AT
ATA DA 16ª REUNIÃO ORDINÁRIA
DELIBERATIVA RE
REALIZADA EM 27 DE MAIO DE 2015
Às
dez horas e dezesseis minutos do dia vinte e sete de maio de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional,
no Anexo II, Plenário 03 da Câmara dos Deputados, sob a presidência da
Deputada
Jô Moraes - Presidente; Com a presença dos Deputados
Bruna
Furlan, Carlos Zarattini e Subtenente Gonzaga - Vice-Presidentes; Antônio Jácome,
Arlindo Chinaglia, Átila Lins, Benito Gama, César Halum, Chico Lopes,
Claudio Cajado, Deley, Eduardo Barbosa, Eduardo Cury, Henrique Fontana,
Heráclito Fortes, Ivan Valente, Jarbas Vasconcelos, Jean Wyllys, Luiz
Lauro Filho, Marco Maia, Marcus Vicente, Nelson Marquezelli, Pastor
Eurico, Rômulo Gouveia, Rosangela Gomes, Rubens Bueno e Stefano Aguiar -
Titulares; Antonio Imbassahy, Benedita da Silva, Cabo Daciolo, Caetano,
Cesar Souza, Daniel Coelho, Dilceu Sperafico, Eduardo Bolsonaro, Eros
Biondini, Fernando Marroni, Goulart, Jair Bolsonaro, Jandira Feghali, João
Gualberto, Lucio Mosquini, Luiz Carlos Hauly, Luiz Nishimori, Newton
Cardoso Jr, Raul Jungmann, Roberto Sales, Rocha, Valmir Assunção e Vicente
Candido –
Suplentes. Compareceram
também os Deputados Alex Manente, Carlos Henrique Gaguim, Luiz Carlos
Ramos e Weliton Prado, como não membros.
Deixaram de comparecer os Deputados Ezequiel Fonseca, Jefferson Campos,
Paulo Abi-Ackel. Apresentaram escusas os Deputados Arthur Oliveira Maia e
Takayama. ABERTURA: Havendo
número regimental, a
Presidente declarou abertos os trabalhos e colocou em
apreciação as Atas
da 13ª Reunião Ordinária
Deliberativa, realizada em 13 de maio de 2015; da 14ª Reunião Ordinária de Audiência Pública,
realizada em 14 de maio de 2015; e da 15ª
Reunião Ordinária de Audiência Pública, realizada em 20 de maio de
2015, cuja leitura foi dispensada, a requerimento do Deputado Subtenente
Gonzaga, considerando que as Atas encontravam-se disponíveis no sistema
Pauta Eletrônica. Em
votação, as
Atas
foram
aprovadas.
EXPEDIENTE:
Em seguida, a
Presidente fez as seguintes comunicações: 1) Em atendimento
ao que previa o artigo 256 do Regimento Interno da casa, informou que o
rol de convidados da audiência pública que seria realizada, naquele dia,
para tratar de aspectos relacionados ao terrorismo e ao suposto
recrutamento de jovens brasileiros pelo Estado Islâmico, ficava acrescido
do nome do Senhor
Jorge Lasmar, Chefe do Departamento de Relações
Internacionais da PUC de Minas Gerais; 2) Em cumprimento ao mesmo
dispositivo regimental, bem como atendendo pedido feito no Ofício nº 50,
de 2015, de autoria do Deputado Vicente Cândido, informou que o nome do
Senhor Leonardo
Pereira, Presidente da Comissão de Valores
Mobiliários, ficava retirado do rol de convidados do Requerimento nº 47,
de 2015, aprovado na Comissão no dia 07 de maio do ano corrente. Explicou
que o requerimento tinha por escopo a realização de audiência pública para
debater os termos da Mensagem nº 36, de 2015, que apreciava acordo firmado
entre o Brasil e os Estados Unidos da América na área tributária.
