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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
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CFFC – ATA
PUBLICADA NO DCD Nº 95, DE 11-6-2015. |
COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E CONTROLE
55ª Legislatura – 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA DÉCIMA-OITAVA REUNIÃO – EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA
PÚBLICA,
REALIZADA EM 27 DE MAIO DE 2015
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Às dez horas e cinquenta e seis
minutos do dia vinte e sete de maio de dois mil e quinze, reuniu-se a
Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC), no Plenário 9 do
Anexo II da Câmara dos Deputados. Registraram presença os deputados
Vicente Candido (Presidente), Valtenir Pereira e Wellington Roberto
(Vice-Presidentes) Ezequiel Teixeira, Leo de Brito, Marcos Reategui,
Toninho Wandscheer, Uldurico Junior e Vanderlei Macris – titulares; Carmen
Zanotto, Elizeu Dionizio, Esperidião Amin e Waldenor Pereira – suplentes;
Andres Sanchez e Tia Eron – não-membros. Deixaram de comparecer os
deputados titulares Aníbal Gomes, Delegado Waldir, Hissa Abrahão, Hugo
Motta, João Arruda, Lindomar Garçon, Mendonça Filho, Nilton Capixaba,
Paulo Pimenta, Sandes Júnior, Simone Morgado e Vinicius Gurgel. ABERTURA: Assumiu a presidência o
deputado Vicente Candido e declarou abertos os trabalhos da reunião de
audiência pública extraordinária
destinada a
“debater sobre o caso de contas secretas de pessoas e empresas brasileiras
no Banco HSBC da Suíça", objeto do Requerimento nº 57/2015, do deputado
Toninho Wandscheer e outros que o subscreveram, aprovado em oito de abril
de 2015. Em seguida o Presidente chamou para compor a Mesa os convidados
da audiência, Srs. Antonio Gustavo Rodrigues, Presidente do Conselho de
Administração de Atividades Financeiras (Coaf); Jorge Luiz Alvez Caetano,
da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita Federal do
Brasil; e Márcio Barreira de Ayrosa Moreira, Secretário Executivo do Banco
Central do Brasil. Formada a Mesa, o Presidente discorreu sobre as regras
a serem obedecidas na condução da audiência e passou a presidência da
reunião ao deputado Vanderlei Macris, Presidente da Subcomissão Especial
para Recuperação de Ativos no HSBC, o qual agradeceu a presença dos
convidados e passou a palavra ao autor do requerimento, deputado Toninho
Wandscheer, que esclareceu que o objetivo da audiência era entender melhor
os fatos investigados e propor melhoramentos na legislação a fim de evitar
situações idênticas. Em seguida, os convidados fizeram suas explanações
iniciais. O Sr. Márcio Barreira de Ayrosa Moreira esclareceu que, além e
cuidar da política monetária, cabe ao Banco Central zelar pela solidez das
instituições financeiras, e informou que avaliação do FMI e do Banco
Mundial consideraram adequados procedimentos de controle adotados pelo
Bacen, o que foi corroborado por auditoria do TCU realizada em 2014. Sobre
os primeiros 342 nomes de brasileiros identificados na lista de contas
secretas no HSBC e encaminhados inicialmente ao Coaf, explicou que foi
feita a checagem dos CPF, dos quais sessenta e seis apareciam em operações
de câmbio, dezoitos dos quais em operação acima de cem mil dólares.
Afirmou que a mesma triagem será feita em relação aos mais de oito mil
nome encaminhados posteriormente, a fim de se verificar indícios de
sonegação e evasão fiscal. O Sr. Antonio Gustavo Rodrigues ressaltou a
evolução internacional acerca do controle das operações financeiras, que
contribui para combater os crimes de evasão fiscal e sonegação. Argumentou
que organizações criminosas funcionam como empresas, com a mesma logicado
mercado e, para quebra-las, é preciso tirar o dinheiro, não apenas prender
as pessoas envolvidas. Considerou que a mentalidade de que ter contas
secretas era normal começou a mudar a partir da Convenção de Lavagem do
Dinheiro do Tráfico de Drogas e à criação do Grupo de Ação Financeira
Internacional, entidade que começou a contestar a postura omissa dos
bancos, levando-os a manter o registro das operações e comunicar as
autoridades monetárias as operações suspeitas. Ponderou que, para evitar
as atitudes suspeitas fossem tratadas como denúncia de crime, o que
poderia criar problemas para pessoas inocentes, foi criado um ente
mediador – as unidades de inteligência financeira, que no Brasil é o Coaf.
O Sr. Jorge Luiz Alvez Caetano informou que a lista de 342 nomes
inicialmente encaminhados ao Coaf, não era indício suficiente pra iniciar
investigação, mas a Receita, ainda em fevereiro de 2014 requisitou
informações sobre as contas secretas de brasileiros na Suíça ao governo
francês, que detinha os dados completos, e, em março, agentes da Receita
foram à França buscar a integralidade das informações, mais de oito mil
fichas de perfis de clientes, que estão sendo analisados a fim de se
identificar possíveis crimes financeiros. Ressaltou que há dificuldades na
investigação, pois o Brasil é reconhecido por manter legislação restritiva
em relação ao acesso de informações fiscais e solicitou dos parlamentares
a flexibilização dessa legislação. Dando início aos debates, Presidente
passou a palavra ao deputado Toninho Wandscheer, que fez questionamentos
aos convidados sobre as ações, competências e sugestões dos seus
respectivos órgãos para combater aos crimes de sonegação fiscal e lavagem
de dinheiro. Também participaram dos debates os deputados Vicente Candido
e Leo de Brito. Com a palavra os convidados responderam aos
questionamentos e fizeram suas considerações finais. O Sr. Antonio Gustavo
Rodrigues esclareceu que o Coaf não investiga, só recebe comunicações e
produz relatórios que são enviados às autoridades competentes para a
investigação. O Sr. Márcio Barreira defendeu a legitimidade de ter contas
no exterior, desde que seguindo a regulamentação do Bacen, e deixou
documento que esclareceria outros pontos questionados no âmbito da
competência do Bacen, dispondo-se a prestar mais esclarecimentos por
escrito, se for necessário. O Sr. Jorge Luiz Alvez Caetano esclareceu que
o ato de validação do governo francês é suficiente para dar embasamento
jurídico às investigações a partir da lista de nome de correntistas
brasileiros do HSBC, e prometeu detalhar por escrito as respostas aos
outros questionamentos relativos à Receita Federal. ENCERRAMENTO: Não havendo mais
quem quisesse fazer uso da palavra, o Presidente agradeceu a participação
de todos e encerrou a reunião às treze horas e treze minutos. A reunião
foi gravada e, após a degravação do arquivo de áudio, o texto com seu
inteiro teor será anexado a esta ata. E, para constar, eu, _______________
Luiz Paulo Pieri, Secretário, lavrei a presente ata, que, por ter sido
lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, deputado Vanderlei Macris.
_______________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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