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Às
quatorze horas e cinquenta e quatro minutos do dia vinte e oito de
abril de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão Especial destinada
a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 182, de
2007, do Senado Federal, que “altera os arts. 17, 46 e 55 da
Constituição Federal, para assegurar aos partidos políticos a
titularidade dos mandatos parlamentares e estabelecer a perda dos
mandatos dos membros do Poder Legislativo e do Poder Executivo que
se desfiliarem dos partidos pelos quais forem eleitos” (PEC da
Fidelidade Partidária), e apensadas, com a participação da Comissão
Especial destinada a efetuar estudo e apresentar propostas com
relação às matérias infraconstitucionais da Reforma Política –
CEREFPOL - no Anexo II, Plenário 08 da Câmara dos Deputados.
Registraram
presença os Deputados: Rodrigo
Maia - Presidente; Rubens Otoni, Marcus Pestana e Tadeu Alencar -
Vice-Presidentes; Marcelo Castro - Relator; Afonso Motta, Antonio
Bulhões, Chico Alencar, Indio da Costa, Josi
Nunes,
Lincoln Portela, Luciano Ducci, Marcelo Aro, Max Filho, Moema
Gramacho, Pedro Fernandes, Renata Abreu, Valtenir Pereira e Victor
Mendes - Titulares; Afonso Hamm, Átila Lins, Capitão Augusto, Elmar
Nascimento, Evandro Gussi, José Fogaça, Juscelino Filho, Marcos
Rogério, Margarida Salomão, Odorico Monteiro,
Orlando
Silva, Raquel Muniz, Samuel Moreira e Zé Carlos –
Suplentes;
todos
estes também integrantes da CEREFPOL, exceto o Deputado Samuel
Moreira. Compareceram
também os Deputados Assis Carvalho, Beto Rosado, Marcelo Matos,
Miguel Haddad, Nelson Marchezan Junior e Weliton Prado, não-membros.
Deixaram de comparecer os Deputados Alceu Moreira, Arthur Oliveira
Maia, Benito Gama, Carlos Zarattini, Daniel Almeida, Edmar Arruda,
Esperidião Amin, Henrique Fontana, Joaquim Passarinho, Milton Monti,
Renato Molling, Sandro Alex, Silvio Torres, Uldurico Junior e
Veneziano Vital do Rêgo.
Justificou
a ausência o Deputado Benito Gama. ABERTURA: Havendo número
regimental, o Presidente declarou abertos os trabalhos e colocou à
apreciação as Atas das
17ª e 18ª reuniões realizadas nos dias dezesseis e vinte e oito de
abril, respectivamente. Foi dispensada a leitura a pedido do Deputado Tadeu Alencar e, em votação, as atas
foram aprovadas sem ressalvas.
ORDEM DO DIA:
Audiência Pública para tratar do tema “Debate sobre a proposta
de reforma política: Sistemas Eleitorais e Financiamento de
Campanha”. Atendendo ao Requerimentos nº 40/2015, do Deputado
Marcelo Castro, foi convidado o Senhor Rui Falcão, Presidente do
Partido dos Trabalhadores (PT) que, na impossibilidade de
comparecimento, designou o Deputado Sibá Machado, Líder do PT para
representá-lo. O Presidente cumprimentou o convidado e ao anunciar a
Ordem do Dia, informou que aquela reunião seria uma Audiência
Pública interativa, com a possibilidade de os internautas enviarem
seus comentários e perguntas, ficando a critério dos parlamentares
repassá-las ao convidado, se assim desejassem. Ato contínuo, o
Presidente informou sobre os procedimentos que norteariam a reunião
e passou a palavra ao Deputado Sibá Machado. Ao término da
explanação, o Presidente concedeu a palavra aos inscritos para os
debates: Deputados Marcelo Castro, Chico Alencar, Henrique Fontana,
Afonso Motta, Moema Gramacho, Tadeu Alencar, Odorico Monteiro,
Margarida Salomão, Marcus Pestana, Assis Carvalho, Raquel Muniz e
Afonso Hamm. O
Presidente concedeu a palavra ao palestrante para responder aos
questionamentos e para suas considerações finais. Nada mais havendo
a tratar o Presidente encerrou os trabalhos às dezessete horas e
três minutos. E, para constar, eu ______________________, Regina
Pereira Games, lavrei a presente Ata, que, após lida e aprovada,
será assinada pelo Presidente, Deputado Rodrigo Maia
___________________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados. O inteiro teor foi gravado, passando os arquivos de
áudio, vídeo e notas taquigráficas a integrar o acervo documental da
reunião. x-x-x-x-
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DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL
Versão
para registro histórico
Não
passível de alteração
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COMISSÃO
ESPECIAL - PEC 182/07 - REFORMA
POLÍTICA |
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EVENTO:
Audiência Pública |
REUNIÃO
Nº: 0401/15 |
DATA:
28/04/2015 |
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LOCAL:
Plenário 8 das
Comissões |
INÍCIO:
14h54min |
TÉRMINO:
17h03min |
PÁGINAS:
47 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
- QUALIFICAÇÃO |
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SIBÁ
MACHADO - Deputado Federal Líder do Partido dos Trabalhadores na
Câmara dos Deputados, representante do Presidente Nacional do PT,
Rui Falcão. |
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Debate
sobre sistemas eleitorais e financiamento de
campanha. |
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Houve
exibição de imagens. |
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Declaro aberta a 19ª Reunião da Comissão
Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição
nº 182, de 2007, do Senado Federal, e apensadas — Reforma
Política.
Encontram-se à disposição dos Srs. Deputados cópias das Atas da 17ª
e 18ª Reuniões.
Pergunto se há necessidade da leitura.
O SR. DEPUTADO TADEU
ALENCAR - Peço dispensa, Presidente.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Pedida a dispensa da leitura, em votação as duas
atas. (Pausa.)
Aprovadas.
Daremos início à reunião de audiência pública, que atende a
requerimento do Deputado Marcelo Castro, Relator da Comissão, para tratar
do tema Reforma Política — Sistemas
Eleitorais e Financiamento de Campanha.
Convido para compor a Mesa o Deputado Sibá Machado, Líder do
Partido dos Trabalhadores, indicado pelo Sr. Rui Falcão, Presidente do PT,
para representá-lo nesta audiência.
Peço a atenção de todos para as orientações sobre esta
reunião.
Esta é uma audiência pública interativa. A sociedade civil poderá
participar com sugestões e questionamentos pelo endereço edemocracia.camara.gov.br.
Os Deputados poderão direcionar as sugestões e os questionamentos
aos convidados.
Quanto à exposição e ao debate, o tempo concedido ao palestrante
será de 15 minutos. Os Deputados interessados em interpelar o palestrante
deverão inscrever-se previamente junto à Secretaria. As perguntas serão
feitas ao final da palestra e deverão restringir-se ao assunto da
exposição, formuladas no prazo de 3 minutos, dispondo o palestrante
interpelado de igual tempo. Aos Deputados serão facultadas a réplica e a
tréplica pelo mesmo prazo.
Feitos os esclarecimentos, daremos início à
audiência.
Concedo a palavra ao Deputado Sibá Machado.
O SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO
- Sr. Presidente, Deputado Rodrigo Maia, Sr. Relator, Deputado Marcelo
Castro, em primeiro lugar, eu quero aqui pedir desculpas em nome do
Presidente Rui Falcão, que, dadas as tarefas que foram de emergência no
dia de hoje, ficou impossibilitado de vir a esta audiência, e me solicitou
que eu aqui viesse. Eu vou tentar retransmitir aqui o pensamento do PT
como instância partidária sobre esse tema da reforma
política.
Há aqui um conjunto de discussões com eixos principais e eixos que,
inevitavelmente, não estando como principais do debate, ainda assim esta
Comissão deles tem tratado e tem, com certeza, escutado muito do que a
sociedade comenta sobre esse tema.
Como eu estudei em escola rural, tive que fixar muito o olhar e
menos o ouvido, ver mais e ouvir menos.
Para
facilitar, e vou usar o microfone ali na frente. (Pausa.)
(Segue-se exibição de imagens.)
Do
que temos visto aqui nos debates da Comissão Especial temos, nos temas
centrais, temos os pontos 1 e 2, a matéria fulcral da discussão da
Comissão, que trata do sistema eleitoral e do financiamento das campanhas.
Do ponto de vista do PT, consideramos também mais dois pontos fulcrais: a
participação popular e a participação das mulheres. Então, do nosso ponto
de vista, esses quatro pontos são importantes demais. Eles devem ser
apreciados e, depois, apresentados como sugestão à sociedade.
Sobre os demais temas que vêm sendo discutidos ao longo dos debates
no Congresso Nacional e nas conversas, formais e informais, seja aqui
dentro, seja fora, temos acompanhado alguns que entendemos como muito
fortes: o que trata do fim da reeleição para o Poder Executivo; o que
trata da coincidência das eleições e dos mandatos, todos eles; o que trata
do mandato de Senador; o que trata da situação de suplência para o Senado;
o que trata do fim das coligações proporcionais e o que trata do voto
facultativo ou obrigatório.
É claro que há outros pontos sendo conversados, mas, do ponto de
vista do PT, nós detectamos esses como centrais.
Sobre o financiamento, é uma proposta já largamente difundida pelo
PT. É um dos pontos em que chegamos até a fechar questão no partido,
internamente. Como defesa no debate, entendemos que o financiamento deve
ser público e exclusivo.
A
única fonte de receita de candidaturas e de partidos políticos para
disputar uma eleição qualquer deve ser pelo sistema público e sem qualquer
outra fonte, seja de natureza individual, como o CPF, seja de natureza de
pessoa jurídica, como é o caso das empresas.
Algumas
razões que nós detectamos que seriam importantes para isso: primeiro, o
valor geral das campanhas seja previamente divulgado. À medida que o
orçamento é votado para cobrir despesas de um processo eleitoral, todas as
pessoas no Brasil podem ter acesso a essa informação; e isso não é
diferente para os próprios candidatos e para os próprios partidos. Aliados
ou adversários ficam previamente sabendo quanto que cada um vai ter de
receita para a campanha eleitoral.
Segundo,
isso possibilita que candidaturas de baixa renda ou de pouca capacidade de
arrecadação de terceiros não fiquem prejudicadas em relação àqueles que
têm mais recursos, seja de autofinanciamento, seja de receitas outras, que
facilitam candidaturas a ter, digamos assim, maior aparato para uma
disputa eleitoral. Como o financiamento público é exclusivo, podemos
deduzir que qualquer pessoa, de qualquer nível social, pode disputar uma
eleição com um mínimo de chance de vencê-la também, desde que as condições
de todos os candidatos fiquem minimamente parecidas.
Outro
ponto: amplia-se a transparência das campanhas, facilita a transparência,
isso porque, se o valor global de uma campanha eleitoral já está
divulgado... As candidaturas presidenciais têm um valor, as de Governador,
Senador, Deputado Federal e por aí vai. Se todas as campanhas já têm um
valor fixado, ou previamente fixado, fica muito mais fácil para a Justiça
Eleitoral, para o Ministério Público Eleitoral, para os chamados órgãos
oficiais da fiscalização sobre a lisura de um processo eleitoral,
fiscalizar o abuso de poder econômico, porque todos os candidatos saberão
minimamente quanto que cada um vai ter para suas campanhas e, como tal,
saber se aquela campanha, com seu aparato, está cumprindo minimamente essa
regra. Esse é também um elemento facilitador, um vetor muito importante,
no nosso entendimento.
Há
a questão da independência para os eleitos em relação aos financiadores.
Essa é uma reclamação, sendo ela verdadeira ou não, muito forte. Ao se
receber recursos de terceiros para financiar uma campanha eleitoral,
acaba, em algum momento, esse eleito sujeito, digamos assim, a uma
pressão, sujeito até a mudar de opinião na hora de uma tomada de decisão
por conta disso. Então, se o financiamento de campanha é público, e não
tem outro, os eleitos e as eleitas terão uma condição melhor de poder
cumprir o mandato, com um maior rigor, digamos assim, e independência.
Isso vale tanto individualmente, para a pessoa eleita, como para a sua
bancada e para o seu partido. Isso facilitaria mais, do nosso ponto de
vista.
Por
fim, isso força a discussão dentro dos partidos, melhorando o ambiente
interno de tomada de decisão e até de escolha das candidaturas.
Essa
é a linha de pensamento geral sobre o financiamento exclusivo de
campanha.
Sobre
voto e sistema eleitoral, um dos pontos que temos debatido muito na
Comissão Especial, e entendemos como muito importante, é a manutenção do
sistema proporcional da representação parlamentar nestas esferas: Câmaras
Municipais, Assembleias Legislativas, Distrital e Câmara Federal, porque
as demais não passam por isso. Segundo, que essas candidaturas pudessem
ser escolhidas através da lista preordenada pelos partidos em suas
convenções. Então, com a soma dessas duas coisas, o financiamento de
campanha sendo público e a votação em lista preordenada, mantendo a
proporcionalidade, estaria garantida, do nosso ponto de vista, uma
visibilidade maior e um compromisso maior de teses de responsabilidade
coletiva das bancadas eleitas para poderem fazer sustentações do ponto de
vista mais filosófico, ideológico, a partir da compreensão da escola de
política daquela bancada, daquele partido de que a pessoa participa. Isso
facilitaria fortemente nesses dois ambientes.
