DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
SEM REVISÃO
|
COMISSÃO
ESPECIAL - PEC 182/07 - REFORMA
POLÍTICA |
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EVENTO:
Reunião
Ordinária |
REUNIÃO
Nº: 0588/15 |
DATA:
14/05/2015 |
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LOCAL:
Plenário 2 das
Comissões |
INÍCIO:
10h19min |
TÉRMINO:
14h01min |
PÁGINAS:
83 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
-
QUALIFICAÇÃO |
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NOTAS
TAQUIGRÁFICAS SEM REVISÃO, APENAS PARA
CONSULTA. |
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Havendo número regimental, declaro a 24ª
reunião da Comissão Especial destinada a proferir parecer à
Proposta de Emenda à Constituição nº 182, de 2007, do Senado
Federal, e apensadas, Reforma Política, com a participação da
Comissão Especial destinada a efetuar estudo e apresentar
propostas com relação às matérias constitucionais da Reforma
Política.
Encontra-se à disposição dos Srs. Deputados cópias das
atas da 20ª a 23ª reuniões. Pergunto se há necessidade da
leitura.
O SR. DEPUTADO
AFONSO MOTTA - Dispensa.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Pedida a dispensa da
leitura.
Em votação.
Aprovada.
Como ainda estamos no prazo de pedido de vistas, que se
encerra às 19h, decido abrir a discussão e marcar a sessão
deliberativa apenas para terça-feira, às
15h.
Primeiro inscrito.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Muito bem,
Presidente!
Por favor, uma informação de interesse geral.
Entendemos que já se cumpriram 37 sessões de plenário. O nosso
prazo, portanto, esgotar-se-á na terça ou na
quarta?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) -
Terça.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Terça? Depende,
porque...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Trinta e oito.
Amanhã, se contar, 39, 40.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Não se tem contado segunda e
sexta.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Mas se houver 51
presentes na Casa, oficialmente conta. Pode
acontecer.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - De qualquer forma, terça... Não vamos
prejudicar a qualidade do debate.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputada
Moema.
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - O senhor poderia repetir, então, só a
sua deliberação, por favor.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Minha deliberação.
Como o prazo de vista é 19h, só haverá deliberação na
terça-feira. A princípio, vou marcar uma reunião para 10h30min
e outra 15h30min, e, na segunda-feira, dependendo das
nossas...
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - É uma decisão sensata, especialmente
porque nós temos informações extraoficiais de que o nobre
Relator faz algumas alterações no seu voto.
V.Exa. advertiu-me com grande sabedoria e prudência, na
última reunião, de que essa matéria será muito polêmica e
controversa. Como ele está modificando o relatório, V.Exa.
está iluminado ao reabrir o prazo para colocar em votação na
terça-feira.
Muito obrigado.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não, eu não abri
prazo nenhum. Estou cumprindo o prazo, é
diferente.
(Não
identificado) - O senhor está cumprindo o
Regimento.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Como, a partir de
19h, não haverá quorum aqui e, como
amanhã não haverá quorum e nem na
segunda, na Comissão, eu não vou prejudicar a agenda do
Deputado Afonso, no Rio, e da Deputada Moema nas suas
bases.
(Não
identificado) - (Manifestação fora do
microfone. Inaudível.)
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Fico honrado com seus
aplausos.
O SR. DEPUTADO
VICTOR MENDES - Presidente Rodrigo, pela
ordem.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Fala, Deputado
Victor.
O SR. DEPUTADO
VICTOR MENDES - Se prevalecer a informação do Deputado de
que houve uma mudança no voto...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não muda nada.
O SR. DEPUTADO
VICTOR MENDES - Não cabe vista de novo, porque é novo
relatório?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) -
Não.
O SR. DEPUTADO
VICTOR MENDES - Se ele alterou..., não
cabe?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não, é regimental.
Até o encerramento da discussão.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Presidente, gato escaldado tem medo de
água fria. Cadê o Relator? (Risos.)
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não está sequestrado.
Pode ter certeza disso.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Nem abduzido, Deputado
Amin?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - São forças que
ninguém nesta Casa controla, nem o PMDB.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Brincadeiras à parte. Ele virá. Está
avisado.
(Não
identificado) - Há novas formas de (ininteligível).
(Não
identificado) - É a imprensa que não o deixa
caminhar.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Só na
terça?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não. Como só haverá
debate, eu resolvi abrir a sessão. (Palmas.)
Deputada Moema.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Deputado Marcelo Castro, que não se deixa
castrar fisicamente...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputada Moema, com a
palavra.
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Sr. Presidente, Sr. Relator, Srs.
Deputados, a minha inscrição foi feita na apresentação do
relatório, na sessão passada, que foi transferida para
hoje.
Antes que a gente discuta qual vai ser o mecanismo de
decisão sobre a condução da votação do relatório, eu gostaria
de fazer aqui algumas colocações.
Primeiro, eu queria parabenizar esta Comissão pelo
trabalho desenvolvido. Queria parabenizar o Presidente e o
Relator pela forma como conduziram a Comissão no tocante à
abertura para o debate, para o diálogo.
Várias entidades passaram por aqui durante esses meses
tratando da questão de forma democrática através das
audiências públicas. Eu acho que isso enriqueceu muito o
debate. Quero me solidarizar com o Relator, que, apesar de ter
feito uma cartilha inicialmente externando a sua posição, não
pôde colocar a sua posição no relatório. Não necessariamente
atendeu aos anseios daqueles que passaram por aqui fazendo os
debates, como era de se esperar, principalmente no tocante à
representatividade que deveria estar colocada no seu
relatório. A população clama por mais representatividade,
inclusive por se sentir representada do ponto de vista das
candidaturas populares. A questão de gênero se faz muito
presente na sociedade. E o povo clama por mais mulheres na
política.
E a V.Exa., nobre Relator, que eu elogiei durante todo
este tempo e quero continuar elogiando, quero continuar
fazendo um apelo: que V.Exa. reflita sobre o seu relatório no
tocante à questão de gênero. Hoje, nós temos as mulheres todas
desta Casa e também do Senado discutindo esta questão. Neste
momento, estão reunidas na Secretaria desta Casa, na
Secretaria da Mulher, para tratar desta questão de
gênero.
Eu tenho várias críticas a fazer ao relatório,
principalmente sobre a questão do sistema, que também afeta o
gênero, também afeta a participação popular. Passado o
distritão, com certeza, as mulheres, os índios e os negros
serão espécies em extinção no Parlamento, já são ampla
minoria.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Tem orador na
tribuna. Aqueles queiram conversar paralelamente podem fazê-lo
em outro ambiente.
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Reconheço que a ansiedade sobre a decisão
desta reforma política deixa todos muito agitados. Mas, na
questão da mulher, é importante que nós possamos fazer este
destaque aqui. Eu queria dizer que não só a questão das cotas
nos afeta. O distritão também nos afeta. As representações
populares provavelmente serão extintas através do
distritão.
Mas, neste momento, eu queria me deter à questão das
cotas. V.Exa. pecou, nobre Relator, quando diz que é
constitucionalmente questionável. Eu queria lembrar a V.Exa.
que essa postura acaba sendo retrógada e muito mais...
(O
microfone é desligado.).
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Gente, a sessão está suspensa por 5
minutos.
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Gostaria que o meu tempo
fosse...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Claro, todo. Não tem
pressa nenhuma.
A Deputada Renata está inscrita.
Eu vou pedir que o Plenário cumpra o silêncio, para que
a Deputada Moema possa expor as suas ideias nos 12 minutos que
ainda tem para falar.
O debate já começou. As inscrições estão
encerradas.
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Continuando, Presidente, mas acho que
vale a pena repetir. O nobre Relator, a quem eu tenho o maior
respeito, peca, quando diz que a questão da cota de mulheres é
constitucionalmente questionável.
Eu queria discordar, porque essa posição acaba sendo
mais retrógrada do que a Lei Eleitoral nº 9.504/1997, que
garante os 30% de candidaturas. Ora, se não pudesse ser
garantido os 30% de candidatura, se fosse constitucionalmente
questionável, não se permitiria, desde 1997, esta propositura
através da própria Lei nº 9.504.
Portanto, eu acho que é importante que o Relator faça
uma reflexão. Ainda há tempo. Nós temos aqui as mulheres que
estavam reunidas em Comissão até agora na Secretaria. Elas
vieram aqui participar desta Comissão. Nós fizemos uma
audiência pública bastante representativa com entidades
diversas que tratam da questão. E estamos aqui com as
mulheres. Há um consenso entre...
Nobre Relator, eu gostaria muito que V.Exa. pudesse nos
ouvir.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) -
Gente...
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Não, não é o povo. É o
Relator.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não, não, é sim.
Deixe-me pedir um favor. Se as pessoas não querem participar,
ouvir a Deputada Moema, podem conversar em outra sala. Se
continuar persistindo o barulho, eu vou encerrar a sessão. A
sessão é para ouvir os Deputados. Quem quiser conversar tem
todo o direito legítimo, mas não aqui dentro. A próxima que
continuar eu encerro, e a gente continua na terça-feira o
debate.
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Eu não quero crer que o porquê seja a
questão da mulher, que está sendo discutida neste
momento.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - É que o plenário está
muito cheio. As pessoas começam a conversar. Mas tem que
respeitar o Parlamentar que está
falando.
A SRA. DEPUTADA
MOEMA GRAMACHO - Eu queria agradecer a presença das nossas
Deputadas não membros da Comissão, mas que estão aqui, neste
momento, para reforçar esta tese de reflexão do Relator sobre
retomar a discussão de que o seu relatório seja modificado no
que diz respeito à questão
das cotas de mulheres. Nós estamos aqui colocando que esta
postura está muito atrasada. Ainda, no seu parágrafo seguinte,
V.Exa. coloca que, mais do que a garantia de vagas, a
representação de gêneros precisa garantir a formação de
lideranças, de maneira que possa construir um futuro político
duradouro, que é sempre significativo.
Eu queria dizer que nós já temos mulheres que são
grandes lideranças, nós já temos mulheres que têm sido
destaques, o que não é correto é que sejamos 52% da população
e apenas 10% nos Legislativos. E não é por falta de Liderança
das mulheres, não é por falta de formação das mulheres e nem
de qualificação das mulheres, é porque às mulheres não foi
dado o direito de estarem hoje ocupando cargo de chefia, de
estarem sendo donas de empresa, de terem salários iguais aos
dos homens, e, quando a mulher é negra, recebe salário ainda
menor do que a mulher branca e de que os
homens.
Portanto, há uma desigualdade de oportunidades para as
mulheres participarem dos pleitos eleitorais e, mais ainda, os
próprios partidos políticos ainda, no seu machismo histórico,
não garantem tempo de televisão igual, não garantem
financiamento igual para as mulheres, e, por isso, as mulheres
disputam em extrema desigualdade as candidaturas. Daí porque a
necessidade das políticas afirmativas e, dentre elas, a cota
de mulheres. Nós mulheres aqui presentes reivindicamos que
haja uma reflexão por parte do Relator e que retorne a questão
das cotas. Temos emenda que vamos transformar em destaques e
gostaríamos que o Plenário desta Comissão também se debruçasse
sobre essa questão. Temos a convicção de que não estaremos
aqui disputando as vagas com os homens, mas estaremos, sim,
somando, para que os nossos partidos políticos e para que a
sociedade possa ter a representação necessária de mulheres nos
Parlamentos.
Finalizo, nobre Presidente, dizendo que sou contrária a
vários pontos que foram apresentados no relatório e
oportunamente estaremos apresentando destaques, mas não
poderia deixar de abrir esta sessão de hoje colocando o meu
protesto, que é de todas as mulheres aqui presentes e das que
não puderam estar aqui. São mulheres da Câmara e do Senado que
discordam de não verem contempladas no relatório desta
Comissão as cotas de mulheres. Continuaremos firmes no
propósito de garantir que elas passem aqui na Comissão,
através do destaque que faremos. Estaremos também debatendo no
Plenário esta participação das mulheres. Não abriremos mão de
colocar na Ordem do Dia e de buscar o convencimento e a
conscientização dos homens deste Plenário, dos homens desta
Casa legislativa.
Portanto, assim encerro o meu pronunciamento, mais uma
vez dizendo que as mulheres hoje são a maioria da população e
não podem continuar sendo sub-representadas do ponto de vista
quantitativo, como são nos Parlamentos.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Já
encerrou?
O SR. DEPUTADO
SILVIO TORRES - Sr. Presidente, pela ordem. Queria fazer
uma sugestão a V.Exa. Nós estamos praticamente nas últimas
reuniões da nossa Comissão.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Ao contrário, nas
primeiras. É quando o relatório aparece que as coisas
acontecem. Do ponto de vista
regimental...
O SR. DEPUTADO
SILVIO TORRES - Do meu foco... Eu queria sugerir que
V.Exa. também chamasse para compor a Mesa os Vice-Presidentes
que fizeram parte desse processo e estão aqui
presentes.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Claro, sem dúvida
nenhuma. Estão sempre convidados. O lugar à Mesa está
sempre... Convidamos os Deputados Rubens Otoni, Marcos Montes
e Tadeu Alencar.
Passo a palavra ao Deputado Samuel
Moreira.
O SR. DEPUTADO
SILVIO TORRES - Está valendo a inscrição de
terça-feira?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Está valendo. Eu abri
a inscrição e encerrei a sessão.
A SRA. DEPUTADA
GORETE PEREIRA - Eu estou inscrita?
O SR. DEPUTADO
SAMUEL MOREIRA - Srs. Deputados, eu quero, inicialmente,
começar com uma pergunta ao Relator. Sr. Relator Marcelo
Castro, há alguma alteração do relatório? Há alguma ideia de
alteração?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Há, sim, Deputado. Nós estamos propondo
algumas alterações no relatório, fruto de negociações que
empreendemos fora do âmbito da Comissão. Então, eu fui instado
por alguns colegas ao entendimento, a uma negociação, a uma
transigência, porque cheguei mesmo a ser acusado de que a
minha posição em defesa do relatório estava sendo muito
intransigente e que isso poderia dificultar a tramitação da
proposta.
E aí várias questões foram levantadas e nós fizemos uma
negociação. Nesse novo posicionamento meu, duas pessoas foram
importantíssimas: uma foi o Deputado Afonso Motta, que se
encontra aqui defronte a nós, que tem sido um membro muito
ativo, muito participante, defendendo sempre aquilo que julga
ser o melhor para o nosso País, que me chamou a atenção sobre
uma entrevista que eu havia dado, achando que estava na hora
de eu ser mais brando, mais conciliador e não tão enfático nas
posições que eu vinha defendendo; o outro foi o nosso
Presidente Rodrigo Maia, que, com seu jeito, sua habilidade,
promoveu encontro, negociações comigo, com a bancada do PMDB,
juntos negociamos com o Senado Federal. E aí fizemos algumas
modificações. Eu sei que iremos pagar um preço por isso, mas
estamos dispostos a assumir toda a responsabilidade das
mudanças e pagar esse preço, em nome de uma negociação que vem
facilitar a tramitação, pelo menos essa é a intenção, de todo
o parecer no Plenário e também no
Senado.
A modificação mais importante que nós fizemos nesta
negociação foi propor o mandato de 10 anos para os Senadores.
Atualmente, o mandato dos Senadores é de 8 anos, e nós aqui na
Comissão chegamos à conclusão de que todos os mandatos
eletivos deveriam ter a duração de 5 anos. Então, o mandato
dos Senadores cairia de 8 para 5 anos, mas isso trouxe grande
dificuldade. Eu levantei o argumento, reiterada vezes, que nós
aprovaríamos aqui 5 anos e, quando fosse para o Senado, o
Senado, então, teria a faculdade de aumentar para 10 e, quando
voltasse para cá, a gente poderia aprovar os 10, mas a
iniciativa ficava com eles. Aí foi feito o contra-argumento de
que assim eu estaria inviabilizando, dificultando a reforma,
porque, se votasse no Senado e viesse para cá, iria ficar um
pingue-pongue: a Câmara vota de um jeito, o Senado vota de
outro, volta para Câmara, vota de outro, e aí passaria o prazo
regulamentar, que seria o mês de setembro. Embora sabendo do
desgaste que iremos sofrer, nos somos políticos e temos que
ter hora para recuar, para conciliar, para contemporizar,
estou assumindo essa responsabilidade de, por iniciativa
própria, propor a modificação, que estou fazendo no meu
relatório, no mandato de Senador para 10
anos.
Outro ponto que foi também motivo de negociação foi o
mandato dos próximos Prefeitos e Vereadores a serem eleitos,
que os próximos Prefeitos seriam eleitos por 2 anos e todas as
eleições do Brasil coincidiriam em 2018. Aí tivemos que fazer
a negociação, cedemos também nesse ponto e estamos propondo
que o próximo mandato de Prefeito e Vereador de 2016 seja por
6 anos e as eleições coincidirão agora a partir de 2022 e não
mais a partir de 2018.
Outra negociação que nós fizemos foi com relação ao
Suplente de Senador. Eu não sei se V.Exas. se recordam que,
quando esteve aqui nesta Comissão, o Senador Aécio Neves
criticou a fórmula que nós estávamos apresentando para a
Suplência de Senador e defendeu uma fórmula que já havia sido
aprovada no Senado e que está aqui na nossa Comissão de
Constituição e Justiça. Cedi nesse ponto também. A minha
proposta de suplência de Senador só funcionaria razoavelmente
bem, embora com alguns defeitos, se os 3 Senadores fossem
eleitos num dia só. Como o mandato que nós estamos propondo
agora é de 10 anos, os Senadores continuarão sendo eleitos
alternadamente, um e dois terços.
Então, não faz muito sentido ter uma vaga só de Senador
e o suplente ser aquele que disputou e foi derrotado. Quando
eram 3 vagas, que tinham 10, 20 concorrentes, isso ficaria
mais diluído, mas com uma vaga só fica um conflito muito
grande, se ele vier a falecer ou vier a se afastar vai assumir
no seu lugar aquele que defende ideias opostas ao que estava,
que era titular.
Como já foi aprovado no Senado um regramento, e isso
diz respeito, principalmente, a eles, embora seja do interesse
nacional, eu achei melhor, então, colocar na nossa redação o
texto ipsis
litteris que está na Comissão de Constituição e Justiça
aqui da Constituição, que já foi aprovado pelo Senado, o que
significa dizer que se nós aprovássemos isso aqui iria só para
o Senado para promulgação, não retornaria para votação
lá.
Outro ponto também em que eu cedi foi com relação à
cláusula de desempenho partidário.
O SR. DEPUTADO
JOAQUIM PASSARINHO - Relator, apenas quero perguntar qual
é a regra da suplência. Qual é a regra da suplência de
Senador?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Perdão. A regra da suplência é a
seguinte: os Senadores terão apenas um suplente e não poderão
ser cônjuges ou parentes consanguíneos ou afins até segundo
grau. Essa é a regra do Senado. Então, nós estamos fazendo do
jeito que eles propuseram. Empresário
pode.
A regra da cláusula de desempenho, eu sempre fui um
defensor rigoroso da cláusula de desempenho, é um instituto
que existe praticamente no mundo inteiro, sobretudo, quando o
sistema é proporcional, mas recebi críticas de que mesmo eu
achando que a cláusula seria pouca, ainda estaria grande,
ficariam muitos partidos de fora. E aí eu cedi também nesse
ponto.
Nós havíamos proposto que a cláusula de desempenho
seria 3% dos votos nacionais e pelo menos 2% em um terço dos
Estados. Eu cedi, e estamos propondo que a cláusula de
desempenho caia para 2% dos votos nacionais e para apenas 1%
em um terço dos Estados do País. No primeiro ano, na primeira
eleição, a cláusula de desempenho seria apenas de
1%.
Então, aquele partido que não tiver nem 1% dos votos
nacionais na próxima eleição ou pelo menos 2% dos votos
nacionais da segunda eleição em diante estaria impedido de
receber o Fundo Partidário e o tempo de televisão, que são
recursos públicos, ou seja, o recurso público é para
viabilizar a vida de um partido e não para qualquer partido
sem nenhuma representatividade, porque se diz aí, eu não quero
subscrever, mas já ouvi muitas pessoas dizerem que há chefes
de partido, comandantes de partido que estão vivendo à custa
do partido, porque recebem recursos públicos sem ter
representante, sem ter muitos candidatos. Dizem até que há
alguns partidos que têm menos voto do que o número de filiados
exigido para a sua criação. Então, essas distorções, essas
aberrações nós estamos tentando corrigir, diminuindo, então, o
índice da cláusula de desempenho.
Então, em suma, são essas modificações: mandato de
Senador de 10 anos; suplência de Senador, a regra que foi
aprovada no Senado; cláusula de desempenho de 2% e de
1%.
O SR. DEPUTADO
DOMINGOS NETO - Marcelo, só uma dúvida. V.Exa. está
tirando a necessidade de eleição de Deputado Federal na
cláusula de desempenho, deixando só o percentual ou seria o
percentual e a eleição de um
representante?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Não. Tem que ter um representante, e esse
um representante, como ele é só um, nós não modificamos, e a
cláusula que nós havíamos proposto do percentual nós a
baixamos pela metade. Eram essas...
O SR. DEPUTADO
DOMINGOS NETO - A última dúvida era sobre a possibilidade
de reeleição.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sr. Presidente.
