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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 19ª REUNIÃO ORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA
COM A PARTICIPAÇÃO DA COMISSÃO DE FINANÇAS E TRIBUTAÇÃO
REALIZADA EM 11 DE JUNHO DE 2015
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Às
quatorze horas e cinquenta e quatro
minutos do dia onze de junho de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão de
Relações Exteriores e de Defesa Nacional, com a participação da Comissão
de Finanças e Tributação, no Anexo II, Plenário 01 da Câmara dos
Deputados, sob a presidência da Deputada Jô Moraes - Presidente.
Compareceram os Deputados Eduardo Barbosa, Jean Wyllys, Rômulo Gouveia,
Rosangela Gomes e Rubens Bueno - Titulares; Cabo Daciolo, e Vicente
Candido – Suplentes. Compareceram também os Deputados
Alfredo Kaefer, Elizeu Dionizio, Félix Mendonça Júnior e Valtenir
Pereira,
como não membros. Deixaram de comparecer os Deputados Antônio
Jácome, Arlindo Chinaglia, Átila Lins, Benito Gama, Bruna Furlan, Carlos
Zarattini, César Halum, Chico Lopes, Claudio Cajado, Deley, Eduardo Cury,
Ezequiel Fonseca, Henrique Fontana, Heráclito Fortes, Ivan Valente,
Jefferson Campos, Luiz Lauro Filho, Marco Maia, Marcus Vicente, Nelson
Marquezelli, Pastor Eurico, Paulo Abi-Ackel e Subtenente Gonzaga.
Apresentaram escusas os Deputados Arthur Oliveira Maia, Jarbas Vasconcelos, Stefano Aguiar
e Takayama.
ABERTURA: a Presidente deu início à Reunião Ordinária de Audiência
Pública, com o objetivo de debater os termos da Mensagem nº 36, de
2015, de autoria do Poder Executivo, que submete à apreciação do Congresso
Nacional o texto do Acordo entre o Governo da República Federativa do
Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América para Melhoria da
Observância Tributária Internacional e Implementação do FATCA (Lei de
Conformidade Fiscal de Contas Estrangeiras), celebrado em Brasília, em 23
de setembro de 2014.
Explicou que a realização da reunião decorria da aprovação do Requerimento
nº 47, de 2015, de autoria do Deputado Vicente Candido e do Requerimento
nº 47, de 2015, de autoria do Deputado Manoel Júnior, aprovados,
respectivamente, por esta Comissão Permanente e pela Comissão de Finanças
e Tributação. Acrescentou que o texto desse acordo havia sido aprovado
pelo Colegiado desta Comissão Permanente
em reunião realizada no dia 10 de junho. Explicou que a matéria seguiria
para análise das Comissões de Finanças e Tributação e pela de Constituição
e Justiça, antes de ser deliberada pelo Plenário desta Casa. A Presidente
passou a palavra ao Deputado Alfredo
Kaefer
que defendeu as relações sul-norte em todos os âmbitos com os Estados
Unidos na parceria comercial mostrando-se crítico em relação ao
MercoSul.
Nesse momento, a Presidente passou a direção dos trabalhos ao Deputado Vicente Candido. Em seguida, convidou a
compor a Mesa o embaixador Carlos Marcio Bicalho
Cozendey,
Diretor do
Departamento de Assuntos Financeiros e Serviços do Ministério das Relações
Exteriores;
José Ricardo Da
Costa Aguiar Alves,
Vice-Presidente da Confederação Nacional
das Instituições Financeiras (CNF);
Diego
Bonomo,
Gerente-Executivo
de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria
(CNI);
e Flávio Antonio G.
Martins Araujo,
Coordenador-Geral
de Relações Internacionais da Receita Federal do Brasil.
Em seguida o Presidente passou a palavra ao Senhor Carlos Marcio Bicalho
Cozendey,
que iniciou sua exposição mostrando um panorama internacional mais amplo
ligado à evasão tributária. Relatou que para combater a evasão fiscal, o
G20 reforçou o Fórum Global de Cooperação tributária da OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico)
para implementar o intercâmbio de informações entre países membros para
fins tributários. Falou que o objetivo era a transparência e a tributação
mais justa com a celebração de instrumentos legais para intercâmbio de
informações tributárias. Ressaltou que o acordo FATCA possibilitou a troca
de informações tributárias entre as Receitas dos dois países sobre as
pessoas nacionais e residentes que estão sob a sua tributação. Finalizou
mostrando que os acordos bilaterais levaram à discussão da criação de um
padrão internacional de transparência com troca automática de informações
tributárias. Em
seguida o Presidente passou a palavra ao Senhor
José Ricardo
da Costa Aguiar Alves, que
iniciou sua exposição destacando a importância do FATCA, pois este
complementa o TIEA (acordo de intercâmbio de informações tributárias)
entre Brasil e Estados Unidos firmado em 2013. Acrescentou que este poderá
ajudar em um futuro acordo de bi-tributação entre Brasil e Estados Unidos.
