DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL
Versão
para registro histórico
Não
passível de alteração
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COMISSÃO
ESPECIAL - PEC 182/07 - REFORMA
POLÍTICA |
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EVENTO:
Audiência
Pública |
REUNIÃO
Nº: 0390/15 |
DATA:
28/04/2015 |
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LOCAL:
Plenário 1 das
Comissões |
INÍCIO:
10h31min |
TÉRMINO:
13h04min |
PÁGINAS:
55 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
- QUALIFICAÇÃO |
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MICHEL
TEMER - Vice-Presidente da República e Presidente Nacional do
Partido do Movimento Democrático Brasileiro —
PMDB. |
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Debate
sobre sistemas eleitorais e financiamento de
campanhas. |
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Declaro aberta a 18ª Reunião Ordinária da Comissão
Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à
Constituição nº 182, de 2007, do Senado Federal, e apensadas —
Reforma Política —, com a participação da Comissão Especial
destinada a efetuar estudo e apresentar propostas com relação às
matérias infraconstitucionais da reforma
política.
Daremos início à reunião de audiência pública, que atende aos
Requerimentos nºs 39, de 2015, do Deputado Julio Lopes, e 40, de
2015, do Relator Marcelo Castro.
Já está à mesa o nosso ilustre convidado, o Sr.
Vice-Presidente da República e também Presidente do PMDB, Michel
Temer.
Peço a atenção de todos para as orientações sobre a reunião.
Esta é uma audiência pública interativa. A sociedade civil poderá
participar com sugestões e questionamentos pelo endereço edemocracia.camara.gov.br.
Na fase dos debates, os Deputados poderão direcionar as
sugestões e os questionamentos aos convidados. Quanto à exposição e
ao debate, o tempo concedido ao palestrante será de 20 minutos, mais
o tempo que o Presidente Michel Temer sentir
necessário.
Os Deputados interessados em interpelar os palestrantes
deverão inscrever-se previamente junto à Secretaria. As perguntas
serão feitas ao final da palestra e deverão restringir-se ao assunto
da exposição. Aos Deputados são facultadas a réplica e a
tréplica.
Antes de passar a palavra ao Presidente Michel Temer, informo
que a nossa Comissão começa agora, às 10h32min, e vai encerrar-se às
13 horas, em ponto, sem atraso, porque o nosso Presidente tem outras
agendas.
Passo a palavra ao Vice-Presidente da República e Presidente
do PMDB, Michel Temer.
O SR. VICE-PRESIDENTE
DA REPÚBLICA (Michel Temer) - Bem, meus amigos, eu
quero começar cumprimentando o Deputado Rodrigo Maia, o Deputado Marcelo Castro, o
Deputado Waldir
Maranhão, enfim, cumprimentando a todos. Agradeço enormemente o
convite que me fizeram para prestar um depoimento a respeito da
reforma política.
Eu quero, até numa preliminar, dizer aos meus colegas, amigos
e amigas da Câmara dos Deputados, que a minha presença, como
seguramente a de outros Presidentes de partido e outros
tantos que estiveram aqui, tem certa simbologia. A principal
simbologia — penso eu — é a ideia de que mais do que nunca se impõe
que esta Casa faça uma reformulação política em nosso
País.
Eu tive, como todos sabem, seis mandatos de Deputado Federal
e me recordo de que o tema de que mais se falava em todas as
campanhas eleitorais e, curiosamente, de que logo se esquecia após a
eleição era precisamente o da reforma
política.
Uma ou outra vez, pelo menos em duas ocasiões em que presidi
esta Casa, tentei levar adiante uma reforma política, que não se
concluiu. Não conseguimos votá-la, em face das divergências mais que
naturais existentes nessa matéria. Mas hoje eu penso que seria uma
grande decepção popular e uma decepção política se nós todos,
unidos, não conseguíssemos realizar esta reformulação política do
nosso País.
Faço mais um parêntese. Eu hoje estou fora do Parlamento.
Então, quando venho aqui, eu venho na qualidade de Presidente do meu
partido para fazer algumas sugestões.
Se me perguntarem ”Bom, mas a sua sugestão é que
deve prevalecer?”, eu responderei: absolutamente, não. É por
isso que eu fiz a preambular dizendo que é simbólica a minha
presença para revelar algo que é trivial. Ou seja, a fundamentação
da reforma política será dada pelo Congresso
Nacional.
Eu vou expor algumas ideias referentes a uma tese que eu
tenho sustentado há muito tempo, que é uma tese que tem duas
vertentes: uma vertente jurídica e uma vertente
política.
Quero fazer mais um aditamento preliminar, o de que todos os
dados que me chegam às mãos revelam que, se os partidos não se
entenderem em torno, por exemplo, de um dos sistemas eleitorais, nós
não conseguiremos os 308 votos necessários para esta reformulação
política.
Para tanto, ainda dentro desta preliminar, haveria a
necessidade de verificar qual é a tese que mais facilmente transita
pela Casa, para que alguns partidos possam abrir mão de uma ou outra
posição, a fim de engrossar as fileiras da tese que prevalece com
mais naturalidade, ou, então, de que haja pelo menos uma equação
mista, um misto de dois sistemas, para que afinal se chegue à
reforma política no País.
Eu vou agora entrar exatamente no que eu penso a respeito do
sistema eleitoral. Até peço desculpas a alguns amigos que já me
ouviram várias vezes falar nesse tema. Eu peço que tenham a
paciência de ouvir novamente os mesmos argumentos. Dizia eu a todos
que a minha tese, que é a tese conhecida como distritão, mas que
prefiro chamar de voto majoritário, tem uma vertente jurídica e uma
vertente política.
Eu começo pela vertente jurídica. Quando examinam a
Constituição brasileira, os senhores verificam que a regra fundante
do Estado brasileiro, a regra que é o alicerce criador do Estado
brasileiro, é a regra definidora do dono do poder. Eu vou pedir
licença para algumas obviedades. Se no passado todo o poder era do
soberano, hoje todo o poder pertence ao povo.
Então, nós, agentes políticos, que estamos no Executivo, que
estamos no Legislativo, que estamos no Judiciário, nós somos meros
exercentes de um poder que nos foi delegado pelo real e efetivo dono
do poder, que é o povo.
Não é sem razão — e eu vou também fazer essas considerações
para encaminhar o meu raciocínio — que a própria palavra “poder”, no
texto constitucional, tem várias
significações.
Quando os senhores encontram a frase “Todo o poder emana do povo”,
a palavra “poder” tem o significado de soberania. Ou seja, aquele
poder incontrastável de mando, aquela capacidade de querer
coercitivamente, de fixar competências no Estado, pertence ao povo.
A ideia de poder, aí, é sinônimo de soberania.
Mais adiante, os senhores deparam com a palavra “poder” com
outra significação: “São
Poderes da União (...) o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário”. A palavra “poder”, aí, tem o significado de órgãos.
São órgãos do poder o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário.
Mais adiante, os senhores encontram a palavra “poder” em
várias passagens da Constituição. Em “o Poder Judiciário é exercido
pelos seguintes órgãos”, a palavra “poder” tem o significado de
funções.
E o que fazem os integrantes desses órgãos ao desempenharem
essas funções, em nome da soberania nacional? Governam. O Deputado
ou o Senador, quando aperta o botão votando “sim”, “não” ou
abstenção, está praticando um ato de governo.
Um juiz ou um membro de tribunal, quando profere um acórdão,
uma sentença judicial, está falando em nome do Estado. Portanto,
está praticando um ato de governo. Quando o Executivo executa — é
por isso que se chama Executivo: executa a vontade do Legislativo —,
ele está praticando atos de governo.
Então, nós adotamos retumbantemente o Estado Democrático,
porque não nos contentamos em dizer que o Brasil é um Estado
democrático; dissemos que o Brasil é um Estado Democrático de
Direito. Ou seja, enfatizamos a ideia da democracia. Para dizer mais
uma trivialidade, a democracia é o governo da maioria que respeita
os direitos da minoria. Portanto, quem deve governar sempre é a
maioria, mas a maioria representativa do povo. Não é sem razão que,
nas eleições para Governador, Presidente, Prefeito, elege-se aquele
que obteve a maior quantidade de votos, às vezes até uma maioria
especial, uma maioria dita absoluta.
Nos tribunais, por exemplo, quando os desembargadores ou
ministros dos tribunais praticam atos de governo jurisdicionando,
como é que se dá o voto? A turma tem cinco membros; três a dois,
exatamente o que prevaleceu. Portanto, prevaleceu a maioria. Na
composição das Casas Legislativas, quando se compõe a Mesa Diretora
da Casa Legislativa, quando se compõem as Comissões, a regra
constitucional é a regra da proporcionalidade, ou seja, do maior
para o menor. É sempre a tese da maioria, em face daquelas
preliminares que eu levantei, segundo a qual todos os que governam o
fazem em nome do dono do poder, que é o povo.
Pois muito bem, a única hipótese — e aqui vai uma
consideração jurídica — em que a maioria não governa, ou seja, a
única hipótese em que um Deputado bota o dedo no botão e pratica um
ato de governo votando “sim”, “não” ou abstenção, é no caso do
sistema proporcional, que é o sistema vigente.
Evidentemente, se nós estamos dizendo que democracia é o
sistema em que a maioria governa, a ideia daqueles... Aliás,
constitui-se no primeiro Poder do Estado, porque o Legislativo é o
Poder mobilizador das demais atividades governamentais, tanto do
Executivo, quanto do Judiciário.
Ora, se alguém que não representa a maioria dos votos ou do
povo pode votar, isso contraria essa regração constitucional que eu
estou transmitindo aos meus amigos no Parlamento. Até vou lhes
dizer: se nós tivéssemos a possibilidade de decretar a
inconstitucionalidade de norma
constitucional...
Os senhores sabem que no sistema constitucional há normas que
são mais valiosas do que outras. Se os senhores pegarem o art. 60 da
Constituição, lá vão verificar que Federação, separação dos Poderes,
direitos individuais, voto direto, secreto são valores
constitucionais superiores aos demais valores. É por isso que são
normas ditas imodificáveis, as chamadas normas pétreas. Então, essas
normas são as que regem o sistema
constitucional.
Eu volto a dizer: nós não temos a possibilidade de decretar a
inconstitucionalidade de normas constitucionais. Então, qual é a
solução para que a maioria efetivamente governe? É adotar, ao meu
modo de ver, numa federação, o chamado voto
majoritário.
Eu, ao postular, ao pleitear, ao sugerir a ideia do voto
majoritário, estou ancorado, ainda sob o foco jurídico, num outro
princípio constitucional que diz assim: o voto é direto, secreto,
universal e com valor igual para todos.
Ora, eu pergunto e vou logo a exemplos concretos. O voto dado
a quem teve 130 mil votos, e não chegou ao Parlamento, em face do
coeficiente partidário, e o voto a quem teve 285 votos, e chegou ao
Parlamento, por causa do sistema proporcional, será que esse voto é
igual? Será que é essa a dicção constitucional? Será que o objetivo
constituinte foi exatamente esse?
Como é que nós podemos, portanto, harmonizar todo o texto
constitucional? É adotando o voto majoritário para a eleição de
Deputado Federal.
Vejam que a minha tese é a tese do voto majoritário.
E
eu fixo bem essa ideia porque, ao assim me manifestar, quero também
significar que, nas federações, o distrito é o Estado. E por que é o
Estado? Porque nós Deputados não somos representantes do povo do
Estado de São Paulo, do Estado do Rio de Janeiro, do Estado do
Piauí, nós somos representantes do povo brasileiro domiciliado
eleitoralmente ora em São Paulo, ora no Piauí, ora em Minas Gerais.
Essa é a expressão constitucional. A representação dos Estados — e
vai aqui mais uma obviedade — se dá pelo Senado Federal. É no Senado
Federal que os Estados estão paritariamente representados,
exatamente para dar o chamado equilíbrio federativo. Por isso Câmara
e Senado, muitas vezes, votam a mesma matéria, para dar equilíbrio
federativo. Por isso o nosso sistema é bicameral, é chamado
“bicameral do tipo federativo”, para dar equilíbrio à Federação
brasileira.
Mas nós, Deputados Federais e Deputadas Federais, não somos
representantes do povo do Estado A ou B. Nós somos representantes do
povo brasileiro domiciliado ora cá, ora acolá. Essa é a expressão
constitucional. Em face das premissas que levantei, ao chegarmos
aqui — quando eu chegava aqui, quando estava na Câmara, ou os
senhores, quando estão aqui —, não votamos um projeto de lei
pensando apenas no povo do Estado de São Paulo, nós pensamos na
Nação, no povo brasileiro. Essa é a regra da votação do Deputado. É
claro que se leva em conta exatamente a posição do povo brasileiro
domiciliado eleitoralmente no seu Estado, mas a norma é de natureza
nacional. Então, quando votávamos, nós todos votávamos como
representantes do povo brasileiro. Apenas por razões, digamos,
circunscricionais, é que se elegem Deputados do Estado de São Paulo,
Deputados do Piauí, Deputados do Rio de Janeiro, Deputados da Bahia.
Para que essa representação seja efetiva, volto a dizer: para
que o povo esteja efetivamente representado pela sua maioria, você
tem que adotar a regra de que os mais votados sequencialmente seriam
aqueles eleitos. É claro que, desde já, eu sei qual é a contradita a
essa tese. A contradita reside na seguinte afirmação: “Mas isso acaba com os partidos
políticos”. Eu digo: “Absolutamente, não”. Por
duas razões, primeiro, porque já está fixada, pelo exame sistêmico
do texto constitucional, a tese da fidelidade partidária. Ademais, o
art. 1º de uma emenda constitucional que dissesse “é adotado o voto majoritário
para eleição de Deputado Federal” seria seguido de um art. 2º,
para não deixar dúvida, dizendo que o mandato é do partido.
Portanto, quem for eleito, será eleito para cumprir o mandato em
nome daquele partido.
Essas, meus amigos, são razões que eu chamo, digamos assim,
de razões jurídicas para sustentar a tese do voto majoritário. E
acrescento agora alguns fundamentos de natureza política. Vejam, eu
venho aqui para dizer: “Nós
temos que adotar o voto majoritário”. Por que adotar o voto
majoritário? Reiterando-se a ideia de que, maiormente, estará
representada a vontade popular.
Há um fato interessante. Vejam, há pouco tempo, o Senado
Federal aprovou o chamado “distritinho” para Vereadores em
Municípios com mais de 200 mil eleitores. E qual é a tese dessa
aprovação que se deu no Senado? A tese é dividir em distritos. São
Paulo tem 55 Vereadores, o Município seria dividido em 55 distritos.
