|
CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DE DEFESA NACIONAL
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 14ª REUNIÃO ORDINÁRIA DE
AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA EM 14 DE MAIO DE 2015
|
Às
dez horas e trinta e oito minutos do dia quatorze de maio de dois mil e
quinze, reuniu-se a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional,
no Anexo II, Plenário 11 da Câmara dos Deputados, sob a presidência da
Deputada Jô Moraes – Presidente. Compareceram os
Deputados Subtenente Gonzaga – 3º
Vice-Presidente; Antônio Jácome, Arlindo Chinaglia, Átila Lins, Chico
Lopes, Claudio Cajado, Deley, Eduardo Barbosa, Ezequiel Fonseca, Jarbas
Vasconcelos, Jean Wyllys, Jefferson Campos, Marco Maia, Marcus Vicente,
Nelson Marquezelli, Pastor Eurico, Rubens Bueno e Stefano Aguiar - Titulares; Cabo Daciolo, César
Messias, Daniel Coelho, Eduardo Bolsonaro, Eros Biondini, Goulart, João
Gualberto, Lucio Mosquini, Luiz Carlos Hauly, Luiz Nishimori, Major
Olimpio, Raul Jungmann e William Woo – Suplentes. Compareceram também
os Deputados Carlos Gomes, Carlos Henrique Gaguim, Fábio Sousa, Felipe
Maia, Geovania de Sá, João Derly, Leonardo Quintão, Missionário José
Olimpio, Paulo Freire, Professor Victório Galli, Ronaldo Fonseca, Ronaldo
Martins, Sóstenes Cavalcante, Tenente Lúcio e Wadson Ribeiro, como não
membros. Deixaram de comparecer os Deputados Arthur Oliveira Maia, Benito
Gama, Carlos Zarattini, César Halum, Eduardo Cury, Henrique Fontana, Ivan
Valente, Luiz Lauro Filho, Paulo Abi-Ackel e Takayama. Apresentaram
escusas os Deputados Bruna Furlan, Heráclito Fortes, Rômulo Gouveia e
Rosangela Gomes. ABERTURA: a Presidente deu
início à Reunião Ordinária de Audiência Pública, com o objetivo de
debater
acerca de perseguições que têm sido registradas contra cristãos,
praticadas por grupos radicais islâmicos. Explicou que a
realização
da reunião decorria da aprovação do
Requerimento
nº 24, de 2015, aprovado na Comissão, de autoria do Deputado Antônio
Jácome.
Em
seguida, convidou a compor
a Mesa
o Ministro
Alexandre Peña Ghislen, Diretor do Departamento de Direitos Humanos e
Temas Sociais do Itamaraty; o Sheik Jihad Hassan Hammadeh, Presidente do
Conselho de Ética da União Nacional Islâmica (UNI); o Pastor José Roberto
Martins Prado, Coordenador do Projeto “Mais” Refúgio, da ONG “Mais”
(Missão em Apoio à Igreja Sofredora); Uziel Santana dos Santos, Presidente
da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE); e Máisel Rocha,
Presidente da Missão Mundo Muçulmano (M3). Em seguida, passou a direção
dos trabalhos ao Deputado Antônio Jácome. O Presidente concedeu a palavra
ao Sheik Jihad Hassan Hammadeh, Presidente do Conselho de Ética da União
Nacional Islâmica (UNI) que cumprimentou os presentes,
agradeceu o convite para a reunião e iniciou sua exposição explicando os
preceitos da religião islâmica que, segundo ele, tinha como princípio
básico a crença em um único Deus, que em Árabe era Allah. Explicou que os muçulmanos não
adoravam Maomé porque ele era humano, era apenas um mensageiro como os
demais. Afirmou que era necessário buscar informações na fonte para que se
tivesse conhecimento real e para que ela não fosse deturpada, evitando
preconceito, discriminação, hostilidade, generalização e assim por diante.