A SRA. DEPUTADA
CARMEN ZANOTTO - Sr. Presidente.
O SR. DEPUTADO
DOMINGOS NETO - Só para finalizar, porque, como eram 2
anos, ele tinha garantido que esse mandato de 2 anos, teria
possibilidade de reeleição.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Exato.
O SR. DEPUTADO
DOMINGOS NETO - Eu só queria que ficasse claro se os
mandatários eleitos em 2018 para o Executivo teriam
possibilidade de reeleição num mandato de 5 anos.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Não.
A SRA. DEPUTADA
CARMEN ZANOTTO - Não.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Em 2016, teremos a última reeleição de
no
Brasil e, em 2018, teremos a última reeleição de Governadores
de Estado; aí, encerram-se. As eleições coincidiriam todas em
2022 e, a partir daí, os mandatos seriam de 5 anos para todos,
menos para Senadores, que seria de 10 anos. Para coincidir, os
2 Senadores eleitos agora em 2018 teriam mandato de 9 anos,
para poder haver essa compatibilização. Então, são essas as
modificações.
Bem,
vamos cumprir a ordem. Samuel está na ordem de
inscrição.
O SR. DEPUTADO
SAMUEL MOREIRA - Quanto tempo eu tenho, Sr.
Presidente?
Quinze
minutos.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sr. Presidente, para Todas
as mudanças estão sendo tomem
conhecimento daquilo que está sendo modificado.
O SR. DEPUTADO
SAMUEL MOREIRA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, bom, eu
sei que há um desejo enorme de cada Deputado de fazer uma
reforma
,
de fazer várias no
existente. Nós passamos aqui um bom período discutindo vários
itens. O nosso Relator apresentou em
cerca de 15 itens aproximadamente, refez algumas
e legítimas
fora desta Comissão, mas caberá a esta Comissão dar o seu
veredito final do que ela pensa.
Eu acho que, em que pese todo nosso desejo, nós
precisamos ter um cuidado. A reforma
não é um fim por si só. Nós temos uma para
Deputado Estadual, Federal, Governador, Senador daqui a 3
anos. Nós não
do
nosso
Quais
seriam esses pontos? Na medida em que são muitos, o nosso
receio é de cometer erros gravíssimos e piorarmos o nosso
em alguns aspectos.
Vou dar um exemplo que me preocupa muito. Nós vamos
mexer no período de mandato, visando uma coincidência de
mandatos. Primeiro, há muita dúvida sobre a coincidência de
mandatos. Segundo, há muita dúvida também quanto ao período de
mandatos de
A de
2 anos no mandato de e
de tem
muita dificuldade para promover essa coincidência. Mas também
uma de
6 anos, convenhamos! Colocar 6 anos para um mandato é dizer à
população o seguinte: vocês, que julgam um
mandato a cada 4 anos, vão julgar os mandatos dos
próximos
Prefeitos e Vereadores daqui a 6 anos e vão passar a
julgar todos os outros mandatos a cada 5
anos.
Nós ouvimos aqui muita resistência de Prefeitos, de
Vereadores e de Deputados. Mas o que a população pensa disso?
Eu meu coloco na condição de um cidadão. Vamos supor que eu
não fosse Deputado, que eu não fosse político, que eu não
tivesse vida partidária. Sou um cidadão, vivo uma vida
absolutamente normal, sou trabalhador, jogo futebol, assisto
novela, convivo com minha família, não tenho partido, julgo o
mandato de Deputado, de Prefeito e de Governador a cada 4
anos. É justo esta Comissão resolver me colocar para julgar
mandato a cada 5 anos? Ou seja, eu só vou participar do
julgamento de um mandato agora a cada 5 anos.
Nesse começo agora, o mandato de Prefeito e Vereador
vai dar 6 anos. Quer dizer, eu vou participar do julgamento do
próximo mandato de Prefeito e de Vereador daqui a 6 anos.
Vamos supor que o Prefeito se reeleja numa condição como se
reelegeu a Dilma, praticamente num empate técnico. O eleitor
terá que julgá-lo só daqui a 6 anos. Será que isso é justo?
Será que isso é justo para com o eleitor? Será que essa
coincidência de mandatos e essa alteração no período de
mandatos, de 5 anos para Deputado, de 10 anos para Senador, é
justa para com o eleitor?
Eu peço essa reflexão, se é que esse ponto é vital. Se
esse ponto não for vital e não houver consenso, é importante
que se o retire do relatório, e nós passemos a cuidar dos
assuntos mais importantes para se obter o sucesso comprovado
numa reforma política.
Mexer em período de mandato, aumentando o tempo de
mandato, é contra o eleitor. Para o eleitor, quanto menor o
tempo de mandato mais participação ele tem no julgamento do
mandato do político.
Portanto, eu quero deixar a minha posição. Eu acho que
nós deveríamos abrir mão da coincidência. Abrir mão disso,
neste momento, não nos impede de continuarmos discutindo no
futuro. Mas abrir mão do mandato de 5 anos, que é contra a
participação do eleitor, abrir mão do próximo mandato de 6
anos para Prefeito e de Vereadores também não sou a favor de
2 anos é um absurdo. Abrir mão do mandato de 10 anos para
Senador nem se fala. Portanto, eu deixaria esse assunto de
lado.
Eu tenho poucas divergências nesse relatório a não ser
no sistema, que eu considero dos mais importantes. Não posso
concordar, Sr. Presidente, Sr. Relator, com um sistema que eu
desconheço absolutamente. Quando se fala em lista fechada, eu
sei que há essa experiência na Espanha, em Portugal, na
Argentina, na Escócia e em outros países. Quando se fala em
distrital, nós conhecemos a experiência dos Estados Unidos, da
Inglaterra. Quando se fala em distrital misto, nós temos a
experiência da Alemanha.
Agora, quando nós falamos em distritão... O que é isso?
Qual é a experiência que nós temos? Como será essa eleição?
Alguém já simulou uma eleição com o sistema distritão? Alguém
imagina o que será uma chapa? Alguém imagina quanto custará
uma campanha? Alguém imagina se o principal objetivo da
reforma política, que é diminuir a distância entre o eleito e
o eleitor, é aumentar a representação para o eleitor... O
distritão só aumentará essa distância. O eleitor continuará
sem saber quem é efetivamente e continuará também distante do
seu representante. Portanto, eu não vejo o distritão como uma
alternativa. Eu não concordo, mas acho de boa intenção a
pesquisa que foi feita. Nós poderíamos, talvez, ter um debate
mais forte e apurar melhor a diferença do distrital misto e do
distritão, em que pese perceber que nenhum dos sistemas aqui
atinge sequer uma maioria absoluta.
Portanto, também acho que, caso possamos promover
alguma mudança no sistema, temos de priorizar o fim das
coligações, temos de priorizar a cláusula de desempenho, como
uma resposta mínima para a sociedade, mas tendo muito cuidado
com o sistema proposto pelo Relator, ao qual eu sou contra por
desconhecer, por não conseguir sequer fazer uma simulação de
uma eleição com o sistema do distritão. Acho um passo
inseguro.
Acho também, Sr. Relator, a janela muito extensa, é
mais do que uma janela. Poderíamos reduzir esse prazo.
Portanto, Sr. Relator, nós precisamos garantir nesta Comissão
aquilo que, ainda que não seja consenso, represente o desejo
de uma grande maioria. Nós não podemos numa divisão muito
apertada, numa divisão em minoria, como foi o distritão e o
voto distrital misto, uma minoria tão, mas tão significativa
levar o relatório ao plenário com o distritão. Eu torço para
que haja um destaque retirando o distritão desse relatório e
mantendo os outros itens que o Relator sugeriu, especialmente
o fim das coligações e a cláusula de
desempenho.
Sr. Relator, Srs. Deputados, eu torço para que haja,
aqui entre nós, o mínimo de unidade, para percebermos que o
mais importante é darmos algo à população e a nós mesmos com a
mudança de um sistema que melhore os aspectos do financiamento
e do custo. E acho que estamos muito próximos da proposta de
financiamento do Relator. Eu acho que nós estamos próximos.
Nós temos que conseguir, com esse relatório e com a aprovação
da reforma política, campanhas mais baratas, campanhas mais
transparentes. Isso é fundamental. E eu acho que estamos
próximos disso.
Nós temos que garantir um sistema melhor, um sistema
que promova avanços na escolha do seu eleito, um sistema que
simplifique, um sistema que dê ao eleitor a garantia de que
ele participará de um mandato, de que ele irá interagir com o
mandato. A escolha não pode ser só a escolha. A escolha tem
como objetivo a participação do eleitor em um
mandato.
Portanto, nós achamos que o distrital misto é a melhor
proposta. O distritão é irmos para o escuro. Nós não sabemos
como será uma eleição com o distritão, pois não há experiência
com o distritão no mundo. Aliás, acabei de receber informação
que tem o Afeganistão. O Afeganistão tem o esquema do
distritão.
Portanto, meus amigos, eu já vou encerrar, fazendo um
apelo para que a gente deixe de lado a questão do tempo de
mandato. Vamos manter como está neste momento. Não vamos mexer
no tempo de mandato. Vamos adotar um sistema que, em último
caso, caso a gente não consiga unanimidade, maioria, para um
novo sistema tirar as coligações e implementar a cláusula de
desempenho, mexer no sistema, manter o financiamento, um
financiamento mais transparente e com custos eleitorais mais
baixos de campanha.
Eu quero registrar aqui, para encerrar, Sr. Presidente,
para que haja bastante reflexão e que haja muita unidade, para
que a gente possa encaminhar para o
Plenário.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Muito bem.
Regiamente cumprido o tempo. Nós estamos com uma lista de
oradores. Trinta e três membros se inscreveram. É regimental o
prazo de até 15 minutos, é regimental. Nós temos que,
rigorosamente, cumprir o Regimento, sob pena de ser arguido e
derrubar a validade e a segurança jurídica de nosso relatório.
Mas eu faria um apelo para que os oradores não usem os 15
minutos. O Regimento diz até 15 minutos.
Eu consulto: É possível fazer acordo de reduzir para
5?
A assessoria diz aqui que, por acordo, se ninguém
discordar, 5 minutos. Alguém discorda?
Então, como é acordo, registra na ata que houve
unanimidade.
Com a palavra o Deputado Arnaldo Jordy, pela
ordem.
(Não
identificado) - O Samuel fica devendo 10
minutos.
O SR. DEPUTADO
SAMUEL MOREIRA - Se tivessem me falado, eu tinha usado
5.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Arnaldo
Jordy.
Deputada Carmen, 1 minuto.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Sr. Presidente, é só para saber qual é o
entendimento da Mesa. O Relator nos brindou aqui com algumas
novidades que não estavam acolhidas, abrigadas no relatório
anterior divulgado na semana passada. Eu pergunto qual é o
entendimento de V.Exa. com relação aos destaques ou às
proposições, ou às sugestões a serem apresentadas diante
dessas novidades que foram aqui sugeridas pelo Relator, qual o
procedimento a fazer para quem discorde ou para quem concorde,
alguém que tenha alguma sugestão de modificação, de alteração
dessas novidades apresentadas pelo
Relator.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Os destaques podem
ser apresentados até o anuncio da votação. Ou seja, o fim das
discussões. Provavelmente, pelo número de inscritos, nós
iremos esticar isso até terça-feira. Teremos que finalizar a
discussão na terça-feira. Então, os destaques, diante dessas
novidades, podem ser apresentados até
terça-feira.
Com a palavra Deputada Carmem, para uma questão de
ordem.
A SRA. DEPUTADA
CARMEN ZANOTTO - Sr. Presidente, eu sei que não é
regimental, mas eu preciso fazer um apelo aqui que, pelo
menos, pela sensibilidade do conjunto de homens e mulheres
desta Comissão, que a nossa Coordenadora da Secretaria de
Políticas para as Mulheres e a nossa representante da
Procuradoria de Mulheres pudessem falar, porque a gente já
percebeu a sensibilidade do Relator com relação ao acolhimento
de algumas sugestões, e nós mulheres, muito pelo contrário,
não fomos contempladas neste relatório.
Eu sei que não é regimental, nós não somos membros
desta Comissão, mas eu tenho certeza que o coletivo de homens
desta Casa sabe da importância da mulher e sabe que estão aqui
em função do papel das mulheres no seu processo eleitoral
também.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Deputada Carmem,
estão inscritas: Renata Abreu, Raquel Muniz, Josi Nunes,
Gorete Pereira, Professora Dorinha Seabra Rezende, Carmen
Zanotto. Eu creio que serão diversas possibilidades, nós temos
que seguir o Regimento.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR – Presidente, um esclarecimento
brevíssimo.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) –
Diga.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR – Como nós operamos com a possibilidade de
votar o relatório hoje, foram feitos já diversos destaques em
cima do texto apresentado pelo Relator anteontem. Há a
informação de quantos destaques foram
feitos?
Isso tudo é zerado agora, porque se reabre o prazo, não
é? E há a revisão do relatório, o relatório do relatório do
relatório.
Deputado
Marcelo Castro, não aceite mais nenhuma pressão até
terça-feira. Vá lá para o Alto Longá.
O SR.
PRESIDENTE (Marcus Pestana) - Foram apresentados 15
destaques. Alguns, em função das mudanças introduzidas, vão
perder o sentido. Eles podem ser substituídos até o fim das
discussões.
Deputado Silvio Torres, com a palavra, por 5
minutos.
O SR. DEPUTADO
SILVIO TORRES – Sr. Presidente, primeiro quero dizer que
concordo totalmente que 15 minutos inviabilizariam que nós
chegássemos ao fim dessa discussão. Depois queria cumprimentar
V.Exa. e, em nome de V.Exa., toda a Mesa, especialmente o
nosso Relator, Marcelo Castro. Eu acho que nós vamos ter certa
dificuldade de falar, porque o burburinho vai ser muito grande
e eu acho que nós vamos ter durante todo o dia muitas
intervenções.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) – Queria reiterar o
apelo do Presidente Rodrigo Maia ao pessoal nas laterais e aí
no fundo, às assessorias que estão colaborando mais para o
burburinho fica impossível entender o conteúdo do
posicionamento dos oradores , por favor,
silêncio.
Com a palavra o Deputado Silvio
Torres.
O SR. DEPUTADO
SILVIO TORRES – Para restabelecer meu tempo, eu vou
cumprir mais 1 minuto. Queria pedir atenção para o Deputado
Marcelo Castro, porque eu sei que ele está às voltas com as
suas... Deputado Marcelo, além de elogiar o seu trabalho, que
foi muito democrático, realmente o senhor foi até aonde era
possível ir, no tempo exíguo para discutir uma matéria dessa
natureza. Certamente, não chegaria ao resultado ideal. Eu acho
que nenhum de nós está buscando aqui o ideal da reforma
política no Brasil, porque nem nós sabemos qual é. A começar
da própria divisão que essa Comissão demonstrou, ao longo de
todos os debates, e que se reproduz talvez numa escala ainda
maior no Plenário, não há como imaginar qual vai ser o
resultado daquilo que será votado como reforma
política.
O meu temor, Sr. Relator, é que nós tenhamos aquilo que
popularmente se chama uma Reforma Frankenstein, totalmente
deformada, totalmente incoerente e, acima de tudo, que ela
frustre as expectativas dos milhões de brasileiros que, ainda
que não considerem a reforma política uma panaceia dos
problemas, têm alguma esperança de que ela possa melhorar a
situação que nós vivemos no País, com todas as implicações que
a reforma política traz na vida do cidadão, na economia, nas
expectativas de melhora da qualidade de vida.
Então eu estou fazendo essas iniciais para dizer da
responsabilidade que tem essa Comissão, mas que o Plenário
terá na sequência, ao votar aquilo que está aqui
previsto.
Quero confessar a V.Exa. que estou bastante cético com
relação a grandes avanços. Não me preocupa tanto que nós nos
percamos um pouco nas chamadas discussões das questões periféricas.
Desde o início do seu trabalho, o senhor soube muito bem
diferenciar o que era importante e decisivo daquilo que
poderia ser discutido até em matéria infraconstitucional, que,
aliás, continuaremos a discutir na Comissão já formada para
isso.
Então, eu queria me deter, Relator, nos dois assuntos
que foram considerados importantes: sistema eleitoral e
financiamento de campanha. Começando que a minha convicção
pessoal e a convicção do nosso partido, que tem como bandeira
o voto distrital misto, nós vamos levar até o último momento,
tentando impor não a força de um trator, a força de
negociações, que certamente já começaram a ocorrer e
continuarão ocorrendo para poder colocar o sistema que é a
maior aberração de todas, o distritão.
É um sistema que aparentemente interessa a nós,
Parlamentares. Por isso, muita gente está entrando nessa onda.
Mas, mesmo que interessasse, ele é profundamente prejudicial e
maléfico ao eleitor. Esse sistema vai acentuar mais ainda esse
distanciamento que existe entre eleitor e eleito. Não só vai
distanciar na questão da fiscalização, na questão do
envolvimento, mas vai fazer com que essa indiferença e até
rejeição, que já existe hoje como estigma em relação à classe
política, cave um abismo intransponível.
Vai nos levar não sei aonde, Relator. Ninguém pode
dizer, a partir do momento que esse distanciamento demonstra a
nossa insensibilidade, que é o que vai se fazer ao se aprovar
o sistema como distritão, quais serão as consequências no
futuro. Nós podemos estar aqui, ao aprovar um modelo como
esse, cavando o nosso próprio destino.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Para
concluir.
O SR. DEPUTADO
SILVIO TORRES - É impossível imaginar que nós tenhamos que
copiar o modelo da Jordânia, do Afeganistão ou qualquer outro
e achar que isso vai dar resultado. Então, estamos colocando
os destaques para reforçar o voto distrital misto, que é a
convicção de V.Exa., que vem discutindo esse assunto há tanto
tempo. Eu acho que nós temos que lutar até o fim por essa
bandeira.
Só queria lembrar, Relator, que tive 1 minuto a menos.
Sobre o financiamento de campanha, que é outra questão mais
importante, eu queria aqui também deixar registrada a minha
posição de que aquilo que está previsto no seu relatório é o
mais coerente, o mais sensato para este momento. Podemos
evoluir para outras questões que serão no futuro
discutidas.
Sr. Presidente, eu precisava acrescentar apenas mais
uma posição. Esta para mim é quase cláusula pétrea do meu
pensamento: sou radicalmente contra, Sr. Relator, a
coincidência de mandatos. Acho que ela vai trazer dois
malefícios, duas questões fundamentais. Nós vamos retirar...
No momento em que se coloca a votação do Presidente até o
Vereador e se retira a possibilidade de uma discussão central
sobre o Município...
Eu sou municipalista convicto, acho que nós devemos dar
toda a importância a uma eleição municipal, ela é fundamental.
A democracia nasce no Município. Todas as questões importantes
que repercutem acima disso nos outros entes federados começam
no Município. A segunda questão: nós vamos correr o risco ao
fazer uma coincidência de mandatos.
No momento da eleição geral, se tivermos uma situação
político-econômica no País que favoreça apenas uma linha de
pensamento, um partido político, nós
vamos eleger, de cima a baixo, a mesma linha de pensamento, a
mesma visão político-econômica. É um grande risco para a
democracia nós ficarmos 5 anos sem uma discussão política,
durante todo esse período sem uma
eleição.
Eu agradeço e cumprimento V.Exa.
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - (Inaudível)
com a
certeza, com a convicção com que o Deputado Silvio Torres
disse que sabe qual é a preferência do
Relator.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Srs. Deputados e
Deputadas, diversos parlamentares têm procurado a Mesa para
novas inscrições. Nós estamos amarrados num prazo regimental.
Se contarmos as sessões de sexta e de segunda, fatalmente
teremos que votar o relatório na terça-feira. Então, não é
possível acolher novas inscrições. As inscrições estão
encerradas. O Deputado Rodrigo Maia vai procurar dialogar com
todos aqueles
Tragam suas sugestões para o Relator, para o
Presidente. Mas não é possível acolher novas inscrições porque
nós estamos amarrados, sob pena de colocar em risco a própria
reforma política.
Com a palavra o Deputado Henrique Fontana, por 5
minutos.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Quero cumprimentar o nosso Presidente
Rodrigo Maia, o nosso Relator, Marcelo Castro, o Deputado
Pestana e todos os colegas que, conosco, vêm compondo este
debate tão difícil, tão importante e tão estrutural para o
futuro da democracia no nosso País.
Não é fácil tomar decisões. Por isso, a minha primeira
frase, Relator, é da preliminar do respeito às convicções de
V.Exa. e do respeito que V.Exa. teve que colocar no relatório
por conta das mediações políticas que lhe impuseram. Portanto,
não tome aqui as críticas que farei como algo desrespeitoso ou
de qualquer caráter pessoal.
Segundo, quero pedir a V.Exa. que nos diga qual é a
data em que pretende apresentar o relatório das mudanças
infraconstitucionais. Inclusive, parte delas é das mais
importantes, porque falará qual, de fato, será o teto de
gastos, como será o financiamento das eleições ou até
permitirá se discutirem sistemas eleitorais que não dependem
de mudança constitucional, como este que estamos debatendo
aqui.
