DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL
Versão
para registro histórico
Não
passível de alteração
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COMISSÃO
ESPECIAL - PEC 182/2007 - REFORMA
POLÍTICA |
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EVENTO:
Reunião Ordinária
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REUNIÃO
Nº: 0085/15 |
DATA:
17/3/2015 |
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LOCAL:
Plenário 9 das
Comissões |
INÍCIO:
15h15min |
TÉRMINO:
17h30min |
PÁGINAS:
52 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
- QUALIFICAÇÃO |
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Debate
sobre itens remanescentes da pauta
anterior. |
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Houve
intervenções fora do microfone.
Inaudíveis.
Há
palavras
ininteligíveis. |
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Declaro aberta a 10ª reunião da Comissão Especial
destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº
182, de 2007, do Senado Federal, e apensadas.
Encontram-se à
disposição dos Srs. Deputados cópias da ata
da 9ª reunião. Pergunto se há necessidade de leitura da referida
ata.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Peço dispensa.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Dispensada a leitura da
ata.
Em discussão.
Não havendo quem queira discuti-la, em votação. (Pausa.)
Aprovada.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Sr.
Presidente, antes de V.Exa. passar a palavra ao Relator,
uma dúvida. Já tem data de quando vai ser instalada a Comissão
paralela que vai discutir as questões infraconstitucionais da
reforma política?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Os partidos já encaminharam os nomes?
(Pausa.)
Do próprio bloco do PMDB, faltam 4 vagas; do bloco do PT,
faltam todos; do PSDB, foram indicados dois, faltam cinco. Não, não!
Desculpe. Do bloco do PT, faltam 2 vagas; do PSDB, faltam 5 vagas;
do PDT, está o.k.; do PSOL,
está o.k.; do PTC, falta 1 vaga. A gente vai pedir
para...
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - O PSB não indicou?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Do PSB não tem ninguém indicado. Só
PPS e PV. Nem PSDB, nem PSB indicaram.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - O acordo informal era que mantivesse a mesma equipe
para tratar do mesmo... Isso tem sido respeitado nas
indicações?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem, aqui tem. Acho que até agora só
tem um que não, mas todos os outros sim.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Se me permite, Sr.
Presidente...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Claro.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Eu
queria também reiterar a importância de que esta Comissão
também comece a funcionar para se conseguir uma certa sincronia no
trabalho desta Comissão e da outra, para que a gente possa apreciar
os temas que não estão em uma e na outra. Assim, teremos
oportunidade de colocar em debate e, eventualmente, até ser
discutidos e votados pelas duas instâncias, que, a meu ver, devem
estar integradas e andando no mesmo ritmo. Vou fazer gestões junto à
minha bancada para providenciar a indicação dos
nomes.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Isso. E eu vou pedir à assessoria
também que peça aos partidos a complementação.
Marcelo, é com você.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Eu quero cumprimentar todos, o nosso Presidente Rodrigo Maia, o
nosso Vice-Presidente Rubens Otoni e continuar nestas reuniões
internas de debate que nós estamos fazendo.
Hoje pela manhã, discutimos sobre três temas: fim da
reeleição, duração de mandato e coincidência de eleições. Eu ainda
não fiz a tabulação — anotei todos os pronunciamentos —, mas com
certeza o resultado foi por ampla maioria de votos: a favor do fim
da reeleição para os cargos executivos de Prefeito, Governador e
Presidente da República; mandato de 5 anos para todos os cargos
eletivos; e a coincidência das
eleições em 2018, ou seja, com mandato dos próximos Prefeitos e
Vereadores eleitos em 2016 por 2 anos, o mandato
tampão.
Na próxima reunião, na quinta-feira, eu vou trazer o
resultado, a quantidade de votos exatos desses assuntos e dos
assuntos de hoje.
Eu
gostaria de pedir a opinião de V.Exas., porque estou achando o
quórum um pouco baixo, e nós temos assuntos aqui da mais alta
relevância, como, por exemplo, coligações proporcionais. Vamos
manter ou vamos proibir? Cláusula de desempenho partidário, coisa
que interessa muito, sobretudo aos pequenos partidos. Constituição
ou não de federações partidárias e por quanto
tempo.
Além disso, temos assunto para discutir como suplência de
Senador; voto facultativo ou obrigatório; prazo de filiação
partidária para a pessoa poder candidatar-se ao pleito seguinte;
janela da fidelidade, que seria a manutenção do princípio da
fidelidade, mas com uma oportunidade de mudança no final da
legislatura; época das convenções, porque hoje elas ocorrem de 10 a
30 de junho, e a proposta é para que sejam de 15 a 30 de julho para
encurtar o prazo das campanhas eleitorais; e o marketing eleitoral, uma
questão mais complexa.
Aí eu pergunto a V.Exas.: como fazer? Tratamos desses
assuntos correlatos aqui, como as coligações proporcionais, a
cláusula de desempenho e as federações partidárias? Ou vamos para
assuntos menos polêmicos, dado o baixo quórum?
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Eu acho que é a melhor saída, já que o quórum está
baixo, ir para pontos menos polêmicos. Até para, depois, V.Exa. não
ser acusado de não ter aberto espaço para a
discussão.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Por que
V.Exa. considera que são menos polêmicos os
outros?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Eu acho que o prazo de filiação partidária de 1
ano...
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Significa — e há a questão, como disse V.Exa., das
convenções partidárias — diminuir em 1 mês as campanhas, com todas
as suas repercussões.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sobre coligações proporcionais vai ser uma
guerra em plenário. Muitos partidos pequenos são contra a proibição
de coligações e a cláusula de desempenho. Mas V.Exas. é
quem...
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Eu só estou fazendo a observação. Eu estou formando
opinião sobre quase tudo. Então, para mim, tudo ainda é polêmico.
Mas se V.Exa. acha que o quórum está baixo, vamos discutir o que for
mais conveniente.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Então, vamos eleger aqui o suplente de
Senador,...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Até porque começamos a discutir isso pela
manhã...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Já começamos a discutir pela manhã.
O
voto facultativo ou obrigatório; o prazo de filiação para concorrer
à próxima eleição, à eleição seguinte; janela da fidelidade e época
das convenções.
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- Não, nós vamos discutir, e, certamente, vão chegando os
membros...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Vai tabular e vai
distribuir.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É. Aqui é apenas para constar do meu relatório.
Quer dizer, qual é o meu compromisso? Eu não serei Relator de mim
mesmo. Então, estou pegando a opinião da Comissão. Vou fazer o
relatório baseado na decisão de V.Exas.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Quais são os três pontos?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Eu estou propondo para hoje à tarde, se V.Exas.
estiverem de acordo, a discussão sobre suplente de Senador, voto
facultativo ou obrigatório, prazo de filiação de 6 meses ou 1 ano
para concorrer às próximas eleições, às eleições seguintes, janela
da fidelidade e época das convenções, se em junho, se em
julho.
Estamos de acordo?
O SR. DEPUTADO ZÉ
CARLOS - Sr. Presidente, uma questão.
Na minha opinião, essa questão do voto facultativo ou
obrigatório é bastante polêmica — inclusive, na própria sociedade é
muito polêmico.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Também acho.
O
SR. DEPUTADO ZÉ CARLOS
- Sugiro que ...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Mas ela mexe menos com a vida dos partidos. É
uma questão que nós vamos discutir
internamente.
Então, usando a mesma sistemática da manhã, eu vou falar
sobre cada um desses assuntos.
Suplência de Senador. O que eu estou propondo está na
cartilhazinha que eu distribuí. Nós estamos propondo mandato de 5
anos para todos os cargos eletivos. Aprovamos isso hoje pela manhã
inclusive para Senador da República. Os Senadores seriam eleitos
todos no mesmo dia, os três Senadores. Qual é a nossa proposta? Que
os eleitos seriam os três Senadores mais votados e os suplentes
seriam os três que viessem em sequência. Então, o quarto candidato a
Senador mais votado do Estado seria o primeiro suplente; o quinto, o
segundo suplente; e o sexto, o terceiro suplente. Acabaria a ideia
de suplente de determinado Senador. Ele seria suplente de
Senador.
Há o inconveniente de o suplente de Senador não ser do mesmo
partido do titular; há a vantagem de esse ser um sistema simples e
quem for assumir o mandato de Senador ter passado pelo crivo do
voto, ter recebido voto. Uma pessoa que foi candidata a Senador no
seu Estado e for o quarto mais votado tem representatividade — nós
estamos numa democracia representativa — para falar em nome do seu
povo, do seu Estado e do País. E nós corrigiríamos essa distorção
existente hoje, que eu acho que é condenada universalmente, de um
Senador ser eleito com dois suplentes, com as distorções que nós
conhecemos de botar parentes, empregados, financiadores de campanha.
Diz o Deputado Jean Wyllys: “sobretudo financiadores de
campanha”. É verdade, sem dúvida. A proposta que eu estou
fazendo corrigiria isso e a pessoa teria representatividade, teria
passado pelo voto, teria aprovação popular para falar em nome do
povo.
Segundo item: voto facultativo obrigatório. Essa é uma
questão bastante simples e não é polêmica, cada um tem uma posição.
Eu não sou radicalmente a favor de um nem contra o outro. Acho que o
sistema atual, de voto obrigatório, é uma experiência que está dando
certo; não vejo motivo para mudar. Então, a minha proposta seria a
manutenção do voto obrigatório. No grupo de trabalho de que eu fiz
parte na Legislatura passada, e o Deputado Cândido Vaccarezza foi
coordenador, a famosa PEC Vaccarezza optou pelo voto facultativo. Eu
fui voto vencido. Parece-me que a sociedade está bastante dividida.
É um assunto que nós devemos tratar, porque faz parte da PEC. Seria
uma omissão se disso não tratássemos.
Terceiro item: prazo de filiação. Eu estou propondo que o
prazo de filiação para a pessoa candidatar-se seja apenas de 6
meses, como hoje é para magistrado, membro do Ministério Público e
membro da Polícia Militar. Hoje, o policial militar pode ficar na
ativa e filiar-se a um partido político só 6 meses antes do pleito;
os juízes e promotores também. Eu quero que tanto o prazo de
filiação quanto o domicílio eleitoral... Isso ainda é um resquício
que nós temos do sistema autoritário.
Eu
não vejo nenhum inconveniente para os partidos e para a sociedade
uma pessoa que não está filiada a um partido filiar-se e
candidatar-se 6 meses antes do pleito. O que a sociedade perde com
isso? Só pode é ganhar. “Ah,
mas a pessoa não se filiou 1 ano antes, não pode se candidatar!”
Eu acho que a sociedade se prejudica quando a pessoa resolveu se
candidatar posteriormente a 1 ano. Sobre domicílio eleitoral, eu não
estou trazendo essa questão aqui para nós não tratarmos de muitos
temas; estou trazendo só o prazo de filiação.
Então, a minha proposta é que nós equipararíamos todos os
brasileiros: juízes, promotores, militares ou cidadãos comuns teriam
um prazo de 6 meses para filiar-se a um partido político para
disputar a eleição seguinte.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Relator, eu estava refletindo, porque, para os
juízes, para os militares, eles não são filiados a nenhum partido,
diferentemente daqueles que já são filiados e que, eventualmente, se
beneficiariam de um tempo menor para poderem fazer acomodações às
conveniências. Creio que tenha sido isso que tenha levado a um prazo
maior para esse tempo de filiação. Para quem nunca foi filiado, acho
importante trazer as pessoas. Faço essa reflexão para lembrarmos que
existe esse argumento também.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Outro item é a janela da fidelidade. O que é
isso? O Tribunal Superior Eleitoral, respondendo a uma consulta,
decidiu que o mandato pertence ao partido e não ao titular. E isso
muitos criticaram, porque acham que não havia razão para isso, pois
a Constituição é clara e enumera os itens de perda de mandato, nos
quais não está incluída a mudança de partido. Mas a verdade é que o
Tribunal tomou essa decisão e, depois, o Supremo a referendou. E,
aí, elas foram estendidas também para os cargos majoritários, porque
inicialmente o parecer do Ministro Asfor Rocha era só para os cargos
proporcionais, e o argumento que ele usou é de que os Parlamentares
se elegiam com votos dos outros. Então, se juntavam todos os votos
do partido para eleger um determinado número e, assim, a pessoa se
elegia não com seus votos, mas com os votos de todos os membros do
partido, ou seja, com os votos do partido. Por isso, o mandato
pertenceria ao partido e não ao titular.
Já começou um erro daí, porque já faríamos distinção em dois
tipos de Parlamentar, o que adquiriu o quociente eleitoral, que não
precisou do voto de ninguém, pois conquistou sozinho. Então, já
temos dois tipos de Parlamentares. Isso não valeria para os cargos
executivos, porque a pessoa se elege sozinha, não se elege com o
voto de ninguém.
Mas aí veio a segunda consulta: e os cargos executivos? E o
mandato do Senador, como é que fica? Aí eles viram que seria uma
incongruência o Vereador não poder mudar de partido, o Deputado
Estadual não poder mudar de partido sob pena de perder o mandato, o
Deputado Federal não poder mudar de partido, mas o Governador poder,
o Prefeito poder, o Senador poder, o Presidente da República poder.
Aí proibiram para todos.
Então, hoje, o que existe no Brasil é uma fidelidade imposta
pelo Tribunal Superior, eterna. Ou seja, quem for detentor de
mandato eletivo não pode mudar de partido enquanto vida ele tiver e
enquanto mandato ele tiver, sob pena de perder o
mandato.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Pode mudar de
partido?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Perde o mandato. É o que eu estou dizendo. Muda
sob pena de perder o mandato. Então, enquanto vida ele tiver,
enquanto mandato ele tiver, ele não poderá mudar de partido sob pena
de perder o mandato.