Explicou que os muçulmanos acreditavam que a religião era única, de Deus e
que era o conjunto de regras e leis que Deus determinou para que fossem
seguidas pelos servos para que vivessem felizes e em harmonia. Citou que
os homens foram criados com o propósito de se conhecerem e de terem
ligação uns com os outros e não para se digladiarem. Ressaltou que
Cristianismo, Judaísmo e Islamismo eram apenas atualizações das leis de
Deus, pois somente Ele podia criar e atualizar as escrituras. Afirmou que,
como muçulmano, não reconhecia os grupos que se denominavam Estado
Islâmico, Boko Haram e outros. Ressaltou que existiam 1,5 bilhão de
muçulmanos e que a religião islâmica não pregava o que esses grupos
defendiam. Ressaltou que essas pessoas tiravam o texto de um contexto e
seguiam como queriam, entendiam as escrituras como queriam para chegar a
um objetivo que determinavam, eram mercenários que buscavam a religião
para se justificarem. Classificou esses grupos como extremistas e
fanáticos e afirmou que podiam chamá-los de muçulmanos, cristãos, judeus,
ateus e outros. Afirmou que suas ações não beneficiavam os muçulmanos,
pelo contrário, os prejudicavam. Além disso, esses grupos matavam mais
muçulmanos que cristãos. Ressaltou que o que ele conhecia do Islã e dos
muçulmanos não era esse grupo que aparecera recentemente e que tinha uma
propaganda muito forte, mas sim os 14 séculos de contribuição do Islã e
dos muçulmanos à civilização ocidental e à humanidade. Finalizou afirmando
que, atualmente, não se passava por nenhuma área do conhecimento sem
passar pela contribuição dos muçulmanos e que era isso que tinha que ser
ressaltado. Nesse momento, o Presidente passou a palavra ao Pastor José
Roberto Martins Prado que cumprimentou a todos e iniciou a exposição
dizendo que estava honrado em estar na Comissão abordando aquele tema.
Ressaltou que havia uma nova onda de perseguição que não atingia somente
os cristãos, era generalizada, e se tratava de uma questão de violação de
direitos humanos fundamentais do qual o Brasil era signatário. Citou, como
exemplo, a rede criminosa de narcotráfico na Colômbia que perseguia a
igreja na tentativa de controlar o território e informou que naquele país
havia mais de 1 milhão de cristãos sofriam perseguições. Disse, também,
que ocorriam perseguições à igreja nos Estados com ideologia
comunista/socialistas como China, Coreia do Norte e Cuba em diferentes
graus. Afirmou que a Coreia do Norte era uma exceção, mas também perseguia
a igreja. Explicou que nos países onde era aplicada a lei Sharia a igreja
não tinha liberdade e sofria perseguição em diferentes graus e citou o
Estado Islâmico como o ator mais violento e fruto de uma série história de
violência a partir da revolução do Irã. Explicou que, atualmente, vivia-se
uma grande diáspora por causa de fatores econômicos, catástrofes mundiais
e perseguições religiosas e o Brasil ganhara fama de país estável,
democrático, de economia forte, fraterno e constituído de imigrantes por
isso o Brasil tem estava sendo procurado por diversas nacionalidades e
etnias em busca de abrigo e refúgio. Esclareceu que começara a trabalhar
especificamente com abrigo e acolhimento de refugiados cristãos em
novembro de 2013 e naquele período houvera a aprovação de uma resolução
normativa pelo Comitê Nacional para Refugiados – Conare, que dava passe
livre a todos os cidadãos sírios que, independentemente do país onde
estivessem, ao procurar a embaixada brasileira, eles tinham a concessão do
visto e, ao chegar ao Brasil, poderiam pedir refúgio. Ressaltou que essa
resolução representara um marco histórico para o País e abrira as portas
ao grande número de pessoas provenientes da Síria que a ONG “Mais”
recebia. Informou que, segundo o Conare, em 2014 mais de 9.200 pessoas
receberam refúgio por causa do agravamento da crise no Iraque, África e
Ásia. Ressaltou que uma grande quantidade de africanos de várias etnias,
vítimas de perseguição, também estavam buscando o Brasil. Afirmou que esse
tema não envolvia apenas o Oriente Médio, a Síria e o Iraque. Informou que
nos 15 meses de atuação a “Mais” recebeu cerca de 160 refugiados e falou
em que consistia o Projeto “Mais” Refúgio.
Destacou que as leis brasileiras eram muito avançadas e que, em nenhum
outro país, o refugiado chegava e imediatamente conseguia retirar
documentos para se inserir no mercado de trabalho. No entanto,
defendeu que competia aos órgãos brasileiros se organizarem e
fazerem valer os direitos dos refugiados, uma vez que havia gargalos na
emissão de carteira de trabalho, além disso, muitos chegavam e tinham
dificuldade de acolhimento, não possuíam abrigo e ficavam nas ruas.
Defendeu, ainda, a criação de casa de passagem para refugiados e cursos.