Agora nós temos uma contribuição do PT quanto ao que entendemos
sobre a participação direta.
Nós
debatemos lá no PT que, para se fazer uma reforma política muito mais
aprofundada, com um prazo mais apropriado para o amadurecimento que se faz
entre as forças e as correlações de forças políticas do nosso País, o
melhor seria que se pudesse pensar na ideia da Assembleia Nacional
Constituinte. É claro que é uma matéria já praticamente vencida, porém nós
sempre estamos lembrando ela.
No
Brasil, no período após a ditadura militar, coincidiu que os Deputados e
Senadores eleitos no ano de 1986 assumissem duas funções: as do Congresso
formal e as da Assembleia Nacional Constituinte para elaboração da
Constituição. É claro que o bom mesmo seria que a Assembleia Constituinte
tivesse sido exclusiva, para, em seguida, depois de promulgada a
Constituição, ser convocado o Congresso formal, mas foi assim.
O
bom para a reforma política seria uma Assembleia Constituinte. A sociedade
se pronuncia, os eleitos para essa situação apresentam um texto novo da
política, para essa reforma política, e, em seguida, dissolve-se a
Assembleia e o Congresso formal assume as suas funções, a partir dessas
novas orientações.
O segundo ponto trata de podermos ter um plebiscito nacional como a
direção dos rumos. Seria apostar no povo. É claro que o Congresso, pela
força constitucional, é representativo do interesse popular. Isso é claro
e está posto, mas nós entendemos que, no Brasil, o exercício do direito ao
plebiscito é muito pouco utilizado. Nós o utilizamos muito pouco. Outros
países, outras democracias têm feito esse exercício um pouco mais, e a
sociedade é sempre provocada a se pronunciar sobre determinados temas,
alguns mais complexos, outros mais simples. O Brasil executa pouco esse
exercício. Então, nós fazemos a defesa de que se pudesse pensar num
plebiscito nacional para a discussão de rumos.
Pelo
andar das coisas, é matéria também praticamente vencida, mas estamos
colocando isso aqui porque foi uma opinião trabalhada dentro do PT.
O terceiro ponto é que nós pudéssemos pensar num referendo. Em
relação a tudo o que sair da reforma política agora, da forma como a
Comissão trabalhar, com o Plenário das duas Casas podendo confirmar ou
alterar, esperamos que possamos ter um espaço para um teste, para um recall futuro.
O
recall, como estamos chamando aqui, não é o do
eleito, como se vê em outros países. Há casos até em que a pessoa se
elege, mas o povo diz que não quer mais a continuação daquele mandato e
propõe a sua retirada. Não é disso que nós estamos falando, mas das
experiências que vamos estabelecer dentro da política nacional.
Colocaríamos em apreciação nacional aquelas experiências que, num prazo X,
se revelarem insuficientes, inadequadas, de baixa utilização, ou que não
mudarem muita coisa, e a sociedade diria: “Sobre esse tema, propomos a
supressão”. Então, seria um referendo daquilo que sair da nossa
discussão de reforma política.
Há também os projetos de lei de iniciativa popular. Aí é outra
experiência que o PT quer sempre trazer para esta Casa. Independentemente
da discussão da reforma política, o PT quer manter acesa essa discussão
que diz respeito às matérias de iniciativa popular.
Hoje,
no Brasil, todos aqui sabem que é necessário um número muito alto — 1% do
eleitorado nacional, dividido em cinco Estados — para ser aceita uma
matéria para tramitação aqui nesta Casa. Então, nós queríamos discutir a
possiblidade de se reduzir um pouco isso, pelo menos criando alguns
critérios, como: sobre os temas tais e tais, segue a regra comum, mas, nos
temas A, B e C — quem sabe, eu não tenho nenhum aqui para citar como
experiência —, se exigiria uma simplicidade maior. Para alguns temas,
haveria uma complexidade um pouco maior; para outros, um pouco menor, e
assim por diante. Isso é em relação às assinaturas para se
protocolar.
Quanto à tramitação, como nós sabemos, uma proposta de emenda à
Constituição é matéria exclusiva do Congresso Nacional. Como tal, ela tem
um rito próprio de tramitação. O Poder Executivo pode editar medidas
provisórias e projetos de lei com pedido de urgência. São dois casos em
que o Poder Executivo insere no Poder Legislativo matérias com regras de
tramitação próprias. Quando nós tratamos de projeto de iniciativa popular,
ele entra na vala comum. Então, nós poderíamos também fazer um esforço
para encontrar uma forma de tratar projetos de iniciativa popular com uma
tramitação também um pouco mais exclusiva, mais própria.
O quarto ponto de alta prioridade para o PT é a participação das
mulheres na política.
Antes
de falar disso, eu quero só fazer um parêntese. Comumente, quando fazemos
esse debate de que as mulheres deveriam ter um espaço maior, nós
escutamos: “Mas as mulheres já são
livres para participar da política”. Eu faço a seguinte relação: antes
da Lei Áurea, veio a Lei dos Sexagenários, que dizia que os negros e
escravos maiores de 60 anos estavam livres. Mas livres para morrer de
fome, porque não tinham a menor condição de sobreviver fora daquele lugar.
Era ali que eles conviviam. Então, na verdade, era uma forma de se livrar
de um estorvo na economia daquele lugar em que eles trabalhavam.
De certa forma, quando vemos o argumento de que as mulheres já
estão livres para a participação política, temos que ver que, no comum,
quem cuida da família, das crianças, é ela. Ela é quem tem que acordar
mais cedo para preparar o café, preparar a criança para a escola. Ela é
quem tem que buscar na escola, quem tem que fazer a gerência da casa.
Estou falando no âmbito da classe média. No final, fica muito provado, com
aquele debate que eu fiz no início aqui, que a independência financeira
inevitavelmente interfere na independência de opinião — não tem jeito.
Então,
para as mulheres virem para a política, ou se dá a elas a possibilidade da
independência financeira ou se cria uma regra, obrigatória na lei, para
elas poderem vir. Se não se criar uma regra, isso não anda. Já foram
feitos esforços aqui no sentido de se estabelecer uma cota. Antes,
reservavam-se as vagas para as mulheres, elas não eram preenchidas, mas,
mesmo assim, o resto da chapa concorria. Depois, obrigou-se que essas
vagas fossem preenchidas. Ainda assim, ela não vai para a campanha para
valer. Como se dizia no passado, é pro forma.
Então, nesse debate sobre a participação das mulheres na política,
não se pode só abrir a vaga, a cadeira, a possibilidade; tem que haver
alguma coisa mais contundente. É claro que a proposta do PT parece causar
um arrepio, mas a proposta do PT seria a história da paridade. Nós
trabalhamos com a paridade. Se fosse no voto em lista, ficaria muito mais
visível para as mulheres. Se é paridade, ficaria um homem e uma mulher,
uma mulher e um homem, sucessivamente, até se preencher o total das
cadeiras que estão em discussão para aquele determinado partido.
Então, esse é um tema sobre o qual nós rogamos que esta Comissão
Especial apresente uma sugestão mais clara, mais positiva, o da
participação das mulheres no conjunto da política brasileira.
Bem rapidamente, vou fazer alguns breves comentários, porque,
quanto a isso aqui, não há posição fechada do PT. Eu estou apenas
reproduzindo o que se conversou um pouco mais forte.
Quanto ao fim da reeleição para o Poder Executivo, eu,
pessoalmente, tenho uma PEC nessa direção. Eu apresentei essa PEC lá em
2004, propondo o fim da reeleição para o cargo do Executivo, com 5 anos de
mandato. Eu não sei como está o debate na Comissão, mas me disseram que
isso está avançando bem aqui na Comissão.
Eu não vou entrar aqui nas razões, mas acrescento a seguinte
preocupação: não é só o custo financeiro do processo eleitoral que é o
motivo para se acabar com a eleição a cada 2 anos. É claro que tem um
custo financeiro, mas, mais do que isso, a gente precisa também olhar para
o futuro, pelo menos em médio prazo. Você forma uma aliança política para
que ela dure aquele período do mandato, mas, do jeito que está hoje, você
firma um acordo político, um acerto político para aquela eleição da qual
nós participamos, e, em seguida, você tem que fazer tudo de novo, com a
duração de, no máximo, 1 ano.
Então, o Brasil entra
em um rodízio de incertezas e talvez de quebras de interstício violento,
e, todos os dias, a gente olha para a conjuntura diária. A gente fez outro
debate, esses dias aqui, para dizer: “Quando é que nós estamos olhando para
um futuro mais longo?”. Vamos pegar o caso da China, que, quando fala
de 30 anos, parece que está falando de nada, pois eles olham para muito
longe. O pensamento estratégico norte-americano chega a pensar em 1
século, e tantas outras experiências. O alemão também pensa muito longe.
Por exemplo, está aqui a Alemanha, e nós estamos abaixo da Alemanha. Não
vamos colocar os interesses do partido acima da Alemanha. Isso não existe.
É por isso que o país faz o que faz.
Nós estamos querendo repensar não só a ideia do custo financeiro,
mas do custo da máquina Brasil. A gente precisa avançar o Custo Brasil. O
País saiu de um jejum democrático violento para uma certa banalização do
processo eleitoral. Alguns dizem: “Mas nós vamos diminuir o pensamento
nacional, o regional, o local, o municipal”. Eu não sei, mas parece
que se está trabalhando até, quem sabe, a separação do processo eleitoral,
ou seja, no mesmo ano, mas em datas diferentes, para não prejudicar a
visibilidade. Mas, de qualquer jeito, nós consideramos simpática para o
debate a ideia de tratar do fim da reeleição para o Executivo, com 5 anos
de mandato. A coincidência dos mandatos já configura
isso.
Houve o instituto da reeleição no Brasil. Eu não sei se houve
alguma coisa antes do período da ditadura, nos anos 50 para trás, e eu não
sei falar se houve isso na história do Brasil. Mas o que nós temos é muito
recente. De um lado, alguns gostam muito da ideia da reeleição, mas, de um
modo geral, nós vemos, nesse momento de dificuldade da economia, os
eleitos correndo feito doidos para tentar também se preservar para uma
possível reeleição. Isso cria um ambiente de certa dúvida, de compromisso
firmado com a própria gestão, e a sociedade pode não estar ganhando com
isso. Eu não tenho números para apresentar aqui, mas essa é a preocupação.
Quanto à coincidência dos mandatos, é isso o que eu
falei.
Em relação ao mandato de Senador, se nós aqui concluirmos que são 5
anos de mandato linear, havendo coincidência, o Senado tem que mexer na
data: ou sobe para 10 anos ou diminui para 5 anos. Eu não tive coragem,
Sr. Presidente, de mexer nisso quando eu estava lá no Senado. (Riso.) Eu não tive coragem de
votar. Eu apresentei a PEC aqui, mas não disse mais nada sobre o assunto.
Agora, desconfio — e é uma opinião bem pessoal — que não sei se a
sociedade aceitaria esticar o mandato de um Senador para 10 anos. Eu não
sei. Agora, eu também não sei se os Senadores assinariam conosco a redução
para 5 anos. Mas o que eu pude ver é que o debate, até aqui, caminha para
a tese dos 5 anos, se eu estiver correto. Então, aí também há
coincidência.
No que diz respeito à suplência de Senador, eu não sei exatamente
como está o debate aqui na Comissão, mas estou querendo apresentar aqui
que há certo patamar de entendimento dentro do nosso partido de que o
melhor dos mundos seria que a suplência no Senado só pudesse existir até a
próxima eleição, mesmo que ela seja municipal. Vamos pegar um exemplo aqui
do DF. Tivemos um Senador que deixou o mandato com apenas 1 ano. A eleição
seguinte seria municipal, mas o DF não tem eleição municipal. Se houvesse
eleição municipal, então, teria a eleição municipal no resto do País
inteiro, e aqui no DF haveria uma eleição exclusiva para uma vaga de
Senado. Então, se for nessa linha, há certo entendimento sobre a suplência
de Senado. Em relação à matéria, de um modo geral, é
isso.
Agora, ele só fica mais de 1 ano no caso daqueles afastamentos
temporários, como é o caso de se afastar do cargo de Senador para ser
Ministro de Estado ou coisa parecida, e aí seria diferente. Mas, no caso
de vacância de cargo, por qualquer motivo, haveria esse
entendimento.
O fim das coligações não deixa de ser uma cláusula de barreira.