O que eu estou propondo, com exceção das justas causas, que é
uma coisa complicadíssima? Estou propondo não confrontar o princípio
da fidelidade partidária. É um princípio que está arraigado na
sociedade. A população identifica isso muito bem, defende que quem
foi eleito por um partido deve se manter fiel àquele partido. Mas eu
proponho que essa fidelidade não seja eterna, pelo simples fato de
que não existe nada eterno sobre a Terra. Então, o que eu proponho?
A janela da fidelidade. Ou seja: o Parlamentar, o Prefeito, o
detentor de cargo executivo que se elegeu por um partido estaria
obrigado a servir aquele partido por todo o seu mandato. O mandato é
do partido, ele foi eleito pelo partido e ele é obrigado a servir o
partido por todo seu mandato. Terminou o mandato, terminou o
compromisso com o partido. Ele estaria livre, então, para mudar de
partido se quiser.
A minha ideia é colocar o prazo de filiação partidária em 6
meses. E, no mês anterior aos 6 meses, o Parlamentar, durante os 4
anos, teria um mês para, se quisesse, mudar de partido.
Isso não traria
afronta à
do
mandato, para que ele passe os 4 anos apoiando seu Governo. E o
Parlamentar, por exemplo, também se interessa em apoiar um Governo
que está começando, a fim de que possa passar 4 anos no Governo.
chega
ao final do mandato, nem o Parlamentar quer ir mais para o Governo,
nem o Governo quer mais o Parlamentar, porque os mandatos já estão
se findando. Essa que é a realidade.
Então, essa que
teriam os Parlamentares pouco seria utilizada, porque não haveria
interesse nem da parte do Executivo, nem da parte do Parlamentar,
que já estaria tentando uma nova reeleição para renovar seu
mandato.
Então, eu acho que flexibilizaríamos essa da
fidelidade sem confrontar o princípio da fidelidade e sem
o
mudar
de partido; poucos mudariam. Foi a do
divórcio também, que foi aquela confusão de que se criasse o
divórcio todos iriam se separa; coisa .
Bom, não sei nem por que estou citando essa do
divórcio.
Pois bem, época das convenções. Atualmente, as convenções são
realizadas do dia 10 ao dia 30 de junho do ano das eleições. E eu
tenho recebido muitos apelos, com as pessoas achando que as
campanhas são muito longas, que nós deveríamos encurtar mais o tempo
de campanhas.
Só
quero anunciar a presença do meu amigo, que foi Deputado conosco,
Josias Quintal, que hoje é de
Santo Antônio de Pádua, e trouxe toda a
Quem
chegar lá assume a agora.
Vereador Paulo Roberto, Alexandre Brasil, Antônio Carlos
Cunha, Eduardo
Leonora,
Luís Carlos da Silva, Vanderléia Souza, Neidimar Souza, Jadir
Júnior, Robson Matos e Carlos Nacif.
Vê-se que, se alguém chegar lá, se a Oposição quiser, hoje,
assume seu Governo,
Mas
é um prazer revê-lo, V.Exa. foi um ótimo Deputado, um ótimo
de
Segurança no nosso Estado e um amigo
que temos no nosso Estado do Rio de Janeiro.
Devolvo a .
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Bem-vindos
todos.
Então, a época das
E
aí nós teríamos uns 15 dias para cumprir aquela burocracia:
apresentar documentação, abrir conta em banco, tirar o CNPJ, e tudo
o mais. Então, a campanha começaria efetivamente quando o candidato
estivesse apto para ir para a campanha; seria lá pelo dia 15 de
agosto. E aí nós teríamos 1 mês e meio de campanha, que eu acho que
é um tempo bastante razoável, ainda um pouco
longo...
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Só para esclarecer. A Justiça Eleitoral teria os mesmos
prazos que tem hoje para poder dar o registro das candidaturas, só
que, em vez de ser julho, seria em agosto?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Seriam 15 dias para essa
formalização.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Seriam os mesmos 15 dias, porque só a partir daí é que
a gente pode fazer a campanha efetivamente.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Exatamente, corretíssimo.
Então, é uma proposta que eu estou fazendo, atendendo ao
apelo, lembrando que agora o Japão fez uma campanha para o
Parlamento em 12 dias. Evidentemente, nós não somos o Japão, mas um
dia seremos, quando tivermos partidos estáveis, coesos, coerentes,
programáticos, ideológicos, quando o eleitor já saiba qual é o
programa do partido. Então, a eleição é uma aferição sem muita
novidade; o eleitor vai lá e vota com toda a
tranquilidade.
Portanto, vou passar como fica. A data das convenções fica de
15 de julho a 30 de julho.
O SR. DEPUTADO DANIEL
ALMEIDA - Um mês, não é?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Exatamente. Nós estamos encurtando a campanha
em 1 mês, que hoje é de 10 de junho a 30 de junho, e eu estou
propondo que seja de 15 a 30 de julho.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - O horário eleitoral...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - O horário eleitoral é outra discussão.
O horário eleitoral são quantos dias? São 45 dias? Começaria
dia 15, começaria junto com o horário
eleitoral.
O SR. DEPUTADO EDMAR
ARRUDA - Ou diminuiria para (ininteligível).
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
É, pode ser. É muito tempo de campanha. Todo mundo se queixa de que
é muito tempo, é muito demorado. Eu tenho um amigo prefeito que me
disse: “Marcelo, diminui o
tempo dessa campanha, pelo amor de Deus! Eu já visitei toda casa do
meu Município duas vezes, e sou obrigado a visitar a terceira vez,
porque o Município é muito pequeno. Eu não posso ficar parado, tenho
que ficar todo o tempo em campanha”.
Os temas que vamos discutir hoje à tarde seriam: a suplência
de Senador; o voto facultativo ou obrigatório; o prazo de filiação
partidária para concorrer ao pleito seguinte; a janela da fidelidade
e a época das convenções.
Então, vou pedir aos nobres colegas que se manifestem. Vou
fazendo aqui o levantamento, anotando os pontos, para depois
passá-los para o relatório.
Muito obrigado a todos.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado Marcelo Castro,
nosso Relator, pela exposição inicial, que abre o debate desta nossa
reunião.
Concedo a palavra ao ilustre Deputado Edmar Arruda, pelo
tempo de 3 minutos, como combinamos, para que possa fazer a sua
exposição.
O SR. DEPUTADO EDMAR
ARRUDA - Sr. Presidente, nobre Relator, colegas Deputados, vou
começar pelo voto facultativo, que é uma bandeira do nosso partido,
o PSC. Então, o PSC vai votar pelo voto facultativo. Não vou entrar
muito no mérito, porque eu tenho um pensamento um pouco
diferenciado, mas nós vamos acompanhar o voto do
partido.
Com relação à suplência de Senador, eu ainda defendo a
proposta que nós tínhamos feito já na discussão do mandato passado,
em que nós propomos que o suplente de Senador seria o Deputado
Federal do partido daquele Estado mais votado. Eu acho que isso é
importante, por gentileza, os colegas ouvirem, porque é uma proposta
que é importante analisarmos.
Hoje pela manhã, o nobre Relator levantou a questão com
relação ao partido que não tiver eleito um Deputado Federal. Vamos
imaginar um caso no Paraná. Tenho lá um Senador do PSDB. Por
qualquer problema, ele vem a faltar, e o PSDB não tem um Deputado
Federal eleito. Primeiro, seria uma exceção. Mas, de qualquer
maneira, o PSDB deve ter tido candidato a Deputado Federal. Então,
seria o mais votado, que provavelmente vai estar na suplência de
Deputado Federal. Porque aí você vai
legitimar...
O SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- O mais
votado, o Deputado ou candidato.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA
- Exato, o
candidato. Porque aí você vai legitimar que o Senador tenha voto,
que ele disputou a eleição.
A minha preocupação com relação a você ter aqui o quarto, o
quinto, e o sexto suplente é que uma campanha para Senador é de
poucos candidatos. Podemos até fomentar aqui um monte de candidatura
e ter um suplente de Senador, o terceiro, o quarto ou o quinto
suplente com uma votação pífia. Porque ele pode simplesmente ser
candidato, ter 50.000 votos e pode ser Senador também. Estou falando
do meu Estado. Mas eu acredito que se nós partirmos para o Deputado
Federal mais votado do partido do Senador para assumir a vaga de
suplente, aí vai subir o suplente e Deputado Federal daquele partido
e, se houver coligação, da coligação.
Então, essa é a
proposta que nós gostaríamos de manter para a discussão,
contrariando um pouco a proposta do nosso nobre Relator.
Sobre o período das convenções, o PSC concorda plenamente em
diminuir o período de campanha e já quer propor que se altere o
prazo de televisão também. Então, nós começaríamos campanha de rua
dia 15 de agosto, mas a televisão em 1º de setembro, só 30 dias de
televisão. Isso vai baratear custo, produção, um monte de coisa. Se
nós estamos reduzindo o período de campanha, é justo que a gente
reduza também o período de exposição de televisão. Até porque tem
candidato que não tem programa e fica repetindo as mesmas coisas. Aí
o povo não aguenta ficar assistindo televisão. Então, se a gente
fizer um período menor e um programa mais eficiente, vai atingir o
objetivo da mesma forma.
Com relação às coligações proporcionais, eu não sei se está
no pacote. Não, essa não está no pacote. Cláusula de desempenho
também não?
O SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- Não.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA -
Também
não está.
O SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- Suplência
de Senador, voto facultativo ou obrigatório.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA
- Já falei.
O SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- Prazo de
filiação partidária para poder candidatar-se, 1 ano ou 6 meses,
janela de fidelidade e época das convenções.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA
- O.k. Época
das convenções, eu já disse, já dei minha opinião.
Sobre Janela de fidelidade, eu acredito que hoje, com a
legislação em que o tempo de televisão e o fundo partidário são do
partido — isso já está pacificado, tanto que está na lei atual —, eu
acredito que não podemos ficar atrelados, contrariamente à nossa
vontade, fazendo partidos novos só para poder mudar de partido. Eu
acho que está correta a interpretação e a orientação do Relator; tem
o nosso apoio para que a gente faça essa janela de 30 dias, 6 meses
antes das eleições, ou seja, 30 dias antes do prazo final de
filiação.
Concordamos também com a redução de 1 ano para 6 meses do
prazo de filiação, para que as pessoas possam ser candidatas. Não há
nenhuma dificuldade com relação a isso. Os partidos se organizam e
fazem isso com a maior tranquilidade.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Rubens Otoni) - Obrigado,
Deputado, concluindo.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA - Então, só
para concluir, gostaria que a gente pudesse avançar realmente nesses
pontos. Acho que são simples, mas têm um impacto muito grande no
processo eleitoral.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado Edmar Arruda pela
contribuição.
Com a palavra o Deputado Jean Wyllys. Depois, Deputado Daniel
Almeida.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Sr. Presidente, eu tenho dúvidas, na verdade, porque
não ficaram claras para mim todas as suas explicações.
Qual é a necessidade de tanto suplente para o cargo de
Senador? Por que prever tanta suplência.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - É porque agora o suplente não será
mais de 1 Senador. Hoje, nós temos um suplente e dois Senadores.
Como são três Senadores, nós temos seis suplentes. Eu
estou propondo três suplentes para os três Senadores. Estou
reduzindo pela metade.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Está bem.
Três suplentes para três Senadores, que viriam pela ordem de
votação, independente de partido.
Segundo ponto: tem um prazo de filiação para a candidatura.
Quer dizer, o tempo que a pessoa tem que estar filiada para se
candidatar.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Hoje é de um ano.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Certo. V.Exa. quer reduzir para 6 meses?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Para 6 meses. Hoje já é de seis meses o prazo.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Nós somos contra isso, porque nós achamos que quanto
maior a fidelidade partidária, melhor, mais fortalece o partido.
Tanto no prazo de filiação que antecede a candidatura quanto à
janela, o prazo que V.Exa. chamou de janela de fidelidade, não é
isso? Nós defendemos partidos mais fortes, mais consistentes, mais
programáticos, mais ideológicos, portanto, quanto maior a
fidelidade, mais os partidos têm essa característica.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - De filiação.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Sim, de filiação. Desculpe. Janela de fidelidade é
janela de filiação, não é?
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Não necessariamente.
O
SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS -
Então me explica, Deputado Arnaldo Jordy. Eu estou tirando dúvida. O
senhor é o Relator.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sim, sim.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Eu acho que o Deputado está correto. E
aqui é para isso mesmo, é para tirar dúvidas. Mas eu faria um apelo:
que as dúvidas pudessem ser colocadas também nas falas dos Deputados
para voltar ao Relator, e este poder explicitar sobre isso, para a
gente poder organizar.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Estou expondo as minhas dúvidas na minha
fala.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Ao invés de abrir no
plenário.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Quanto a suplente de Senador, V.Exa. é a favor?
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Sim.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Tudo bem. O voto facultativo
também?
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - O voto facultativo também. Temos acordo porque o voto
já é facultativo. A multa é de um real ou dois, três reais... Como é
agora? Três reais no máximo já torna o voto facultativo.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Aí vem o prazo de filiação partidária.
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Quanto maior, melhor.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Então, a favor da manutenção do atual de um
ano, não é isso?
