|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA QUADRAGÉSIMA SEXTA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA)
REALIZADA
EM 27 DE AGOSTO DE 2015.
|
Às
dez horas e vinte e cinco minutos do dia vinte e sete de agosto de dois
mil e quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento
e Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 04 da Câmara dos Deputados.
Estiveram presentes os Deputados: Carlos Henrique Gaguim -
Vice-Presidente; Nilson Leitão – 3º Vice-Presidente; Adilton Sachetti,
Afonso Hamm, André Abdon, Dilceu Sperafico,
Celso
Maldaner, Evair de Melo, Evandro Roman, Heitor Schuch, Jony Marcos, Kaio
Maniçoba, Luiz Nishimori, Marcelo Castro, Marcon, Odelmo Leão, Raimundo
Gomes de Matos, Ricardo Teobaldo, Tereza Cristina, Zé Carlos e Zé Silva –
Membros Titulares; Alceu Moreira, Dr. Sinval Malheiros, Marcelo Aro e
Professor Victório Galli – Suplentes. Compareceram também os Deputados:
Edinho Bez, Hildo Rocha, Luiz Carlos Ramos e Weliton, não membros da
Comissão. Deixaram de comparecer os Deputados: Abel Mesquita Jr., Assis do
Couto, Beto Faro, Bohn Gass, César Halum, César Messias, Elcione Barbalho,
Francisco Chapadinha, Hélio Leite, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo
Goergen, João Daniel, Josué Bengtson, Luis Carlos Heinze, Luiz Cláudio,
Nelson Meurer, Newton Cardoso Jr, Onyx Lorenzoni, Pedro Chaves, Roberto
Balestra, Rogério Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa, Sérgio Moraes, Silas
Brasileiro, Valdir Colatto, Valmir Assunção e Zeca do PT.
ABERTURA: O Presidente em
exercício, Deputado Alceu Moreira, declarou aberta a reunião, cumprimentou
todos e agradeceu a presença. Em seguida, esclareceu que o propósito da
Audiência seria “Debater o déficit da balança comercial de lácteos
registrado no primeiro semestre de 2015 e medidas de incentivo às
exportações de lácteos”, objeto do Requerimento nº 116/2015, de sua
autoria em conjunto com o Deputado Marcon. O
Presidente explicou os procedimentos para uso da palavra na reunião
e convidou para compor a Mesa: Caio
Rocha - Secretário do Produtor Rural e Cooperativismo do MAPA; Odilson
Ribeiro - Diretor do Departamento de Negociações não Tarifárias da
SRI/MAPA; Paulo Márcio M. Araújo - Assistente da Diretoria do Departamento
de Negociações não Tarifárias da SRI/MAPA; Airton Spies - Secretário de
Estado Adjunto da Agricultura e Pesca de Santa Catarina; Rodrigo Sant'anna
Alvim - Presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Leite da
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA; Raul Augusto L.
Amaral - 2° Vice-presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios e
Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul - SINDILAT; Oreno
Ardêmio Heineck - Diretor-Executivo do Instituto Gaúcho do Leite - IGL;
Marcelo Costa Martins - Diretor-Executivo da Associação Brasileira de
Laticínios - Viva Lácteos; Eduardo Caldas - Gestor de Projetos da Agência
Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos - Apex-Brasil; Pedro
Rodrigues Alves Silveira - Analista da Gerência Técnica e Econômica da
Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Argileu Martins da Silva -
Presidente da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência
Técnica e Extensão Rural - ASBRAER; Wilson Massote Primo -
Diretor-Executivo da Associação Brasileira de Pequenas e Médias
Cooperativas e Empresas de Laticínios - G100. Caio Rocha informou que, sob a
coordenação da Ministra Kátia Abreu, o Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (MAPA) está elaborando projeto para tratar de assuntos
relacionados ao leite, com significativo volume de recursos, envolvendo os
estados brasileiros em que 80% do leite é produzido ou comercializado.
Nesse programa, serão constituídas bases para fomentar as exportações de
lácteos, desde a assistência técnica ao controle de doenças - como a
brucelose e a tuberculose bovina - além de questões relacionadas à
exportação, melhoramento genético e regulamentação. Em sua apresentação,
Caio Rocha destacou que o Brasil produz, por ano, 1,2% a mais do que
consome, o que leva o Ministério a priorizar a programação relativa à
exportação. Quanto a este item da pauta, o palestrante relacionou a Rússia
e a China como mercados alvos, por serem grandes importadores mundiais. Odilson Ribeiro explicou que a
produção nacional de produtos lácteos tem aumentado mais do que o consumo.
