DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL
Versão
para registro histórico
Não
passível de alteração
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COMISSÃO
ESPECIAL - PEC 182/07 - REFORMA
POLÍTICA |
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EVENTO:
Audiência
Pública |
REUNIÃO
Nº: 0297/15 |
DATA:
14/04/2015 |
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LOCAL:
Plenário 9 das
Comissões |
INÍCIO:
14h46min |
TÉRMINO:
17h25min |
PÁGINAS:
58 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
- QUALIFICAÇÃO |
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GUILHERME
CAMPOS - Presidente Interino do Partido Social Democrático -
PSD.
MARCOS
PEREIRA - Presidente do Partido Republicano Brasileiro -
PRB.
CARLOS
SIQUEIRA - Presidente do Partido Socialista Brasileiro -
PSB.
CARLOS
LUPI - Presidente do Partido Democrático Trabalhista -
PDT.
RENATO
RABELO - Presidente do Partido Comunista do Brasil -
PCdoB. |
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Exposições
e debates sobre o tema: Reforma Política - Sistemas Eleitorais
e Financiamento de Campanha.
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Houve
intervenções fora do microfone.
Inaudíveis.
Há
oradores não identificados em breves
intervenções. |
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Boa tarde a todos, boa tarde a todas!
Declaro
aberta a 16ª Reunião da Comissão Especial destinada a proferir
parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 182, de 2007, do
Senado Federal, e apensadas, Reforma Política, com a participação da
Comissão Especial destinada a efetuar o estudo e apresentar
propostas também com relação às matérias infraconstitucionais da
reforma política.
Encontram-se
à disposição dos Srs. Deputados cópias das atas da 14ª e 15ª
reuniões. Pergunto se há necessidade da leitura das
atas.
O
SR. DEPUTADO DANIEL ALMEIDA
- Peço dispensa, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Perfeitamente.
Não
havendo discordância, fica dispensada a leitura das
atas.
Em
discussão. (Pausa.)
Não
havendo quem queira discuti-las, em votação.
Os
Deputados que as aprovam permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovadas
as atas mencionadas.
Nós
daremos início, então, à reunião de audiência pública que atende ao
Requerimento nº 40, de 2015, da autoria do ilustre Relator desta
Comissão, o Deputado Marcelo Castro.
Eu
gostaria aqui de dar as boas-vindas e convidar para compor a Mesa
dos trabalhos os Srs. Guilherme Campos, Presidente Interino do
Partido Social Democrático — PSD; Marcos Pereira, Presidente do
Partido Republicano Brasileiro — PRB; Renato Rabelo, Presidente do
Partido Comunista do Brasil — PCdoB; Carlos Lupi, Presidente
do Partido Democrático Trabalhista — PDT; e Carlos Siqueira,
Presidente do Partido Socialista Brasileiro — PSB. Sejam todos
bem-vindos!
Enquanto
alguns dos nossos convidados apresentam-se aqui à Mesa dos
trabalhos, eu pediria aos ilustres Deputados e Deputadas atenção
para as orientações sobre esta reunião. Ela é uma audiência pública
interativa. A sociedade civil, então, pode participar também,
trazendo as suas sugestões e os seus questionamentos, pelo endereço
eletrônico e-democracia.camara.gov.br.
Os Deputados poderão direcionar também as sugestões e
questionamentos aos convidados.
Quanto
à exposição e debates, a organização desta audiência pública dá-se
da seguinte forma: o tempo concedido aos palestrantes será de 15
minutos, e nesse tempo não haverá apartes. Os Deputados interessados
em interpelar os palestrantes deverão inscrever-se previamente junto
à Secretaria. As perguntas serão feitas ao final da palestra e
deverão restringir-se ao assunto da exposição, formuladas no prazo
de 3 minutos, dispondo o palestrante interpelado de igual tempo. Aos
Deputados são facultadas a réplica e a tréplica pelo mesmo
prazo.
Darei
aqui, mais uma vez, as boas-vindas aos nossos ilustres convidados.
Estamos honrados aqui com as ilustres presenças, uma Mesa
qualificada, de representação de partidos políticos que atuam de
maneira permanente no nosso dia a dia. Com toda a certeza, esta
presença servirá de orientação, de subsídio importante para o debate
que estamos fazendo nesta Casa a respeito da reforma
política.
Mais
uma vez, aqui, apenas reafirmando aos nossos ilustres convidados e
aos ilustres Deputados e Deputadas participantes, teremos um
primeiro momento em que abriremos a palavra aos nossos ilustres
convidados representantes dos partidos pelo prazo de 15 minutos e, a
partir das falas, os Deputados podem fazer suas inscrições junto à
Secretaria, mas não teremos apartes nas falas a serem
apresentadas.
Então,
para darmos início aos trabalhos da audiência pública desta tarde,
gostaria de passar a palavra ao ilustre Presidente do Partido Social
Democrático — PSD, Guilherme Campos, para que ele, pelo prazo de 15
minutos, possa fazer a sua intervenção e a sua contribuição neste
debate.
Seja
muito bem-vindo!
O
SR. GUILHERME CAMPOS
- Boa tarde a todos e a todas! Presidente, Deputado Rubens Otoni,
nosso Relator, Deputado Marcelo Castro, caros colegas Presidentes
aqui presentes nesta audiência pública da reforma política, eu tenho
a oportunidade de trazer aqui um pouco do pensamento do PSD dentro
desse tema.
Todo
mundo sabe, Deputado Daniel, que a reforma política tem que
acontecer. Mas qual reforma? Cada um tem a sua. Dentro dessa máxima
da necessidade e da dificuldade em se extrair uma síntese de tudo
aquilo que é posto a público, de tudo aquilo que é discutido, nós
estamos aqui dando sequência a um trabalho que já foi realizado no
mandato passado, na PEC que deu origem a esse estudo que está sendo
discutido agora, do qual participei, ainda no meu mandato passado,
junto com o Deputado Marcelo Castro, dando esse pontapé inicial, com
as propostas elencadas.
Como
é que se extraiu a proposta final dessa PEC que deu origem a esse
estudo? Tema a tema foi colocado para discussão e votação. Na
votação, as duas propostas mais bem votadas eram votadas também no
segundo turno e colocadas no corpo da PEC. E novamente os temas
entram em discussão.
Não
vou me alongar aqui naquilo que a Comissão tem trabalhado, naquilo
que a Comissão tem colocado a público. Mas nós temos certeza de que,
para este momento, se nós já tivéssemos um encaminhamento para que
se acabasse com as coligações das proporcionais, já seria um grande
passo na direção da reforma política, por acharmos que isso
fortalece os partidos, fortalece as propostas. Aquilo que é colocado
durante o período eleitoral, no qual se juntam partidos de todas as
vertentes, de todos os matizes... O eleitor sente dificuldade em
identificar as propostas e as ideologias colocadas em prática por
cada um dos partidos.
Então,
essa questão da coligação na proporcional seria um grande passo, com
a criação da federação nacional, que seria um jeito de colocar
partidos afins em comum acordo no plano nacional. Este é um ponto de
vista que o nosso representante do PSD aqui na Comissão, o Deputado
Joaquim Passarinho, do Pará, vem defendendo e colocando com muita
ênfase.
A
outra questão é a cláusula de desempenho, que também seria algo
saneador; ninguém está pregando aqui o fim dos partidos, mas que
somente os partidos de âmbito nacional, aferidos em cada eleição,
possam fazer parte, fazer uso do Fundo Partidário e do tempo de TV.
Esses são os dois pontos principais dentro daquilo que é colocado
aqui hoje.
Os
demais pontos que estão saindo das conversas, dentro das discussões
da Comissão Especial, parece que vêm ganhando corpo: é o fim da
reeleição, coincidência das eleições, mandato de 5 anos e... O que
mais poderemos colocar? O voto facultativo é outra questão que é
colocada na pauta, a questão de como será o método da eleição: se é
o proporcional de hoje, se é o distritão, se é o de lista, se é o
misto, se é o distrital misto, se é o distrital puro, se é aquele
que prevaleceu na proposta que veio aqui, na origem desse processo,
em que você tem um distrito de até quatro, cinco Deputados, vagas
para Deputados, colocando-se os nomes em disputa dentro daquilo que
a Justiça Eleitoral vai dividir em cada uma das regiões do
País.
Eu
fui voto vencido em muitos desses pontos. Eu, particularmente, acho
que a coincidência das eleições, do ponto de vista econômico, do
ponto de vista do dia a dia da Nação, é algo bem razoável, mas, do
ponto de vista político, vejo com grande preocupação por dois
motivos: se você tem um encaminhamento para cá ou para lá, uma
lufada de vendo que leve tudo para cá ou leve tudo para lá, você
leva tudo de uma vez, em todas as esferas, federal, estadual e
municipal. E isso pode desbalancear a nossa democracia, que ainda é
uma democracia jovem.
Por
isso, eu particularmente defendo as eleições de 2 em 2 anos e tenho
a preocupação também de estar ofuscando as eleições municipais
quando você as coloca junto com as eleições nacionais e estaduais.
Isso no passado já acontecia, foi mudado, e nós estamos voltando ao
passado. Então é um sinal que merece uma reflexão por parte de
todos.
A
questão do financiamento eleitoral é outro tema que foi colocado. A
proposta que nós pusemos à época na PEC é que cada partido, à época
de sua convenção, defina como vai ser o seu sistema eleitoral, se
vai ser o misto, se vai ser o público... Não, refiro-me ao sistema
de financiamento, desculpe-me: se vai ser o misto, se vai ser o
público, se vai ser o privado, e que se defenda isso. A partir do
momento em que você defina um caminho, essa é a sua bandeira,
deixando livre para o eleitor que ele próprio possa escolher, entre
os partidos, aquele que, dentro do sistema de financiamento, colocou
assim a sua bandeira. É o que está na proposta que teve a nossa
iniciação.
E
não poderia deixar de falar — o Deputado Marcelo Castro não vai
gostar, mas sabe do que eu falo — sobre a questão, enquanto
paulista, da representatividade, como deveria ser a
representatividade dentro do Parlamento Nacional. Já que os
Deputados representam a população de cada Estado, que pudéssemos
ter, por aproximação, a representação, em cada um dos Estados, à
altura de sua população. O paulista não vale menos que o roraimense;
o cidadão de São Paulo não vale menos que o cidadão do menor Estado
da Federação. É uma questão pacífica, é uma coisa que passa aqui com
tranquilidade, mas eu não poderia deixar de pontuar.
São
essas as observações.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado Guilherme Campos, nesta
oportunidade aqui representando o Partido Social Democrático, neste
debate da reforma política.
Nós
vamos conceder agora a palavra, também por 15 minutos, para o Sr.
Marcos Pereira, Presidente do Partido Republicano Brasileiro — PRB,
para que ele, em nome do seu partido, coloque também o seu
posicionamento a respeito do tema desta audiência pública: Reforma Política — Sistemas
Eleitorais e Financiamento de Campanha. Seja
bem-vindo!
O
SR. MARCOS PEREIRA
- Obrigado, Sr. Presidente. Boa tarde a todos, a todas as Sras. e os
Srs. Deputados! Eu cumprimento o Presidente, Deputado Rubens Otoni,
o Relator, Deputado Marcelo Castro, os colegas Presidentes dos
demais partidos aqui presentes, Renato Rabelo, com quem tenho um
relacionamento já duradouro e com quem tenho discutido muitos temas
importantes para o nosso País; eu cumprimento os demais Presidentes
e o Deputado Orlando Silva, também meu amigo em São Paulo, o
Deputado Baleia Rossi, também colega, e o Deputado Antonio Bulhões,
titular desta Comissão e pertencente ao meu partido; eu cumprimento
todas as Sras. e os Srs. Deputados.