Esclareceu que o Colegiado iria deliberar os itens constantes da Ordem do
Dia daquela reunião até por volta das 11 horas. Após aquele horário, daria
início à Audiência Pública que iria debater aspectos relacionados ao
terrorismo e ao possível recrutamento de jovens brasileiros pelo estado
islâmico. ORDEM DO DIA: A - Consulta:
1 -
CONSULTA Nº 3/15
–
Presidência da Câmara dos Deputados - "consulta do Presidente da Câmara
dos Deputados, na condição de membro do Conselho de Defesa Nacional, o
projeto de pesquisa intitulado "Produção de sementes de erva mate
geneticamente melhoradas para produção de massa foliar", conforme pedido
constante do Processo MMA nº 02000.002577/2012-23, para fins de
desenvolvimento tecnológico. " RELATOR: Deputado ÁTILA LINS. PARECER:
recomendando ao Exmo. Presidente da Câmara dos Deputados que se manifeste
em favor da anuência, pelo Conselho de Defesa Nacional, do projeto de
pesquisa intitulado "Produção de sementes de erva mate geneticamente
melhoradas para produção de massa foliar", conforme pedido constante do
Processo MMA nº 02000.002577/2012-23. Retirada de pauta. B -
Requerimentos: 2 -
REQUERIMENTO Nº
50/15 -
do Sr. Jair Bolsonaro - que "requer a realização de consulta ao Tribunal
de Contas da União, visando a manifestação daquela Corte quanto à
possibilidade do pagamento das mensalidades relativas a exercícios
anteriores, quando da instituição de pensões militares, inclusive nos
casos de reversão e melhoria, anteriormente ao julgamento de sua
legalidade pelo Tribunal de Contas". Em votação, foi aprovado o
Requerimento. 3 -
REQUERIMENTO Nº
51/15 -
do Sr. Cabo Daciolo - que "requer a realização de Audiência Pública, com
autoridades que nomeia, para debater acerca da ocupação de áreas sensíveis
da Região Amazônica". Em votação, foi aprovado o Requerimento, com a
retirada do Comandante do Exército, General Eduardo Dias da Costa Villas
Bôas, do rol de convidados da Audiência Pública. 4 -
REQUERIMENTO Nº
52/15 -
da Sra. Rosangela Gomes - que "solicita que a Comissão de Relações
Exteriores, em conjunto com a Comissão de Esportes manifeste seu apoio à
permanência de Israel na Federação Internacional de Futebol - FIFA".
Retirado de
pauta. 5 -
REQUERIMENTO Nº
53/15 -
do Sr. Heráclito Fortes - "convocação do Ministro de Estado da Justiça e
convite ao Secretário Nacional de Justiça para debater, em audiência
pública, as reformar nas legislação de imigração e tratamento ao
estrangeiro no Brasil". Em votação, foi aprovado o requerimento, com a
transformação para convite.
6 -
REQUERIMENTO Nº
54/15 -
do Sr. Heráclito Fortes - "convocação dos Ministros de Estado das Relações
Exteriores e do Planejamento, Orçamento e Gestão para explicar aos membros
da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional o reiterado atraso no
pagamento das contribuições brasileiras a organismos internacionais". Em
votação, foi Aprovado o Requerimento, com a
transformação para convite.
7 -
REQUERIMENTO Nº
55/15 -
do Sr. Luiz Nishimori - que "requer a realização de audiência pública para
comemoração do dia nacional do imigrante japonês". Em votação, foi
aprovado o
Requerimento. C - Proposições Sujeitas à Apreciação do Plenário:
URGENTE: 8 -
PROJETO DE
DECRETO LEGISLATIVO Nº 6/15 -
da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. - que "aprova o texto do Acordo de
Livre Comércio (ALC) entre o MERCOSUL e a República Árabe do Egito,
assinado em San Juan, na República Argentina, em 2 de agosto de 2010".
RELATOR: Deputado HENRIQUE FONTANA. PARECER: pela aprovação. Retirado de pauta a requerimento
do relator. 9 -
PROJETO DE
DECRETO LEGISLATIVO Nº 8/15 -
da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. - que "aprova o
texto do Protocolo Adicional ao Tratado Constitutivo da UNASUL sobre
Compromisso com a Democracia, assinado em 26 de dezembro de 2010".
RELATOR: Deputado MARCO MAIA. PARECER: pela aprovação, com Emenda.
Retirado de
pauta. PRIORIDADE: 10 -
MENSAGEM Nº
370/14 -
do Poder Executivo - que "submete à consideração do Congresso Nacional o
texto do Tratado entre a República Federativa do Brasil e o Japão sobre a
Transferência de Pessoas Condenadas, assinado em Tóquio, em 24 de janeiro
de 2014". RELATOR: Deputado LUIZ NISHIMORI. PARECER: pela aprovação. Em
votação, foi aprovado o Parecer.
