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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA QUADRAGÉSIMA TERCEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) REALIZADA EM 20
DE AGOSTO DE 2015.
Às
catorze horas e dezesseis minutos do dia vinte de agosto de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural, no Anexo II, Plenário 6 da Câmara dos Deputados.
Presentes os Deputados Carlos Henrique Gaguim - Vice-Presidente; Adilton
Sachetti, Assis do Couto, Evair de Melo, Heitor Schuch, Marcelo Castro,
Odelmo Leão, Raimundo Gomes de Matos, Ricardo Teobaldo, Silas Brasileiro e
Zeca do Pt - Titulares; Marcos Montes e Ronaldo Benedet – Suplentes;
Compareceram também os Deputados Covatti Filho, Edinho Bez e Jaime
Martins, como não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Abel
Mesquita Jr., Afonso Hamm, André Abdon, Beto Faro, Bohn Gass, Celso
Maldaner, César Halum, César Messias, Dilceu Sperafico, Elcione Barbalho,
Evandro Roman, Francisco Chapadinha, Hélio Leite, Heuler Cruvinel, Irajá
Abreu, Jerônimo Goergen, João Daniel, Jony Marcos, Josué Bengtson, Kaio
Maniçoba, Luis Carlos Heinze, Luiz Cláudio, Luiz Nishimori, Marcon, Nelson
Meurer, Newton Cardoso Jr, Nilson Leitão, Onyx Lorenzoni, Pedro Chaves,
Roberto Balestra, Rogério Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa, Sérgio Moraes,
Tereza Cristina, Valdir Colatto, Valmir Assunção, Zé Carlos e Zé Silva.
Justificaram a ausência os Deputados Kaio Maniçoba, Luiz Nishimori e
Nilson Leitão. ABERTURA:
O Deputado Bohn Gass, no exercício da Presidência, declarou abertos os
trabalhos e cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos parlamentares e
convidados, e esclareceu que a reunião tinha a finalidade de "Debater
sobre o Projeto de Lei nº 6459/2013, o qual 'dispõe sobre os contratos de
integração, estabelece condições, obrigações e responsabilidades nas
relações contratuais entre produtores integrados e integradores e dá
outras providências", objeto do Requerimento nº 085/2015, de autoria do
Deputado Bohn Gass - PT/RS. O Presidente
esclareceu as regras para o procedimento da reunião e convidou para
compor a Mesa os seguintes convidados:
João
Antônio Fagundes Salomão - Coordenador-Geral de Assuntos da Pecuária do
Departamento de Comercialização e Abastecimento da Secretaria de Política
Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento/MAPA;
Jurandi Teodoro Gugel - Coordenador-Geral de Diversificação Econômica e
Apoio à Agroindústria - DGRAV/SAF/MDA; Bruno Barcelos Lucchi -
Superintendente Técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil - CNA; Antoninho Rovaris - Secretário de Meio Ambiente da
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG; Jurandi
Machado - Representante da Associação Brasileira de Proteína Animal - ABPA
e da Associação Gaúcha de Avicultura - ASGAV; Marcelo Lopes - Presidente
da Associação Brasileira de Criadores de Suínos - ABCS; Fernando Cezar
Ribeiro - Presidente da Associação Brasileira dos Avicultores Integrados;
e Nilo de Sá - Diretor-Executivo da Associação Brasileira de Criadores de
Suínos - ABCS.
Após, o Presidente passou a palavra aos Senhores convidados: Bruno
Barcelos Lucchi,
que cumprimentou a todos os presentes e destacou a evolução da cadeia de
aves e suínos em relação às outras cadeias, tornando-se uma referência nos
aspectos de dinamicidade e competitividade, entretanto, ponderou que é
preciso melhorar no aspecto das relações comerciais. Frisou, também, que o
Projeto de Lei nº 6459/2013 deverá garantir um modelo de remuneração ao
produtor e promoverá, também, segurança jurídica nos contratos comerciais
entre produtores e indústria. Ressaltou, também, que as CADECS e o
FONEAGRO são canais que deverão elevar o diálogo e diminuir as assimetrias
comerciais entre produtor e indústria, permitindo o acesso do produtor às
informações e à composição do seu custo e da sua remuneração. Observou,
ainda, que o Projeto de Lei deverá estabelecer obrigações claras que serão
cumpridas entre as partes criando um ambiente de equilíbrio comercial
entre os integrantes da cadeia;
Antoninho
Rovaris,
que cumprimentou a todos os presentes e registrou ser relevante a
instauração desse marco legal como forma de dar continuidade e viabilidade
às cadeias produtivas que estão organizadas. Disse, ainda, que existem
outras cadeias envolvidas e que suas diversidades e diferenciações não
foram contempladas, ao contrário da cadeia de frangos e suínos que estão
no foco desse Projeto de Lei. Ponderou, ainda, sobre a necessidade de
fazer uma análise mais apurada e incluir as outras cadeias no escopo desse
projeto. Fez, ainda, uma ressalva declarando que o processo de negociação
para normatizar as relações comerciais dessa cadeia produtiva não é
recente, como leva a crer o representante da CNA, mas já iniciou há pelo
menos dois anos. Ressaltou, também, que já houve um acordo entre
representantes dos produtores e das indústrias que não se efetivou por
culpa das empresas e que, dez meses depois, foi recolocada outra proposta
que não foi discutida com toda a cadeia e, por esta razão, não a
reconhecem como representativa do setor produtivo. Enfatizou, ainda, que a
proposta que ora estava sendo discutida e foi conhecida pelos produtores
informalmente, deixa o setor produtivo exatamente como se encontra, no
qual o mercado domina toda a situação e sem representação paritária.