Mas como se elege o Vereador? Pelo voto majoritário. Percebem? A
tese é a seguinte: você divide em distritos, mas a eleição se dá
pelo voto majoritário, ou seja, cada partido lança — e são 34
partidos — um candidato e vai circunscrever a sua atuação eleitoral
naquele distrito. Mas a eleição, a escolha se dá pelo voto
majoritário. Ora, onde se ancora a tese aprovada pelo Senado do voto
majoritário ao distrito? Ancora-se precisamente nas preliminares que
eu levantei, ou seja, a maioria tem que ter presença na Casa
Legislativa. Vejam, eu não me insurjo contra essa tese. Dizer “não
me insurjo” parece um pouco pretensioso, na verdade, quero dizer que
não acho que esteja errado. Se for pelo voto majoritário, tudo bem.
Se eu quisesse ampliar esse voto distrital para os Estados,
por exemplo, eu poderia imaginar: no Estado de São Paulo, onde fui
Secretário de Segurança por duas vezes e fui Procurador-Geral do
Estado, eu lembro que muitas regiões do Estado não tinham
representação na Assembleia Legislativa. Então, se ampliar essa
ideia para o Estado, o que se faria? São 94 cadeiras, divide-se em
94 distritos e, nos distritos, os Deputados seriam eleitos pelo voto
majoritário, se nós ampliarmos para o caso da Assembleia
Legislativa.
Ora, por coerência lógica, em face desse sistema que eu estou
descrevendo, se nós tivermos uma eleição para a Câmara dos
Deputados, o distrito, pelas razões que já apontei, há de ser o
Estado. Convenhamos, se dividirmos — e sempre estou me referindo a
São Paulo, que é o meu Estado — o Estado de São Paulo em 70
distritos, porque são 70 Deputados Federais, sabem qual é o problema
que nós vamos ter? Vejam que eu não estou fazendo nenhuma crítica,
nenhuma observação, apenas não estou querendo apequenar a figura do
Deputado Federal; diferentemente, estou querendo engrandecê-la. Mas
o que vai acontecer, se eu for eleito lá pelo Distrito de Tietê,
Cerqueira César e Laranjal Paulista, que é o meu distrito? Ou eu
levo favores, benefícios da União para o meu eleitorado, para o meu
Prefeito, para o meu Vereador, ou não consigo me eleger. Isso me
parece, respeitando todas as opiniões contrárias, que apequena um
pouco a função do Deputado Federal. Eu tenho consciência disso. Fui
Deputado, muitas vezes fiz isso, muitas e muitas vezes você tem que
levar benefícios para Municípios do seu Estado. Uma das funções do
agente político é essa. Mas essa não há de ser, para um sistema
hígido, claro, limpo, a principal tarefa do Deputado Federal, porque
não foi essa a tarefa que o Constituinte nos atribuiu. A tarefa foi
de representar os interesses do povo
brasileiro.
Então, circunstancialmente, para efeitos eleitorais, você
pode prestar benefícios aos seus Municípios, mas, se você se
transformar num grande Vereador, necessariamente, você tem que fazer
só um trabalho, porque é a tese de que aquilo aproxima mais o povo
do candidato, do Deputado. Eu não vejo essa aproximação. Se tivermos
70 distritos lá em São Paulo, de um universo de 2 milhões de
pessoas, 3 milhões de pessoas...
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Seriam 450 mil.
O SR. VICE-PRESIDENTE
DA REPÚBLICA (Michel Temer) - Seriam 450 mil pessoas. Eu não
creio que essa seja a razão fundamental. Esse é o primeiro
ponto.
Segundo ponto: isso torna mais barata, menos custosa a
campanha eleitoral. Não me parece também ser essa a razão, porque,
evidentemente, a disputa será acirradíssima, e as exigências serão
sempre as mesmas.
O terceiro ponto seria se nós bancássemos a tese, nessa
sequência lógica que tenho, de que o Estado é o distrito para efeito
da eleição de Deputado Federal. O Deputado Baleia Rossi está aí, é
Presidente do PMDB lá em São Paulo e sabe o esforço que nós fazemos
durante a eleição. Nós temos direito a lançar 105 candidatos. O que
nós fazemos? Nós vamos ao Presidente da Associação de Bairros de
Sapopemba e alguém diz: “Olha, ele pode ter uns 1.500
votos, 800 votos. Vamos trazê-lo para engordar o quociente
eleitoral”. Ou então, diferentemente, com respeito ao sistema
atual, eu posso dizer: “Bom,
vamos trazer alguém que
tenha 1,5 milhão de votos, porque esse 1,5 milhão de votos faz com
que ele puxe mais três”. Se o quociente eleitoral de lá é 318
mil votos, ele traz mais três ou quatro Deputados consigo. Essa tem
sido a tônica, digamos assim.
E quando se lançam — não é, Deputado Baleia? — 105
candidatos, os candidatos exigem do partido estrutura, com muita
razão, e exigem presença na televisão. E tem que lhes dar espaço,
porque se insistiu para que eles fossem candidatos. Ora, se tiver a
ideia de que se vai eleger 5, 6, 7, 8 Deputados, acabam-se lançando
20 ou 25 candidatos. Não que se impeça a candidatura e nem significa
que alguém que tenha 1,5 milhão de votos não possa se eleger, não
possa se inscrever no partido, candidatar-se e eleger-se, mas ele
leva o seu mandato, o seu voto, nada mais do que isso. Não impede
que alguém que tenha 800 votos se arrisque, porque isso seria uma
vedação partidária incompreensível no nosso sistema
constitucional.
Entretanto, não há dúvida de que os partidos tomariam a
cautela e, mais do que os partidos, os candidatos só o seriam se
dissessem: “Bom, eu tenho
chance. E, se eu tenho chance, eu vou disputar”. Eu creio que
isso vai causar um outro efeito, que é tornar um pouco mais
programática a fala dos candidatos. Em vez de eu dizer “sou Michel Temer, meu número é
1599”, eu diria “olha, em
matéria de educação, eu penso isso, penso aquilo; em saúde, eu penso
isso, penso aquilo”. Eu teria, ao longo da campanha eleitoral, a
possibilidade de, para usar um neologismo, “programatizar” melhor a
própria campanha eleitoral. Se isso se dá no PMDB, no exemplo que
estou dando, dar-se-ia em todos os partidos. Eu acho que haveria
necessariamente isso. Eu tenho essa sensação.
Penso também que, a partir daí, para os partidos políticos,
ficaria menos custosa a eleição, porque ajudar, dar estrutura ou
patrocinar 20 candidatos é diferente de patrocinar 105 candidaturas.
Tenho essa sensação. Agora, vejam bem, eu estou sustentando uma
tese. De vez em quando, dizem: “O Temer sustenta o
distritão e não abre mão
do distritão”. Não é isso o que eu estou dizendo. Eu sustento a
tese do voto majoritário. E vejam que eu não me opus à ideia do
distritinho nos Municípios, onde você vai ter a eleição pelo voto
majoritário. Não me oponho a uma tese que nem sequer veio à luz, que
é a divisão dos Estados em distritos, porque afinal as pessoas estão
naquele Estado. Aí sim o sujeito que é Deputado Estadual representa
o povo daquele Estado, na Assembleia Legislativa. Em consequência,
no caso federal, você tem como distritão, como distrito, exatamente
o Estado.
Mas não estou a significar que é isso ou nada, porque pode
ser que os senhores cheguem à conclusão de que é melhor dividir os
Estados em 4 distritos, 7 distritos, 8 distritos, ou o que seja.
Cada distrito elegerá tantos Deputados, ou 70 Deputados, como é em
São Paulo, ou 8 onde houver 8 Deputados, desde que se adote o voto
majoritário. Para se manter a lógica do que foi aprovado no Senado —
e nós estamos ainda engatinhando, convenhamos, porque isso foi
aprovado lá no Senado e ainda tem que ser aprovado aqui na Câmara,
não é Marcelo? —, para se manter a lógica do sistema, nós teríamos
que fazer isso.
Eu não tenho objeção. Estou fazendo uma homenagem ao Deputado
Henrique Fontana, que trabalhou tanto na tentativa de levar adiante
a reforma política, como no passado fez o então Deputado Ronaldo
Caiado. Eu não tenho objeções, digamos assim, à lista partidária,
para ser franco. Quer dizer, não tenho objeções conceituais,
teóricas. Eu tenho objeções neste momento, por uma razão singela —
eu sou Presidente de um partido e vou dizer uma coisa que, se
agressivo for, sê-lo-á em relação a mim: os nossos partidos, ao
longo do tempo, perderam
ad
terrorem,
O SR. VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (Michel
Temer) - Só mais uns 5 minutos, então, para eu dar uma brevíssima
palavra sobre financiamento.
Com toda a franqueza, eu acho que o financiamento público não
seria indesejável. Evidentemente, quando a União destinar não sei
quantos bilhões para as campanhas eleitorais, é claro que a nossa
imprensa, até com muita razão, vai dizer: “Com esse valor constrói-se
tantas casas populares, faz-se tantos hospitais”. É uma coisa
complicada. Além do que o financiamento público só é compatível com
a lista. Se não houver uma lista, fica incompatível, seja no sistema
proporcional, seja no sistema majoritário, aplicar o financiamento
público. Então, eu sou ainda, confesso a vocês, pelo financiamento
privado.
Mas o que é o financiamento privado? Aqui nós precisamos
lidar com conceitos que, no geral, não lidamos. Eu contribuo com 10
mil reais para um partido que está disputando a Presidência da
República, porque acredito naquele partido, acredito no candidato
daquele partido. Por isso, eu contribuo com 10 mil reais.
É claro que jamais se questionou a contribuição da pessoa
física. O que se questiona sempre é a contribuição das pessoas
jurídicas, no particular, dos empresários. Ora, se eu parto do
conceito de que contribuir para uma campanha eleitoral significa o
exercício da cidadania, ou seja, eu faço uma opção, também assim
deve ser com a empresa. A empresa deve fazer uma opção. Ela acha que
o candidato tal ou o partido tal é o que atende às suas postulações,
às suas necessidades. Eu sei que estou falando uma coisa talvez um
pouco utópica, não tenho a menor dúvida disso. Mas eu acho que tem
de haver uma certa pregação, a gente vai pregando, pregando e, num
dado momento, dá certo. Então, se a empresa quiser colaborar, ela
faz uma opção. A empresa ou uma holding de empresas faz uma
opção: “Eu acredito na
candidatura ao Governo do Estado, na candidatura à Presidência da
República”.
Estou falando apenas dos cargos majoritários, não estou
falando dos cargos proporcionais. Então, tem que haver uma opção da
cidadania. Se ela se aplica ao indivíduo isoladamente considerado,
ela se aplica às pessoas jurídicas, no particular, ao sistema
empresarial. Penso eu que seria altamente moralizador, seria bem
recebido, pelo menos, se nós pudéssemos fazer uma opção por esse
caminho, por essa fórmula.
Evidentemente há outros tantos temas que os senhores vão
debater, mas — e aqui vai uma sugestão de quem está fora do
Parlamento, mas viveu muito tempo aqui — se nós quisermos fazer uma
reforma política completa, com dez ou doze temas, eu penso que não
vamos chegar a lugar algum. Eu penso que nós deveríamos optar por
três ou quatro temas e fazer a reforma desses temas. Se mais para a
frente for possível, se se tomar o hábito da reforma política, se
ela der resultado, se ela for aplaudida, certa e seguramente, daqui
a 2, 3, 4, 5 anos se poderá fazer uma complementação da reforma
política.
Eu sei, por exemplo, que se debate o tema da coincidência das
eleições. Eu já ouvi os mais variados argumentos a favor e contra.
Confesso que, assim como tenho muita convicção sobre os dois temas
iniciais, os dois temas vestibulares que sustentei, quanto a esse
tema da coincidência das eleições eu ainda não me defini. Eu não sei
se é melhor ter eleições a cada 2 anos, ou não ter eleição. Quando
conversamos por aí, ouvimos argumentos assim: “Mas o povo precisa se acostumar
a votar”. E o interessante é que a eleição é sempre um instante
de descompressão. As pessoas vão às urnas e, muitas vezes, dizem “vou mudar”, ou “não vou mudar”, mas é um
instante de descompressão. Esse argumento me sensibiliza. Mas se me
perguntarem: “Você tem uma
opinião sobre isso?” Eu confesso que não firmei tese ou opinião
sobre a coincidência de mandatos.
Outro tema que eu vejo muito presente é a história das
coligações, que é um tema que afeta alguns partidos. Sei que já foi
aprovado um projeto que impede as coligações. Se houver o
impedimento, também é preciso atender às postulações daqueles
partidos, talvez, de menor densidade eleitoral que existem hoje. Há
que se fazer uma transição. Se bem que — eu tomo a liberdade de
acrescentar à minha fala inicial —, se for adotado o voto
majoritário, de igual maneira, não haverá mais coligações, porque só
se faz coligação para aumentar o quociente eleitoral, seja no seu
partido, ou no de quem se coligou contigo. Automaticamente, ninguém
vai procurar fazer coligação, assim como não vai procurar alguém que
tenha 1,5 milhão de votos ou que tenha 800 votos. Também não se vai
querer fazer coligações. Então, automaticamente, as coligações iriam
por terra, o que levaria à ideia natural de uma redução do número de
partidos. Acho que a consequência natural seria essa.
Então, meus amigos, eu não quero cansá-los, mas falei aqui do
sistema eleitoral, do financiamento, da coincidência das eleições,
das coligações. O tema da reeleição está sempre em pauta.
Evidentemente, se eliminarmos a reeleição, teremos que aumentar o
prazo de mandato, porque 4 anos é praticamente, pelo menos com o
nosso sistema, incompatível. Teríamos que aumentar para 5 anos, quem
sabe 6 anos, mas é uma matéria que os senhores vão
examinar.
Portanto, meus amigos, eu ficaria por aqui, nesses 45
minutos. Espero que eu tenha vindo aqui apenas para fazer uma
contribuição, para reencontrar-me com a minha Casa, incentivá-los,
se é que precisam de incentivo — creio que não. Os senhores já
tiveram 29 sessões e quem sabe, nessas 11 sessões próximas, consigam
produzir um texto, porque esse texto ainda será examinado pelo
Plenário.
Eu quero significar que, se ele não for uma perfeição
absoluta, ele será aperfeiçoado ainda nas discussões do Plenário e,
subsequentemente, será aperfeiçoado no Senado Federal. Então, há um
longo caminho pela frente.
De
modo que, Deputado Rodrigo Maia, Deputado Marcelo Castro, vou fazer
uma sugestão: V.Exas. deveriam fazer um esforço concentrado aqui na
Comissão nesses próximos dias.