Eu tenho uma crítica nós, do Partido dos
Trabalhadores extremamente forte ao distritão. O distritão,
se eu for listar sem desenvolver cada uma das frases
A
primeira delas: ele significa o fim dos partidos políticos. Eu
respeito a convicção de cada um dos colegas, mas o fato é: se
nós elegermos um Parlamento pelo sistema distritão, nós
teremos aqui 513 mandatos absolutamente independentes, cada um
pensando aquilo que deve fazer individualmente, e a
governabilidade do País, esteja quem estiver no Governo,
ficará caótica. Eu digo brincando que a reunião de líderes não
será mais na sala do Presidente. A reunião de líderes será
direto no plenário. O Líder do Governo ou o Líder da Oposição
terão que negociar de um por um com cada um dos Deputados, que
são importantes, evidentemente, mas nós sabemos que não é
possível organizar um sistema representativo que não reúna um
conjunto de pessoas defendendo um programa político e
defendendo, portanto, uma alternativa para ser adotada no
Parlamento.
Segundo, o sistema distritão é o sistema do abuso do
poder econômico. Digamos o que queiramos. Ontem um colega me
falou: Eu não me
iludo, Fontana. Eu sou o quarto da lista de oito do meu
Estado. Mas, se mudar para o distritão, eu sei que eu não me
elejo mais, porque outros que têm poder econômico e que hoje
não conseguem esta vaga vão me deslocar e eu não serei
eleito. A tendência do Distritão é eleger as 513
campanhas mais caras do Brasil.
Poderá haver algum ponto fora da curva? Poderá, mas um
ponto fora da curva.
O Distritão é o paraíso do abuso do poder
econômico.
Terceiro, meu Relator, eu sei que não é a sua posição
pessoal, se esse sistema fosse bom, será que algum país de
democracia madura já não teria descoberto o Distritão com
essas décadas de debate sobre sistema político
eleitoral?
Só o Afeganistão e a Jordânia descobriram que o
Distritão é um bom sistema eleitoral.
Eu sei que o povo está de mal com os partidos
políticos. Mas nós somos políticos. Se nós acreditarmos que é
possível fazer política sem partido político é quase como se
pudesse ter democracia sem voto.
Então, nós queremos fazer um grande esforço de diálogo,
para que esta Comissão não dê maioria ao Distritão. Vamos
ganhar inclusive um tempo até o plenário, para negociarmos
mais, conversarmos mais.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Para concluir,
Deputado.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Para concluir, meu Presidente, o
assunto do financiamento, que é a crítica maior que eu tenho
ao relatório apresentado, não à posição do
Relator.
O grande problema da democracia brasileira hoje é o
fato de que ela é quase que exclusivamente financiada por
empresas, quase que exclusivamente financiada por grandes
empresas, de forma muito concentrada, porque ela é uma
democracia cada vez mais cara. E o Relator nos propõe que a
gente coloque na Constituição, Deputado Afonso Hamm, que
empresas devem financiar eleições.
O julgamento no STF está 6 a 1, para retirar as
empresas do financiamento. As empresas hoje são uma lei
infraconstitucional. E colocar na Constituição que empresa
deve financiar eleição, significa reforçar um ambiente
político e democrático...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Para concluir,
Deputado.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - ... onde o dinheiro decide o essencial
da eleição e onde as ideias, as nossas histórias de trabalho,
o conjunto, o programa que nós defendemos, a nossa história de
credibilidade nas ações comunitárias, sindicais, na sociedade
que temos, são quase que totalmente retiradas da hora da
eleição, porque na hora da eleição entram os bilhões das
empresas, derrubam anos de trabalho de líderes que têm
credibilidade e trocam esse Deputado por alguém que venha com
campanhas de 4, 5, 10 milhões de reais.
Então, Sr. Presidente, nós vamos trabalhar muito e
pedir o voto desta Comissão para retirar as empresas do
financiamento eleitoral de partidos, para nós não darmos esse
passo em direção ao Distritão, que seria piorar o que já é
muito ruim.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Marcus Pestana) - Com a palavra o
Deputado Max Filho, por 5 minutos.
O SR. DEPUTADO
MAX FILHO - Sr. Presidente, Srs. Deputados, eu estou
atento ao debate, especialmente aos oradores que me
antecederam, mas vou procurar...
O Relator Marcelo Castro num determinado momento, além
de Relator e competente na sua formulação, parece-me um tanto
quanto profeta, porque no seu relatório, na página 40, traz a
citação de uma frase de Henry Louis Mencken, que diz: Para todo o problema
complexo há sempre uma solução simples, clara e
invariavelmente errada.
O Distritão, Sr. Presidente, Srs. Deputados, é uma
solução simples. É simples de explicar. É simples de entender.
O eleitor brasileiro receberá a mudança. Os mais votados serão
os eleitos. Fácil! Simples! Mas desconfio que essa profecia
venha se cumprir, pelas razões até que o Deputado Henrique
Fontana, que nos antecedeu na fala, explicitou. O nosso
partido, o PSDB, defende o distrital misto. Na verdade, não
vimos sequer mencionado no relatório do Deputado Marcelo
Castro. Recentemente o Senado Federal aprovou o voto distrital
puro para as eleições de Vereadores nos Municípios com mais de
200 mil habitantes. É verdade que o fez por uma legislação
infraconstitucional que evidentemente não foi objeto do
relatório do Deputado Marcelo Castro. Mas abordando os outros
aspectos apresentados no relatório, como a cláusula de
desempenho, acho que estão perfeitos o parecer e o relatório,
inclusive com a revisão. Temos que dar um primeiro passo.
Nesse primeiro passo, o Relator entendeu que seria possível
chegar até a 3% dos votos. Mas recuou, fixando em 2% dos
votos. É razoável fazermos esse primeiro gesto, lembrando uma
frase lá piedade.
Dizia o Dr. Ulysses Guimarães: Pluripartidarismo sim;
multipartidarismo não. Então defendo e apoio o relatório do
Deputado Marcelo Castro nesse aspecto. E também na questão do
fim da reeleição para cargos executivos. Acho que há um
consenso, se não por unanimidade, em torno desse tema.
Agora penso, Deputado Marcelo Castro, que V.Exa.
colocou um bode na sala. O bode é exatamente a coincidência
das eleições. O Brasil sofreu muito no passado com eleição de
menos. Penso que não é razão de sofrimento termos eleições
demais. Na forma proposta, que V.Exa. conseguiu piorar na
manhã deste dia, com mandato de 10 anos para Senador, não é
razoável. Não é minimamente crível que isso possa ser uma
solução desejada pelo povo brasileiro. Com a coincidência de
eleição, só teríamos eleição a cada 5 anos. Ficaríamos numa
abstinência eleitoral durante 5 anos, com governos que podem
estar com crises. Defenderia, Sr. Relator, plenamente, o texto
se o nosso sistema fosse parlamentarista. Agora, no
presidencialismo, não. Quatro anos de mandato é razoável.
Quanto à questão de Suplente de Senador, acho que a
solução adotada pelo Senado é mais razoável. Portanto apoio e
acolho a indicação de V.Exa.
Meu tempo acabou. Esperamos ter novas oportunidades ou
aqui ou no plenário para continuarmos esse
debate.
Obrigado, Sr. Presidente.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o
Deputado Marcus Pestana.
O SR. DEPUTADO
MARCUS PESTANA - Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente,
Sras. e Srs.
Deputados, Sr. Relator, vou procurar não usar meus 5
minutos para, quem sabe, dar um exemplo em nome da celeridade,
porque estamos entrando na reta final. Já é uma vitória ter um
relatório e um Relator. Já é uma vitória chegar aqui com um
Relator e um relatório. Corremos riscos que muitos não
imaginam de não chegar a esse ponto que chegamos. Então acho
que todos têm que cooperar para que os prazos regimentais
sejam esgotados e que a gente consiga deliberar e votar.
Nesse sentido, três observações rápidas. Primeiro, para
a bancada feminina, vamos destacar não vou discutir hoje ,
em relação ao sistema político, nossa emenda à constituição do
distrital misto, que prevê, nos 50% da lista, a alternância de
gênero a cada três vagas da lista. Isso garantia às mulheres,
que hoje são 9% da Câmara dos Deputados, no mínimo, 16.6%,
17%, fora as Deputadas que forem eleitas nos distritos. Então,
eu queria deixar claro, porque é uma preocupação presente no
plenário da bancada feminina, uma questão importante para a
democracia e que nós discutiremos, através de um destaque, no
distrital misto, contemplando uma política afirmativa em
relação à participação da mulher, ao crescimento da
participação no Parlamento.
O restante do relatório, eu creio, vamos apoiá-lo
integralmente, destacando só o sistema, porque não vou
discutir hoje aqui distritão versus distrital
misto, e teremos oportunidade de fazê-lo.
E, para finalizar, Relator, eu entendo que, na redação
que ficou, porque eu tenho defendido nas discussões, embora
seja uma questão muito polêmica, a coincidência de mandatos. A
coincidência de mandatos é uma questão periférica, não é
decisiva para a democracia, mas eu a defendo por razões
gerenciais. Eu fui Secretário de Estado, 12 anos, e acho que
existe incremento, agrega qualidade na administração pública
você ter um ciclo coincidente das gestões nos três níveis de
Governo. Mas eu entendo que, na redação que V.Exa. deu ao seu
relatório, não impede que tenhamos um ano eleitoral, mas que
as eleições presidenciais ou outro formato que a gente der, na
legislação infraconstitucional e, para não misturar a
discussão do buraco da rua com macroeconomia e relações
internacionais, que sejam em datas separadas; no mesmo ano,
mas em datas separadas. Mas, pelo que eu estou entendendo, não
há incongruência dessa visão com a PEC proposta no seu
relatório e nós vamos tratar disso na legislação
infraconstitucional. Muito obrigado!
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputada Jandira,
como Líder.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Sr. Presidente,
O SR. DEPUTADO
DOMINGOS NETO - Eu economizei 2
minutos.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Eu quero cumprimentar todos os membros
da Comissão e não membros também.
E, aqui, pela Liderança, eu queria apenas relembrar uma
questão para que a Comissão também tivesse a responsabilidade
de conduzir junto ao Presidente da Casa. É óbvio que o
relatório, do Deputado Marcelo Castro, é uma inovação muito
polêmica. Todo mundo está debatendo a partir desse relatório
todos os problemas que surgiram a partir dele, porque, de
fato, é uma inovação complicada de aceitar da forma como veio
esse relatório. Mas há uma questão que precede que é o
problema do procedimento.
Não sei se o Presidente se lembra, os nossos colegas
aqui, de que, quando foi dada a admissibilidade, em plenário,
da PEC, que está em debate aqui, houve um acordo de que se
daria urgência a todos os projetos infraconstitucionais e que
eles iriam ser tratados ao mesmo tempo e que nós os levaríamos
ao plenário ao mesmo tempo. Esse foi um acordo. A urgência do
projeto, do chamado Projeto da Coalisão, está há 2 meses na
mesa e ainda não foi votada, a urgência, que tem 50 projetos
apensados. O grupo de trabalho, que foi constituído aqui, me
parece, não teve o funcionamento que a Comissão desejava. Eu
já tive a informação de que, na terça-feira, o Deputado
Marcelo Castro apresentaria posições sobre as questões
infraconstitucionais. Qual é o nosso problema? É que nós
precisamos discutir o procedimento em plenário, porque, mesmo
que vá tudo junto, isso não significa que será votado.
Preocupa-nos que apenas se votem matérias constitucionais e as
questões mais importantes que são infraconstitucionais fiquem
completamente alijadas do processo. Então, não dá para a gente
conduzir isso aqui como se estivéssemos num céu de Brigadeiro,
porque não é isso o que vai acontecer, nós sabemos, em
plenário.
É necessário que esta Comissão questione o Presidente
da Casa no sentido de conhecer a proposta de procedimento.
Claro que o Colégio de Líderes vai discutir, mas é necessário
conhecer, porque, se não, nós teremos uma votação prioritária
fatiada bota o sistema eleitoral, ou bota a coligação, ou
bota o estatuto , tudo fatiado, isso vai matando as matérias
infraconstitucionais. Na hora em que se mudar um sistema
eleitoral na Constituição, se é que vai ter maioria para isso,
espero que não tenha, eu prefiro o sistema atual a qualquer
proposta que está circulando aqui, mas, caso vote isso, já
matou a matéria infraconstitucional.
Então, precisa ter uma discussão de procedimento para
nós não evitarmos que as outras matérias tramitem.
A proposta da coalisão tem mais de 800 mil assinaturas
coletadas que serão trazidas aqui no dia 20 ao Presidente da
Câmara. Se nós não trabalharmos o procedimento, não adianta
nem debater matéria infraconstitucional, nós seremos
literalmente atropelados no plenário da
Casa.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - O que é a proposta da
coalisão?
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - É a proposta trazida pela CNBB e pela
OAB...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Eles foram os
primeiros a falar, Deputada.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Não; não, eu não digo aqui, não.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Foram os primeiros a
falar.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Não, eu estou dizendo, eu não estou
falando da Comissão.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Agora, eles não
conseguiram oficializar o projeto de lei, porque eles não
tiveram 1,5 milhão de assinaturas. A culpa não é
minha.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Não, querido! Presidente, o projeto
tramita. O projeto já tramita na Casa assinado por 160
Deputados.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Os Deputados
apresentaram não, mas não
conseguiram...
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - É apenas uma etapa. Ele está tramitando
e está com urgência na Mesa.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Está
bom.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - A minha preocupação é que na hora que
chegar ao plenário, se não tiver um procedimento claro de
apreciar a matéria infraconstitucional, nós seremos
literalmente atropelados por uma votação fatiada e apenas da
Constituição brasileira. Esta é a minha preocupação: que a
gente conduza ao Presidente da Casa qual é a discussão de
procedimento.
(Não
identificado) - Presidente, só para contribuir.
Existe uma Comissão Especial que trata exclusivamente
disso. Existe, sim.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Que é a
mesma!
(Não
identificado) - O que acontece? No conjunto do Relator,
apensaram-se e juntaram-se todos os projetos que tratavam da
infraconstitucional para apresentá-los em um momento separado.
Eu concordo que a gente pode fazer aqui a discussão de que se
marque uma data para isso, só que o volume do
infraconstitucional é tão grande que não vai caber, como
procedimento, se colocar em conjunto.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Claro que nem o (ininteligível.) Como é
que você vai regular o que você não sabe se está
certo?
(Não
identificado) - Os temas são...O Marcelo pode dizer
quantos foram os projetos que estão juntos, mas, se for de
acordo, que nós possamos fazer um acordo de procedimento de
marcar uma data ou uma semana específica, como está sendo
feita para a PEC, para os projetos infraconstitucionais.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Eu vou seguir o
debate e apenas dizer o seguinte. Eu não posso regular um
sistema eleitoral que eu não sei qual será. Então, eu não vejo
como, em relação a esse tema específico sobre financiamento,
você regular algo que está sendo debatido primeiro na emenda.
É difícil ser no mesmo momento, é
impossível.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - O grupo de trabalho funcionou,
Presidente, sobre a matéria
infraconstitucional?
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Está funcionando
junto, é o mesmo Relator. Está tratando de temas
infraconstitucionais também.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Pois é, o problema é que ele vai tratar
e vai chegar ao plenário e nem vai a voto. Por isso, nós temos
que debater.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Eu sei. Quando a
emenda for aprovada, vai ter que ter uma votação para
regulamentar o que foi aprovado na emenda, se a emenda for
aprovada.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Não é um problema de
regulamentação.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Esperidião
Amin por 5 minutos.
A SRA. DEPUTADA
JANDIRA FEGHALI - Presidente, só um minuto.
Não é um problema de regulamentação. Eu vou dar só um
exemplo: financiamento. Uma coisa é constitucionalizar o
financiamento empresarial, isso é um debate; o outro é vedá-lo
na lei infraconstitucional. Então, são debates que têm que
caminhar em conjunto, porque não basta não constitucionalizar.
Quem quer o financiamento não empresarial também tem que
proibi-lo na lei infraconstitucional.
Então, se nós não tivemos um procedimento de tratar
isso em conjunto, nós não vamos resolver o
problema.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Esperidião
Amin.
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - Presidente, em primeiro lugar, eu quero
participar, compartilhar aqui dos cumprimentos ao nosso
Relator, que enfrentou inúmeros percalços, do seu desempenho.
E, hoje faço com o maior respeito de amigo e, acima de tudo,
de Parlamentar. Todas as considerações que eu fiz, às vezes,
com algum senso de humor, hoje, eu quero me abstrair dele para
homenageá-lo e homenagear também a Presidência e os demais
dirigentes da nossa Comissão. Eu acho que nós estamos às
vésperas de uma conquista. Qual vai ser a conquista, a votação
de terça-feira vai dizer. Agora, de minha parte, eu só quero
fazer três colocações.
Sobre o sistema de financiamento, eu me reservo o
direito de votar aqui, votar no plenário, para excluir a
possibilidade, seja constitucional, seja infraconstitucional,
de participação de empresa no financiamento da eleição e,
consequentemente, vou defender que o limite absoluto do que se
vai gastar seja o valor decorrente dessa supressão. Ou seja, o
que se vai poder gastar legalmente, e legalmente eu não falo,
é entre 20% e 25% do que foi gasto em 2014, e o resto que vá
fiscalizar. Se ninguém fiscalizar, seremos todos
cúmplices.
Nº 2. Fiquei muito sensibilizado pelo o que disse o
Deputado Silvio Torres sobre a questão da coincidência de
mandatos. Essa é uma dúvida que me persegue.
Todos nós dizemos que somos a favor. Mas as
consequências vão nos remeter ao que vivemos em 1982, quando
era unificada a eleição e não se votava para Presidente da
República. Aí, votou-se pela
descoincidência.
Finalmente, sobre o sistema
eleitoral.
Quero alertar a todos desde já que qualquer que seja o
sistema que ganhe aqui com maioria simples, como permite o
Regimento, estaremos provocando uma ilusão na sociedade. Ah... votaram! Votaram no distritão.
Ganhou por 16x15,
que é o provável se o Profeta Marcelo Castro estiver também
nesse aspecto acertando, como advertiu o Deputado Marcus.
Então, vamos vender a ideia... Olha, o distritão passou!
E é uma coisa simples. Fácil de entender, se for para
passar por maioria simples, magra.
E a última frase que vou dizer: talvez seja preferível
deixar o sistema eleitoral para ser decidido pelo plenário,
com quórum qualificado.
Muito obrigado.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Chico
Alencar.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Parlamentares, caro Relator, em primeiro lugar uma ressalva ao
Presidente Rodrigo Maia.
A iniciativa popular de lei da OAB da CNBB está ainda
em fase de coleta de apoiamentos. É a iniciativa mais ampla da
sociedade para com o Parlamento, não conheço outra, envolve
mais de 105 entidades. Aliás, já atingiu aquela base de
apoiamento proposta a isso.
É muito positivo o Relatório do Deputado Marcelo
Castro.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Mas nem por isso
deixaram de ser convidados e foram (Ininteligível.) para falar aqui. Não fiz nenhuma
crítica, não.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Claro... Inegável... E dia 20 estarão aqui para
tentarmos convencer a incorporar pelo menos alguns pontos,
especialmente. E aí, destaco e carrego no peito, do lado
esquerdo do peito, a alternância de gênero nas nominatas
partidárias.
Bom, agora vou fazer uns comentários. Podem parecer um
pouco ácidos. É evidente que não tem nada de pessoal
aí.
Ponto 1: a coincidência e a unificação do pleito um só
a cada 5 anos significa despolitizar, confundir e estabelecer
uma situação meio esdrúxula de muitos votos, 9 de uma só vez,
com pouco debate e pouca eleição, uma geral nacional a cada 5
anos. A temática municipal, por exemplo, tão importante,
núcleo de um sistema democrático mais participativo, vai
subsumir, tenho quase certeza disso.
Ponto 2: Senadores decanos, que estão no Relatório do
Relatório, que o Relator nos apresentou hoje. Louve-se não só
o espírito democrático do Deputado Marcelo Castro, como soma
imensa paciência, que também é uma virtude
democrática.
House of
Lords. O Brasil não precisa disso. Estamos regredindo
perigosamente para o Senado do Império, em que havia mandatos
vitalícios: 10 anos para Ministro do Supremo pode ser, para
Senador que depende do voto popular é um desgaste tremendo.
Alguns aqui até pensando em candidatura ao Senado já estão
reavaliando se passar esses 10 anos. Ninguém aguenta, nem o
povo, principalmente. Já a redução... Aí, o Relator conseguiu
me seduzir para uma redução de maioridade, essa aqui dos
Senadores. É positiva.
A janela que caiu de 180 para 90 dias, não é...? O novo
Relatório é janela de oportunidades partidárias caiu para 60
dias. Ainda assim...
(INTERVENÇÃO FORA DO MICROFONE.)
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Noventa dias?
(INTERVENÇÃO FORA DO MICROFONE.)
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Sessenta.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Sessenta dias.
(INTERVENÇÃO
FORA DO MICROFONE.)
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É, porque está
errado.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Já tem a revisão da revisão, da
revisão...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - A revisão da revisão... (Risos.)
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Mas é a última. (Risos.)
(INTERVENÇÃO
FORA DO MICROFONE.)
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Então, Presidente,
continuando
É,
porque está errado.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Já tem a revisão da revisão da
revisão.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Já tem a revisão da revisão da revisão.