Sr.
Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a minha participação nesta
Comissão Especial de Reforma Política, nesta tarde, terá um condão
de fazer um apelo a V.Exas. para que haja uma reflexão sobre o tema
reforma política. Não é verdade, Sr. Presidente, que o tema reforma
política seja um apelo, seja uma pauta ou uma reivindicação das
manifestações das ruas que ocorreram no dia 15 de março, no último
domingo, e muito menos das que ocorreram no meado do ano de 2013. Um
ou outro manifestante clamou por essa pauta.
Em
2013, as reivindicações eram por melhores e mais baratos serviços
públicos, e o que desencadeou essas manifestações foi o aumento da
passagem de ônibus, entre outras reivindicações. Agora, em 2015, os
protestos são majoritariamente contra a corrupção, contra o ajuste
fiscal, contra o Governo Federal, que, no entender da população, fez
uma coisa, falou uma coisa na campanha eleitoral e parece estar
fazendo outra, sobretudo no quesito do ajuste fiscal.
Portanto,
Sras. e Srs. Parlamentares, a responsabilidade com a Constituição da
República, com as leis vigentes no nosso País e com as instituições
paira sobre os ombros de V.Exas., que são os juízes naturais desta
causa e que vão julgá-la e decidi-la em breve, no Plenário desta
Casa de Leis.
Salvo
melhor juízo, não é de bom alvitre — e esse é um dos apelos que faço
às Sras. e aos Srs. Deputados — que se faça uma reforma política de
forma apressada, de forma atordoada, sob pena, Deputado Orlando, de
se configurar uma ilegítima reforma e que, ao invés de uma reforma,
se faça um remendo. Peço vênia e desculpas às senhoras e aos
senhores, mas o Parlamento brasileiro tem feito muitos remendos à
legislação brasileira nos últimos anos.
Só
para citar um dado, como professor de Direito, professor da
Faculdade de Direito, eu fiz uma pesquisa com os meus alunos, há 3
anos, e essa pesquisa remontou a 10 anos. Há 3 anos, nós pesquisamos
os julgados de 10 anos do Supremo Tribunal Federal. As ações diretas
de inconstitucionalidade, as leis que foram atacadas no Supremo
Tribunal Federal do Brasil por inconstitucionalidade, 70% delas
foram declaradas total ou parcialmente inconstitucionais. Setenta
por cento foram declaradas parcial ou totalmente inconstitucionais.
Isso prova a má qualidade da produção legislativa, pelo menos no
entender dos Srs. Ministros da Suprema Corte. Logo, é imperioso que
não se faça nada de forma apressada, como está parecendo que se vai
fazer mais uma vez nesta Casa.
Muito
me preocupam, Sr. Presidente — e eu quero deixar registrado aqui, em
nome do PRB, o Partido Republicano Brasileiro —, as declarações do
ilustre Presidente desta Casa, o Deputado Eduardo Cunha, a quem o
meu partido apoiou, a quem eu apoiei para a Presidência desta Casa:
“Nem que seja na marra, a
reforma política será votada, e até maio”. Isso me preocupa como
cidadão, preocupa-me como dirigente partidário. Muito me preocupa o
que disse o ilustre Presidente Eduardo Cunha, que, se esta honrosa
Comissão não conseguir concluir os trabalhos em 40 sessões, ele
levará o tema e o resolverá em plenário de forma intensa e rápida.
Parece-me que não é essa a melhor forma de legislar, porque, se
assim for, o Supremo Tribunal Federal terá que atuar mais uma vez,
será provocado e, como tem feito ao longo da história deste País,
não se furtará a fazê-lo.
Trago
aqui comigo, Sr. Presidente, Sr. Relator, algumas publicações da
chamada grande imprensa. E eu gostaria de citar de forma resumida,
por exemplo, uma matéria que saiu ontem no site do jornal O Estadão que dá conta de um
debate realizado no Instituto Fernando Henrique Cardoso, com a
presença de Deputados do PSDB, de Deputados do PT, entre outros
políticos, sobre o chamado “distritão”, que interessa a poucos
partidos neste País e que, infelizmente, parece estar tomando corpo
nesta Casa, mas que só é usado no Afeganistão e na Jordânia. Vejam a
que ponto nós estamos prestes a chegar.
Preservar
o sistema proporcional é muito importante, Presidente Lupi, na
opinião do PRB, haja vista que o Congresso é o lugar das minorias e
é onde elas devem estar legitimamente representadas. No debate
ocorrido ontem no Instituto Fernando Henrique Cardoso e relatado
pelo jornal O Estadão, o
ex-Ministro Moreira Franco, hoje Presidente da Fundação Ulysses
Guimarães, fundação do PMDB, disse, após verificar que a proposta do
distritão foi duramente criticada tanto por Parlamentares do PT
quanto por Parlamentares do PSDB: “Esta é a reforma possível no
momento, já que há uma necessidade de dar uma resposta às ruas, que
pedem mudanças”. Mas que mudanças pedem as ruas, Sras. e Srs.
Deputados? —pergunto eu. As ruas pedem mudanças na qualidade da
saúde, da educação, da segurança, do transporte público, entre
outros. As ruas pedem mudanças nas propostas eleitorais enganosas,
que, durante o período eleitoral, se propagam na televisão e no
rádio, recheadas e criadas por marqueteiros. Uma coisa é dita na
eleição, e outra muitas vezes se pratica após tomar posse do cargo.
As ruas pedem mudanças na forma do financiamento de campanha, que
cria e alimenta mensalões e petrolões, dilapidando patrimônios
públicos, como a nossa PETROBRAS.
Não
ouvi nas ruas, Sr. Presidente, pedido de aprovação do chamado
“distritão”, não ouvi nas ruas pedido de criação de cláusula de
barreira, já declarada inconstitucional pela Suprema Corte deste
País. E sabemos que, nesse julgamento, ocorreu uma raridade naquela
egrégia Corte. Os advogados e as advogadas, colegas aqui presentes,
sabem que é a coisa mais difícil o Supremo Tribunal prolatar um
julgamento por unanimidade, e a cláusula de barreira foi derrubada
por unanimidade pela Suprema Corte do País.
Tenho
aqui, Sr. Presidente, também uma matéria do Portal R7, em que vários
especialistas no assunto defendem o aprimoramento do sistema como
está, com apenas algumas correções como, por exemplo, o
financiamento de campanha, que gera a verdadeira corrupção.
Caminhando
para o final, Sr. Presidente, tenho aqui também um artigo do dia 5
de abril, do jornal Folha de
S.Paulo, onde o jornalista Ranier Bragon diz:
“Hoje
os votos dados a quem perdeu ou a quem ganhou ajudam quase sempre o
partido ou a sua coligação emplacar mais gente na Câmara. Nem sempre
é verdade os mais votados. Busca-se atender, de forma proporcional,
a vontade de toda a sociedade, mesmo daquela parcela que não elegeu
os seus candidatos.”
Diz
mais ainda o ilustre jornalista:
“Como
de hábito, a prática de vez em quando humilha a teoria.”
É
o chamado caso dos campeões de votos. Ele conclui:
“Espera-se
que o PMDB explique — não lhe faltará oportunidade —, porque
considera essa ideia, a do distritão,
a panaceia das nossas
deficiências políticas.”
Para
concluir, Sr. Presidente, quero ressaltar que não é sufocando,
asfixiando ou mesmo acabando com os partidos médios e pequenos que
vamos atender aos apelos das ruas, até porque não vi, repito, esse
apelo nas ruas.
Teria
outras importantes citações para fazer, mas me falta tempo. Por isso
gostaria de citar que, em audiência pública aqui nesta
Comissão, no dia 9 de abril, na semana passada, os Srs. Bruno Speck
e Maurício Romão, cientista político e economista, respectivamente,
defenderam o aperfeiçoamento do sistema eleitoral vigente da
proporcionalidade, com algumas mudanças pontuais, em que poderemos,
numa outra plenária, com mais tempo, nos aprofundar.
É
o que eu vou defender, Sr. Presidente, Sr. Relator, é o que meu
partido, o PRB, vai defender de forma incondicional, Sr. Presidente,
sob pena de ver mais uma vez o direito das minorias massacrado e o
flagrante desrespeito à Constituição Federal, até porque, Sras. e
Srs. Deputados, o que se viu nas ruas foi a impaciência da sociedade
com a corrupção — e tem toda a razão a sociedade.
Eu
não vi, Sras. e Srs. Congressistas, nenhum Deputado dos chamados
partidos pequenos na famigerada lista do Sr. Rodrigo
Janot.
Muito
obrigado. (Palmas.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado, Sr. Marcos Pereira, Presidente do Partido
Republicano Brasileiro — PRB. Muito obrigado pela presença e pela
contribuição dada a este debate.
Concedo,
neste instante, a palavra ao Sr. Carlos Siqueira, Presidente do
Partido Socialista Brasileiro — PSB, para que também, no prazo de 15
minutos, possa fazer a sua intervenção e dar a sua contribuição no
debate da reforma política, sistema eleitoral e financiamento de
campanha.
O
SR. CARLOS SIQUEIRA
- Sr. Deputado Presidente desta sessão, Rubens Otoni, do Partido dos
Trabalhadores, demais companheiros, amigos, Presidentes Nacionais
dos partidos aqui representados, a quem saúdo em nome do querido
companheiro e mais velho entre nós, talvez, Renato Rabelo,
Presidente do Partido Comunista do Brasil, um aliado histórico do
nosso partido também durante muitos anos. Quero saudar também o
Plenário desta Comissão, nas pessoas dos Deputados que compõem o meu
partido, Luciano Ducci, do PSB do Paraná, e Tadeu Alencar, do PSB do
meu Estado, Pernambuco.
Eu
acho, ao contrário do que ouvi, talvez muito oportuna a ideia de se
fazer uma reforma política. Afinal de contas, há 20 anos eu
acompanho isso e já fiz dezenas de palestras a esse respeito País
afora. Acho que conquistamos um sistema político partidário, desde a
Constituinte de 88, que é muito importante. Nós não podemos
desvalorizar os aspectos positivos desse sistema, e um deles, que eu
cito, é que ele garante a ampla liberdade política e ideológica, a
pluralidade política e ideológica representada aqui no Congresso
Nacional, a presença das minorias, o que é absolutamente
fundamental. Por isso mesmo, em determinada ocasião, o Partido
Socialista Brasileiro, como único que havia feito os 5% da chamada
cláusula de barreira, associou-se aos pequenos partidos para ir ao
Supremo, que derrubou a cláusula. Isso já tem alguns anos.
Também
acho que é importante ressaltar o fato de que o financiamento hoje —
e ninguém se lembra disso — é misto. Por quê? Porque que a lei
partidária nos garante tempo de televisão durante as eleições e tem
custo para o contribuinte. E se nós somássemos, se fôssemos fazer as
eleições como o sistema americano, se fôssemos comprar, em horário
nobre de rádio e televisão, duas vezes por dia, o tempo que é pago
pelo contribuinte, seguramente custaria muito mais do que todos os
itens da campanha eleitoral, em qualquer época, nacional, estadual
ou municipal.
Portanto,
temos o sistema misto. Por isso propomos que esse sistema misto
continue, mas continue da seguinte forma: vedando a doação de
empresas, de pessoas jurídicas, que não é eleitor, e aceitando a
contribuição do eleitor, do cidadão. Ou seja, é um sistema misto,
público e com a contribuição de pessoas físicas. De maneira que é um
financiamento misto.