Eu
lembro que na Constituinte os esforços concentrados causavam um
efeito extraordinário, porque nós votávamos muitas vezes aqui às
sextas-feiras, aos sábados, aos domingos. É verdade que estávamos
reconstruindo o Estado. Mas, de qualquer maneira, nós estamos
reconstruindo, quem sabe, os costumes eleitorais. Então uma certa
concentração de esforços poderia dar resultado, para que a matéria
não seja simplesmente avocada para o Plenário, sem que esta Comissão
se pronuncie. E já verifico aqui que ela é composta por figuras
preeminentes, não digo proeminentes, mas preeminentes, porque são
capazes de construir uma reforma política, sem que se espere o
Congresso Nacional.
Sobre o voto obrigatório, eu confesso a vocês o seguinte: no
tocante a voto facultativo ou obrigatório, eu sou conceitualmente
pelo voto facultativo. Mas nos dias atuais, convenhamos, com a certa
descrença que existe para com a classe política, a abstenção seria
brutal, e isso vai significar que quem chegar ao poder, seja no
Legislativo, seja no Executivo, não terá uma representação efetiva
da vontade popular.
Então eu acho que, por enquanto, convinha manter o voto
obrigatório. Senão, eu até aconselho aos senhores lerem um livro do
Saramago que se chama Ensaio
sobre a Lucidez, que
ele escreveu antes do Ensaio sobre a Cegueira. Eu
não divulgo muito aqui, porque a revolução branca que se fazia era
pela ausência absoluta nas eleições. Então, as autoridades
convocavam as eleições, e ninguém comparecia. “Mas aí o que está havendo?” “É
uma revolução branca, vamos convocar novamente.” Novamente se
convocava eleição, e ninguém comparecia.
Então, eu estou levando às culminâncias do exemplo, mas isso
era tido como lucidez, lucidez do povo. Eu temo que, ao se adotar o
voto facultativo, vão dizer: “Não vou votar, não quero
participar disso, etc.” E eu acho que o povo tem que ter uma
participação efetiva nessas matérias.
Os senhores têm muitos estudos feitos aqui. Estou vendo aqui
o Cândido Vaccarezza, que produziu também um projeto sobre a reforma
política. Enfim, os senhores têm material suficiente para trabalhar.
Fora a parte do trabalho que já fez o Deputado Henrique Fontana, no
passado, e tantos outros que se dedicaram à reforma
política.
Então, no tocante a voto, eu também confesso que, por ora, eu
ficaria com o voto obrigatório.
Acho que é só. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Agradeço a apresentação do
Vice-Presidente Michel Temer.
Antes de passar a palavra ao Relator Marcelo Castro, há um
pedido do Líder, e Líder tem preferência. Então, com a palavra o
Deputado Mendonça Filho.
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente, uma questão de esclarecimento, por
favor.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Esclarecimento sobre o que,
Deputado?
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sobre a continuidade dos nossos
trabalhos.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Nossos trabalhos: Líder tem
preferência, o Relator vai falar...
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Mas eu queria pedir um esclarecimento pela
frente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Sobre a palestra do Presidente Michel
Temer?
O SR. DEPUTADO SILVIO
TORRES - Sr. Presidente, eu queria saber se V.Exa. vai
encaminhar a lista de acordo com a ordem das inscrições ou de acordo
com a titularidade, com a suplência e não membros, como o Regimento
prevê.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Não
há essa previsão regimental. Eu vou fazer como fiz em todas as
audiências: inscreveu-se, vai falar na ordem. A única previsão
regimental que eu tenho é preferência para o Líder e para o Relator.
Assim será feito, como fiz nas outras audiências.
Com a palavra o Deputado Mendonça
Filho.
O SR. DEPUTADO
MENDONÇA FILHO - Sr.
Presidente, Rodrigo Maia, Sras. e Srs. Deputados, quero
cumprimentar aqui o Vice-Presidente Michel Temer, elogiá-lo pela
bela aula que nos traz hoje ao Parlamento com relação ao tema da
reforma política. Com certeza, é um expert no assunto, um
conhecedor profundo da matéria.
Vice-Presidente Michel Temer, V.Exa. sabe das dificuldades
em se construir um ambiente de consenso quando o tema envolve
reforma política, até porque a Casa é composta basicamente de
especialistas. Todo mundo se considera um pouco especialista no
tema, e sobre ele é difícil tirar um consenso, ainda mais quando o
consenso exige quórum
qualificado, constitucional, de 308 votos.
Eu acho que é fundamental — o Deputado Rodrigo Maia já teve
oportunidade de dizer isso — que o Vice-Presidente Michel Temer
possa liderar o processo de entendimento que signifique algum avanço
no que se refere à reforma política aqui no Congresso Nacional. Se
porventura nós não tivermos um ambiente de construção política
mínima, de um consenso que viabilize o avanço da reforma política,
nós vamos viver, infelizmente, mais uma situação em que se tentou
buscar — mas não se vai alcançar — um desdobramento efetivo na
temática da reforma política, que, para mim, Presidente Michel
Temer, envolveria maior legitimidade e proximidade entre eleitos e
eleitores, simplificação do sistema político brasileiro e redução
dos custos de campanha.
Então, eu quero dizer a V.Exa. que, pessoalmente — aí
falo não só como Líder do partido, mas como Parlamentar —, tenho
alguns conceitos muito consagrados do ponto de vista daquilo que
deveria ser o modelo político brasileiro. Acho que o sistema
distrital misto deveria ser adotado, embora reconheça a dificuldade
de nós viabilizarmos a aprovação de uma matéria tão complexa como
essa, com um quórum
qualificado de 308 votos.
Defendo a introdução do voto facultativo, até porque o voto
facultativo já existe para menores de 18 anos, maiores de 16 anos, e
para aqueles que têm mais de 70 anos. A penalidade para quem não
vota é ridícula: 2 reais. Então, a rigor, é quase um voto
facultativo, e eu acho que consagrá-lo deveria ser um avanço.
Defendo a questão do financiamento de campanha num modelo misto com
mais transparência e com inibição para financiadores que tenham
conflitos muito fortes na sua atuação e na sua interação com o poder
público, ou os poderes públicos. Defendo também a adoção da cláusula
de desempenho. Para mim, a regra deveria ser organização plena
partidária absoluta.
Sr. Presidente,
peço um pouco de silêncio ao Plenário.
(O Sr. Presidente faz
soarem as campainhas.)
O SR. DEPUTADO
MENDONÇA FILHO - Eu defenderia a organização partidária livre,
plena, se possível, uma associação que teria apenas registro no
Tribunal Superior Eleitoral. A restrição que deveria haver é na
forma de representação, no alcance da representação partidária no
Congresso Nacional, como, de resto, acontece nas principais
democracias do mundo.
Agora, para ser franco, Presidente Michel Temer, eu
sinceramente acredito que só vamos alcançar um passo adiante no que
tange ao sistema eleitoral se porventura conseguirmos formular algo
que reúna maioria. E, aí, eu tenho a obrigação de chegar àquilo que
eu tenho sentido e percebido na Casa: para adotarmos o sistema que
eu considero ideal, o distrital misto, é muito difícil. Não vou
dizer que é impossível, mas a construção política não é fácil. Se
porventura não for possível, temos de avançar um passo adiante do
que nós temos hoje, que é o pior sistema de representação política
do mundo: o sistema proporcional por lista aberta. Acho que o voto
majoritário, mais conhecido como distritão, seria um passo no
sentido de que tenhamos, pelo menos, um sistema político de maior
legitimidade.
Então, eu estimulo V.Exa., como um amigo do
Parlamento, alguém que já presidiu a Casa várias vezes, a oferecer
um pouco mais da sua contribuição, além da sua participação na
Comissão da Reforma Política, presidida pelo Deputado Rodrigo Maia,
para que tenha uma participação cada vez mais ativa na construção
suprapartidária de um consenso mínimo, que possa oferecer à
sociedade brasileira um avanço significativo numa temática que é
realmente muito relevante e importante.
Transmito meus cumprimentos, um abraço e o reconhecimento
pelo trabalho desempenhado por V.Exa. e pela belíssima
exposição com que nos brindou na manhã de hoje.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Rodrigo Maia) - Agradeço ao
Líder Mendonça Filho.
Passo a palavra ao Líder Leonardo Picciani, que pediu a
palavra. Depois, falará o Relator e falará o autor. Será essa a
ordem, por favor.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Sr. Presidente, como Líder, peço meus 3 minutinhos.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Então, falará o Deputado Leonardo, em
seguida, o Deputado Chico Alencar, o Relator e o autor, e depois
seguiremos lista.
O SR. DEPUTADO ALCEU
MOREIRA - Sr. Presidente, como Vice-Líder posso falar
também?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Não, só os
Líderes.
O SR. DEPUTADO ALCEU
MOREIRA - Mas, se os Líderes mandarem por
escrito...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Não, não vou aceitar, porque uma coisa
é o Plenário com 513 Deputados, onde o Vice-Líder pode representar o
Líder. Aqui, todos são membros. Se, como Vice-Líder, alguém passar
por cima da lista, eu acho que prejudicará o debate da Comissão.
Todos são membros, e eu acho que todos têm que estar na ordem de
inscrição. Eu gostaria que respeitássemos isso, para que o debate
continuasse como tem sido nas reuniões anteriores da Comissão.
O SR. DEPUTADO INDIO
DA COSTA - Está correto, Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Leonardo
Picciani, por 10 minutos.
O SR. DEPUTADO
LEONARDO PICCIANI - Sr. Presidente, eu vou ser breve. Não devo
usar o tempo todo, até para colaborar com o trabalho desta Comissão.
Quero cumprimentar V.Exa., o Relator Marcelo Castro e saudar
o nosso Vice-Presidente da República, Presidente do nosso partido,
Michel Temer.
Primeiro, Presidente Temer, quero parabenizá-lo pela
exposição, com o brilhantismo costumeiro de V.Exa. nas exposições
sobretudo de temas jurídicos, de temas políticos que são afeitos ao
nosso País.
O PMDB, por todas as nossas instâncias e também pela nossa
bancada, identifica a reforma política como algo absolutamente
necessário, por tudo o que foi aqui dito por V.Exa. Entendemos que é
necessário ter efetividade na aprovação da reforma política,
discutir as teses, discutir as possibilidades, mas, num dado
momento, afunilarmos para a possibilidade real, para aquilo em que
de fato teremos a oportunidade de decidir, seja em dois, seja em
três, seja em quatro temas.
Desta forma, a bancada do PMDB já se reuniu nesta manhã e
suspendeu a reunião para que os nossos Parlamentares pudessem
participar desta audiência e acompanhar a exposição do Presidente
Michel Temer. Retomaremos os trabalhos, hoje, às 15 horas, para que
possamos definir, adotar uma posição da bancada do PMDB na Câmara
dos Deputados. Com essa posição adotada, poderemos buscar os outros
partidos para dialogarmos sobre a possibilidade de aprovação desses
pontos, para buscarmos o convencimento dos outros partidos e também
para, se for o caso, cedermos em alguns pontos, para que possamos
preservar outros.
O que me parece absolutamente fundamental é que este esforço
desta Legislatura de fazer a reforma política não pode, como se diz
no popular, morrer na praia. Ela precisa chegar a algum termo, ela
precisa chegar a alguma decisão. E, certamente, a decisão que nascer
da maioria será uma decisão para melhor, será uma decisão que
aperfeiçoará, dará um novo estímulo à política brasileira, dará um
novo estímulo à nossa população.
Então, Presidente Rodrigo Maia, agradeço a V.Exa. e vou
encerrando.
Parabenizo o Presidente Temer, mais uma vez, pela clareza e
pelo brilhantismo da sua
exposição.
Desejo a esta Comissão muito sucesso neste importante
trabalho que está sob a sua responsabilidade, sob a sua guarda,
Presidente.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
O Deputado Leonardo quer dizer que o Deputado Marcelo Castro vai ser
abduzido?
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) -
Certamente. Só um poder extraterrestre poderá mudar o relatório
dele.
Tem a palavra o Deputado Chico Alencar.
O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Obrigado, Presidente.
Bom dia a todos os colegas e ao Vice-Presidente Michel
Temer.
As nossas tratativas aqui para tentar alterar o sistema
político têm um problema básico, que é insuperável: nós temos a
nossa agenda, e a Comissão Especial tem que concluir os trabalhos em
maio. O Presidente Eduardo Cunha até já ameaçou dizendo que, se não
concluirmos os trabalhos, passadas as 40 sessões, ele avoca a
matéria ao Plenário, seja como for.
A população não se interessou, como deveria numa república,
por esta temática. Ela está na postura do não, da negação, da
crítica. É uma postura política a própria negação da política, como
o povo lá do país fictício do José Saramago, que não ia a eleição
nenhuma, no livro Ensaio
Sobre a Lucidez. Mas nós temos que ter consciência. Nós estamos
legislando, mas ainda com insuficiência de participação popular, o
que não será resolvido em 15 dias, no mês de maio que chega. Então,
vamos ser mais modestos com o tipo de mudança que queremos fazer,
por mais que ela seja necessária.
Concordo com o Presidente Michel Temer, e outro dia o Senador
Aécio também caminhou nesta direção: se não focarmos em quatro ou
cinco pontos fundamentais, nós não vamos fazer
nada.
O primeiro dele, fulcral — e aí já há uma divergência com o
Vice-Presidente, destacando seu brilhantismo de argumentação —, é
quanto a financiamento empresarial de partidos e campanhas. Isso é
fonte reiterada de grossa corrupção. Basta ler os jornais para saber
que isso às vezes molda mandatos, para criar dificuldades e obter
facilidades até através de requerimentos de informação, de pressão e
de chantagem. Basta ler os jornais e olhar a vida
real!
Quando o Presidente Temer fala da destinação específica de
uma empresa para o partido A, B ou C, mitiga a generalização do
sistema corrompido, mas cria um problema que é o “empresariamento”
do partido. Eu temo, querido Presidente Michel, que possamos ter o
partido da Friboi, que vai adotar um nome mais popular, o Partido do
Churrasco; o da IMBEV, o Partido da Cerveja; o das empreiteiras, o
Partido do Cimento. Assim não dá! Empresa não é pessoa física, não
vota, não doa; tem interesses.
Portanto, pessoa física, como propõe a iniciativa popular de
lei OAB, da CNBB e de mais 100 entidades, pode fazer doação com
limites. Aliás, se de toda a forma persistir o financiamento
empresarial constitucionalizado, repito, fonte de boa parte da
corrupção que grassa no País, que pelo menos se estabeleça um limite
rígido e austero. Sem isso, não dá. Vai continuar essa farra, e a
plutocracia toma lugar da democracia.