O SR. DEPUTADO JEAN
WYLLYS - Ou talvez ampliar um pouco mais.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E a janela da fidelidade, que seria a permissão
para um Parlamentar poder mudar de partido durante 1 mês, nos 6
meses que antecedem o pleito, se o prazo passar para 6 meses. Se o
prazo continuar de 1 ano, 1 mês antes do prazo de 1 ano.
Hoje,
como disse o Deputado Edmar Arruda, o que existe na prática? É que a
criação de partido passou a ser uma janela.
O
SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS -
Sim.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Então, as pessoas vão para o partido A ou para o partido B sem
nenhuma identidade com o partido, simplesmente para sair do partido
onde estão mal acomodados.
O
SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS -
Sim.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Então, a janela da fidelidade seria a favor também, não é?
E
tem a época das convenções. Hoje é de 10 a 30 de junho.
O
SR. DEPUTADO JEAN WYLLYS -
Nós somos indiferentes em relação a isso. Não temos uma posição
específica.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputado Daniel Almeida.
O SR. DEPUTADO DANIEL ALMEIDA
- Vamos ver se a
gente encerra o debate aqui.
Sr.
Presidente, Relator, cada tema desse está sendo discutido de forma
separada, mas se inter-relacionam, se complementam. E a decisão
sobre um interfere sobre o outro.
Nós
debatemos aqui, pela manhã, e encaminhamos, com um grau de consenso
razoável, o fim da reeleição, o mandato de 5 anos e coincidência de
mandatos. Isso quer dizer que nós vamos ter debate
político-eleitoral de 5 em 5 anos. Nós vamos ficar um tempo longo
sem esse exercício, que é salutar, da atividade politica, ou pelo
menos atividade política relacionada com a disputa dos
espaços de poder. Se nós reduzirmos ainda mais o tempo preparatório
para os partidos políticos se programarem para essa disputa, eu acho
que vai chegar o momento em que só vai ser apresentado o retrato, e
o eleitor ficará sabendo pelo Whatsapp quem é o candidato.
Nós suprimiríamos esse necessário debate preliminar, a
preparação por parte dos partidos. O partido deve se preparar — quem
são os filiados, qual programa vai apresentar naquela disputa
eleitoral, quem são os Líderes que vão participar dessa disputa
eleitoral. A convenção deve ser algo muito melhor preparada, com um
debate amplo em torno do programa. Acho que o debate da própria
disputa, de Vereador a Presidente da República, necessita ser
cuidadosamente preparado e compartilhado com a sociedade.
Então, eu queria dizer que nós precisamos tratar desses
prazos com muita atenção. Eu, a princípio, sou favorável a que se
mantenha 1 ano para a filiação partidária, o que permitirá aos
partidos se programarem com maior antecedência, e à manutenção dos
prazos de convenção. Se ficarmos agora dizendo que estão excessivas
as discussões políticas ou os debates sobre os programas que cada
partido vai apresentar, nós vamos encurtar tudo de uma forma que dá
mais complexidade. Então, eu não concordo. Acho que deveríamos
manter 1 ano para filiação e deveríamos manter o prazo de hoje —
nós, na verdade, começamos a fazer campanha no meio do mês de julho
—, principalmente em função desse debate que fizemos aqui sobre a
eleição de 5 em 5 anos, com a coincidência de mandatos, com uma
complexidade maior.
Vou passar para os demais pontos. Eu acho que o suplente de
Senador tem que receber o crivo do voto. Há um debate sobre o
Deputado mais votado, mas acho que um voto dirigido ao Senador é
mais apropriado, é um encaminhamento criativo.
Sobre a janela de fidelidade, penso que nós deveríamos
formalizar algum espaço, porque fica uma coisa artificial. Tenho
receio de acontecer uma debandada, mas temos que experimentar. Acho
que vale a pena experimentar. Concordo com a possibilidade.
Prevaleceria o sentido da fidelidade. Acho que é algo possível o
Deputado trocar de partido já ao final do mandato, no último mês.
O voto, em minha opinião, é um direito e um dever. Essas
coisas se articulam. Penso que nós deveríamos manter essa visão e
debater com a sociedade a relação que tem o direito de votar e o
dever de votar, o dever do exercício da cidadania. Esse é um
elemento desse debate. Outro é o poder econômico. Eu fico a imaginar
a influência disso — e aí a gente pode acabar com financiamento
privado e etc. —: que interesse material pode motivar o voto se ele
for facultativo.
Nós temos observado algumas realidades na própria América
Latina. O Chile instituiu, se não me engano, o voto facultativo, e o
número dos que votaram diminuiu drasticamente. Eu não sei se isso
ajuda a consolidar o processo democrático e qual o papel do
interesse material se o voto for facultativo. Portanto, esta é a
posição do partido: contra o voto facultativo. O partido acha que
deve ser mantido o sistema atual.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Concedo a palavra ao Deputado Pedro
Fernandes.
O SR. DEPUTADO PEDRO
FERNANDES - Sr. Presidente, queria sugerir ao Relator para
examinar a possibilidade, com que eu concordo, de o suplente de
Senador ser um dois mais votados — o quarto, o quinto, o sexto —,
mas acho que, se essa coisa acontecer, na primeira metade do mandato
deveria haver nova eleição. Vamos imaginar que o
cara...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Nós estamos propondo mandato de 5 anos
também
O SR. DEPUTADO PEDRO
FERNANDES - Sim, 5 anos. Vamos supor que o cara morra antes de
assumir o mandato, o que é possível. Eu acho que aí caberia uma nova
eleição — é uma sugestão — na primeira metade do mandato, como é
hoje para presidente e para governador. Na segunda metade, haveria
até votação indireta para governador, se eu não estiver
enganado.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Não. Só se a chapa for cassada, a chapa
completa. Senão, o vice assume.
O SR. DEPUTADO PEDRO
FERNANDES - Nos dois casos. Então, é uma sugestão aí para se
examinar. Senão, eu concordo com V.Exa.
Quanto à questão do voto facultativo, eu já tive oportunidade
de dar a minha opinião. Eu acho que, para se decidir pelo voto
facultativo, pelo direito ou dever de votar, seria preciso um
plebiscito. Se fosse o caso, um plebiscito poderia decidir se o voto
é facultativo ou não. Do contrário, ele ficaria
obrigatório.
Em relação ao período de convenções, eu acho muito importante
ser no mês de julho.
O
prazo de filiação de 6 meses eu acho correto, a não ser que elevemos
também o prazo do magistrado e do militar para 1 ano. Mas eu acho
que todos somos iguais.
Quanto à janela da fidelidade, eu acho que ela deveria ser 1
mês antes das convenções — é uma sugestão —, porque aí já está se
vivendo a campanha eleitoral. Se colocarmos muito antes, isso vai
complicar o meio de campo dentro do Parlamento. Eu acho que deve ser
1 mês antes da convenção, quando já se está vivendo a
política.
Já
respondi sobre tudo, não é, Sr. Presidente? (Pausa.)
Muito
obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Henrique Fontana.
(Pausa.) S.Exa. não quer
falar hoje.
Com a palavra o Deputado Victor Mendes.
O SR. DEPUTADO VICTOR
MENDES - Foi possível ler a assinatura agora, não é, Sr.
Presidente?
Eu vou começar pelo final, a época das convenções. Se as
eleições se unificarem, como se vai conseguir, em 45 dias, fazer
campanhas de presidente a vereador? Se nós unificarmos todas as
eleições — de presidente a vereador e prefeito — e ainda diminuirmos
o tempo de campanha, eu acho que isso vai ficar muito confuso para a
cabeça do eleitor. Então, se houver a coincidência das eleições, eu
acredito que o calendário tenha que ser mantido do jeito que está.
Ainda há outro agravante: o tempo de televisão. Nós temos 45
dias na televisão. A que horas o vereador, o prefeito, o deputado
estadual, o governador vão falar? Vai ser cortada a programação
estadual, para se passar somente a programação federal, de
presidente?
Então, se houver a unificação e a coincidência, a minha
opinião é que o tempo de campanha continue do jeito que está, porque
nós vamos ter mais candidatos concorrendo no mesmo pleito. Não se
votará apenas em um prefeito e um vereador. Praticamente oito ou
nove votos serão dados no mesmo pleito, portanto, precisa-se de mais
tempo para correr e disseminar a chapa, disseminar as ideias e a
proposta. Também não vejo ser esta uma matéria de PEC. Acredito que
uma lei infraconstitucional tratará sobre o
tema.
Com relação à janela da fidelidade, eu acredito que está
coerente a proposta do Relator.
O
prazo de filiação também está coerente. Eu acredito que, assim como
o domicílio é casado com a filiação partidária, também têm que vir
casados filiação e domicílio eleitoral. É a mesma mudança. Também hoje em dia, com a
tecnologia, os tribunais conseguem processar muito rapidamente a
mudança de domicílio e de partido político. Hoje é muito rápido
fazer isso pelo FiliaWEB, na Internet. Antigamente esse processo era
muito mais lento, hoje é só abrir o sistema que, em 24 horas, já se
muda. Então, eu acredito que também temos que pensar nos tribunais
que vão processar todas essas novas
informações.
Quanto à questão do voto facultativo ou obrigatório, eu
acredito que o Brasil ainda não está preparado para o voto
facultativo. Há uma janela para isso: aquelas pessoas que não querem
votar não o fazem, como o Deputado falou aqui comigo: basta pagarem
uma multa no dia seguinte e ficam liberadas do seu dever. Então, já
existe uma flexibilidade. Mas eu vejo que o Brasil ainda não está
pronto para o debate do voto facultativo ou obrigatório. Esta é a
minha posição pessoal — não sei se falo aqui pelo partido nessa questão
do voto facultativo obrigatório. Mas vejo que já há uma janela para
que isso seja reconhecido depois, no caso do voto facultativo. Sendo
obrigatório, é só não ir e, no dia seguinte, pagar a
multa.
Suplente de senador. Devemos convir que eleição para senador
é uma eleição majoritária. Se formos por esse raciocínio, de que sou
a favor, devemos levar esse entendimento para prefeito também,
porque o suplente é a mesma figura do vice para prefeito e para
governador. Mas, no caso de afastamento do prefeito assume o segundo
colocado? Nós estamos dando tratamento desigual para senador,
prefeito e governador ou partimos da premissa de que eleição para
senador é proporcional? Se, juridicamente, for possível dar igual
tratamento a todos os majoritários, eu sou a favor também de o
suplente de senador ser o segundo mais votado. Agora, também temos
que ver a paridade com prefeitos, vereadores e governadores. Essa é
a minha preocupação. Então, fica aí a minha ressalva.
Sr.
Relator, eu gostaria que V.Exa. também ponderasse no seu relatório
sobre a época das convenções. Se houver unificação, eu acredito que
o modelo atual contempla tudo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Joaquim
Passarinho.
O SR. JOAQUIM PASSARINHO
- Boa tarde a todos.
Sr. Relator, eu vou pular o
segundo item da sequência.
A suplência de senador de acordo com a proposta de V.Exa. é
coerente. Vamos acabar com essa brincadeira que é a suplência dada
para parentes ou para financiadores, às vezes, de campanha.
Eu
vou pular o voto facultativo, que vou deixar por
último.
Prazo de filiação partidária de 6 meses. Eu também não vejo
problema quanto a isso Seis meses ou 1 ano não vai influenciar o
processo.
Janela
de fidelidade. Acho que, às vésperas de eleição, é importante termos
pelo menos uma se nós fizermos a reforma política, porque estaríamos
mexendo na regra do jogo. E se mexermos na regra do jogo com o jogo
andando, precisamos dar uma janela para que as coisas possam
acontecer.
Data das convenções. Aí eu comungo a preocupação do meu
colega do Maranhão: se nós vamos unificar, haverá uma quantidade
muito maior de candidatos que vão disputar e precisar usar o tempo
de televisão. Se nós diminuirmos ainda mais esse tempo, haverá
candidatos que talvez apareçam uma ou duas vezes ou nem apareçam na
televisão, em Municípios maiores, como São Paulo. Então, no caso da
unificação das eleições, eu acho que nós podemos manter como está.
Se nós tivermos duas apartadas, aí, sim, podemos
encurtar.
Por
último, o voto facultativo. Eu falei, Sr. Presidente e Sr. Relator,
na minha primeira intervenção nesta Comissão, que somos poucos
representantes do Norte e Nordeste e que vamos fazer uma norma para
o Brasil. Voto facultativo para o Norte e o Nordeste, incluindo a
Amazônia, é jogar por terra tudo aquilo que nós estamos tentando
buscar: a diminuição do custo de campanha.
Nós
temos Municípios próximos a Belém, como Abaetetuba,
que tem 72 ilhas. Um Município tem 72 ilhas, e quase nenhuma tem
ponto de votação! Imaginem o que vai ser o custo de uma campanha
dessas — e aí não é o custo oficial, o que é pior. Quem vai ter
poder para providenciar transporte para levar essas pessoas para
votarem, se o voto não for obrigatório, se o ponto principal da nossa
reforma é diminuir o custo de campanha? Não sei no restante do País,
mas na nossa Região, se o voto for facultativo, nós vamos ter um
custo muito superior ao que temos hoje. Então, nós somos
radicalmente contrários ao voto facultativo.
Acho
que nós ainda precisamos crescer muito ainda na parte da educação
política, para que possamos transformar o voto em apenas um direito.