11 -
MENSAGEM Nº
379/14 -
do Poder Executivo - que "submete à consideração do Congresso Nacional o
texto do Acordo sobre Constituição da Rede Internacional do Bambu e do
Ratã, celebrado em Pequim, em 6 de novembro de 1997". RELATOR: Deputado
TAKAYAMA. PARECER: pela aprovação. Retirada de pauta.
12 -
MENSAGEM Nº
388/14 -
do Poder Executivo - que "acordo de Cooperação Técnica entre o Governo da
República Federativa do Brasil e a Comunidade do Caribe (CARICOM),
assinado em Brasília, em 26 de abril de 2010". RELATOR: Deputado CÉSAR
HALUM. PARECER: pela aprovação. Em votação, foi aprovado o Parecer, com o voto
contrário do Deputado Jair Bolsonaro. 13 -
MENSAGEM Nº
40/15 -
do Poder Executivo - que "submete à consideração do Congresso Nacional o
texto de Acordo entre a República Federativa do Brasil e a República
Helênica sobre Extradição, assinado em Atenas, em 3 de abril de 2009".
RELATOR: Deputado MORONI TORGAN. PARECER: pela aprovação. Retirada de pauta.
14 -
MENSAGEM Nº
80/15 -
do Poder Executivo - que "acordo de Coprodução Cinematográfica entre o
Governo da República Federativa do Brasil e Governo do Reino Unido da
Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, assinado em Brasília, em 28 de setembro
de 2012". RELATOR: Deputado EDUARDO BARBOSA. PARECER: pela aprovação. Em
votação, foi aprovado o Parecer. Nesse
momento, a Presidente interrompeu a reunião deliberativa em curso e deu
início à Reunião Extraordinária de Audiência Pública com o objetivo de
debater as medidas que
o Governo brasileiro estava tomando diante de informações de que
extremistas do Estado Islâmico estariam tentando recrutar jovens em
território brasileiro e, ainda, tratar sobre ações de prevenção contra
possíveis atentados terroristas por ocasião da realização de grandes
eventos internacionais no Brasil. Explicou que a realização da Audiência Pública decorria da aprovação dos
Requerimentos 27 e 34 de 2015, aprovados na Comissão, de autoria dos
Deputados Arlindo Chinaglia, Carlos Zarattini, Raul Jungmann e Rubens
Bueno. Ato contínuo, convidou a compor a mesa o
Sheik Jihad Hassan Hammadeh, Presidente do Conselho de Ética da
União Nacional Islâmica (UNI); o Senhor Marcelo Rech, Jornalista e
Representante do Instituto Inforel de Relações Internacionais e Defesa; o
Senhor Marcus Reis, Advogado e Professor do Instituto Legislativo
Brasileiro e da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal; o
Senhor André Luís
Woloszyn, Assessor-Chefe de Segurança Institucional do Ministério
Público Federal no Rio Grande do Sul; o Senhor Dr. Jorge Mascarenhas Lasmar,
Chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas. Nesse
momento, a Presidente passou a direção dos trabalhos ao Deputado Carlos
Zarattini, que franqueou a palavra
ao Senhor Marcelo Rech, Jornalista e Representante do Instituto Inforel de
Relações Internacionais e Defesa, que iniciou sua exposição falando que
considerava como premissas básicas para que um atentado ocorresse a
vulnerabilidade, ou seja, que um ataque fosse realmente viável; e a
visibilidade, ou seja, quem praticava um ato terrorista buscava, entre
outras coisas, a maior visibilidade possível para o ato que estava
perpetrando. Explicou que o fato de não se ter conhecimento sobre a
ocorrência de atentado terrorista no Brasil, pelo menos que tivesse se
tornado público, poderia significar uma baixa probabilidade de ocorrência
ou uma baixa capacidade de detecção. Por isso, defendeu que cabia à
Comissão, juntamente com a Comissão Mista de
Controle Atividades de Inteligência do Congresso Nacinal - CCAI,
por causa da interação que tinha com o Sistema Brasileiro de Inteligência,
fazer o acompanhamento para saber qual era a realidade brasileira nesse
contexto. Falou que observara que, nos últimos quinze anos, não havia a
crença, por parte do núcleo político do Governo brasileiro, de que de fato
pudesse ocorrer um atentado terrorista no Brasil, como ocorrera em Buenos
Aires em 1992. Ressaltou que o Brasil era signatário de todas as
convenções internacionais sobre ações terroristas no âmbito da Organização
das Nações Unidas - ONU e da Organização dos Estados Americanos – OEA, mas
não havia tipificação do crime de terrorismo internalizada como exigiam
essas convenções. Explicou que havia sete iniciativas com esse objetivo
tramitando no Congresso Nacional. Defendeu que, por ser um País
multicultural, o Brasil oferecia algumas facilidades que poderiam ser
aproveitadas por organizações terroristas, como o seu passaporte,
altamente valorizado nos subterrâneos das organizações criminosas.