Está
evidenciado que o sistema de contribuição empresarial não convém
apenas pela questão da corrupção. E a corrupção não é uma questão de
financiamento público, não. É corrupto quem é corrupto e o será
sempre, com qualquer regra do sistema eleitoral e partidário. É pelo
fato da interferência do poder econômico sobre o voto popular, sobre
o impedimento de pessoas simples, de lideranças, que não têm
recursos, de partidos que não se submetem ao financiamento dos
grandes grupos econômicos do País e não podem estar aqui presentes,
falando, sendo eleitos. É por essa razão. Não é por nenhuma razão de
corrupção, porque a corrupção pode até se aproveitar desse sistema,
mas ela existirá ou não de acordo com o comportamento das pessoas
que estão fazendo a política. Portanto, a razão é essa.
Mas
há uma razão muito maior para se fazer a reforma politica. Todos os
Srs. Parlamentares sabem muito bem que o sistema partidário, quando
se iniciou, era muito restrito. Só poderia participar de um partido
quem tivesse condições: um aristocrata e, depois, um capitalista. Os
trabalhadores eram proibidos de ter os seus partidos. Depois se
admitiu que qualquer cidadão poderia integrar um partido. Depois se
admitiu criar os partidos populares, principalmente na Inglaterra e
na Europa de modo geral, para que outras classes sociais pudessem
participar. E a história do sistema político eleitoral e partidário
é uma história de ampliação, de agregação da contribuição e da
participação de setores cada vez maiores.
Agora
nós estamos diante de uma crise que não é brasileira, é uma crise
internacional, da democracia representativa. Ela tem se tornado
insuficiente, a nosso ver, para expressar, com amplitude, os
interesses da massa da população de qualquer dos países. Isso se
reflete hoje em países importantes, em países tidos como
desenvolvidos, em que os partidos sofrem um desgaste profundo. E não
são os partidos. O desgaste é da limitação a que nós chegamos com os
modernos meios de comunicação da democracia representativa. Por
consequência, o que se exige e o que se quer é uma maior
participação do cidadão na vida política nacional, desde o seu
Município até a União, no nosso caso, o Brasil.
E
como se faria isso? Eu acho que é a maior justificativa que se pode
ter para fazer uma reforma política: ampliando os institutos, os
mecanismos de democracia participativa, para que os cidadãos e
cidadãs possam participar efetivamente da vida política nacional,
transformar a democracia, que está perdendo, digamos assim,
vibração, que os eleitores já não vibram tanto com ela, numa
democracia vibrante e intensa, mecanismos esses sem desconhecer, sem
desfazer e sem deixar de reconhecer a importância da democracia
representativa.
Se
todos os senhores estão aqui porque representam o conjunto de
interesses dos cidadãos, também devemos ampliar essa representação.
E ampliar como? Permitindo que os eleitores, entre uma eleição e
outra, se utilizem de mecanismos de democracia participativa para
complementar a democracia representativa, que já funciona há
séculos, para fazer o aperfeiçoamento do sistema.
Isso
é coisa importante. Como se faz isso? A própria Constituição de 1988
foi sábia: estabeleceu o referendo, o plebiscito, a iniciativa
popular. E há, nesta Casa, projetos, inclusive de vários Deputados
do Partido Socialista Brasileiro, que tentam regulamentar esses
dispositivos para que se possa usar esses mecanismos para ampliar o
processo democrático e aperfeiçoá-lo. Eu acho que esse é o maior
motivo para que se possa fazer a reforma política, e chamo a atenção
para isso.
Quero
dizer também que nós não podemos usar esses mecanismos e
banalizá-los por qualquer razão. Mas há muitas situações que não são
previstas numa eleição. Uma pessoa se candidata a Presidente da
República e não diz que vai, por exemplo, privatizar a PETROBRAS,
que vai vender ou privatizar o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica,
só para dar alguns exemplos; não vai dizer que é a favor da pena de
morte ou do aborto, porque são temas impopulares. Mas quando chega
ao poder, faz essas coisas.
E
o eleitor, onde ficou? Então, é para esses casos de decisões de alta
responsabilidade, que não estavam previstas no programa de governo.
Não diz que vai confiscar a poupança, como aconteceu com o
Presidente Collor, e depois fez isso. Então, para esses assuntos,
poderia se requerer a contribuição do eleitor. Eu acho que seria
bastante razoável. E a melhor Constituição que a República já
produziu, a de 1988, já prevê esse mecanismo. É preciso que a gente
o discipline, é preciso que a reforma política o preveja e é preciso
que a democracia, de fato, seja ampliada.
Dito
isso, gostaria também, porque o tempo é curto, de me referir a
alguns temas em que o nosso partido tem um consenso, e grande. Um
deles é a questão da unificação do calendário eleitoral, com eleição
de 2 em 2 anos. Muito embora ninguém seja contrário a isso, há aqui
uma série de aspectos negativos. Por exemplo, para quem é do
Executivo, 6 meses antes não pode fazer convênio; um governador que
se elege na metade do mandato tem que provar que está bem, elegendo
a maioria dos prefeitos. Há uma série de aspectos.
Mas
nós diríamos que a unificação não significa dizer fazer a eleição
exatamente no mesmo dia, de vereador a presidente da República, não.
Podemos fazê-la no mesmo ano. Por exemplo, seria muito importante
que a eleição de presidente da República fosse feita separada da
eleição legislativa. Elege-se o presidente da República, o
governador, o prefeito, e depois se faz a eleição do Poder
Legislativo.
Por
quê? Porque, nesse presidencialismo que nós temos, que não é muito
diferente dos que existem pelo mundo — também não é uma novidade
muito grande o chamado presidencialismo de coalizão, e não sei por
que, já que todo governo, num regime democrático, é de coalizão —, o
presidente que se elege precisa dizer o que vai fazer, precisa que a
população saiba que qualquer que seja o presidente eleito precisa de
maioria para governar.
Portanto,
é preciso que o eleitor, antes, conheça quem será o presidente, o
prefeito e o governador, e, depois, já que elegeu um presidente, que
lhe dê sustentação parlamentar, o que é fundamental, essencial e
indispensável para que se faça um bom governo e não tenha que se
fazer concessões que não sejam exatamente republicanas, que, muitas
vezes, até membros do Poder Executivo bem-intencionados têm que
fazer, em função de circunstâncias sem as quais ele não poderia
governar. Portanto, é a unificação do calendário eleitoral.
O
mandato de 5 anos sem reeleição também é uma tese em que há consenso
no nosso partido. A manutenção do sistema proporcional para as
eleições parlamentares é absolutamente necessária, porque, no
sistema distritão, se nós estamos falando que os partidos são
essenciais — e eu acho que todos os senhores hão de concordar
conosco —, são fundamentais para aperfeiçoar a democracia, por que
nós vamos desvalorizar os partidos? Não há sentido nisso! O
distritão leva à valorização do personalismo, do individualismo, do
caciquismo, e não a valorização da instituição.
Não
sei se os senhores que estão aqui fizeram o quociente eleitoral. Mas
são pouquíssimos dos 513, eu sei, não chegam a cem, os que
alcançaram o quociente eleitoral. Todos os que se elegem o fazem com
dezenas de candidatos de seus partidos que complementaram a sua
eleição, valorizando a instituição partidária, que faz uma lista,
que apresenta lista, que traz gente que entra com a cara e a
coragem, inclusive sabendo que não vai ganhar a eleição, mas que
está contribuindo com o seu partido. E sem partido forte, não há
democracia forte; sem partido forte, não há democracia aperfeiçoada.
Portanto, defendemos a manutenção da continuidade do sistema
proporcional de votações.
Também
eu disse aqui — e pode parecer uma contradição — que há muito tempo
o meu partido foi ao Supremo Tribunal Federal contra a cláusula de
barreira e conseguiu derrubá-la. Agora se discute isso.
Naquela
época, há uns 8 ou 10 anos — não sei se faz tanto tempo —, o partido
fez uma mudança nesse aspecto. Hoje, o partido concorda e é
praticamente consensual ou amplamente majoritário que haja uma
pequena cláusula de desempenho e o fim das coligações
partidárias.
O
sistema precisa estar representado pluralmente, do ponto de vista
político e ideológico, no Congresso Nacional, representar as
minorias, mas ele não precisa do excesso de partidos que existe
hoje. É preciso criar mecanismos que garantam a presença das
minorias, de partidos que são minoritários, mas que, ao mesmo tempo,
não permitam o excesso de criação de partidos, como parece estar
acontecendo, pois parece que se faz partido para resolver problemas,
o que não é exatamente o que a democracia
precisa.
Há
duas soluções para se garantir inclusive os partidos históricos, que
têm uma longa contribuição na vida republicana nacional. Eu
reconheço, aqui na Mesa, o Partido Comunista do Brasil, PCdoB,
representado pelo querido amigo Renato Rabelo, o nosso partido, que
já tem mais de 60 anos — foi fundado em 1947 e refundado em 1985 —,
e outros partidos históricos que eventualmente existem e precisarão
ter a garantia. São partidos programados, são partidos ideológicos,
são partidos históricos da vida nacional, que deram contribuições
importantes, embora sempre tenham sido minorias ao longo da
democracia deste e de outros períodos democráticos do nosso País, e
que precisam ter presença no Congresso
Nacional.
A
gente ressalva a existência deles. É isso ou se cria o mecanismo da
federação, que é outro mecanismo que pode também garantir que os
pequenos partidos se agreguem a partidos maiores, formando a
federação, ou, por outro lado, formem federações com partidos
menores.
Nós
chegamos à conclusão sobre esse tema mais recentemente. Achamos
muito interessante que o Congresso faça isso. Não acho que o esteja
fazendo apressadamente, porque esse assunto é absolutamente antigo
na Casa — pelo menos há 20 anos se trata desse assunto aqui. Eu
mesmo já estive cinco ou seis vezes em Comissão dessa natureza e
também em outros ambientes desta Casa discutindo reforma política.
Acho que é um amadurecimento que se faz. A única dúvida que tenho é
se realmente o objetivo é esse de fato.
Eu
disse e repito: o nosso sistema tem vários aspectos positivos e ele
não é muito pior do que todos os demais que existem no mundo; ele é
um sistema que nos permite hoje ter essa pluralidade política,
ideológica, ter tempo de rádio e televisão, que nos financia com o
Fundo Partidário também, e não podemos abrir mão dessas
conquistas.
Lendo
os jornais, eu vi que havia um Deputado, não lembro quem foi —
perdoe-me se estiver ausente —, que estava propondo acabar com o
tempo de televisão. Eu acho que isso seria um tremendo retrocesso.
Nós precisamos garantir que todos tenham acesso ao rádio, à
televisão, todos os partidos, para mostrar, para criar o
contraditório e para garantir uma democracia vibrante e
intensa.
Nesse
sentido, faço muitos votos de que os senhores se conscientizem da
importância de fazer uma reforma política, mas, sobretudo, eu chamo
atenção novamente, Presidente, para finalizar, para o fato de que,
se nós quisermos andar de acordo com a história dos partidos
políticos dos regimes democráticos, temos que fazer uma reforma
política para ampliar o espaço da participação dos cidadãos, dos
seus eleitores. E não é ampliar no sentido de se confrontar com os
senhores, com a democracia representativa e com a representatividade
que todos os senhores e senhoras têm aqui; é para complementar, é
para fazer com que o cidadão se interesse, é para fazer com que o
cidadão saiba que não apenas um voto de 4 em 4 anos ou de 5 em 5
anos tem sentido, mas que a participação dele na política e nos
partidos também possa fazer sentido.
Há
outro pequeno aspecto, para finalizar mesmo, agora, Deputado Rubens
Otoni, que é o aspecto da vida partidária orgânica. Eu sou
Presidente de um partido, sou um homem de 60 anos, embora digam que
não pareça (risos), mas
eu fui de partido desde os 16 anos, quando com 16 anos não era
permitido, porque eu era de um partido clandestino, o Partido
Comunista Brasileiro, do qual me orgulho muito. Se eu aprendi alguma
coisa de política, foi ali. E vejo o seguinte: há um declínio da
participação, da militância na vida partidária, e esse declínio
decorre de que as regras internas de funcionamento dos partidos
também precisam ser disciplinadas para propiciar uma participação
mais democrática e mais vibrante, da juventude sobretudo, nos
partidos políticos. Nós precisamos disso porque não há saída fora da
democracia, e não há democracia sem partido político, não há
democracia sem participação popular. Nós precisamos, portanto,
oxigenar a vida democrática, oxigenar a vida dos partidos, chamar os
eleitores para participar conosco, porque, sem isso, não há
aperfeiçoamento e não se justifica a reforma
política.
Muito
obrigado. (Palmas.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Obrigado, Sr. Carlos Siqueira, representando o
Partido Socialista Brasileiro. Muito obrigado pela presença e pela
contribuição. Sou testemunha da sua contribuição histórica, ao longo
do tempo, ao debate da reforma política, mais uma vez, trazendo a
sua opinião e a opinião do PSB para o nosso
debate.
Passo
a palavra ao ilustre Presidente do Partido Democrático Trabalhista,
Sr. Carlos Lupi, para que, também pelo tempo de 15 minutos, possa
apresentar as ideias, as propostas e a opinião do PDT a respeito da
reforma política, do sistema eleitoral e do financiamento de
campanha.
Seja
bem-vindo.
O
SR. CARLOS LUPI
- Muito obrigado, nobre Presidente em exercício, Deputado Rubens
Otoni, Secretário e Relator, Deputado Marcelo Castro; companheiro
Renato, companheiro Carlos Siqueira, companheiro Marcos, companheiro
Guilherme, Deputados e Deputadas presentes, meu
boa-tarde.
Eu
penso que, na democracia, o processo mais difícil é entender que o
Parlamento quer fazer a lei com a vocação de cada um olhar o que
pode beneficiar a sua intenção, as suas ideias e o seu projeto. Isso
é da democracia. Se não entendermos que cada um de nós aqui vai ter
pensamentos diferentes sob a ótica da reforma que queremos, nós não
vamos conseguir chegar a lugar algum.
Em
primeiro lugar, não é preciso ter manifestação na rua para
entendermos a desmoralização de todos nós: de todos os partidos,
todas as instituições representativas, do Executivo aos partidos,
passando pelo Parlamento.
Nós
tivemos uma democracia recente, implantada a partir de 1989, com a
eleição de um Presidente da República. De lá para cá, estamos, ao
longo desses anos, queimando o nosso patrimônio de conquista social.
Se nós não tivermos consciência dessa realidade, nós estaremos fora
do mundo real.
Há
uma média de 30% a 35% da população que sequer vai votar, ou anula o
voto, ou manifesta claramente que não está satisfeita com o processo
eleitoral da qual ela está participando. Isso corresponde
praticamente a um terço, via de regra, um pouquinho mais ou um
pouquinho menos, de todo processo eleitoral.
Essa
é uma constatação clara, real de que nós temos de discutir com
profundidade uma reforma política, em primeiro lugar, e depois
eleitoral. E essa reforma não pode visar apenas a próxima eleição;
essa reforma tem que visar a próxima geração de brasileiros que
queremos formar, que queremos preparar para a participação
política.
O
Parlamento não pode ser a representação apenas de algumas capitanias
hereditárias familiares. O Parlamento e o Executivo não podem ser a
representação de elites que, com o sistema de poder existente, se
perpetuem no poder conforme a sua conveniência e o seu interesse
pessoal. Nem o Parlamento, nem o Executivo, nem a representação
política.
Então,
para começar, nós temos que discutir a reforma política, e a reforma
política começa por saber que temos de ter partidos consistentes,
conscientes e com propostas ideológicas a apresentar à população.
Eu
não quero discutir se tem de ter 400 mil assinaturas, 426.714
assinaturas, porque sabemos como se colhe assinatura; sabemos como
se leva as pessoas para uma plateia; sabemos como se consegue
maioria quando se é minoria. Nós já estivemos de todos os lados
nesse processo.
Eu,
por acaso, tenho 35 anos de vida pública, 35 anos no mesmo partido,
que está completando 35 anos no dia 26 de maio, .o partido da minha
vida, que é o PDT. Eu já vi vários filmes nesse processo. A cada ano
em que se fala em qualquer tipo de mexida, em reforma política e
eleitoral, cada um de nós esbarra nos seus vícios, nas suas visões
pequenas de olhar apenas para a sua sobrevivência.
Se
se quer fazer uma reforma política para valer, tem que se pensar na
sociedade, tem que se pensar na população, tem que se pensar em quem
está nos vendo e nos ouvindo, nos perguntando o que nós estamos
fazendo aqui. Se for um processo eleitoral pessoal, apenas para
satisfazer meu ego ou o do meu partido, eu não deveria nem estar
aqui!
Eu
acho que nós temos que começar a encarar com seriedade que não dá,
em nenhuma democracia, ter a representatividade legítima de 34
correntes de pensamentos diferentes. Alguém aqui, em sã consciência,
vai acreditar que existam 34 correntes de pensamento no Brasil para
que haja 34 partidos políticos? É óbvio que não! E isso vira o quê?
Vira 34 instituições movidas por algum interesse — legítimos e
ilegítimos.
Qual
é o primórdio dessa discussão, para mim? É reforma política para
tratar para que existe partido; qual a sua proposta; qual a sua
ideia; de onde veio e para onde quer ir; e o que quer fazer com essa
instituição.
Os
partidos têm que começar a se abrir na sua existência, na sua
organização, para possibilitar o acesso da população a essa
participação; o acesso da população para ver a política como
instrumento de transformação; o acesso para que as pessoas possam
verificar, em partidos, parte das ideias que eles representam e as
que não são mais!
Eu
falo isso com tristeza. Eu vejo, triste, que, infelizmente, até o
meu partido tem que abrigar dentro de si pessoas que têm conflitos
históricos com as ideias que o partido tem. E entram no partido por
quê? Por causa da conveniência eleitoral. E nós nos submetemos à
conveniência eleitoral por quê? Porque nós queremos fundo
partidário, nós queremos tempo de televisão.
Então,
fica um ciclo de desvirtudes permanentes: um faz isso porque tem que
obedecer à cláusula de barreira, ainda não agora; ou porque quer
tempo de televisão; ou porque quer recursos do fundo partidário; ou
porque quer ter um quantitativo de Parlamentares que permita fazer
uma boa aliança para permanecer sobrevivendo.
Então,
ninguém está discutindo com profundidade a reforma política que
possa interessar à população. E eu quero começar essa discussão
debatendo o papel da fábrica e dos fantoches que viram candidatos em
campanha. Por que ninguém quer tocar no grande consumo de recursos,
que é o marketing de
campanha? Por que ninguém quer ir com profundidade e criar limitação
aos marqueteiros, que se tornaram mais importantes do que os
candidatos?
Nós
todos viramos uma Coca-Cola! A pesquisa diz o que se tem que falar;
o marqueteiro busca o melhor ângulo na televisão para aparecer mais
jovem, não chegar aos 60 — que meu amigo Siqueira, parece muito
menos, realmente, nem chegar aos 70 — que eu tenho a aparência! Nem
tanto ao mar, nem tanto à terra!
O
marketing tomou conta do
processo eleitoral. Nós não temos uma discussão e um debate sobre os
programas de televisão. É tudo muito igual, é tudo muito parecido.
Muda o nome do candidato, muda o marqueteiro, mas a formatação é a
mesma: contrata-se a pesquisa para ver o que a opinião pública está
pensando; o candidato ensaia, lê no teleprompter aquilo que a
população quer ouvir e, depois, a população olha para todos nós e
acha todos iguais: não consegue distinguir A de B, B de C, C de
D.
Então,
a primeira coisa que tem que se discutir com profundidade: tem que
haver um percentual máximo do orçamento partidário para gastos em
propaganda e televisão.
Eu
sou favorável ao que o meu velho líder Brizola falava. Sabe como
seria correto fazer um programa de televisão hoje? Ao vivo! Liga aí,
fala o que você pensa; diz quais são suas ideias; diz para onde você
quer ir; convence a população ou se convence pela população. Não nos
transformemos no marketing de um produto que
está numa prateleira do supermercado, que é no que está transformada
a política hoje. No máximo, poderíamos ter uma programação gravada
com 24, 48 horas de antecedência.
Nós
temos que discutir com profundidade o que nós queremos fazer do
nosso Brasil!
O
que está em discussão da reforma política e da crise que nós vivemos
no Brasil não é principalmente a econômica, não é a crise apenas da
inflação, não é a crise da manifestação das ruas. É crise política,
sim!
Está
faltando neste País gente que queira discutir o futuro desta
geração! Está faltando gente que queira discutir para aonde nós
queremos levar o nosso País! Que projeto de Nação queremos? Virou um
“todos nós estamos juntos no projeto de poder, e poucos de nós
estamos pensando num projeto político de
nação”.
Que
nação nós queremos? Para que nós somos aqui nascidos, falamos a
mesma língua, vivemos nesses 8 milhões e 513 mil quilômetros
quadrados — generosos que Deus nos deu! —, para quê? Por quê? Apenas
para benefício pessoal nosso, da nossa família ou do nosso ego, ou
para sermos instrumento de uma sociedade que buscamos, cada um na
sua ideologia, que seja mais justa, mais fraterna, mais igual, mais
harmoniosa?
A
reforma política tem que ter como prioridade o debate de ideias: ao
que viemos, o que queremos e o que propomos. Para isso, temos que
discutir com profundidade o marketing de campanha, as
limitações desse marketing de campanha, as
limitações para as fantasias que se vende para a população. Nós
estamos virando produtos, e, como produtos, também estamos falindo,
porque a população não está mais acreditando nos produtos que estão
sendo vendidos para ela. Está faltando legitimidade nesse produto,
porque está faltando verdade. É muito artificialismo, é muito foco
na imagem e pouco conteúdo.
Então,
a primeira tese de discussão de reforma política é a reforma
política das teses e ideias que temos. Eu penso de uma maneira, o
companheiro pensa de outra maneira, o outro pensa... Não faz mal.
Apresentemos nossas ideias à população.
Não
se está discutindo a maioridade penal agora? Que tema rico para
discutir! O meu partido historicamente defende a construção de
escola. Quem quiser fazer a opção pela construção de presídios, que
o faça. Não precisamos brigar por causa disso. Mas levemos à
população. Oitenta por cento são a favor? Parabéns! Eu sou dos 20%
que são contra. Eu não me curvarei porque 80% querem que eu pense o
contrário daquilo que penso. Isso é debate político, isso é debate
de ideias, isso é ter posicionamento.
Não
dá é para caminhar conforme a conveniência do que a pesquisa disser
para a gente fazer em cada processo eleitoral. Nós não somos
produto; nós somos seres humanos. Nós deveríamos ser seres
pensantes. Nós deveríamos estar pensando aqui em ideias, no que
acreditamos, cada um do seu modo, que seja melhor para o
País.