Outro ponto é o voto majoritário. O Presidente Michel, com a
habilidade habitual, não assimilou o apelido de distritão. O meu
temor é que ele derreta a ideia de partido e a solidariedade
partidária. É claro que há aberrações, mas elas não são tão
frequentes assim. Um Deputado que seja celebridade e tenha um milhão
de votos elege outros que tenham dez mil votos só. Isso, segundo
estudos feitos com muita acuidade, só aconteceu 25 vezes nas últimas
cinco eleições nacionais. Isso não é algo relevante. Eu prefiro
manter a solidariedade partidária.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Para encerrar, Líder.
O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Eu encerro, Presidente.
A ideia do voto no candidato e na legenda é muito boa, é
muito positiva. Coligação com a ideia de federação partidária
duradoura, que era inclusive do nosso então Deputado Caiado — aí,
sim, a coligação oportunista por tempo de tevê e rádio — é também
fator de degeneração da política.
Obrigado, Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Antes de passar a palavra para o nosso Relator
Marcelo Castro, agradeço a presença ao Deputado Cândido Vaccarezza,
nosso amigo. Na Legislatura passada, trabalhei com ele na formulação
da PEC que orienta esses trabalhos.
Tem a palavra o Deputado Marcelo
Castro.
O SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Eu quero cumprimentar a todos, especialmente o nosso Presidente
Rodrigo Maia. Quero cumprimentar o Vice-Presidente da República,
Michel Temer, Presidente do nosso partido, o PMDB.
Quero agradecer a sua presença, porque hoje foi um dia de
prestígio para esta Comissão, Presidente Michel. Com a sua presença
aqui, com a sua lucidez, com o seu descortino, com a sua maneira
professoral de sempre, V.Exa. nos deu uma belíssima aula sobre este
tema tão caro e tão importante à sociedade brasileira e ao futuro do
nosso País. É esse caminho que nós precisamos
seguir.
Nós não podemos continuar com o sistema eleitoral que nós
temos hoje no Brasil. O sistema eleitoral, o sistema político de um
país é uma coisa fundamental. Há a estabilidade das instituições, há
a governabilidade, há o desenvolvimento, há a prosperidade, há o
bem-estar social de um povo. Isso é uma coisa
importantíssima.
Presidente Michel, ao responder as perguntas que são feitas
aqui a respeito de se a reforma política vai solucionar os problemas
do Brasil, com muita firmeza, com muita propriedade, V.Exa. diz: “Não, não vai resolver os
problemas do Brasil de imediato, mas a médio e longo prazos”.
Isso é uma coisa importante para a vida de um País. Quem diz isso
não é o Marcelo Castro; é a ONU, que pesquisa os países onde há os
maiores índices de desenvolvimento humano, as melhores de condições
de vida. São todos, invariavelmente, países democráticos, com uma
democracia estável e consolidada, com partidos coerentes, estáveis,
e muitas vezes seculares, representando a sociedade. É esse norte,
esse azimute, que nós temos que seguir aqui na nossa
Comissão.
Nosso Presidente Michel, V.Exa. fala, com muita propriedade,
na questão do fim das coligações. Essa é uma medida que nós
precisamos tomar. Ela é, de certa forma, traumática. Ela fere
interesse dos pequenos partidos, mas nós vamos, Presidente Michel
Temer, na sua linha de fazer isso gradativamente, para não
prejudicar a existência dos partidos pequenos que existem hoje.
Então, para isso, nós estamos tomando as providências necessárias,
que são: a instituição das federações partidárias, que, como V.Exa.
disse muito bem, são um embrião, um núcleo da constituição de um
novo partido político no futuro, e a instituição de uma cláusula de
barreira mais transitória.
Quanto à federação partidária, nós estamos propondo que seja
por duas eleições, para que, no futuro, verdadeiramente, não haja
coligações, não haja federações partidárias, mas os partidos tenham
tempo para se adaptar, para não serem prejudicados. Isso não é mudar
a regra do dia para a noite e dizer: “Agora, adaptem-se à nova
regra”. Não, nós estamos dando um prazo bastante razoável para
isso acontecer.
V.Exa citou aqui, muito bem, o número excessivo de partidos
que nós temos hoje no Brasil. Agora, Presidente Michel Temer, mais
grave do que o número grande de partidos que nós temos hoje no
Brasil — são 32 em funcionamento e 21 partidos registrados no
Tribunal Superior Eleitoral, coletando assinaturas para serem
constituídos — é nós termos 28 partidos representados na Câmara
Federal, no Parlamento brasileiro. Isso não ocorre em lugar nenhum
do mundo. Normalmente, há nos países quatro, seis, sete partidos
representados. Quando há dez, onze partidos, sempre há dois, três
que têm pelo menos 90% dos votos do
Parlamento.
Mais grave ainda é a fragmentação partidária que há hoje no
Brasil. E é acelerada. O partido da Presidente da República, o PT,
que é o partido que tem o maior número de Deputados Federais, só
tem, Presidente Michel, 13% dos votos do Parlamento. Isso é
impensável em qualquer país democrático do mundo. Imaginemos o
partido do Barack Obama só ter 13% dos votos do Parlamento; o
partido da Angela Merkel só ter 13% dos votos do Parlamento! Isso é
uma anomalia que temos que entender e corrigir. É para isso que nós
estamos, dentre outras coisas, fazendo uma reforma
política.
Agora nós vamos chegar ao ponto crucial. V.Exa., com a sua
habilidade, a sua capacidade de diálogo, a sua respeitabilidade, é a
pessoa chave, Presidente Michel Temer, para fazer essa concertação,
para que possamos chegar a um mínimo de entendimento e dotar o nosso
País de um sistema eleitoral minimamente racional, moderno,
civilizado; para que possamos aperfeiçoar os nossos mecanismos de
representação democrática e alcançar o objetivo que nós estamos
buscando.
Por isso mesmo, eu e os Deputados Rodrigo Maia e Marcus
Pestana outro dia fizemos uma visita a V.Exa., que nos brindou com
um belíssimo café, para discutir exatamente a sua participação nessa
concertação. O PT está de um lado; o PSDB está do outro; o PMDB é o
partido do diálogo, do entendimento. Com a sua autoridade, V.Exa. é
a pessoa ideal para fazer esse entendimento. Por quê? Porque eu
estou convencido — e V.Exa. foi muito bem quando disse aqui — de que
dificilmente nós aprovaremos um sistema público. Vou dizer por
quê.
Na Legislatura passada eu fiz a seguinte pesquisa. O
distritão era um dos sistemas eleitorais que tinha maior prestígio
na Legislatura passada, mas só havia 37% a favor e 49% contrários a
ele; o distrital misto era o segundo sistema com maior prestígio na
Legislatura passada, tinha 36% a favor e 50% contrários a ele. Ou
seja, se fosse maioria simples, nós já teríamos dificuldade para
aprovar isso. Imaginem todos os sistemas que dependem de PEC e de
maioria qualificada!
Então, Presidente Michel Temer, ontem eu fiz uma nova
pesquisa para poder me balizar. Alguém pode dizer: “Ah, mas a pesquisa não
vale”. Não, é melhor do que uma opinião, assim, pessoal. Não é
uma pesquisa feita pelo IBOPE, pelo Datafolha; é feita pelo “Data
Marcelo Castro” (riso),
mas com toda a isenção.
Então, eu fiz
uma pesquisa com aproximadamente cem colegas, em que eu usei o
seguinte critério: pegava a primeira fila, pesquisava oito; ia para
a fila do outro lado, pesquisava oito também; saltava para a
terceira fila, pesquisava oito; ia para a outra
fila...
O SR. DEPUTADO RUBENS
OTONI - Só mudava de fila.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É, ia mudando de fila. Eu trouxe aqui o
resultado da pesquisa. Hoje, o primeiro sistema com que a bancada do
plenário está simpatizando é o distrital misto, com
32%...
O SR. DEPUTADO RUBENS
OTONI - Depois de fazer a pesquisa, sai o resultado se
há...
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - (Riso.) Não, eu estou com os
dados todos catalogados.
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - Isso é antes da abdução.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Então, o distrital misto tem 32% da preferência
dos Parlamentares; o distritão tem 26%. Isso bate com a impressão
que temos de que há realmente essa polarização. O sistema atual tem
12%; a lista fechada tem 8%; o distritão misto, que seria metade
pela lista fechada, metade pelo majoritário, como V.Exa. propõe, tem
7%; o distrital puro tem 6%. É o sistema do nosso Vaccarezza, está
aqui. O “Sistema Vaccarezza” tem 6%, que é o sistema de distrito
médio.
O SR. DEPUTADO
ESPERIDIÃO AMIN - É o “Sistema Marcus Pestana”, que
desertou.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - É. (Riso.)
E o da CNBB tem 1%.
Então, o que isso quer dizer? É uma pesquisa que foi feita
ontem no plenário. Quer dizer que, se nós ficarmos cada um na sua
posição — o PT defendendo a lista fechada, que tem 8%; o PSDB
defendendo o distrital misto, que tem 32%; o PMDB defendendo o
distritão, que tem 26% —, não passará nenhum dos sistemas. É isso
que eu venho dizendo.
Então, Presidente Michel Temer, V.Exa., que já tem as altas
responsabilidades de Presidente do PMDB, o maior partido do Brasil,
Vice-Presidente da República, articulador político da Presidente
Dilma, está sendo convocado aqui por este humilde companheiro de
partido para fazer mais este trabalho em favor do nosso País. É o
papel de fazer essa concertação entre as grandes lideranças, entre
os partidos políticos do Brasil, para nós não fracassarmos mais uma
vez. Nós não podemos deixar o nosso querido Brasil convivendo com
este sistema eleitoral, como disse o Deputado Mendonça Filho aqui,
tão anômalo, tão extravagante, de campanhas tão caríssimas,
estratosféricas. O poder econômico verdadeiramente está ditando quem
vai ser eleito, quem não vai ser eleito no nosso País.
Então, essa é a intervenção que eu gostaria de fazer. Quero
agradecer e parabenizar V.Exa., mais uma vez, pela brilhante
exposição.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Eu não aplaudi, porque eu não fui
entrevistado. Não concordo com esse resultado. (Risos.)
Com a palavra o Deputado Julio Lopes.
O SR. DEPUTADO JULIO
LOPES - Eu também não concordo com o resultado,
Presidente.
Quero cumprimentar o Presidente Rodrigo Maia, os Deputados
Marcelo Castro e Marcus Pestana.
Quero cumprimentar V.Exa., Vice-Presidente da República
Michel Temer, principal e fundamentalmente, por ter trazido
novamente à sociedade brasileira a habilidade política como um
valor, a centralidade da discussão, do debate no cenário brasileiro.
V.Exa. resgata a importância da habilidade e da capacidade política
como um valor na nossa sociedade. Eu o cumprimento por exatamente
exercer, neste momento, este papel de liderança fundamental para o
nosso crescimento democrático.
Tendo assistido a V.Exa. na FIRJAN, no Rio de Janeiro, onde
tive a oportunidade de assistir a essa brilhante conferência,
partilho com o Senador Dornelles a opinião de que, quanto mais a
sociedade brasileira o ouvir falar, e quanto mais V.Exa. puder
repercutir sua fala e a clareza de suas ideias, mais a sociedade se
convencerá de que esse sistema que V.Exa. propõe será um bom estágio
para um avanço democrático. Naturalmente trará outros problemas,
outras angústias, mas certamente é um caminho evolutivo, um caminho
de avanço, porque não poderemos encontrar a panaceia de uma solução
total, de uma resolução absoluta. Esse caminho que V.Exa. aponta no
sentido do voto majoritário, certamente, a meu juízo, é um caminho
de transcendência, de evolução no sistema democrático brasileiro,
que muito bem fará à sociedade brasileira.
Mas fica a dúvida ainda... Aqui, o meu colega Deputado
Fontana dizia que a grande questão da palestra de V.Exa. e do que
coloca é a fragilidade dos partidos, que novamente, a meu ver,
coincidentemente com a posição de V.Exa., não prejudica os partidos,
porque também acredito que os partidos lançarão menos candidatos, a
competição interna dentro dos partidos será menor, haverá maior
coesão partidária. E obviamente, com a cláusula de barreira, com a
fidelidade partidária, a meu juízo, fortalecem-se os
partidos.
Mas acredito que essa seja uma questão fundamental para que
V.Exa. possa, com a clareza que tem, com a objetividade que tem,
enfim, com as realidades de exposição que está colocando, insistir
para que a sociedade tenha mais clareza desse aspecto, porque
entendo que essa seja uma grande angústia da sociedade
brasileira.
Então, era isso.
Eu gostaria de, mais uma vez, ouvi-lo e o cumprimentar por
esse momento que vive.
O SR. VICE-PRESIDENTE
DA REPÚBLICA (Michel Temer) - Em primeiro lugar, eu
quero agradecer todas as intervenções que se verificaram até agora.
São intervenções que engrandecem o Legislativo, porque são pautadas
por ideias referentes ao tema que nós estamos
tratando.
Agora, quando o Deputado Julio Lopes me provoca a respeito do
partido político, acho que há oportunidade de dizer uma coisa que
todos sabem também. É interessante como no Brasil dizer obviedades
tornou-se uma coisa importantíssima, porque as pessoas se esquecem
do óbvio. É uma coisa curiosa isso que eu observo ao longo da minha
experiência parlamentar e, agora, mais modestamente, executiva.
Mas, sobre a ideia de partido político, a palavra “partido”
vem de “parte”, “parcela”; e “político” vem de polis. Quem está num partido
político representa uma parcela da opinião pública que quer chegar
ao poder para governar a polis, seja na União, seja
no Estado, seja no Município. Essa é a ideia de partido político;
esse é o conceito de partido político. E daí, sim, há não um
aglomerado de pessoas, mas um aglomerado de ideias. A ideia de
partido político é essa.
Agora, como disse o Deputado Marcelo Castro, nós não podemos
fazer isso radicalmente. Nós temos que fazê-lo com muita
naturalidade, porque nós temos um grande número de partidos
políticos no País, todos eles respeitáveis. Temos mais um número, eu
me surpreendo até com o número: 21 partidos querem se formar. E isso
não ajuda o País, porque, convenhamos, nós não há 32 parcelas de
opinião pública no nosso País. Pode haver três, quatro, cinco, seis
parcelas. Será que há 32 parcelas de opinião pública no País?
Portanto, temos 32 partidos? Não. Nós temos, incluo-me nessa
relação, 32 siglas partidárias, que é bem diferente da ideia de
partido político.
Então, eu aproveito a fala do Deputado Julio Lopes para
esclarecer esse ponto, porque me parece que ela também se vincula,
se conecta com a minha exposição. Todo o meu trabalho, todo o meu
raciocínio é no sentido de aprimorar o sistema político partidário,
por isso que sustento o que sustentei.