Comunicou que o Brasil descumpria as leis 12.830 e 12.850, ambas de 2013,
sobre investigação de organizações criminosas. Afirmou que o Brasil fazia
parte do Grupo de Ação Financeira contra Lavagem de Dinheiro e o
Financiamento do Terrorismo – GAFI/FATF, mas corria o risco de ser
suspenso, em junho do corrente ano, ou ser colocado em uma lista negra,
por não criminalizar o financiamento ao terrorismo, nem adotar legislação
para congelar ou confiscar fundos de terroristas. Ressaltou que a Política
Nacional de Inteligência era fundamental porque o terrorismo também era
combatido com inteligência. No entanto, os agentes de inteligência
brasileiros não podiam executar suas tarefas porque o Estado não lhes dava
as garantias e os instrumentos necessários. Falou que o Brasil possuía
nove tríplices fronteiras e em todas existiam problemas comuns, como
contrabando, tráfico de drogas, descaminho etc.. Finalizou destacando a
facilidade que os estrangeiros tinham para entrar no País, a falta de
obtenção dos seus dados por parte do Governo e o perigo que isso
representava para a segurança nacional. Em seguida o Presidente passou a
palavra ao Senhor Marcus Reis, Advogado e Professor do Instituto
Legislativo Brasileiro e da Secretaria de Segurança Pública do Distrito
Federal, que iniciou sua exposição falando sobre as FARC – Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia, o seu modo de atuação e o processo de paz que
estava ocorrendo em Havana. Destacou que as FARC tinham uma relação muito
forte com o território brasileiro e lembrou a prisão, em território
colombiano, do criminoso brasileiro conhecido como Fernandinho Beira Mar,
que integrava a facção criminosa denominada “Comando Vermelho”, em 2000,
quando negociava com a Frente 16. Informou que o crime organizado e o
terrorismo tinham em comum a extrema violência, interesses comerciais
recíprocos e o desrespeito pela autoridade do Estado. Destacou que, por
não respeitarem as regras do Estado, essas organizações eram mais
perigosas que os criminosos comuns e o seu combate, mais difícil. Destacou
a possibilidade de o Governo colombiano não conseguir o restabelecimento
da paz e, no caso de obter êxito, ocorrerem problemas e dificuldades com a
desmobilização dos envolvidos nos conflitos. Finalizou defendendo que o
Brasil, em relação ao narcotráfico na Colômbia, deveria tomar as seguintes
atitudes: inserir o combate ao narcotráfico como prioridade para a
segurança pública; criar um plano conjunto de combate ao narcotráfico
entre os dois países, estabelecer intercâmbio de inteligência entre os
dois países – militar e policial; incrementar a tecnologia de controle de
drogas na fronteira; fortalecer o patrulhamento dos rios entre os dois
países; monitorar o espaço aéreo entre os dois países, destruir pistas
clandestinas; destruir plantações na região fronteiriça; acompanhar a
desmobilização; estabelecer de forma clara a relação entre o crime
organizado brasileiro e a guerrilha colombiana; aumentar o intercâmbio de
policiais, membros do MP e do Judiciário em programas de treinamentos
entre os dois países; diminuir a dependência da população fronteiriça da
guerrilha; fortalecer o controle de transações financeiras entre os dois
países; controlar a produção de insumos necessários à produção de drogas;
fortalecer políticas de prevenção de drogas no Brasil; e incrementar a
repressão, aumentando o custo do crime para traficantes e usuários. Em
seguida, o Presidente passou a palavra ao Senhor André Luiz Woloszyn,
Assessor-Chefe de Segurança Institucional do Ministério Público Federal no
Rio Grande do Sul, que iniciou sua exposição afirmando que o fenômeno do
terrorismo não era suficientemente claro para as forças de segurança e de
defesa brasileiras, em parte pela sua complexidade e pelo seu caráter
multidisciplinar, mas era necessária uma definição conceitual que fosse um
consenso entre as autoridades. Defendeu que o Brasil deveria tentar
classificá-lo entre duas vertentes existentes, em relação ao emprego dos