Trata-se de um debate que estamos acompanhando de perto também. Quando eu
falei lá atrás da ideia de experiência vivida, e o povo poder mantê-la ou
não, se vier a ter um referendo futuro, pode ser que se diga: “Não, acabam-se as coligações, e vamos
ver no que vai dar”. Se a sociedade gostar, fica; se, de repente não
gostar, em um referendo vai dizer:
“Não, isso volta para trás, a gente quer que haja coligações, coisa
parecida”. Mas isso eu estou usando como
exemplo.
Há um entendimento também de nossa parte de que isso pode avançar
no sentido da respeitabilidade de, quando alguém toma posse, a vontade da
sociedade se expressou para avançar.
Em relação ao voto facultativo obrigatório, o PT tem uma opinião no
sentido de manter a obrigação. Desculpem-me fazer mais um parêntese bem
pessoal. Fiz uma conta esses dias com alguns amigos. Se se contar de Pedro
Álvares Cabral a Dom João VI, são 308 anos em que o Brasil viveu sob a
custódia direta de Portugal. Se se considerar os dois Imperadores, Pedro I
e Pedro II, são 67 anos de um pseudoimpério brasileiro. Depois veio a
República Velha, são 42 anos da Constituição de 1891, que foi o epicentro
do voto de cabresto, da política do café com leite, o revezamento no poder
entre Minas Gerais e São Paulo, etc.
Depois disso, houve a disputa das duas Constituições de Getúlio
Vargas, a de 1934 e a 1937, sendo que a de 1937 é cópia da Polaca, a Carta
Constitucional polonesa, que todos aqui conhecem muito bem essa história.
Então, vamos imaginar que aqueles 15 anos de Getúlio Vargas foram de
cerceamento democrático.
Veio a Constituição de 1946. Na sua promulgação, o PCdoB elegeu uma
boa bancada de Deputados Federais e Senadores. Com 1 ano e meio de
mandato, o Presidente eleito rasgou a Constituição de 1946, cassou o
registro partidário do PCdoB e consecutivamente todos os mandatos que
estavam ali naquele momento. Então, a Constituição Cidadã de 1946 foi
duramente agredida com essa atitude. E nós vamos viver esse interstício
até a chegada dos militares em 1964.
Quando se somam esses anos todos, nós temos 2 anos de Constituição
Cidadã de 1946 e de 1988 para 2015, que, na minha conta, são 26 anos, ou
seja, são 26 anos da Constituição de 1988 e 2 anos da Constituição de
1946. O Brasil foi chamado a viver uma democracia, na sua melhor
plenitude, há menos de 30 anos.
Sendo assim, há uma preocupação de que o voto do brasileiro não
teve tempo de amadurecer. E se a gente disser que ele vai, se quiser, para
um processo eleitoral, todo o esforço para ter aqui uma liberdade maior e
para a sociedade se pronunciar sobre o País, os seus eleitos e os seus
representantes, pode ser fortemente prejudicado.
Então, a posição do PT, neste momento, é no sentido de pedir a esta
Comissão que nós preservemos o voto obrigatório e não o facultativo, na
forma que é hoje. Se houver algum aperfeiçoamento, vamos estudá-lo, mas
mantendo um pouco dessa regra.
É isso, mais ou menos, Sr. Presidente, que eu queria abordar. Estou
aberto para a discussão com os demais companheiros.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Marcelo
Castro.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Eu quero cumprimentar todos, o Presidente Rodrigo Maia, o
companheiro Sibá Machado e agradecer-lhe por ter vindo à nossa Comissão
para participar desta audiência pública, parabenizando-o pela explanação
que fez expressando aqui a opinião do seu partido, o
PT.
Quem assistiu, hoje pela manhã, à palestra do Presidente do PMDB,
Michel Temer — e o Deputado Chico Alencar estava lá —, eu acho que poderia
estar dispensado de assistir à palestra aqui do Deputado Sibá Machado. É
só inverter os sinais. (Risos.)
O que o Deputado Sibá Machado disse aqui é o contrário do que o Presidente
Michel Temer disse lá. O companheiro Sibá defende a lista pré-ordenada;
Michel Temer defende o distrital, quer dizer, o sistema majoritário no
Estado todo, exatamente o oposto. O PT defende o financiamento público
exclusivo de campanha; o PMDB defende o financiamento privado, com
contribuições empresariais. É essa riqueza de opiniões que nós que somos
políticos temos que trabalhar para podermos chegar a um mínimo de
consenso, de entendimento, para podermos evoluir.
Deputado Sibá Machado, V.Exa. defendeu aqui a criação de uma
Assembleia Nacional Constituinte. Essa é uma coisa que, como V.Exa. disse
bem, está fora da pauta. Mas, nas palestras que tenho feito Brasil afora,
eu venho defendendo também essa Assembleia Nacional Constituinte, como
V.Exa., se nós não conseguirmos êxito em nossa empreitada aqui para a
reforma política.
Qual é o meu entendimento, Deputado Henrique Fontana? É que nunca
nós iremos conseguir conjugar tantos fatores favoráveis a uma reforma
política quanto nós temos hoje, Deputado Tadeu Alencar. Se nós não
conseguirmos fazer a reforma política depois de décadas e décadas de
tentativas, nós temos que dar a mão à palmatória e nos contentarmos,
resignarmos e chegarmos à conclusão de que fazer reforma política, pela
via congressual normal, é impraticável. Se nós não a fizermos agora, não
teremos mais chance de fazê-la nunca.
E aí, como é que nós vamos fazer? Nós temos dois caminhos a seguir:
deixar como está, ou seja, o País entregue a esse sistema que eu considero
um sistema deletério e um dos piores do mundo, ou tentar uma Constituinte
exclusiva, com a finalidade precípua de fazer a reforma
política.
Quando a gente fala de Constituinte exclusiva, os juristas dão
quatro pulos para trás e fazem o sinal da cruz. Eles não querem nem ouvir
falar nisso. Mas, como não sou jurista, tenho a licenciosidade do
psiquiatra — e não tenho nada contra jurista — de dizer que, em nome do
País, a gente tem que defender isso.
Portanto, nesse ponto aqui, que não é para se pensar agora, mas no
futuro, Deputado Sibá Machado, nós estamos em
concordância.
V.Exa. defende — e vejo que é uma posição partidária — o
plebiscito. Como eu disse na minha cartilha desde o primeiro dia, eu acho
que o plebiscito é inexequível. Não dá para se fazer um plebiscito sobre
um tema tão complexo, tão problemático. Nós não vamos chegar a resultado
nenhum se fizermos um plebiscito.
V. Exa. defende também o referendo. Eu gostaria que V.Exa.
esclarecesse aqui o referendo popular com recall das experiências. Eu admito
o referendo depois de duas ou três eleições em que tenhamos experimentado
um novo sistema. Eu não acho producente aprovar um sistema aqui e
submetê-lo a um referendo. Por quê? Porque as pessoas não experimentaram o
novo sistema. Como é que nós vamos julgar um sistema que não foi ainda
experimentado? Depois de experimentado, em duas ou três eleições, as
pessoas poderiam fazer uma avaliação. Mas não entendi bem o que V.Exa.
queria dizer com esse recall
aqui.
Quanto à questão dos projetos de lei de iniciativa popular, nesse
ponto também nós estamos de acordo. O nosso relatório contempla essa ideia
de diminuir o número de assinaturas para a iniciativa popular das
leis.
Temos a questão dos suplentes de Senador e do mandato de 5 anos,
etc. No que se refere à suplência de Senador, a Comissão está se
encaminhando para o seguinte, Deputado Sibá Machado: como nós estamos
defendendo a coincidência dos mandatos para todos, inclusive para Senador,
os três Senadores seriam eleitos, todos, em um só dia. Então, como nós
estamos tratando a questão do suplente? Suponhamos que o Estado do Acre
tem dez candidatos a Senador. Quem são os eleitos? Os três mais votados.
Quem são os suplentes? Os três que vierem em sequência. Então, o quarto
mais votado é o primeiro suplente; o quinto mais votado é o segundo; e o
sexto mais votado é o terceiro.
Esse sistema tem deficiência, só que, de todas as alternativas que
nós já estudamos, é o que tem a deficiência menor. O Senador Aécio Neves
andou aqui e criticou esse sistema dizendo, como se essa fosse uma eleição
plebiscitária: “Como é que o que
perdeu vai substituir o eleito? Então, um foi eleito e o outro foi
derrotado; o que foi derrotado não deve substituir o eleito.” Não é
assim. Como nós estamos elegendo os três Senadores de uma vez, não há
propriamente uma oposição de um contra o outro. São vários candidatos, e
nós vamos somar os votos. Então, o primeiro mais votado está eleito; o
segundo mais votado está eleito; o terceiro mais votado está eleito; e o
quarto mais votado é o primeiro suplente. Não há propriamente uma
oposição. E aí não haveria ninguém, como tem hoje no Senado, sem voto,
representando o povo.
V.Exa. deu a sugestão — e o Senado avançou nesse sentido — de que o
suplente de Senador substituiria, mas não sucederia, até a próxima
eleição. Só que, como nós estamos propondo aqui a coincidência das
eleições, com 5 anos de mandato, não tem como funcionar esse sistema que
V.Exa. e o Senado propuseram. Entendeu bem, Deputado Sibá
Machado?
Por último, eu queria passar aqui a V.Exas...
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Relator, gostaria de uma explicação, porque eu não entendi
bem. A coincidência de mandatos de Senadores implicará fazer que conta?
Como é que é isso: prorrogação, redução de mandato?
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Não, de jeito nenhum.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Não entendi talvez em função de ausência minha
aqui.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Tudo bem, eu explico. Vamos supor que a gente aprove aqui na
Comissão que o próximo mandato dos Prefeitos e Vereadores seja por 2 anos.
Então, a coincidência se daria em 2018. A partir daí, os mandatos seriam
de 5 anos para todos, inclusive para Senadores. Aí o que acontece? O
mandato do Senador que foi eleito em 2014 termina em 2022. Em 2023, o
Senado ficaria sem um Senador. Por quê? Quem foi eleito em 2018 seria
eleito por 5 anos; então, iria até 2023. Então, como é a regra? Em 2018, a
regra da suplência já estaria valendo. Os dois mais votados seriam eleitos
e os outros três, em sequência, seriam os suplentes: primeiro, segundo e
terceiro suplentes. Em 2023, o primeiro suplente assume a vaga que foi
aberta, porque o mandato do Senador terminou em 2022. Então, é uma maneira
simples, engenhosa, que não traz transtorno a
ninguém.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Só que num ano aquele Senador que eventualmente poderia concorrer de
novo fica...
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Não, ele é o primeiro suplente. Suplente para quê? Para
assumir uma vaga, quando ela surgir. Então, hoje não é mais o suplente de
A, de B ou de C; ele é suplente de Senador, que é o que nós estamos
propondo.
O SR. DEPUTADO ODORICO
MONTEIRO - Suplente do Estado.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Suplente do Estado, suplente de Senador, de qualquer
Senador.
Então, em 2022, acabou o mandato de quem foi eleito em 2014; ele
vai para casa. Aí o primeiro suplente assume, por mais 1 ano. Ele passa
aquele ano ali como suplente de Senador.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Eu também gostaria só de um esclarecimento, já que o assunto
enveredou um pouco para essa questão da suplência de Senador. Eu tenho
comentado com o nosso Relator que, ao colocar como suplente de Senador,
por exemplo, em uma eleição normal, da qual surgirá o quarto mais votado,
nós podemos ter situações em que um Senador, por exemplo, do PSB, pode se
licenciar ou sair do mandato e ser substituído por um Senador de outro
partido.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Provavelmente.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - O que, em uma eleição majoritária, eu não considero a melhor
alternativa.
Então, quero pedir ao nosso Relator que inclua, nas hipóteses sobre
suplência de Senador, a ideia, que já circulou entre nós, de que o
Deputado Federal mais votado, do mesmo partido do Senador eleito, seja
temporariamente o suplente desse Senador. Por exemplo, um Senador do PSDB
se licenciou para assumir uma Secretaria ou teve uma intercorrência e saiu
do mandato, naquele mesmo Estado, o Deputado Federal mais votado do PSDB
temporariamente vai substituir esse Senador. Daí, respeita-se a vontade do
eleitor, em uma eleição majoritária, que deu uma vaga ao Democratas, ao
PSDB, ao PT, ao PSB, e assim por diante. É algo para se
pensar.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Deputado Henrique Fontana, nós temos duas fragilidades nessa
proposta de V.Exa. Primeiro, em uma eleição em São Paulo, que tem 32
milhões de eleitores, um Deputado Federal se elege em torno de 100 mil
votos, quando um Senador precisa de 5, 6 ou 10 milhões de votos, ele vai
ser Senador com 100 mil votos ou coisa semelhante.
Outro problema é o partido que elegeu o Senador não ter elegido o
Deputado Federal. Bom, essa é uma coisa rara de acontecer, mas pode
acontecer, e a lei tem que tratar de todas as
possibilidades.