Mas como houve ele passou a ser um dever e mais do que um direito,
nós precisamos obrigar as pessoas a votarem. Mesmo assim, já há uma
abstenção de 20% a 25%. Mesmo assim! Se o voto for facultativo, mais
de 50% da população não vai votar. E qual é a representação que vai
ter um governador, um presidente da República que vai receber muito
menos da metade dos votos dos eleitores? Então, eu sou de opinião
frontalmente contrária ao voto facultativo.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Luiza
Erundina.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Sr. Presidente, Sr. Relator, colegas, eu tenho uma
dificuldade enorme de fatiar este debate, porque eu acho que só se
justifica uma reforma política se for para se reformar o sistema
político, de modo a corrigir as distorções que existem no nosso caso
atual. E quando você mexe no sistema, mexe em alguns pontos dele e
deixa outros como estão, distorce ainda mais o
sistema.
Então, eu acho que fatiar esses pontos e eventualmente até
levá-los a votos de forma fatiada, eu acho que o resultado não será
aquele que eu sei que dá ânimo aos que debatem, aos que se empenham,
aos que se dedicam e aos que teimam em sucessivas legislaturas, para
ver se chegamos a uma reforma política.
De qualquer forma, eu vou opinar sobre esses pontos, mas
teria muita dificuldade de subscrever um resultado final desse
debate em relação a essa PEC, se ele vier simplesmente a fazer
ajustes, seja em número de suplentes de senador; seja de janela —
não é de fidelidade — de infidelidade.
Pouco
se fala, por exemplo, na questão da fidelidade a um projeto
político. Fala-se em fidelidade a quê? À possibilidade de se mudar
de partido para disputar a eleição. Eu imagino que a filiação de
alguém a um partido deva ser uma identidade com o projeto político,
com o compromisso político, com a visão de país que se tem e com o
processo de perspectiva de mudança desse país. Na medida em que
admitimos medidas pontuais, ajustes e remendos, distorcemos o
sistema, enfraquecemos o sistema. Assim não temos como resultado o
fortalecimento da democracia, o avanço da educação política do nosso
povo.
Essa história de diminuir prazos de campanha eleitoral e
diminuir prazos de filiação partidária, tudo isso encurta as
condições, os tempos e os espaços para se habilitar o cidadão e a
cidadã ao exercício pleno da democracia. Nós exercemos democracia,
nós aprendemos democracia fazendo democracia. É como aprender a
nadar: se você não treina, morre afogado.
Então,
eu aprendi a fazer política, a pensar politicamente e a tentar
acertar nas minhas decisões políticas durante o tempo todo de vida
minha, aprendendo com os companheiros e com os outros — e não só do
meu partido, pois o adversário tem muito a me ensinar.
Então, eu tenho muita dificuldade, Sr. Presidente, Sr.
Relator e colegas. Por exemplo, eu fico a pensar: qual é o papel do
Senado? Claro que é representar os Estados. Mas para que três
Senadores por Estado? Poderia se pegar o Estado maior, que é São
Paulo, e pegar o Estado menor, que é o Acre ou sei lá qual seria.
Mas para que três Senadores? E mais ainda, para que suplente de
Senador? As funções do Senado hoje reproduzem as funções da Câmara:
ele tem iniciativa de lei assim como a Câmara; e não é Casa revisora
coisa nenhuma. Há uma duplicidade de funções onerando o processo
político, o processo de decisões e de soluções dos problemas do
País. Há um custo altíssimo para a manutenção dessas duas Casas.
Portanto, eu me sinto mais motivada, mobilizada e interessada
em discutir o fundo dessas questões. Debater se são dois ou três
suplentes ou se virão dos deputados mais votados, eu acho que é
filigrana — desculpem-me se ofendo V.Exas. Mas, apesar do meu ânimo
de estar aqui contribuindo para o debate, eu me sinto amarrada
porque cada ponto desses que tenho que apreciar fere, contradiz essa
concepção de reforma política que tenho e de que esta Casa, até
atendendo ao clamor das ruas, é agente. O clamor das ruas não se
destina apenas ao Executivo. O clamor das ruas destina-se a nós,
destina-se ao Congresso, destina-se ao Poder Legislativo.
A
jornada de 2013 apontou demandas a que a gente não correspondeu.
Essa jornada de 2015 vem com mais força e menos politizada do que a
outra, porque nós não respondemos àquela demanda de
2013.
Então, nesse sentido eu tenho dificuldade. Por exemplo, o
voto facultativo com 5 anos de prazo é um jejum absoluto do debate
político, do exercício da cidadania política. Em 5 anos, uma pessoa
já passou da adolescência, já passou da juventude. Ela tem que se
formar e se posicionar politicamente ainda como adolescente, como
jovem. E aí isso passa pela educação política. Então, é um jejum de
5 anos que se impõe à sociedade, na percepção de haver necessidade
de debates políticos, de disputas de posições, de convivência do
contraditório em relação àquilo que está sendo posto e debatido com
a sociedade.
Eu acho que prestam um mau serviço à democracia muitos desses
pontos que estão aqui. Um ano de filiação é pouco, porque a pessoa
quer entrar num partido para servir o País e a sociedade. Isso não é
fantasia não. Há muita gente boa neste País e nesta Casa,
independentemente de partido, que tem esta concepção e tem este
apelo: “Eu vou me filiar a um
partido porque eu quero servir ao País. E, para servir ao País, eu
escolho tal partido porque imagino que esse partido apresenta uma
proposta e uma concepção de nação e de mundo com a qual eu me
identifico”. Se 1 ano é pouco, imaginem 6 meses, porque aí se
reduz a adesão a um projeto partidário à vontade de ser candidato e,
eventualmente, vir a ser eleito para alguma
função.
Enfim, eu sei que ao dizer isso não estou contribuindo, eu
estou simplesmente criando questionamentos. E são questionamentos
que eu me faço pessoalmente. Eu tenho muita dificuldade de fatiar
essa proposta. Eu queria fazer um apelo muito forte a todos os meus
companheiros. E eu incluo todos os meus companheiros mesmo, esses
todos que estão se empenhando para termos uma reforma política e não
para facilitar sua eleição ou não, sua reeleição ou
não.
Então, nós vamos chegar a um resultado e, ao final das 40
sessões, o Presidente já disse que vai avocar a matéria, para que
votemos um negócio desses. Como é que eu tenho condição de votar se
não acredito em nada disso, na coisa feita dessa forma?
Desculpem-me se estou desrespeitando algum companheiro, em
particular o Presidente e o nosso Relator. Mas tenho uma vontade
muito grande de que possamos fazer uma coisa melhor do que
eventualmente esses pontos estão a sugerir e de que possamos avançar
e melhorar essa nossa tarefa.
Era um pouco isso o que tinha a dizer,
Presidente.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Deputada, se V.Exa. permite-me, esses pontos aí
não saíram da minha cabeça não.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Eu não estou cobrando de V.Exa.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - (Riso.)
São temas que estão na pauta de todas as propostas de reforma
política das quais nós já participamos nesta Casa. E eu não estou
propondo o fatiamento. Talvez eu venha a propor isso lá na
frente.
Essa proposta aí é só porque eu vou ter que escrever um
relatório. E como eu vou escrever o relatório? A favor do voto
facultativo ou obrigatório? Eu vou escrever um relatório a favor do
suplente de senador ou vou me omitir? O prazo de convenções, a
janela da fidelidade, todos esses são assuntos que nós estamos
debatendo.
Então, o que eu estou fazendo? Eu estou consultando os
membros da Comissão — porque eu disse na minha cartilha, no primeiro
dia, que eu não seria Relator de mim mesmo —, para eu colocar no
relatório aquilo que V.Exas. decidirem.
Então, como é que eu posso saber a opinião de V.Exas. se não
perguntar? Eu dei minha opinião aqui, abri a sessão dizendo: “Eu sou a favor dos 6 meses de
filiação partidária para candidatar. Eu acho que nós devemos
encurtar o tempo de campanha”.
Também dei a regra da suplência de senador. Mas eu não
vou escrever lá no meu relatório o que eu penso. Eu vou escrever o
que V.Exa. pensa, o que todos aqui pensam. Então, eu preciso colher
a opinião de V.Exas.
Isso
daí não está fatiando, nem está fazendo por parte a reforma
eleitoral e nem está tirando uma parte do todo e de uma construção,
porque eu concordo com V.Exa. que nós temos que fazer uma reforma
que tenha coerência do começo ao fim, com todas as propostas que
votarmos aqui.
Inclusive,
um dos motivos pelos quais eu e o Presidente Rodrigo Maia fomos ao
Presidente Eduardo Cunha foi para transformar esta Comissão Especial
também numa Comissão infraconstitucional, para abordarmos todos os
temas inerentes ao que for proposta de emenda constitucional e
projeto
de lei.
Então,
a finalidade é essa e não a de fazer itens separados e deixá-los
estanques. Agora, até para eu escrever isso num relatório que seja,
digamos, um relatório só, tenho que escrever item por item. E os
itens que eu vou escrever serão aqueles que tiverem maioria aqui da
Câmara. A intenção é essa.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputada Luiza Erundina, V.Exa. quer
falar mais alguma coisa?
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Sr. Presidente, há um ponto que me acorreu aqui. Por
exemplo, a questão do voto facultativo vai estimular o uso do poder
econômico, que vai comprar muito mais facilmente um número muito
menor de candidatos.
Era
só isso que eu queria acrescentar.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Mas por que eu coloquei esse tema? Porque está
na PEC sobre a qual nós vamos dar parecer. Na PEC do Deputado
Cândido Vaccarezza está lá o voto facultativo. Eu sou contrário ao
voto facultativo, sou a favor do voto obrigatório. Mas eu fui voto
vencido. Então, como é que eu vou escrever no relatório? Vou
escrever de acordo com o que V.Exas. opinarem.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Silvio
Torres.
Somente a Deputada Luiza Erundina pode falar por mais tempo.
(Risos.)
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente, eu sabia que haveria essa ressalva. Mas
a Deputada tem direito a isso.
Sr.
Relator, fazendo uma reflexão sobre o que a Deputada Luiza Erundina
falou, eu queria primeiro acrescentar que acho que V.Exa.
está tomando o termômetro, digamos assim, desta Comissão e, em cima
dele, elaborando um relatório que não é fruto apenas das discussões
que vamos fazer nesses poucos 40 dias que vão durar a Comissão. Na
verdade, a Deputada, que também está aqui há muito tempo, sempre
contribuiu muito com esse debate, que já vem desde 1997, pelo menos
dos meus tempos de mandato.
Eu
tenho absoluta convicção de que nós não vamos chegar nem agora nem
num tempo razoável à reforma ideal que queremos para o País, devido
à sua complexidade. E nós que já temos trabalhado sobre o
diagnóstico, sabemos o quanto ela é difícil. Eu não tenho
expectativa de que consigamos, com todos esses pontos, chegar a um
acordo para votá-los já para as eleições de 2018.
E mais, mesmo que estejamos colocando os nossos pontos de
vista agora, nessas discussões, nós vamos tornar a discuti-los
quando o relatório for apresentado. Todos nós nos reservamos o
direito de ter uma nova discussão.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E votação.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Eu acho que é uma discussão de mão dupla: V.Exa.
coloca os seus pontos de vista; nós colocamos o nosso, ouvimos os
demais; e vamos amadurecendo a nossa posição até chegar o momento
certo, que vai ser aqui e no Plenário posteriormente.
Então, eu queria, bem objetivamente, falar sobre o que penso.
Primeiro, Sr. Presidente e Sr. Relator, eu infelizmente não pude
comparecer à reunião da manhã, a que gostaria muito de ter
comparecido. Mas, como houve um encontro com o Governador e a
bancada, eu não pude vir. Se eu tivesse comparecido, teria dito que
não sou favorável à coincidência de mandatos. Para mim, esse é um
ponto que dificilmente vou mudar. Tenho muita dificuldade para isso.
Eu acho — e gostaria de colocar também, se me permitem — que quem
vai perder com uma votação coincidente vai ser a sociedade.
Os
prefeitos e vereadores são o poder local, o qual, para mim, é o
poder legítimo, é o poder da base — eu sou muito favorável à
descentralização política e administrativa dos recursos Se nós
separarmos a eleição das Prefeituras, de prefeitos e de vereadores,
vamos perder a oportunidade de discutir o Município, discutir a
cidade, discutir as questões que atendem diretamente o povo,
que
sensibilizam a população.
E
é certo que, se nós fizermos uma eleição de presidente a vereador,
nós não vamos ter espaço para discutir a questão local. Nós não só
não vamos ter espaço na televisão — como bem lembrou o Deputado,
sobre como seria dividido do tempo de televisão—, como sabemos de
uma experiência desastrosa para a ditadura, mas que foi muito boa
para todos nós que éramos contra a ditadura. Em 1982, quando o
Governo Federal quis vincular as eleições, partindo do pressuposto
que havia 4 mil Prefeitos da ARENA eleitos em todo o Brasil e
achando que isso ia puxar a votação para os demais cargos, o que se
viu foi o contrário: a força da Oposição era tão grande que elegeu
tudo, de cima até embaixo.
Vejam
o que também pode ocorrer — esta é outra preocupação — se nós formos
fazer eleições de 5 em 5 anos: no ano em que houver eleições, se
houver um partido ou uma tendência muito forte, nós corremos o risco
de que ele eleja tudo no Brasil. Eu acho que as eleições não casadas
dão a oportunidade de o povo discutir mais de uma vez a questão
política de modo geral, tanto nas eleições municipais quanto nas
eleições de presidente e de governadores.
Partindo
do princípio de sermos contra a coincidência de eleições, eu não
posso nem imaginar que nós possamos estar pensando diferentemente em
outras questões.