Sugeriu, por fim, discutir novamente todo o processo e incluir emendas que
já foram debatidas pelos parlamentares, buscando propostas que sejam
efetivamente viáveis para todos; Jurandi Machado,
que cumprimentou a todos os presentes e, utilizando recursos audiovisuais,
demonstrou que o sistema de integração é bastante complexo e se expandiu
de forma grandiosa que urge que tenha normatização em seus diferentes
elos, revista e atualizada, de maneira que as relações comerciais sejam
modernizadas e promovendo mais eficiência ao setor. Destacou, também, que
a partir dos anos setenta a avicultura e suinocultura se desenvolveram e
representam, atualmente, 80 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB),
gerando 4,155 milhões de emprego e totalizando US$ 11,8 bilhões das
exportações em 2014. Declarou, por fim, que o setor precisa criar
mecanismos que permita que haja equidade e eficiência na distribuição dos
recursos e das margens de lucros e concluiu procedendo à leitura de um
documento enviado pelo Sr. Francisco Turra, Presidente-Executivo da
Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA, e dirigido ao Presidente
da Comissão de Agricultura, destacando o apoio da ABPA à aprovação do
Projeto de Lei e considerando-o como a consolidação do marco jurídico e
que, finalmente, seja estabelecida a segurança jurídica nas relações
comerciais entre integrados e integradoras; Marcelo Lopes,
que cumprimentou a todos os presentes e declarou que participa das
negociações com a CNA, com os produtores e todas as entidades, há mais de
dois anos, e sentiu-se frustrado em várias ocasiões por realizar acordos
que não são efetivados por inúmeros motivos injustificáveis. Ponderou que
a Associação dos Criadores que preside está trabalhando visando adotar o
preço de referência como preço mínimo nas negociações com as indústrias e
não somente pelo preço mínimo como é feito atualmente, além de determinar
uma base de preço para as CADECS – Comissão de Acompanhamento,
Desenvolvimento e Conciliação da Integração - atuarem e que deverá ser
cumprida. Completou, ainda, que os preços de referência abrangerão todos
os custos operacionais, a depreciação e, também, os valores de
investimentos por parte dos produtores. Defendeu a proposta destacando que
ela promove ganhos para os produtores e que é necessário estarem
organizados, pois algumas CADECS não funcionam como deveriam; Nilo de Sá,
que cumprimentou a todos e, fazendo uso de recursos audiovisuais,
demonstrou que já foi iniciada uma discussão sobre o trabalho das CADECS
mesmo sem a aprovação do projeto de Lei e que o entendimento predominante
na ABCS é ter uma CADEC forte e organizada para lutar por condições mais
justas, superando, inclusive, a aprovação do Projeto de Lei e a obtenção
de uma renda mínima. Defendeu que a força do setor está na sua
organização, na obtenção das informações pertinentes e na busca de
condições justas. Relatou, ainda, sobre os produtores encontrarem-se
desmobilizados, inexistência de diálogo entre produtores e integradora,
falta de planilha de remuneração ou planilhas defasadas, desconhecimento
na definição das metas, metas muito arrojadas e falta de transparência na
remuneração e meritocracia. Ponderou, também, que o Projeto de Lei não
pode ser considerado o melhor, mas foi feita a proposta possível e que as
discussões sobre a composição da remuneração dos produtores, junto às
CADECS mais bem sucedidas no país atualmente, são balizadas pelos custos
operacionais, despesas financeiras, lucro e meritocracia. Informou, ainda,
que as CADECS são compostas por produtores integrados, associações
representativas de produtores integrados, integradora e associações
representativas das integradoras, e tratam da análise dos resultados
técnicos e financeiros, definição das metas, definição do valor de
referência e identificação de oportunidades; Fernando Cezar
Ribeiro,
que cumprimentou a todos e agradeceu o convite para participar da
Audiência Pública e ponderou que em torno de noventa por cento da produção
de frangos no país é baseada no sistema de integração, enquanto que na
produção de suínos esse sistema representa em torno de quarenta por cento e,
por esta razão, esse Projeto de Lei é muito importante para o segmento da
avicultura. Informou, ainda, que há atualmente uma concentração elevada de
empresas que absorvem a produção dos avicultores e isso reflete na redução
sistemática de suas remunerações, enquanto que as maiores são pagas às
pequenas indústrias que tem o sistema de integração. Destacou, também, que
isso ocorre principalmente porque não existe uma regulação jurídica que dê
segurança aos produtores e que no Projeto de Lei, cuja discussão ocorre há
mais de quatro anos, foram incluídos alguns mecanismos de proteção aos
produtores, apesar da discordância sistemática da indústria. Frisou,
ainda, que os avicultores concordam com o valor de referência se este for
considerado como valor mínimo de remuneração, entretanto, se o valor de
referência for calculado sobre a média de fatores variados que refletirá
em remunerações variáveis, não haverá a concordância dos produtores.