Então,
a primeira reforma verdadeira é a reforma política. Não dá para ter
34 partidos. Não é impedir, não é proibir; é dar legitimidade. O
povo tem que lutar por isso.
Eu
sou a favor da cláusula de barreira, de uma maneira paulatina — até
no projeto tem isso —, começando num patamar mais baixo. Tem que se
destacar.
E
não é porque meus companheiros do PCdoB estão aqui, não; é porque,
como trabalhista, também tenho 60 anos de vivência. Antes até do PSB
já existia o trabalhismo. Minha queixa é por não se referenciar o
papel histórico do trabalhismo aqui,
fraternalmente.
Então,
eu quero dizer que nós temos que começar a defender a existência dos
partidos pelas suas ideais. Aí vamos tratar da reforma eleitoral.
Agora, toda reforma eleitoral é feita 1 ano antes da eleição, por
causa da legislação, pensando na próxima eleição. Está errado! Como
falam em coincidência de mandato? Pode ser razoável. Vamos debater.
Mas quem vai tirar mantado de quem, cara pálida?
Quem
vai dizer que o prefeito vai ter menos 2 anos? Ninguém. Vai vir
reforma com prorrogação. Aí não é legítimo. Ora, é muito fácil
defender a prorrogação. Prorrogação não tem legitimidade em nenhuma
parte do planeta, porque a população, quando vota, vota por aquele
período. Também não terá legitimidade a diminuição do mandato.
Como
se resolve esse impasse? Temos que estabelecer um critério que
respeite a população, respeite a vontade desta população, gostando
ou não. Perdi? Paciência! Conformo-me e me preparo para disputar a
próxima.
Então,
reforma eleitoral tem que pensar na próxima geração. Eu sou a favor,
e sou mais radical nisso: eu acho que reforma eleitoral tinha que
ser como mexer nas reformas constitucionais, nas PECs; tinha que ter
três quintos. Não é isso para fazer uma emenda à Constituição? Tinha
que ter três quintos. Para quê? Para inibir que isso aqui fique uma
Casa de conveniência eleitoral. A cada eleição é “eu perdi
Deputado”, “eu ganhei”, “olha, assim é melhor para mim, eu fico mais
forte”. Ou não é isso? É isso, gente! Sem hipocrisia, é isso que
está sendo feito.
Então,
nós temos que discutir uma reforma pensando para quantos anos vamos
fazer essa reforma eleitoral. É para os próximos 50 anos do Brasil
que a gente sonha? Quanto tempo nós vamos levar para resgatar a
opinião pública e o respeito que nós gostaríamos de ter hoje e não
temos?
Não
precisa da manifestação da opinião pública; é só ir ao bar da
esquina para se ver isso, não precisa ninguém me falar. Eu até hoje
como pão na chapa no bar da esquina e tomo café, e ouço isso todo
dia. Não é preciso ter pesquisa, é só ver.
A
reforma eleitoral, tem-se que pensar se ela é para a sociedade, para
a geração de brasileiros que vem aí, ou para a nossa conveniência.
Se for para nossa conveniência, vai ter uma briga que não vai acabar
nunca, cada um vai querer puxar para o seu lado — “para mim é melhor
isso, então puxa para cá”; para o outro é melhor aquilo. Aí, vai-se
fazer o quê? E aí, sim, você tem razão: vai ser a força da maioria
impondo à minoria a sua vontade. Aí está errado, aí não é
democrático.
Então,
esse processo de reforma eleitoral tem muitos aspectos positivos,
não vou dizer que não. Tem muita coisa que, pontualmente, temos de
considerar como positiva. Por exemplo, quando fala no voto
obrigatório, na Austrália — eu vi essa experiência — o voto é
obrigatório, mas o alistamento não. Alista-se quem quer. A partir do
momento que se está ali e tem o título de eleitor, tem de votar; a
vontade é manifesta no alistamento.
Ora,
não querer votar é um direito. Já está acontecendo isso. Um terço da
população já não está votando, anula, não vai, ou vota em branco.
Então, já é uma realidade. O alistamento, a manifestação do desejo
de ter um título, do meu ponto de vista, já indica que a pessoa quer
votar. Por isso, o alistamento deve ser o facultativo. Agora, o voto
tem de ser obrigatório. Se tirou, se quer, se se manifestou, aí está
dentro da regra do jogo: tem de votar como quiser. Isso é um avanço.
Outro
aspecto que quero trazer aqui: uniformizar o prazo de 6 meses para
filiação. Estamos falando de partido, estamos falando de organização
partidária, e aí se flexibiliza “ajeitamento”. Cada vez mais é um “ajeitamentozinho”, uma
arrumação. “Olha aqui, Deputado pode vir para o meu partido”. Então,
diminui. “Ah, não vamos criar uns 30, 60 dias de cada um por si”.
Gente, isso é um escândalo, isso é um escândalo! Para que, então,
existe fidelidade partidária?
Se
se quer mudar a fidelidade é mais ou menos fidelidade porque,
durante 6 meses, o cara pode entrar e ser candidato. Ora, para ser
candidato, no mínimo, o cara teria de ter 2 anos de vida partidária
para mostrar que está ali dentro, que participou, que mostrou suas
ideias, que debateu. Essa questão de 6 meses é mais perigosa ainda,
porque isso não é uma janela: é porta, cozinha, banheiro, sala,
quarto. É uma casa inteira para todo mundo fazer o que quiser.
Eu
não sou dono da verdade. Vou terminar. Só estou dando a minha
opinião para debater.
Só
mais dois aspectos que eu queria levantar aqui. Essa questão da
verticalização já existiu. Para fazer partido, é muito positiva:
voto em partido, nos candidatos do meu partido de Vereador a
Presidente da República. É uma radicalização? É, mas faz partido.
Faz partido. Eu vivi isso nas eleições de 1982. Brizola, voltando do
exílio, depois de 15 anos, falando aquele gauchês que carioca mal
entendia, ganhou as eleições e fez uma bancada numerosa de Deputados
Estaduais, de Deputados Estaduais, Vereadores, Prefeitos. Por quê?
Verticalização; tudo por causa da verticalização. Ali, começou a
existir o Partido Democrático Trabalhista. Se não fosse aquela
votação, nós não existiríamos nunca. O que era? Era a
verticalização. Temos de pensar na verticalização com profundidade
se quisermos fazer partido.
Já
passei 2 minutos do meu horário, mas só uma coisa aqui que temos de
ressaltar. O que o Carlos Siqueira falou é verdade, partidos
históricos não dá para comparar com alguns que têm uma espécie de
fábrica de partido, porque tem gente que é profissional em fazer
partido. Tem escritório de advocacia que diz até como, ensina como
pega assinatura, como registra no cartório. É que nem pão de
padaria: sai pronto.
Isso
é um escândalo, gente! Estamos fingindo que não existe, e o TSE, o
probo TSE, que tem que respeitar a legislação, confere assinatura e
o.k. Quem disse que assinatura é manifestação de alguém por ideias,
por propostas, por projetos? Quem afirma que aquela assinatura...
Como ela foi coletada, de que maneira? Eu usei o prestígio do
sindicato do qual sou presidente? Eu usei o prestígio do poder que
eu tenho?
Então,
isso tudo tem de ser discutido com profundidade se se quer fazer
reforma política. Se não, companheiro, nós estamos fazendo mais uma
reforma eleitoral. Daqui a 2 anos, passada as próximas eleições para
Prefeito, vamos fazer outra e daqui a 2 anos... A cada 2 anos vamos
fazer e cada vez menos representatividade, menos respeito e menos
consideração da população a gente terá.
Obrigado
e desculpem.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rubens Otoni) - Nós é que agradecemos a presença ao Sr. Carlos Lupi,
Presidente do Partido Democrático Trabalhista, mais uma vez aqui
trazendo sua colaboração, a opinião do partido e contribuindo para o
debate nesta Comissão.
Queremos
dar oportunidade agora ao Sr. Renato Rabelo, Presidente do Partido
Comunista do Brasil, por 15 minutos, para apresentar as ideias,
propostas e opiniões do PCdoB.
O
SR. RENATO RABELO -
Muito obrigado. Deputado Rubens Otoni, Vice-Presidente desta
Comissão Especial; Marcelo Castro, Relator da Comissão; e,
participando desta mesa de debate, Guilherme Campos, do PSD; Marcos
Pereira, do PRB; Carlos Lupi, do PDT e Carlos Siqueira, do PSB. Esta
é uma importante iniciativa porque permite aos partidos também
trazerem sua opinião sobre esse tema tão candente que é a reforma
política.
Pensamos
que o sentido de urgência da reforma política é decorrente de uma série de
contradições objetivas que vive o Brasil de hoje, como a crise do
Estado, a crise entre os Poderes da República, onde os freios e
contrapesos de cada poder foram alterados. Portanto, a nossa compreensão é de que há uma
crise mais profunda.
Essa história de que é simplesmente uma crise política é
apenas a superfície de crises maiores. Esse esgarçamento de poder, assim denominado, é um fenômeno
mundial decorrente em grande parte da globalização, harmonizada e
hegemonizada hoje pelo modo neoliberal e a onipotência do mercado —
isso prevalece no mundo todo —, geradora, aliás, da atual crise
econômica global, sistêmica e estrutural, sem saída à vista. A crise
atual, econômica e mundial, não tem saída ainda à vista — se alguém
disse que tem saída, me indique, por favor, porque nós não vimos
ainda essa saída —, desdobrando-se na crise entre o Estado, as
classes sociais e a chamada sociedade civil com variados focos de
poder.
Mais especificamente, pensamos que há uma dislexia em
evidência na relação entre os próprios Poderes de Estado e uma crise
nas formas de representação nos parlamentos e assembleias, que se
aprofunda com a multiplicidade de organizações sociais, focos de
poder na sociedade civil, e o advento das redes sociais, com a
Internet, que compõem na atualidade todo o conceito de sociedade. Em
função disso, é assim questionado profundamente o papel
contemporâneo dos partidos políticos — questões aqui já levantadas
pelos oradores que me precederam —, e das formas da representação
política do poder. Não, por acaso, os índices de aprovação dos
partidos e dos parlamentos são tão baixos. Não é por acaso. É
preciso a gente ver qual é o pano de fundo disso, senão nós vamos
olhar só a superfície da situação.
Digo isso para situar, em traços rápidos, porque eu não
tenho tempo para desenvolver essas questões aqui, a complexidade do
contexto do qual emana o anseio e a necessidade de uma reforma
política atual que dê conta desse labirinto político e social do
nosso tempo. São assim vastas e interligadas as questões e
categorias que possam definir o formato da reforma política que
tanto se apregoa para que não prevaleça o interesse particularista
de tal ou qual partido, grupo ou ação lobista
organizada.
Portanto, como conseqüência dessa análise, a viabilidade de
uma reforma política que responda às exigências de nossa época está
imbricada, assim compreendemos, com a realização de outras reformas
estruturais democráticas e da modernização de nossa sociedide no
sentido civilizacional. Não vemos só como saída e como solução a
reforma política, mas um conjunto de reformas estruturais
democráticas, com sentido civilizacional.
O que é isso? O conservadorismo, o obscurantismo, a
intolerância, o preconceito e o fundamentalismo politico e religioso
são hoje os maiores obstáculos a esse avanço modernizador e
civilizacional, para a concretização das reformas democráticas,
inclusive, a reforma política.