(Riso.)
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Mas é a última! (Riso.)
Então,
Presidente continuando aqui , nós tememos isso, porque vai
haver uma corrida ao ouro dos grandes partidos ou uma fuga do
deserto: solidão apavora. Falo do meu lugar, de um partido que
não viverá esse problema de perda e, dificilmente, de
aquisições.
Mas eu acho que a legislação eleitoral já contempla as
possibilidades de sair do partido. Pode-se sair do partido,
sim, quando a cúpula descumprir o seu programa temos visto
isso todo dia aqui, inclusive no plenário, em termos de
votações ou quando houver perseguição ao
filiado.
Olha, pessoal dos nossos coirmãos também, os mal
chamados de nanicos partidos pequenos sempre se espantam com
a nossa posição , mas o PSOL defende, sim, o fim das
coligações. E a ideia da federação partidária é muito
positiva. Trata-se de um caminho programático testado para a
fusão de partidos. É que nem uma moda que existe hoje o
Deputado Marcus Pestana deve conhecê-la já que ele é carioca
do brejo, moderno nos costumes , o test drive para
casamento. As pessoas convivem 2 anos, 3 anos, depois fazem
festa de casamento, como a Preta Gil. Não naquele nível,
porque aquilo é só para quem tem. Federação partidária é um
pouco isso e é positivo.
Quanto à cláusula de barreira, nós somos contra até
porque ela é inócua. Se há a federação partidária, o fim da
coligação meramente eleitoral, a cláusula de barreira é um
dispositivo equivocado. Quero ressaltar: costuma-se dizer que,
no Brasil, o problema são os pequenos partidos, que há muito
partido. Mais do que os pequenos, que têm todo o direito de
existir, de se constituir, o problema do fisiologismo é dos
grandes, que os compram muitas vezes.
Distritão, o que eu vou, sem ofensa a quem quer que
seja, chamar de detritão. É um lixo! Quebra a solidariedade.
Moderadamente, é um equívoco. Ele quebra a solidariedade
partidária. Não há experiência internacional que o avalize,
minimamente, exceto no Afeganistão. Onde mais, Deputado
Pestana?
O SR. DEPUTADO
MARCUS PESTANA - Na Jordânia.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Na Jordânia, do Rei Abdul...
O SR. DEPUTADO
MARCUS PESTANA - E no Vanuatu.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - E no Vanuatu, que é um
arquipélago.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Eu não entendo porque
vocês também não criticam o financiamento exclusivo público do
PT, que só tem no botão.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Não, vamos criticar!
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Bom, a proibição de empresas existe em 40
países.
Então, olha, o distritão quebra a solidariedade
partidária e cria a figura do voto inútil. Quem não votar
naqueles eleitos, por classificação e haja campanha cara! ,
vai perder o seu voto. Não tem mais o voto de legenda. Uma
reforma política que acabe com a ideia de partido é uma
reforma contra a política. E é egoica, é o narcisismo dos já
eleitos, é uma reforma feita para nós próprios, que vamos ter
condições, os que disputarem a reeleição, singulares,
privilegiadíssimas mais do que já temos agora , para
disputar. Não é viável, não é aceitável.
E, por fim, o financiamento empresarial. Ainda mais
colocado na Constituição, trata-se do engessamento do efêmero
e do questionável. Vide aí a Lava-Jato, para citar o momento
da hora, é algo que solidifica o abuso do poder econômico, o
tráfico de influência e a corrupção.
Nós somos radicalmente contra o financiamento
empresarial. Achamos que a pessoa física, com um teto, deve e
pode doar, porque é uma adesão voluntária, com teto. E
esperamos que na legislação ordinária venha a haver um teto
decente. É possível se eleger candidatos com muito menos do
que a média que se tem gastado aí e com total transparência. A
empresa não tem ideais, tem interesses. Como é dito e
repetido, ela vai cobrar de volta do legislador ou do
Executivo o que investiu na sua
campanha.
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Presidente...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado
Chico...
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Só uma pergunta ao Relator. Existe algum
Senado no mundo com mandato de 10 anos?
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - Não.
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Obrigado, Sr.
Presidente.
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - Nos Estados Unidos são 6
anos.
(Não
identificado)
- Na Roma antiga.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Na Roma antiga.
(Riso.)
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN
- Na Itália é vitalício.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Acabou, Deputado Chico
Alencar?
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - Acabei. Acabei.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Passou um pouquinho
do tempo.
Concedo a palavra ao Deputado Evandro
Gussi.
O SR. DEPUTADO
CHICO ALENCAR - O Deputado Marcus Pestana me cedeu os 2
minutos que economizou. Obrigado.
O SR. DEPUTADO
EVANDRO GUSSI - Sr. Presidente, eu queria, inicialmente,
cumprimentar o Presidente Rodrigo Maia pela feliz condução dos
trabalhos até este momento. Parabenizo V.Exa. por sua isenção,
flexibilidade e busca pela ordem. Parabéns a V.Exa. por essa
feliz condução. Digo em meu nome que não vou dizer em nome
de outros me senti realmente presidido por V.Exa. nesses
trabalhos.
Parabenizo o Relator, ao mesmo tempo, por sua
transparência e aspecto democrático, que certamente são
grandes marcas desta Comissão Especial. V.Exa., inicialmente,
trouxe o que pensava sobre o assunto, mas apresentou um Voto
com toda a retidão que representava aquilo que o colegiado
pensava. Ou seja, é importante notar e anotar que há
homens comprometidos na política. E não são poucos. Mas V.Exa.
bem retrata um deles, pois cumpriu até o fim aquilo com o que
se comprometeu no início.
Acho que começamos aqui, embora o tema e as iniciativas
não sejam novos, um passo decisivo na história política
brasileira. Eu não estive aqui em outras Legislaturas, embora
eu tenha acompanhado uma parte dos seus trabalhos, a partir da
vida acadêmica, mas não tenho dúvida de que o trabalho aqui
realizado realmente mostrou um sério compromisso com uma
reforma das instituições, eu não diria políticas, mas, ao
menos, das instituições eleitorais do Brasil.
Certamente, o esforço de cada um e o debate sincero não
serão em vão. Por isso, eu queria dizer aos colegas desta
Comissão que me senti honrado em cada momento e ao ouvir e
debater com cada um de V.Exas.
Agora, em relação ao mérito, eu preciso fazer um
registro, ainda que as consequências desse registro
eventualmente não surtam efeitos concretos. As consequências
dos sistemas eleitorais já são conhecidas. As consequências
dos sistemas eleitorais já são fórmula clássica da ciência
política e da experiência histórica das democracias. É óbvio
que sistemas eleitorais proporcionais conduzirão a
multipartidarismos. Isso é fórmula clássica e não há o que
fazer. Podemos ficar dando antitérmicos, como cláusula de
barreira, ou o que o valha, mas é fórmula clássica que
sistemas proporcionais conduzirão a multipartidarismos, à
ingovernabilidade, à falta de representação de uma maioria
estável, que é condição para a existência democrática do
século XXI.
Montesquieu coloca uma fórmula do que era governar no
século XVIII e o que é governar do século XXI. Segundo a
fórmula de Montesquieu, não é inovação. Ele retrata o que
acontecia na Inglaterra com o tempero liberal individualista.
O distritão tem as suas consequências previstas. Ele
levará, com todo respeito, a uma possível uma selvageria
política. Será a guerra de todos contra todos, como já previu
Hobbes. Será a guerra de todos contra todos. Hoje, é uma
guerra entre os companheiros de partido. No distritão, a
guerra será de todos contra todos.
Existe uma convergência, Sras. e Srs. Deputados, nos
sistemas eleitorais, a primeira delas é a diminuição das
circunscrições eleitorais. E aqui quero saudar o Deputado
Samuel Moreira que, em todo tempo, mostrou a importância
disso.
Eu queria chamar a atenção das mulheres que têm lutado
por mais mulheres na política. Eu queria dizer a V.Exas. que a
última eleição do Reino Unido, terminada agora, na última
semana, elevou a participação feminina no Parlamento para 29%.
Isso é fruto de um sistema distrital uninominal, porque
V.Exas., com a capacidade que têm, disputando eleições em um
pequeno distrito, com certeza, inflarão positivamente esta
Câmara, porque, inclusive, seria difícil disputar com as
mulheres num distrito, pela capacidade, competência,
inteligência e grande espírito de relações políticas que
possuem. Existem fórmulas consolidadas. Elas podem até ser
temperadas ao modelo alemão, que hoje se mostra um dos mais
racionais do mundo.
E aqui termino dizendo o seguinte: com pequenas
circunscrições eleitorais, Sr. Relator, o debate sobre
financiamento eleitoral acaba. Não há discussão sobre
financiamento eleitoral no Reino Unido, porque as eleições são
feitas em distritos com uma média de 72 mil eleitores. E, como
há 300 anos, bate-se nas portas de todas as
casas.
E termino, efetivamente, dizendo o seguinte: há uma
acusação injusta, infundada, de que o voto distrital
uninominal traria para o Parlamento apenas debates paroquiais.
Isso revela ou que existem outras opiniões políticas, o que é
completamente respeitável, ou o desconhecimento do assunto. O
voto distrital majoritário puro que eu respeito, um tempero
proporcional, não teria problema com isso , ele não leva o
debate paroquial para o Parlamento. Ao contrário, ele leva o
debate nacional para a paróquia. Um candidato no Reino Unido e
em outros Países precisa discutir lá na paróquia, Deputado
Chico Alencar, os grandes assuntos nacionais, sob pena de não
ser eleito.
Eu concordo, cerca de 8% dos Deputados nos Parlamentos
que têm sistemas uninominais majoritários em pequenos
distritos, 8% dos Deputados discutem assuntos meramente
paroquiais, e 92% trazem o debate, que é isso que o eleitor
quer, que é isso que a população brasileira quer hoje. Ela
quer que estejam na sua paróquia, no seu bairro, as grandes
discussões nacionais, o que o nosso sistema atual impede e com
o que o distritão não colaborará.
Muito obrigado. Agradeço pela
atenção.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Talvez, na
Grã-Bretanha, pelo fato de o modelo ser parlamentarista, né,
os Deputados tenham...
O SR. DEPUTADO
EVANDRO GUSSI - Podemos continuar esse
debate.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Diferentemente do
americano, onde os Deputados têm menos participação nacional
no debate, no sistema presidencialista.
Com a palavra a Deputada Renata
Abreu.
A SRA. DEPUTADA
RENATA ABREU - Boa tarde a todos. Hoje eu vim aqui fazer
um apelo a vocês e passar alguns números novamente. É meu
apelo final ao nosso querido Relator, que desde já parabenizo.
Falei isso para ele, apesar de discordar da maioria das ideias
dele. Agiu com uma postura independente, imparcial. Então,
parabéns, Deputado Marcelo. Merece o reconhecimento de todos
os membros desta Comissão. Fico muito feliz de ter essa
experiência aqui ao seu lado.
Gente, eu queria passar para vocês uma informação. Dois
por cento parece pouquinho, mas 2% de cláusula de barreira...
E eu sei que eu sou minoria. Por isso, eu peço muito que vocês
me ouçam, que me deem oportunidade de mostrar para vocês um
outro ponto de vista. Estamos falando de 40 Deputados nesta
Casa e 10 milhões de votos que foram dados para Parlamentares
que estarão em partidos que serão diretamente impactados por
uma cláusula de barreira.
Eu faço uma pergunta para vocês como Parlamentar.
Superamos o coeficiente partidário, que, em São Paulo, é 300
mil votos. Superamos o tempo de televisão pífio que nós não
temos. E, aí, eu consigo chegar aqui, e não tenho tempo de
televisão, não tenho fundo partidário, nem para tentar uma
reeleição, porque eu não atingi um desempenho partidário de
2%. Será que isso é justo? Quando a gente fala em democracia,
será que é razoável existirem Deputados eleitos e, pelo fato
de o partido não ter atingido um somatório de votos, eles não
terem direito a esse tipo de benefício?
Eu acho que uma cláusula de desempenho justa seria a
representação na Casa. Se tem Deputado, o partido superou os
obstáculos do sistema eleitoral, que já é desigual, gente!
Vamos pensar nisto: o que é o regime democrático sem a
manutenção das minorias, sem a preservação dos direitos
fundamentais de quem o voto colocou dentro desta
Casa.
Eu acho que, se nós
desprezarmos a vontade popular, é muito complicado. Quando as
pessoas falam que nós temos um problema de governabilidade,
que o Congresso se fragmentou, foi porque o povo quis. E não
tem que ser uma cláusula de barreira que vai distinguir as
pessoas que já aqui estão. A cláusula de barreira não tira os
partidos ou os Deputados que estão no cenário nacional. Ela
simplesmente restringe direitos fundamentais desses que já
estão. Vamos pensar nisso. Eu sou igual a vocês, ou não sou?
Agora,
como o Chico muito bem falou, colocar todos os partidos
pequenos como farinha do mesmo saco ou colocá-los como
problema do nosso País, tratar todos como partidos de aluguel,
esperem aí, eu falo pelo PTN, que tem 4 Deputados Federais e
não teve nenhum por cento dos votos. Por que o meu Deputado
não pode ter tempo de televisão para ser candidato a Prefeito
na cidade dele?
O
SR. DEPUTADO LUIZ CARLOS RAMOS -
Deputada, V.Exa. fala também pelo PSDC.
A
SRA. DEPUTADA RENATA ABREU -
Muito obrigada, Chapéu.
Por
que o meu Deputado não pode, na reeleição dele, mostrar as
suas ideias, as suas bandeiras? Que democracia é esta? Vamos
pensar nisso. Quando se baixa para 1%... E falo isso aqui para
os partidos médios e pequenos, porque amanhã até os grandes
podem ser pequenos. O próprio Democratas já foi um dos maiores
partidos desta Casa e hoje está num tamanho menor. Amanhã, o
PT e o PSDB podem estar muito menores. Amanhã, esses partidos
podem estar lá embaixo. Será que é hora de criarmos regras que
vão dificultar ainda mais o aparecimento de novas Lideranças,
de novos partidos? Pensem nisso.
Na
hora em que se aprovar 1%, para se aprovar 4, 5 é um pulo! A
cláusula de barreira foi declarada inconstitucional pelo nosso
Supremo, porque restringe direitos fundamentais, acaba com o
pluralismo político. Nós não podemos permitir isso nesta Casa.
Então,
eu faço um apelo aos meus colegas, que, por favor, ouçam as
minorias, como eu, como outros que estão aqui sentados, o que
faz parte da democracia. E democracia não pode representar a
supressão das minorias pelas maiorias. Se no Brasil nós temos
32 partidos e 28 representados, é porque o povo quis. E nós
não podemos ir contra isso. Nós precisamos repensar nossos
partidos, nossas bandeiras, nossos posicionamentos, para que
amanhã 2 ou 3 partidos nos representem. Mas infelizmente hoje
não é essa a realidade.
Então,
vou terminar fazendo um apelo a vocês. Apresentei um destaque
contra a cláusula de barreira e queria muito o apoio de vocês.
Ajudem-me nessa luta! Ajudem-me a continuar mantendo estas
minorias aqui, dando voz a elas! É isso que é a
democracia!
Muito
obrigada. Boa tarde a todos! (Palmas.)
O
SR. DEPUTADO FELIPE MAIA -
Sr. Presidente Rodrigo Maia, quero pedir a palavra em nome da
Liderança da Minoria.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Eu não recebi ainda o
documento.
O
SR. DEPUTADO VINICIUS CARVALHO -
Sr. Presidente, Deputado Vinicius
Carvalho.
O
SR. DEPUTADO FELIPE MAIA -
Não recebeu ainda?
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Eu não recebi o documento do Líder. E como têm
outros pedidos similares, eu não
posso...
O
SR. DEPUTADO FELIPE MAIA -
Sr. Presidente, vou providenciar.
O
SR. DEPUTADO VINICIUS CARVALHO -
Sr. Presidente, Vinicius Carvalho pede a palavra como Líder do
PRB.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - O Deputado Vinicius Carvalho tem a palavra por
5 minutos.
O
SR. DEPUTADO VINICIUS CARVALHO -
Obrigado, Sr. Presidente.
Primeiramente,
quero parabenizar V.Exa., como também o Deputado Marcelo
Castro, pelo árduo trabalho desenvolvido, trazendo-o a esta
Comissão para nossa análise e, logicamente, deliberação.
Vou
ser muito sucinto na fala, retratada por um texto de Merval
Pereira, que diz o seguinte: Reforma política,
distritão ou retrocesso político, o funeral da democracia
brasileira.
Em
artigo publicado em 13 de fevereiro, reproduz-se o seguinte
argumento de Michel Temer, em defesa do distritão: os partidos poderão reduzir
o número dos candidatos, escolhendo o grupo mais homogêneo
para a disputa. Que os partidos meditarão sobre quantas vagas
poderão obter. Se forem cinco ou seis, o partido não lançará
mais do que 12 ou 15 candidatos.
Assim, o
distritão, além de reduzir de maneira artificial a maioria dos
partidos políticos, provoca também danosa redução de
candidatos a cargos eletivos, legislativos. Ou seja, com o
distritão, as mulheres, os jovens, os trabalhadores e as
Minorias serão excluídas do processo eleitoral brasileiro. O
sistema proporcional viabilizou a pluralidade e a presença
efetiva de corrente de opinião relevantes no Poder
Legislativo. O distritão acaba com essa conquista da
democracia brasileira.
Muitos Deputados
Federais, é bom que se atentem a este fato, cometem grave erro
de cálculo, ao presumir, tendo como referência a eleição de
2014, que o distritão não afetará a renovação de seus mandatos
em 2018. Afetará, sim, meus nobres colegas Deputados e
muito.
À exceção de Deputados que nós temos, como o Deputado
Jair Bolsonaro, o Deputado Tiririca, o Deputado Celso
Russomanno e aqueles Deputados que sempre são beneficiários de
expressivas doações financeiras de empresas privadas e de
nomeação de apadrinhados para os cargos, nos principais
escalões da administração púbica. Em 2018, o distritão vai
dificultar, e muito, a renovação dos mandatos da maioria dos
atuais Deputados Federais.
Em todo o mundo, o distritão só vigora em quatro
países, dentre eles, somente dois são conhecidos: Afeganistão
e Jordânia. Só isso é o bastante para a sua
rejeição.
Concluindo o texto de Merval, ele diz: O distritão é um
verdadeiro salto no escuro, de consequências imprevisíveis.
Aqui, Sr.
Presidente,
Sras. e Srs. Deputados, eu encerro essa fala para essa
reflexão desse texto que eu achei muito
apropriado.
Srs.
Deputados, nós vamos aqui deliberar, mas o Plenário desta Casa
é soberano. E nós, que fomos eleitos pelo voto popular, temos
que defender o voto daqueles que nos confiaram essa
reponsabilidade, Deputado Chico Alencar.
V.Exa. faz um excelente trabalho no Rio de Janeiro.
Agora, eu estou em São Paulo, ainda continuo apreciando o
vosso trabalho. Nós temos que lutar muito, neste plenário,
para que a democracia continue sendo respeitada nesta
Casa.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Felipe Maia
pela Liderança da Minoria.
O SR. DEPUTADO
FELIPE MAIA - Sr.
Presidente,
obrigado. Cumprimento os Deputados e as Deputadas aqui
presentes.
Eu me sinto feliz, no meu terceiro mandato, de poder
participar desta Comissão Especial que debate a reforma
política, porque muito se fala no Brasil sobre a reforma
política e pouco se evolui, nesta Casa, para realmente ser
efetivada uma reforma no sistema eleitoral, no financiamento
de campanha e outros itens que compõem a reforma política. E
pelo o que eu noto, nós iremos finalmente dar uma resposta, se
é que a população espera a resposta da reforma política. Eu
acho que a população espera outras respostas da classe
política, não a reforma política.
Quero cumprimentar o Presidente desta Comissão,
Deputado Rodrigo Maia; o Relator, Deputado Marcelo Castro, que
apresenta, hoje, o seu relatório, que aqui é
debatido.
Pedi a palavra logo após a Deputada Renata Abreu, em
razão do receio que ela tem dos pequenos partidos, uma vez que
o relatório contempla a cláusula de
barreira.
Eu tenho outro receio, que no final da minha fala eu
irei colocar. Mas
eu quero começar analisando o relatório, quando ele fala do
fim das eleições proporcionais. Eu entendo isso como uma coisa
importante, mesmo talvez punindo os pequenos partidos não
com a finalidade de punir os pequenos partidos, mas talvez de
eleger aqueles que a população gostaria que fossem os
representantes. Não é justo que uma celebridade ou um sujeito
que tenha o seu trabalho reconhecido tenha milhares de votos,
e aquele que faz parte daquela coligação, com meia dúzia de
votos e talvez com nenhum trabalho prestado à comunidade, se
eleja no rastro daquele outro, enquanto um intermediário, com
um bom número de votos, não consiga ser o representante do seu
Estado ou da sua população.
Quanto
ao mandato de 5 anos para Deputados e Senadores, eu acho que
haverá resistência no Senado não só para esta matéria, mas
também para a redução da idade em 5 anos para Senador. O meu
entendimento é que 30 anos não são suficientes. Eu acho que o
Senado é uma casa alta do Congresso Nacional, onde ali eles
representam os Estados. Talvez 30 anos seja uma idade não
recomendável para nós colocarmos representantes no Senado
Federal. Questiono o Relator, pois no seu relatório não vi.