órgãos estatais: a primeira, da União Europeia, considerava o terrorismo
uma ameaça interna, portanto, um problema policial; a segunda, dos Estados
Unidos da América, considerava-o uma ameaça externa, combatida com as
Forças Armadas. Explicou que o País também poderia concluir que o
terrorismo abrangia essas duas vertentes. Informou que recebera a notícia,
ainda não confirmada, de que extremistas, principalmente do ISIS – Estado
Islâmico no Iraque e na Síria, estariam se infiltrando entre os imigrantes
que adentravam o território nacional. Informou, também, que autoridades da
comunidade europeia relataram que o ISIS estaria se aproveitando da grande
crise humanitária pela qual passavam alguns países do norte da África e do
Oriente Médio, em especial a Síria, para infiltrar integrantes extremistas
junto aos imigrantes que diariamente chegavam às Costas da Espanha, da
Itália e da França em busca de acolhimento. Destacou que a possibilidade
de os extremistas estarem entrando no País era vista com muita preocupação
e a considerava um problema alarmante de segurança, uma vez que se estava
às vésperas de uma competição esportiva internacional que iria trazer
grande visibilidade para o Brasil. No entanto, defendeu que, sendo uma
hipótese, haveria tempo de adotar medidas preventivas antiterrorismo.
Defendeu que essa notícia levantada poderia ter o objetivo estratégico
velado de buscar um apoio mais efetivo do Brasil, como por exemplo, a
participação brasileira nas tropas de coalisão que lutam contra o ISIS.
Disse, porém, que os seguintes fatores poderiam tornar essa infiltração
realidade: o aumento descontrolado de imigrantes que adentram no País; o
contingenciamento de recursos orçamentários que atingia as áreas de
segurança e defesa; o despreparo das polícias estaduais para lidar com
essa tipologia criminal; carências em efetivo; insuficiência de aporte de
tecnologia, principalmente novos programas e sistemas mais avançados para
cruzamento de dados; e uma cultura reativa, que agia sobre demanda.
Finalizou informando que via algumas inconsistências na notícia de
infiltração terrorista no Brasil, uma vez que os grupos terroristas sempre
utilizavam oportunidades para poder atuar e as pessoas cooptadas poderiam
entrar legalmente no País para assistirem aos jogos como turistas. Em
seguida, o Presidente passou a palavra ao Senhor Jorge Mascarenhas Lasmar,
Chefe do
Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas,
que iniciou sua exposição afirmando que o terrorismo não tinha relação com
o islamismo e a religião islâmica. O problema, segundo ele, seria o
processo de radicalização pelo qual os indivíduos passavam a aceitar que o
uso daquela violência fosse algo aceitável e justificável. Defendeu que o
Brasil não estava livre de atividades terroristas e quando se falava
nessas atividades tinha que se ter ciência de que o ataque era apenas uma
pequena parte do chamado ciclo terrorista. Esclareceu que existia uma
série de atividades que aconteciam antes e depois do atentado, como
recrutamento, financiamento, preparação, aquisição de material, processo
de evasão após o atentado, exploração das informações etc. Por isso,
deveria haver preocupação com todo o ciclo. Informou que olhando diversas
fontes, havia registros de que essas atividades, principalmente anterior
ao ataque terrorista, aconteceram e estavam acontecendo em território
nacional. Explicou que, por causa da falta de legislação brasileira sobre
o assunto, esses crimes eram investigados por outras questões, como
falsificação de documentos, evasão de divisas etc. Em relação aos grandes
eventos a serem realizados no Brasil, opinou que seria possível a
ocorrência de um ato terrorista no País, uma vez que nesse tipo de evento
existiam dois elementos essenciais para essa atividade, a presença maciça
de delegações de outros países e a presença muito grande da mídia mundial.
Destacou que o número de atentados ocorridos antes, durante e
imediatamente após grandes eventos era maior do que se pensava.