Como os senhores e as senhoras sabem, na maior pate do seu
tempo, o PCdoB foi um partido proscrito, ilegal. Desde que o PCdoB
deixou de ser proscrito, quando alcançou a sua legalidade em 1985 e
voltamos a contar com bancada parlamentar, temos lutado por uma
reforma política democrática que fortaleça os partidos, não exclua
as minorias do Parlamento, ressaltando e garantindo os princípios
constitucionais, entre eles o pluralismo político e partidário e o
princípio da igualdade de
chances — aliás, situada muito bem pelos Ministros que
consideraram inconstitucional a cláusula de barreira — e por
um processo eleitoral mais igualitário reduzindo substancialmente a
influência do poder econômico. Essa foi sempre a nosa
luta.
Todo esse esforço foi feito para dar resposta às exigências da nossa época, descritas de forma breve acima, que possa
abarcar os novos anseios de avanço civilizacional e novas formas de
orgamzação e de comunicação na sociedade.
O desafio, por conseguinte, é a edificação de um sistema de
representação política que comece a deslindar e a responder ao
mencionado labirinto político e social de nosso tempo, abrindo
caminho para a existência de uma sociedade justa e solidária,
permitindo a igualdade de direitos, sobretudo na esfera
política. Esse é o desafio de uma reforma política
hoje.
Desse modo, não podemos aceitar o antagonismo a esses
princípios constitucionais, ou seja, a prevalência da lógica, na
definição da reforma política, de uma “ditadura da maioria” — isso
não é democracia, como disse em seu voto o Ministro Marco Aurélio,
declarando inconstitucional a cláusula de barreira, com decisão unânime do
Supremo Tribunal Federal — ou o absolutismo que somente permite a
existência de grandes partidos. Essa sempre foi a nossa luta.
Mais precisamente, sempre fomos veementemente contrários à
institucionalização de uma cláusula de barreira que vete a
participação de minorias no Parlamento, no fundo partidário e no
direito de antena. Isso, no nosso modo de ver, é uma acintosa forma
de exclusão, um retrocesso do avanço democrático, contrária à
concepção da Constituição de 1988. Como também é a proibição
unilateral — admitida na eleição majoritária, por isso que é unilateral — ao direito democrático de os partidos poderem celebrar
coligações eleitorais para o Parlamento.
Ou seja, nós vamos proibir coligação dos partidos no
Parlamento? Isso é uma restrição à democracia, assim, pensamos. Pode
ser que haja, numa situação como essa, até mesmo deformação nessas
coligações. Pode ser, mas, então, deve se buscar formas de
superá-las e não renegar uma forma legítima de aliança política na
eleição parlamentar e não jogar o menino junto com a água suja da bacia. Por
exemplo, um instituto da federação de partidos ou frente de
partidos, já oferecido em propostas sobre o tema, poderia até ser
uma resposta mais adequada, dando consistência, portanto, a esse
tipo de coligação.
A reforma política, ora em debate no Congresso Nacional, nas
organizações sociais — hoje, nelas se debate amplamente a reforma
polítca — e na sociedade civil, polariza-se em torno de dois temas
mais candentes: a questão do financiamento democrático
público ou privado das campanhas eleitorais, com o ou sem abolição
do financiamento empresarial, e a questão do sistema eleitoral
proporcional ou majoritário para as Casas legislativas e
apresentação de listas abertas ou pré-ordenadas pelos
partidos.
Quanto
ao financiamento de campanhas, o PCdoB tem defendido, dentro e fora
do Parlamento, com base nos ensinamentos das eleições no Brasil, que
vai se tornando uma exigência crescente — é isso o que nós temos
observado — a abolição do financiamento empresarial das campanhas
eleitorais, causa principal do encarecimento exponencial das
campanhas. Eu não vejo outra forma de o encarecimento exponencial
das campanhas não existir exatamente por causa do financiamento
empresarial das campanhas. Mas o que é mais importante: é a causa
principal, também, em grande medida, da incidência de ilícitos; tem
levado a uma prática condenável de delitos.
Entretanto,
torna-se significativo, ainda, o que aponta a Ordem dos Advogados do
Brasil, em recurso que tramita através de uma ação direta de
inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, já com aprovação
da maioria dessa Corte, de que é inconstitucional o financiamento
por empresas das campanhas eleitorais. Assim, o argumento é o que as
pessoas jurídicas são entidades artificiais criadas pelo Direito
para facilitar o tráfego jurídico e social, e não de cidadãos com a
legítima pretensão de participarem do processo político-eleitoral.
Ao
contrário, é constitucional a doação das pessoas naturais, porque é
uma forma de participação cívica do cidadão que se empenha em
promover seu ideal e preferências políticas, mesmo que, nesse caso,
se estabeleça um limite das doações. E mais: as normas de
financiamento de campanhas hoje em vigor abrem o sistema político
brasileiro à captura pelo poder econômico. Quando a desigualdade
econômica produz desigualdade política, estamos diante de um sistema
patológico, incompatível com os princípios que integram o núcleo
básico da democracia constitucional. E por aí vai. Não vou me
estender nessa questão.
Quanto
ao sistema eleitoral para o Parlamento, a posição do PCdoB foi
sempre em defesa do critério proporcional, porque é o sistema que se
baseia nos princípios que defendemos, assegura a expressão política
dos partidos e garante a representação das minorias no Parlamento. O
sistema proporcional tem por premissa a representação política das
diversas correntes de pensamento político presentes na sociedade,
especificada a relevância alcançada por cada uma delas no conjunto
da sociedade.
A
representação proporcional assenta-se nos partidos políticos, não
nos indivíduos. Ao critério majoritário distrital não importa
assegurar que todas as linhas de pensamento político se façam
presentes no Parlamento. Numa eleição distrital majoritária, uma
minoria pode ter 40% de votos e ficar fora.
Assim
somos contrários à proposta do denominado distritão, porque, além de
extinguir a proporcionalidade, exigindo até mudança constitucional,
apaga a expressão política dos partidos na disputa para os
Parlamentos e pode, ainda, encarecer mais as
eleições.
Em
relação ao sistema distrital misto, logo de saída, essa ideia de
transplantar experiências alheias, resultantes de particularidades
da Alemanha surgidas na reconstrução pós-nazista, pode não se
adaptar a nossa própria realidade. Eu já começo por aí.
O
Brasil não tem a tradição de uma estrutura político-administrativa
baseada em distritos, como têm muitos países da Europa. Nós não temos essa
tradição!
Pela
proposta apresentada, seriam distribuídos 257 distritos
exclusivamente eleitorais no país, correspondentes à metade das
cadeiras na Câmara dos Deputados. De fato, essa é uma distribuição
artificial. Com base em que critérios? Isso poderia ensejar um curso
de disputas políticas e jurídicas na definição de tais distritos. Essa é a nossa
compreensão.
Nesses
distritos, a eleição parlamentar seria majoritária. A outra metade
das cadeiras corresponderia às listas fechadas apresentadas pelos
partidos, numa condição na qual o quociente eleitoral seria elevado
ao dobro. Admito que seja uma proposta complexa, e postiça para a
realidade brasileira. Assim pensamos.
Consideramos
que, na busca de um modelo de reforma política democrática, no amplo
debate atual, em que surge uma proposta de base social, apoiamos um
projeto de iniciativa popular, encabeçado por entidades
representativas da sociedade civil, como a CNBB, a OAB, o Movimento
de Combate à Corrupção Eleitoral, a UNE e mais de 100 entidades e
movimentos sociais dos mais representativos do País: a Coalizão da
Reforma Política Democrática e por Eleições Limpas. Esta é matriz de
uma proposta ampla e expressiva que pode contribuir, sem se
confrontar com outras articulações, para a resultante de uma reforma
política democrática tão almejada.
A
proposta defende a participação do cidadão no financiamento da
campanha estabelecendo um limite na doação, e é contrária à
participação empresarial direta ou indireta. Sustenta uma forma de
eleição proporcional em dois turnos: no primeiro turno, o voto é no
partido, conforme lista pré-ordenada apresentada pelo mesmo; e, no
segundo turno, o voto é nos candidatos, podendo, assim, o eleitor
participar definindo se confirma a lista indicada pelo partido. E a
paridade de gênero na lista pré-ordenada, apresentada pelo partido,
na concepção da democracia sem excluídos, suplantando a contradição
entre democracia formal e real.
Finalmente,
julgamos ser imperioso que a proposta de reforma política que venha
a ser aprovada no Congresso Nacional seja submetida, ao fim e ao
cabo, à efetivação de instrumento de democracia direta,
pós-aprovação congressual, a um referendo
popular.
Concordo
com o Presidente do PRB, Marcos Pereira, que nós não podemos aceitar
intempestividade na questão da reforma política. Evidentemente,
discute-se há muito tempo. Mas, agora, caminhar para votá-la de
forma intempestiva, é autoritarismo em nossa opinião, por isso a
importância de uma aprovação da reforma política também passar por
esse instrumento de democracia direta que, no caso, seria o
referendo popular.
Muito
obrigado. (Palmas.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Agradeço ao Presidente do PCdoB e a cada um dos
Presidentes dos partidos.
Concedo
a palavra ao Deputado Marcelo Castro.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Quero cumprimentar todos que estão aqui, agradecer a presença aos
ilustres convidados — Guilherme Campos, Marcos Pereira, Renato
Rabelo, Carlos Lupi, Carlos Siqueira; e cumprimentar o nosso
Presidente, Rodrigo Maia.
Vou
tentar aqui fazer um apanhado das ideias que foram difundidas e dar
a minha opinião também para que possamos fazer um debate que possa
enriquecer a nossa experiência para a reforma
política.
Em
primeiro lugar, senhores convidados, eu quero dizer que, de todas as
audiências públicas que nós fizemos aqui nesta Casa, talvez esta
tenha sido a mais enriquecedora, a de maior conteúdo, maior
esclarecimento, maior posição partidária nítida, clara, cada um
defendendo aqui, à luz do dia, de peito aberto, as suas convicções e
a dos seus partidos. Então, em primeiro lugar, quero parabenizar
V.Sas. por trazerem uma posição tão clara e tão nítida dos seus
partidos.
É
a isso que nos queremos chegar: a um sistema partidário em que cada
partido tenha conteúdo ideológico, programático; tenha causas, tenha
adeptos e tenha adversários. É para isso que existem os partidos
políticos, e não muito do que existe hoje, e nós já debatemos aqui
várias vezes: partidos que procuram por todos os meios serem
amorfos, anfóteros, indefinidos, para não terem ninguém ao seu lado
ou ninguém contra, porque eles não assumem nenhuma posição e não
podem ter adversário. E isso, evidentemente, acreditamos que não
faça bem ao nosso sistema
eleitoral-partidário.
O
nosso companheiro Guilherme Campos, do PSD, defendeu o sistema de
financiamento que está na PEC 352, que faculta ao partido político
decidir como quer fazer a campanha eleitoral: se com recursos
públicos exclusivamente; se com recursos privados exclusivamente; ou
com ambos. Evidentemente, esse é um ponto de grande conflito: uns
partidos querem de um jeito, outros partidos querem de outro. O que
decidiu o grupo de trabalho? Facultar e dar oportunidade para cada
partido. Quer fazer privado? Faça privado. Quer fazer público? Faça
público. Então, cada macaco no seu galho, cada um com a sua
ideologia. É um ponto de vista bastante respeitável, muito coerente,
para o qual, evidentemente, vai haver adeptos e
adversários.
Agora,
Guilherme, não ficou claro qual tipo de sistema eleitoral o PSD
defende. E, aí, eu quero que, depois, V.Sa. possa esclarecer, porque
o que nós estamos fazendo hoje aqui é exatamente vendo a opinião.
Quer dizer, hoje, quando esses partidos saírem daqui, terão que sair
dizendo: “nós defendemos
esse sistema eleitoral e defendemos esse modelo de financiamento”. É isso que nós estamos
fazendo hoje aqui.