V.Exa. colocou 10 anos para os Senadores? Então, desculpe-me.
Foi a oxigenação do relatório de V.Exa.
O SR. DEPUTADO
RODRIGO MAIA - É que ele colocou cinco e depois fez um
adendo, hoje.
O SR. DEPUTADO
FELIPE MAIA - Oxigenou o Senado Federal, desoxigenando,
uma vez que terão mais 5 anos de mandato.
Eu
acho fundamental a coincidências das eleições. Uma das coisas
que incomoda a todos são os custos de campanha e a não
produtividade que nós temos porque se acaba uma eleição e se
começa outra. Isso é ruim para a democracia. Isso é ruim para
o Congresso Nacional. Isso é ruim para o trabalho executivo
dos Prefeitos e Governadores, que nunca terminam uma eleição,
assim como nós nunca terminamos uma eleição. Não é raro sermos
questionados quem será o candidato a Prefeito, quem nós iremos
apoiar. Nós não temos aqui. Não deveríamos estar aqui em 2015
pensando nas eleições de 2016. Deveríamos sim estar aprovando
matérias, apresentando propostas e fiscalizando os autos do
Poder Executivo e não pensando em uma eleição. Agora, deixo
desde já uma preocupação aqui que não me cabe, mas cabe ao
TSE. O TSE se encontra muito incomodado com essa proposta pelo
fluxo de trabalho que a Côrte Suprema Eleitoral do País terá.
Inclusive já deixo aqui... Não tenho procuração do Tribunal
Superior Eleitoral para que possa antecipar o registro das
candidaturas a fim de que possam ter mais tempo hábil para
analisar os recursos, os questionamentos. Trago aqui conversas
que tenho com alguns membros daquela Côrte.
Eu
acho conveniente reduzir a janela de 180 dias para 60.
Existe
uma grande resistência ao distritão. Inclusive, nos Estados
Unidos, as eleições são realmente mais caras do que no Brasil.
Àqueles que argumentam que o distritão iria baratear a
campanha, pelo que se nota, não será a realidade. Agora, eu
tenho uma profunda resistência ao distritão, porque nós iremos
apequenar o papel do Congresso Nacional. Quem irá debater os
grandes temas da República? Aqueles que vão representar dez
Municípios na sua base? Que terá que ter a sua porta aberta ao
Prefeito, ao Vereador e à Liderança, pedindo as coisas do dia
a dia, que é a realidade que nós temos? Quem aqui não é
procurado pela Liderança para ajudar na festa da padroeira, no
remédio do doente, numa ajuda a uma família? Será a nossa
realidade. Nós nos tornaremos representantes quase que da
Câmara Municipal, em um contato muito próximo. Poderia dizer
que nós seremos um Vereador Federal e nós estaremos diminuindo
a discussão desta Casa. Eu aqui não estou preocupado com dez
Municípios. Eu estou preocupado com 167 Municípios e com o
Brasil. Eu tenho que debater a crise hídrica, mas também tenho
que debater a distribuição do milho ou talvez tenha que
debater a questão de uma Universidade Federal do Seridó. São
questões que representam todas as regiões do meu Estado. Eu
não vou ficar limitado a um ou dez Municípios.
Sobre
o financiamento empresarial... Deputado Chico Alencar, V.Exa.
falou com muita propriedade sobre a Lava-Jato. A minha visão é
a Lava-Jato, mas sob outra ótica. Limitar financiamento
público! E a Lava-Jato, para onde irão seus recursos? Com
financiamento privado ou, talvez, com desfaçatez, para um
submundo, um caixa dois? Será que seria interessante
apostarmos no financiamento público? Quem defende essa ideia
nesta Casa? Será que teria legitimidade nesse momento falar
disso, que não aceita financiamento privado, que não quer
relação com empreiteira nem com banqueiro? Não soaria curioso,
no mínimo, aos pares desta Comissão, os defensores do
financiamento público diante de tudo o que temos lido e
ouvido? É, no mínimo, para não adjetivar de outra forma,
curioso.
A federação partidária, que aqui foi falado, é uma
espécie de test
drive. Acho uma ideia interessante que os partidos, antes
que se fundam, possam conviver as suas estruturas ao longo de
4 anos para ver se existe química ou liga, um test drive.
Para encerrar, quero dizer à Deputada Renata Abreu, que
acho que não se encontra mais na Comissão, que tenho uma
preocupação, Sr. Relator Marcelo Castro. Primeiro gostaria de
uma explicação. O relatório de V.Exa. vai ao plenário e vamos
votá-lo em bloco ou vamos fatiar as matérias para que algumas
possam passar e outras não? Destaque? Iremos aprovar ou
rejeitar a PEC e poderemos apresentar destaques. Então não
iremos fatiar as matérias, é isso?
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - A PEC é uma só, mas foi disposta em
blocos para permitir a apresentação de destaques e votar por
partes.
O SR. DEPUTADO
FELIPE MAIA - Minha preocupação, Sr. Relator: levamos a
PEC ao plenário, é rejeitada, porque não obteve 308 votos. O
distritão cai. Alguém destaca o final das coligações das
eleições proporcionais e é aprovado.
(Intervenção
fora do microfone.)
O
SR. DEPUTADO FELIPE MAIA -
Então pronto. Isso será gostaria de falar isso para a
Deputada Renata Abreu uma cláusula de barreira natural. É
cada um por si. Se se acabar o distritão e matar a coligação
da eleição proporcional, é cada um por si. O Deputado ou o
partido terá que ter 200 mil votos. Eu tive 113. Terei que ter
um conjunto de candidatos que tenham quase 80 mil votos. Onde
vou conseguir 80 mil votos? Em lugar nenhum! Ninguém vai ser
candidato por um partido sabendo que existe um grande e ele
terá 10 mil votos, 15 mil votos para fazer esteira. Isso vai
encarecer as eleições e, naturalmente, haverá uma redução de
partidos. É uma cláusula de barreira! E será uma imposição da
cláusula de barreira sem ser. Essa é minha preocupação, já me
reportando ao plenário. Que lá rejeitemos a PEC e o destaque.
Que venha uma matéria do Senado que aprove, ao final das
coligações, eleições proporcionais. Teremos um estrangulamento
dos pequenos, médios e grandes partidos. Desde já coloco aqui
minha preocupação, já pensando no que acontecerá no plenário.
Obrigado, Sr. Presidente e Sr. Relator. Parabéns,
Deputado Henrique Fontana, que está aqui e que já foi Relator
dessa matéria, fez um bonito trabalho. Se naquele momento não
conseguimos chegar ao texto final, tenho fé que, neste
momento, conseguimos finalmente aprovar a reforma política no
Congresso Nacional.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Com um modelo de
botão.
Com a palavra o Deputado Orlando
Silva.
O SR. DEPUTADO
ORLANDO SILVA - Sr. Presidente, Sr. Relator, colegas
Parlamentares, considero que o debate que fazemos nesta
Comissão sobre a reforma política tem um risco, Sr. Relator,
que pese todo o esforço de diálogo que V.Exa. construiu, que
percebi na fala de algumas lideranças muito importantes que
passaram por esta Comissão.
O nosso Vice-Presidente Michel Temer coincidentemente
disse a mesma frase que o Presidente Nacional do PSDB. Os dois
disseram: Ao final, temos que aprovar alguma coisa. Essa
frase é perigosa, porque pode impor uma atitude desta Comissão
e deste Parlamento que não produza algo que seja a expectativa
da sociedade brasileira e pode produzir uma desconexão, um
afastamento talvez maior do que o existente hoje entre o
Parlamento brasileiro e a sociedade
brasileira.
Por isso, Sr. Relator, eu considero que essa é uma
preocupação política que eu tenho. Aqui nesta Comissão, nós já
debatemos todos os argumentos favoráveis e contrários a um
conjunto de possibilidades de modificação do sistema
eleitoral.
Portanto, o debate de mérito, eu diria que ele foi
realizado, mas é um debate político, é um debate sobre o que
apresentarmos à sociedade brasileira que ainda está por ser
feito. Por quê? Porque, do meu ponto de vista, há três
aspectos que a proposta de reforma política precisa responder:
primeiro, o fortalecimento dos partidos políticos, porque
todos concordamos que não há democracia forte sem partidos
fortes. Segundo, a limitação da influência do poder econômico,
porque todos concordamos que não é democrático que a
influência das grandes corporações sejam tão decisivas no
processo eleitoral como se dá no tempo de hoje. E, terceiro,
há que se ter mecanismos que ampliem a legitimidade da
política dos políticos e dos partidos.
Sr. Relator, temo que a proposta que V.Exa., de modo
quase científico, produziu com a sondagem feita, a proposta
que o senhor, de modo delicado, num diálogo que construiu ao
longo desses meses, temo que ela não dê conta de enfrentar
esses três desafios: ampliar a legitimidade, fortalecer os
partidos e reduzir a influência do poder
econômico.
Por isso, eu considero, Sr. Relator, colegas presentes,
que a proposta é insuficiente para que nós possamos enfrentar
os dilemas do sistema eleitoral brasileiro e acredito que há
dois aspectos, sobretudo, dois aspectos que nós temos, Sr.
Relator, que enfrentar e faço um apelo para que o senhor mesmo
retire de sua proposta, primeiro aspecto diz respeito às
cláusulas de barreira. O Brasil é uma democracia recente. Não
somos uma democracia madura como nos países da Europa, uma
democracia que vive neste momento 30 anos de experiência
democrática, que é o mais longo período da história e há que
se ter paciência, perseverança para que o sistema partidário
evolua, amadureça e a cláusula de barreira, qualquer que seja,
ela vai limitar o fortalecimento dos partidos por limitar a
expressão política de várias correntes de pensamento no
Brasil.
E o segundo apelo que faço ao Sr. Relator é que é
necessário excluir o financiamento empresarial que é, sim,
causador, não só de corrupção, mas definidor de ordens de
interesse que se impõe, muitas vezes, no Parlamento
brasileiro. Por isso, eu creio que é maléfico para o nosso
sistema a influência do poder econômico e defendo um sistema
de financiamento misto como propõe a OAB, a CNBB, e tantas
outras entidades com financiamento individual, limitado ao
lado do financiamento público.
Por isso, Sr. Relator, colegas presentes, faço a defesa
da exclusão da cláusula de barreira, do financiamento
empresarial, para que a nosso sistema não fique pior que o
atual, porque há um risco se seguirmos a lógica de que temos
que votar qualquer coisa, ter o sistema pior do que o sistema
atual.
Sr. Relator, Sr. Presidente, é o apelo que faço ao
final dos trabalhos desta Comissão.
Muito obrigado, Presidente.
O SR. DEPUTADO
MARCUS PESTANA - Só para registrar em
ata que o Presidente, Senador Aécio Neves, não deu margem à
exegese da sua fala que foi apropriada pelo caro Deputado
Orlando.
O SR. DEPUTADO
ORLANDO SILVA - Querido Deputado
Marcus Pestana, se interpretei mal, eu quero dizer que não é
uma crítica que faço à palavra do Presidente do PSDB. A minha
percepção é que o açodamento que por vezes toma conta, a
ansiedade, digamos assim, pode produzir riscos. É esse o
sentido. Não é um ataque, nem uma acusação. É apenas uma
preocupação que nós atuemos sem açodamento para buscarmos o
melhor resultado.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Afonso
Motta.
O SR. DEPUTADO
AFONSO MOTTA - Sr. Presidente
Rodrigo Maia, prezado companheiro Pestana, bravo Relator
Marcelo Castro, e repito bravo Relator Marcelo Castro, quero
dizer e de certa forma fazer um contraponto, que o meu
posicionamento é otimista, é uma questão de postura, de quem
participa de uma Comissão, que tanta relevância como esta
Comissão, de quem procurou ser assíduo, de quem procurou
participar efetivamente ao levar as suas contribuições, ao
defender o que acredita e chegarmos a um momento decisivo, que
eu acredito já entregue o relatório por parte do Relator, que
nós vamos aprovar um posicionamento na nossa Comissão e vamos
continuar debatendo nas demais instâncias, especialmente no
plenário.
Então, eu sou um otimista.
Eu quero recuperar rapidamente aquilo que sempre foi o
nosso principal fundamento ou os nossos fundamentos. Reforma é
mudança. Nós queremos mudar o sistema eleitoral nacional para
mudar as práticas políticas. Dentre as práticas políticas
aquilo que nós mais ou menos temos consenso desde o início dos
nossos trabalhos aqui, eu quero me referir pelo menos à
necessidade de reduzir os custos das campanhas e de promover a
igualdade entre os candidatos.
Também é da essência da mudança, desde o primeiro
momento, que a reforma deveria qualificar a conduta dos
políticos, impedir o caixa 2, diminuir a corrupção, ser
coerente nos votos e na escolha e, talvez, o maior de todos os
desafios desta Comissão, que tem um conjunto de representação
política e partidária, que alcança toda a representação
parlamentar aqui na Câmara Federal, que é atender o interesse
público antes dos interesses
particulares.
É com essas referências, com esses fundamentos, que eu
quero declarar, prezado Relator, que nós vamos votar a favor
do relatório, com a natural reserva dos destaques, apesar da
divergência em vários pontos.
As nossas principais divergências já foram aqui
referidas, é claro que nós divergimos com relação ao sistema
eleitoral, nós defendemos, desde o primeiro momento, o
distrital misto, para valorizar os partidos e garantir a
representação das minorias e de gêneros.
É claro que nós divergimos com relação à ampliação no
financiamento das campanhas das empresas, mas nós queremos
valorizar aqui, achamos que é fundamental, a colocação dos
limites e dos critérios na distribuição de
recursos.
Olha, aqueles que defendem o financiamento público
restrito, é uma tremenda responsabilidade nós encontrarmos,
até pela experiência que nós estamos vivendo no horário
eleitoral gratuito e no fundo partidário, que já representa o
financiamento público de campanha e vem representando nos
últimos pleitos, é uma grande responsabilidade nós regularmos
de forma adequada o financiamento público e estabelecermos
efetivamente os limites.
Então, é uma divergência que temos, mas nós não achamos
que o debate se esgote só na divergência da contribuição
privada de empresa ou da não contribuição privada de empresa.
O debate é muito mais amplo e nesse necessário.
Portanto, para concluir, eu queria dizer que é
imperativo até o último momento que nós participarmos desta
Comissão, que logo ali a Comissão vai desaparecer, nós vamos
deixar de nos encontrar, ter esse privilégio, de duas
construções fundamentais: a primeira é o melhor relatório para
o Plenário, o relatório possível, claro, como aquela imposição
que todos temos de defender aqui aquilo que nos acreditamos,
mas trabalhar muito diálogo, diálogo, diálogo para até
quarta-feira, no final das votações diálogo, diálogo para
nós entregarmos o relatório possível. Alguns vão achar que é o
possível. Eu vou achar que é o melhor relatório, através do
nosso entendimento, da nossa construção.
Segundo, a nossa responsabilidade é muito importante,
quando a gente recebe aqui com honra as lideranças dos nossos
partidos para participar dos debates. A gente percebe
claramente um certo distanciamento, apesar do respeito às (ininteligível), das
Lideranças com relação ao debate que realizamos
aqui.
Então, qual é a nossa responsabilidade, integrantes
desta Comissão? Procurarmos levar ao plenário o patrimônio
desta Comissão, que foram as oitivas que tivemos aqui, as
trocas de ideias, o debate, a construção que tivemos aqui. Eu
acho que essa troca de ideias, esse patrimônio vai ser
decisivo para o debate que acontecerá no
Parlamento.
Muito obrigado! Parabéns pelo brilhante trabalho que
realizamos!
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Parabéns , Deputado
Afonso!
Concedo a palavra ao Deputado Pedro
Fernandes.
O SR. DEPUTADO
PEDRO FERNANDES - Srs. Deputados, ao longo da minha vida,
eu tenho procurado aprender muito sobre política, e não é uma
coisa fácil. Mas quero reconhecer que aprendi muito nesta
Comissão. E agora quero fazer uma autocrítica a mim. Eu
imaginava que tinha aprendido muito. Mas, quando eu discordo
um pouco do relatório, eu acho que não aprendi nada. E levanto
estas questões.
Eu acho que a coincidência de eleição nos vai
distanciar muito da população que precisa que a gente fique
discutindo muito a política. Acho que o mandato de 5 anos é
muito. O mandato de 4 anos é bom. E aqui eu queria fazer uma
observação, dentro de uma observação feita por um político que
entendi muito de política que é o Marcus Pestana. Ele diz que
é a favor dos 5 anos, porque administrativamente é bom. Mas,
talvez, a gente possa resolver essas questões, reduzindo o
prazo de eleição. É sempre bom a gente discutir eleição.
Eu li a entrevista do nosso Relator no jornal O Globo. E hoje eu
assisti na CBN as
palavras do Sr. Relator. Pelo que li, eu me sinto muito
angustiado, porque ele não está botando aquilo que acredita,
mas foi buscar aquilo que é consenso da Comissão. E eu queria
fazer uma observação ao meu querido Relator a quem tenho uma
admiração muito grande. Eu achava tão pouca a diferença em
relação ao que você pensa do que aquilo que você botou no
relatório, que talvez fosse o caso de botar no relatório. E
aqui a gente destacava se a maioria quisesse assim. Permita-me
fazer esta observação, porque V.Exa. trouxe hoje coisas que
não apurou aqui na Comissão, trouxe de fora. E eu levo a
pensar: será que o distritão também não teve uma influência
muito forte de fora? Eu vou ficar com a tese de que sim,
apesar de gostar muito de V.Exa. Eu acho que você deveria
botar aquilo que pensa, porque vai ficar na história. E aí nós
derrubaríamos, já que nós temos uma maioria de distritão. E eu
não imagino que passe no Plenário, porque ela distorce a
política.
Eu acho que o nosso sistema, se for pensado
proporcionalmente, dá renovação, sim, no Parlamento. Vamos
olhar, 40% a 50% é renovação do nosso Parlamento hoje. Ele
proporciona que segmentos organizados cheguem ao Congresso
Nacional, o que o distritão vai proibir. Temos o defeito,
vamos corrigir. Quais são os defeitos? A questão de que é
caro. Só existe campanha cara, porque tem dinheiro. É a lei da
oferta e da demanda. A hora em que se acabar com o fluxo de
dinheiro, o custo vai cair.
Se o Tiririca traz gente que não tem voto, vamos dar um
percentual para que esse candidato tenha o mínimo de
percentual do quociente eleitoral. Mas nós temos um grande
sistema proporcional, porque nós temos um voto majoritário que
é no partido. Vota-se no partido. E esse partido divide a
votação por aquele que participa. Eu acho que a população vai
nos crucificar por aumentar mandato para 10 anos de Senador,
para 5 anos de Deputado. Não é essa a reforma que a população
brasileira quer. A população brasileira quer fim de
privilégios, mais representatividade, a coisa séria, que a
gente possa participar. Eu acho que a gente começa muito
errado aumentando mandatos. A leitura que o cidadão vai fazer,
e começa a fazer, não é favorável a nós que precisamos dar
respostas políticas.
Eu quero só dizer que aprendi muito, mas não passo na
eleição porque não gostei do relatório nesses aspectos. E aqui
quero me congratular com o meu Relator querido, um amigo
pessoal, pelo seu sofrimento. Ele sofre, aqui, em suas
palavras que coloca em O Globo e nas que disse
na CBN ao
acordar, sua voz ainda estava meio embaraçada , como um
lamento de não pôr as suas ideias: eu acho que o lobby lá
fora foi muito mais forte do que o pensamento desta
Comissão.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. DEPUTADO
CAPITÃO AUGUSTO - Sr. Presidente, já que o PR foi citado
na questão do Tiririca. Só lembro que no Estado de São Paulo o
Deputado Federal menos votado pelo PR teve 33 mil votos, que é
mais do que muitos Parlamentares receberam, aqui, nesta Casa.
Então, esse exemplo serviria mais para a época do Enéas e não
do Tiririca no Estado de São Paulo.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia)- Com a palavra o
Deputado Joaquim Passarinho.
O SR. DEPUTADO
JOAQUIM PASSARINHO - Sr.
Presidente, Deputado Rodrigo Maia, primeiro, quero
parabenizá-lo pela condução dos trabalhos. Realmente, acho que
nós aprendemos muito na sua condução dos trabalhos. Tivemos
reuniões até acaloradas, mas sempre bem dirigidas por V.Exa. Foi um prazer
participar da Comissão sob sua Presidência, assim como com o
nosso Relator.
Eu acho que a paciência, principalmente do Relator de
nos ouvir, os partidos, todos aqueles que vieram aqui foi o
que mais me marcou. Poder-se-ia tentar fazer, Relator, aquilo
que V.Exa.
prometeu: tirar não só as suas ideias, mas tirar a ideia
principalmente do conjunto da nossa
Comissão.
