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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 34ª
REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 26 DE AGOSTO DE 2015
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Às onze horas e trinta e dois minutos
do dia vinte e seis de agosto de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão
de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, no Anexo II, Plenário 03 da
Câmara dos Deputados, com a presença da Deputada Jô Moraes – Presidente; dos Deputados Bruna
Furlan e Carlos Zarattini - Vice-Presidentes; Benito Gama,
Deley, Henrique Fontana, Heráclito Fortes, Jefferson Campos, Marco Maia e
Pastor Eurico - Titulares;
Caetano, Fernando Marroni, Luiz Nishimori e Newton Cardoso Jr – Suplentes. Compareceu também o
Deputado Orlando Silva, como não membro. Deixaram de comparecer os
Deputados Antônio Jácome, Arlindo Chinaglia, Arthur Oliveira Maia, Átila
Lins, César Halum, Chico Lopes, Claudio Cajado, Eduardo Barbosa, Eduardo
Cury, Ezequiel Fonseca, Ivan Valente, Jarbas Vasconcelos, Jean Wyllys,
Luiz Lauro Filho, Marcus Vicente, Nelson Marquezelli, Paulo Abi-Ackel,
Rômulo Gouveia, Rosangela Gomes, Rubens Bueno, Stefano Aguiar, Subtenente
Gonzaga e Takayama. Apresentaram escusas os Deputados Cabo Daciolo e Cesar
Souza. ABERTURA: a Presidente deu
inicio à Reunião Extraordinária de Audiência Pública explicando que
ela
decorria da aprovação dos Requerimentos n°s 53 e 76, de autoria do
Deputado
Heráclito Fortes, aprovados pela Comissão. Explicou que a audiência
tinha por
objetivo debater a migração e o
tratamento a estrangeiros no País. Ato contínuo, a Presidente convidou
a compor a Mesa
o Senhor
Beto Vasconcelos, Secretário Nacional
de Justiça;
o
Padre Paolo Parise, Diretor da
Missão Paz; e a Senhora Juana Kweitel, Diretora de Programas da
Conectas Direitos Humanos.
Nesse momento, a Presidente passou a direção dos trabalhos ao Deputado
Heráclito Fortes que registrou o desapontamento com a ausência do Ministro
da Justiça à reunião, cujo nome constava do rol de convidados da audiência
pública. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao Senhor Beto
Vasconcelos que informou que o Ministro da Justiça pedira que ele
cumprimentasse a todos por ele. O expositor afirmou
que os registros da Organização das Nações Unidas indicavam que havia 230
milhões de imigrantes no mundo, sendo que em 2014 foram registradas 60
milhões de pessoas deslocadas no mundo, dos quais 20 milhões eram
refugiados. Esclareceu que o Brasil tinha um processo histórico de
construção da sociedade forjada em fluxos migratórios. No entanto, no País
havia uma quantidade de estrangeiros menor do que havia na grande maioria
dos países em desenvolvimento, representando uma parcela inferior a 1% da
população brasileira. Explicou que havia uma estimativa de 2 a 3 milhões
de brasileiros emigrantes. Portanto, havia mais brasileiros no exterior do
que imigrantes de outras nacionalidades no Brasil. Destacou que nos
últimos 20 anos o Brasil vinha desenvolvendo uma política migratória
humanista, aberta e progressista,
apesar de ter uma legislação extemporânea, que fora promulgada no período
da ditadura no país. Portanto, concebida sob a doutrina da lei de
segurança nacional, uma lei hermética, burocrática que possuía mais
vedações e restrições que direitos e que não possuía mecanismos eficientes
e permanentes de políticas humanitárias. Uma lei que requeria e
necessitava de revisão. Defendeu uma legislação que contemplasse direitos
e garantias para imigrantes no Brasil. Conceitos inexistentes na
legislação atual; uma lei que implementasse princípios de políticas
públicas voltadas à imigração e emigração de brasileiros e que
incorporasse direitos aos trabalhadores imigrantes. Defendeu também a
necessidade das discussões do assunto na Casa para aprimorar e conjugá-lo
com os preceitos constitucionais existentes. Afirmou que a migração não
era uma questão de segurança pública, nem de saúde. Era uma questão de
direitos humanos. Afirmou que o debate do assunto estava sendo conduzido
de forma suprapartidária, isenta de debates políticos, de maneira bastante
serena, consentânea com a história que o País tinha de convergência
migratória, compreendendo a migração como um processo de construção da
sociedade de qualquer País. Nesse
momento, o Presidente passou a palavra ao Padre Paolo Parise que
falou que
aproximadamente 12.000 das anistias a imigrantes concedidas em 2009 foram
feitas por intermédio da Missão Paz. Destacou que também fazia parte de um
grupo chamado “Scalabrinianos”, que acompanhava os brasileiros que viviam
em alguns países. Fez um breve histórico da Missão Paz, falou sobre a sua
estrutura e a sua atuação em relação aos imigrantes. Ressaltou que a
situação dos imigrantes era complexa e merecia ser tratada com toda a sua
complexidade e profundidade. Citou a dificuldade que um imigrante tinha
para alugar uma casa e para abrir uma conta bancária, a demora na obtenção
de documentos, a carência na capacitação de funcionários que atendiam os
imigrantes e o despreparo cultural e religioso dessas pessoas. Afirmou, no
entanto, que no último ano houvera um avanço político sobre a questão e
citou os mutirões realizados para obtenção de carteira de trabalho, com
posterior descentralização na emissão do documento; a emissão de vistos
humanitários para os haitianos; o aumento de emissão de vistos; a abertura
de novas casas de acolhida; o Programa Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego (Pronatec) e a tentativa de se olhar as rotas
migratórias onde agiam os coiotes. Ressaltou que existiam desafios, como
superar a lei migratória atual e instituir uma política migratória
integrada e proativa. Também ressaltou que não se podia ver o imigrante
como uma ameaça. Em relação ao Projeto de Lei sobre migração que estava
tramitando no Congresso Nacional, defendeu a urgência na indicação dos
membros para a comissão especial que trataria do assunto e a criação de um
órgão específico para a emissão de documentos para os imigrantes. Destacou
a necessidade de se pensar em quem ficaria responsável pela gestão da
política migratória e defendeu que essa política migratória deveria ser
sempre pautada pela lógica dos direitos humanos. Em seguida, o
Presidente passou a palavra à Senhora Juana Kweitel que disse que era uma imigrante e que enfrentara
dificuldades para conseguir regularizar a sua situação no País. Afirmou
que era preciso ouvir os imigrantes e sugeriu que os próximos debates
fossem feitos com a participação deles para ajudar os parlamentares a
entender a questão com profundidade. Defendeu uma nova lei que tratasse de
migração e elencou os seguintes motivos: a lei atual não era coerente com
os princípios constitucionais brasileiros; era preciso mostrar para a
sociedade a visão de uma sociedade humanitária; e o Brasil teria a
oportunidade de, com uma política migratória humanista e de acolhida,
mostrar a outros países que possuíam uma política securitária sobre o
assunto que outros modelos de migração eram possíveis. Ressaltou que o
Projeto de Lei em tramitação no Congresso Nacional trazia avanços
importantes, entre eles: trazia com clareza o princípio da não
discriminação do imigrante e o combate à xenofobia, facilitava a
regularização, previa a acolhida humanitária e trazia a ideia da criação
de uma autoridade civil migratória. Ressaltou, no entanto, que o referido
projeto poderia ser aperfeiçoado e fez as seguintes sugestões: que não
houvesse discriminação entre o imigrante registrado e o não registrado;
que a nova lei deixasse claro que a Polícia Federal, ao atuar no controle
das fronteiras, estivesse submetida aos alinhamentos e diretrizes da
autoridade civil migratória; que ficasse clara a proibição de prisão por
motivos migratórios; a previsão de visto temporário para quem estivesse
cumprindo pena; que fossem contemplados a obrigação da fundamentação dos
atos administrativos migratórios, a possibilidade do contraditório nas
decisões migratórias, da ampla defesa e de recurso que suspenda os efeitos
dos atos administrativos migratórios até que haja uma decisão definitiva.
Destacou que a nova lei migratória seria apenas o começo e defendeu a
criação de uma política migratória. Em seguida, passou-se à lista
dos parlamentares inscritos.
Fizeram uso da palavra para comentários e questionamentos os
Deputados Marco Maia, Henrique Fontana, Jô Moraes e Benito Gama. Em sequência, o Presidente
franqueou a palavra aos convidados, que atenderam e
responderam as perguntas formuladas. ENCERRAMENTO: Nada
mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
presença dos convidados, dos senhores parlamentares e dos demais
presentes e
encerrou os trabalhos às treze horas e dezoito minutos. E, para
constar,
eu ______________________, Edilson Holanda Silva,
Secretario-Executivo,
lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será
assinada pelo
Presidente em exercício, Deputado Heráclito Fortes
_____________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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