O
nosso convidado Marcos Pereira, do PRB, que falou de uma maneira tão
eloquente e brilhante, disse aqui que não se faça uma reforma
política apressada, com remendos.
Com
todo o respeito, Marcos, essa reforma tramita aqui na Casa há mais
de três décadas. Eu estou aqui na minha quinta Legislatura. Em todas
as Legislaturas das quais eu já participei, foram constituídas
Comissões e grupos de trabalho para debater a reforma política. Esta
aqui já amadureceu, já apodreceu, já caiu do galho, já... (Risos.) A única crítica
cabível aqui é a de por que nós não fizemos essa reforma há 20 anos,
jamais dizer que nós estamos fazendo uma reforma apressada, de
afogadilho!
Com
todo o respeito, aqui é um lugar onde todo mundo tem que expressar
seu ponto de vista com toda a clareza, naturalmente respeitando a
posição de cada um. O ilustre convidado fez aqui uma observação
sobre o nosso Presidente Eduardo Cunha, e eu quero fazer a defesa
aqui do nosso Presidente.
Ele
critica quando Eduardo diz que vai fazer a reforma nem que seja na
marra, que, se a Comissão não fizer o seu papel, não chegar a um
relatório, ele avocará ao Plenário, será votado item por item, e o
que ganhar ganhou.
O
SR. DEPUTADO ORLANDO SILVA -
Já tem data: 26 de maio.
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Já tem data: 26 de maio.
Então,
eu quero fazer a defesa do Presidente Eduardo. Eu tenho discutido
muito com ele. Ele acha, como nós achamos, que a reforma política é
uma coisa imperiosa, impostergável, e não podemos mais
procrastiná-la. Nós, do Congresso Nacional, temos uma dívida com o
País. Há várias reformas para serem feitas, e nós estamos
empurrando-as com a barriga — usando essa expressão popular —, nunca
as fazemos. Então, é nesse sentido.
Eu
acho que o Presidente Eduardo está inteiramente certo. Se a Comissão
não vai cumprir o seu papel no prazo regimental, por que a matéria
vai ficar na Comissão? Mas toda vez que o Presidente Eduardo diz
que, se nós não dermos conta do nosso trabalho, vai avocar a matéria
ao Plenário, eu, com o dedo em riste, digo a ele: “Não vamos dar-lhe esse prazer,
não vamos dar-lhe esse gosto. Nós vamos apresentar o nosso trabalho
em tempo hábil. Nós esperamos, no início de maio, concluir o nosso
trabalho aqui. Sabemos da importância disso para o nosso
País”.
O
Marcos defende aqui o aperfeiçoamento do nosso sistema, o que é
defendido por pessoas de uma corrente importante. Se V.Sa. pudesse
adiantar em que ponto... Se não o fizer, pelo menos está... E fala
que a impaciência das ruas é contra a corrupção e não pela reforma
política. Isso, sem nenhuma dúvida, é uma verdade, mas nós não
podemos nos esquecer de que uma parte importante, expressiva,
significativa da corrupção que existe no Brasil tem fundamento no
financiamento das campanhas eleitorais. Ninguém de boa consciência
pode esconder isso aqui. Quando a população vai às ruas contra a
corrupção, está pedindo para se coibir a corrupção, e um dos
modos... Ninguém vai coibir toda a corrupção que existe no Brasil, e
o financiamento das campanhas não é a causa de toda a corrupção. Uma
das causas, sem nenhuma dúvida, é o modelo de financiamento que nós
temos, e isso nós podemos perfeitamente
coibir.
O
Carlos Siqueira faz a defesa do sistema atual, que permite a
pluralidade da representação política.
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- Exato. E contra o financiamento por empresa — deixa isso bastante
claro — e pelo financiamento misto, financiamento público, como já
existe atualmente, e privado, de pessoas físicas. Acho que esse é o
pensamento.
Defende
a manutenção do sistema proporcional e defende o fortalecimento dos
partidos políticos — coisa extraordinária e verdadeira isso aí. Diz
que sem partido político forte não há democracia forte. Agora
faltou, Carlos, V.Sa. explicar qual o modelo de sistema eleitoral
proporcional, se de lista aberta, se de lista fechada, se de lista
flexível, porque isso faz uma diferença extraordinária. E defende a
cláusula de desempenho, mas com exceção para os partidos históricos.
Isso já foi sugerido. Eu, particularmente... A Comissão,
naturalmente, é que vai decidir, mas eu, particularmente, sou contra
nós discriminarmos. Discriminação nunca é bom. Então, o partido A
pode não alcançar a cláusula de desempenho, mas o partido B pode.
Não acho isso justo, não acho democrático. Permite-se a todos ou
proíbe-se a todos.
De
todos aqui, o mais vigoroso, eloquente foi o nosso Carlos Lupi, que
nem de longe tem a aparência de 70 anos. Parece um jovem de 40 anos
com a barba de alguém de 70 anos.
Agora,
ele falou aqui que um terço aproximadamente da população já não
vota. De fato, quando a gente soma abstenção com voto branco, com
voto nulo... Lembro aqui que, em relação a esses 30%, mais ou menos,
que existem, ou um terço, eu não entendo isso como uma expressão da
vontade contra o modelo, contra o sistema, como um
protesto.
Primeiramente,
20% de abstenção é um número razoável, não é tão grande, tão
elevado. Há dificuldade, um problema ou outro. O número de voto
branco e nulo no Brasil, hoje, é muito pequeno — em torno de 5%; não
chega a 10%.
Carlos
Lupi, pela minha experiência, o voto branco e o nulo ocorrem muito
mais porque as pessoas votam errado e não porque têm a intenção
deliberada de votar em branco ou nulo. Às vezes, a pessoa vai votar
de um jeito e vota de outro. Então, não pode ser computado assim, na
minha ótica, como sendo uma aversão ao
sistema.
Ele
diz uma coisa aqui com a qual eu concordo plenamente: que nós não
temos no Brasil 34 correntes ideológicas de pensamento. Eu sabia que
havia 32 partidos no Brasil. Não, há mais 21 na gaveta. Há 21
partidos registrados no TSE. Estão coletando assinaturas para
cumprir exigência legal para serem
constituídos.
Agora,
eu tenho um ponto de vista que diverge de muitas pessoas. Eu acho
que a criação de partido político deveria ser amplamente livre. Isso
aqui, pelo amor de Deus, não é o que eu vou colocar no relatório,
não. Já disse aqui várias vezes que vou colocar no relatório o que
V.Exas. decidirem, mas expresso sempre o meu ponto de
vista.
A
pessoa quer fazer um partido político para defender a ideia da
preservação do mico-leão-dourado. Pronto. Junta, constitui uma
associação, vai lá registrar, forma um partido político. Agora, uma
coisa é o partido político, a existência, a criação, outra coisa é a
representação dele no Congresso Nacional.
Então,
para vir falar em nome do povo brasileiro aqui no Congresso, tem que
ter uma coisa chamada voto. Por isso, um dos fundamentos que eu
defendo, e é uma coisa empregada universalmente, é a cláusula de
desempenho partidário.
Nós
estamos defendendo uma cláusula de desempenho mínima, ínfima, como
defendeu Carlos Lupi, e mais progressiva também, como V.Sa.
defendeu. Na primeira eleição, só 2% dos votos
nacionais.
Ora,
a Constituição brasileira defende que os partidos tenham caráter
nacional. Um partido que não alcança 2% dos votos nacionais, apenas
1%, em pelo menos um terço dos Estados, que é o que nós estamos
propondo, e a partir da segunda eleição ficar em definitivo 3% e
2%... Eu acho que é o mínimo, para ter o mínimo de racionalidade.
Digo com absoluta clareza que nós todos estamos expressando sua
verdade, seu ponto de vista.
Outro
dia chegou aqui um representante de um partido e disse: “Taiwan tem 800 partidos”.
Aí eu perguntei a ele: “E
quantos partidos estão representados no Parlamento de Taiwan?”
Gaguejou para um lado, gaguejou para o outro... Eu disse: “Eu sei, são quatro”. É este
o espírito: criar partido é livre; ir para o Congresso, não. Tem de
testar o seu poder de voto para poder vir aqui falar em nome do povo
brasileiro. Tem de ter representatividade.
O
nosso Carlos Lupi comete aqui uma injustiça com a Comissão, quando
diz que ninguém está tratando dessa questão tão grave que é o marketing eleitoral, que
hoje nas campanhas eleitorais o que menos conta é o candidato. Nós
concordamos plenamente com isso.
Muitas
vezes o candidato chega lá e diz: “Tudo bem! Vamos à vitória,
vamos em frente!” E todo o programa eleitoral é feito pelo
marqueteiro. Por isso é que está tão caro o marketing no Brasil. E o que
é mais importante: o marketing virou uma obra de
arte, e obra de arte não tem preço. Aí vai para leilão, cada
candidato bota aquele marqueteiro mais famoso do momento. No passado
era o Duda Mendonça, agora é o João Santana, e por aí vai. E defende
o que o Brizola defendia: o candidato falando ao vivo e sustentando
o seu ponto de vista. Carlos Lupi, nós já discutimos isso aqui pelo
menos umas cem vezes. É quase uma unanimidade aqui. E é isso que nós
vamos fazer mesmo, estamos querendo botar na
lei.
Estamos
aproveitando uma proposta que o ex-Governador Serra apresentou
quando era Senador, que é exatamente a de o candidato falar,
defender suas ideias, o que pode ser ao vivo ou gravado.
Evidentemente, podendo fazer uma gravação, a pessoa não vai falar ao
vivo. É melhor gravar. Mas, com isso aí, nós faríamos uma economia
fantástica! Nós reduziríamos o marketing eleitoral no
Brasil a zero.
Nós
não podemos nos esquecer, meu caro Renato, daquilo que V.Sa. disse
aqui: nós temos que preservar, a todo custo, o princípio basilar,
nuclear da democracia, sobre o qual se assenta todo o arcabouço
democrático, que é o princípio da igualdade de oportunidade entre os
candidatos. Hoje isso não existe. Hoje o poder econômico é que está
ditando o resultado dos pleitos eleitorais. Não estou falando grego
aqui para ninguém. Essa é a verdade no Brasil, infelizmente é a
verdade, e é uma verdade muito maior para o Parlamento. Para
Vereadores, Deputados Estaduais, Deputados Federais, quase se pode
fazer uma regra de três: quem mais gasta mais voto tem; quem menos
gasta menos voto tem.
O
Dr. Carlos Lupi comete outra injustiça com a Comissão (riso) quando diz que nós
estamos diminuindo o prazo de filiação para 6 meses, quando deveria
ser o contrário: deveríamos estar ampliando-o para 2 anos. Nós
estamos fazendo isso porque achamos que democratiza mais, dá mais
oportunidade.
Imaginemos,
numa determinada cidade, que uma pessoa simplesmente não se filiou a
um partido 1 ano antes e, por um fato qualquer, ela quer se
candidatar. Surge aquele momento, e ela não pode, porque não está
filiada. Nós achamos que ninguém ganha com esse impedimento. Mas
isso, Carlos Lupi, é a exigência legal mínima. Cada partido tem a
liberdade...
Eu
me socorro aqui dos nossos assessores para citar a Lei nº 9.096, de
1995, a Lei dos Partidos Políticos.
O
art. 20 diz o seguinte:
“Art.
20. É facultado ao partido político estabelecer, em seu estatuto,
prazos de filiação partidária superiores aos previstos nesta Lei,
com vistas a candidatura a cargos
eletivos.”