Por isso, eu acho que, com todas as deficiências, essa fórmula
nossa engenhosa é a menos ruim, é a que traz menos problemas. Toda questão
de suplente de Senador é complicada. Em uma coisa, graças a Deus, nós
chegamos a um consenso: ficar como está ninguém concorda, porque a pessoa
chega lá sem nenhuma expressão. A gente sabe que há acordos aí
absolutamente espúrios para a pessoa ser suplente de Senador, e aí é como
acontece hoje e aconteceu no passado.
Agora, para finalizar aqui a minha participação, eu quero mais uma
vez frisar e chamar a atenção do nosso palestrante, Deputado Sibá Machado,
e do PT para a necessidade de um entendimento entre as diversas correntes
políticas da nossa Casa. Por quê? Porque, na Legislatura passada, eu fiz
uma pesquisa aproximadamente com cem Deputados no plenário para ver qual
era a tendência do Plenário sobre os sistemas eleitorais. O que foi que eu
encontrei? Que o sistema que teve maior simpatia e maior aprovação na
Legislatura passada foi o distritão, sistema majoritário no Estado inteiro
em que os mais votados seriam eleitos, que teve 37% de votos a favor e 49%
de votos contrários.
Sobre o segundo sistema mais aprovado na Câmara, eu fiz uma
pesquisa com uma margem de erro grande, que não é uma pesquisa feita pelo
IBOPE, nem pelo Datafolha, é o “Data Marcelo”, muito empírico, que eu
procuro fazer aleatoriamente, para não ter influência, mas é evidente que
eu sei o risco que estou correndo. Aí, o segundo sistema que teve, na
Legislatura passada, a maior aprovação foi o distrital misto: metade
eleita pelos distritos uninominais e metade pela lista, que teve 36% de
votos a favor e 50% contra; então praticamente bateu com o distritão.
Conclusão: nós somos contra — éramos, na Legislatura passada — todos os
sistemas eleitorais e a favor de nenhum. O sistema atual teve 22% de votos
a favor e 58% contra, sempre é assim.
Ontem, eu fiz uma pesquisa rápida, perguntei para aproximadamente
uns cem companheiros e procurei ser o mais preciso possível. Eu escolhi a
primeira fila dos Deputados e distribuí oito questionários; ia para outro
lado e distribuía oito questionários naquela primeira fila, para haver um
equilíbrio (riso), não saltava
ninguém para poder fazer bem aleatório e não escolher a cara. Qual foi o
resultado? Em primeiro lugar, o distrital misto, com 32% de preferência;
em segundo lugar, o distritão, com 26% de preferência. Eu devo confessar
aqui que me surpreendi um pouco, pois eu esperava que os dois saíssem
próximo do outro e que o distritão tivesse uma preferência maior. A
pesquisa não confirmou o que a gente intuitivamente
achava.
O sistema atual teve 12%; a lista fechada, 8%; o distritão misto,
que seria metade eleita pelo majoritário e a metade pela lista, 7%; o
distrital puro, 6%. O sistema do Vaccarezza, que é o sistema atual em
circunscrições menores, por exemplo, manteria o mesmo sistema proporcional
que é hoje, o quociente eleitoral, todas as regras iguais as de hoje, mas
o Estado seria dividido em circunscrições. Por exemplo, São Paulo poderia
ser dividido em dez circunscrições, então, cada um se candidataria naquela
região, e cada circunscrição daquela elegeria sete Deputados Federais. É
um meio termo, um meio caminho entre o que é hoje e o sistema distrital, e
teve 6% também.
O sistema da CNBB e OAB teve 1%. Na verdade, eu não perguntei sobre
o sistema da CNBB, que é feito em dois turnos. Foi uma pessoa que
escreveu, em manuscrito, dizendo como é o sistema da CNBB e
OAB.
Qual é a conclusão disso? Reforça a pesquisa que eu fiz na
Legislatura passada: nenhum sistema passa. Se nós quisermos ser derrotados
mais uma vez, o caminho já está traçado. É o PMDB defender o distritão, o
PT defender a lista fechada, o PSDB defender o distrital misto, a CNBB
defender o sistema em dois turnos, uma parte do PSDB defender o distrital
puro. Não passa, ponto final!
Outro dia, eu e os Deputados Rodrigo Maia e Marcus Pestana tomamos
a iniciativa e fomos ao Presidente do PMDB, o Vice-Presidente Michel
Temer, pois, devido à posição em que ele está hoje no País, ele seria a
pessoa mais fácil para poder fazer essa interlocução, essa concertação
entre as grandes Lideranças nacionais, com Lula à frente, Fernando
Henrique, Aécio Neves, Rui Falcão, Gilberto Kassab, Agripino Maia, Ciro
Nogueira e tantos outros, para poder chegar a um entendimento na
construção de um sistema eleitoral minimamente racional, e que a gente
pudesse dar um passo à frente. Se não houver essa concertação, esse
entendimento, nós vamos fracassar como fracassamos todas as outras
vezes.
Dessa vez agora, eu me sinto mais esperançoso do que das outras.
Por quê? Porque em todas as Comissões de que eu já participei, e eu disse
isso aqui no primeiro dia, sempre começávamos com muita euforia, com muito
entusiasmo: “Agora nós vamos fazer
a reforma política, agora vai”. Mas a coisa ia esfriando, esmaecendo,
desanimando, as pessoas não participavam mais, começavam a faltar, e eu
não vejo isso ocorrendo agora aqui em nossa Comissão. Então, por onde eu
tenho andado fazendo seminários e aqui na Comissão, eu vejo sempre uma
participação, um entusiasmo, uma confiança, uma
esperança.
Então, Deputado Chico Alencar, parece-nos que dessa vez vai. (Riso.) Se não for, paciência, é
porque não vai nunca. Aí, nós temos que procurar outra alternativa, porque
por esse caminho aqui não vai.
Mas faço aqui um apelo pela enésima vez: vamos nos sentar. Fiz um
apelo hoje novamente ao Presidente Michel Temer, eu fui almoçar com ele no
Jaburu e tornei a fazer um apelo a ele para poder buscar as Lideranças e
fazer um entendimento.
O PT quer a lista fechada, não vai ter, mas pode ter uma parte da
lista fechada. O PMDB quer o distritão, não vai ter, mas pode ter uma
parte. E aí entrarmos em um entendimento. Se o PT, PMDB, PSDB, sem
desprezar os outros partidos, chegarem a um entendimento, já é uma coluna
vertebral para a gente ir atrás dos outros e procurar convencê-los. Nós
temos que entender que não podemos deixar o País com esse atual sistema
eleitoral. Eu acho que isso é quase criminoso. Agora, se nós ficarmos com
o sistema que temos, é preciso fazer algumas modificações para melhorar,
para avançar.
Então, nós temos essas alternativas que precisamos
construir.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Afonso
Motta.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Queria cumprimentar mais uma vez o Presidente Rodrigo Maia e o nosso
bravo Relator, Deputado Marcelo Castro, que, pelo seu relatório, pelo
empenho antecipado que vem fazendo, sem dúvida alguma, vem dando uma
contribuição e luzes importantes para nós chegarmos à nossa finalidade.
Cumprimento também os demais Parlamentares presentes, mas, de forma
muito especial, o Deputado Sibá Machado. Gostaria de agradecer-lhe pela
sua objetividade, pelo retrato e posicionamento que expressou, em nome do
Partido dos Trabalhadores, que bem representa o bom debate, principalmente
com os companheiros do Partido dos Trabalhadores, com o Deputado Henrique
Fontana, que teve o privilégio, na Legislatura passada, com a sua
vivência, experiência e motivação, de conduzir esses
trabalhos.
Apesar dos registros feitos pelo nosso Relator, eu me sinto no
dever de procurar compreender aquilo que tem sido, no próprio debate em
nossa Comissão, a questão fechada do Partido dos Trabalhadores, que é o
fato relacionado não ao sistema eleitoral, eu tenho entendido assim, mas
ao financiamento de campanha no sentido de que é condição e questão
fechada o financiamento público e a exclusão do financiamento privado em
empresas.
Nesse sentido, eu gostaria, diante dessa dimensão e perspectiva, de
dizer que nós temos que nos aproximar, que precisamos mediar e encontrar
caminhos, sob pena de mais uma vez não chegarmos a lugar algum, e ver até
que ponto, pensando em limites e em critérios, haveria possibilidade de o
Partido dos Trabalhadores avançar nessa questão fechada, que a gente
respeita muito. Gostaria de saber se V.Exa. teria alguma consideração
nesse sentido.
Outra observação com relação a financiamento público, que eu até
bem pouco tempo defendia, pelo menos para integrar o conjunto dos
financiamentos de campanha, é que nós tivemos a presença, na semana
passada, nesta Casa, do Ministro Nelson Jobim falando sobre o pacto
federativo. O Ministro fez um questionamento muito grande. Aliás, nós que
convivemos com o horário eleitoral gratuito e com o financiamento dos
partidos políticos, sempre questionamos muito a questão de critérios e
limites. Na verdade, o financiamento público é uma questão importante,
adicional e complementar que nós teríamos que trabalhar muito. E, uma vez
acolhido o financiamento público, precisamos saber quais são os
critérios.
Eu sei que o Partido dos Trabalhadores já trabalhou nesse tema, mas
seria muito importante saber de que forma nós poderíamos ter uma
distribuição nos diferentes níveis do processo do debate eleitoral
federativo na distribuição do financiamento público.
Parabéns a V.Exa.
Muito obrigado pela participação aqui em nossa
Comissão.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Moema
Gramacho.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Primeiro, eu queria mais uma vez parabenizar a Comissão
pela democratização deste espaço para ouvir a todos.
Queria começar dizendo que nós, enquanto mulheres, fizemos uma
reunião das Senadoras e Deputadas. Queremos fazer um apelo ao Presidente e
ao Relator para que nós possamos, mesmo com a urgência que temos de fechar
o relatório, cumprir aquele requerimento que foi aprovado para a
realização de uma audiência pública, talvez a última, para discutir a
questão de gênero. Eu sugiro que a audiência seja feita na terça-feira,
para facilitar e agilizar os trabalhos do nosso
Relator.
Nós não tivemos a oportunidade, até então, de discutir essa
questão. As Senadoras e as Deputadas fecharam uma posição, mas gostariam
de externar essa posição neste espaço e de ouvir também como pensam os
membros da Comissão e o Relator.
Acho que seria interessante fazer esta audiência acontecer na
semana que vem. E, uma vez que o requerimento já foi aprovado, sugerimos o
dia 5, na próxima terça-feira, pela manhã ou à tarde, quando for mais
conveniente.
Estaremos aqui contando com a presença das Senadoras e das
Deputadas, além de convidarmos especialistas na área. A Ministra também
poderia se fazer presente e outros convidados que têm tratado dessa
questão, inclusive a CNBB, a OAB e outras entidades que já vêm discutindo
a questão da representação feminina.
A outra questão sobre a qual eu queria me posicionar, parabenizando
o nosso Líder, Deputado Sibá Machado, representando o nosso partido, o
Partido dos Trabalhadores, diz respeito ao sistema. Eu acho que
efetivamente o distritão é muito maléfico para as representações
populares, sejam elas de mulheres, de índios, de negros, de homossexuais,
ou de pobres.
Se passar o distritão, nós vamos ter, além de um enfraquecimento e
talvez um desgaste muito grande dos partidos políticos, uma dificuldade
imensa para fazer com que os partidos políticos defendam as suas ideias. O
que vai prevalecer serão os nomes, os candidatos, vai ser uma guerra para
todo mundo estar entre os primeiros mais votados. Nós vamos ter uma
dificuldade no debate político e uma dificuldade no fortalecimento dos
partidos também, sem contar a dificuldade da representação popular. Se
nós, mulheres, hoje somos menos de 10% do Legislativo, apesar de sermos
52% da população, no sistema atual, imaginem no distritão. Não vamos ter
chance mesmo, principalmente considerando que recebemos os menores
salários — quando a mulher é negra, recebe menos ainda —, temos menos
cargos de chefia, menos empresas, muito menos condições, além das inúmeras
tarefas que nos impede de estar cotidianamente na vida política. Então,
nós vamos estar muito sub-representadas do ponto de vista quantitativo,
não estou falando da qualidade, nos espaços, principalmente se for
aprovado o distritão. Por isso, eu acho que não podemos, em hipótese
alguma, deixar passar o distritão.
Quero parabenizar o Relator, porque a sua pesquisa é o sentimento
que eu tenho tido também. E mais: hoje foi a primeira vez que eu vi um
Presidente de partido se posicionar sobre o distritão. De todos os que o
antecederam, pode ser que eu esteja enganada, nenhum defendeu o distritão.