Ressaltou que muitas coisas precisavam de aperfeiçoamento para que esse
acolhimento fosse efetivo. Ressaltou que a população brasileira era muito
receptiva, mas era preciso aprender a lição da história, pois as nações
que fizeram um bom trabalho na integração e socialização dos que chegavam,
viviam um momento de paz e de estabilidade. No entanto, locais em que não
havia acolhimento podia gerar violência. Esclareceu que se o País abrisse
as portas para acolher seria necessário que se criasse mecanismos de
integração social. Ressaltou que as comunidades cristãs, evangélicas,
ortodoxas, as mesquitas eram comunidades importantíssimas na execução
desse acolhimento. No entanto, elas estavam sobrecarregadas. Concluiu
alertando que entre os acolhidos encontravam-se muitas pessoas com nível
superior em várias áreas, porém elas não estavam conseguindo ingressar no
mercado de trabalho porque estavam tendo dificuldades com o reconhecimento
do diploma. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao Uziel Santana dos
Santos que agradeceu o convite e disse que a Anajure, nos últimos anos,
vinha trabalhando no Brasil e no exterior contra o que a Organização das
Nações Unidas chamava de genocídio e não de perseguição. Afirmou que o
primeiro direito humano fundamental era a liberdade religiosa e que se
estava vivendo em um contexto em que minorias estavam sendo massacradas,
como os Yazidis e os Curdos que estavam sofrendo na guerra da Síria. Disse
que existiam dois tipos de violência: a chamada real, que levava inclusive
à morte; e a chamada simbólica, que não resultava em morte ou violação de
pessoas, mas também, segundo o expositor, revestia vários países
ocidentais quando se falava em países cristãos em geral. Citou que no
Brasil não existia violência real, mas existia a simbólica, perpetrada por
discursos, por entes governamentais e inclusive pelo mundo acadêmico.
Disse que iria falar sobre a violência real que estava ocorrendo na Síria,
Iraque, Paquistão, Nigéria e Irã, entre outras. Informou que há dois anos,
a Agência Internacional de Notícias, Reuters, divulgou um relatório de
organismos internacionais que trabalhavam com direitos humanos em que
constava que mais de 100 milhões de cristãos haviam sido massacrados, nos
últimos anos, pela onda de violência que acontecia especialmente no
Oriente Médio, na África e na Ásia. Disse que quando o nazismo foi
implantado na Europa existia uma política praticada pelo governo alemão
naquele contexto nazista que dizia que todas as mazelas sociais,
econômicas, políticas que ocorriam na Europa em geral era de
responsabilidade dos judeus. Hoje vivia-se algo semelhante, ou seja, tanto
na sociedade ocidental, por conta da violência simbólica, a força, a
pressão do secularismo, do ateísmo, e de outras ideologias, como no país
em que ocorria a violência real, havia uma ideia predominante de que
grupos como os cristãos eram responsáveis pelas mazelas daquela
localidade. Dessa forma, os Yazidis e os Curdos, muitos deles muçulmanos,
estavam sendo dizimados no Oriente Médio pelo grupo Estado Islâmico,
justamente porque eles eram considerados os novos judeus desse contexto.
Informou que isso estava sendo relatado por organismos e governos
internacionais. Falou que a Anajure estava tentando, por meio de parceiros
internacionais, da Frente Parlamentar para ajuda humanitária e refugiados
da Câmara dos Deputados, de organismos brasileiros e de outros organismos
ligados à religião islâmica, fazer com que o Brasil, um protagonista no
cenário internacional, principalmente econômico, inclusive como principal
parceiro econômico da Nigéria, um dos países que estava do topo da lista
de violação e genocídio de cristãos, tivesse uma participação mais
efetiva, uma vez que ele estava inserido nesse cenário econômico
internacional favorável. Citou a abstenção do Brasil, em sessão do
Conselho da ONU, em votação do relatório que mostrava e recomendava a
apuração e condenação do que estava acontecendo na Síria por parte do
governo, por parte dos grupos radicais e etc. Defendeu que a intervenção
não era a única solução, mas o Brasil poderia contribuir efetivamente
nesses casos. Destacou que a preocupação
atual da Anajure era que os países considerados eram estados nacionais
confessionais de maioria muçulmana que aplicavam a lei Sharia estavam
usando a religião muçulmana para oprimir. Finalizou dizendo que a ideia do
movimento do qual participava era fomentar para que esses países pudessem
abolir leis, como a da
blasfêmia. Passou a palavra a Máisel Rocha que parabenizou a Casa pela
iniciativa de discutir um tema tão necessário e urgente nesse tempo em que
vivemos. Explicou que estudava havia 17 anos o fenômeno religioso do Islã
e estava ali para analisar esse viés teológico religioso. Esclareceu que a
pergunta que se tinha que responder era: se somos só uma religião porque
os cristãos estão sendo perseguidos e duramente oprimidos por um país de
maioria muçulmana? Ressaltou que existiam cerca de 1,6 bilhões de
muçulmanos no mundo e a grande maioria eram pessoas extremamente honradas,
gente de bem, com altíssimos valores religiosos, com profunda devoção
religiosa, homens e mulheres com valores altamente sólidos. Portanto,
segundo o expositor, havia que se separar o Islamismo (religião) do
muçulmano (o seu adepto). Falou que era muito importante fazer essa
distinção e que, ao fazer isso, comprometia-se a recorrer a fontes
originais a respeito do fenômeno religioso do islamismo para explicar.
