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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA TRIGÉSIMA TERCEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA)
REALIZADA
EM 9 DE JULHO DE 2015.
Às
dez horas e dezessete minutos do dia nove de julho de dois mil e quinze,
reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural, no Anexo II, Plenário 5 da Câmara dos Deputados. Presentes os Deputados
Heuler Cruvinel e Nilson Leitão - Vice-Presidentes; Celso Maldaner, Dilceu
Sperafico, Evair de Melo, Francisco Chapadinha, Heitor Schuch, João Daniel,
Odelmo Leão, Raimundo Gomes de Matos, Ricardo Teobaldo, Rogério Peninha Mendonça
e Zé Silva - Titulares; Alexandre Baldy, João Rodrigues, Marcelo Aro, Professor
Victório Galli, Sergio Souza e Vicentinho Júnior – Suplentes. Compareceu também
o Deputado Weliton Prado, como não membro. Deixaram de comparecer os Deputados
Abel Mesquita Jr., Adilton Sachetti, Afonso Hamm, André Abdon, Assis do Couto,
Beto Faro, Bohn Gass, Carlos Henrique Gaguim, César Halum, César Messias,
Elcione Barbalho, Evandro Roman, Hélio Leite, Irajá Abreu, Jerônimo Goergen,
Jony Marcos, Josué Bengtson, Kaio Maniçoba, Luis Carlos Heinze, Luiz Cláudio,
Luiz Nishimori, Marcelo Castro, Marcon, Nelson Meurer, Newton Cardoso Jr, Onyx
Lorenzoni, Pedro Chaves, Roberto Balestra, Ronaldo Lessa, Sérgio Moraes, Tereza
Cristina, Valdir Colatto, Valmir Assunção, Zé Carlos e Zeca do PT. Justificaram
a ausência os Deputados Evandro Roman, Irajá Abreu, Luiz Nishimori e Tereza
Cristina. ABERTURA:
O Presidente em exercício, Deputado Luis Carlos Heinze, declarou aberta a
reunião, cumprimentou todos e agradeceu pela presença. Ainda, explicou que a
audiência pública trataria dos “critérios adotados pela Conab, para fixação do
preço mínimo do arroz", conforme solicitação do Requerimento n°113/2015 de sua
autoria. O Presidente anunciou os expositores: André Nassar - Secretário de
Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA);
João Marcelo Intini - Diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia
Nacional de Abastecimento (CONAB); Antônio da Luz - Economista-Chefe do
Sistema Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL); Tiago
Sarmento Barata - Diretor Comercial do Instituto Riograndense do Arroz
(IRGA); Henrique Dornelles - Presidente da Federação das Associações dos
Arrozeiros do Rio Grande do Sul (FEDERARROZ); Nestor Bonfanti - Diretor da
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (FETAG-RS); Rui
Geraldino Fernandes - Representante Estadual e Nacional da Federação da
Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina na Câmara Setorial do Arroz;
e Francisco Lineu Schardong - Presidente da Câmara Setorial do Arroz e Diretor
da FARSUL. Ato contínuo, anunciou as regras para o procedimento da reunião e
passou a palavra ao primeiro expositor: André Nassar mencionou
o fato de o mercado ter se desenvolvido em direção oposta à expectativa.
Destacou que a ausência do pré-custeio afetou a comercialização do arroz,
ocasionando a queda do preço desse produto. Esclareceu que há uma questão de
curto prazo para lidar - situação atual do mercado - e outra de médio prazo -
custo de produção. Ressaltou que os produtores consideram elevados os atuais
custos de produção e que o equilíbrio de preço abaixo de R$ 33,00 não atende a
todos os produtores. Propôs, então, que o setor rizicultor seja ouvido a fim de
se estabelecer um preço médio mais próximo à realidade dos produtores. Relatou,
também, que o Ministério da Agricultura não consegue atuar no mercado por meio
de Contrato de Opção ou AGF (Aquisição do Governo Federal) devido aos atuais
patamares de preços; João Marcelo Intini destacou a importância
do trabalho realizado pela CONAB para o setor rizicultor. Comparou os custos
variáveis médios do arroz, no mês de março de 2015, valendo-se das metodologias
utilizadas pela CONAB (R$ 32,00), IRGA (R$ 31,22) e USP-CEPEA (R$ 28,39). Em
seguida, discorreu sobre a elaboração do preço mínimo, destacando que o custo de
produção é o último dos componentes para a sua composição. O Diretor mencionou
que este ano, excepcionalmente, houve duas revisões no preço mínimo do arroz
(normalmente só é realizada uma revisão em janeiro de cada ano). Destacou,
também, que nos últimos 12 anos foram aplicados 2,5 bilhões de reais pela CONAB
no apoio à comercialização e que há 36 meses os preços praticados estão acima do
preço mínimo; Antônio da Luz destacou o impacto da ausência do
pré-custeio na safra deste ano. Segundo ele, para saldar seus débitos, os
produtores se viram obrigados a vender seus estoques, o que ocasionou a queda do