Ouvimos PSDB, DEM, PPS, ouvimos todos que não defenderam o distritão,
defenderam...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - O DEM defendeu.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - O DEM não. Inclusive eu perguntei, e ele não
defendeu.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Ele disse que vai votar no
distritão.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Na Comissão, na audiência, ele não
defendeu.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Em tese, defende o distrital misto, mas como
ele não mora na Alemanha, vai defender o distritão. Foi o que ele
disse.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Tudo bem. Eu sei. Então, ele não quis assumir isso na
hora.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Ele assumiu, porque falou
isso.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Eu inclusive fiz a pergunta. Então, digamos que ele tenha
voltado à posição dele, mas o que deu a entender naquele dia em que eu
estava na audiência é que não defendia. Mesmo assim, digamos que o DEM o
tenha defendido, a maioria dos partidos não defende o
distritão.
Se V.Exa. já fez uma pesquisa, eu não fui pesquisada. O IBOPE
também faz isto: não pesquisa todo mundo não, a pesquisa é por amostragem.
Por isso, erra muito, deixa de pesquisar muita gente. Eu acho que V.Exa.
teve esse cuidado, e eu quero parabenizá-lo. V.Exa. está tendo esse
comportamento na Comissão e também está consultando os Deputados no
plenário, para não fazer um relatório da cabeça do Relator ou do que
defende o seu partido político e, sim, um relatório do que está sendo
discutido, do que está sendo colocado nesse processo de
construção.
Por fim, eu queria efetivamente dizer que estão fazendo uma grande
confusão com financiamento público de campanha, para tentar a todo custo
evitar que a população queira que ele passe. Já disseram que ele tira
dinheiro da saúde, da educação. Agora, talvez, até alguns tenham ajudado
com esse aumento do fundo, mas eu acho que não precisava aumentar fundo e
não precisava fazer essa correlação com tirar dinheiro da saúde e da
educação. É preciso, sim, que este fundo seja bem definido, assim como
seja definida a sua utilização. É preciso haver regras de barateamento do
custo de campanha e fiscalização.
Quanto ao fundo público e a pessoa física, eu acho que o nosso
Líder Sibá, representado aqui o partido, falou que o PT defende
financiamento público, mas está aberto também ao financiamento de pessoa
física, com limites. Essa é a proposta inclusive que a CNBB defende. Nós
não temos posição fechada, mas não nos opomos a esse processo de conjunção
entre financiamento público e pessoa física. Nós não concordamos com a
manutenção da relação do poder econômico sobre as representações nos
Legislativos e nas campanhas eleitorais.
Eu acho que podemos continuar defendendo financiamento público com
a pessoa física e ao mesmo tempo um regramento muito mais de barateamento
das campanhas e de fiscalização efetiva do cumprimento daquilo que foi
decidido, com as regras, para o cumprimento das leis
eleitorais.
Por fim, eu gostaria de, antes do final desta reunião, Sr.
Presidente, sensibilizá-lo, para que possamos ter uma resposta para
comunicar as Senadoras e as Deputadas sobre a realização da audiência no
dia 5.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Tadeu
Alencar.
O SR. DEPUTADO TADEU
ALENCAR - Sr. Presidente,
Sr. Relator, Deputado Marcelo Castro, quero cumprimentar o Líder do
Partido dos Trabalhadores, Deputado Sibá Machado, pela exposição que
clareia aqui a nossa ideia sobre diversos pontos da reforma política e
pela, apesar de sucinta, bastante esclarecedora
apresentação.
Nós temos ao longo desse tempo, Deputado Marcelo Castro, feito aqui
o debate sobre diversos temas. Eu acho que muita coisa é de fácil
visibilidade para todos nós e acho que há uma convergência razoável em
relação ao fim da reeleição para o Executivo, a coincidência do calendário
eleitoral, que gera um debate sobre o momento dessa
coincidência.
Eu sei da opinião de V.Exa. de fazer essa coincidência já em 2018,
num mandato tampão de 2 anos nas eleições municipais de 2016. E isso tem
gerado — V.Exa. deve ter conhecimento disso — muita inquietação por parte
dos Prefeitos e Vereadores, dado o histórico de eleições duríssimas e
caríssimas para qualquer eleição, mas os Prefeitos e os Vereadores estão
muito inquietos com essa possibilidade.
Eu participei de um congresso brasileiro de Vereadores na semana
passada e vi que essa que é uma ansiedade muito grande dos Vereadores,
que, aliás, ficam querendo insistir na tese da prorrogação dos mandatos.
Eles estão muito insatisfeitos, quando se anuncia a visão — por ter sido
dita publicamente a gente se sente à vontade para anunciar — do Presidente
do TSE, Ministro Dias Toffoli, sobre essa extensão. Assim como seria
impensável numa democracia que deve sempre levar em conta a legitimação
popular reduzir mandato, também não se pode estendê-lo sem que o voto
popular possa exatamente cristalizar a ideia de legitimidade. Mas também a
ideia do mandato de 2 anos não anima muito os Prefeitos e Vereadores, que
certamente vão cuidar de fazer pressão sobre os seus representantes na
Câmara Federal para tentar ter uma ideia diferente
disso.
O PSB fez uma proposta de emenda diferente, fazendo essa
coincidência em 2022, exatamente no sentido de que os mandatos dos eleitos
em 2016 sejam de 6 anos, portanto aliando, em 2022, o mandato de um terço
do Senado eleito em 2014, já terminando em 2022, e os eleitos em 2018 —
Governador, Presidente, Deputados Federais e Estaduais — seriam para 4
anos, para 2022. Ficam fora disso apenas os dois terços do Senado que
seriam eleitos em 2018, por 8 anos, que iriam para 2026. Nessa proposta a
gente pressupõe 1 ano a mais transitoriamente para o Senado. Então, os
eleitos em 2018 iriam para 2027. Portanto, teriam 9 anos de mandato, e, a
partir de 2027, eleições gerais para todos os cargos com mandato de 5
anos, inclusive para Senador. Essa foi a proposta que o PSB
fez.
Acho que há uma convergência, salvo quanto a esse momento da
unificação, e também da questão, que vejo, apesar de uma visão diferente
de alguns partidos, das coligações proporcionais.
Já quanto aos sistemas eleitorais e financiamento, a minha
percepção aqui na Comissão e no plenário é de que é uma convergência
difícil de ser construída. V.Exa. tem dito aqui que os sistemas puros
padecem de vícios e defeitos e que se deve buscar afastar esses vícios num
sistema misto.
O sistema proporcional concorre para que haja Deputados eleitos com
a quantidade de votos na esteira de votações muito grandes, causando
realmente um desprestígio do voto popular, o desprezo a uma quantidade
enorme de votos. Em 2010, na Câmara Distrital aqui do Distrito Federal a
soma dos Deputados eleitos era em torno de 30%, e os demais votos,
portanto a grande maioria, ficaram exatamente para aqueles que não foram
eleitos, o que é um paradoxo do sistema
proporcional.
O sistema distrital padeceria do mal puro de não ter a
representação das minorias, o que eu acho que é fundamental numa
democracia.
Eu, de fato, também partilho da ideia de V.Exa. e do Deputado
Marcus Pestana do sistema misto. Há os modelos alemão e japonês. Penso que
o alemão é o mais adequado, porque exatamente ele aproxima,
o máximo possível, as virtudes de ambos os sistemas. Sei que essa
convergência é difícil de construir, mas talvez nós devêssemos gastar um
tempo aqui, o que já fizemos nas vezes em que tratamos dos sistemas
eleitorais. Contudo, acho que
falta
clarear ainda alguns pontos. Eu queria propor que, antes da deliberação,
pudéssemos gastar um pouco mais de tempo com essa discussão,
porque acho que há alguns pontos ainda a serem esclarecidos.
E, quanto ao ,
há um debate .
Na
de representante do meu Estado aqui na Comissão da Reforma Política, tenho
sido convidado a estar em alguns debates em
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado
Odorico.
O
SR. DEPUTADO ODORICO MONTEIRO -
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Quero
saudar nosso Relator e o meu querido Líder Sibá Machado e quero dizer que
hoje, por coincidência, temos dois
polos de debate em torno da no Brasil. Acho que aqui fica a lição do Buda no
sentido de que a gente construa o caminho do meio. Eu acho que o
Relator tem tido essa preocupação. Eu estou convencido de que, para a
reforma sair, tem de haver a do
ganha-ganha. Tenho dito isso dentro do partido,
tenho dito isso aos meus pares. Ou seja, a discussão do voto majoritário
que o nosso Presidente Michel Temer colocou hoje como Vice-Presidente da
República e também como Parlamentar que foi nesta Casa durante seis
legislaturas, acho que ficou muito clara. É um sentimento dele.
Por outro lado, quanto a essa questão que o Sibá colocou e que o PT
tem defendido, a da lista fechada, acho que nós perdemos a oportunidade de
fazê-la em outros momentos. Eu acho que, do ponto de vista da democracia, é aquela expressão maior do que
a democracia possa amadurecer, ou seja, o sistema fechado vai garantir,
com certeza, o financiamento público, e isso facilita. Mas só que,
politicamente, agora temos de pensar.
E tenho dito, Relator, que V.Exa. tem de se inspirar no que foi
Ulysses Guimarães para a Constituinteum
consenso naquele momento, e a Constituinte tinha de sair com um consenso.
Então, o plebiscito que tivemos em 1993 já foi colocando, dentro daquele
presidencialismo, parlamentarismo, e em seguida teve a reforma política
que até hoje não tivemos condições políticas de fazer.
A nossa responsabilidade com o País de pagar a dívida que o
Congresso tem com o Brasil de fazer a reforma política é muito grande. Eu
acho que estão dadas as condições de fazermos isso agora e, evidentemente,
acho que os consensos que nós já estamos construindo aqui são muito
importantes. Eu fico muito feliz. E, como Secretário que fui durante 20
anos, vi o que prejudica as políticas públicas do Brasil, principalmente
com a municipalização que nós fizemos na Constituição de 1988 e com o
conjunto de políticas públicas que fizemos: descentralização
administrativa, política e financeira para os Municípiosa
não coincidência de eleições, que traz prejuízos enormes. Quando os
Municípios estão se organizando, aí o Governo Federal e Estadual entram em
eleições; quando o Governo Federal está se organizando, aí os Municípios
entram em eleições. Então, nós estamos tendo prejuízos enormes.
Por exemplo, a iniciativa da de
educação de ter produzido o Plano Decenal da Educação vai mitigar um
conjunto de defeitos nesse sentido. Na Comissão de Saúde, vou assumir a
Subcomissão Permanente, e vamos começar a o
Plano Decenal de porque
é uma forma essencial, no de
se mitigar os efeitos das mudanças constantes. Mas não vai resolver o
Muito
bem.
O
Deputado Henrique Fontana está presente? (Pausa.)
Com a palavra a Deputada Margarida.
A SRA. DEPUTADA MARGARIDA
SALOMÃO - Quero cumprimentar o Presidente
o
nosso Deputado Marcelo Castro
o Relator
o meu Líder Sibá Machado, e dizer o seguinte. A fala do Sibá é
reapresentação dos pontos de vista clássicos que o PT vem defendendo e
aprovando em Congressos. Então, são inclusive sobejamente conhecidos. Ele
apresentou com grande objetividade, com concisão; até pela sua falta de
novidade; são posições clássicas consolidadas.
Isso não quer dizer que nós não reconheçamos, o PT não reconheça, o
esforço enorme que o Deputado Marcelo Castro está fazendo de procurar
construir consenso mesmo onde
isso é muito difícil. E nós no PT também estamos conscientes do nosso
papel na produção de algo que seja melhor do que temos agora.
Então, nós consideramos que as disposições estão muito bem
encaminhadas — fim da reeleição, coincidência de mandatos —, inclusive
alguma delas divergem também dos nossos pontos de vistabrevidade
de mandatos que permite que a representação rejuvenesça, que esteja sempre
obrigada a se apresentar, a se legitimar frente à sociedade.
Mas eu acredito — e é uma notícia que eu considero alvissareira —
na mudança na sua pesquisa da Legislatura passada para esta Legislatura,
pois nós já temos agora uma precedência sobre a escolha do sistema
distrital misto em relação ao distritão. É uma precedência mais acentuada
do que a que nós tínhamos anteriormente. Pelos dados que V.Exa. apresenta,
anteriormente nós tínhamos quase uma equivalência entre as duas posições.
Então, agora há aqueles que são defensores, por muitas razões, do voto
majoritário em circunscrições distritais e há aqueles como nós, que a vida
inteira defendemos a lista fechada. Particularmente, penso que ter meia
lista é melhor do que não ter lista nenhuma. E há também, claro, méritos
na proposta distrital, porque, se fosse pura, acho que teria o grande
problema de impedir a expressão das minorias. Então, eu acho que nós
estamos caminhando para alguma coisa que possa ser melhor
consensuada.