V.Exa.
apresentou uma cartilha no início, que eu pedi permissão,
repliquei e fiz muito debate com ela. O seu relatório,
apresentado na última reunião, realmente trazia quase tudo
aquilo que foi debatido aqui, com apenas um ponto que eu
relatei a V.Exa.
que seriam aqueles 180 dias de janela, que era um jabuti ou
um bode na sala, qualquer coisa assim, porque eu nunca tinha
ouvido falar naquele prazo todo. Mas V.Exa., hoje, já traz a
diminuição para 90 dias e agora para 60 dias. Daqui para
terça-feira chegamos aos 30 dias, que era o que tinha sido
debatido sempre aqui na Comissão, e fica nos 30 dias, que eu
acho que é excelente.
Se alguém quiser mudar de partido já sabe, nós não
vamos convencer ninguém a mudar de partido por prazo. Quem
quiser mudar de partido só está esperando a janela e vai
mudar. Trinta dias seria o suficiente. Mas daqui para
terça-feira V.Exa.
chega! Só uma vez, senão ele vai e volta. Ainda tem isso. Se
deixar muito prazo, ele vai e volta.
Quero também dizer a V.Exa. que fiquei triste
com o seu sub-relatório de hoje, porque V.Exa. traz, como foi
dito há pouco, coisas novas na Casa, que não foram debatidas
na Comissão: mandato de 10 anos para Senador que, para mim, é
um absurdo. E fazer isso só porque o Senado já está fazendo
algum tipo de trabalho, aqui, e economizaria tempo, eu acho
que não é uma justificativa.
Transformar o mandato também de Prefeitos e Vereadores
para 6 anos, na minha opinião, seria uma incoerência o que nós
estamos falando, porque se nós estamos dizendo aqui que o
mandato de Prefeito somente seria no máximo de 5 anos isso
seria o ideal para todos , nós estamos transformando e dando
possibilidade a um Prefeito de ficar 10 anos: 4 anos mais 6
anos.
Será que não é incoerência eu permitir 10 anos e dizer,
na mesma lei, que o ideal seria só 5 anos e ao mesmo tempo eu
possibilito 10 anos? Então, são pontos que nós precisaríamos
rever. Não sei se os dois! Talvez até nem mexer mais nisso,
deixar como está:
eleição a cada 2 anos.
A última ideia que eu achei a pior de todas
desculpe-me é a suplência de Senador. V.Exa. acaba com os
parentes, mas não acaba com os financiadores. Eu acho que a
ideia do suplente ser o votado atrás, o menos votado não
eleito é a melhor de todas e foi o que sempre debatemos na
Comissão. Nunca nesta Comissão nós ouvimos falar disso aqui.
Então, eu gostaria que, talvez, no seu terceiro
relatório, V.Exa.
pudesse tirar esses bodes da sala e realmente voltar àquilo
que foi a sua coincidência. Por exemplo, particularmente, não
sou a favor do distritão, mas foi debatido aqui, V.Exa. colocou.
Eu gostaria, realmente, que a gente voltasse a isso.
Essas novidades de hoje, Relator, desculpe-me,
foram todas não debatidas pela Comissão, não debatidas nos
nossos partidos políticos, inclusive. Nós trouxemos a V.Exa. a
posição dos nossos partidos para o seu relatório final. Isso
não estava incluído. E nós estamos muito incomodados de votar
o que não foi debatido no partido.
Para terminar, Presidente, eu queria só uma orientação.
V.Exa. está fazendo um debate e transformando uma outra
reunião para terça-feira. Os debates se encerrarão hoje ou só
na terça-feira? Porque nós temos os prazos para apresentação
de emendas. Como nós temos um novo sub-relatório, talvez nós
queiramos apresentar emendas.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Como eu prometi a
todos que nós não iríamos atropelar o processo de votação
aqui, pode até não ter obstrução para não ter votação na hora
da votação, mas o meu compromisso é que antes da votação eu
consulte todos os partidos, se está todo mundo confortável com
seus destaques e, aí sim, a gente encerra a discussão e abre o
processo de votação.
O SR. DEPUTADO
JOAQUIM PASSARINHO - Na terça-feira esse compromisso? E se
puder apresentar até lá.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Com certeza,
terça-feira.
O SR. DEPUTADO
JOAQUIM PASSARINHO - Obrigado.
Relator,
para encerrar, parabéns à condução! Volto a dizer: eu gostaria
de pedir a V.Exa. que revisse essas posições que Afonso
Florence trouxe hoje que não foram da Comissão e que a gente
possa retornar à Comissão tudo aquilo que foi debatido
realmente.
Eu acho que essas novidades realmente não agradaram a
quase nenhum da Comissão, e talvez vá ficar uma incoerência no
seu relatório.
Fora isso, obrigado pela paciência, pela amizade e pelo
trabalho de vocês em toda esta Comissão.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Obrigado, Deputado
Joaquim Passarinho.
Com a palavra o Deputado Fábio
Sousa.
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Sr. Presidente, Deputado Rodrigo, Sr. Relator, Deputado
Marcelo, Deputado Pestana, ao cumprimentar V.Exas., eu
cumprimento as demais senhoras e senhores
Deputados.
Eu vou fazer quatro observações, duas sugestões e uma
crítica. Mas primeiramente quero parabenizar o Relator, Deputado
Marcelo Castro, pela serenidade, pela paciência, pelo espírito
democrático com que V.Exa. tem apresentado, até porque, agora,
tem ouvido as críticas e ouvido com total paciência e
observação necessária. Parabéns a
V.Exa.!
As duas críticas que eu quero fazer, primeiro, na
questão do voto distrital. Eu sou extremamente favorável ao
distrital misto. Eu acho que é a sugestão mais importante.
Vejam aonde nós chegamos. Nós estamos baseando uma reforma em
dois países: Afeganistão e Butão. Antes, nós copiávamos
França, Estados Unidos, Alemanha e, agora, nós estamos
ampliando nosso leque de observações aqui no
Brasil.
Mas eu não acho que seja o caminho. Não vejo que seja
por aí. Acho que a questão do distritão vai ser muito
preocupante. Mas eu vou fazer também duas sugestões bem
pragmáticas que eu acho interessante trazer para essa
discussão, e aí fica a critério do Relator, mas também vou
fazê-la caso seja um destaque individual. Não sei se será
aceito, mas farei assim mesmo.
Primeira sugestão: quando nós discutimos aqui o
suplente do Senador, mandato de 10 anos, com toda a
sinceridade, Relator, é um exagero
incomparável. Eu estou no meu 11º ano de mandato, já fui
Vereador, duas vezes Deputado Estadual e, agora, eu sou
Deputado Federal. Um Senador vai ter apenas um mandato nesse
mesmo período, praticamente. Então, eu acho que é
impraticável.
Mas eu vou fazer uma sugestão na questão do suplente.
Eu acho importante criarmos, Sr. Relator, duas espécies,
dois tipos de suplente. Primeiro suplente é aquele que está no
seu relatório e ele só substitui em caso de licença, o
suplente direto, em caso de licença, vai ser Ministro, vai ser
alguma coisa, licenciou. Aí você garante a representatividade
partidária também. Mas, em caso de renúncia, em caso de
cassação, de morte, ou seja, ele deixou de ser Senador, aí eu
fico com a sugestão do Deputado que me antecedeu, que seja o
primeiro votado entre os não eleitos Senadores, que ele assuma
a posição.
Fica aí uma sugestão para a gente chegar a um consenso,
uma sugestão para ser discutida pelo Relator e para os demais
Senadores. Esses dois tipos de
suplentes.
E a segunda, é o que eu já discuti com V.Exa., Deputado
Marcelo, Deputado Rodrigo e demais Deputados. Eu acho que é
algo necessário que nós temos que trazer para o texto também,
porque a gente fala tanto de fidelidade partidária e,
evidentemente, é importante se discutir fidelidade partidária
e, evidentemente, é importante discutir-se fidelidade
partidária, mas nós não temos dispositivos não sei se vai
ser infraconstitucional isso ou mesmo na Constituição , mas
seria uma alteração nesse art. 9º, que permite a democracia
interna nos partidos.
Hoje, no Brasil, nós vivemos um verdadeiro
caciquismo, e isso é uma realidade. Nós temos, em várias
localidades do Brasil, em vários Estados brasileiros,
verdadeiros donos de partidos que escolhem quem é candidato ou
não, que, às vezes, tolhem alguém de querer ser candidato do
Legislativo para o Executivo, ou vice-versa, porque não há
interesse ou não está comungando com as características que
imperam por parte daquele que manda no
partido.
Eu acho que nós precisamos bolar algum mecanismo,
Deputado Marcelo, que obrigue a essa democracia interna, eu já
falei isso a V.Exa. algumas vezes em uma dessas nossas
audiências. Para os senhores terem uma ideia, para a gente
ilustrar bem o que estou dizendo, se não fosse essa democracia
interna, Barack Obama não seria Presidente dos Estados Unidos
hoje.
Hillary Clinton, naquela disputa interna do Partido
Democrata há anos, tinha toda a estrutura do Partido Democrata
americano à sua disposição, até porque o marido dela é que
controlava o partido naquela época. Veio Barack Obama, um
Senador desconhecido, Deputado Chico Alencar, disputou
internamente no Partido Democrata, ganhou a eleição interna,
foi para a disputa presidencial e ganhou as
eleições.
E, aqui, a gente não coloca esses mecanismos internos
de democracia interna, de obrigatoriedade de democracia
interna, e acaba que continuamos tendo, no Brasil, partidos
caciquistas onde o cacique manda, os demais o obedecem e
calam a boca. Então, são duas sugestões que eu gostaria de
fazer.
E, por último, eu sei que meu tempo já acabou, se você
fizer uma pesquisa simples no Google hoje, na Internet, sobre
o voto distrital misto, você vai ver que os grandes juristas
no Brasil, hoje, defendem claramente essa posição. Eu, agora,
fiz uma pesquisa rápida aqui, Deputado Samuel Moreira que
fez uma defesa sobre esse tema , Ives Gandra, por exemplo, um
jurista que todo mundo respeita, faz uma defesa veemente
disso.
Então, eu acho que, faço um apelo aos senhores para que
a gente possa, na hora de votar o destaque que o PSDB vai
apresentar, pensar também neste mecanismo, e ficam as minhas
duas sugestões. Vou apresentar um destaque, Deputado Marcelo,
individual, porque o meu partido já fez os seus três, sobre os
dois tipos de suplentes, que eu acho que seria até chegarmos a
um acordo de interpretação.
Muito
obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Como Líder? Deputado Pompeo de Mattos, como
Líder.
O SR. DEPUTADO POMPEO DE MATTOS -
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, na verdade, eu
quero aqui tomar a liberdade de dizer que o nosso grande e
ilustre representante nesta Comissão, o Deputado Afonso Motta,
fez um trabalho, Deputado Afonso Motta, exemplar. Nós o
homenageamos, e a bancada do PDT tem orgulho do trabalho que
V.Exa. prestou a esta Comissão, destacada a posição e o debate
interessantes e importantes para o avanço nas decisões e no
encaminhamento.
Mas eu quero tomar a liberdade aqui, Presidente, de
fazer uma manifestação relativamente à questão do modelo que
está sendo proposto aqui quanto ao sistema de votação. Na
minha visão, existem quatro sistemas de votação: um é o
distritão, o outro é o distrital misto, o outro seria a lista
e o outro o sistema atual, que é o
proporcional.
E eu quero focar exatamente no distritão, porque ele é,
na visão que tenho, na leitura que faço, ele é a preferência
de um segmento importante, a começar pelo próprio Presidente
da Casa, do relator, talvez, da Presidência da Comissão, e de
um segmento importante de Deputados.
Eu quero dizer, assim, que, na minha visão, o
distritão, como diria lá nas Missões, é o fim da picada! Eu
acho que nós estamos dando verdadeiramente um tiro no pé,
porque, com o distritão, só os ricos vão se eleger; só os
figurões vão se eleger; só quem tiver estrutura vai se eleger.
Não vamos ter mulheres esqueçam as mulheres, esqueçam as
mulheres! , podem começar a preparar a malinha para voltar
para casa, porque é contra o gênero das mulheres. Jovem,
então, nem arrume a mala, porque não vai vir para cá. Chance
zero! Mudança nenhuma!
Nós vamos criar aqui uma oligarquia política na Câmara
dos Deputados, depois será nas Assembleias Legislativas e nas
Câmaras Municipais. Vão ser os mesmos dos mesmos, para sempre,
todo o sempre, amém. Nós vamos criar um caciquismo que vai
mandar, e quem não obedecer absolutamente está fora. Eu diria,
assim, que é ruim, é tão ruim, que vai ser ruim até para os
eleitos, porque vai ser uma desmoralização da política e, na
minha visão, da própria democracia.
E, se tudo isso fosse pouco, na minha visão, é o fim
dos partidos. Lá no meu Estado, vou dar um exemplo, nós somos
três Deputados Federais do PDT o Deputado Afonso Motta,
honrado Deputado, o Deputado Giovani Cherini e o Pompeo de
Mattos. Para nós termos chance de os três se elegerem, nós só
podemos largar três candidatos, porque, se nós largarmos
quatro, dividem-se os votos, daqui a pouco dois não entram,
talvez três fiquem fora e se eleja só um. Então, é uma coisa,
assim, inimaginável. Perde-se o conceito do
coletivo.
Então, eu diria que, se isso fosse implementado, nós
teríamos, assim, a democracia ferida de morte, a democracia
representativa, além de termos pessoas ligadas a segmentos da
sociedade, ora à igreja, ora a grandes trustes, a grandes
empresas, a grandes interesses, esses, e tão somente esses,
seriam eleitos. O que me faz dizer aqui, claramente, que, se o
sistema político está ruim, e está ruim, ele vai ficar muito
pior, vai conseguir piorar. Nós vamos cavalgar para o fundo do
poço.
E aí, se quiséssemos, Sr. Presidente, avançar, nós
poderíamos manter o modelo atual que está, com as correções
que se fazem necessárias. Nós conhecemos esse sistema, o
sistema proporcional. Vamos corrigir as distorções. Ah, há um
Deputado que elege três, quatro, na carona. Há um projeto meu,
Sr. Presidente, que diz que o máximo que um Deputado pode
incorporar na legenda do seu partido é uma legenda, um
quociente, ou seja, ele se elege e não elege ninguém mais. Ou
que se bote lá um e meio. Então, é uma correção.
Outra: hoje só participam das sobras partidárias, do
recálculo, aqueles que fazem uma legenda. Coloca-se lá que
participam todos, todos os votos do cidadão; mesmo que o
partido não tenha uma legenda, ele vai participar do rateio
final. Nós moralizaríamos.
Vamos limitar os gastos, isso sim, limitar os gastos. O
ideal era proibir o gasto das empresas. Se não for possível,
limita-se o gasto das empresas, e limita-se, dá-se um teto
para a candidatura de Deputado Estadual, de Deputado Federal,
de Governador, de Senador, de Vereador, de Prefeito. Tem que
haver um teto, não pode o limite ser o céu, o limite serem as
estrelas, o limite ser o universo, o limite ser o fim do
mundo. Isso não existe.
Então, eu diria, Sr. Presidente, que, com regras
simples, objetivas, nós poderíamos corrigir o sistema que aí
está, que nós conhecemos, que nós entendemos, e aperfeiçoar a
relação política dos partidos. Nós teríamos, aí, melhorado
significativamente a representatividade nesta Casa, e é o que
nós podemos fazer.
O povo quer uma mudança? O povo
quer.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Para encerrar,
Deputado.
O SR. DEPUTADO
POMPEO DE MATTOS - Vou encerrar, Presidente. O povo quer
uma mudança? O povo quer uma reforma? Sim. Mas nós não podemos
aqui, Sr. Presidente, inventar a roda.
O distritão vem, na minha visão, para piorar. Para mim,
Sr. Presidente, para mim talvez seja bom. Eu sou Deputado;
como tenho uma estrutura como Deputado, enfim, eu posso me
manter como Deputado. Mas, Presidente os partidos vão acabar,
a democracia vai sofrer um duro golpe, e a representatividade
vai ser depreciativa.
Então, eu tenho convicção de que até o nome distritão
é ruim, até o nome é ruim. O distritão pega mal, não passa,
nós precisamos combatê-lo, e eu vou combatê-lo de forma muito
efusiva.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Vamos mudar o nome
para majoritário, assim tentamos o seu apoio. Estou
brincando, Deputado.
Deputado Fábio, só para lhe dar uma informação, o Dr.
Ives Gandra considera o voto em lista cláusula pétrea, ou
melhor, ele considera o voto direto cláusula pétrea e
considera que a questão do voto em lista não pode nem ser
discutida. Então, ele não pode ser a favor do distrital misto,
porque metade das vagas é... Eu posso até lhe mandar depois o
parecer dele.
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Perfeitamente, eu não ouvi ele falar a
respeito disso.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - É que você citou o
nome dele, como eu tenho o parecer dele, só
para...
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Só para corrigir a informação, então, eu fiz
uma pesquisa aqui, agora, na Internet, e saiu disso. Só quero
fazer essa observação.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - É até importante a
Comissão saber:
O Conselho Superior de Direito da Federação do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo
concluiu pela inconstitucionalidade da proposta do sistema do
voto em lista, porque fere a cláusula pétrea prevista no art.
60, § 2º, inciso II, da Constituição
Federal.
Assinado: Ives Gandra
Só porque o senhor citou o nome dele e por coincidência
eu tenho o parecer dele.
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Não, perfeitamente.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - É apenas uma
coincidência, recebi ontem.
O SR. DEPUTADO
FÁBIO SOUSA - Perfeitamente, Sr. Presidente. Só fazendo
uma correção, então, eu fiz uma pesquisa, e saiu isso aqui,
agora, na Internet. Mas eu passei essa
informação.
O SR. DEPUTADO
MARCUS PESTANA - O Ives Gandra defende o distrital
puro.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o
Deputado Arnaldo Jordy.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
queria inicialmente parabenizar o Presidente pela condução de
S.Exa., dos vícios.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Pode continuar,
Deputado, quero só pedir desculpa ao Afonso, porque eu pulei o
seu nome, eu volto ao seu nome, está
bem?
O SR. DEPUTADO
AFONSO HAMM - Eu estava tomando um
chimarrão.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Esse pessoal gaúcho não consegue ficar
longe do chimarrão, dá nessas coisas.
Então, parabenizo V.Exa., e, em seu nome, todos os
Vice-Presidentes da nossa Comissão, e o Deputado Marcelo
Castro, também, pela brilhante condução, ímpar, realmente, a
condução de V.Exa. numa matéria tão árida, tão polêmica, tão
controversa, tão plural, e V.Exa. conduziu com brilhantismo,
com paciência, com todo o cuidado e profundidade a discussão
desses temas.
Queria coroar isso tudo votando com V.Exa.
Infelizmente, em alguns pontos voto com V.Exa., mas não vou
poder votar com o Relatório de V.Exa., até pelas razões que
V.Exa. já colocou aqui. Mas eu me preocupo, também, com
algumas coisas
.
Algumas já foram colocadas. O Deputado Joaquim já
ponderou essa questão da novidade dos 10 anos de mandato do
Senado. Eu não sei se há alguma experiência exitosa no mundo,
num mundo cada vez mais em tempo real, num mundo cada vez mais
da democracia participativa, num mundo cada vez mais do
ativismo, da militância autoral, Deputado Fogaça, a gente
inovar com mandato de 10 anos para o Senado. Eu não falo nem
da opinião pública, da repercussão disso, que eu acho que é
negativa, mas, realmente, a priori, é uma coisa
muito estranha. Não sei se V.Exa., que é um estudioso e
estatístico dessas experiências internacionais, não sei se
V.Exa. abrigou alguma experiência exitosa de mandato dessa
natureza.
Aliás, já me preocupa muito o Brasil ficar, numa
proposta, num outro desenho, 5 anos sem mandato, sem eleição,
que a proposta de coincidência de mandato nos remete a um
jejum de 5 anos sem eleição. Num País que está cada vez mais
exigindo participação, cada vez mais aferindo os seus
processos da democracia representativa, que está cada vez mais
revendo, inclusive, valores dessa democracia representativa,
me preocupa também ficar 5 anos sem mandato.
A outra coisa que me preocupa é que acho que V.Exa.
animou a todos, quando estabeleceu, de forma sábia, uma janela
que, na verdade, inibia a cooptação promíscua, não sei se o
termo é esse, mas que muitas vezes acaba acontecendo, na nossa
experiência recente. O desenho formatado por V.Exa. nos
permitia uma janela inibindo essa cooptação, meio sem ser
programática, sem ser ideológica, sem ser de constrangimento
de consciência, que eu acho que é possível. E, de repente, no
Relatório, inicialmente 180, agora, me parece que
90...
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Sessenta? Então, já melhorou bastante. Eu
preferia ficar com os 30 que V.Exa. tinha estabelecido
originalmente. Parece-me que era um desenho razoável a janela
de 30 dias no final do processo, já à beira da renovação do
mandato, o que inibiria bastante os processos de cooptação que
V.Exa. bem ilustrou, com brilhantismo, na sua exposição na
Comissão.
A outra sugestão que eu queria dar, apenas a título de
sugestão a V.Exa.. Parece-me que não é uma matéria polêmica.
