervo documental desta reunião. E, para constar, eu, Moizes
Lobo da Cunha, ______________________________, secretário, lavrei a
presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo
Presidente, Deputado Evair de Melo _________________________________, e
publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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