E acho que há, no que diz respeito ao financiamento público de
campanhas, uma posição que foi trazida pela sociedade, que é uma posição
que merece ser abraçada, e que nós temos abraçado inclusive em encontros
do nosso partido com adesão a essa proposta, que são o fim do
financiamento empresarial e a participação do financiamento feito por
pessoas físicas até certo limite. Acho que essa proposta combinada com a
construção de limites de gastos para todas as posições, para todas as
disputas, com certeza vai permitir que nós tenhamos eleições mais
democráticas, no sentido de que sejam eleições em que haja equidade nas
condições de disputa. Eleições democráticas são aquelas em que se pode
garantir a equidade nas condições de disputa.
Então, eu estou muito esperançosa de que em alguns pontos,
essenciais para o PT, nós consigamos fazer alguma convergência.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcus Pestana) - Os próximos inscritos são os Deputados Chico
Alencar, Assis Carvalho, a Deputada Raquel Muniz e eu. Mas o Deputado Sibá
Machado pediu a palavra.
O SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO
- Eu estava ouvindo atentamente, e nós estamos falando de reforma
política por um ponto muito simples, porque acho que há um consenso da
Casa e da sociedade de que o modelo que nós temos utilizado até aqui está
com muitas dificuldades. Se ainda não exaurido, ainda tem muitas
dificuldades.
A segunda preocupação, que nós levantamos no ponto inicial: por
onde começar? Se a gente começa provocando a sociedade para levantar os
pontos que ela considera mais cruciais ou se transporta isso para o
final.
Terceiro ponto: a Casa a ser pensada, que as pessoas definidas e
delegadas para tratar do tema sejam as que estão de posse de seus mandatos
ou aqueles que teriam mandatos específicos para tratar de um assunto tão
polêmico.
Por fim, eu também fui um dos que cheguei em 2003 cheio de muitas
esperanças. Votei 3 PECs; estava sonhando com a reforma política. Estão
aqui as três; nenhuma andou. Nenhuma. Nenhuma passou sequer da primeira
Comissão.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Mais 153 entre trezentos e tantos projetos de
lei.
O SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO
- Nem se fala.
Então, o que nos resta? Para fazer inevitavelmente uma reforma
política mais global, mais profunda, um reestudo geral do Brasil, e trazer
um texto sei lá de que nível, seria preciso uma assembleia própria para
tratar do assunto. Como tal, o PT tem a convicção de que o nosso Congresso
e nós todos aqui temos que fazer um esforço para chegar aonde for
possível. Então, vamos dizer que o máximo a que a nossa reforma pode ir é
a um acordo possível, porque, sem acordo, nós vamos fazer uma maioria
simples e podemos ter votações, quem sabe, em que se pode ganhar por um
voto. Ela vai representar o que no aspecto democrático? Muito baixo.
Baixíssimo!
Então, eu quero já admitir aqui algumas provocações. Primeiro, as
teses que nós estamos apresentando, como disse a Deputada Salomão, são as
teses que eu reproduzi, que são questões que o meu partido fechou em
instâncias. Claro que aqui está a nossa bancada e aqui está o Congresso,
e, como tal, nós vamos trazer as nossas teses. Mas tem uma coisa aqui de
que esta Casa vive, que é o Regimento de um lado e acordos mínimos de
outro. Em alguns momentos, os acordos se sobrepõem ao próprio Regimento,
mas não podem sobrepor-se à vontade popular. Aí não tem jeito. Mas é isto:
aonde podemos chegar e até onde podemos avançar?
Eu
trago agora outro ponto crítico, que é pessoal: o grande espelho que
sempre temos à nossa frente é a formação de maioria, de quem já está aqui
e dos que não estão aqui e gostariam muito de vir. Então, toda hora nós
somos trazidos a debates pontuais. E lá, quando eu votei as minhas PECs,
chegamos a 2006 com uma dura crítica ao processo eleitoral global. E sabe
o que é que sobrou, meu companheiro Marcelo Castro? A tal minirreforma,
feita por um grupo de Senadores, rapidinho — como eu gosto de brincar —,
que nem coceira de macaco. E o grande vilão das questões que precisavam
ser resolvidas era o preço da campanha, e foi retirado o showmício, foi
retirada a camiseta, foi retirada a caneta, acho que para dar uma resposta
rápida à sociedade. Foi isso que foi feito. Mas o custo da campanha não
barateou. Retirou-se o showmício, que estava exorbitante. Dali a pouco, a
gente tinha que trazer bandas internacionais, porque as locais... O
candidato levava o cantor fulano de tal e o outro tinha que levar alguém
igual ou maior, porque, senão, o comício dele já não prestava. E
retirou-se isso. Mas aí foi para outro lado. Gastou-se onde o dinheiro?
Gastou-se fortemente em marketing, gastou-se fortemente em
cabo eleitoral, e foi para a outra ponta! Mas o custo final da campanha
não barateou, e quem tem pouco dinheiro continuou no
prejuízo.
Então,
o que nós estamos pedindo aqui à força da razão é que a regra tem que ser
a mais linear possível para todos, e não só com o teto, meu companheiro
Motta, mas também com o piso. Piso e teto das oportunidades: que nós
ofereçamos para todos e qualquer candidatura piso mínimo e teto máximo.
Ponto. Aqui dentro cabe; o que estiver fora disso para lá e para cá fica
difícil. A gente tem que olhar o horário eleitoral, que já é um
financiamento público de campanha. Foi dito aqui pelo Ministro Dias
Toffoli: 5% do fundo partidário já foram utilizados em campanha mais o uso
do dinheiro público para fazer as propagandas gratuitas eleitorais, que
não são gratuitas, são gratuitas para o tesouro do partido. Elas não são
gratuitas para a sociedade, porque vêm do Tesouro da União. Então, nós
temos essa experiência.
Por
fim, temos que a participação de pessoas físicas chegou a mais de 20% nas
eleições passadas e a das empresas a quase 75%. Esse somatório é claro que
nós vamos discutir de forma aberta. O meu partido está interessado nesse
tipo de entendimento. Em alguns momentos, acho que a provocação que o
Relator nos traz é a de que as principais lideranças políticas do País têm
que conversar. Também acho. Todo mundo tem que estar envolvido, porque
esse esforço é do Brasil, não é só para quem disputa eleição, é para quem
não disputa também.
Para
encerrar, a base de preocupação dos meus estudos é sempre o País, em
primeiro lugar, e depois nós aqui.
A
minha grande lição de vida foram os alemães. Os alemães entraram no
sistema capitalista um século depois de todo mundo na Europa. Quando todo
mundo já estava há um século no capitalismo é que eles foram resolver o
problema feudal e capitalista. E, menos de 60 anos depois — metade de um
século —, já promovem a Primeira Guerra Mundial. E, achando que era pouco,
um quarto de século depois, fazem a Segunda Guerra Mundial. Para mim, foi
surpresa, 2 anos depois da Segunda Guerra Mundial, assinarem aquele
tratado. Convidaram seus arqui-inimigos, Inglaterra e França, e promovem a
criação da União Europeia. Eu fui lá ver isso, fui estudar, pensar e
conversar. E eles me deram o sinal, que é o que eu trago como retrato de
vida política, onde as lideranças da política, as lideranças da política,
as lideranças da economia e as lideranças da ciência se juntam na Alemanha
para pensar a Alemanha. Acima deles está a Alemanha. E depois brigam pelos
espaços conquistados.
Eu temo que fiquemos fazendo um esforço desses sempre preocupados
com a próxima eleição. Então, nós temos que criar uma regra não para a
próxima eleição, mas uma regra que diga o preço da democracia no Brasil, a
expansão de sua razão e de sua raiz, vai a esses pontos aqui. Nesse caso,
é claro que as teses ficam meio apaixonadas e dizem assim: “Daqui eu não passo; dali eu não
passo”. E a gente não anda. Aí eu vou aceitar duas provocações aqui do
Relator, além dessa, que eu acho que é essa história de encontro de
líderes máximos do Brasil.
O recall — não sei se a
palavra é essa mesma — é uma palavra que eu estou utilizando para provocar
o que seria a força de um referendo. Mas eu quero compreender que a sua
provocação está correta, porque como eu vou colocar sob referendo algo que
nós aprovamos e que ainda nem foi testado? Mas podia ser dado um prazo. Se
na eleição começa a ser utilizado o instituto A, na eleição fulana de tal
esse estudo será... Talvez até a pessoa vote nos candidatos dizendo sua
opinião de se aquele modelo está funcionando ou não. Algo assim, porque o
Brasil precisa que o povo dê uma opinião mínima também sobre o que nós
estamos fazendo. Pois nós estamos preocupados com as coisas que estamos
aqui dizendo à representação popular. Senão, de tudo o que nós estamos
fazendo, o povo vai dizer se vai gostar ou não. Quando ele vai dizer que
concorda com isso? Ou não vamos pegar essa opinião? É um pouco
isso.
E defendo mais uma vez que a minha bancada está aqui aberta para as
negociações, e que nós possamos avançar o melhor possível para o Brasil a
partir desta Comissão.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Chico
Alencar.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Como é notório, o DNA do PSOL tem a ver com o do PT, na
compreensão, não propriamente na prática. E também isso não quer dizer
nada, porque os filhos não seguem necessariamente os rumos dos pais. Às
vezes, ficam até se opondo atavicamente. Mas por que eu digo isso? Porque,
primeiro, também compreendemos que o cenário ideal seria uma Assembleia
Constituinte exclusiva para discutir, debater e votar a reforma profunda
do sistema político. Cenário ideal, porque você precisaria ter regras para
a eleição dessa assembleia, os seus componentes não poderiam exercer
mandatos parlamentares imediatamente após, para ter independência total, e
ela envolveria a população nessa discussão, porque nós temos uma limitação
aqui. Cenário ideal e hoje inexequível, por mais que 8 milhões de pessoas
tenham dito que queriam isso lá na Semana da Pátria do ano passado numa
movimentação bem interessante da base da sociedade e de várias
entidades.
Essa não é a realidade. Isso é inexequível hoje. Nós estamos aqui
então. Por isso nós temos que ter muita humildade. Nós vamos fazer
modificações no sistema eleitoral e partidário. Eu tenho muita reserva em
falar “reforma política”. Não será isso, até pelo que o “dataCastro”
acabou de mostrar. É um instituto de alta credibilidade. Eu também não fui
ouvido, mas é um universo de pesquisa restrito. Quantos foram, Marcelo, ao
todo?
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Cem, aproximadamente.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Cem, aproximadamente cem.
O SR. DEPUTADO ODORICO
MONTEIRO - Levante o dedo quem da Comissão foi
ouvido.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Isso. Quem da Comissão foi ouvido?
Agora, ele falhou, porque ele não colocou lá a proposta da CNBB ou
da OAB e de mais 100 entidades. Precisou alguém, um consultado. Essa é a
vantagem de um instituto pouco requisitado por empresas e tal, porque pode
incorporar algo que o pesquisado colocou e não demitir o pesquisador.
Brincadeiras à parte, estamos diante de uma realidade em que as
modificações serão moderadas, ainda que necessárias. A gente vive — para
usar uma conceituação do Boaventura de Sousa Santos, sociólogo português —
uma democracia de baixa intensidade. O povo não está ligando para o que a
gente está debatendo aqui. Tem rejeição à política, tem uma visão muito
crítica, a corrupção arrepia, ainda que ele suborne o guarda da esquina
eventualmente por uma necessidade ou sonegue impostos, se for de classe
média. Mas à corrupção há uma rejeição geral, e ela está muito
identificada com o sistema político, com boa razão também. Então, creio
que nós temos que avançar.
Nós, do PSOL, vamos defender o que é possível, que é a iniciativa
popular de lei liderada pela OAB Nacional e pela CNBB, que vai chegar aí,
no início de maio, com 1 milhão e meio de assinaturas. Não é algo nem um
pouco ilegítimo. É muito engenhosa, muito detalhada e muito importante,
embora sabendo que a dificuldade de prosperar seja grande. Quem sabe já no
relatório, algumas daquelas visões possam ser incorporadas. Então, eu acho
que nós temos que fazer pontos de encontro aí.
Por exemplo, em relação ao que, para nós, é fulcral, o
financiamento de partidos e campanhas, nós temos uma compreensão profunda.
Com a mesma convicção que o Vice-Presidente Michel Temer tem do voto que
ele chama de majoritário, o distritão, nós a temos quanto à
incompatibilidade do financiamento empresarial de campanhas com a
democracia.
Empresa tem sempre interesses, e é legítimo! Nós estamos falando da
ordem capitalista, do mercado. Não é uma realidade diferente dessa. Mas
ela tem interesses. O Paulo Roberto Costa, da delação premiada, falou: “Vamos parar com essa história de que
a empresa vai doar porque é generosa, porque tem visão política”,
tanto que doou para todo mundo que tem chance. Mas ela tem interesses,
conforme as pesquisas dos institutos regiamente pagos para fazê-las. Ela
tem interesses! Não tem almoço grátis. Condiciona mandatos!