Nós daríamos uma contribuição extraordinária se o sujeito
eleitor ou alguém dissesse assim: “Olha, eu vou me filiar a esse
partido político, porque acredito nas ideias que estão expressadas
nesse partido político”. De alguma maneira, nos países europeus,
nos Estados Unidos, há partidos que representam opções às vezes com
pequenas variações, mas às vezes essas pequenas variações é que
permitem a opção. O que há no nosso sistema é que nós não temos
variações. Há uma certa uniformidade, que desnatura a ideia de
partido político.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Concedo a palavra ao Deputado Marcelo
Aro, que pediu a palavra como Líder.
O SR. DEPUTADO
MARCELO ARO - Cumprimento o Sr. Presidente, as Sras. e Srs.
Deputados.
Sr. Vice-Presidente da República, Michel Temer, é um prazer
recebê-lo aqui na Comissão. Eu falo em nome do Partido Humanista
Solidariedade, o PHS. Vejo que a fala e a contribuição de V.Exa.
hoje nos deu um norte para votarmos essa tão sonhada reforma
política. Nós somos de um partido pequeno. De fato, nós somos
favoráveis ao sistema como está, porque através desse sistema o PHS,
que não elegeu nenhum Deputado na última eleição, hoje tem cinco
Deputados. Então, nós crescemos e temos certeza de que dentro desse
sistema nós temos condições, nas próximas eleições, de eleger 15
Deputados e continuar crescendo à medida que o tempo for
passando.
Mas nós também estamos cientes de que algo precisa ser
mudado. Nós não somos inflexíveis a essa mudança. Ficamos contentes
com as palavras de V.Exa. de que, se for para mudarmos a legislação,
que seja em alguns poucos pontos, mas que esses pontos, de fato,
sejam uma mudança profunda para a sociedade
brasileira.
Nós sabemos que, dentre tantas coisas que estão sendo
discutidas, algumas são principais, como o distritão, que V.Exa.
defende. V.Exa., de maneira brilhante, defendeu aqui a questão do
financiamento misto, com o que nós também
concordamos.
Então, nós queremos dizer — e eu falo aqui em nome do Partido
Humanista Solidariedade — que nós somos solidários ao que V.Exa.
está defendendo. Se tiver que ter mudança, que nós possamos ir para
esse lado que V.Exa. defendeu aqui hoje. Então, conte com o PHS
nessa empreitada. Sabemos que precisamos, como disse o Deputado
Marcelo Castro, nosso Relator, de pessoas como V.Exa. para nos
ajudar a fazer essa interlocução no Parlamento para aprovarmos a
matéria.
E
não poderia deixar de colocar uma semente para que V.Exa. também
pense sobre a candidatura independente. Talvez também seja um
crescimento. Mas isso é discussão, talvez não neste primeiro
momento, mas em outra oportunidade a gente volte a discutir sobre
essa possiblidade.
Obrigado,
Presidente. Conte com o PHS.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) -
Deputado Milton Monti, por 3 minutos.
O
SR. DEPUTADO MILTON MONTI -
Cumprimento o Sr. Presidente, Deputado Rodrigo Maia, o Sr. Relator,
Deputado Marcelo Castro, o Sr. Presidente Michel Temer, a quem quero
agradecer por comparecer a esta Comissão, os colegas Deputados e
Deputadas. Sr. Presidente Michel Temer, sua fala foi muito
importante. Quero parabenizá-lo pela lucidez
e clareza com que abordou os temas debatidos nesta Comissão. Eu vou
falar pontualmente dos fatos, dos casos específicos, mas quero
destacar uma fala de V.Exa. que acho que tem que ser o norte dos
nossos trabalhos.
Nós
temos, na verdade, que nos despir todos de algumas posições pessoais
para que, em conjunto e em consenso, possamos encontrar o melhor
caminho para a reforma política. Parece muito simples dizer: “Não, temos que votar uma
reforma, seja ela qual for.” Não é isso. Nós temos capacidade
para votar uma boa reforma, mas nós temos que votá-la. Nós temos
capacidade e competência para fazer com que melhore o sistema
político brasileiro.
Quero
dizer que pessoalmente concordo com a questão do voto majoritário.
Falava com o Deputado Jair Bolsonaro: “Veja: vamos pegar São Paulo,
que é o nosso Estado.” Se nós formos estabelecer o voto
distrital misto, nós teremos um número de distritos para Deputados
Estaduais diferente do número de distritos para Deputados Federais.
Temos 70 distritos federais e 94 estaduais. E isso se multiplicará
em todos os Estados da Federação. Será uma grande confusão saber em
que distrito exatamente as pessoas vão votar para estadual ou para
federal. E acho que a adoção do Estado como distrito é pertinente,
lógica e faz todo o sentido. Acho que devemos caminhar nessa
direção.
Em
relação ao financiamento de campanha, também quero dizer que
concordo plenamente com a tese do financiamento empresarial, porque
fica se vendendo a ideia de que a simples eliminação do
financiamento empresarial é a solução para todas as mazelas
políticas que temos observado ultimamente. Isso não é verdade. Não
podemos vender essa falsa impressão. Como V.Exa. bem disse aqui,
também não podemos vender a falsa impressão de que a reforma
política será a solução também para todos os males do nosso País. É
um passo adiante.
O
mais importante de termos doações físicas ou jurídicas é termos
transparência, é termos limite de gastos para as campanhas
políticas, é termos um valor pouco expressivo. Foi dito aqui nesta
Comissão que o Presidente da França gastou perto de 40 milhões de
reais para a sua eleição. Aqui no Brasil os dois candidatos gastaram
350 milhões cada um. Então, nós temos que limitar o número. Também
quero dizer que concordo plenamente com isso.
Quero
também dizer, Presidente, que, como o Deputado Marcelo Castro disse,
V.Exa. pode exercer e exercerá, tenho certeza, um papel importante
para que a gente possa chegar a um bom termo. Esta Casa precisa
votar essa reforma para que a gente possa melhorar a nossa
representação política.
Então,
agradeço muito e o cumprimento mais uma vez pelas lúcidas e
brilhantes palavras aqui proferidas.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado
Afonso Motta, por 3 minutos.
O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Quero cumprimentar o nosso Presidente, Deputado Rodrigo Maia, o
nosso bravo Relator, Deputado Marcelo Castro, e dizer da honra para
este Parlamento em receber aqui o Presidente do PMDB e
Vice-Presidente da República, que tem uma trajetória parlamentar
singular, exemplar, inclusive na Presidência desta Casa, uma honra
para todos nós. A presença de V.Exa. marca uma mobilização
necessária nesta Comissão de realmente investirmos no espaço que
temos para produzir o nosso posicionamento a partir da aproximação
de ideias, da mediação, já que de forma muito evidente e muito clara
é necessária, porque senão teremos grandes dificuldades de
alcançarmos os nossos propósitos.
Nós
temos trabalhado independentemente das posições aqui na Comissão com
o fundamento que acho muito importante: redução dos custos de
campanha e igualdade entre os candidatos que disputam o
protagonismo, disputam a legitimação eleitoral. Gostaria de ouvir a
opinião de V.Exa. a respeito
desse fundamento. Nesse sentido, também desde o início nós
entendemos que os dois pontos centrais desta Comissão, os mais
complexos, os sistemas de fundos, seria sem dúvida nenhuma sistema
eleitoral e financiamento de campanha.
Também
gostaria de indagar a V.Exa. se, dentro dessa visão e do conceito
que defende do voto majoritário, como seria possível, nessa
tentativa de aproximação, fazermos a mediação para o sistema
distritão misto e a lista.
A
questão da facilidade nesse processo é muito importante em função da
definição da circunscrição eleitoral. Acho que essa questão da
circunscrição eleitoral é um tema complexo que nós precisamos
facilitar. E, por outro lado, com relação ao financiamento de
campanha, a possiblidade de trabalharmos também com um sistema misto
limitado.
Ainda
esta semana esteve aqui na Casa o Ministro Nelson Jobim que, ao
falar do financiamento público de campanha — inclusive exteriorizou
num artigo em alguns veículos de comunicação social —, disse que nós
teríamos grandes dificuldades, uma vez adotado o sistema público, de
estabelecer critérios. E realmente é uma questão de complexidade.
Mas, mesmo assim, como hoje se tem o fundo partidário, o horário
eleitoral gratuito, já temos de certa maneira financiamento público,
nós gostaríamos de ouvi-lo sobre a possibilidade de estabelecermos
um sistema misto com limites.
Parabéns
pela sua manifestação! Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Quer falar?
O
SR. VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (Michel
Temer) - Só para responder rapidamente. Em primeiro lugar, é claro
que eu defendo a tese do voto majoritário. Mas lembre-se de que,
logo no início da minha fala, eu disse que o importante é que se
faça uma reforma. Se chegarem à conclusão aqui que devemos fazer o
sistema misto, muito bem. O que é importante é entre valores:
distritão, voto majoritário e reforma política. Veja que eu coloco
esta mão acima, portanto, o valor maior é proceder a reforma
política.
Quanto
aos gastos de campanha, valores, acho que a legislação pode fixar,
num dado momento, um valor para as campanhas. Você não pode é
ultrapassar o limite fixado. Assim como no caso das empresas ou até
das pessoas físicas, que já existe esse limitador. Mas o limitador
pode ser reduzido ainda mais.
Então,
eu estou plenamente de acordo com as suas posições. Não tenho
objeção nenhuma. Agora me passou uma questão da sua última fala que
eu queria responder. Eu penso que, quanto aos gastos de campanha,
vou reiterar: nós podemos fixar limites. Acho que é isso.
Há
uma última coisa que questionou que eu me perdi, confesso.
O
SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA -
Talvez seja o que falei que já temos um financiamento público.
O
SR. VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (Michel
Temer) - Ah, sim, sem dúvida alguma. Bem lembrado.
Nós
já temos um financiamento público, tanto o programa eleitoral como o
fundo partidário. O programa eleitoral também é descontado do
Imposto sobre a Renda, não é de graça o programa eleitoral. Então,
já temos o financiamento público por essa via. Portanto, adotado o
financiamento privado, nós temos, na verdade, um financiamento
misto.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Herculano Passos.
O
SR. DEPUTADO HERCULANO PASSOS -
Quero cumprimentar o nosso Presidente Michel Temer, o Deputado
Rodrigo Maia, Presidente da Comissão, o Deputado Marcelo Castro, que
esteve lá na Assembleia Legislativa de São Paulo, explanando toda a
questão da reforma política de uma forma muito bem conduzida.
Eu
estou na política há algum tempo e fala-se nessa reforma politica há
muito tempo, e não foi feita. Eu entendo que este início de mandato
é o momento mais propício para que votemos essa reforma política.
Para que isso aconteça, é importante que esta Comissão leve alguns
temas, como o Dr. Michel Temer falou, para a discussão em plenário.
Um dos mais importantes e que a sociedade clama é a redução de
gastos de campanha.
O
Dr. Michel Temer, pessoa de extrema competência, porque conhece os
Poderes e já passou por todos eles, o Judiciário, o Legislativo e o
Executivo, tem uma visão ampla de todo o sistema político de
governabilidade do País. O Dr. Michel Temer falou em abrir mão de
interesses pessoais. Eu fui Prefeito da cidade de Itu, e fui eleito
por uma região do Estado de São Paulo. Se eu fosse pensar em
interesse próprio, eu iria querer o voto distrital, porque, naquela
região em que eu tenho mais votos, provavelmente teria mais chance
de me eleger. Mas eu entendo que a população quer que aquele
candidato em que ela votou seja o eleito e fica muito contrariada
quando vota num candidato que tem mais de 100 mil votos e não é
eleito, e um candidato com poucos votos ocupa aquela cadeira de
Deputado.
Então,
com a explanação do Presidente Michel Temer, eu estou convencido de
que o voto distritão majoritário é o melhor caminho, até porque tem
mais representatividade e é a escolha popular.
Em
relação a custo de campanha, o próprio voto distritão já reduz o seu
custo, até porque vamos ter menos candidatos. E menos candidatos é
menos custo de campanha. Então, concordo plenamente.
Gostaria
de acatar o posicionamento do Deputado Marcelo Castro e elegê-lo
como defensor da reforma política, para que possamos ter uma
referência, um norte, e votar. Porque não podemos deixar de votar e,
se possível, para as próximas eleições municipais, agora no ano que
vem.
Obrigado.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputado Esperidião Amin.
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
O destino quis eu estivesse aqui substituindo o Deputado Marcus
Pestana, mas, mesmo assim, eu vou defender a tese que ele abandonou.
Na
estatística mais do que suspeita do Deputado Marcelo Castro, que
está nitidamente às vésperas de ser abduzido pela cúpula do PMDB,
sem se incluir nesta cúpula o Presidente, porque não estará
participando desse processo de convencimento, são 26 para o
distritão e 7 ou 8 para o circunscrição. Então, é o majoritário,
porque o circunscrição nada mais é que o subdistritão.
E
aí eu homenageio o Deputado Cândido Vaccarezza, que está aqui,
porque eu acabei sendo o Relator da única coisa que se deliberou
recentemente em matéria de reforma política na Câmara dos Deputados.
A única coisa que se deliberou foi a 352, e ela consagrou, não por
ser majoritária, mas porque gerou menos anticorpos, o sistema do
subdistritão. Ou seja, divide São Paulo, por exemplo, em 14
circunscrições, onde haverá o voto majoritário ou proporcional, como
eu vejo. Serão eleitos ali os cinco Deputados Federais mais votados
e apenas os cinco mais votados. O
que é o distritão? Em São Paulo, é manter uma eleição estadual.
Portanto, necessariamente mais cara, mesmo que se imponha um
limite.
Então, eu creio que o distritão — quero ser justo com os meus
companheiros de partido — é o sistema que tem predominado na
avaliação do Partido Progressista, até como homenagem ao Dornelles,
que foi seu colaborador ou pelo menos foi seu parceiro nesta
construção inicial. Então, todos nós vamos ter que ceder, porque
senão vamos pagar vexame. E eu dizia aqui ao Presidente Temer que os
que pagaram vexame em 2007, 2008, 2009, tinham mais crédito do que
nós. Havia mais tolerância em relação ao político e à não aprovação
de uma reforma politica do que a nós. Nós estamos com menos crédito.
Ou seja, a população não vai tolerar um fracasso retumbante. Também
não se pode esperar uma solução perfeita.
Gostaria de concluir fazendo duas observações. Primeira: o
que mais depõe a favor do distritão? Ele é a resposta mais
autêntica, legítima, clara ao brado, ao bordão “Você não me representa”,
que nós ouvimos em junho de 2013 e continuamos a ouvir, quando nos
defrontamos com situações que o Presidente Michel Temer resumiu com
aquilo. Alguém fez 130 mil votos e não foi eleito porque seu partido
não conseguiu quociente eleitoral; e outro, por exemplo, que ele deu
— e nós sabemos do que ele está falando —, foi eleito com 285 votos.
Por quê? Porque veio na carona de alguém. O “Você não me representa” é o
bordão que mais compromete a legitimidade. E, quando se fala mal da
legitimidade na democracia, corrói-se o seu alicerce mais sagrado e
mais vulnerável.
Segundo ponto: pulverização, fragmentação partidária. O
senhor foi muito delicado. Foi a fragmentação partidária, não só
ela, que antecedeu a ascensão do Hitler. O que antecedeu a ascensão
do Hitler foi um partido que fez pouco mais de 20% na República de
Weimar, liberal, que concordava com tudo, que não criava objeção
para ninguém e permitiu que um forte e de pouco escrúpulo chegasse
aonde chegou.
Então, a fragmentação partidária é neste momento a pior
doença que acomete a nossa democracia, a pior, porque são 32 que
existem — e eu não falo mal de nenhum deles também, como V.Exa.
também não falou —, mas há mais 25 na linha de montagem. E isso
porque se retirou o fermento e o fomento do fundo partidário, do
tempo de televisão e rádio, que o sujeito que fosse para um partido
novo carregava até 2014. Imaginem, sem esse fermento, ainda existe
essa volúpia. Então, a fragmentação partidária, que nada tem a ver
com ideologias reprimidas, que não estão podendo se manifestar ou
com projetos para o País, tem que ser combatida, não eliminada, e
reduzida a níveis saudáveis, digamos assim, porque hoje fechou a
questão do sanitário.
São os dois comentários que eu gostaria de fazer. Muito
obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Elmar
Nascimento.
O SR. DEPUTADO ELMAR
NASCIMENTO - Presidente Michel Temer, já se tentou umas três
vezes ou mais aqui nesta Casa votar uma reforma política, e esse
tema retorna com uma discussão muito maior dessa feita, por conta
das manifestações de 2 anos atrás e dos últimos meses. E o Governo,
numa manobra diversionista, atribui à reforma política o poder e a
mãe de todas as reformas, o poder de mudar o que a sociedade está
querendo.
E o que a sociedade brasileira está querendo não é reforma
política, é uma reforma da política, querendo mais honestidade,
querendo transparência, querendo combate efetivo à corrupção. Esse
tipo de coisa que não está sendo tratado aqui e que não vai ser
resolvido. E nós corremos o risco de, não a fazendo, trazer para o
colo do Congresso Nacional a responsabilidade por não resolver essa
grande crise política que o Brasil vive, e isso é uma grande
preocupação que nós temos aqui, e a responsabilidade de produzir
alguma coisa.
Por isso, acho que o Relator Marcelo Castro fez uma pesquisa
no Plenário, mas deveria ser alguma coisa mais oficial, para ser
dirigida a todos os gabinetes da Casa e os partidos se reunirem
internamente também para conversar com cada um dos Deputados que não
se debruçou sobre o tema para poder avaliá-lo de melhor forma, sob
pena de, na Comissão reunida de especialistas em reforma política,
se produzir um relatório que não tem nada a ver com o que pensa a
maioria do Plenário, dificultando muito mais ainda a aprovação de um
projeto de reforma política no seu âmbito.
Eu queria também entrar nessa questão de financiamento. Todo
o mundo gosta de falar aqui contra o financiamento empresarial. Eu
fico a me perguntar: será que uma empresa que gera milhares de
empregos, que gera milhares de recursos, através dos impostos para o
nosso País, uma S.A., por exemplo, não tem direito de participar do
processo político, contribuindo?
É claro que essa participação deve ser feita com limites, com
vedações, por exemplo, para empresa que tem qualquer tipo de
contrato, mesmo que obedeça as cláusulas uniformes com o poder
público, com empresas que recebam subsídios do Governo ou de banco
oficial. Mas deixar de participar, quando a gente vota aqui, como
aconteceu na semana passada, um projeto de terceirização que
envolveu 12 milhões de trabalhadores filiados a diversas empresas
que têm interesse direto com relação a isso? Nós vamos ceifar
completamente essas empresas de participar do processo
político?
Por último, a questão de fragmentação de partidos. Aqui,
quando a gente vai votar uma PEC, assina-se compromisso com o
conteúdo para ajudar o colega. É a mesma coisa da formatação de um
partido político, em que reúnem-se, com facilidade, 500 mil
assinaturas. E hoje há até escritórios especializados em ajudar quem
quer montar um partido, para poder montar, mas sem qualquer
densidade eleitoral. Se, para poder criar um partido, são exigidas
500 mil assinaturas, deveria ser feito um registro provisório para
que, a cada eleição para a Câmara dos Deputados, o partido tivesse
que ter pelo menos 500 mil votos, para que ele fosse ratificado para
sua existência enquanto partido político, sob pena de haver essa
fragmentação de partidos que existem.
Mas eu louvo a participação de V.Exa. nesta reunião de hoje e
o convoco à responsabilidade de, enquanto não articulador político
do Governo, mas Presidente do maior partido do Brasil, junto com os
demais Presidentes, procurar tentar fazer essa concertação, para
que, daqui da Câmara dos Deputados, possamos produzir efetivamente
um texto razoável de reforma política, que atenda pelo menos em
parte os anseios da população brasileira.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Henrique
Fontana, por 3 minutos e não 3 horas.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Obrigado, Presidente. Não é fácil, porque
para tentar sensibilizar o Vice-Presidente da República e o
Presidente de um partido que pode nos ajudar a decidir os rumos da
reforma política precisava de um pouquinho mais de 3 minutos, mas,
com certeza, nós poderemos conversar com o Vice-Presidente Michel
Temer, a quem eu cumprimento, em outros momentos, nesta negociação
final em torno de uma reforma política que todos nós tanto queremos
fazer.
Eu ressalto sempre, quando vou divergir de uma posição, que a
política tem isso de fascinante: ela não é uma ciência exata, e os
argumentos normalmente têm base respeitável em todos aqueles que
defendem diferentes posições. E eu gostaria, e tenho trabalhado
muito, conversado com diversos Líderes do PMDB, e outro dia também
tive oportunidade de uma conversa mais longa com o nosso ex-Ministro
e hoje Presidente da Fundação Ulisses Guimarães, Moreira Franco, e
tenho conversado muito com o Relator, de dizer o seguinte a V.Exa.,
Vice-Presidente Michel Temer: a visão que eu tenho é que, no
Parlamento, o voto majoritário não tem a mesma função que tem na
escolha dos outros governantes, como tão bem V.Exa.
colocou.
No Parlamento, a importância de todas as opiniões, ou seja,
de que preferencialmente 100% dos votos dos eleitores brasileiros
estejam representados na composição final do Parlamento é um valor
importantíssimo, no meu ponto de vista. Por isso, a busca de
sensibilizar o PMDB por um sistema que seja 100% proporcional, que
valorize preferencialmente todo voto dado por todo
cidadão.
Todos nós aqui sabemos que nenhum sistema puro conseguirá ser
aprovado. Eu posso gostar muito da lista fechada, outro pode gostar
muito do distritão, outro pode gostar muito do distrital puro, mas
nós, pela experiência que temos, sabemos que esses sistemas não
atingem maioria. Então, é a hora da
negociação.
Temos conversado dentro do PT, não temos posição fechada, mas
eu entendo que partir para uma negociação que garanta um sistema
100% proporcional, que traga para esse sistema um componente que é
defendido por muitos, que é um componente de que uma parte do voto
se dê dentro de um distrito, onde o cidadão, como no sistema alemão,
vai à sua região e escolhe o Deputado que ele quer eleger naquela
região... Mas ele tem também um voto programático, ou seja, ele
escolhe um partido político, ele escolhe um programa, e, com esses
dois votos, ele equilibra o seu voto.
E, se esses dois votos forem contados, Presidente Michel
Temer, de forma 100% proporcional e o preenchimento dessas vagas se
der por estas duas variáveis, aqueles que estão concorrendo na
representação de um programa e aqueles que estão concorrendo, que
devem, no meu ponto de vista, ser os mesmos, e assim é na Alemanha,
o Deputado... Por exemplo, eu, Henrique Fontana, estou na lista de
candidatos do PT no Rio Grande do Sul, estou representando este
mesmo programa num distrito e estou defendendo votos para este
projeto. Porque aí nós terminamos com a guerra dentro dos partidos,
que é um problema seríssimo da política de hoje. O nosso adversário
principal é um colega de partido, normalmente.
E para concluir, Presidente, eu hoje escolhi não falar sobre
financiamento, quero falar ainda mais uma palavra sobre sistema
eleitoral. O meu sentimento é que um voto distritão puro amplia a
guerra entre indivíduos, a disputa entre indivíduos. Nós vamos ter o
hiperpersonalismo na política levado à máxima potência. Por quê?
Porque eu tenho que entrar numa eleição. Se há 200 candidatos no Rio
Grande do Sul, 300, 400, o meu assunto é que eu tenho que ser um dos
31 primeiros. Então, cada campanha de Deputado vai ser quase que uma
campanha de Governador, porque ele tem que ser levado a um extremo
de gastos. Se hoje ele consegue ter 20 carros de som, por exemplo,
em 20 cidades, ele tem que ter 150 carros de som para colocar em
todas as cidades do Rio Grande do Sul, e ele tem que ter comitê
organizado em todas as cidades do Rio Grande do
Sul.
Então, nós agravamos o custo de campanha e agravamos aquilo
que, no meu ponto de vista... E aí V.Exa. conhece a minha posição,
eu inclusive migrei, mudei de posição. Eu entendo que o
financiamento não deve ser exclusivamente público, ele deve ser
público e somado com o de pessoas físicas, com valor limitado,
porque eu entendo, sim, que... E aí, data venia, com enorme
respeito aos motivos que levam o PMDB a defender essa posição, que
obviamente são motivos nobres, mas eu ainda luto para mudar a
posição do PMDB, porque nós não votamos ainda. Eu entendo que a
democracia brasileira precisa hoje de um período sem financiamento
de empresas. Ela precisa dessa folga, ela precisa de um período onde
não se ampliem as suspeições sobre a política.
Eu tenho dado exemplo de uma matéria que saiu em um jornal de
meu Estado, em que o tema da matéria, Presidente Temer, era o
seguinte: “Vamos listar todos
os candidatos que receberam algum financiamento de alguma das
empresas que estão sendo investigadas na operação Lava Jato”.
Financiamento legal inclusive, óbvio, com recibo. Ou seja, é a
suspeição generalizada sobre a política e sobre os políticos, o que
é extremamente negativo para o fortalecimento da democracia.
Portanto, vamos dar tranquilidade ao voto do cidadão, que o voto do
cidadão não vai ser subvertido pela lógica de que 10, 20, 30 grandes
financiadores tenham mais força para decidir uma eleição do que o
voto de cada um dos cidadãos em caráter igualitário.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Obrigado, Deputado Henrique Fontana.
O SR. VICE-PRESIDENTE
DA REPÚBLICA (Michel Temer) - Eu peço a palavra em face do
natural entusiasmo do nosso Deputado Henrique Fontana. O raciocínio,
Deputado Fontana, que V.Exa. faz me leva à convicção de que quando
os Tribunais decidirem por maioria, deve ser levado em conta o que a
minoria decidiu, e quando, por exemplo, você ganhar uma eleição para
Prefeito ou para Presidente da República, você tem que levar em
conta o que a minoria decidiu.
Portanto, realmente ou eu me convenço dessa tese... Porque eu
parto de um conceito, Deputado Marcelo Castro, que a representação
tem que ser efetiva da vontade popular, mas como no seu raciocínio
só está valendo a eleição para Deputados Federais, no meu raciocínio
é um pouco mais amplo, ele diz respeito aos atos de Governo. Para
mim, o Executivo governa, o Judiciário governa e, no seu raciocínio
— vou ser repetitivo —, quando o Supremo Tribunal, no plenário,
decidir, vai acontecer isso. A minoria tem que
ser...
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Com a vossa permissão, Presidente, no
Parlamento...
O SR. VICE-PRESIDENTE
DA REPÚBLICA (Michel Temer) - Só para o seu raciocínio, não é
para contestar.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Vou ter que cortar sua
palavra.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Acho que é um momento ímpar, porque a
essência do Parlamento, da parte que o Parlamento representa no
sistema democrático, é que as minorias têm que ter condição de ter
acesso ao Parlamento e, em um sistema majoritário, as minorias
tendem a ser suprimidas.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Marcus
Pestana, que disporá de até 3 minutos. Todos gostariam de falar por
10 minutos, mas se todos falarem por 10 minutos, a sessão acaba e
alguns serão beneficiados e outros prejudicados, o que, para quem
quer fazer uma reforma política equilibrada, já começa mal na tese.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Sr. Presidente, Deputado Rodrigo Maia, Relator,
Deputado Marcelo Castro, nosso Vice-Presidente Michel Temer, é
dispensável reafirmar aqui a admiração que esta Casa tem por V.Exa.
como jurista, Vice-Presidente da República e Presidente do PMDB.
Portanto, é um momento importante da nossa Comissão, mas eu quero
provocá-lo intelectualmente.
Eu creio que não se faz reforma por modismo, não é inovação
pela inovação, o nosso sistema se esgotou, a saturação é evidente e
o exercício de futuro é tenebroso. Na próxima eleição, teremos 40
partidos, os partidos majoritários terão suas bancadas diminuídas de
70, 60 Deputados para 45, e a hegemonia não se organiza.
Creio que a reforma tem que atender a três demandas.
Primeiro, aproximar, sim, representantes dos representados, os
eleitos dos eleitores.
Eu tenho inúmeras pesquisas, em vários planos e, 1 ano
depois, 70% dos eleitores não sabe dizer em quem votou, no Deputado
em que votou. E quando é perguntado como esse Deputado daquela
região votou em alguma questão importante, criação de imposto,
salário mínimo, reforma política, terceirização, qualquer tema
relevante, 95% dos cidadãos não sabem dizer como o Deputado votou.
Há um conceito na Inglaterra, onde nasceu a democracia, accountability, da prestação
de contas, do controle social. Isso é essencial, essa é a natureza
maior da reforma que tem que ser feita. Segundo, baratear a campanha
e diminuir a influência do poder econômico. Terceiro, fortalecer os
partidos, melhorando o ambiente para governabilidade. Afinal, os
partidos são instituições importantes ou não são? Eu, até segunda
ordem, acho-me falível e imortal. Então, não gostaria de ter uma
democracia ancorada em pessoas. O que fica é a sociedade e as
instituições, e a qualidade de uma sociedade se mede pela qualidade
das suas instituições.
Aí, Vice-Presidente Michel Temer, eu queria ouvir V.Exa.,
porque, no meu ponto de vista, o distritão não resolve nenhuma das
três questões essenciais, não aproxima o cidadão da representação.