Dessa forma, o recurso a ser utilizado - para escoar a produção e,
consequentemente, reduzir o déficit da balança comercial - é aumentar a
exportação, buscando, principalmente, novos mercados importadores de
produtos lácteos. Destacou que os maiores produtores mundiais de lácteos
na atualidade são, respectivamente: Estados Unidos, Índia, China e Brasil.
Já os maiores importadores: China, Índia, Rússia, União Europeia e Arábia
Saudita, nessa ordem. Odilson informou, também, que a principal razão do
déficit na balança comercial brasileira é a importação de lácteos de
países do Mercosul. Esclareceu que há grandes incentivos fiscais para
importação desses produtos advindos de nações integrantes do bloco
sul-americano, já que países que não fazem parte do Mercosul pagam quase
15% de taxa antidumping, além de tarifa de importação de 28% sobre
produtos lácteos. Argileu Martins
da Silva destacou a importância de se organizar os produtores de leite
para conquistar novos mercados, utilizando-se, dessa forma, as melhores
características de cada segmento produtivo. Além disso, pontuou a
necessidade de se resolver a questão da importação de lácteos da Argentina
e Uruguai, a qual entende ser, sobretudo, uma questão política. Por fim,
fez ressalva de que são indispensáveis investimentos em pesquisas para
produção de lácteos de qualidade, como forma de ampliação do mercado de
produtos lácteos. Eduardo Caldas
inicialmente explicou a forma de funcionamento e de atuação da APEX no
mercado. Em seguida, demonstrou a importância de se construir uma
percepção externa positiva do País, como medida de inserção em novos
mercados. Destacou que as principais metas para o mercado de produtos
lácteos são a diversificação de mercados e a consolidação da exportação
para alguns países que já importam produtos brasileiros. Além disso, fez
menção à importância de uma agenda comum entre as empresas, para que a
“marca Brasil” seja valorizada de forma clara e consistente. Marcelo Costa Martins pontuou que
a balança comercial brasileira é deficitária, porém, pela primeira vez
desde abril de 2014, o Brasil teve superávit - em julho de 2015. Comparou
a taxa de crescimento da produção com a de consumo de lácteos, mostrando
que de 2009 a 2011 o crescimento do consumo foi superior ao da produção,
fazendo com que, naquele momento, se priorizasse o abastecimento do
mercado interno. No entanto, nos anos seguintes, houve inversão: a
produção passou a ser maior do que o consumo. O palestrante sugeriu,
então, que se aumentasse a demanda, interna e externa, para que as
empresas pudessem vender seus produtos, de forma que o equilíbrio entre produção e consumo fosse
restaurado. Informou, em seguida, que a Viva Lácteos é executora de
projeto de promoção de exportações de
produtos lácteos promovido pela APEX-Brasil, que visa ampliar as
exportações desses produtos e alcançar novos mercados, em especial Angola,
Arábia Saudita, Estados Unidos, Argélia, Emirados Árabes Unidos e Rússia.
Mencionou, por fim, a importância da melhoria da qualidade da produção
leiteira nacional para o aumento da competitividade no mercado
internacional. Rodrigo Sant’anna
Alvim informou que a situação brasileira, quanto à balança comercial,
é, além de deficitária, semelhante à da década de 1990 – período em que o
Brasil importava grande quantidade de produtos lácteos. Em razão de acordo
firmado junto ao Mercosul, atualmente os principais exportadores para o
Brasil são, respectivamente, Uruguai e Argentina. Destacou também a
necessidade de se subsidiar os produtores com assistência técnica
especializada para que eles possam melhorar a qualidade de sua produção.