Explicou que fontes eram o Alcorão e o Livro “The life of Muhhamad”, a
primeira biografia escrita sobre o profeta Maomé. Afirmou que para
entender o Islã era importante que se recorresse a essas duas fontes
respeitadas, deixando que o Islã falasse por si. Explicou que um termo
muito em voga é o Islanofobia, preconceito contra muçulmanos,
principalmente por causa de atos terroristas e dificuldade sócio-políticas
perpetrados por alguns muçulmanos, cujas consequências recaiam em muitos
muçulmanos, principalmente no Ocidente. Esclareceu que, ao invés de usar o
termo islanofobia, usaria o termo muçulmanofobia. Disse que esse
preconceito precisava ser reprimido, condenado e que os muçulmanos
precisavam ter seus direitos respeitados como qualquer outro cidadão.
Defendeu que o preconceito contra muçulmanos simplesmente por serem
muçulmanos era crime de discriminação. Portanto, precisava-se encorajar
esse tipo de política, não se podia discriminar alguém por credo,
religião, orientação sexual, posição política, seja lá o que fosse.
Afirmou que, para entender o Islã, era necessário recorrer ao Alcorão e à
Suna do profeta, que consistia no exemplo que Maomé deixou para ser
seguido não só pelos muçulmanos. Falou sobre o islã, esclareceu que o
preconceito contra os muçulmanos tinha raízes no Alcorão, explicou os seus
períodos de revelação e relatou a escalada de violência contra cristãos e
judeus após a morte do profeta. Ressaltou a importância de se separar os
muçulmanos do Islã porque a grande maioria deles não concordava com a
prática dessa violência e destacou que da totalidade de muçulmanos cerca
de 400 milhões são chamados extremistas. Afirmou que existe no Alcorão
cerca de 79 ou 149, dependendo da interpretação das pessoas, versos que
incitavam a violência. Sugeriu que os presenta àquela reunião lessem o
livro sagrado em busca desses versos e para conhecer os pilares da fé
islâmica. Falou sobre a lei Sharia e que onde ela vigorava não havia
espaço para a democracia. Afirmou que o Brasil ocupava o primeiro lugar no
ranking, entre as maiores nações, nos quesitos não intervenção do Estado
na religião das pessoas e finalizou defendendo que era fundamental que a
Câmara dos Deputados, com base nesses princípios, agisse em função
daqueles que estavam pagando com suas próprias vidas por esses paradigmas
ideológicos. Passou a palavra ao Ministro Alexandre Peña Ghislen que
agradeceu o convite e disse que a discussão daquele tema era muito ampla e
ultrapassava a política externa. Ressaltou que concordava com muitos
pontos apresentados naquela reunião e chamou a atenção para o fato de que
a questão religiosa era um tema atual e que se encontrava em muitos
países. Acrescentou que a intolerância religiosa não era um tema novo,
sendo, inclusive, a razão pela qual os direitos humanos entraram na Carta
das Nações Unidas, por causa do holocaustro. Em relação aos fenômenos mais
recentes de intolerância religiosa e à islanofobia, disse que serviu o
Brasil, na última década, na Suíça e nos Estados Unidos e afirmou que ser
parecido com muçulmano não era fácil. Segundo o expositor, parecer-se com
um ou alguém ter a percepção, ainda que equivocada de que a pessoa poderia
ser muçulmano eram razões para ser abordado pela polícia, ter serviços
negados, não ter concessão de visto, etc. Chamou a atenção para a
perseguição aos cristãos e falou sobre um relatório das Nações Unidas pelo
direito de religião que estabelecia alguns marcos para o tratamento do
tema, que permitia entender as situações de tensões religiosas no mundo
todo nos dias atuais. O expositor afirmou que, segundo o relatório citado,
a religião era um dos fatores que estava presente em todas essas tensões,
mas dificilmente era a única. Estavam associados à religião, ou até
apareciam por detrás da religião, outros elementos, como questão de
identidade nacional, intolerância étnica e questões de exclusão social.