Concordo que ele não altera em relação à situação presente, porque o
que nós estaremos alterando é o critério de distribuição de cadeiras
e não a relação de candidatos, eleitores, representantes. Eu acho
que fica empatado, o distritão não resolve o problema gravíssimo de
aproximar as pessoas e estabelecer controle social sobre os
mandatos.
Segundo, ao individualizar a campanha e manter em território
aberto, certamente vai encarecer enormemente, vai ser uma luta
selvagem, vai ser uma coisa que a gente não pode nem imaginar.
Realmente eu acho que o poder econômico vai assumir; é claro que
podemos colocar travas legais, mas eu tenho muito
receio.
Por último, eu não consigo enxergar que possa fortalecer os
partidos. Para consagrar uma fala do Relator, Marcelo Castro — uma
celebridade, líder de corrente religiosa, líder sindical que tem uma
máquina —, um bilionário que quer viabilizar um mandato vai preferir
ser calda de baleia ou cabeça de sardinha? Eu creio que nós vamos
ter uma pulverização enorme.
Eu gostaria de provocá-lo com esses três temas,
Vice-Presidente, sobre os quais V.Exa. já resvalou, já falou sobre
eles, mas eu acho que o distritão não atende às três demandas
essenciais.
Por último, para concluir, não lhe incomoda, intelectualmente
— V.Exa. é uma pessoa muito sofisticada intelectualmente —... a
humanidade tem uma experiência acumulada. A democracia nasceu na
Inglaterra e na França e se difundiu pelo mundo ocidental. Essa
experiência humana tem suas razões, suas determinantes. Eu prefiro
acompanhar a Alemanha, os Estados Unidos, o Canadá, a França e a
Itália. Um sistema majoritário como está sendo proposto só existe na
Jordânia, no Afeganistão e em Vanuatu. V.Exa. não acha que as
sociedades maduras teriam caminhado para esse modelo, com a
experiência que tiveram particularmente no século XX, onde os
sistemas se consolidaram e amadureceram?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Arthur
Maia.
O SR. DEPUTADO ARTHUR
OLIVEIRA MAIA - Meu caro Presidente, Rodrigo Maia; caro
Presidente Temer, prazer muito grande recebê-lo aqui, na nossa
Comissão de Constituição e Justiça; Deputado-Relator Marcelo Castro;
Deputado Marcus Pestana, meus colegas e minhas colegas, minhas
saudações.
Presidente, como o tempo é muito curto, quero cingir a minha
fala em dois pontos que julgo fundamentais nessa reforma. O primeiro
é a diminuição do custo da campanha. Nós de fato chegamos a um ponto
em que as campanhas tomaram uma proporção de gasto inacreditável.
Por outro lado, nós também temos que definir em relação à questão de
custo de campanha, antes de qualquer outra decisão, se nós vamos
enveredar pelo caminho do financiamento público, como aqui defende o
nobre Deputado Fontana — um dos melhores desta Casa — ou se nós
vamos manter o financiamento privado.
Aconteceu na semana passada uma discussão extremamente
interessante no Brasil acerca do aumento do fundo partidário, que no
ano passado — eu não me lembro dos números exatos — era menos de 300
milhões de reais, passou para quase 900 milhões de reais. E, por
parte de todos os segmentos da sociedade, pelo menos todas as
manifestações que vi na imprensa — todas! —, foram de crítica
contundente a esse aumento, que elevou o preço do custo das
atividades partidárias para 900 milhões de reais.
Eu imagino, Presidente, que em um país que só os três
principais candidatos a Presidente declararam alguma coisa já
próxima de 900 milhões de reais, quando nós somarmos a campanha dos
Deputados Federais, a campanha dos Deputados Estaduais, a campanha
dos Senadores, a campanha dos Governadores de Estado, teremos uma
cifra cinco ou seis vezes maior do que os 900 milhões de reais.
Porque, pelo que eu me lembre, a Presidente Dilma gastou alguma
coisa acima de 300 milhões; o Aécio Neves, alguma coisa em torno de
250 milhões; os outros candidatos, somados, devem ter, mais ou
menos, 300 ou 900 milhões. Somando todos esses outros eu acho que
nós vamos para uma cifra cinco ou seis vezes maior do que esses 900
milhões.
Vamos considerar que nós vamos fazer várias restrições e que
isso caia para a metade, e tenhamos aí, portanto, um custo de 4 ou 5
bilhões de reais para a campanha. Esse direito será tirado da saúde,
será tirado da educação, será tirado naturalmente de outras áreas
que compõem a administração pública. E nós sabemos que, no Brasil, o
dinheiro, apesar de termos uma arrecadação bastante considerável e
crescente, nós temos visto os serviços públicos ainda bastante
deficientes.
Então, essa discussão que tivemos, na semana passada, eu acho
que é muito importante e significativa para que nós possamos
refletir realmente se esta Casa terá condições de apresentar à
sociedade a conta a ser paga da campanha eleitoral de todos nós,
Deputado Jean Wyllys — de todos nós!
Por outro lado, Sr. Presidente, não há dúvida de que podemos,
através da lei, diminuir esse custo; podemos diminuir o prazo de 90
para 45 dias de campanha; podemos mudar o formato das campanhas
eleitorais em relação à propaganda, em relação à
mídia.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Para encerrar.
O SR. DEPUTADO ARTHUR
OLIVEIRA MAIA - Para concluir, Sr. Presidente. Podemos avançar
em outros vários aspectos; e podemos, também, em relação ao setor
privado fazer restrições do tipo: “Quem tem contrato com o
Governo, de qualquer natureza, não pode financiar”. Temos a
obrigação de limitar o custo da campanha, mesmo que a doação seja
pessoal, porque hoje esse limite não existe.
Então, eu acho que nós temos que pensar em fazer as
limitações, mas devemos manter, justamente por conta dessa discussão
da semana passada, o financiamento privado.
Eu gostaria de evoluir a minha fala na direção da questão
partidária, e não tenho o espaço para isso — o Sr. Presidente, já me
chama a atenção, e com razão. Eu quero dizer também que temos que
avançar, meu caro Relator, no sentido de encontrar uma
regra.
Eu sou de um partido pequeno, com 17 Deputados, mas creio que
nós, necessariamente, não podemos continuar a conviver neste
Parlamento com 28 agremiações representadas. Não é possível! Nós
temos que diminuir esse número, porque esta condição é incompatível
com o sistema presidencialista. E eu posso até avançar mais e dizer:
é incompatível com a prática democrática
salutar.
Era isso o que eu tinha a dizer.
Parabéns,
Vice-Presidente Michel Temer. É sempre uma alegria ver V.Exa. e
particularmente ouvir as suas inteligentes e preparadas
ideias.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Joaquim Passarinho. (Pausa.)
Com
a palavra o Deputado Diego Andrade.
O SR. DEPUTADO DIEGO
ANDRADE - Eu quero, ao cumprimentar o nosso Vice-Presidente da
República, parabenizá-lo pela brilhante exposição muito clara, muito
objetiva. Eu espero que realmente o relatório do nosso Relator
Marcelo, que aqui eu cumprimento também, tenha a mesma clareza e a
mesma objetividade.
Eu gostaria de sugerir que avancemos. É um assunto muito
polêmico, mas nós precisamos avançar. Eu sugiro novamente que
coloquemos a reforma em tópicos, porque, quando a gente vai
apresentar um texto completo, um item pode inviabilizar o outro.
Como nós precisamos de maioria absoluta, de 308 votos, então
realmente é muito importante que trabalhemos com esses
tópicos.
Com relação aos distritos, ao voto distrital, outro dia,
Deputado Pestana, meu amigo — também o cumprimento —, conversei com
um colega de partido favorável ao voto distrital — muito bem votado
em dois Municípios mineiros que V.Exa. conhece, que são Divinópolis
e Formiga. E S.Exa. disse: “Não! Eu sou favorável”. Eu
falei: “Então, tudo bem:
Divinópolis fica para o distrito de cá, e Formiga fica para o de
lá”. E S.Exa. disse: “Não! Neste caso,
não”.
Poxa, há 26 Estados e o Distrito Federal. Em Minas Gerais,
853 Municípios, considerado um número exagerado de Municípios.
Então, coloco aqui a minha posição favorável ao voto majoritário e
ao distritão. Nosso País já está dividido em Estados e em
Municípios, então é importante avançarmos na questão do voto
majoritário.
Nós
precisamos de regras simples e efetivas. Como é que nós queremos
trazer o brasileiro para um jogo do qual ele não conhece as regras?
Eu faço um desafio: mais de 90% do povo brasileiro não entende
coeficiente eleitoral, não sabe a conta e a matemática que o sujeito
faz para ser eleito com menos voto e o outro com mais voto. O
sujeito para ser médico tem que entender de medicina, o sujeito para
ser engenheiro tem que entender de engenharia, o político tem que
ter voto. Se o sujeito não tem voto, ele não tem que vir para esta
Casa. Isso incomoda profundamente a população. Com o distritão, com
o voto majoritário, eu acho que nós vamos ter regra clara. E o
sujeito que quer disputar já sabe: se vai disputar, tem que ter
voto.
Com relação a financiamento de campanha, é importante
limitá-lo. É importante limitar para não termos campanhas
milionárias, conforme a preocupação de vários colegas. Nós temos que
limitar, realmente, as empresas. Eu sou favorável a que essas
empresas e também a que as pessoas físicas financiem, que
participem, pois nós temos que ter a oportunidade de participação de
todas as esferas da sociedade, mas com limitação para não haja
abusos, para que não haja fornecedores de Governo exagerando nas
suas contribuições e, após, ter benesses.
Com relação ao fim da suplência do Senado, sou favorável. Nós
temos a coincidência das eleições, que precisa ser discutida, mas,
como o senhor mesmo disse, às vezes, um relatório ótimo pode ser
inimigo do bom. Um relatório ótimo pode ser inimigo do
bom.
Então, eu faço um apelo ao Relator Marcelo e ao Presidente
Rodrigo, que estão na liderança desta Comissão, para que apresentem
um relatório objetivo, e terão em mim, Deputado Diego, a palavra de
que farei o máximo possível, dentro do PSD, para convencer os nobres
pares para simplificarmos o processo eleitoral. E, para sermos
claros: para que quem realmente tenha voto venha para esta
Casa.
Quando eu disputei a primeira vez a eleição, fui para um
partido que tinha 6 Deputados Federais, e alguns de partidos menores
me procuravam e falavam: “Você é louco, rapaz! Você não
vai se eleger, você nunca foi candidato a nada”. Isso tem que
mudar: o sujeito para entrar na política tem que ter voto. Essa é a
minha posição. Faço um apelo aqui aos demais colegas, respeitando a
posição de todos.
Parabéns, Presidente! Muito obrigado por sua explanação muito
clara, objetiva, fundamentada, e que ela esteja representada no
relatório do Marcelo.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Victor
Mendes.
O SR. DEPUTADO VICTOR
MENDES - Sr.
Presidente; Sr. Relator; Sr. Vice-Presidente, Michel Temer;
colegas Deputados e Deputadas, eu gostaria de dizer e contribuir que
o distritão soou melhor no meu ouvido com a sua explanação. Não
estou ainda 100% convencido. O senhor tem o dom da oratória, o dom
da palavra, o dom do convencimento, afinal, não é à toa que o
senhor, hoje, é três em um: é Vice-Presidente, é articulador
político e é Presidente de um dos maiores partidos do nosso País, a
sua responsabilidade é muito grande, então tenho a certeza de que o
senhor vai ter um papel fundamental na composição desse relatório
final. O que estou vendo, e com certa preocupação, é a reforma
política que vai vir do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Eu
sentia, antes, que havia uma convergência; agora, estou vendo que
está havendo uma divergência. Então, com o seu poder central de
articulação, seria interessante agir para que isso não
aconteça.
Senão, vejamos, o fim da
coligação, que já foi aprovado no Senado, cai se o distritão passar.
Quanto ao voto distrital para Vereador, é justo que somente o
Vereador tenha voto distrital e o Parlamento Federal e Estadual
sejam distritão? Ou vai ser comum para todos? Porque eu acredito que
Parlamento Municipal também tenha a mesma teoria dos outros
Parlamentos, tanto estadual, quanto federal. Então, tem que ter a
mesma regra pata todos os níveis.
Acredito que já está tendo um desentendimento fora do roteiro
entre Senado e Câmara que pode atrapalhar o espírito da votação do
Congresso, da Câmara, dessa reforma política, que pode frustrar toda
a sociedade brasileira e nos frustrar, porque já faz aqui bastante
tempo que com as reuniões nós estamos contribuindo e se, realmente,
não sair um produto razoável, todos nós, não só a população, mas
nós, políticos, ficaremos frustrados.
Outro fato que eu queria acrescentar é que é muito prático
agora defender financiamento público, principalmente para alguns
partidos que estão com o fundo partidário bombando, triplicado.
Agora é prático dizer que não quer mais financiamento público. Eu
gostaria que houvesse uma quarentena para a gente poder colocar o
financiamento público em questão. Criminalizar o financiamento
privado, isso não é por aí. Alguns o criminalizaram, mas não foram
todos.
Então,
eu acredito que é preciso ter mais rigor na fiscalização, mais
transparência nas doações e mais limite nas transparências, porque o
financiamento público agora vai privilegiar alguns, não todos. Eu
digo isso porque agora estou aqui como Deputado Federal, mas já fui
Deputado Estadual no meu Estado, e não chegava para mim contribuição
partidária, sequer tempo de televisão para eu falar na propaganda
eleitoral no meu Estado. Então, imagine, um Vereador, um Prefeito no
interior! Como é que vai chegar o recurso para esse Prefeito, para
esse Vereador fazer a sua campanha? Para a gente, talvez, sim, aqui
estamos em âmbito federal; mas lá embaixo, na ponta, talvez, não
chegue.
Então, eu queria esperar um pouco mais, porque não é justo.
Não sou contra o sistema público, mas acho que agora é casuísmo e
vai privilegiar alguns partidos que detêm o poder, que estão bem
posicionados. Não é coerente com todos, precisamos discutir melhor
essa tese.
E para finalizar, não sei se V.Exa. manifestou-se, porque eu
tive que me ausentar, sobre a sua opinião sobre a unificação das
eleições e o fim da reeleição. Eu acredito que o seu posicionamento
foi muito esclarecedor para nós, e prova disso é que foram quase 70
Deputados Federais que passaram no decorrer da sua explanação, o que
foi um recorde aqui na Comissão.
Eu o parabenizo por sua palestra.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Indio da
Costa.