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Não há doação, há empréstimo.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Pois é isso. Isso! Ele até falou isto: não há doações, há
empréstimos. Então, eu acho que nós temos que travar uma batalha aqui
também para vedar a doação de empresas. E ficar defendendo apenas o
financiamento público exclusivo, que já existe de alguma maneira com o
Fundo Partidário, em geral muito mal repartido (risos), é ilusão também. A
conjuntura não permite. Então, a doação da pessoa física é a melhor.
Nós temos de caminhar para o seguinte: partido não é dependente de
aparato estatal. Assim como o velho PT e o novo PSOL eram contra o imposto
sindical, a contribuição sindical obrigatória — e continuam defendendo
isso —, nós devíamos também caminhar com regras de transição para o fim do
fundo partidário: cada partido será mantido pela cidadania que adere aos
seus princípios, propostas, projetos, práticas. Sabemos que extinguir o
fundo partidário agora é também ilusório, seria um baque no sistema
político. Mas não precisa triplicar os recursos! Podia ser mais moderado.
(Risos.) Está pegando mal à
beça. Aliás, isso ajuda os adversários de qualquer financiamento público,
pela repercussão negativíssima.
Então, nós queremos esta proposta de mediação: fim do financiamento
empresarial; financiamento de pessoas físicas; e algo que, independente do
sistema que passar, tem que ter de qualquer maneira — nós já apresentamos
projetos, o Deputado Henrique e Deputados mais antigos também —, isto é,
limite claro. Porque está lá na lei que o partido deve fazer e, se não
fizer, dá no mesmo. Quer dizer, a lei disporá sobre limites de gastos. Tem
que ter, tem que sair dessa reforma um limite forte, porque eu afirmo aqui
a vocês: o Deputado Rodrigo, meu companheiro lá do Rio de Janeiro, sabe
que campanhas e perfis são diferentes, mas não é obrigatório gastar 3, 4,
5, 7 milhões de reais para se eleger. E, se o fosse, tinha que ser
combatido, porque é uma deformação absoluta!
O Deputado Ronaldo Caiado, nosso adversário político, falava aqui,
naquela Comissão de 2003, que estávamos crentes que íamos fazer a reforma
política. Era época do “Lula lá”, havia um ambiente meio que de mudancismo
geral, muita esperança até da população, e deu no que deu. Mas o Deputado
Caiado estava conosco — acho que ainda era PFL —, estava sintonizado com o
PT, do qual eu fazia parte. O PSOL não tinha nascido ainda. E nós
falávamos: “Meu Deus, alguma coisa
está acontecendo!” Até queríamos encontrar alguma divergência para
manter a pose, mas não era possível.
exacerbados
que outros.
Mas, então, eu acho que tem que haver um momento de organização
desse último fecho de audiências de escutas da sociedade. Nós Deputados,
muitos aqui de primeiro mandato, vamos ter o momento de afunilar posição e
produzir o relatório.
Como a questão é muito polêmica, eu recomendo que não persigamos a
experiência da primeira Comissão, na qual o Deputado Henrique Fontana foi
o Relator, mas que construamos, como foi feito no grupo de trabalho de
2013, um elenco de assuntos.
Nós estamos calejados. O Deputado Chico fala a primeira palavra e
eu sei a última vírgula; e ele sabe também. Nós já estamos com o
conhecimento e a discussão acumulada. Então, eu acho que tem que haver uma
coluna vertebral, onde se concentram as discussões muito grandes, que
vai-se desdobrando. Mas é o tema, duas defesas, votação, aferição e
acolhimento para o relatório. Acho que o relatório deve surgir da
discussão e da votação que ocorrerá na Comissão de 3 a 15 de maio. Por
isso, temos que trabalhar no ritmo de Comissão Mista de Orçamento,
atravessar madrugada, ir embora, fechar o relatório, e ver qual é a
maioria.
Será uma vergonha não produzirmos o relatório. Vai ser uma
declaração de falência. Eu tive uma frustração enorme, o Deputado Henrique
muito mais, quando trabalhamos 2 anos e não chegamos sequer ao relatório.
Querendo ou não, o grupo de trabalho apelidado de Vaccarezza
produziu em 4 meses uma PEC, que é a PEC que deu origem a esta Comissão.
Então eu acho que aquele método é o correto. E temos que afunilar, porque
os argumentos já estão sobejamente oferecidos.
Concordo que ninguém vocalizou o distrital público, por isso essa
reivindicação do Movimento Acorda Brasil é justa. Não sei se poderemos
ainda incluir a questão da mulher e do distrital puro no nosso calendário.
Mas eu, na verdade, me inscrevi para fazer uma pergunta, porque
minhas opiniões todo mundo está enjoado de conhecer. Dirijo-a ao Líder
Sibá Machado, que está representando o Presidente do Partido dos
Trabalhadores, Rui Falcão. Nós sabemos que o voto proporcional é um tema
caro à Esquerda, mundialmente falando, e eu gostaria de saber qual é a
possibilidade... Quando comecei a estudar isso, em 1997, no primeiro
artigo que eu publiquei, ninguém falava em reforma política. Ainda no
primeiro mandato do Presidente Fernando Henrique, eu publiquei um artigo
em que eu defendia a lista fechada e o financiamento público, e evoluí ao
longo desses anos.
A lista fechada tem seus méritos, é um sistema extremamente barato.
Eu acompanhei as eleições de um Deputado europeu na Páscoa de 2014, em
Portugal, e pude ver que esse é um sistema baratíssimo, centrado em
ideias. Mas, lá e na Espanha, existe questionamento, porque é um sistema
despersonalizado e casa pouco com a cultura do brasileiro, que quer
decidir e escolher, embora esqueça o nome do candidato que escolheu 1 ano
depois. Então o vínculo e o controle social são nenhum.
Vamos à pergunta objetivamente: como V.Exa. está aqui como porta-voz do PT
e da sua Executiva Nacional, em que medida o PT pode evoluir para a
convergência em torno do sistema distrital misto proporcional do tipo
alemão? V.Exa. sabe que é
totalmente proporcional. O PT está apegado à questão da lista fechada ou é
possível evoluir para essa proposta? Nós vamos ter que provocar
convergência. O Deputado Esperidião me goza o tempo todo, dizendo que eu
abandonei minha própria proposta, que é a constante da PEC. Eu redigi
aquela proposta, mas foi uma proposta que não era ponto de partida;
tornou-se ponto de chegada, pois foi a construção do consenso no fecho da
Comissão Vaccarezza. Então não foi uma proposta de convicção; foi uma
proposta de negociação. Naquele momento, foi a que granjeou a maioria.
Então, nós vamos ter que ter essa flexibilidade.
Objetivamente, solicito ao Presidente Deputado Rodrigo Maia que nos
organize em torno da agenda administrativa, que acene para nós a
possibilidade de termos uma reunião administrativa.
Objetivamente, a minha pergunta é se há espaço... Hoje, na verdade,
remanesceram o distrital misto, com possibilidade de granjear, formar
maioria, e o distritão. Vamos deixar claro que hoje as possibilidades são
em torno disso. Então, eu gostaria de ouvir o Líder, Deputado Sibá
Machado, como representante da Executiva Nacional do
PT.
O SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO
- Deputado Pestana, reitero que as posições do PT são posições que
fechamos para discussão interna do partido e para apresentar à bancada. É
claro que a bancada está trabalhando e tem, inclusive, o seu grau de
autonomia para participar do ambiente, porque se fosse para dizermos que
não há discussão, nós nem tomaríamos mais parte da Comissão. Então estamos
aqui estudando, analisando, ouvindo, ponderando.
Na época em que o Deputado Henrique Fontana foi Relator, na
Comissão passada, ele fez um esforço muito grande para que pudéssemos
avançar em alguns pontos, preservando minimamente qual é o eixo central de
cada um dos partidos que estão aqui, especialmente aqueles que têm maiores
bancadas.
Estou entendendo que nesse sistema que V.Exa. propõe, com base no
modelo alemão, constitui-se de metade e metade. Não é
isso?
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - São dois votos. A soma dos distritais com o voto de legenda
faz um universo de 200%; desse voto duplicado, retira-se a
proporcionalidade e forma as cadeiras. Em tese, é meio a meio, mas lá tem
o problema do delta...
O SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO
- Mas mantém uma certa proporcionalidade.
Então, o tema da lista de voto fechado, ou não, está em discussão,
sim! Temos insistido muito aqui, para avançarmos um pouco numa experiência
sobre o financiamento. Talvez pudéssemos avançar um pouco mais nisso,
porque hoje esse é um dos pontos mais fortes. O PT está amadurecendo essa
discussão.
Quanto a esse sistema, pelo que foi apresentado — e acho que a
bancada já falou sobre outros modelos aqui —, é um modelo sobre o qual,
com certeza, nós podemos aprofundar a discussão também, caso tenhamos que
encontrar um caminho alternativo, que vá nem tanto ao mar, nem tanto à
terra. Talvez esse seja o modelo.
Eu não vou dizer-lhe isso firmemente, porque eu não tenho
autorização do Presidente do partido, porém, de qualquer jeito, há o
espírito de que saiamos daqui com uma compreensão bem maior do que com a
que começamos, e que saiamos também com algumas propostas interessantes
para apresentar.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Assis
Carvalho.
O SR. DEPUTADO ASSIS
CARVALHO - Nobre Presidente, Deputado Rodrigo Maia, meu querido Líder,
Deputado Sibá Machado, nosso amigo Deputado Marcus Pestana, que está
substituindo o Relator, Deputado Marcelo Castro, meu conterrâneo, acho que
o final da fala do Relator aponta para uma busca de negociação. O
Parlamento tem que ser uma casa de negociação. Se aqui pensarmos em fazer
essas pequenas alterações, não negociando nada, fica tudo como está. E
tudo como está, sabemos, está muito ruim.
Então, Deputado Marcus Pestana, eu penso que nós vamos ter que
ceder em alguma coisa. Uma das falas aqui foi no sentido de que há
possibilidade de que todos os males por que estamos passando não estejam
realmente ligados ao financiamento privado de campanha. Mas eu não tenho
dúvida nenhuma de que a grande maioria do que se vê por aí está a ele
ligado, e acho que isso, se não é um consenso, é quase um consenso nesta
Casa. E, em nome do fim do financiamento privado de campanha, nós vamos
ter que perder alguns anéis para salvar os dedos. Acho que essa é a pauta
principal que o nosso partido vai ter que abraçar, mesmo que tenha de
abrir mão de uma ou outra bandeira que defendemos com uma ou outra
paixão.
Grandes reformas não vamos ter, mas temos alguns pontos que nos
aproximam mais e nos quais poderemos avançar. Com esse modelo de
coligações ora existente não dá para continuar. Compreendo que a reeleição
foi aplicada, que nós já a experimentamos, mas também avaliamos que ela
não faz bem à democracia.
Quanto à posição da minha querida Deputada Margarida Salomão, que
tem todo o meu carinho e admiração, discordo no que diz respeito à
realização de eleições permanentemente, porque não se pode planejar nada.
Eu também acho que encarece muito o processo. Pode até revitalizar a
democracia, mas, além de encarecer muito, dificulta o planejamento. Então,
eu também acho que precisamos ter a coincidência de mandatos.
Esses três pontos, naturalmente vinculados ao fim do financiamento
privado de campanha, são muito caros para nós. Ao estabelecer o
financiamento de pessoa física, com um teto, podemos dar uma avançada.
Agora, eu penso que a tão sonhada reforma — e o Deputado Chico
Alencar colocou muito bem, assim como o nosso Líder Sibá Machado — seria
feita pela nossa Assembleia Nacional Constituinte. Vai haver Assembleia
Nacional Constituinte? Não. Ela não vai ser convocada. Então, por que
ficarmos insistindo numa Assembleia que não vai acontecer? Esta Casa fará
a reforma que nós gostaríamos? Não. Então, o jeito é ir fazendo pequenos
remendos, pequenos ajustes, o que já vem sendo feito nos últimos anos,
para, pelo menos, conseguirmos fazer alguns consertos
mínimos.
Mas eu queria fazer uma proposta, Deputado Marcus Pestana. Acredito
na sua boa intenção, crédito extensivo ao meu conterrâneo, o Relator
Marcelo Castro. Mesmo que não façamos agora, mas todos nós que acreditamos
no fortalecimento da democracia poderemos oferecer essa oportunidade
àquele que está acima de nós representantes, que é o povo. Ou seja, sobre
aquilo que sair desta bem-intencionada Comissão, deste bem-intencionado
debate, após duas eleições poderíamos fazer um referendo para ouvir a
sociedade, para ver se ela aprova ou não aquilo que nós aprovarmos aqui
agora. E, concomitantemente, após essas duas eleições, faríamos, então, a
convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte para fazer aquilo que
estamos fazendo agora. Assim, eu acho que nós teríamos aproximadamente 8
anos, 10 anos, dependendo da quantidade de anos que esta Comissão, que
este Parlamento decidir. Então, o terceiro Parlamento é que vai ter a
oportunidade de, com a participação popular, portanto, a sociedade,
através de uma Assembleia Nacional Constituinte, consolidar exatamente o
que nós aqui... Não estamos iniciando — o Deputado Odorico Monteiro e
outros Parlamentares colocaram muito bem — porque, desde a Constituição de
1988, vimos tentando fazer o que é possível.
