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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA
DA VIGÉSIMA PRIMEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA (AUDIÊNCIA PÚBLICA)
REALIZADA
EM VINTE DE MAIO DE 2015.
Às
dez horas e quarenta e seis minutos do dia vinte de maio de dois mil e quinze,
reuniu-se a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural, no Anexo II, Plenário 6 da Câmara dos Deputados. Presentes os Deputados:
Irajá Abreu - Presidente; Heuler Cruvinel e Carlos Henrique Gaguim -
Vice-Presidentes; Abel Mesquita Jr., Adilton Sachetti, Afonso Hamm, Assis do
Couto, Beto Faro, Bohn Gass, Celso Maldaner, César Messias, Dilceu Sperafico,
Evair de Melo, Evandro Roman, Heitor Schuch, Hélio Leite, Jerônimo Goergen, João
Daniel, Jony Marcos, Josué Bengtson, Kaio Maniçoba, Luis Carlos Heinze, Luiz
Nishimori, Marcelo Castro, Marcon, Newton Cardoso Jr, Odelmo Leão, Onyx
Lorenzoni, Pedro Chaves, Raimundo Gomes de Matos, Roberto Balestra, Rogério
Peninha Mendonça, Ronaldo Lessa, Tereza Cristina, Valdir Colatto, Valmir
Assunção, Zé Silva e Zeca do Pt - Titulares; Aelton Freitas, Afonso Motta,
Alberto Filho, Alceu Moreira, Alfredo Kaefer, Beto Rosado, Carlos Melles, Daniel
Vilela, Diego Andrade, Domingos Sávio, Dr. Sinval Malheiros, Fábio Ramalho,
Hissa Abrahão, João Rodrigues, Jorge Boeira, José Nunes, Lázaro Botelho, Luciano
Ducci, Lucio Mosquini, Márcio Marinho, Marcos Montes, Mário Heringer, Miguel
Lombardi, Professor Victório Galli, Remídio Monai, Ronaldo Benedet, Sergio
Souza, Vicentinho Júnior e Wellington Roberto – Suplentes. Compareceram também
os Deputados Adelmo Carneiro Leão, Edinho Bez, Padre João e Tenente Lúcio, como
não membros. Deixaram de comparecer os Deputados André Abdon, César Halum,
Elcione Barbalho, Francisco Chapadinha, Luiz Cláudio, Nelson Meurer, Nilson
Leitão, Ricardo Teobaldo, Sérgio Moraes, Silas Brasileiro e Zé Carlos.
Justificou a ausência o Deputado César Halum. ABERTURA:
Havendo número regimental, o Presidente, Deputado Irajá de Abreu,
declarou aberta a reunião, cumprimentou a todos e agradeceu a presença dos
parlamentares e convidados. Ainda, explicou que a audiência pública trataria da
“situação da agricultura familiar frente o atual cenário de crise nacional" -
conforme solicitação do Requerimento n° 40/2015 de autoria da Deputada Tereza
Cristina, aprovado pela Comissão - e prestaria “esclarecimentos sobre a
identificação e delimitação de terras quilombolas no Brasil" - de acordo com
Requerimento n° 44/2015 de autoria do Deputado Alceu Moreira, também aprovado
pela Comissão. O Presidente anunciou os
dois preletores sentados à mesa: o Senhor Patrus Ananias de Souza -
Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário (MDA) – e a Senhora Maria Lúcia de
Oliveira Falcón - Presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (INCRA). Também foram anunciados os Secretários que acompanhavam o
Ministro: Senhor Onaur Ruano, Secretário de Agricultura Familiar; Senhor Sérgio
Roberto Lopes, Secretário de Regularização Fundiária da Amazônia Legal; Senhor
José Humberto de Oliveira, Secretário de Desenvolvimento Territorial; e Senhor
Adhemar Lopes de Almeida, Secretário de Reordenamento Agrário. Em seguida, o
Presidente anunciou as regras para o procedimento da reunião e passou a palavra
ao primeiro expositor. Patrus Ananias de Souza mencionou alguns
dados relacionados à agricultura familiar: (i) há, no Brasil, 5,2 milhões de
propriedades rurais, sendo 4,4 milhões ligadas à agricultura familiar; (ii) a
agricultura familiar tem uma produção, em valores brutos, de 89 bilhões de
reais; (iii) da produção agrícola consumida no mercado interno, 70% é oriunda da
agricultura familiar. Destacou, também, os dois principais programas ligados ao
Ministério: o Programa Mais Alimentos e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (PRONAF). Sobre
esse último, citou o aumento de recursos repassados pelo Governo Federal ao
Programa nos últimos dez anos: de 2,3 bilhões de reais em 2002, para 24,1
bilhões de reais em 2014. O Ministro citou que os programas governamentais
atuais tem sido os grandes responsáveis pela superação da fome e desnutrição no
território nacional, o que levou a Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura (FAO) a retirar o país do Mapa da Fome no ano passado.