O SR. DEPUTADO INDIO
DA COSTA - Pacientemente aqui aguardei, para não fazer uso do
Regimento Interno, e quando saía daqui, Presidente, encontrei o
nosso líder aqui na Câmara dos Deputados, o Mozart Vianna, o que
cuidava do Regimento Interno — ele estava bem aqui, Presidente
Rodrigo Maia —, e então pensei: vou recorrer, pegar o número do
artigo, no Regimento Interno. Mas obviamente não fiz isso, em
respeito ao Presidente e à Comissão.
Quero dizer que é sempre um orgulho para esta Casa,
Presidente Michel Temer, recebê-lo aqui sempre elucidando e trazendo
informações e muito conteúdo para o nosso
debate.
De maneira objetiva, para não chegar aos meus 3 minutos,
aliás, ao contrário, contribuir com o tempo para que a gente possa
ouvi-lo mais, eu queria dar uma sugestão objetiva. Eu tenho visto
aqui pelo menos 16 itens que estão sendo debatidos na Comissão,
permanentemente: a reeleição, a duração de mandato, a coincidência
de eleições, a suplência ou não de Senador, o marketing eleitoral, as
coligações proporcionais, as cláusulas de desempenho, a federação
partidária, o prazo de filiação, a janela de fidelidade, a
candidatura avulsa, o domicílio eleitoral, a cláusula de desempenho
individual, o sistema eleitoral, o financiamento de campanha. São
tantos os temas que, no final, a gente pode acabar se perdendo, sim.
Embora o Presidente Eduardo Cunha já tenha nos colocado que a
votação será para cada item. A intenção é fazer isso fatiado para
quem não concorda com um ponto, que é derrubar todo o projeto de
reforma política apenas porque discorda de um ponto dos vários
colocados aqui.
Eu verifiquei, pelo número de Deputados Federais que passaram
nesta manhã por aqui, que a sua palestra foi a mais concorrida, que
a sua participação foi a mais densa, certamente a mais clara,
objetiva, absolutamente democrática e respeitosa. Então, eu queria,
Vice-Presidente, sugerir que a sua participação não se extinguisse
neste dia. Estamos, em princípio, querendo votar no plenário no dia
27 de maio. Daqui até o dia 27 de maio é muito pouco tempo para a
diferença que a gente pode gerar com a reforma política para o
sistema, em resposta não apenas às ruas, mas ao nosso próprio
trabalho, à nossa condição de Parlamentar, de político, de dar mais
transparência, de estar mais próximo da população. Eu que no começo
não concordava com o distritão, hoje em dia estou absolutamente
convencido da importância de a gente dar esse passo e aprovar o
distritão no País.
Eu acho que a sua participação, como falou o nosso colega
aqui, de 3 em 1... Quer dizer, o que me dá a maior tranquilidade e
segurança, já dividi isso aqui com alguns Deputados que tinham
desconfiança de que o distritão poderia tirar o peso e a importância
dos partidos políticos, não
seria o Presidente do maior partido político deste País que iria
adotar um sistema contra o partido.
Então, eu só vou pedir a V.Exa. que sua participação se dê
ainda no processo daqui até o dia 27, quando a gente começará a
votar no plenário, e, humildemente, e me colocar à disposição para
trabalhar aqui alguns Pares que ainda precisem de
convencimento.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Samuel
Moreira.
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Sr. Vice-Presidente, eu acho que a tese principal da
discussão — e óbvio que teremos muitas negociações pela frente — é a
questão do voto, neste momento, majoritário. Eu acho que a tese do
voto majoritário, seja no distritão ou no distrital puro dividindo
por 513 distritos no Brasil inteiro, aumentará o nível de
representação. Nós teremos Deputados mais votados. Hoje, o Deputado se elege
com 1% dos votos, ou 2% os mais votados. Os mais votados dos Estados
têm 2% dos votos. No sistema distrital ou majoritário, acredito que
nós teremos Deputados, especialmente no distrital puro, com 30%, 40%
de votos, eleitos para representar uma determinada
região.
Agora, o senhor desenvolveu uma tese, que me deixou curioso,
e eu queria um pouco mais de esclarecimento: é que, no caso de voto
para Vereador... o distrital, por exemplo, em São Paulo, nós
teríamos 55 cadeiras, 55 distritos, ou seja, 1 por distrito; no caso
de Deputado Estadual, o de São Paulo, teríamos 94 cadeiras, 94
distritos; mas na eleição nacional de Deputados Federais, nós
teríamos 27 distritos, e já não mais 513, 1 por distrito, 1 por
cadeira. Então, o senhor desenvolve o raciocínio de 1 distrito por
cadeira para Vereador, para Deputado Estadual, mas para Deputado
Federal o senhor acha que o distrito deva ser o Estado, 27 distritos
e não mais os 513. Como seria em São Paulo, nós teríamos 70
distritos, se fosse o distrital puro. Mas o distritão remete a um
distrito, São Paulo, para termos os 70 mais votados e não, jamais,
1, o mais votado por cadeira.
Então, o senhor desenvolve esse raciocínio e chega para
Deputado Federal. O senhor acha, não sei se se expressou bem dessa
forma ou eu entendi mal, que o distrito, por exemplo, em São Paulo,
de 450 mil eleitores, seria um distrito pequeno para eleger um
Deputado Federal; seria um distrito em que o Deputado Federal
poderia ter um papel mais de Vereador, talvez, um papel mais
paroquial. E aí é que eu queria debater, porque eu acho que a tese
do majoritário é muito boa, e o senhor está muito focado na tese do
majoritário. Mas eu acho que o majoritário no distrito menor não
significa ter um desempenho paroquial, não há hipótese aqui neste
plenário. Neste plenário só se discute tese nacional. A tese aqui
toda no plenário é a terceirização, é a maioridade penal. A gente
acompanha aqui não é porque é eleito pelo distrito de Santa
Catarina, vindo aqui debater Santa Catarina. São raríssimas as
exceções. A gente é eleito por um distrito, mas ao chegar aqui só se
debatem teses nacionais.
Então, o fato de ser eleito por um distrito menor, como no
caso do Vereador, como no caso do Deputado Estadual, que vi que o
senhor defendeu com bastante ênfase, até, eu acho que nós poderíamos
avançar. Se bem que eu senti o senhor completamente aberto, e eu
quero cumprimentá-lo por isso; aberto ao respeito a esta Casa, à
vivência que teve nesta Casa. Mas eu gostaria muito de evoluir para
a questão do distrital puro, evidentemente que é uma tese que eu
defendo, mas que acho que vai até caminhar para o misto. Mas
gostaria de pregar, ainda, o puro nessa visão do majoritário que o
senhor defendeu. Eu acho que nós estamos pensando muito parecido,
mas eu queria muito entrar nessa tese de que o cidadão é eleito por
um distrito, ainda que de 450 mil eleitores. Ele pode ser um grande
Deputado Federal por conta dos debates que são nacionais e não
referentes só ao seu distrito.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Presidente. Michel
Temer.
O SR. VICE-PRESIDENTE
DA REPÚBLICA (Michel Temer) - Em primeiro lugar, eu quero
agradecer-lhes pelas extraordinárias intervenções, todas elas, volto
a dizer, com elementos que podem enriquecer até o meu pensamento.
Na verdade, eu vim aqui para falar sobre o sistema, e saio
enriquecido com as várias manifestações que aqui se verificaram. Mas
quero dizer, como disse o Deputado Samuel Moreira, que vim aqui
para, digamos, incentivar muito mais a tese da reforma política do
que buscar prevalecer a minha tese. É claro que eu estou
convencidíssimo, e até aproveito as suas palavras, porque a sua
indagação reforça, precisamente, a minha
posição...
Veja: quando eu concordo com a hipótese do distritinho nos
Municípios com mais de 200 mil eleitores, desde que o voto seja
majoritário, é porque as pessoas que vão para a Câmara dos
Vereadores estão preocupadas com o Município. Quando eu concordo com
a hipótese da distritalização do voto no caso do
Estado...
Eu faço até um parêntese: eu preferia que todas as hipóteses
fossem distritão, fossem voto majoritário; apenas falei dessas
hipóteses para enfatizar que o que tem havido, mesmo para aqueles
que defendem o distritinho, é que, no interior do distritinho, o
voto seria majoritário. Por que, no caso do Estado, eu digo assim:
muito bem, dividir-se o Estado em distritos e, lá, em cada distrito,
o voto ser majoritário é a nossa tese? Porque eles vão cuidar do
caso do povo do Estado de São Paulo.
Entretanto, quando se trata da União, isso eu disse bem —
para aqui, as pessoas vêm para discutir as questões nacionais —,
digo eu: nessa hipótese, o distrito há de ser o próprio Estado, pela
lógica que eu apontei no caso do distritinho municipal, do distrito
estadual e do distritão, no plano nacional.
V.Exa. disse muito bem que as pessoas vem para aqui, como
devem vir, com uma preocupação de natureza nacional e não com a
preocupação distrital que eventualmente o teria elegido num voto
distrital para Deputado Federal. Então, a sua colocação, de alguma
maneira, até enfatiza e reforça a minha
posição.
Eu gostaria também de aproveitar para responder algumas
questões. Claro que eu percebo que há certos temas que são de
difícil convencimento. A pessoa está convencida de que, para
aproximar o representante do representado, deve haver o distritinho.
Eu, diferentemente, como eu penso, vou repetir, que quem está aqui
está representando o povo brasileiro domiciliado eleitoralmente lá
no seu Estado, penso que essa representação se tornará mais efetiva
e mais grandiosa, até, porque isso enaltece a figura do Deputado
Federal.
Aliás, eu vou dar um exemplo curioso. Vocês sabem que lá, nos
Estados Unidos... Vocês já ouviram um candidato a Presidente da
República que tenha sido Deputado? Eu, pelo menos de memória, não
tenho notícia. Os candidatos são sempre do Senado, onde o voto é
majoritário. Lá, invoca-se muitas vezes o voto distrital — lá, a
eleição é de 2 em 2 anos —, mas jamais vi alguém que, naquela Casa
Legislativa, tivesse um tal realce político que lhe permitisse, por
exemplo, disputar a Presidência da República, porque, de qualquer
maneira, nenhuma crítica...
O SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Frank Underwood, de House of
Cards.
O SR. VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (Michel
Temer) - Ah, sim. Ele era Deputado, mas isso é na ficção, não é
verdade? (Risos.)
Então, o que ocorre é que, lá, o Deputado Federal fica tão
apequenado que não ganha uma projeção nacional. Só ganham os
Senadores, que têm voto majoritário. Por isso que eu sustento muito
a tese.
Agora, é difícil convencer o Deputado Marcus Pestana de que o
voto que estou a mencionar também aproxima, até maiormente... Se se
quisesse um controle maior — e eu vou falar de um tema delicado —,
mais robusto, mais consistente, poder-se-ia estabelecer o chamado,
ou “rechamado”, o recall
legislativo, para os eleitores poderem tirar o Deputado da função
que veio a ocupar. Então, eu penso que, no caso da Federação... Por
isso que nós somos uma Federação: porque nós viemos para cá
representar o povo domiciliado eleitoralmente, no meu caso, no
Estado de São Paulo. Num dado momento, poderia haver um tal sistema
que dissesse: “Você pode
buscar voto no Brasil inteiro”. Poderia haver isso. Então, eu
acho, na questão da aproximação, que não é um argumento de molde a
evitar a hipótese do voto majoritário.
Quanto a baratear a campanha, convenhamos... Alguns aqui
disseram, como o nosso querido Deputado Henrique Fontana: “Vai precisar montar uma
estrutura, etc.”. Ora, bem, no proporcional, o que acontece: eu,
quando era Deputado Federal, Deputado Marcus Pestana, como eu não
tinha um núcleo eleitoral, como eu não tinha um distrito, eu
percorria o Estado inteiro, claro que com grandes dificuldades. No
voto proporcional acontece isso também. Então, vai se reproduzir, no
voto majoritário, nesta hipótese da campanha, digamos, o mesmo sacrifício que se
fará no caso do proporcional. Acho que melhora. V.Exa. indagou aqui
se melhora ou não o ambiente da governabilidade. Eu acho que
melhora. Eu acabei de mencionar que se se tiver um sistema em que o
número de partidos seja menor, primeiro lugar, e que eles
representem efetivamente parcelas da opinião pública, em que a
primeira colocação que é dizer "bom, eu vou apoiar o
Governo" ou "ou apoiar
aquele que apoiei durante a campanha eleitoral" fica muito mais
sólida do que essa atomização dos partidos que exige um esforço
extraordinário para, enfim, manter a
governabilidade.
O fato, convenhamos, de não ter, que eu acabei de mencionar,
porque V.Exa. mencionou Afeganistão e outros aí, o caso dos Estados
Unidos, onde os Deputados Federais não têm prestígio nenhum — pelo
menos, para efeitos da União, da eleição para a União. Então, o fato
de ter em poucos países não significa que a experiência não poderia
ser exitosa aqui no Brasil.
Eu
quero encerrar a minha participação...
A SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Presidente, permita-me...
O SR. VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (Michel
Temer) - Pois não.
A SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
É porque até então não tocamos em nada em relação à participação da
mulher. Eu não gostaria que V.Exa. saísse daqui sem que pudéssemos
saber a sua opinião sobre a representação das
mulheres.
Eu considero que o distritão cria efetivamente mais um
problema na representação feminina, porque dificilmente as mulheres
serão as primeiras, com todas as circunstâncias que houve até então,
nos Estados.
Então,
como ficam as mulheres no distritão?
O SR. VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (Michel
Temer) - V.Exa. sabe que
além da palavra está o exemplo, e eu sempre me dediquei à mulher. Na
verdade, eu fui Secretário de Segurança Pública em São Paulo e fui o
criador da primeira delegacia de defesa da mulher; na Presidência da
Câmara, eu criei a Procuradoria da Mulher e, ademais, coloquei a
Procuradora entre os Líderes para decisão.
Eu não creio que isso crie dificuldades para a participação
das mulheres, porque isso não significaria que não poderia haver no
sistema eleitoral o mesmo percentual destinado às mulheres. Eu não
creio que isso prejudicaria essa atividade. É preciso encontrar um
meio redacional que permita essa fórmula, mas agradeço a sua
intervenção muito oportuna.
Para concluir, eu quero mais uma vez, Deputado Rodrigo Maia,
Deputado Marcelo Castro, Deputado Marcus Pestana e todos
companheiros e companheiras que aqui estão, agradecer a oportunidade
que tive e reiterar que só vim aqui dar alguns palpites para
incentivar a reforma política.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Sr. Presidente, uma informação: Gerald Ford, Presidente dos Estados
Unidos, foi Deputado. Ele era Vice-Presidente e assumiu com a renúncia
de Nixon.
Espero
que nenhuma ilação seja feita em relação ao Brasil. (Risos.)
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Presidente Temer,
obrigado.
Está
encerrada a reunião.