Mas eu acho que, aí sim, nós estaremos oferecendo ao futuro da
democracia aquilo que é ideal, que é a sociedade fazer o que tem que ser
feito, uma Assembleia Nacional Constituinte para consolidar essa reforma
tão esperada e tão sonhada. E aquilo que sair das urnas e dessa
Assembleia, sim, será a vontade plena da sociedade.
Portanto, seria esta, Deputado Marcus Pestana, a nossa proposta: o
referendo sobre o que fizermos agora, com a convocação, daqui a duas
eleições, de uma Assembleia Nacional Constituinte.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Raquel Muniz.
A SRA. DEPUTADA RAQUEL
MUNIZ - Boa tarde.
Tenho hoje a oportunidade de falar sobre o seminário que nós
realizamos no norte de Minas, em Montes Claros. Atendendo a pedido das
lideranças locais — Vereados, Prefeitos —, nós nos reunimos na Câmara
Municipal de Montes Claros, durante todo o dia, na sexta-feira, com
representação aqui da Câmara dos Deputados, a Deputada Jô Moraes, que
falou da questão das cotas para as mulheres, os 30% — e estimulou também
as mulheres do norte de Minas a participarem da política —, e o Deputado
Laudivio Carvalho, bem como com o representante da Assembleia Legislativa
de Minas, Deputado Arlen Santiago.
Durante o seminário, nós tentamos fazer, mais ou menos, o modelo
que encontramos aqui na Comissão. Contamos com a presença da Igreja, da
ABRADEP — Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, que já
esteve aqui conosco, do advogado Tarso Tassis. Também esteve lá conosco um
Juiz do TRE de Minas Gerais.
Fruto dos debates, foi redigida a Carta de Montes Claros, que aqui
trazemos. Depois de ouvir todos aqui, percebemos que é preciso voltar às
nossas bases, porque existem muitas dúvidas. A Câmara Itinerante e também
a Comissão da Reforma Política têm ido a algumas capitais, mas, como o
tempo é curto, não nos foi possível avaliar os Municípios.
Então, eu trago minha contribuição, do norte de Minas, de uma
reunião da qual participaram mais de 400 pessoas, entre líderes,
políticos, representantes de entidades, um evento bem representativo, para
que esta Comissão possa analisar. E também foi passado a todos lá um
questionário. Todo o material está aqui, inclusive a assinatura das
lideranças que lá estiveram.
Não foi possível ter a presença de V.Exas. lá, mas eu os fiz serem
representados através dos vídeos disponibilizados pela Comissão. Todos
queriam conhecer o nosso Relator, porque sua cartilha passou pelos grupos
de trabalho e nela há um item que fala da prorrogação das eleições. Então,
queriam muito conhecer o Relator, Deputado Marcelo Castro.
Ele coloca também, com muita simplicidade, um problema vivenciado
no seu Estado, que é a questão da judicialização do processo eleitoral, em
que Prefeitos de pequenas cidades foram cassados porque não apresentaram
um simples documento de despesa com motorista, já que não tiveram
motorista.
Enfim, a gente exibiu no seminário alguns vídeos e, para controlar
esse desejo deles quanto à prorrogação, nós colocamos o vídeo do Ministro
Toffoli, o que foi muito prudente, já que não discutimos mais esse assunto
após sua vinda a esta Comissão. Ele colocou que, se a inciativa fosse
levada adiante, não só ele, mas também seus pares não iriam permitir.
Então, também foi muito importante a fala dele. E tinha acabado de sair da
CCJ, ainda, a fôrma. O Município de Montes Claros tem mais de 400 mil
habitantes. Na medida em que saiu isso lá — saiu no meio da semana, e o
nosso seminário foi na sexta —, os Vereadores estavam realmente muito
apavorados, achando que não se enquadrava lá na nossa
região.
Quero dizer a V.Exas. que o norte de Minas é uma parte grande do
Estado, e Montes Claros é como se fosse uma capital. E efetivamente nossa
opinião vale muito, porque nós temos uma população muito maior que a de
muitos Estados brasileiros. Estamos no Sudeste, mas a nossa condição é de
Nordeste, já que convivemos com a seca.
Enfim, essa é uma contribuição simples, mas eu quis muito levar o
seminário para lá. Sugiro também a todos, até mesmo aos Deputados com
vários mandatos — eu acho que V.Exas. têm que contribuir muito com isso —,
olharem efetivamente para suas bases, porque, após votarmos aqui, após
isso se tornar lei, as pessoas vão encontrar muitas dificuldades, e elas
sabem que somos partícipes disso. Nós estamos aqui, podemos atuar, podemos
levar essa discussão para lá. Então, eu acredito que minha missão foi
cumprida, de levar esse debate para a minha região, ainda que como
Deputada de primeiro mandato.
Agradeço a colaboração dos colegas que puderam estar lá conosco.
Vou deixar esse relatório à disposição do Deputado Rodrigo Maia, do nosso
Relator Marcelo Castro, do Deputado Marcus Pestana. E quero também, se
possível, apesar de o Deputado Marcus já ter saído, convocá-lo para fazer
uma visita ao norte de Minas, já que a gente tem um representante aqui à
altura, que há muitos anos participa dessa discussão, e também foi muito
cobrada a presença ele lá. Eu vou deixar o documento com o Presidente.
Muito obrigada, Presidente, e me desculpe pela demora.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Obrigado, Deputada Raquel Muniz, pelas
palavras. A gente vai analisar o documento da reunião realizada em Montes
Claros.
A SRA. DEPUTADA RAQUEL
MUNIZ - Eles até intitularam o documento de, Carta de Montes Claros,
para a Comissão.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Ótimo. Eu já estive em Montes Claros.
Com a palavra o Deputado Afonso Hamm.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Eu também gostaria de contribuir. Nós já estamos encerrando a rodada
com os Presidentes de partido, ou com a representação dos partidos.
Presidente Rodrigo Maia, nós vemos colegas debatendo com muita
profundidade, nos últimos tempos, e intensidade, com acúmulo de
informações, de opiniões, de consultas, o que a Comissão vem fazendo, e
vemos praticamente já se esgotando as contribuições.
O Relator, Deputado Marcelo Castro, não está aqui, mas eu queria
fazer uma sugestão. Para que possamos ter sucesso no plenário, em vez de
recebermos um relatório do Relator ao término das conclusões e do seu
desenvolvimento, nós deveríamos, Presidente Rodrigo — aí a sugestão —,
promover a construção de um relatório fatiado, com discussão pontual. Por
quê? Porque nós percebemos níveis de entendimento em questões pragmáticas.
Por exemplo, sistema eleitoral. A Comissão vai ter que definir um, com a
concordância da maioria.
Eu acho que nós aprovarmos ou desaprovarmos um relatório é chover
no molhado, é, talvez, não avançarmos ou até retrocedermos mesmo depois da
profunda discussão que tivemos. Minha sugestão ao Relator, ao Presidente,
à executiva desta Comissão, a nós mesmos é exercitarmos a formatação do
relatório de forma fatiada, para fazer um exercício. Por quê? Porque nós
estamos plenamente maduros, porque, se nós não fizermos esse exercício
aqui, vamos ter muito mais dificuldade no plenário. E, às vezes, alguns
temas, em função das circunstâncias, são atropelados, outros são
reprimidos, outros, muitas vezes, não têm oportunidade. Claro que a
decisão vai ser resultado do voto de todos.
Mas esta Comissão, para valorizar o aprofundamento e principalmente
as contribuições que nos foram trazidas aqui... E muitas vezes há mudança
com relação a alguma convicção nossa. Mas vemos que a ideia é melhoradora
para a política brasileira; ela é estrutural, ela traz o componente que
nos move aqui, que é formatarmos uma melhoria significativa, porque,
senão, não há razão. Alguns disseram que pode até piorar. Não! Nós temos
que fazer algo para melhorar.
Há pontos de entendimento e pontos de aproximação de pensamento.
Inclusive, há situações em que alguns partidos que são ideológicos, que
são mais pragmáticos votam em bloco, menos fatiados que muitos outros,
pelo comportamento do partido, dos seus membros, e pelas conjunturas.
Eu imagino que nós deveríamos fazer isso. É uma sugestão que faço
ao Relator, que não está presente. Eu gostaria de apresentar essas
sugestões na presença dele, mas o nosso Vice-Presidente é também Relator,
é o apoiador de todos.
Vamos pegar como exemplo o sistema eleitoral. Vamos debater com o
Relator, em vez de o Relator apresentar um relatório. Vamos fazer esse
exercício, porque nós aprofundamos muito a discussão ao longo desse
período. Temos maturidade, aprofundamento suficiente e suficiência de
conhecimento e de contribuição para fazermos esse exercício e termos um
relatório que de fato possamos, de forma bem abrangente, sustentar lá no
plenário. Aliás, não todos os temas, Presidente, mas os que nós
conseguirmos, porque a PEC tem 16 itens. Tudo bem! Vamos acertar três,
cincos temas, de forma pragmática. Eu acho que esse é o desafio da nossa
relatoria. O relatório não é do Relator; o relatório tem que ser da
Comissão. Certo? Se nós estamos discutindo com profundidade e se há essa
possibilidade, parece que deveríamos nos desafiar com esse entendimento,
em que nós poderíamos pegar, agora, depois de ter tido essa oportunidade
de inúmeras participações de presidentes de partidos, consultores,
cientistas, pesquisadores, representações, segmentos, entidades
representativas — as cem entidades —, a OAB, a CNBB… Elas tiveram e estão
tendo oportunidades. De lá foram trazidas algumas ideias. Eu mesmo tenho
uma emenda em que coloquei a questão do financiamento de pessoa física no
limite de um salário mínimo. Lá não tinha um indexador, um número. É um
referencial, é uma sugestão para esse componente. E nós vamos ter que
decidir o que vai acontecer em relação à questão de financiamento —
sistema político, financiamento, limites, teto e alinhamento eleitoral ou
eleições coincidentes, tudo aquilo que a gente trabalhou. E, se tiver mais
alguma coisa, que nós possamos colocá-la.
Eu queria fazer essa sugestão de entendimento ao nosso Presidente,
aos executivos aqui da Comissão e à própria Relatoria. É claro que agora
já há uma representatividade menor. Mas me parece que poderia ser um
desafio, se o Relator entendesse dessa forma. Que nós pudéssemos dedicar
os próximos dias… Não sei o que há em termos de agendamento, mas parece
que já se esgotou praticamente todo o volume de convidados, de
participantes, de contribuições, para nós fazermos esse exercício com
aprofundamento, pegando um tema por dia, um tema por sessão, trabalhando
dentro daquela estruturação, que até, mais ou menos, em algum momento foi
desenhada. Eu fiz até uma sugestão de perguntas e respostas ou de votação,
e várias sugestões existem aqui. E eu queria colocar como sugestão esse
formato, se fosse possível, para que nós pudéssemos ter força, ter um bom
encaminhamento para ampliarmos o convencimento do conjunto do Plenário,
sob pena de serem totalmente inócuas as nossas discussões. Temos que
realmente aproveitar e ver sobre que pontos há entendimento e se há
condições — e há condições, sim, para nós construirmos um texto que tenha
um indicativo de pontos fundamentais, como aqui deu para perceber ao longo
desses últimos dias.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Obrigado, Deputado
Afonso.
A Ordem do Dia começou. Todos precisam estar no
plenário.
Eu não vou abrir expectativa em relação a novas audiências — no
máximo, o tema das mulheres e o tema pedido pelo Deputado Esperidião Amin,
sobre a questão da urna. Isso, na terça-feira. A partir de quarta-feira,
nós vamos organizar a votação, que tem que acabar no dia 15 de maio. O
prazo das 40 sessões caminha para dia 21, mas pode terminar dia 18, dia
19. Com isso, a gente fica sem tempo de ter um relatório aprovado antes de
a matéria chegar ao plenário.
Eu vou estar à disposição do movimento, para que a gente possa, com
mais dois ou três, discutir qualquer tema. Mas não há mais condição de
realizarmos audiência pública, porque as sessões daqui para frente serão,
exclusivamente, para votação do relatório. E, Deputado Afonso, o Deputado
Relator tem a prerrogativa de apresentar um texto ou não. É uma questão
que cabe a ele. Não cabe a mim, nem ao Marcos, tomar essa decisão por
ele.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Mas a intenção do Marcelo é percorrer este caminho:
auscultar o Plenário.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - A princípio, sim. Eu vou fechar com ele. Eu
não quero fechar nenhuma agenda sem estar ajustado com o Relator. Eu tenho
feito assim e vou fazer assim.