Quanto ao prazo de filiação partidária, são duas questões que
se examinam. Primeiro eu acho que, para quem não é filiado, esse
prazo é livre, ele pode ser antecipado. Mas quem está no mandato —
aí, Deputada Luiza Erundina, eu queria tentar esclarecer um
pouquinho — vai poder mudar ao final do mandato, ou seja, não vai
sair dos compromissos que assumiu como candidato de determinado
partido. Então, após ter cumprido o mandato e ter tido uma nova
visão política, é uma oportunidade de ele mudar de tendência e de
mudar de local. Então, esse é um tempo que se dá, que pode ser 30
dias, pode ser 90 dias. Eu só acrescentaria a seguinte ideia: quem
quiser mudar deve se desfiliar do partido com um tempo razoável,
para que não saia de um partido e já pule para outro logo em
seguida.
Eu sou favorável à janela de fidelidade. E acho que o tempo
de 1 ano ou 6 meses não vai fazer nenhuma diferença no processo.
Voto
facultativo. Como já foi falado inclusive por dois Deputados, o voto
hoje já é facultativo no Brasil. Se a pessoa não votar, basta
justificar o seu voto, o que faz em qualquer local que estiver.
Então, ela paga uma multa depois, que é mínima, de 3 reais. Pelo
menos ela terá comparecido para dizer “Eu podia votar e não quis
votar”. Eu acho que o voto em minha opinião deve continuar como
é hoje, obrigatório.
Sobre a questão de suplência de Senador, em 1982, quando
havia sublegenda, podia-se lançar mais do que um candidato por
partido, sendo que o outro candidato era votado também nominalmente.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Em 1978.
O
SR. DEPUTADO SILVIO TORRES -
Em 1978. Exatamente. Foi o caso clássico, Deputada Luiza Erundina,
de Fernando Henrique Cardoso e Franco Montoro: Fernando Henrique
Cardoso foi candidato a Senador; era suplente do Montoro; e assumiu
o cargo quando Montoro se elegeu Governador.
Mas
acho que é razoável que o mais votado assuma, desde que ele tenha o
mínimo de votos também, senão vamos incorrer praticamente no mesmo
erro.
Não sei se faltou alguma coisa.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - A época das convenções.
O
SR. DEPUTADO SILVIO TORRES -
Quanto à época das convenções, em se mantendo a não coincidência das
eleições, como é hoje, eu sou francamente favorável à diminuição do
tempo de campanha, tanto o tempo formal como nas televisões
especificamente.
Trago uma reflexão a título de sugestão: sobre esse vazio de
discussão política eleitoral, talvez pudesse fazer algum tipo de
compensação nos períodos não eleitorais, para dar mais tempo a um
debate eleitoral, talvez tirando do período de televisão os 45 dias,
diminuindo 15 dias. Esses 15 dias seriam aproveitados em outros
períodos. Os partidos teriam mais tempo de colocar as suas
plataformas nos períodos não eleitorais.
Era isso que eu queria deixar
registrado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Átila
Lins.
O SR. DEPUTADO ÁTILA
LINS - Sr. Presidente e Sr. Relator, na questão do voto
facultativo, eu fico com a opinião da maioria, de que deve continuar
como está: o voto obrigatório.
Em relação aos suplentes de Senadores, eu concordo que os
suplentes sejam os mais votados, exatamente na forma sugerida pelo
Relator.
Sou favorável também, Sr. Presidente, à diminuição para 6
meses do prazo para filiação partidária. Acho que 1 ano inibe. De
repente, aparece uma liderança querendo ser candidato ou querendo
ingressar na carreira política e não pode fazê-lo, porque passou o
prazo dos 365 dias que lhe obriga a estar filiado a um partido
político.
Então, eu acho que essa diminuição para 6 meses facilitará e
permitirá o surgimento, inclusive, de novas lideranças que,
eventualmente, desejem disputar a eleição no próprio ano da
filiação.
Quanto ao prazo para mudança de partido, também acho que é
uma espécie de desincompatibilização. Refiro-me, para a mudança de
partidos, às janelas. Eu acho também, Presidente e Relator, que devemos fazer
essa abertura, até porque isso será um modelo, um modo de se evitar
o surgimento de tantas siglas partidárias.
O Relator acabou
de frisar há pouco, e outros companheiros também o fizeram, que o
fato do surgimento de tantos partidos é exatamente como isso tivesse
vindo para servir de abrigo para aqueles que, eventualmente, em
função de uma questão ou de outra, não querem continuar na sua sigla
partidária e vão buscar outros partidos novos. Muitas vezes, você
nem tem afinidade com o programa, mas é uma questão de buscar uma
nova sigla partidária para continuar participando das
eleições.
Eu acho que deveríamos dar essa possibilidade dos 30 dias
antes dos 6 meses da filiação partidária para a
desincompatibilização. Você poderia permitir, por 30 dias, mudança
do partido. Seria no fim do mandato e não no início.
Digo
isso porque sempre reparei, Sr. Presidente — e confesso a V. Exa.
que estou no exercício do meu sétimo mandato aqui, como Deputado
Federal —, que muitas vezes se ganhava a eleição, mas no outro dia
mudava-se de partido. Com essa norma isso não acontecerá; você
poderá buscar uma nova sigla partidária no último ano do seu
mandato, quer dizer, na busca de uma nova eleição. E aí eu concordo
com a abertura dos 30 dias antes dos 6 meses.
Quanto à alteração da data das convenções, Presidente, ao se
passar do dia 10 de junho a 30 de junho para 15 de julho a 30 de
agosto, acho uma ideia saudável, até porque você daria um prazo para
que até o dia 30 de agosto houvesse o registro das candidaturas e,
com isso, as campanhas passariam apenas de 15 de agosto, na minha
opinião, a 30 de setembro. Portanto, seriam 45 dias de campanha, os
quais poderiam ser muito bem distribuídos entre os
partidos.
Em relação à coincidência dos mandatos, eu sou favorável. Só
sou contrário, Sr. Presidente, à mudança do tamanho dos mandatos.
Acho que, se você quer coincidir os mandatos passando-os para 5
anos, você vai ter muita dificuldade, a menos que você dê um mandato
de 10 anos para Senador.
Quanto a essa perspectiva de se diminuir os mandatos dos
Senadores para 5 anos, quero crer que nós estaremos chovendo no
molhado. Não sairá do Senado, como tantas outras propostas que nós
já estamos acostumados a fazer. Eu estou aqui, Presidente, desde
1990. Já acompanhei, portanto, várias comissões de
reforma.
Então, eu acho que, se nós quisermos uma reforma possível,
uma reforma que tenha chance de vitória, não creio que possamos
colocar 5 anos de mandato para todos, até porque nós não vamos
conseguir que o Senado diminua o seu próprio mandato.
Era o que eu tinha a dizer.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Moema
Gramacho.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Sr. Presidente e Sr. Relator, eu gostaria de
concordar com a Deputada Luiza Erundina, no que diz respeito ao
conceito desta Comissão em relação ao trabalho da reforma política.
Acho que nós devemos discutir tudo, sim, mas nós devemos
eleger algumas prioridades. E não sei se haverá consenso e não sei
como V.Exa. vai definir no final, se será ou não votação, separando
o que nos converge e votando no que há de divergência. Mas que nós
elegêssemos algumas prioridades, para que não fizéssemos uma reforma
política apenas com amenidades, com coisas menores.
Então, são muitos os pontos, e nós vamos discutir todos eles.
Podemos até entrar em consenso com alguns, mas alguns deles são
condição sine qua non
para a reforma política — e acho que um deles é a parte do
financiamento.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É o financiamento e o sistema eleitoral. Por
serem eles tão importantes, nós estamos tentando limpar a pauta de
todos os assuntos para a gente se concentrar só no sistema eleitoral
e no financiamento de campanha.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Sim, o que eu estou colocando não é que a metodologia
ate a gente chegar lá; mas que, ao final, a gente tenha eleito
algumas prioridades que, sem elas, a gente não daria cabo de dizer
que está efetivamente apresentando uma reforma política.
Eu quero me deter aqui à questão do voto facultativo ou
obrigatório. Quero fazer uma reflexão com os companheiros Deputados.
Vamos imaginar o seguinte: a questão do voto obrigatório não
necessariamente é, neste momento, uma questão de fazer com que ele
continue pela conscientização da população.
Isso é importante também, mas é muito mais para garantir as
condições da votação, para garantir que o eleitor possa ir votar,
para garantir que os gestores, sejam eles prefeitos ou governadores,
deem condições para as pessoas irem votar.
Nós não estamos falando aqui de um Brasil que tem só capitais
ou que tem locais de fácil acesso. Nós estamos tratando de eleições
em locais onde as pessoas têm que se deslocar de barco, como é o
caso do Amazonas, do Pará ou de outros locais.
No caso de ser obrigatório o voto, os gestores são obrigados
a fazer com que todos tenham condições de irem votar. Se for
facultativo, mais uma vez vamos estimular aqueles que são detentores
de mandato a transportarem exclusivamente os seus eleitores e não a
população como um todo.
A população precisa ter o direito de ir votar. E para ter o
direito, neste momento, com questão cultural, com todo esse processo
que nós ainda vivemos e que não vai ser resolvido em tão pouco
tempo, é muito temerário nós mudarmos para o voto facultativo.
Portanto, eu acho que a gente deve mantê-lo como
obrigatório.
Há outra questão, do ponto de vista cultural. Eu já fui
Deputada Estadual por três mandatos e Prefeita por duas vezes, mas
sou eterna sindicalista e sempre enfrentei no sindicalismo greves em
que você tem uma grande parcela de militantes que ficam na greve,
mas outra parcela que, mesmo sabendo que vai melhorar a sua
qualidade de relação de trabalho e salário, vai para a praia no dia
da greve. Essa é a cultura! E nós não vamos mudá-la tão rapidamente.
É um processo.
Portanto, eu quero fazer a defesa da continuidade do voto
obrigatório, ainda que nós não façamos isso ad eternum. Talvez, um dia,
a gente possa mudar. Mas acho que ainda não estamos preparados: nem
o eleitor, nem o cidadão, nem os gestores que estarão organizando as
eleições.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Arnaldo
Jordy.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E quanto aos outros
temas?
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Para os outros itens, eu concordei com algumas das
falas anteriores e, oportunamente, estarei me posicionando.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Sr. Presidente, Sr. Relator, Deputado Rodrigo
Maia e Deputado Marcelo Castro, parabéns pela iniciativa e condução
exemplar de trabalhos aqui, permitindo diálogo e a exposição franca
das opiniões, inclusive recolhendo, democraticamente, essas
posições.
Já estou contemplado em muito do que foi dito, mas, pegando a
questão do voto facultativo, Deputado, acho que a questão da
estrutura governamental para deslocamento, prevista inclusive na
Resolução do Tribunal Superior Eleitoral, como apoio, continua
garantida.
O que nós estamos discutindo é a obrigatoriedade do exercício
do voto, que é outra coisa.
O
fato do voto não ser obrigatório, não quer dizer que esse
compromisso não esteja mantido.
A outra coisa é o voto facultativo. Como alguns já disseram
aqui, o voto no Brasil, na prática, já é facultativo. Essa eleição
foi um exemplo claro disso. Nós tivemos 53 milhões de votos no 2º
turno para a Presidente Dilma, 51 milhões de votos para o candidato
Aécio e quase 30 milhões de abstenções, o que chega a quase 9%.
Foram 38 milhões de votos, arredondando, no 2º turno, entre brancos,
abstenções e nulos. Na eleição para Deputado Federal, nós tivemos 53
milhões de ausentes, quase um terço do eleitorado.
Então, na verdade, essa opção — ainda que sob o
constrangimento da oficialidade — já está sendo exercida. Isso não é
uma posição fechada na Bancada do PPS. Eu já fui mais simpático ao
voto obrigatório, mas hoje estou convencido de que isso não
representa nenhuma ameaça à consistência da institucionalidade
democrática e muito menos eleitoral do País.
Há
a experiência de várias outras democracias que já exercem o voto
facultativo sem nenhum risco de qualquer tipo de instabilidade nesse
sentido. Então, sou favorável.
Sobre a questão do prazo de filiação, eu sou favorável a 6
meses. Acho que poderia ser até um pouco menos. Esse é um
engessamento desnecessário hoje. Isso, na minha opinião, não tem
nada a ver com fidelidade partidária. Fidelidade partidária é
atinente ao mandato, ao exercício do mandato parlamentar, que é
construído coletivamente. Portanto, não se pode, quando o Deputado
resolve abandonar o seu partido, o coletivo ser preterido — a
instituição partidária — em função da decisão, muitas vezes, de
conveniência momentânea, circunstancial, daquele que é o portador do
mandato. Em regra, é o que ocorre.
O direito de um cidadão se filiar num país com as
dificuldades que nós temos é um direito de liberdade, inclusive de
liberdade de organização. Ele não pode ficar engessado. Eu imagino
quantos jovens, em julho de 2013, naquele exercício de democracia de
rua, da democracia direta — a juventude indo pra rua, exigindo
redução de tarifa, exigindo a melhoria da qualidade da educação e da
saúde, exigindo transparência nas contas dos estádios da Copa do
Mundo e tudo mais —, quantos ali despertaram para a política e
poderiam ser candidatos, por exemplo?
Mas
eles estavam impedidos de exercer esse direito, de colocarem seus
nomes sob apreciação do povo, porque não havia prazo para filiação
partidária. Eu acho isso uma violência.
Então, eu acho que isso não tem muito a ver com a fidelidade;
é um direito de as pessoas terem a oportunidade de se filiar a uma
agremiação política, seja para ser candidato ou não, seja para
participar dos fóruns partidários ou opinar coletivamente sobre as
suas decisões.
Acho
que essa experiência do Brasil não é uma boa experiência. Sou
favorável à redução do prazo — e para todos —, sem distinção de
militar, de procurador. Não tem mais sentido essa relação
diferenciada hoje na cidadania.
Período de convenções. Aí é o típico caso que depende de
outras questões da reforma. Isso pode ser positivo ou negativo,
dependendo do sistema eleitoral que nós vamos definir, dependendo se
haverá coincidência ou não de mandatos. Concordo com a Deputada
Erundina: é um jejum muito grande de exercício democrático, de
exercício eleitoral, 5 anos de silêncio. Portanto, 5 anos para
renovação de mandatos eleitorais no Brasil, eu acho um período longo
demais.
Quanto ao prazo de campanha, ao se manter o sistema atual,
estou de acordo que deva ser reduzido. Não é pelo problema do custo,
porque nós vamos reduzir custo por outros mecanismos, não
necessariamente reduzindo o tempo de televisão — também, mas não
necessariamente. E outra coisa: nós precisamos mediar, porque este
País é continental, é um País que tem várias
realidades.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Por favor, para
encerrar!
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Eu já vou concluir, Deputado
Rodrigo.
No meu Estado, por exemplo, o Estado do Pará, são 45 dias
para uma eleição no sistema atual. Mas, se for o voto
distrital, deve-se
mudar, pois o discurso é outro, a realidade é outra. Mas, nesse
sistema atual, no Amazonas e no Pará é impossível 40 dias de
eleição. É impossível! Do Município de Altamira, para se chegar ao
principal distrito eleitoral depois da sede daquele Município,
tem-se que percorrer 1.100 quilômetros — refiro-me ao Distrito de
Castelo de Sonhos. Está certo?
Então,
não é uma coisa tão simples, mas eu sou simpático à redução,
dependendo se haverá coincidência ou não.
Para
o caso dos Senadores, eu sou simpático à proposta de V.Exa. Estou de acordo e a
acho muito melhor do que a proposta do Deputado Edmar.
Deputado
Edmar, o Senado e o Congresso Nacional têm papéis institucionais e
constitucionais diferenciados. Eu pergunto como fica o eleitor que
escolheu um Deputado Federal, elegeu um Deputado Federal, mas ele se
transforma em Senador, no momento seguinte, à revelia dessa decisão
originária do processo da democracia representativa.
Acho
que é uma coisa aparentemente insignificante, mas ela tem certa
importância porque são instâncias de Poder de representação,
inclusive, distintas: Congresso Nacional, Câmara Federal e Senado da
República.
No
resto, estou de acordo com as ponderações de V.Exa.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
E a janela?
O
SR. DEPUTADO ARNALDO JORDY -
Com relação à janela, eu estou de acordo. Acho que tem que ter um
prazo, e esse prazo tem que ser mínimo. Para evitar as razões que já
foram aqui expostas, não se pode engessar plenamente o exercício da
opção partidária.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Max Filho. Peço que todos
nos atenhamos aos 3 minutos, porque, quando começar a Ordem do Dia,
vou encerrar a sessão.
O
SR. DEPUTADO MAX FILHO
- Perfeito. Eu sou partícipe do sentimento da Deputada Luiza
Erundina. Gostaria de fazer uma pergunta ao nosso Relator: ao final
dos trabalhos, o Relator propõe um referendo da proposta a ser
votada nesta Comissão e a ser submetida ao Plenário? A sua proposta
contempla um referendo popular, como está previsto originalmente na
PEC?
Eu
gostaria apenas de saber qual é o sentimento do Relator em relação a
esse ponto.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
A minha proposta vai ser a proposta de V.Exas.
O
SR. DEPUTADO MAX FILHO -
V.Exa. está parecendo um
tucano. (Risos.)
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
V.Exas. é que vão dizer
como vão querer que eu faça o relatório.
O
SR. DEPUTADO MAX FILHO -
Eu vou me posicionar. Eu sou muito simpático à tese do voto
facultativo. Não vejo problema em relação à sua adoção, até porque a
lei, em que pese o art. 14 da Constituição, estabelece que tanto o
alistamento quanto o voto são obrigatórios, mas ninguém é obrigado a
votar, basta justificar em outra sessão qualquer. Mas o
comparecimento, sim, é obrigatório. Também não faço um
cavalo-de-batalha sobre isso, pois penso que esses temas terminam
sendo um pouco periféricos.
Com relação ao prazo de filiação, o Brasil já sofreu muito no
passado com o fato de que, em cada eleição, havia uma lei diferente
presidindo-a. Com a Lei nº 9.504, salvo engano, estabeleceu-se uma
regulação que vale para todas as eleições: é a chamada Lei Eleitoral
— além da Lei Orgânica dos Partidos Políticos, que também datam do
mesmo ano.
Eu
penso que as alterações que devemos fazer — claro que esperamos que
seja para melhor —, inclusive a questão da fidelidade partidária e
do fortalecimento do partido político, são as mais importantes para
a democracia brasileira, para a democracia em qualquer lugar do
mundo. Então, vejo com certa reserva reduzir esse prazo de filiação
para 6 meses, porque a Lei Eleitoral, de 1996, estabeleceu prazo de
1 ano e tem sido esse prazo de lá para cá.
Eventualmente,
como bem falou aqui o Deputado Joaquim, em razão da própria reforma,
deve-se pensar em alguma janela. Isso, talvez, viesse a ser algo
necessário até. A
janela de fidelidade é uma janela de “infidelidade”, portanto. Eu
acho que já existe hoje a possibilidade de mudança de partido, e
estão colocadas aí as hipóteses: fusão partidária, criação de novos
partidos — e esta Casa recentemente criou certa dificuldade para a
criação assim como para a posterior fusão —, o instituto da justa
causa apresentado à Justiça Eleitoral.
De
forma que eu vejo com certa reserva tanto a questão da redução do
prazo da filiação quanto a questão da janela da “infidelidade”.
No tocante á suplência de Senador, eu acho também que é uma
questão de menor importância. Eventualmente, a gente poderia proibir
que o suplente fosse parente até o 3º grau do candidato a titular do
cargo.
Achei razoável a ponderação de um colega. E também a
proibição pode se estender ao financiador.
Eu
penso que, para toda essa reforma, o que está presidindo a mente e o
coração do nosso Relator o modelo que nós temos hoje das campanhas
muito caras, muito ricas e que são a causa de grande parte do
problema. E nós estamos tratando aqui dos temas periféricos, não
estamos tratando da questão do custo da campanha. E, nesse sentido,
busca-se também abreviar o tempo da campanha, o que acho também ser
um desserviço às mudanças que o Brasil
precisa.
Imaginem que, ao adotarmos 5 anos de mandato e um período de
campanha de apenas 60 dias, para quem nunca foi candidato, para quem
não tem um rosto conhecido pela mídia, para quem não tem um espaço
de poder consolidado, não vai ensejar a participação e a renovação
necessária. Também vale essa observação para quem não é dono de
emissora de rádio ou de televisão.
Enfim,
nós temos que ensejar a participação das pessoas simples do povo na
vida política nacional. Então, penso que, se houver um prazo menor
de campanha, o anônimo continuará anônimo, ainda mais se a eleição
se der de 5 em 5 anos — se for essa a decisão.
De
forma que eu compartilho do sentimento da Deputada Luiza Erundina,
que falou que seria um jejum longo demais — a cada 5 anos — e um
tiro curto para a campanha.
Eu sei que a campanha como está hoje é cara, é rica. E quem
não tem o poder econômico por traz tem maior dificuldade e quer uma
campanha curta, uma campanha enxuta, porque ninguém aguenta chegar
no dia da eleição nesse modelo que nós temos visto
aí.
Então, o barateamento da campanha é uma coisa essencial, pena
que a gente não consegue destacar esse ponto, que é um ponto
central, certamente, na mente do Relator.
Mas é isso o que eu penso e quero compartilhar com o
Relator.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E quanto à suplência de
Senador?
O SR. DEPUTADO MAX
FILHO - Penso que nós poderíamos limitar, ou melhor, manter o
sistema de hoje, sendo eleito o suplente junto com o titular, mas
proibir que o suplente seja financiador da campanha...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E a época das convenções?
O SR. DEPUTADO MAX
FILHO - Eu defendo que se mantenha como está, ainda mais se
adotarmos os 5 anos de mandato com coincidência de eleições — o que
eu sou contra.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Afonso
Motta.
O SR. DEPUTADO AFONSO
MOTTA - Caro Presidente, eminente Relator, quero em primeiro
lugar registrar os meus votos pelo voto obrigatório, pela redução da
filiação partidária, pela janela na forma proposta, pela redução do
prazo das convenções, pela eleição de suplente de Senador na forma
proposta, valorizando o princípio da redução das campanhas e da
igualdade entre os candidatos.
Queria pedir licença para fazer um registro, com muito
respeito e consideração, de um novato, lamentando que até agora não
tenhamos aprovado o Orçamento, pois acho que é uma questão, para
todos nós que integramos o Congresso Nacional, de
constrangimento.
Claro,
com todo o respeito, penso serem importantes os fundamentos do
sistema político e que o processo de representação, como ele se
apresenta hoje, é um processo também limitado, precário, e que nós
temos que avançar na representação direta. Mas eu quero reafirmar
essa questão de não termos até este momento aprovado o Orçamento
para valorizar as escolhas processuais, Relator, que nós fizemos no
encaminhamento dessa questão da reforma.
É
um risco, evidentemente. Mas acho que, se nós não fizermos escolhas
processuais, nós corremos um risco maior, como aconteceu nas
Legislaturas anteriores, de não termos nenhuma reforma. E acho que
nós temos que pensar um pouco diferente, porque, se nós fizermos uma
reforma, ela há de produzir um sistema político-eleitoral diferente
do que está vigendo hoje, até porque, se não for assim, ela não faz
sentido.
A
gente fala muito assim: “O
financiamento de campanha que não é público, como temos hoje, que é
o fundo partidário, funciona mal, não tem transparência. O horário
gratuito de rádio e televisão também não observa critérios e, em uma
eventual redução do prazo de campanha, vai funcionar mal”.
Ora,
o rádio e a televisão hoje, do ponto de vista de audiência, do ponto
de vista de ser imediato, de contato com a sociedade, não tem mais o
mesmo significado que a rede, por exemplo. A gente tem que se
perguntar: “Como conseguiram
fazer uma mobilização como essa de domingo, com nenhum critério
tradicional de convocação, com a interferência de nenhum partido?
Como se conseguiu?” E nós estamos aqui tentando regular uma
forma convocatória, uma forma de exposição pública que eu acho que
está fora da realidade.
Então,
eu prefiro, eminente Relator, corrermos o risco de nós chegarmos a
um resultado processual... Porque aqui tem massa crítica, dentro do
Congresso tem massa crítica para os temas fundamentais. Se nós não
vencermos os temas fundamentais, não vai ter proposta de reforma.
Com essa massa crítica, nós podemos pensar assim: “Tudo o que nós tivermos de
regular, infraconstitucional, aquilo que disser respeito mais à
dinâmica com a população, nós vamos achar uma forma mais compatível
com a nova realidade da reforma, porque senão não vai ter
reforma”.
Se
nós pensarmos naquela forma tradicional, do jeito que nós fazemos
eleições, como a política tradicional e os partidos tradicionais
fazem eleições, acho que nós não vamos chegar a lugar
nenhum.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Alfredo Kaefer, V.Exa. tem a
palavra. Peço que V.Exa. seja breve, por
favor.
O SR. DEPUTADO
ALFREDO KAEFER - Obrigado, Presidente
Rodrigo.
Eu não sou integrante da Comissão, mas quero participar do
debate e apresentei, inclusive, uma PEC que vai entrar em
discussão.
Eu defendo o mandato de 6 anos, intercalado com eleições a
cada 3 anos. É lógico que nós teríamos que mudar o calendário das
próximas eleições para que tivéssemos esse calendário aprimorado. Eu
entendo que eleição a cada 6 anos ou a cada 5 anos deixará o eleitor
muito distante. Eleição é democracia e, se ocorrer a cada 5 anos,
vai-se esquecer o que é uma eleição. Então, eu acho que isso vai
rejuvenescer sempre, vai oxigenar a
democracia.
Eu
defendo o voto distrital misto — coloquei isso na PEC —, fim da
reeleição para o Executivo e eleições em dois turnos para cidades
com mais de 100 mil habitantes ou, em qualquer lugar, quando um
Prefeito for eleito com menos de 2/5 dos votos. Há Municípios em que
se elege um Prefeito com 18%, com 20%. Eu acho que isso não é a
vontade majoritária da população.
Coloquei
na minha PEC também as eleições para o Senado coincidentes com as
eleições de Deputado, Presidente e Governador, com um mandato de 6
anos, sendo que o suplente seria da própria legenda. Então, haveria
um suplente só, sendo este o segundo colocado dentro daquela legenda
que vai disputar.
Sou
favorável ao voto obrigatório. Não defendo o voto facultativo, por
diversas razões. Eu acho que é um exercício de cidadania. Se um
cidadão tem como reclamar do seu governante, ele tem que ir lá votar
e eleger os que o representam.
Quanto ao prazo de filiação, eu entendo que, dentro de cada
mandato, ele tem que ser fidelizado, mas com oportunidade a que o
candidato mude de partido 6 meses antes da próxima eleição, seja no
Executivo, seja no Legislativo. Então, ele é fidelizado dentro do
mandato em que ele é eleito. É evidente que, num novo processo, nós
teríamos que estudar, eventualmente, uma anistia para se enquadrar
nessa posição. A janela de fidelidade, então, até 6 meses antes da
eleição. E, para as convenções também, eu acredito que 6 meses antes
é um período suficiente.
Então, dentro do que foi proposto, é isso que eu entendo que
seja adequado.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Concedo a palavra à Deputada Renata
Abreu.
Vamos ser breves, por favor, porque vai começar a Ordem do
Dia, e eu vou encerrar assim que começar.
A SRA. DEPUTADA
RENATA ABREU - Só quero deixar a minha posição pelo voto
obrigatório.
Eu acho interessante os 6 meses de filiação, apesar de
representar uma infidelidade, mas eu acho que a janela é válida,
sim.
Em relação ao tempo de campanha, eu queria colocar que
começar uma campanha muito antes, dependendo da forma como ela é
feita, não a campanha em si, mas poder pedir o voto, mesmo sem
placas e essas coisas, viabiliza uma campanha de corpo a corpo. E
isso torna mais possível para um cidadão comum que não tenha tanto
rendimento, como foi a minha própria campanha. Foi uma campanha de
corpo a corpo 1 ano antes, conhecendo pessoas e falando que eu tinha
essa pretensão. Então, eu acho que talvez devêssemos limitar as
questões de estrutura de campanha para os 45 dias, mas não
inviabilizar que a pessoa peça o voto, de repente faça um corpo a
corpo muito antes. Isso permitiria que o corpo a corpo prevalecesse
até sobre as questões financeiras. E eu acho que isso é muito
positivo para o País.
E ainda uma questão que eu deixei de abordar na reunião
anterior sobre colocar a unificação em 2 dias, que é a questão do
segundo turno, que a gente não debateu. Eu acho isso importante.
Então, se ficar 2 dias em 45, com o tempo
como ficaria a questão do segundo
turno?
Só quero deixar a minha posição para o
Relator.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E a questão da janela da
fidelidade?
A SRA. DEPUTADA
RENATA ABREU - Acho interessante 6 meses.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E o suplente de Senador?
A SRA. DEPUTADA
RENATA ABREU - Essa é uma questão em que eu era a favor do mais
votado em seguida. Mas, a partir das ponderações da última reunião,
fiquei em dúvida. Eu acho interessante, na verdade, votar nos dois:
votar no candidato e nos suplentes.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Concedo a palavra à Deputada Josi
Nunes.
A SRA. DEPUTADA JOSI
NUNES - Boa tarde a todos! Bem rapidinho também, vou colocar
aqui a nossa posição.
Quanto à questão do voto obrigatório, sou favorável. Acho
que, do jeito que nós estamos, se colocarmos o voto facultativo...
Nós já temos um número grande de abstenções, imaginem como vai ficar
com o voto facultativo. Então, eu acho que é importante para o
Brasil continuar com o voto obrigatório.
Em relação a ter essa janela de 6 meses para filiação, eu
acho positivo.
Quanto a reduzir o tempo de campanha, acho que 3 meses é
grande, acho que dá. Quem já está com disposição de ser um líder
político já vem fazendo isso de outras formas. Então, que se reduza
esse tempo.
E a suplência fica da forma como está, com o grupo, mas
limitando algumas questões, como o parentesco ou algo nesse sentido.
Mas que se mantenha a suplência da forma como
está.
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Obrigado, Presidente, Relator Marcelo Castro. Quanto mais
eu ouço aqui a palavra “obrigatório” mais trabalharei pelo voto
facultativo. Não há mais sustentação para voto obrigatório no
Brasil. É um direito que você obriga o cidadão a exercer. Então, não
é um direito, é uma imposição.
Eu tenho certeza absoluta: o Brasil terá voto facultativo.
Não sei se será na nossa Comissão, Marcelo Castro, se será daqui a
10 anos ou 100 anos, mas um dia não será mais obrigatório votar
neste País. Espero que possamos levá-lo a plenário e possamos
aprová-lo. Sei que é difícil, mas foi a proposta que eu apresentei,
e cada vez me convenço mais de que ela é correta.
Insisto, Sr. Relator, sobre a suplência de Senador. A
proposta de se colocar na suplência o segundo mais votado não me
parece correta, porque é uma eleição majoritária. Ainda que eu não
concorde, ela é majoritária. O suplente é como o Vice- Senador. Você
não pode chamar o segundo mais votado numa eleição majoritária. Nós
não podemos fazer isso. E em qualquer consulta ao Tribunal, V.Exa.
terá também a mesma resposta, de que não é possível. A eleição é
majoritária! Ainda que eu não concorde. E sei que a população
também, em sua maioria...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Nós
não devemos ou nós não podemos? Eu entendo que nós
podemos.
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Nós não
podemos. A eleição é majoritária: você vota no Senador e vota numa
chapa; você elege na urna o Senador e os
suplentes.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sandro, se nós instituíssemos o distritão aqui
no Brasil, pelo que você está dizendo, nós não poderíamos ter
suplente de Deputado.
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Não, seriam
os mais votados. Quais são os mais votados?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É a mesma regra para suplente de
Senador.
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Na ausência.
Mas é uma eleição proporcional! A eleição de Deputado é
proporcional!
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Não, espere aí. Se nós instituirmos o distritão no
Brasil...
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Vamos mudar o sistema eleitoral.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
É, claro!
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX - Então, mas a eleição
continua sendo...
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Não, a eleição passa a ser majoritária: serão eleitos os Deputados
mais votados, independente do partido. A eleição é puramente
majoritária! Então, pelo que V.Exa. está dizendo, nós não poderíamos
ter suplente de Deputado Federal, porque a eleição é
majoritária.
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Não, mas o sistema é outro.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Eu estou dizendo a V.Exa. que nós devemos ir pelo argumento de que
nós não devemos, de que é inconveniente e tal. Não que nós não
podemos. Nós podemos fazer uma lei e dizer que o quarto mais votado
de uma eleição é o primeiro suplente de Senador. Por que é que não
nós podemos?
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Mas nós não podemos dizer, por exemplo, que, na ausência
de um Prefeito, vai assumir outro que não seja o seu vice. Ele tem
uma chapa. Nós não podemos dizer que vai assumir o segundo mais
votado a Prefeito.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sim, mas atualmente é assim. O Senador tem uma
chapa: é o Senador, o primeiro e o segundo suplente. Nós estamos
propondo acabar com essa chapa e fazer outra regra. Poder, nós
podemos. V.Exa. tem que nos convencer de que nós não devemos fazer.
É outra história.
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Não, nós não podemos, Sr. Relator.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Por que nós não podemos?
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Não podemos, ainda que queiramos. E eu me somo a V.Exa., mas nós não
podemos. É uma eleição majoritária!
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Pois, responda-me aqui: o Piauí tem 10 Deputados Federais. Se nós
aprovarmos o sistema majoritário, que é uma proposta que tem grande
apelo aqui nesta Casa, quem seriam os 10 Deputados do
Piauí?
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
A proposta do distritão é que se elegem os mais votados, os dez mais
votados...
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Pronto.
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Então, fica na suplência aquele que tem a maior votação
subsequente.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
E qual é a diferença para o Senador?
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX - Para o Senador, a eleição
é majoritária.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
E, se nós aprovarmos o distritão, a eleição para Deputado Federal
vai ser majoritária!
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Eu peço,
então, a V.Exa.: vamos fazer uma consulta, como fizemos aqui com
relação à prorrogação de mandatos, o que também já ficou claro que
não se pode fazer. Eu acho que nós podemos fazer essa consulta e
vamos esclarecer. Acho que é importante e conveniente para que a
gente continue o debate, até porque concordo que tem que ter
mudança.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Use o seu argumento, o seu fosfato(riso), para nos convencer
de que V.Exa. pode ter razão. Mas não vá por esse campo de que não
pode, porque poder, nós podemos.
O SR. DEPUTADO ALCEU
MOREIRA - Na eleição de Prefeito, pode colocar o Presidente da
Câmara como vice e extinguir o vice, até porque vice é como muro de
cemitério: tem, mas não precisa. (Risos.)
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Ele faz parte de uma chapa. Até gostaria de poder
concordar, mas não podemos.
E, com relação ao prazo de filiação, ainda sustento também
que isso cabe aos partidos, Relator. Os partidos vão decidir qual é
o prazo. E não tem nada a ver com a fidelidade, porque a fidelidade
cabe àqueles que já foram eleitos. Você pode deixar ao partido o
critério de escolher qual é o prazo que ele vai estabelecer.
Acredito que esse seria o encaminhamento e o fortalecimento
dos partidos.
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O
SR. DEPUTADO SANDRO ALEX -
Concordo também com V.Exa.
A SRA. PRESIDENTA
(Deputada Renata Abreu) - Com a palavra o Deputado Nelson Marchezan
Junior.
O SR. DEPUTADO NELSON
MARCHEZAN JUNIOR - Obrigado, Deputada
Renata.
Deputado Marcelo Castro, eu não faço parte da Comissão, mas
estou participando de algumas reuniões e tentei descobrir aqui mais
ou menos qual era a pauta. Vou tentar ser o mais breve possível
aqui.
Eu acho que nós não precisamos sair daqui da Comissão,
Presidente, nem até o final do ano, tendo votado a reforma total ou
a reforma absoluta ou a reforma definitiva. Acho que nós podemos
votar alguns pontos aqui até o final do ano, e, quem sabe, depois
das eleições municipais, votarmos mais alguns pontos, e, quem sabe,
no primeiro ano da outra legislatura, votarmos mais alguns pontos.
Irmos aprimorando.
Não me parece que a gente deva sair daqui com uma reforma
pretensamente definitiva, e acho que não será possível. Acho que tem
alguns pontos que são bastante viáveis, como a questão do fim da
reeleição, como a questão da vedação das coligações, como a questão,
que particularmente eu defendo, de ser definido um custo de campanha
pelo TRE, por Estado, um valor fixo, que é absolutamente mais fácil
se verificarem as despesas, o quanto está-se gastando. A prestação
de contas ficará limitada, os milagres da prestação de contas vão
diminuir. Então, acho que isso é o que muitos de nós gostaríamos. O
Tribunal define com critério o custo de voto, a distância
geográfica, enfim o valor que uma campanha poderia ter para cada
cargo no Estado, por exemplo.
Parece-me que há outra questão aqui — e eu vou discordar do
meu amigo Sandro Alex —: o voto obrigatório. Eu acho que nós
precisamos ainda do voto como direito e como obrigação de o cidadão
ir lá votar e se responsabilizar pelos próximos anos. Parece-me que
a coincidência, dentro desse mesmo cenário, com os mesmos princípios
é um equívoco. Eu acho que, se o Ministério Público não funciona, se
as Prefeituras, os órgãos públicos como um todo, são incompetentes e
param nas eleições, nós não devemos responsabilizar a cidadania nem
a eleição por isso. Param porque não têm um planejamento; param
porque não têm uma organização; param de novo porque não têm uma
gestão mínima de qualidade no setor público. É por isso que
param.
Então, no meu ponto de vista, é extremamente saudável que a
população venha de 2 em 2 anos e diga: “Errei no meu voto para
Deputado, não vou elegê-lo para Prefeito. Errei no meu voto, não vou
votar nesse partido que não está cumprindo”. Então, eu sou um
defensor intransigente de que nós tenhamos eleições, sim, de 2 em 2
anos, não só para não confundir as pautas, mas para trazer o eleitor
a se manifestar.
Acho que o meu tempo está chegando ao fim. Eu queria, então,
frisar esses pontos, Relator, e dizer que pretendo voltar aqui para
defendê-los em muitas outras oportunidades.
A SRA. PRESIDENTA
(Deputada Renata Abreu) - Obrigada,
Deputado.
Alguma consideração, Relator? Este é o meu primeiro dia aqui
como Presidente, estou aprendendo.
Existem alguns requerimentos extrapauta, mas
devido...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Só um minutinho.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Tem uma...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Já vai encerrar, né? Então,
deixe-me...
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Espere. Eu, Valtenir Pereira, tinha pedido a
inscrição com o Presidente Rodrigo Maia.
A SRA. PRESIDENTA
(Deputada Renata Abreu) - Não está aqui não, mas,
sigamos.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Obrigado, Sra. Presidente, Sr. Relator,
nobres pares. Eu começo a minha participação chamando à reflexão o
que significa política. Política é um instrumento que cuida dos
interesses da sociedade. Quem é a sociedade? A sociedade somos nós,
a sociedade é cada um de nós. Eu faço esse preâmbulo para falar do
voto obrigatório. Se a política cuida dos nossos interesses, então
nós temos a obrigação da participação política, para que nós também
não fiquemos reclamando, murmurando aos quatro cantos, pelas nossas
não escolhas.
Por isso, eu defendo o voto obrigatório. É cidadania, e
cidadania tem direito, mas também tem obrigação. Então, se na
cidadania eu exijo os direitos, eu também tenho que fazer a minha
parte. É uma mão dupla. Eu trabalho para receber; eu quero receber,
então eu vou trabalhar. Da mesma forma é a cidadania. E o voto tem
que ser obrigatório, porque o cidadão tem que participar das
decisões políticas na sua cidade, no seu Estado e no seu País. Por
isso, eu defendo o voto obrigatório, por esse simples raciocínio. A
política cuida dos interesses da população, dos interesses da
sociedade. Pronto! Então, nós temos que participar no dia a dia das
decisões da nossa cidade. Tudo o que acontece ao nosso redor tem uma
decisão política. Se essa decisão foi correta, vai melhorar minha
vida; se essa decisão foi errada, foi equivocada, vai me prejudicar.
Então, eu tenho que participar, eu tenho que estar junto, para poder
ajudar a encontrar a melhor solução para os
casos.
Eu defendo que permaneça 1 ano de filiação. Por que 1 ano de
filiação? Exatamente assim: eu estou no PROS, resolvo sair do PROS,
ou não tenho nenhuma filiação partidária, escolho um partido, olhei
o programa de Governo, o programa partidário, gostei, vou para esse
partido. Esse 1 ano é exatamente para eu conhecer a militância,
familiarizar-me com os projetos do partido, com o pensamento
partidário, construir internamente, construir o plano de Governo,
seja para Vereador, para Deputado, para Senador, para Presidente da
República, para Governador, não importa. Eu preciso dialogar com a
sociedade. Então, eu preciso desse tempo. No dia da convenção, 3
meses ou 6 meses antes das eleições, é muito complicado. Não dá
tempo! Por isso que existe esse 1 ano, para você fazer a construção
partidária, fazer uma organização partidária, juntar pessoas em
torno do seu projeto, do pensamento político que você quer
implementar. Por isso, eu defendo a permanência de 1 ano de
filiação.
Quanto ao prazo da eleição — eu ouvi aqui vários colegas
Parlamentares fazendo esse debate —, eu entendo que tem que se
reduzir. Mas eu ouvi algumas ponderações, como do Estado do Amazonas
e do Estado do Pará, que são mais complicados. E logo eu pensei:
como fazer para poder ajudar a resolver essas questões mais
pontuais? Podemos manter os 90 dias de campanha, sim, como tempo de
campanha, mas que se coloque para a Justiça Eleitoral, junto com os
partidos, decidir um calendário.
No meu Estado, o Estado de Mato Grosso, as eleições estão
sendo feitas com 60, 50, 40 dias. O pessoal joga a campanha na rua
faltando 40 dias, faltando 50 dias. O mais longo está sendo 60 dias.
Então, muita gente fica de 7 de julho, que é quando se pode colocar
a campanha na rua, até 7 de agosto, ou até 15 de agosto, sem soltar
a campanha, e deixa para soltá-la dia 20 de agosto, até dia 30 de
agosto. Tem campanha de 30 dias! Então, a gente poderia deixar essa
flexibilização: o calendário eleitoral continuaria o mesmo, para que
os partidos possam se definir.
Eu aconselho que a eleição seja de 60 dias. Eu acho ideal.
Mas, para os Estados que têm problema comum ao Amazonas e ao Pará,
com dificuldade na locomoção, em que é preciso barco, e aí são horas
e horas, dias e dias, para poder chegar à determinada comunidade, a
determinado Município, poderia se fazer isso. Mas eu defendo a
redução desse tempo de campanha, porque é muito complicado, é muito
tempo.
Volto a falar dos custos de campanha. Nós temos que encontrar
metodologia para reduzir esses custos de campanha. A contratação de
cabo eleitoral, nós temos que proibir; a questão do custo das placas
nas ruas — todo dia põe, todo dia tira; põe de manhã, tira à tarde
—, vamos colocar tudo em outdoor. Na minha primeira
eleição, em 2004, era permitido outdoor; em 2006, quando da
minha segunda eleição, já não se permitia mais. Naquela ocasião,
quando defensor público, primeira eleição, desconhecido,
colocaram-me em um outdoor, no qual eu fiquei
uns 15 dias, que é o
tempo. Muita gente me viu, muita gente se lembrou de mim, muita
gente saiu perguntando: “Ah,
ele é candidato? Eu vi num outdoor. É mesmo. Ele é candidato”.
Então, eu acho que o outdoor
é muito mais barato do que colocar placa na rua, nas praças,
essa confusão toda, e contratar cabo
eleitoral.
Quanto à janela de fidelidade, eu quero ouvir mais para poder
dar uma sugestão, porque a fidelidade partidária foi fundamental.
Outra coisa: a fidelidade partidária impõe o quê? Você organizar
partidos se preparar para as eleições. Quer dizer, eu tomo posse
agora e já fico pensando: “Espera aí, eu vou ficar 3 anos
aqui, e vou ver lá, de repente eu saio do partido, vou para outro
partido.” Aí fica um negócio meio ocasional. E a gente precisa
ter um negócio mais objetivo.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Deputado Valternir, se V.Exa. me
permite...
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - À vontade, Relator.
O SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Eu estou propondo essa janela de fidelidade porque acho que nós não
devemos confrontar o princípio da fidelidade partidária. Acho que a
sociedade brasileira atendeu bem a isso daí, e nós devemos manter o
princípio da fidelidade. Ocorre que, como está hoje na interpretação
do Tribunal Superior Eleitoral e também do Supremo Tribunal Federal,
se o Parlamentar tiver sempre um mandato, a fidelidade é eterna. E
não me parece razoável que nada neste mundo seja eterno. O que
estamos propondo? Que o Parlamentar ou o executivo que foi eleito
por um partido permaneça fiel àquele partido, uma vez que o
entendimento é o de que o mandato pertence ao partido por todo o seu
mandato. Então, ele foi eleito pelo partido A, ele permanece fiel ao
partido A, servindo a esse partido A por todo o mandato para o qual
foi eleito, e o mandato pertence ao partido. Chegando ao fim do
mandato, teria cumprido sua obrigação para com o partido e teria
servido ao partido pelo qual foi eleito. Assim ele estaria livre
para fazer uma nova opção se quisesse.
Eu estou propondo a redução do prazo de filiação partidária
para 6 meses, estou propondo 1 mês, que seria o sétimo mês anterior
à eleição, depois de o Parlamentar ter servido ao partido, para que
ele pudesse estar livre para fazer uma nova opção partidária. Eu
acho que esse engessamento que existe hoje no Brasil é muito
artificial e é uma forçação de barra muito grande, mesmo porque, no
Brasil, não temos verdadeiros partidos políticos. Os partidos são
siglas partidárias. Se formos atrás de partidos que defendem um
programa, que tenham um conteúdo ideológico, que defendam uma
doutrina, não acharemos. Não existe isso no Brasil, pelo menos na
imensa maioria não existe. Aí nós estaremos condenando uma pessoa a
ficar num partido político pelo princípio da fidelidade partidária.
Fidelidade a quê, se o partido não tem programa, não executa nenhum
programa, não defende nenhuma causa, não tem nenhum conteúdo
ideológico? Ele é fiel a quê? A uma interpretação dada pelo Supremo.
Por isso, eu acho que o mais conveniente para a vida parlamentar,
para a vida de todos nós, seria essa pequena oportunidade de mudar
de partido. Isso não traz nenhum problema na prática.
O
que é que a sociedade não aceita? É o que aconteceu aqui no
Congresso, e acontecia sempre: um Governador se elege, um Prefeito
se elege, um Presidente da República se elege, sem fazer maioria no
Congresso; no outro dia, os Parlamentares de oposição migram para o
Governo. Por quê? Porque o Governo faz a cooptação, oferece vantagem
para a pessoa aderir. Isso é que é reprovável. E quando o Governo
quer o apoio do Parlamentar? No início do mandato dele, para poder
passar todo o exercício do seu mandato com maioria parlamentar. E o
Parlamentar que ir quando para o Governo? No início do Governo, para
poder passar durante o Governo todo se beneficiando, usufruindo, das
ações do Governo. Quando chega ao final do mandato de Prefeito, de
Governador, de Presidente da República, de Vereador, de Deputado
Estadual e de Deputado Federal nem o Prefeito quer mais o Vereador,
nem o Governador está precisando mais do Deputado, nem o Presidente
da República está precisando mais do Deputado, nem este está
precisando e nem quer mais ir para o Governo, porque já está
disputando a renovação do seu mandato.
Então, eu acho que se nós mantivéssemos a oportunidade dessa
janela, não confrontaríamos o princípio da fidelidade, os partidos
não se enfraqueceriam em nada, porque, na verdade, os partidos não
existem no Brasil na sua imensa maioria, são apenas amontoados de
siglas partidárias, e nós continuaríamos com o princípio da
fidelidade, sem esse engessamento, sem essa eternidade, que é hoje o
princípio da fidelidade. Se hoje um Parlamentar tiver mandato, ele
não pode mudar de partido, porque é uma coisa muito complexa, justa
causa, não sei o quê. Esse é um negócio muito complicado! E, às
vezes, você pode reprovar um comportamento do partido. Você está
dentro do partido, está insatisfeito, o partido tomou certas
atitudes de que você não gostou e você quer sair.
Qual é o grande apelo que existe hoje para se criar partido
político no Brasil? É a janela que eu estou propondo. Hoje, o grande
atrativo de um partido que se forma, um partido novo, é poder
receber Parlamentares que estão insatisfeitos, o Vereador que está
insatisfeito, o Prefeito que está insatisfeito, o Deputado Estadual
que está insatisfeito, o Deputado Federal que está insatisfeito no
seu partido.
Então, eu estou propondo uma coisa que vai evitar essa
proliferação de partidos também, vai tornar o princípio da
fidelidade uma coisa mais racional, mais real, mais de acordo com o
mundo real em que a gente vive.
O SR. DEPUTADO NELSON
MARCHEZAN JUNIOR - Deputado, quero só fazer um aparte sobre o
tema.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Eu quero continuar falando, mas eu concedo um
aparte, só para fechar.
O SR. DEPUTADO NELSON MARCHEZAN
JUNIOR - Eu queria concordar aqui com o Relator no diagnóstico,
mas discordar no remédio. Eu acho que essa janela, na verdade, vai
acabar, sim, com os partidos. E aí os partidos virão reféns dos
Parlamentares, porque quem leva o fundo partidário e o tempo de TV é
o Parlamentar. Então, se nós tivermos hoje o Parlamentar dando
ordens, durante 3 anos e meio, no partido, ao contrário do que
desejam todos os seus filiados, dirigentes, Prefeitos, Vereadores,
etc., toda a sua história, ele permanece. Se ele não comandar o
partido, ele sai com toda a sua estrutura. Então, eu concordo com o
diagnóstico.
A
fidelidade, do jeito que está, é uma fidelidade equivocada, porque,
se hoje o Parlamentar for expulso do partido, o Tribunal entende que
mantém o mandato para ele. Ele é expulso por falta de ética, por
falta de decoro, por não seguir as orientações e ele mantém o
mandado, ou seja, não vem o suplente. Então, é uma fidelidade
relativa.
Eu só entendo que, se efetivamente fizer a alteração dessa
forma para solucionar esse problema, nós vamos ter uma fidelidade do
partido ao Parlamentar, e não do Parlamentar ao partido. O partido
será um escravo do Parlamentar, porque o Parlamentar vai comandar:
“Ou o partido faz o que eu
quero, ou eu vou para outro, que fará o que eu quero.” Vai virar
um leilão. Repito, eu concordo com o diagnóstico. Do jeito que está,
merece algumas...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sim. E qual seria a
saída?
O SR. DEPUTADO NELSON
MARCHEZAN JUNIOR -
Eu estou comentando a sua saída; eu não tenho uma saída. Eu
acho que, se nós tivéssemos efetivamente essa questão de um Tribunal
que julgasse de acordo com os preceitos estatutários e se o
Parlamentar saísse do partido porque o partido não segue os seus
preceitos estatutários, eu acho que ele mereceria manter o mandato.
E mais, se o Parlamentar é expulso porque ele não obedece aos
preceitos, ele deveria perder o mandato, e não como é hoje. Então,
eu acho que, na verdade, é um cumprimento à legislação, uma
definição da legislação vigente, que pode ser mais clara.
Mas eu acho a ideia atual correta: fidelidade do Parlamentar
ao partido. E o inverso, como proposto, eu acho que seria fidelidade
do partido ao Parlamentar.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Só para concluir.
A SRA. PRESIDENTA
(Deputada Renata Abreu) - A Ordem do Dia
começou.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Só para concluir, Sra. Presidenta, nobre
Relator.
Parabéns pelas ponderações! Foi muito importante sua
participação.
Aí é que está: realmente, eu concordo que nós não temos
partidos.
A SRA. PRESIDENTA
(Deputada Renata Abreu) - Gente, desculpa, mas está tendo votação
nominal.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Só para encerrar.
Eu concordo que nós não temos partidos. Para termos partido,
nós temos que manter a fidelidade partidária. Agora, podemos ampliar
as cláusulas de justa causa para que possamos analisar melhor. Aí,
sim, definir melhor as cláusulas de justa causa, porque quem
definiu, na verdade, foi o Supremo Tribunal numa resolução. Então,
nós ampliaríamos isso.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Valtenir, e o suplente de Senador? Para a gente
ir votar.
O SR. DEPUTADO
VALTENIR PEREIRA - Eu ainda não tenho uma posição formada, mas
eu estou tentando encontrar um caminho bom para a gente colocar
outro debate.
Muito obrigado, nobres pares.
Parabéns!
A SRA. PRESIDENTA
(Deputada Renata Abreu) - Obrigada.
Nada mais havendo a tratar, convoco reunião para a próxima
quinta-feira, às 9 horas, no Plenário 9, para continuação do debate
interno dos itens remanescentes desta pauta, inclusive os
requerimentos extrapauta, aqui sobre a mesa.
Obrigada.