Para os próximos anos, segundo o Ministro, o MDA pretende atuar
prioritariamente, em conjunto com o INCRA, na construção de assentamentos dignos
aos acampados e na promoção de uma agricultura familiar efetivamente produtiva e
autossustentável. Como segunda expositora, Maria Lúcia de Oliveira
Falcón informou que há hoje no país 9,2 mil assentamentos, 1 milhão de
famílias assentadas e 66 mil famílias já cadastradas no Cadastro Único para
Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), as quais estão aguardando, nos
acampamentos, serem assentadas. Segundo a Presidente, o INCRA se preocupa não
apenas com o desenvolvimento dos assentamentos, mas também das cidades próximas
que atendem esses assentamentos. Acredita que é necessário modernizar o
Instituto e seus processos, por meio de uma legislação atualizada e fazendo uso
da tecnologia, a fim de reduzir os entraves burocráticos e, assim, aperfeiçoar
as ações da entidade. A Presidente argumentou que ainda está se inteirando sobre
a questão dos quilombolas, já que assumiu a Secretaria há pouco tempo. Afirmou
que a questão é complexa, tendo em vista que nos territórios em que esses se
localizam, costumam estar também pequenos produtores. A solução dos conflitos
requer negociação entre os envolvidos. Por fim, a Senhora Maria Lúcia se colocou
à disposição dos parlamentares e prometeu empreender todos os esforços possíveis
em prol do desenvolvimento do país. Fizeram uso da palavra os deputados:
Tereza Cristina cobrou uma gestão eficiente e mais orçamento
para o INCRA. Também defendeu a importância de se ter uma diretoria para a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão
Rural (ANATER),
tendo em vista a imprescindibilidade de a tecnologia chegar até os agricultores;
Alceu Moreira criticou a incidência do Imposto sobre
Produto Industrializado (IPI) sobre a produção de vinho e a demarcação de terras
quilombolas, feita na comunidade de Morro Alto, no Rio Grande do Sul, baseada em
laudos antropológicos fraudulentos; Roberto Balestra demonstrou
preocupação com a falta de infraestrutura dos assentamentos, bem como com a
morosidade para se regularizar a titularidade das terras; Evair de melo
defendeu a reestruturação do INCRA, mais investimento na pesquisa
agropecuária e uma legislação que regulamente a sucessão familiar das
propriedades agrícolas. Criticou o modelo pedagógico das escolas técnicas
agrícolas, que vêm adotando o método prática assistida, incapaz de fornecer
conhecimento necessário aos estudantes; João Daniel expôs sua
expectativa e confiança quanto ao bom trabalho que será desenvolvido pelo
Ministro do MDA e pela Presidente do INCRA. Colocou-se a disposição para
cooperar com ambos e mencionou que preside a Subcomissão Permanente de Assuntos
Fundiários e Agricultura Familiar (SUBAFAM), que possui um escopo de trabalho
bastante significativo; Zé Silva solicitou que o Plano Safra
não seja lançado antes de se nomear a direção da ANATER. Cobrou a realização de
concurso público para melhorar a infraestrutura do INCRA e a aceleração dos
processos que permitam regularizar a titularidade das terras dos assentamentos;
Padre João elogiou os avanços da agricultura familiar no país,
mas reconheceu que ainda há muitas famílias que precisam ser assentadas e ter
acesso a assistência técnica, importante para se desenvolver a agroecologia e
combater o uso excessivo de agrotóxico; Newton Cardoso Jr
indagou sobre a questão do direito de propriedade privada frente a
políticas de demarcação de terras indígenas e quilombolas e assentamentos.