preço de mercado de seus produtos. Ressaltou que muitos produtores, ao
venderem o arroz abaixo do preço de produção, não conseguiram saldar suas
dívidas e isso gerou uma restrição ao crédito. Antônio questionou o fato de os
custos de produção no Brasil serem muito altos quando comparados a diversos
outros países. Mencionou que não vê transparência no cálculo do preço mínimo:
não é possível identificar o peso de cada critério utilizado para sua
composição. Defendeu, ainda, a inclusão do valor de depreciação de máquinas e
equipamentos no cálculo. Por fim, destacou que o preço mínimo deve ser pensado
não somente a partir do AGF, mas também quanto ao impacto nas relações privadas
entre produtor rural e bancos; Tiago Sarmento Barata explica
que o preço mínimo deixou de ser referência fundamental para o
mercado. Entretanto, ele ainda tem importância como referência para balizar a
retirada de recursos, pelos produtores, das instituições financeiras. De acordo
com o Diretor do IRGA, houve encarecimento do custo de produção do arroz no Rio
Grande do Sul este ano. Custo esse que já é mais elevado que os de outros
produtos cultivados na região, especialmente devido à necessidade de cultivo em
áreas alagadas; Henrique Dornelles destacou o aumento dos
custos de produção, sendo o acrescimento no preço da energia elétrica uma das
principais causas. Defendeu que seja considerado na metodologia de cálculo do
preço mínimo realizada pela CONAB o prazo de armazenagem superior a 30 dias.
Ainda, fez referência ao aumento no valor do transporte dos produtos – devido ao
aumento do preço do diesel - e aos altos gastos com mão-de-obra, por sua
especificidade. Reforçou, por fim, a intenção de agir com o Governo para
aprimorar o uso de herbicidas sem denegrir o meio-ambiente, mas destacou que
esforços nesses sentidos geram mais custos; Nestor Bonfanti
enfatizou que o preço mínimo precisa ser justo, garantir renda para o agricultor
e não pode ser variável. Defendeu a valorização da produção nacional;
Rui Geraldino Fernandes ressaltou a importância do arroz para a
alimentação da população brasileira e elogiou a qualidade do produto nacional.
Questionou a margem de lucro dos produtores de arroz de Santa Catarina,
destacando que, pelo tipo de solo, não se pode fazer rotação de cultura.
Criticou o preço médio de R$ 29,70; Francisco Lineu Schardong
criticou a não liberação dos recursos de pré-custeio pelo Governo.
Defendeu que o preço mínimo é uma forma de segurança de mercado. Elogiou a
qualidade do arroz brasileiro e relembrou que 65% da produção nacional provêm
dos estados de Santa Carina e Rio Grande do Sul. Finalizadas as apresentações,
os Deputados presentes se manifestaram: Luis Carlos Heinze
sugeriu uma reunião com as entidades representativas dos rizicultores,
Ministério da Fazenda e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para
discutir a tributação na produção e comercialização do arroz, bem como o debate
com os representantes dos supermercados e indústria para tratar do preço dos
produtos disponibilizados aos consumidores finais; Ronaldo Benedet
destacou a crise econômica do país e a perspectiva de que essa se
intensifique a partir do próximo semestre, afetando o agronegócio. O Deputado
sugeriu que seja traçado um plano de ação para que o setor rizicultor enfrente a
crise; João Daniel elogiou a atuação da CONAB, do Governo
Federal e do Governo do Estado de Sergipe em prol do desenvolvimento da
rizicultura no estado de Sergipe. O convidado André Nassar usou a palavra para
fazer suas considerações finais. Em seguida, o Presidente encerrou os trabalhos
às treze horas e seis minutos. Antes, porém, convidou os Senhores Parlamentares
para Reunião Ordinária de Audiência Pública dia 14 de julho, terça-feira, às
14h30, no plenário 6, para: "debater os resultados socioeconômicos e de gestão
da execução do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte - FNO, em
especial, nas áreas rurais dessa região"; e "tratar dos fundos constitucionais,
a fim de permitir que as instituições financeiras federais possam operar os
recursos destinados a esses fundos de desenvolvimento". O inteiro teor foi
gravado, passando as notas taquigráficas a integrarem o acervo documental desta
reunião. E, para constar, eu, Moizes Lobo da Cunha,
_____________________________, secretário, lavrei a presente Ata, que por ter
sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente em exercício, Deputado Luis
Carlos Heinze, ______________________________, e publicada no Diário da Câmara
dos Deputados.
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