Disse, portanto, que não havia uma receita única para tratar a questão da
intolerância religiosa em sua especificidade e esses ódios que surgiam
contra o cristianismo, dificilmente se explicavam apenas por ódios
ancestrais. Eles tinham raízes atuais, diziam respeito a questões atuais
que falavam ao coração das pessoas que estavam envolvidas. Ressaltou que o
caso de maior visibilidade da discriminação dos cristãos era o daqueles
que viviam sob o domínio do Estado Islâmico. Afirmou que esse era,
possivelmente, um dos casos mais documentados no âmbito das Nações Unidas
sobre a intolerância religiosa. Citou os últimos relatórios apresentados
pela Comissão Independente Internacional de Inquérito das Nações Unidas
que tratava da situação da República Árabe da Síria. Disse que essa
comissão documentou os ataques que o Estado Islâmico fizera a igrejas em
2013 e 2014 e a pressão para que os muçulmanos se convertessem a Sírios.
Disse, também, que os documentos da Organização das Nações Unidas
mostravam que o principal alvo de ataque do Estado Islâmico não eram os
cristãos, mas sim os xiitas. Esclareceu que, em relação às ações do Brasil
diante da questão da intolerância religiosa, a questão de direitos humanos
era muito evidente. Falou que acreditava que esses direitos eram padrões
universais que o País tinha que ajudar a fazer valer em todo o mundo, mas
também existia a questão da paz e segurança e ressaltou que um dos
objetivos centrais do Brasil e de todas as nações que eram membros das
Nações Unidas era garantir a paz no mundo. Ressaltou que o que se tem
visto, atualmente, na atuação do Estado Islâmico, para além da perseguição
generalizada que eles cometiam, eram registros de violações de direitos
humanos cometidos por esse grupo, mas, do ponto de vista mais amplo de paz
e segurança propriamente dito, o que estava acontecendo era uma
possibilidade de uma mudança dramática do perfil demográfico do Oriente
Médio, especificamente da Síria. Afirmou que a possibilidade que se havia
visto surgir com a expansão do Estado Islâmico era a de uma redução
drástica da população cristã a ponto de se tornar demograficamente
irrelevante. Isso não necessariamente por morte, parte desses casos seria
por refúgio em outros países. Destacou que o Oriente Médio era uma região
instável, mas poderia se tornar ainda mais instável, o que seria ruim para
a paz mundial como um todo. Afirmou que a contribuição do Brasil nesse
caso era que o País havia se transformado em um lugar de refúgio para os
sírios. Disse que isso era importante, era uma solução humanitária, mas,
ressaltou que, com a vinda desses refugiados, não estaríamos resolvendo a
situação do Oriente Médio, mas, talvez, estaríamos consolidando uma
solução de exclusão daquela região, por isso o Brasil não poderia se
limitar a receber os sírios. Diante disso, explicou que o País estava se manifestando em
todos os fóruns internacionais e sobretudo na Organização das Nações
Unidas favoravelmente a qualquer intervenção a favor da liberdade
religiosa e a favor de qualquer manifestação contra a esteriotipização
religiosa ou étnica das pessoas em função de religião. Disse, também, que
as ações brasileiras não se limitava a isso e finalizou citando as
manifestações pública realizadas pelo Brasil em questões ligadas ao grupo
Boko Haram na Nigéria e do Estado Islâmico no Iraque. Em seguida,
o Presidente passou a palavra aos Deputados solicitantes. Fizeram usou da
palavra para comentários e questionamentos os Deputados Ronaldo Fonseca,
Stefano Aguiar, Jô Moraes, João Campos, Leonardo Quintão, Paulo Freire,
Luiz Carlos Hauly, Cabo Daciolo, Pastor Eurico, Goulart, Sóstenes e Fábio
Sousa. Em sequência, o Presidente franqueou a palavra aos
convidados, que atenderam e responderam as perguntas
formuladas. ENCERRAMENTO: Nada mais havendo
a tratar, o
Presidente agradeceu a presença dos convidados
e dos senhores parlamentares e encerrou os trabalhos às duas horas e vinte
e um minutos. E, para constar, eu ______________________, Edilson Holanda
Silva, Secretário-Executivo, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida
e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Antônio Jácome
______________________, e publicada no Diário
da Câmara dos Deputados.
x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-. |