Mencionou que o agronegócio precisa de segurança jurídica para que continue
sendo um dos responsáveis pelo desenvolvimento econômico do país; Zeca
do PT argumentou que a agroecologia é um mecanismo importante para
reverter o uso de agrotóxicos. Citou que no Mato Grosso do Sul os assentamentos
são insuficientes, há a necessidade de ampliar o número de atendidos. Ainda,
cobrou a reestruturação do INCRA a fim de valorizar a entidade; Beto
faro mencionou o grande número de assentamentos no Estado do Pará - 25%
dos assentamentos do país estão no estado – e defendeu maior infraestrutura para
esses produtores rurais assentados; Valdir Colatto defendeu a
regularização fundiária para que os agricultores possam usufruir as políticas
públicas e indagou sobre a regulamentação da Lei 13.001/2014; Celso
Maldaner criticou a morosidade para se regularizar a titularidade das
terras. Defendeu a bovinocultura do leite e o tratamento do tema agricultura
familiar em cartilha escolar; Marcon defendeu a continuidade
dos trabalhos já desenvolvidos pelos Governos Lula e Dilma. Cobrou a melhoria da
infraestrutura e fortalecimento do INCRA. Solicitou ao Ministro da Fazenda,
Joaquim Levy, que não fizesse cortes orçamentários no MDA e INCRA;
Carlos Melles defendeu a adoção de políticas assistencialistas
e desenvolvimento do turismo rural; Nilto Tatto relembrou a
enorme variedade agrícola do Brasil, que reflete na ampla diversidade cultural
brasileira. Defendeu a aplicação do Decreto nº 4.887/2003, que trata da
demarcação de terras quilombolas; Hélio Leite argumentou sobre
a importância de a merenda escolar ser composta de produtos adquiridos de
agricultores familiares e solicitou que o Ministro contribua para a ampliação
dos debates acerca do tema. Criticou a falta de infraestrutura nos assentamentos
e solicitou que sejam criados mecanismos que impeçam que os lotes dos
assentamentos sejam vendidos; João Rodrigues sugeriu que fosse
realizado um mutirão para regularizar a titularidades das propriedades dos
assentados. Solicitou que o INCRA não fosse pautado pelos interesses do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST),
mas sim da agricultura como um todo; Afonso Hamm solicitou
apoio à manutenção do caráter de filantropia da
instituição Emater/RS-Ascar, a qual desenvolve um trabalho social
importante para as famílias rurais do Estado do Rio Grande do Sul. Defendeu a
regularização dos títulos de propriedade aos assentados; Luis Carlos
Heinze expôs a situação do Estado do Rio Grande do Sul, onde há 94
processos sobre demarcação de terras quilombolas, muitos baseados em laudos
antropológicos de confiabilidade duvidosa. Defendeu a regularização dos títulos
de propriedade aos assentados; Bohn Gass relembrou os avanços
da agricultura familiar nos últimos anos. Defendeu a necessidade de se debater o
conservadorismo do latifúndio e reacionarismo do Judiciário a fim de se avançar
nas questões da reforma agrária; Valmir Assunção defendeu que o
INCRA deva também considerar a legislação trabalhista e ambiental ao analisar se
uma propriedade se enquadra nos critérios de desapropriação para fins de reforma
agrária. Ainda, reconheceu a importância do agronegócio para o superávit da
balança comercial, mas relembrou que é o pequeno e o médio produtor que mantêm o
mercado interno; Heitor Schuch citou que a agricultura familiar
proporcionou mais oportunidades para os moradores da zona rural. Solicitou que o
Ministro interviesse de forma a impedir que os juros dos financiamentos do
PRONAF sejam aumentados. Por fim, cobrou o efetivo funcionamento da ANATER. Os
expositores usaram a palavra para fazer suas considerações finais e, em seguida,
o Presidente agradeceu a todos e encerrou os trabalhos às treze horas e vinte e
nove minutos. Antes, porém, convidou os Senhores Parlamentares para Reunião
Ordinária de Audiência Pública, dia 26 de maio,
terça-feira, às 14h30, no plenário 6, para “esclarecer os problemas que envolvem
o constante corte de energia elétrica dos produtores rurais atingidos pela
barragem de Itaparica”. O inteiro teor foi gravado, passando as notas
taquigráficas a integrarem o acervo documental dessa reunião. E, para constar,
eu, Moizes Lobo da Cunha, ________________________, secretário, lavrei a
presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente,
Deputado Irajá de Abreu ___________________________, e publicada no Diário da
Câmara dos Deputados.
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