Esclareceu que os atentados
eram praticados por dois tipos diferentes de terroristas: os profissionais
e os chamados “bando de garotos” e
explicou a diferença entre eles. Afirmou que no Brasil existia uma
vulnerabilidade institucional e uma vulnerabilidade na legislação que dava
suporte a essa estrutura. Explicou em que consistia essa vulnerabilidade e
defendeu que ela era reflexo da falta de uma estratégia de combate ao
terrorismo. Destacou que havia alguns dispositivos sobre o assunto na
legislação brasileira, porém a falta de tipificação para o ato terrorista
era um problema sério. No entanto, todos os dispositivos vigentes e os
dispositivos que se encontravam em discussão estavam muito centrados na
tipificação do terrorismo e era necessário atentar para todo o ciclo da
atividade terrorista. Defendeu uma legislação complexa, que refletisse as
realidades culturais e institucionais brasileiras e não fosse apenas uma
resposta à pressão internacional. Explicou que uma legislação sobre o tema
era perigosa, pois representava um alto custo político e social, uma vez
que poderia gerar o empoderamento do Poder Executivo; a militarização da
polícia; a criminalização dos movimentos sociais; bem como corria-se o
risco de refletir modelos de outros países. Alertou que o terrorismo era
um fenômeno complexo e estava sempre em mudança e defendeu que o perigo da
circunscrição de ressentimentos locais deveria ser trabalhado para que
ressentimentos existentes dentro da sociedade brasileira não se
transformassem nesse tipo de radicalização. Finalizou mostrando que
existiam várias manifestações nas mídias sociais de apoio ao Estado
Islâmico, à islamofobia e à reação entre um grupo e outro. Informou que
pessoas das comunidades islâmicas relatavam ressentimentos e sentimento de
discriminação que estavam sofrendo o que poderia ser terreno fértil para
que essas ideologias acabassem se desenvolvendo. O Presidente passou a palavra ao
Sheik Jihad Hassan Hammadeh, Presidente do Conselho de Ética da União
Nacional Islâmica, que iniciou sua exposição destacando a contribuição dos
muçulmanos para a humanidade.
Afirmou que os muçulmanos não reconheciam os grupos atuais que
usavam o nome da religião para praticar violência. Destacou que esses
grupos encontravam eco em diversos setores da sociedade, prejudicando os
muçulmanos. Afirmou que a lei que estava tramitando no Congresso sobre
terrorismo atingiria os muçulmanos e defendeu que não seria por meio de
uma lei que se iria inibir a prática de um crime, mas sim, pela
disseminação de educação e de valores morais e éticos. Afirmou, ainda, que
era isso que estava sendo feito nas mesquitas no Brasil e em outros
países. Afirmou que a partir dos atentados de onze de setembro de dois mil
e um, nos Estados Unidos da América, a identidade do muçulmano passou a
ser desconstruída e a partir de 2010 iniciou-se um novo processo, o de
desconstrução do grupo de muçulmanos e a desconstrução da identidade
islâmica. Afirmou que não reconhecia o Estado Islâmico e questionou acerca
de quem estava por trás daquele grupo, quem o financiava e a quem ele
beneficiava. Defendeu que para acabar com esse tipo de violência, bastava
aplicar as leis já vigentes. Destacou que não era contra e lei, mas sim,
contra a discriminação e o preconceito que ela iria gerar. Finalizou
defendendo que as instituições não governamentais e o Governo deveriam
trabalhar em parceria com as igrejas, as mesquitas, as sinagogas, os
templos budistas, os templos de religião afro etc., para conscientizar os
jovens a fim de que eles não migrassem para a criminalidade. Em seguida, o
Deputado Carlos Zarattini passou a direção dos trabalhos ao Deputado Raul
Jungmann e falou na condição de um dos autores do requerimento que
motivara aquela audiência pública. Também usou da palavra, na condição de
autor, o Deputado Arlindo Chinaglia. Em seguida passou-se à lista dos
Deputados inscritos. Fizeram
uso da palavra para comentários e questionamentos os Deputados Jair
Bolsonaro, Eduardo Cury, Ivan Valente, Subtenente Gonzaga, Jô Moraes,
Goulart e Rocha. Ato contínuo, o Deputado Raul Jungmann passou a direção
dos trabalhos à Deputada Jô Moraes e usou da palavra na condição de autor.
Em sequência, a Presidente franqueou a palavra aos
convidados, que atenderam e responderam as perguntas formuladas.