Entretanto, ressaltou que já há mentalidade incorporada ao setor de
produção láctea acerca da importância do marketing para ampliação do
mercado externo. Pedro Rodrigues
Alves Silveira apresentou a Organização das Cooperativas Brasileiras
(OCB) e a importância da Instituição para a captação de leite. Destacou
que as importações causam grande impacto na depreciação de preços, que
tendem a cair ainda mais ao longo de 2015. Reportou que é necessário
ampliar mercados para escoar volumes de produção, que são maiores do que
os de consumo. Informou sobre a necessidade do fortalecimento do setor
produtivo de lácteos por meio de políticas públicas, para que se possa
gerar renda e buscar sustentabilidade, com consequente aumento de
competitividade. Além disso, o palestrante mencionou a importância de se
alinhar políticas públicas para a melhoria da renda na cadeia de lácteos,
com a ampliação dos mercados internos e externos. Airton Spies defendeu que para
aumentar a competitividade no mercado é necessário que o País passe a
produzir leite de alta qualidade, a baixo custo, em propriedades rurais
pequenas e em cadeias produtivas bem organizadas. A grande capacidade de
produção de biomassa no país deve ser explorada de forma mais eficiente,
em razão da alta luminosidade incidente no território nacional durante
grande parte do ano e da grande quantidade de água disponível. Nesse
sentido, ele destacou a baixa produtividade nacional quando comparada à
Nova Zelândia, país com capacidade de produção de biomassa inferior à
brasileira, mas que, no entanto, tem maior eficiência produtiva por fazer
uso de forma mais racional de seus recursos naturais. Destacou, também, a
importância de se respeitar os princípios da sustentabilidade, em
especial, neste caso, o bem-estar animal, como forma de se reduzir
eventuais riscos de contaminação para os consumidores finais. Oreno Ardêmio Heineck destacou
que o cenário atual para o mercado lácteo é adverso, pois, dentre outros
fatores, somente 40% da produção gaúcha é consumida internamente. E, além
disso, o consumo interno aumenta ao ritmo de 2% a.a., enquanto a produção
cresce a 7% a.a. Oreno Ardêmio apresentou como sugestões iniciar,
imediatamente, negociações bilaterais para restringir importação de
lácteos, por, no mínimo, dois anos - especialmente do Uruguai - além de se
rever todos os acordos já existentes com aquele país. Como medidas de
incentivo às exportações de lácteos, o palestrante ressaltou a necessidade
de controle e erradicação da tuberculose e brucelose bovina, além de se
iniciar a implantação de rastreabilidade bovina leiteira total, com
métodos como a identificação individual dos animais com brincos,
utilizando-se numeração SISBOV e chip eletrônico. Raul Augusto explicou que a cadeia produtiva do leite
gera oportunidades de negócio tanto para os pequenos produtores quanto
para as grandes multinacionais. Fez críticas à importação realizada de
países que, apesar da baixa produção, exportam grande parte do leite e
derivados produzidos para o Brasil, em especial, Argentina e Uruguai -
beneficiados por acordo firmado no âmbito do Mercosul. Wilson Massote Primo solicitou
que as entidades e autoridades presentes prestassem maior apoio às
pequenas e médias empresas do setor leiteiro que estão em situação de
pré-falência, em razão, principalmente, da falta de capital de giro.
Explicou que o G-100 foi criado há doze anos para lutar pela sobrevivência
dessas empresas e que, neste momento de dificuldade, está novamente
trabalhando em diversas esferas para auxiliá-las a se recuperarem. O
Deputado Celso Maldaner
manifestou preocupação com os pequenos produtores de leite e destacou
a necessidade de se realizar auditoria relacionada à importação de lácteos
do Uruguai. O Deputado Afonso
Hamm citou duas vertentes a serem concentradas para escoar a produção
leiteira: investimento em marketing - para ampliação do mercado interno; e
utilização de empresas-âncoras, aliadas à melhoria da qualidade dos
produtos, para aumentar a exportação de produtos derivados do leite. A
Deputada Tereza Cristina
destacou a importância da rastreabilidade animal para erradicação de
doenças como a tuberculose bovina. A Deputada ressaltou, também, a
importância da qualidade da produção leiteira para o aumento da exportação
de produtos lácteos.
Por fim, o Presidente passou a palavra aos convidados para as
considerações finais. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
todos e encerrou os trabalhos às treze horas e quatro minutos. Antes,
porém, convocou os Senhores Parlamentares para Reunião Ordinária
(Deliberativa), dia 2 de setembro,
quarta-feira, às dez horas, no Plenário 6. O inteiro teor foi
gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental
desta reunião. E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
______________________________, secretário, lavrei a presente Ata, que por
ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Alceu
Moreira _________________________________, e publicada no Diário da Câmara
dos Deputados.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx |