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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA QUADRAGÉSIMA PRIMEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA) REALIZADA EM 18
DE AGOSTO DE 2015.
Às
quinze horas do dia dezoito de agosto de dois mil e quinze, reuniu-se a
Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural,
no Anexo II, Plenário 6 da Câmara dos Deputados. Presentes os Deputados
Carlos Henrique Gaguim e Nilson Leitão - Vice-Presidentes; Adilton
Sachetti, Celso Maldaner, César Halum, Evandro Roman, Francisco
Chapadinha, Heitor Schuch, Hélio Leite, Jony Marcos, Luis Carlos Heinze,
Luiz Nishimori, Nelson Meurer, Odelmo Leão, Raimundo Gomes de Matos,
Ricardo Teobaldo, Tereza Cristina, Valdir Colatto e Zé Silva - Titulares;
Afonso Motta, Alberto Filho, Alexandre Baldy, Átila Lins, Carlos Melles,
Luciano Ducci, Nelson Marquezelli e Professor Victório Galli – Suplentes.
Compareceu, também, o Deputado Fausto Pinato, como não-membro. Deixaram de
comparecer os Deputados Abel Mesquita Jr., Afonso Hamm, André Abdon, Assis
do Couto, Beto Faro, Bohn Gass, César Messias, Dilceu Sperafico, Elcione
Barbalho, Evair de Melo, Heuler Cruvinel, Irajá Abreu, Jerônimo Goergen,
João Daniel, Josué Bengtson, Kaio Maniçoba, Luiz Cláudio, Marcelo Castro,
Marcon, Newton Cardoso Jr, Pedro Chaves, Roberto Balestra, Rogério Peninha
Mendonça, Ronaldo Lessa, Sérgio Moraes, Silas Brasileiro, Valmir Assunção,
Zé Carlos e Zeca do PT. Justificou a ausência o Deputado Onyx Lorenzoni.
ABERTURA:
O Deputado Luis Carlos Heinze, no exercício da Presidência, declarou
abertos os trabalhos e cumprimentou a todos, agradeceu a presença dos
parlamentares e convidados, e esclareceu que a reunião tinha a finalidade
de "Debater e avaliar a aplicação dos recursos financeiros, a previsão e o
total do volume disponibilizado por programa e as exigências impostas
pelas instituições financeiras para acesso ao crédito rural, como a
obrigatoriedade de garantias acima das práticas normais e a possível venda
casada de seguro e títulos de capitalização de maneira condicionada a
liberação do financiamento", objeto do Requerimento nº 138/2015, de
autoria dos Deputados Luís Carlos Heinze - PP/RS e Valdir Colatto -
PMDB/SC. O Presidente esclareceu as
regras para o procedimento da reunião e convidou para compor a Mesa os
seguintes convidados:
Wilson
Vaz de Araújo – Diretor do Departamento de Economia Agrícola da Secretaria
de Política Agrícola do Ministério de Agricultura, Pecuária e
Abastecimento-MAPA; Ivandré Montiel da Silva – Executivo da Diretoria de
Agronegócios do Banco do Brasil S. A.; Márcio Vieira Recalde –
Superintendente Nacional de Agronegócios da Caixa Econômica Federal – CEF;
Ademiro Vian - Diretor Adjunto de Negócios da Federação Brasileira de
Bancos – FEBRABAN; José Ângelo Mazzillo Júnior - Chefe do Departamento de
Regulação, Supervisão e Controle de Operações do Crédito Rural e do
Proagro do Banco Central do Brasil – BACEN; Fernanda Schwantes - Assessora
Técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; e José
Carlos Pires - Representante da Federação das Associações de Arrozeiros do
Estado do Rio Grande do Sul – Federarroz. Após,
o Presidente passou a palavra aos Senhores convidados: Wilson
Vaz de Araújo,
que cumprimentou a todos e agradeceu o convite para participar da
Audiência Pública em nome da Ministra Kátia Abreu e do Secretário de
Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Afirmou que os investimentos realizados pelo ministério para atender ao
Plano Safra continuam positivos, porém, foram reduzidos devido às atuais
dificuldades financeiras. Em seguida, utilizando de recursos audiovisuais,
apresentou a variação orçamentária para o Plano Agrícola e Pecuário do
biênio 2015/2016, ressaltando que os investimentos do Plano Safra ainda
têm uma certa tranquilidade de cobertura. Após, elencou as condições de
financiamento da safra para o biênio 15/16, demonstrando a aplicação de
taxas favoráveis para os produtores. Destacou, também, a elevação no
índice de desempenho do financiamento agrícola e pecuário nessa safra e
enfatizou que existe uma fluidez no acesso ao crédito rural, embora
existam produtores que não conseguem ter acesso ao crédito por condições
que não são cumpridas junto aos agentes financeiros e que levam a uma
indesejada morosidade na liberação do crédito. Concluiu, dizendo, que o
quadro de investimento não se encontra ruim ou péssimo como é divulgado
atualmente;
Fernanda
Schwantes,
que cumprimentou a todos os presentes e questionou aos representantes dos
bancos e, especialmente, ao Sr. Wilson Vaz de Araújo, sobre algumas
demandas dos produtores que não tem conseguido aprovação de projetos em
algumas linhas específicas de crédito, particularmente o programa ABC.
Externou, ainda, a preocupação de alguns produtores em relação à Resolução
4.112, que foi aprovada junto com o Plano Agrícola, e que revogou a
possibilidade de aumento do limite de crédito rural para aqueles
produtores que realizassem boas práticas em suas propriedades. Indagou, em
sequência, sobre a subvenção ao prêmio de seguro rural por tratar-se,
também, de grande preocupação de várias federações em razão de uma
expressiva parcela dos recursos previstos para esse ano já terem sido
utilizados no ano passado. Completou, ainda, que tais recursos foram
contratados a juros livres e que atingiram, no mínimo, a taxa Selic de
14.75, configurando-se bastante elevada para o setor; Ivandré Montiel da
Silva,
que cumprimentou a todos os presentes e informou que, no ano passado, o
Banco do Brasil enfrentou dificuldades na captação de recursos para
investir nas atividades de pré-custeio e que, nesse ano, nenhuma agência
do País teve dificuldade em atender aos agricultores, sejam eles da
agricultura familiar, médios produtores do PRONAMP e demais produtores e
suas cooperativas. Em seguida, fazendo uso de recursos audiovisuais,
demonstrou que a carteira de investimento na produção agrícola é de 168,3
bilhões de reais, quadro que demonstra o compromisso que o Banco do Brasil
tem com o setor agrícola. Completou, ainda, que 60,5% são de participação
no Sistema Nacional de Crédito Rural; 21,7% da carteira de crédito do
Banco do Brasil; 4.696 agências operando no Brasil com crédito rural,
5.447 municípios do país atendidos (98%) e 1,5 milhão de clientes
produtores rurais. Informou, também, que a inadimplência alcançou o índice
de 0,73% em junho de dois mil e quinze e que, do total investido, 29%
corresponde às operações de custeio, 20% apoia a agroindústria e 46%
representam operações de investimentos que buscam a modernização da
agricultura e pecuária brasileira. Destacou, também, a aplicação de uma
carteira de 37,7 bilhões de reais que foram utilizadas no programa de
agricultura familiar – PRONAF, sendo que o Banco do Brasil é responsável
por 65% das contratações nesse programa e 70% no PRONAMP- Médio produtor
com uma carteira de 21,9 bilhões e no Programa de Armazenagem (PCA) é
responsável, também, por 56% das aplicações de uma carteira que já atingiu
2,6 bilhões. Concluiu, dizendo, que o objetivo do Banco, nessa safra, é
elevar em 23% os empréstimos efetuados na safra de 2014/2015, sendo que
nas operações de custeio já houve uma elevação de 43% nos investimentos,
feito com recursos com taxas controladas dentro dos limites estabelecidos
pelo Ministério da Agricultura; Ademiro Vian,
que utilizando recursos audiovisuais, demonstrou que atualmente os bancos
tem que aplicar 34% da média diária dos depósitos à vista em crédito rural
e que o volume de recursos para essa carteira está diminuindo visto que o
volume de depósitos à vista está significativamente reduzido e por esta
razão, completou, falta crédito nos bancos privados para os agricultores.
Ressaltou, também, que a fonte de crédito rural oriunda dos depósitos à
vista não acompanha o aumento da demanda de crédito para o setor. Por fim,
disse que a FEBRABAN coloca-se inteiramente contra a venda casada que
condiciona a liberação de crédito rural aos produtores, conforme
estabelece o artigo 39 da Lei 8078/90, que é o Código de Defesa do
Consumidor, da Lei 8.884/94 e da Resolução nº 2.892/01; Márcio Vieira
Recalde,
que cumprimentou a todos, e fazendo uso de recursos audiovisuais informou
que a Caixa Econômica Federal recebeu do Banco Central autorização para
operar com o agronegócio somente no ano de dois mil e doze. Disse, ainda,
que apesar da sua atuação comparada ao mercado ser ainda pequena, houve
evolução nas aplicações de crédito rural, demonstrando que na safra de
13/14 aplicou 4,2 bilhões e já na safra 14/15 o valor das aplicações
totalizou 7,5 bilhões. Informou, também, que para o ano safra 15/16,
apesar da expectativa de redução da captação de depósitos à vista, está
projetado o valor de investimento na ordem de 9,3 bilhões. Finalizou,
dizendo, que as aplicações atualmente estão concentradas em 76% em
custeio, 7% em investimento, 17% em comercialização e 73% na área
agrícola, com 1.603 agências habilitadas a operar com crédito agrícola em
todo o País e credenciamento de 2.500 escritórios de assistência técnica
para o fornecimento de orientação técnica ao produtor rural; José Ângelo Mazzillo
Júnior,
que cumprimentou a todos os presentes e, utilizando recursos audiovisuais,
demonstrou que a previsão e o total do volume disponibilizado pelo MAPA e
MDA, que atendem aos planos safra empresarial e safra agricultura familiar
do ano agrícola 2015/2016, é de 216,6 bilhões de reais. Ressaltou, também,
que houve uma elevação de 5,1% no volume de recursos contratados em
relação à safra anterior de 2014/2015, embora o período avaliado
corresponda a quarenta e cinco dias, ainda muito reduzido para efetuar
prognósticos. A respeito da venda casada, continuou, o Banco Central tem a
obrigação de exercer a fiscalização e o monitoramento sobre essa
ocorrência indevida, uma vez que existem legislação e posicionamentos
consolidados nos tribunais superiores sobre sua ilegalidade. Finalizou
declarando, que é uma prática ilegal que deve ser suprimida do sistema
financeiro nacional, inclusive nas relações de crédito rural, no entanto,
deve haver um adequado fluxo de informação aos órgãos supervisores, tais
como: Procon, Bacen, ouvidorias, para uma atuação efetiva do Banco Central
em coibir essa conduta abusiva; e José Carlos Pires,
que cumprimentou a todos e enfatizou a dificuldade do agricultor em
conseguir crédito bancário para o custeio da sua produção na época certa.
Relatou, também, que esse ano o mercado do arroz está com os preços
desvalorizados obrigando o produtor a utilizar seus estoques para o
preparo da nova plantação. Em seguida, questionou ao representante do
Banco do Brasil sobre qual a razão na demora das ordens de liberação de
créditos nas agências. Indagou, também, se os gerentes recebem instruções
para que não efetuem a venda casada nas agências e, também, sobre as
modificações efetuadas no seguro rural pelo Ministério da Agricultura.
Após, o Presidente concedeu a palavra aos Srs. Fabrício Rosa,
Diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja do
Brasil- Aprosoja, e Paulo Roberto Vargas,
1º Vice-Presidente do Sindicato Rural de Carazinho/RS. Em seguida,
prosseguindo a reunião, passou a palavra aos Deputados inscritos:
Valdir Colatto,
Tereza Cristina, Heitor Schuch, Adilton Sachetti e Carlos
Melles.
Em sequência, o Presidente concedeu a palavra aos convidados para as
considerações finais. Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
todos e encerrou os trabalhos às dezoito horas e vinte e um minutos,
antes, porém, convocou os Senhores Parlamentares para Reunião Ordinária
(Deliberativa), dia dezenove de agosto,
quarta-feira, às dez horas, no Plenário 6. O inteiro teor foi
gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental
desta reunião. E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
______________________________, secretário, lavrei a presente Ata, que por
ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em exercício,
Deputado Luís Carlos Heinze ___________________________________, e
publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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