Concluiu, declarando ser muito importante que conste no Projeto de Lei
como seria a escolha das entidades representativas dos produtores que
compõem as CADECS, visto que atualmente são as indústrias que, a seu
critério, escolhem os produtores que as integrarão; Jurandi Teodoro
Gugel,
que cumprimentou a todos e registrou o esforço positivo e o estágio
avançado já atingido no debate para obter um marco legal que ampare e dê
segurança aos contratos assinados entre produtores e integradoras, em um
setor de reconhecida importância econômica e social para o país que é o de
suínos e aves. Informou, ainda, que em uma nota técnica divulgada pelo
Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2014, ressaltava a importância
do marco legal e recomendava a correção de distorções que surgiam nos
contratos assinados entre os integrados e as agroindústrias e sugeria,
também, que a representatividade dos produtores junto as CODECS tivessem a
força e coesão necessárias para discutir um processo de negociação.
Frisou, ainda, sobre a necessidade de levar ao conhecimento, especialmente
dos produtores, sobre a composição e cálculo final de suas remunerações.
Por fim alertou para o alto nível de endividamento de inúmeros
agricultores familiares que financiam suas estruturas com a verba do
PRONAF e que, por tratar-se de um importante subsídio, o investimento na
cadeia produtiva deixa de ser contemplado; João Antônio Fagundes
Salomão,
que cumprimentou a todos e parabenizou o Presidente em exercício pela
iniciativa da reunião e esclareceu que no parecer sobre o Projeto de Lei
em questão o Ministério da Agricultura indicava que o setor tinha sua
dinâmica própria, buscava as soluções para seus problemas e entendeu que
naquele momento o Ministério não deveria participar das discussões.
Posteriormente, completou, com o acompanhamento do debate, percebeu a
necessidade de um marco legal em vista da carência de segurança jurídica,
da perspectiva de retorno dos investimentos dos produtores e pagamento do
custeio. Declarou que o Ministério apoia o mérito do Projeto de Lei, que
virá a preencher uma lacuna, além de reconhecer a importância das CADECS,
nas quais serão centralizadas as discussões e decisões, sendo que as
representações deverão ser paritárias. Defendeu, também, que se defina com
base científica a metodologia aplicada na determinação dos valores de
referência, para que as discussões não girem em torno de preços e promova
uma estabilidade maior aos produtores. O Presidente prosseguiu a reunião
concedendo a palavra aos Senhores Valdecir Luís
Folador
– Presidente da Associação de criadores de suínos do Rio Grande do Sul/
ACSURS; Amarildo A.
Brustolin –
da Federação de Agricultura do Estado do Paraná - FAEP; Adroaldo Hoffmann –
Presidente da Associação de Avicultores de Mato Grosso do Sul - AVIMASUL;
Emir
Tezza
– da Associação dos Avicultores Sul Catarinense; Valberto Arns
– Avicultor; Cícero
Moreira Ipiranga
– Presidente da Associação dos Produtores Integrados do Estado da Bahia –
AIAVEBAHIA; João
Valmir do Amaral
– da Associação de Avicultores do Vale da Produção – AVIVAP; Walmir Fontanella
Fabro
- da Associação dos Avicultores Sul Catarinense; Gilmar Antônio
Zanluchi
– Diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa
Catarina – FAESC; Adimir Pastre
– Diretor da Associação dos Avicultores Integrados do Sudoeste do Paraná –
AVISUD; Erikson
Linus Wantowski
– Avicultor e Vereador do estado de Santa Catarina. Em seguida, passou a
palavra aos Deputados inscritos: Assis do Couto,
Valdir
Colatto,
Celso Maldaner,
Zeca do PT, Heitor Schuch e
Covatti
Filho.
Em sequência, o Presidente concedeu a palavra aos convidados para as
considerações finais. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
todos e encerrou os trabalhos às dezesseis horas e cinquenta e seis
minutos, antes, porém, convidou os Senhores Parlamentares para Reunião
Ordinária de Audiência Pública dia 25 de agosto, terça-feira, às 14h30, no
plenário 6, para: "Debater sobre as Instruções Normativas nº 56/2007 e
59/2009, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA,
que estabelecem os procedimentos para registro, fiscalização e controle de
estabelecimentos avícolas de reprodução e comerciais". O inteiro teor foi
gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental
desta reunião. E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
_______________________________, secretário, lavrei a presente Ata, que
por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em exercício,
Deputado Bohn Gass _______________________________, e publicada no Diário
da Câmara dos Deputados.
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