V.Exa. reduziu corretamente, a meu ver. Não sei se é consenso,
mas há uma manifestação, pelo que eu já ouvi de vários
Deputados, para a redução de 35 para 30 anos de Senador e,
salvo engano, de Governador.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - O Governador hoje para ser candidato tem
que ter mais de 30 anos de idade.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - É isso.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - E Senador tem que ter mais de 35 anos de
idade.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Trinta e cinco anos,
exatamente.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Então, tivemos várias emendas no sentido
de equiparar os dois, levando-se em consideração que não
haveria sentido que um cargo de responsabilidade igual ou
superior, de Governador, seguisse o critério de 30 anos de
idade no mínimo, e de Senador, 35 anos. Então, nós equiparamos
os dois para 30 anos.
O SR. DEPUTADO
ARNALDO JORDY - Correto. Eu acho que é correta a posição
de V.Exa.. Essa limitação era fruto de uma realidade bastante
longínqua que hoje em dia não faz mais sentido, pelo ativismo,
pela faixa etária do protagonismo na política, pela cidadania
e por outras razões.
Pelo mesmo raciocínio, eu queria ponderar a V.Exa. uma
PEC de minha autoria que está tramitando. No Senado há outras
com o mesmo conteúdo, em relação a Deputado Estadual, que
também está prisioneiro pelo texto defasado, em meu juízo, que
justifica a mudança que V.Exa. fez. Por exemplo, não pode ser
candidato a Deputado Estadual com 18, 19 anos de idade. Hoje o
nosso ordenamento jurídico impede isso. E pelas mesmas razões
do protagonismo mais precoce, pelo ativismo dessa juventude,
inclusive mudando a agenda desse País, como foi em julho de
2013, como foi agora nas ruas a predominância da figura
juvenil, do jovem exigindo, eu acho que também não tem sentido
manter para Deputado Estadual a exigência que hoje consta do
nosso ordenamento.
Eu acho que o critério dos 18 anos seria absolutamente
simétrico à mudança que V.Exa. fez. Fica aqui a sugestão para
que a gente possa avançar. Não me parece que seja uma coisa de
grandes divergências.
No mais, quero apenas ratificar a posição que não é
minha, é do PPS. O Deputado Sandro Alex já versou sobre isso
em outras ocasiões, da nossa preferência pelo voto distrital
misto com base proporcional, que é a nossa posição, mesmo
admitindo as variáveis que possa haver de simpatias por outras
coisas.
Achamos que, como V.Exa. bem disse, o sistema do
distritão não organiza os partidos. Ao contrário, desorganiza,
desestrutura, fragmenta o processo de unificação mínima de uma
agenda de ideias programáticas e ideológicas que possam
caracterizar uma agremiação partidária. Portanto, vai na
contramão do que a gente, pelo o menos, estabelece como
preliminares para aperfeiçoar o sistema eleitoral e o sistema
político brasileiro.
Em segundo, quero reafirmar a nossa contrariedade com a
chamada cláusula de desempenho. O nosso entendimento, Relator,
é que o fim das coligações, a admissão da Federação como
V.Exa. já anunciou e, parece-me que não ficou alterado isso,
acho que a Federação apenas a experiência da África do Sul, do
Chile, do Líbano e de outros países não precisa ser só de dois
mandatos. Podem ser cinco, dez dois, três partidos que queiram
se agregar na figura da Federação podem ter um tempo maior.
Não vejo nenhum prejuízo nisso.
E, se não for aprovado o distritão, o fim do
coeficiente eleitoral para o preenchimento das vagas de sobra
que V.Exa. também abrigou no seu, me parece que isso melhora
bastante para os pequenos partidos.
E se a gente pudesse, fica a sugestão, resumir
simbolicamente essa cláusula de desempenho a uma coisa
meramente menor, o que não vai dificultar, porque me parece
que esses dois institutos o fim da coligação e esses
conceitos que V.Exa. introduziu resolvem em boa parte, seria
desprezível a cláusula de barreira. Talvez pudesse ficar
simbolicamente 1% sem os nove Estados, ou um Deputado, uma
coisa simbólica mesmo. Porque me parece exagerado e com risco
para as pequenas agremiações que têm um protagonismo político
importante, nós reconhecemos isso, o que não é o caso das
demais. Poderíamos até eliminar essa cláusula de desempenho,
porque eu acho que atenderia PSOL, PCdoB, a Renata e várias
outras agremiações, que têm mandatos aqui brilhantes, que
contribuem com a pluralidade positiva, propositiva, fecunda
desse debate parlamentar. Então, eram algumas opiniões, que
são o caso. E renovo minhas congratulações ao desempenho de
V.Exa.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Afonso.
Depois, Sandro.
O SR. DEPUTADO
AFONSO HAMM - Bom, queria, em primeiro lugar, cumprimentar
a Comissão como um todo, na pessoa, na Liderança do Presidente
Rodrigo Maia, e Marcus Pestana, que foram permanentes em todas
as audiências, que muitas vezes se transfere atribuição de
competência. Aqui nesta Comissão não foi feito, eu queria
cumprimentá-los.
E também da condição de participação integral do
Relator, Marcelo Castro, e na presença e na participação
nossa, dos Parlamentares, sempre plenários cheios, das
assessorias, e assessoria de forma permanente e atenta. E,
fundamentalmente, aqueles que nós tivemos oportunidade aqui de
acompanhar através dos seus relatos, entidades. Fizemos um
debate absolutamente democrático.
E é dessa forma que nós entendemos que o relatório se
apresenta. Naturalmente que existem algumas correções. E eu
quero também agradecer que duas emendas minhas foram
aproveitadas em boa parte delas. Agradeço pela aceitação,
naturalmente, pelo seu conteúdo a Emenda de nº 19 e a Emenda
de nº 22.
A Emenda de nº 19 é uma que coincide com outras
iniciativas também, que é exatamente de garantirmos a
coincidência de eleições. Ou seja, não termos eleições a cada
dois anos, os gastos e o reflexo que isso representa. Também
nós avançamos em relação a isso de não termos a reeleição que
se entende como prejudicial à democracia, porque quem está no
exercício usa a máquina, enfim, e dá a oportunidade a outros
projetos de gestão no âmbito dos executivos nas três
instâncias.
Então, isso é muito importante. Também flexibilizou
agora o Relator de que nós ouvimos aqui Vereadores, Prefeitos,
e é impossível fazer um mandato tampão de dois anos. Estamos
sendo sensíveis, inclusive, na alteração do próprio relatório.
E isso tem um ganho importante para o País, porque vamos ter
uma eleição em 2016, aí, sim, com prazo de seis anos de
mandato, que é um prazo necessário nessas circunstâncias, para
fazermos a correção de rota.
O que veio quadrado, na linguagem do Rio Grande, veio
bicuda a bola, na linguagem do futebol, é a questão de no
Senado termos um prazo, um mandato de cinco anos mais cinco.
Isto é absolutamente inconcebível nas circunstâncias
democráticas do País!
Chego a me atrever aqui a fazer até uma sugestão,
embora eu... Coletamos várias opiniões no Brasil inteiro, lá
no Rio Grande do Sul. O meu partido, o Partido Progressista,
fez 21 grandes seminários, através das fundações, e tiramos os
indicativos. Talvez então devamos retroceder a quatro anos de
mandato, com coincidência de eleições, para não ampliarmos o
mandato dos Senadores, tendo um terço e dois terços. Talvez
nós tenhamos que refazer os cinco anos para os quatro. Já
quero deixar aqui uma sugestão, porque é inconcebível alguém
ter um mandato por dez anos na atual democracia
brasileira.
Um Senador eleito cinco vezes fica meio século, fica 50
anos. Não é possível! Não é democrático! Nós pensamos: ou nós
nivelamos o mandato dos Senadores com cinco anos, e
unificamos, que eu acho o melhor, ou então fazemos um retorno
de reeleições a cada quatro anos, talvez isso fique mais
equilibrado. Aqueles que não concordam, que muitos aqui ainda
querem eleições não coincidentes, mas nós racionalizamos
gastos e fica aí uma sugestão ao Relator sobre esse
aspecto.
Sobre a questão de financiamento. Financiamento eu
também fiz a emenda, a Emenda de nº 22, e agora fiz um
Destaque, apresentei um Destaque. Nós somos contra a condição
de financiamento empresarial. É a distorção aqui amplamente
discutida. Nós temos que ter a coragem definitiva de
colocarmos... e no relatório ficou para que o financiamento
empresarial de pessoas físicas, aliás, pessoas jurídicas, as
empresas, passem o recurso, doações a partidos. É muito pior,
não fica absolutamente transparente. Eu não concordo, fizemos
um destaque, têm muitos que trabalham nessa direção, e eu
queria fazer essa reflexão.
A nossa proposta, que vem dentro do trabalho da emenda
que apresentamos, é que o valor de financiamento de pessoa
física se limite a um salário mínimo, para ter um referencial,
e no limite de 50%. De onde vem os outros 50%? De um fundo
específico para o processo eleitoral no Orçamento, porque, se
nós alocarmos 2, 3, 5 bilhões a cada 4 ou a cada 5 anos,
significa especificidade orçamentária para bancar um processo
eleitoral de uma parte, no máximo 50%. A outra vem de pessoas
físicas, mas sem o comprometimento do Parlamentar, da política
na sua isonomia, na sua independência. Então eu queria frisar
esse aspecto.
E, para finalizar, em relação a sistema eleitoral, eu
quero dar aqui o meu testemunho: eu cheguei aqui com a visão
do distritão, achando interessante o debate. Os argumentos e a
fundamentação me fizeram mudar de opinião, mais do que isso,
eu trago aqui uma cartilha da reforma política, o debate
necessário que nós fizemos no Rio Grande do Sul. Foram 21
eventos, eu participei de cinco, lá do Partido Progressista do
Rio Grande do Sul, e lá nós somando aqui o sistema distrital
misto, que tem três alternativas de distrital misto, significa
mais de 60 %.
Então eu estou trazendo aqui não só a minha opinião,
muito pelo contrário. Estou trazendo a posição do Partido
Progressista do Rio Grande do Sul, que eu represento.
Naturalmente que aqui eu represento também o Partido Nacional,
que tem opiniões diversas, mas eu fiz a escolha de
representatividade da minha base, de onde eu venho, do meu
distrito, ainda distritão, o oitavo mais votado: 132 mil votos
na última eleição.
Então eu queria depois fazer a entrega ao nosso
Presidente, ao nosso Relator, e finalizar dizendo que nós
temos que fazer um esforço em relação ao distrital misto, que
é democrático. É claro que há uma distribuição territorial que
vai se fazer, no caso, dividindo, distribuindo esses espaços.
É a mudança necessária. E misto para que nós possamos
contemplar o perfil de cada político.
Tem o político que tem afinidade regional, tem
territorialidade, tem o território localizado, mas nós temos
políticos, Deputados Federais que têm uma representatividade
ampla. Eu vou dar o meu exemplo: eu comecei territorial, mas
hoje fizemos 80 mil votos da região de onde eu venho, e no
norte do Estado mais de 70 mil votos. E assim é o exemplo de
quem está na política, mas também de quem vai ingressar na
política.
Então eu vejo e finalizo que, para nós propiciarmos
avanços importantes fazendo essas considerações, a questão do
distrital misto é uma questão emblemática para a reforma
necessária ao País para que nós venhamos a ter
respeitabilidade, credibilidade da política e dos políticos e,
principalmente, da reforma política.
Muito obrigado.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Rubens
Otoni, ausente.
Deputado Sandro Alex como Líder.
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Muito obrigado,
Presidente.
Cumprimentar aqui o Rodrigo Maia, o nosso Relator
Marcelo Castro, o Deputado Marcus Pestana, aliás nós
trabalhamos juntos na outra Comissão, no grupo que elaborou
este projeto.
E, Relator, quero inicialmente saudá-lo, porque tenho
um profundo respeito pelo senhor como meu amigo, como uma
inspiração na seriedade da condução dos trabalhos. Então eu
deixo o meu registro, porque o que vou falar é um pouco
crítico ao que nós estamos hoje apresentando à
sociedade.
E vejo a contrariedade do senhor. Não há nada pior do
que você convencer alguém de algo que você não acredita. O
senhor tem que convencer a sociedade de que este texto é o
melhor para o Brasil, mas V.Exa. sabe que não é, e isto é
muito difícil.
Qual é o resultado que nós vamos trazer hoje, Deputado
Marcus Pestana, à sociedade? E os telejornais vão mostrar. Nós
estamos aqui há anos e anos eu participei de três Comissões,
esta é a terceira , e qual é o resumo do nosso trabalho que
estará hoje nos telejornais do Brasil? Após discussões,
reuniões, audiências, Deputados decidem aumentar os mandatos.
A nossa reforma vai se resumir à ampliação dos mandatos. A
crítica faz parte e nós temos que conviver com isso, mas
quando ela é verdadeira... E essa é verdadeira, nós estamos
aumentando os mandatos Senador, 10 anos, Prefeito, 6 anos,
Deputado, 5 anos , ampliando os
mandatos.
Existe um ditado popular que fala o seguinte: Marmelada na hora da
morte acaba de matar. E isso matou o nosso projeto,
porque é isso o que vai estar hoje sendo discutido na
sociedade. Nós vamos ser cobrados, no final de semana, antes
de votarmos na terça-feira: Ah, então vocês decidiram
a reforma política, aumentar os mandatos. Isso é o melhor
para o Brasil, é o melhor encaminhamento para o
Brasil.
Eu também trabalhei muito tempo aqui pensando na
unificação das eleições, o custo Brasil, mas já entendo que
não é possível se estabelecer mandatos de 10 anos, 6 anos, 5
anos, para tentarmos, num futuro num futuro não próximo
distante, fazermos essa unificação. A população não vai
aceitar. Aí caberia o fim da reeleição não para os mandatos do
Executivo, mas, agora, fazer aqui fim de reeleição para o
Legislativo. O Senador vai ficar 10 anos, com mais uma
reeleição de 10 anos e com mais quantas ele quiser. Então, o
problema da reeleição agora não é mais de Prefeito, Governador
e Presidente da República. O problema da reeleição caiu aqui
sobre Deputados e Senadores. A população vai exigir. Tem que
acabar com reeleição de Senador, porque o texto de 10 anos já
é um absurdo, é inaceitável esse texto. Hoje, tenho certeza, a
sociedade vai cobrar de todos nós sobre este tamanho de
mandato.
Infelizmente, eu acredito que nós estamos finalizando a
nossa Comissão com este grave equívoco. Nós tentamos compor,
eu defendo o distrital misto, mas tentei uma composição com o
distritão, assim como V.Exa., nós estamos tentando uma
composição, para tentarmos levar a Plenário.
E aqui quero pedir, Presidente, sei que V.Exa. me
ajudou na última Comissão, porque nós estamos dentro do
amadurecimento da democracia, regredindo no nosso texto
anterior, porque nós tínhamos a possibilidade de dizer à
população: você quer
ou não quer votar?, que era o voto facultativo. Ou seja,
nós estamos fazendo todas as peripécias para fechar para os
políticos, mas, para a população, nós não damos nem a
oportunidade de dizer se quer ou não quer votar. Nós estamos
tirando do texto o voto facultativo, e eu vou batalhar, até o
final da Comissão, para que isso vá a Plenário, deixa que o
Plenário rejeite, porque, em todos os destaques que nós já
lemos aqui sobre os sistemas e as fórmulas em todos os países
desenvolvidos, há o voto facultativo. Esse, sim, está presente
em mais de 200 países, de forma clara, para a população.
Diferente dos 20 que são obrigatórios, entre eles o
Brasil.
Então, nós regredimos, nós tiramos o voto facultativo.
Eu vou lutar até o fim, para a nossa Comissão deixar a
oportunidade para o Plenário, deixa o Plenário decidir. Nós
retirarmos algo que nós aprovamos, Rodrigo, aqui? Nós
aprovamos na última Comissão. A PEC traz o voto facultativo,
não vamos retirá-la da nossa Comissão. Ela já está no texto
original.
Eu faço um apelo a V.Exa., Relator, vamos deixar o
Plenário, então, decidir. Nós estamos decidindo aqui um
mandato em 10 anos, estamos decidindo coisas realmente
difíceis de sustentar para nossa
sociedade.
O SR. DEPUTADO
EDMAR ARRUDA - Deputado, o senhor me permite um aparte
rápido?
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Pois não.
O SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA -
Eu fiquei muito triste com essa história do mandato do
Senador, até porque, hoje pela manhã, nós ficamos 1 hora e
meia discutindo no partido e eu disse para o Senador do meu
partido que eles que colocassem lá e explicassem para a
sociedade. Agora eu chego aqui e sou eu que tenho que explicar
para a sociedade. Então, eu fiquei muito chateado. Eu quero
repetir aqui uma frase que o Senador Eduardo Amorim, do nosso
partido, disse lá: Reforma política é igual ao paraíso. Todo
mundo quer, mas não agora. Obrigado.
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Então, para concluir... Obrigado,
Edmar.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Sandro Alex,
V.Exa. pode ir um pouquinho mais, porque V.Exa. tem somado o
tempo da inscrição e o tempo da
Liderança.
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Então, eu vou fazer esse apelo Sr. Relator.
Nós temos até terça-feira. Eu não sei se o senhor vai elaborar
um terceiro relatório, mas eu confio em V.Exa., eu lhe admiro,
eu sei que há contrariedade sua aqui, há algo aqui que lhe
incomoda e vai incomodar a sociedade. V.Exa. lutou, V.Exa.
estudou muito esse texto. Eu estudei junto com V.Exa. em 3
Comissões. Eu não cheguei há pouco tempo. Nós estamos aqui com
o Deputado Pestana, com o Deputado Maia e sabemos que estamos
apresentando para a sociedade uma reforma que não é a melhor
para o Brasil. Cada Deputado aqui que analise: isso é melhor
para o Brasil? O que nós vamos votar na terça-feira é o melhor
para o Brasil?
Eu tenho certeza de que, mesmo no entendimento de
tentarmos achar um sistema eleitoral, um financiamento... Eu
sou contra financiamento de empresa. Eu sou a favor de
financiamento só de pessoa física, com limitação. Mas eu estou
buscando o entendimento para levarmos a plenário. Sou contra o
distritão, sou a favor do distrital misto. Estou no
entendimento para levarmos a plenário. Sou contra a cláusula
de barreira, porque isso realmente é contra o País, é contra a
democracia. Mas estou no entendimento para levarmos a
plenário.
Agora, colocar mandato de 10 anos, de 6 anos, de 5
anos, de 9 anos? O texto tem quatro diferentes prazos de
mandato: 10, 6, 5 e 9. Ou seja, não é aceitável esse texto. O
fim da reeleição, como eu disse, hoje vai ser defendido para o
Legislativo, não para o Executivo, com mandatos
assim.
Eu vou apresentar destaques ao texto, inclusive ao voto
facultativo. Eu quero muito ver isso no plenário, que cada
Parlamentar coloque a sua digital e vote, porque é algo que a
população exige, é um direito. Em todas as nossas audiências,
ninguém disse que isso não é devido. Todos dizem: Realmente é um direito,
mas não agora, não agora.
Quem
é que vai fazer isso pelo Brasil? Um dia o voto vai ser
facultativo no Brasil. Vamos dar à população o direito de
escolher se quer ou não quer votar. Por que não pode ser a
nossa Comissão? Nós vamos deixar isso para quando: para 2022,
2030, 2050? Um dia vai ser. Por que não poderemos ser nós?
Esse grupo está trabalhando há 10 anos em cima da matéria. A
população entende. O Vice-Presidente veio aqui e disse que é
de direito, mas não agora. Agora é de direito aumentar para 10
anos o mandato de Senador, agora é de direito colocar cláusula
de barreira e não é de direito colocar agora o voto
facultativo.
Então, eu agradeço, Presidente, e peço desculpas pelas
minhas palavras. Mas eu aprecio o trabalho de todos que estão
à mesa. Trabalhei com V.Exas., ouvimos toda a sociedade.
Quando V.Exa. apresenta o texto, alguns Deputados dizem assim:
Ora, nós temos que
debater mais com a sociedade. Nós debatemos com a
sociedade. Está debatido. Nós é que alteramos o texto, nessas
últimas horas, de forma drástica, porque nós já estávamos com
um entendimento de encaminhamento há algumas semanas. Nós é
que fizemos essa alteração, porque a sociedade foi ouvida. A
sociedade não quer um mandato de 10 anos de Senador. Nós
sabemos disso.
Então, eu peço a V.Exa. uma reflexão até terça-feira.
Estou à disposição para ajudar V.Exa. Tenho certeza de que
muitos Deputados aqui confiam em V.Exa. e querem ajudá-lo.
Siga o seu pensamento, porque V.Exa. vai apresentar para o
Brasil um projeto melhor do que esse que foi dado a V.Exa.
como obrigação.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Gostaria demais, mas quero só esclarecer
a V.Exa. essa questão do voto facultativo. Foi debatido, foi
discutido e, por ampla e esmagadora maioria, os membros da
Comissão decidiram pela obrigatoriedade do voto. Foi por isso
que eu constei no meu relatório.
O SR. DEPUTADO
SANDRO ALEX - Eu só acho que não foi votado ainda,
Relator. Não foi votado, nós não votamos nada até agora, só
discutimos.
O SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Cabe destaque.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Cabe o meu destaque,
junto com o destaque dele, que eu apoio, do voto
facultativo.
Passo a palavra à Deputada Raquel
Muniz.