Encerradas as apresentações dos convidados, passou-se à pauta de
proposições, que não foram deliberadas em razão do início da Ordem do Dia
do Plenário. TRAMITAÇÃO ORDINÁRIA: 15 -
PROJETO DE
DECRETO LEGISLATIVO Nº 829/13 -
do Sr. Ivan Valente - que "susta o Decreto nº 7.957, de 12 de março de
2013, que Institui o Gabinete Permanente de Gestão Integrada para a
Proteção do Meio Ambiente; regulamenta a atuação das Forças Armadas na
proteção ambiental; altera o Decreto nº 5.289, de 29 de novembro de 2004,
e dá outras providências". (Apensado: PDC Nº 834/13) RELATOR: Deputado
RAUL JUNGMANN. PARECER: pela rejeição do PDC Nº 829/13, e pela aprovação
do PDC Nº 834/13, apensado. Não deliberado. 16 -
PROJETO DE LEI
Nº 5.237/13 -
do Sr. Onofre Santo Agostini e outros - que "acrescenta-se inciso V, ao
art. 3º da Lei nº 9.474, de 22 de agosto de 1997 e inciso VI e parágrafo
único, ao art. 7º da Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980". (Apensado: PL
385/15). RELATOR: Deputado RUBENS BUENO. PARECER: pela aprovação do PL
5.237/13, e do PL 385/15, apensado, com Substitutivo. Não deliberado. D -
Proposições Sujeitas à Apreciação Conclusiva pelas Comissões: PRIORIDADE:
17 -
PROJETO DE LEI
Nº 6.643/13 -
do Poder Executivo - que "autoriza o Poder Executivo a doar vinte e cinco
Viaturas Blindadas de Combate - Carro de Combate M41 para a República
Oriental do Uruguai". RELATOR: Deputado CHICO LOPES. PARECER: pela
aprovação. Vista ao
Deputado Jair Bolsonaro, em 07/05/15. O Deputado Jair Bolsonaro apresentou
voto em separado em 15/05/15. Não deliberado. TRAMITAÇÃO ORDINÁRIA:
18 -
PROJETO DE LEI
Nº 6.084/13 -
do Sr. Arnaldo Faria de Sá - que "acrescenta parágrafo único ao art. 13 da
Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002". RELATOR: Deputado MAJOR
OLIMPIO. PARECER: pela aprovação, com Substitutivo. Não deliberado. 19 -
PROJETO DE LEI
Nº 6.092/13 -
do Sr. Miro Teixeira - que "dispõe sobre a promoção no posto ou graduação
correspondente aos proventos que recebem na inatividade os militares das
Forças Armadas, limitadas aos postos do círculo de oficiais superiores".
RELATOR: Deputado NELSON MARQUEZELLI. PARECER: pela rejeição. Vista ao Deputado Devanir
Ribeiro, em 04/12/13. Não deliberado. 20 -
PROJETO DE LEI
Nº 8.234/14 -
do Sr. André de Paula - que "amplia, para o estrangeiro em situação ilegal
no território nacional, o prazo para requerer registro provisório,
previsto na Lei nª 11.961, de 2 de julho de 2009". (Apensado: PL 981/15)
RELATOR: Deputado RÔMULO GOUVEIA. PARECER: pela aprovação do PL 8234/14 e
do PL 981/15, apensado, com Substitutivo. Não deliberado. 21 -
PROJETO DE LEI
Nº 197/15 -
do Sr. Pompeo de Mattos - que "disciplina o recolhimento de multas em
veículos licenciados no exterior". RELATOR: Deputado SUBTENENTE GONZAGA.
PARECER: pela aprovação. Não deliberado. 22 -
PROJETO DE LEI
Nº 669/15 -
do Sr. William Woo - que "altera o art. 14 da Lei nº 6.815, de 19 de
agosto de 1980, para autorizar a concessão de visto por dois anos a
estrangeiro que venha desenvolver atividades religiosas no Brasil".
RELATOR: Deputado EROS BIONDINI. PARECER: pela aprovação. Não deliberado. ENCERRAMENTO: ENCERRAMENTO:
Nada mais havendo a tratar, a Presidente
agradeceu a presença dos convidados e dos senhores parlamentares e
encerrou os trabalhos às treze horas e quarenta e sete minutos, antes
convocando os nobres pares para a Reunião Ordinária
Deliberativa que seria realizada na
quarta-feira seguinte, dia 3 de junho, às 10 horas, naquele Plenário. E, para constar, eu ______________________, Edilson
Holanda Silva, Secretário-Executivo, lavrei a presente Ata, que por ter
sido lida e aprovada, será assinada pela Presidente, Deputada Jô
Moraes ______________________, e publicada no
Diário da Câmara dos Deputados.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x.
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