Acrescentou que a Febraban e o Setor Financeiro brasileiro contribuiu para
que o acordo tomasse um formato que garantisse a troca bilateral de
informações onde a troca ocorre com triangulação passando os dados
primeiro para organismos nacionais que enviariam as informações para os
Estados Unidos. Relatou que a implementação do acordo é gradual e prevê
modelos e formatos tecnológicos para a transferência de arquivos. Destacou
que o Setor Financeiro é favorável a aprovação da Mensagem no
36 pela transparência, combate às fraudes, evasão de divisas, evasão
fiscal e combate ao terrorismo. Enfatizou que o acordo não viola o sigilo
fiscal e bancário, pois as informações que o acordo demanda já são
prestadas pelas instituições financeiras rotineiramente à Receita Federal.
Em seguida, passou a palavra ao Senhor
Diego
Bonomo, que
iniciou sua exposição destacando três razões principais para o apoio do
setor industrial ao acordo: o mérito em si do acordo, por o acordo ser
parte de um processo de cooperação tributária com os Estados Unidos, e o
aprofundamento desta cooperação com os Estados Unidos além das parcerias
econômicas com este país. Relatou que os Estados Unidos é o segundo maior
parceiro comercial do Brasil e um grande comprador dos produtos
brasileiros como aviões, peças de aeronaves e equipamentos
eletro-eletrônicos. Acrescentou que hoje o Brasil está em déficit com os
Estados Unidos, mas este pode ser revertido, pois as exportações
brasileiras têm aumentado para os Estados Unidos. Reportou que existem
mais de 40 empresas brasileiras atuando nos Estados Unidos sendo que este
é o país preferido das empresas brasileiras. Finalizou destacando que a
aprovação do FATCA é fundamental para aumentar a cooperação com os Estados
Unidos o que irá abrir novas possibilidades para incluir outros temas e
destravar a pauta bilateral. Nesse momento, o Presidente franqueou
a palavra ao
Senhor Flávio Antonio G. Martins
Araujo, que
iniciou sua exposição falando que a inserção do Brasil na transparência
internacional colocará o Brasil em outro patamar e com uma nova imagem.
Acrescentou que a onda de intercâmbio de informações sobre fatos geradores
de tributos iniciou-se no âmbito da OCDE em 2000 com a criação do Fórum
Global que hoje conta com 126 membros. Relatou que foram desenvolvidos
termos de referência que exigem compromissos dos países para que estes
sejam considerados transparentes. Destacou que os países são avaliados a
partir de elementos essenciais como: a disponibilidade das informações, ou
seja, titularidade de todas as entidades, registros contábeis confiáveis e
informações bancárias de qualquer titular de contas disponíveis; o acesso
às informações como autoridades competentes com poderes para fornecer
informações de qualquer pessoa e direitos e salvaguardas aplicáveis
compatíveis com o efetivo intercâmbio de informações; e o intercâmbio de
informações, ou seja, acordos com todos os parceiros relevantes,
confidencialidade das informações recebidas e fornecimento de informações
de maneira tempestiva (90 dias). Explicou que os países são avaliados pelo
processo de revisão por pares onde no final atribui-se um conceito para
cada elemento e um conceito geral. Falou que o Brasil recebeu nota 2 sendo
que a melhor nota é 1. Assim, o Brasil possui no conceito geral alta
conformidade ao padrão internacional de transparência. Enfatizou que a
recomendação é que o Brasil deve assegurar a ratificação expedita de todos
os acordos para intercâmbio de informações assinados com seus parceiros e
que embora o Brasil tenha feito progresso significativo nos tempos de
resposta, em muitos casos a autoridade competente tem sido incapaz de
responder tempestivamente. Destacou que O G20 demandou que a OCDE e o
Fórum Global apresentem uma proposta de punições mais severas para os
países que não seguirem o padrão global de transparência. Acrescentou que
o FATCA foi criado a partir da crise financeira iniciada em 2008 para
combater a evasão fiscal usando o intercâmbio de informações entre
instituições financeiras (IF) e o Internal Revenue Service (IRS).
Ressaltou que para ampliar a transparência e combater a evasão fiscal, o
G20 encomendou à OCDE um modelo global, aproveitando as definições do
FATCA, para intercâmbio automático de informações. Ressaltou que o novo
padrão internacional (“Common
Reporting Standard” – CRS) inclui a redução das possibilidades de
evasão tributária, envio de informações pré-definidas sem requerimentos
específicos, recuperação de receitas tributárias evadidas, indução à
regularização voluntária e fortalecimento da transparência, cooperação e
responsabilidade entre a administração e instituições financeiras.
Finalizou destacando que o Brasil se manifestou prometendo a implementação
do CRS até 2018. Em seguida, fizeram uso da
palavra para comentários os Deputados Jô Moraes e
Vicente Candido. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a presença dos convidados e dos senhores
parlamentares e encerrou os trabalhos às dezesseis horas e vinte minutos.
E, para constar, eu ______________________, Edilson Holanda Silva,
Secretário-Executivo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e
aprovada, será assinada pela Deputada Jô Moraes ______________________, e publicada no Diário da
Câmara dos Deputados.
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