A SRA. DEPUTADA
RAQUEL MUNIZ - Eu gostaria de fazer uma reflexão da minha
presença aqui nesta Comissão e também dos demais membros e do
nosso Relator, do nosso Presidente, como já se falou da
presença constante deles aqui, tanto do Deputado Marcelo
Castro, como do Deputado Rodrigo Maia e do Deputado Marcus
Pestana.
Quero lembrar que toda mudança gera um desconforto. Com
certeza, eu acredito que vai haver uma mudança. Durante todo o
tempo em que estivemos aqui na Comissão, eu observei que cada
assunto apresentado independente de quem apresentava esse
assunto acabou nos convencendo. Muitos mudaram até de
opinião. Chegaram com a opinião formada e mudaram de opinião.
E percebi que eu poderia levar tudo o que estava ocorrendo
aqui para a minha base. Assim fiz, como alguns colegas
também.
Fizemos seminários na minha região, no norte de Minas.
E, nesse seminário, houve uma participação intensa de
lideranças políticas, de Vereadores, Prefeitos, propensos
candidatos também. Conseguimos levar um pouquinho desta
Comissão. Como mulher, discuti a participação feminina, com a
presença lá da Deputada Jô Moraes. Trouxemos também uma
contribuição pequena, mas que reflete a nossa região e o
nosso desejo de mudança.
Cada item apresentado aqui tem pontos positivos, porque
este Brasil é gigante, e a gente enquadra o modelo de acordo
com cada região. Nenhum deles aqui é unanimidade ou é
perfeito. O certo é que a gente tem que pensar também na
próxima etapa e já falo depois de consolidado. Se não foi
possível levar o nosso querido Relator, que teve todo o
cavalheirismo aqui não só com as mulheres, mas com todos que
participaram, que ele possa estar participando também do
convencimento depois de como vamos fazer o enfrentamento da
próxima eleição, porque haverá mudanças.
Acredito que a imprensa, nesse início do nosso mandato
aqui, esteve conosco. Mas os holofotes não estavam aqui nesta
Comissão. Estavam, com muito mais intensidade, na CPI da
PETROBRAS. Será que é essa mudança que a imprensa nos mostrou
que o Brasil quer, não só nas questões da reforma política,
mas também na transparência dos processos? E, na CPI da
PETROBRAS, foram revelados alguns desvios, alguns transtornos
ocasionados nas últimas eleições.
Então, também nesse momento em que se fazem presentes
aqui, e nós não estamos mais com a Comissão lotada, vale
lembrar que o que nós conseguimos produzir aqui foi aquilo
também que a comunidade, que o povo brasileiro nos cobrou nas
ruas, com a presença aqui também de cada um que deu a sua
contribuição.
Então, eu quero realmente parabenizar a Comissão e
dizer que fizemos o que era possível, o que foi melhor. Não só
essa reforma política, mas várias coisas que têm acontecido no
Brasil e que vão acontecer aqui no Congresso Nacional vão
efetivamente ser responsáveis por uma reforma na Câmara de
Vereadores, nas Prefeituras, nas Assembleias e aqui também na
Câmara Federal e no Senado não só a reforma política, mas
tudo o que a gente tem vivenciado.
E nós temos um tempo ainda para viver muitas coisas
aqui que vão modificar, sim, o resultado das eleições. Uma
coisa que é permanente, ainda que seja obrigatória, é o voto.
Nós não conseguimos tirá-lo. Isso é uma evolução. Nós vamos
votar e aí nós vamos votar em quem participou ativamente aqui
na Câmara Federal das diversas Comissões e que vai participar
também e provocar mudanças.
Nós precisamos de mais mulheres. Ora, na nossa
composição de Relatoria, de Presidência, nós não temos nenhuma
mulher, com exceção das nossas Consultora Legislativa e
Secretária Executiva, que têm um papel importante. Mas isto é
o reflexo do Brasil: que nós não ocupamos na Mesa, como
Deputadas, o nosso lugar.
Então, minha gente, eu acho que, com essa provocação,
essas nossas mudanças, essa nossa participação em São Paulo,
esse movimento de mulheres que está acontecendo agora na
Amazônia, as Parlamentares participando e pedindo mais
mulheres na política, a gente pode conseguir isso não só nessa
discussão da reforma, mas em cada espaço que a gente tiver. É
preciso a gente verdadeiramente ocupar o nosso espaço. E eu
faço um desabafo. Nesse pouco tempo que estou aqui, eu
procurei ocupar espaço e estou procurando, não só aqui na
discussão da reforma política, mas em outros
espaços.
E sou sozinha em outras Comissões. Estou na Comissão da
Transposição do Rio São Francisco, lutando pelo empoderamento
das mulheres lá também. Então, a gente vê aqui de todos os
bancos internacionais uma preocupação com o empoderamento da
mulher. Alguns repasses de verbas são feitos na perspectiva
social, por exemplo, o repasse para uma creche. Uma creche
empodera as mulheres, porque vão ter um local para colocar os
filhos e aí vão participar ativamente como trabalhadoras e
como políticas também.
Então, eu acho que, em todas as ações pudermos fazer na
nossa vida, nós vamos conseguir isso. E o futuro pertence
efetivamente a Deus, mas nós podemos fazer a nossa parte e
construir aqui. Eu acho que cada uma aqui tem procurado fazer
essa construção e cada vez mais eu peço que a nossa imprensa
possa fazer a divulgação dessa maior participação das pessoas
na vida pública.
Mas eu tenho certeza de que o Brasil quer ser cada vez
mais transparente e nós vamos ser transparentes com as nossas
ações aqui, cada um com sua afinidade, quer seja educação,
quer seja saúde, podendo fazer o melhor de si. E eu tenho
certeza de que esta Comissão tem a representação do meu
Estado, do Deputado Marcus Pestana, que é um grande estudioso.
Vejo-o aflito, por causa de muita coisa em que ele acredita,
baseado nos cientistas políticos, na literatura que ele se
debruçou, há muitos anos estudando.
Vejo o Deputado Marcelo com uma sensibilidade incrível.
Depois de participar de inúmeras Comissões de reforma
política, ele se lembra do seu Estado, coloca na sua cartilha
aspectos regionais. Ele foi um professor nosso aqui, mas, mais
do que isso, fez de nós mulheres professoras do professor
Marcelo, porque a primeira cartilha que ele mostrou, como
Deputado, não contemplava nada das mulheres. Agora, ao final
dos trabalhos, ele foi capaz de contemplar, por um texto, a
maior participação das mulheres.
Então, agradeço muito a ele e tenho certeza de que o
nosso Presidente Rodrigo Maia vai fazer essa conclusão dos
trabalhos e mostrar para o Brasil e para o mundo que nós
precisamos dessa mudança e que vamos realizá-la. Cada um de
nós aqui foi responsável por essa mudança e o Brasil inteiro
está acompanhando quem participou dessa mudança. E isso vai
nos tornar fortes, nós que participamos efetivamente aqui.
Ainda que as pessoas possam discordar da nossa opinião final
sobre os temas, vão saber da nossa participação, do nosso
desejo e da nossa força aqui para efetivamente mudar este
País.
Muito obrigada.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Antes de passar a
palavra para a Deputada Josi Nunes, quero dizer que o Relator
não estava presente, mas que eu participei da negociações com
ele ontem em relação às mudanças que vieram no texto de
hoje.
Eu sempre fui defensor de que nós não deveríamos
legislar sobre os temas do Senado ou que nós deveríamos
ajustá-los com o Senado antecipadamente, já que, do nosso
ponto de vista acho que de todos aqui , poderíamos ter algo
aprovado, uma emenda aprovada, já para a próxima eleição, para
a eleição do próximo ano.
Então, eu quero dizer que ele incluiu no texto aquilo
que nós entendemos que era o que eles aceitavam quando
conversamos com alguns Senadores. Então, talvez possa não ser
o melhor texto, mas também não acho que isso seja o mais
grave. Eu acho que há temas que são mais importantes do que
esse.
Eu sempre fui contra o fim da reeleição, porque eu
entendia que a mudança de 4 anos para 5 anos iria gerar essa
polêmica em relação a como ajustar a coincidência de mandatos.
Então, por isso eu achava que esses temas não deveriam ser
tratados, mas fui voto bem minoritário nesta Comissão. A
maioria quis os 5 anos, com o fim da reeleição e com a
incoincidência de mandatos. E isso gera dificuldades para que
se feche uma equação sem polêmicas.
Então, eu tenho que fazer esse posicionamento para a
Comissão e para todos, porque essa foi uma decisão que passou
por ele, mas passou também pela minha tentativa de convencê-lo
de que era melhor nós incorporarmos textos do Senado do que
ficarmos num pingue-pongue de emenda constitucional. Se fosse
projeto de lei, era mais fácil, mas de emenda constitucional
gera muito mais dificuldade. E acho que esse foi o
motivo.
Agradeço ao Relator por ter acolhido algumas mudanças
que podem até não serem aprovadas na terça-feira aqui, mas eu
acredito que vão gerar uma ampliação do nosso debate para que,
na terça, esse texto, ou um texto um pouco menor que esse, ou
um pouco diferente desse possa ser aprovado por ampla maioria
nesta Comissão.
Então, eu vou esperar só o Deputado Marcelo Castro
retornar. A Deputada Josi Nunes está dando entrevista. É
melhor esperar, né? (Pausa.)
A SRA. DEPUTADA
JOSI NUNES - Bom, Presidente, eu na
verdade...
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Eu vou indicar o
Deputado Marcus Pestana como Relator substituto aqui para que
ele possa entregar oficialmente ao Relator qualquer ideia que
você tenha.
A SRA. DEPUTADA
JOSI NUNES - Perfeito, ótimo. Inicialmente, eu quero
parabenizar todo o trabalho que foi feito por esta Comissão,
pelo Presidente, pelo Relator, por todos os membros da
Comissão. Eu quero agradecer ao meu partido, o PMDB, porque me
indicou como membro titular desta Comissão. Mas agradeço
especialmente às mulheres do PMDB. Foram elas que indicaram o
meu nome para fazer parte desta Comissão, pela qual eu tinha
um interesse muito grande. E aprendi muito, aprendi, discuti
esse tema no meu Estado. A Comissão foi ao Tocantins, foi um
encontro muito positivo. Então, o resultado que se está tendo
aqui hoje é muito positivo para todos.
Ouvi aqui alguns questionamentos sobre se esse
relatório é o melhor ou não é o melhor. Vai ser difícil fazer
uma avaliação como essa. O relatório é fruto da complexidade
deste Parlamento são tantas ideias, são tantos partidos,
cada um com uma posição , ele é resultado desse
trabalho.
Participei ativamente de todas as discussões, de tudo,
mas, na hora em que o Relator leu o relatório ontem, eu
destaquei dois pontos que estavam me preocupando muito. Um já
foi parcialmente resolvido no relatório, com relação ao que eu
considero uma injustiça com Vereadores e Prefeitos, o
mandato-tampão de 2 anos. Então, isso parcialmente foi
resolvido: está no relatório agora a coincidência para 2022.
Eu acho que não seria justo um mandato de 2 anos com os nossos
candidatos a Vereadores e Prefeitos e nem com o povo. O que um
Prefeito e um Vereador iriam fazer num mandato de 2 anos?
Então, isso já foi alterado no relatório.
Mas, Deputado Marcus Pestana e depois eu vou falar
também com o Deputado Marcelo Castro , esse relatório não é
justo num ponto. Eu vou pegar um ponto. Eu não concordo com
mandato de 10 anos para Senador e alguns outros itens, mas eu
acho que eles acabam ficando mais secundários devido aos
avanços que nós estamos tendo.
O relatório não contempla algo que é importante, que é
a justiça com a maioria do eleitorado brasileiro, que são as
mulheres mesmo. Nós somos poucas. Temos discutido isso aqui,
mas a nossa voz ainda não foi ouvida. E nós queremos pedir ao
Relator que altere esse aspecto no relatório, queremos pedir o
apoio dos Parlamentares homens deste Congresso. O Relator
colocou no seu relatório que:
No sistema eleitoral adotado, é também
constitucionalmente questionável a ideia de estabelecer quotas
de vagas para a representação feminina, uma vez que isso
significaria dar valores diferentes aos votos de quem escolheu
um candidato homem e de quem escolheu uma candidata
mulher.
É esse item que eu quero reforçar. Eu quero dizer que,
quando nós não temos a igualdade, nós temos que adotar medidas
compensatórias, medidas afirmativas. Isso serve para minimizar
as desigualdades que nós temos, o que é fato no Brasil com
relação à isenção da mulher no
Parlamento.
Eu quero deixar claro para a Comissão, para a Mesa e
para o Relator que não tenham essa preocupação com relação à
constitucionalidade, porque o próprio Supremo, ao definir,
avalizar e votar as cotas de vagas para negros e índios nas
universidades do Brasil, já deu o parecer de que isso é
constitucional. E esse pensamento nós podemos trazer para
cá.
Então, por unanimidade, os Ministros do STF votaram a
favor de reserva de vagas para negros e índios, para seleção
de estudantes na UNB. Foi questionada por um partido político
essa questão. O Relator à época, Ricardo Lewandowski, afirmou
que políticas de ações afirmativas têm o objetivo de superar
distorções sociais historicamente consolidadas. A Constituição
Federal preconiza objetivos fundamentais, como a construção de
uma sociedade livre, justa e solidária.
Então, as cotas não colidem com a Constituição como ele
colocou no seu relatório. Ao contrário, contribuem para que
todos possam ter igualdade. O objetivo das ações afirmativas é
combater a discriminação de fato arraigada na sociedade e
promover a harmonia e paz social.
Em cima disso, em cima do parecer que já foi dado por
algo que é semelhante, nós queremos pedir ao Relator que mude
o seu parecer com relação a esse aspecto e que inclua no seu
relatório a quota de 30% de cadeira para as mulheres, para que
nós possamos promover a igualdade de gênero neste relatório
tão importante.
Esse avanço é preciso que
aconteça.
O SR.
PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) -
Obrigado.
Com a palavra a Deputada Gorete. (Pausa.)
Com a palavra o Deputado José
Fogaça.
O SR. DEPUTADO
JOSÉ FOGAÇA - Obrigado, Sr.
Presidente.
Antes de mais nada, gostaria de cumprimentar V.Exa.,
Sr. Presidente, pelo trabalho realizado até aqui, trazendo com
muita determinação, com muito tirocínio, com seriedade, com
afinco, o trabalho de uma Comissão tão complexa, tão
diversificada e tão plural como esta.
Quero cumprimentar também o Relator, que está, neste
momento, atendendo à imprensa. Todos nós sabemos a que
pressões e a que injunções ele foi submetido: de um lado, o
plenário; de outro lado, o seu partido político, a opinião
pública e a imprensa. Enfim, não é um momento nada fácil para
quem tem que construir um relatório coerente, minimamente
compreensível e aceitável pela sociedade
brasileira.
Sr. Presidente, eu queria começar minha fala fazendo
uma observação sobre o chamado voto distrital misto, que é o
voto que perdeu para o distritão quando o Relator fez a
compilação, quando ele recolheu informações junto aos membros
da Comissão sobre qual seria, enfim, o adotado no seu
relatório.
Queria dizer a V.Exa. que ontem, numa longa conversa
com um cientista político, ele ofereceu uma alternativa
interessante: um sistema distrital misto que fosse estanque,
que separasse o que é distrital e o que é proporcional, de
modo que não houvesse a interferência de que quem é candidato
em distrital não pudesse ser candidato em proporcional. E o
sistema proporcional a ser adotado no sistema misto seria o
proporcional de lista aberta atual. Isso teria o condão de
trazer para o distrital misto muitas pessoas que não aceitam a
lista fechada ou a lista preordenada, porque nós sabemos do
fenômeno do caciquismo político, dos donos de partido no
Brasil.
Há uma resistência enorme contra a lista fechada por
parte da sociedade, porque não se enxergam os nomes, só se
enxerga a sigla partidária por parte dos candidatos, visto que
eles estão realmente submetidos a um preordenamento fixado em
convenção, mas geralmente manipulado pelos caciques
partidários. Dessa forma, se o sistema fosse proporcional
aberto, haveria uma liberdade, o modelo seria exatamente o que
agora elege os Deputados, de modo que nós teríamos metade pelo
distrital tradicional, pelo distrital uninominal, e a outra
metade pelo proporcional de lista aberta. Seria uma pequena
inovação em relação ao modelo alemão, sem que isso viesse a
prejudicar a tentativa de produzir um
equilíbrio.
Dito isso, Sr. Presidente, queria dizer que esse seria
o modelo, na minha opinião, que deveria ser adotado por esta
Casa, pela Câmara dos Deputados. Acho que o relatório é
competente, tem conteúdo, tem trabalho, tem a diligência
pessoal do Relator, um homem operoso, dedicado, que merece os
maiores encômios, Sr. Presidente.
No período que passei no Senado, eu convivi com duas
figuras maravilhosas um de esquerda e outro de direita,
ambos eram gênios, Sr. Presidente: Darcy Ribeiro e Roberto
Campos. Tive oportunidade de ser colega de ambos. Roberto
Campos dizia que a estatística é como um biquíni, que mostra
tudo, menos o fundamental. Em relação ao relatório do Relator
Marcelo Castro, sou obrigado a dizer que concordo com tudo no
relatório, menos com o fundamental. A única parte com a qual
eu não concordo é, realmente, quando ele trata da questão
relativa ao sistema eleitoral e ao financiamento de campanha.
Mas essa é uma posição pessoal, que tem que se coordenar com
as demais posições na busca de um senso comum, um sentido
comum no nosso trabalho.
De
qualquer maneira, ainda persisto, Sr.
Presidente, na ideia de que o sistema distrital misto pode ser
a solução, se for adotada a linha da proporcionalidade aberta,
da lista aberta, e se nós entendermos que é possível, sim,
realmente redimir a política com o povo brasileiro, proibindo
definitivamente a presença das empresas privadas nas campanhas
políticas.
Era isso o que tinha a dizer, Sr.
Presidente.
Deputado
Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Leônidas Cristino. (Pausa.)
As inscrições já estão encerradas, mas vou passar a
palavra aos que se inscreveram posteriormente, se
eles quiserem falar antes de eu encerrar a
sessão.
Tem a palavra o Deputado
Silas Câmara e, em seguida, o Deputado
Ronaldo Fonseca.
Sr. Presidente Rodrigo Maia, Sras. e Srs.
Deputados, é óbvio que nesta
não se obriga o Deputado ou a Deputada a estar presente
fisicamente nesta Comissão, constantemente, para estar
atualizado do cronograma, dos temas e da condução desta
Comissão, dos seus procedimentos para chegar a um relatório
final.
Sr. Presidente, eu observo haver muita preocupação
sobre o que a imprensa vai dizer ou deixar de dizer. Conheço
há vários mandatos, chegamos juntos a esta .
Sinceramente, o que menos me interessa é o que a imprensa vai
dizer, porque a imprensa nunca vai adotar um relatório ou uma
matéria desta
como algo que foi feito com o raciocínio de se olhar o melhor
para a população. É impressionante, mas essa é uma sina da
política brasileira. Quando mais fraco o Parlamento, quanto
pior o
Marcelo Castro.
No
relatório anterior, eram 2 anos a
eleição.
vai
dizer assim: Nós já
mandamos algumas PECs para a
Ronaldo Fonseca, para encerrar.
O SR. DEPUTADO
RONALDO FONSECA
pela
condução dos trabalhos. Estou acompanhando, mesmo de fora, mas
acompanhando a condução sempre competente de
e, obviamente, também acompanhando nosso Relator Marcelo
Castro. Fui membro da Comissão de reforma política que foi
presidida pelo Deputado
Henrique Fontana, e o Deputado
Marcelo Castro também era membro. Fomos, então, companheiros
ali.
Eu nutro pelo Deputado
Marcelo Castro um respeito muito grande e gostaria muito que
ele estivesse aqui para me ouvir. Respeito, obviamente, seu
trabalho e o trabalho de todos os membros desta Comissão.
Obviamente,
Marcelo Castro, há de ver a minha crítica a reformas políticas
feitas por esta que,
a meu ver, nós não temos condições de fazer reforma política,
infelizmente. Entendo assim. Este relatório outros virão
me convence exatamente disso. Gente, legislar em causa própria
é complicado! Está claro! Legislar em causa própria é quase
impossível. Meus amigos e minhas amigas, cortar na própria
carne, quem é que faz isso? Quem é que vai cortar na própria
carne? Sobre a Lei da Ficha Limpa, eu pergunto a
construiu
nesta
em relação a relacionamentos e por sua competência , deixe-me
lhe dizer algo. Se eu pudesse aconselhá-lo se eu pudesse
aconselhá-lo, porque acho que não tenho idade nem experiência
para isso , eu ia dizer: Relator, mexa pouco. E,
com todo respeito, rebole pouco, mexa pouco, não faça muita
coisa, não, pelo amor de Deus, senão nós vamos perder todo o
trabalho. Vamos corrigir o que está aí apenas, é só
correção o que a sociedade quer. Nosso sistema não é tão
perverso como estão dizendo, não. São setores da imprensa e
alguns grupos interessados que criam o grande vilão.
Vou
dar só um exemplo em relação a partido político. Os pequenos
partidos políticos são os vilões? Partido político pequeno é o
vilão do problema eleitoral e político do ?
Aí, nós vamos criar cláusula de barreira, vamos criar não sei
o quê. Gente, só para reflexão de