Quer
dizer, esses 6 meses são o prazo mínimo. Mas, se o PDT quiser botar
10 anos no seu estatuto, tranquilo. O camarada vai ter que se
submeter a uma quarentena, ficar lá por 10 anos, provando que é
pedetista mesmo (riso),
ou 2 anos mesmo, como V.Sa. falou.
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO
- E o nosso Renato Rabelo, do mais tradicional partido do Brasil, o
PCdoB, que finaliza com o PCB o direito de ser o mais antigo do
nosso País, naturalmente fala daquilo que é motivo das nossas
maiores reflexões, que é a diminuição substancial da influência do
poder econômico nas campanhas eleitorais. Naturalmente se coloca
contra a cláusula de barreira.
Renato,
V.Sa. defende as coligações para o Parlamento. Nós estamos
encontrando uma maneira de não prejudicar os partidos: a criação das
federações. Nós achamos que a federação é mais adequada, porque as
coligações se extinguem quando da eleição, e a federação não. A
federação é um compromisso de convivência no Parlamento, como se
fosse um único partido durante todo o mandato.
Como
a Comissão está tendente a ampliar o mandato para 5 anos, quer
dizer, uma federação criada, depois de eleito o candidato, depois de
ter tomado posse, teria que subsistir por, pelo menos, 4 anos.
Achamos até que essa federação criada será um tipo de embrião de um
futuro partido político, porque evidentemente nós nunca vamos nos
conformar que o Parlamento do Brasil seja campeão mundial com 28
partidos representados no Congresso Nacional. Eu acho que a
existência de 300 partidos não faz nenhum mal ao País. Agora, 28
partidos representados no Congresso... Isso é uma falência do nosso
sistema.
E
defende também o sistema proporcional.
Renato,
eu gostaria que V.Sa., depois, dissesse qual é o modelo de sistema
proporcional. Isso é importante. Nós vamos precisar disso para tomar
aqui a nossa decisão. Agora, quero que V.Sa. me permita discordar da
crítica que V.Sa. fez ao sistema distrital misto, do modelo
alemão.
Foi
a primeira experiência do mundo o sistema distrital misto. Até o
advento do emprego desse sistema na Alemanha, o mundo só conhecia
dois sistemas eleitorais: o majoritário distrital, adotado pelas
democracias mais antigas do mundo; e o proporcional de lista
normalmente preordenada, lista fechada, que veio como uma evolução,
em oposição ao sistema majoritário.
O
sistema majoritário tem como uma de suas maiores vantagens a
representação de todas as regiões do País, as ricas e as pobres. Não
nos esqueçamos de que, no nosso sistema proporcional de lista
aberta, há uma prevalência da representação das regiões ricas em
relação às regiões pobres, dentro do mesmo Estado. Esse sistema
corrige isso. Há também uma proximidade muito grande do eleitor com
o seu representante. Mas o sistema majoritário distrital tem uma
falha insanável, que é a não representação das minorias e o pouco
debate ideológico. Ou seja, quase não há votos ideológicos. Nunca ou
quase nunca os votos ideológicos conseguem ser
representados.
O
sistema proporcional de lista faz o contrário: fortalece os partidos
políticos, fortalece os programas, define as ideologias, torna os
partidos mais ideológicos, mais programáticos, permite o voto de
opinião, permite a representação das minorias, mas distancia o
representante do eleitor. É uma das falhas.
Então,
quando conjugam os dois, os cientistas políticos, quase à
unanimidade, acham que o sistema misto é o que funciona melhor,
porque um compensa a deficiência do outro. Por isso, eu venho
fazendo aqui a defesa do sistema distrital misto como sendo o mais
adequado para a Alemanha, para o México. Todas as democracias
modernas que estão se implantando, normalmente vão para o distrital
misto. O sistema que mais cresce no mundo, hoje, é o distrital
misto, e o Brasil não é diferente do restante do mundo. Então,
defendo-o para o Brasil também.
Quero
fazer uma crítica aqui, que já fiz de corpo presente, na OAB e na
CNBB. O Renato faz a defesa da proposta da OAB em dois turnos. Em
princípio, é bom ficarmos com o pé atrás em relação a tudo o que é
inovação, no que diz respeito a sistema eleitoral, porque, quando
vamos para a prática, para a realidade, uma vírgula colocada fora do
lugar pode trazer grande distorção.
Então,
a eleição em dois turnos... O segundo turno proposto pela OAB e pela
CNBB vem contrariar, Renato, tudo o que a proposta delas quer
alcançar. Então, o que a OAB, a CNBB, o Movimento de Combate à
Corrupção Eleitoral, mais de 100 entidades representativas da
sociedade civil organizada querem alcançar? A diminuição do poder
econômico, o fortalecimento dos partidos políticos, do tecido
partidário. Querem a paridade de gênero, racionalizar, diminuir os
custos da campanha. E com esse segundo turno vai acontecer
exatamente o contrário: os custos vão decuplicar, o tecido
partidário vai se destruir, vai se dilacerar, nós vamos colocar
irmãos contra irmãos para se digladiarem, para se destruírem no
segundo turno, vai encarecer enormemente a campanha e não vamos
alcançar a paridade de gênero que, no primeiro turno, estava sendo
procurada.
Eu
dei um exemplo aqui para a Deputada Moema Gramacho, da Bahia.
Suponhamos que na Bahia, primeiro voto, primeiro turno, um voto
partidário, um voto programado, o PT tivesse elegido cinco
Deputados. Quem são os cinco? Não se sabe. Vamos para o segundo
turno, pela proposta da OAB, para saber quem são os cinco. Aí vão
disputar os dez primeiros da lista. Ora, se a OAB está propondo
paridade de gênero, um homem, uma mulher, os dez têm que ser cinco
homens e cinco mulheres. Aí você vai para o segundo turno jogar os
cinco homens para se digladiarem com as cinco mulheres. Ora, isso
não tem lógica. Vai terminar nisto que está acontecendo hoje aqui:
os homens vão massacrar as mulheres. Por quê? Pelo poder econômico.
Às vezes, eu pergunto por que aqui há mais homens do que mulheres. É
porque os homens têm mais dinheiro. No dia em que as mulheres
tiverem mais dinheiro, tiverem maior poder econômico... O poder
econômico é que está definindo o resultado.
Eu
não podia finalizar sem falar sobre o referendo que V.Sa. também
defendeu. Eu sou contra o referendo. Não porque tenha alguma coisa
contra o referendo. Pelo contrário. Acho até que é um instrumento
que deve ser usado com maior frequência. Mas é porque o povo não tem
como avaliar um sistema eleitoral que nunca experimentou. Nós vamos
fazer uma reforma eleitoral. Suponhamos que vamos aprovar o sistema
distrital misto. Aí nós vamos perguntar: você quer o sistema atual
ou o distrital misto? O povo não sabe o que é sistema distrital
misto. Ele nunca experimentou isso, ele nunca viveu isso. Talvez o
referendo fosse mais adequado, mais apropriado depois de duas
eleições ou depois de três eleições, em que nós tivéssemos vivido a
experiência. Aí, sim, seria o momento de submeter a um referendo
para saber se continua assim ou se muda.
Procurei
ser claro. Não entendam, de maneira alguma, que eu quis discordar de
alguém. Eu quis, sim, mostrar-lhes a posição que a Comissão vem
adotando até o momento.
Muito
obrigado.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Joaquim
Passarinho.
O
SR. DEPUTADO ORLANDO SILVA -
Sr. Presidente, um registro apenas. Está aqui a Prefeita de Cardeal
da Silva, Maria Quitéria Mendes de Jesus, da União dos Prefeitos da
Bahia. Eu gostaria de protocolar junto à Mesa uma sugestão da
entidade relativa à reforma política. Eu queria fazer este
registro.
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
Sr. Presidente, peço a palavra pela Liderança do
PHS.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) – V.Exa. é o Líder do
partido?
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
Sim.
Sr.
Presidente, Sr. Relator, nobres Presidentes partidários e colegas
presentes na Comissão de Reforma Política, eu gostaria de fazer uma
observação aqui, Sr. Relator, sobre essa última fala de V.Exa.,
hoje, nesta audiência.
Eu
tenho toda a admiração e todo o carinho por V.Exa., uma pessoa do
bem, bem-intencionada e que tem dedicado todo o seu tempo e todo o
seu trabalho a essa reforma política. Porém, Deputado, eu também
estou anotando... Eu pedi ao meu gabinete para fazer todo um
apanhado — assim como V.Exa. anota nossa opinião, para anotar a
opinião de V.Exa. E o que eu estou sentindo é que o relatório virá
exatamente com a opinião de V.Exa. e não com o que, de fato, está
sendo colocado.
Por
exemplo, o Marcos Pereira, mais uma vez, manifestou-se contra a
cláusula de caveira. O Presidente do PCdoB é contra a cláusula de
caveira.
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
É caveira. É cláusula de caveira, porque quer acabar com os partidos
políticos. Não é cláusula de barreira, é cláusula de caveira.
Então,
eu não sei de onde ele está tirando que essa é a posição da
Comissão, Sr. Relator. Eu me preocupo muito, porque, ao final, na
hora em que V.Exa. apresentar o relatório, eu temo ter excluído
nosso pensamento e prevalecer só o seu, porque toda vez em que há
audiência V.Exa. começa a falar: “Mas eu penso assim”. “Mas nós
estamos olhando isso, isso e isso”. Já sei como virá o
relatório. Eu temo muito, eu temo muito. Não podemos deixar passar a
cláusula de caveira.
Quero
aqui cumprimentar o amigo Marcos Pereira, além dos demais
presidentes partidários. Marcos Pereira tem-se mostrado uma grande
liderança no País. Marcos Pereira prova que um partido pequeno tem
como crescer. O PRB, há alguns anos, não tinha o tamanho que tem
hoje, e vai crescer muito mais pela competência do Marcos e das
pessoas que estão no PRB. O PHS não tinha um único Deputado na
última Legislatura, e agora tem cinco. O PT jamais seria o PT se
tivesse um cláusula de caveira que não o deixasse crescer. Nós não
podemos permitir isso. Temos que discutir, sim, dentro desta
Comissão. Temos que enfrentar esse debate em relação ao que foi
sugerido pelo Presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
Também
temos de discutir a questão do referendo. No começo eu era contrário
a ele, agora, sou favorável. Eu já coloquei: agora sou favorável ao
referendo. Vamos, então, jogar para o povo, porque essa discussão
que o Marcos Pereira trouxe muito bem... A manifestação na rua... É
vontade do povo a reforma política ou não é? Eu afirmo
categoricamente que não é. O povo está cansado é de corrupção. Não
adianta querer responsabilizar o sistema eleitoral pelo problema da
corrupção, porque ele não é responsável por ela. Isso é uma falácia.
Não vamos jogar para essa reforma todo o problema do nosso País.
Então,
eu quero aqui saudar... Parabéns, Marcos Pereira, pela sua
fala!
Não
à cláusula de caveira, Sr. Relator.
O
SR. DEPUTADO EDMAR ARRUDA -
Sr. Presidente, questão de ordem.
Pelo
que eu sei, aqui na Comissão não tem prevalecido a questão da
liderança dos partidos e sim as inscrições. Então, eu gostaria que
fossem respeitadas as inscrições.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Eu vou respeitar o Regimento da
Casa.
Sr.
Deputado, só para esclarecer. O Relator faz o relatório que ele
quiser.
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
Perfeitamente.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - São 33, número ímpar, para que o Plenário
decida se acata o relatório dele ou não.
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
Mas, Presidente, é porque ele estava anotando toda a nossa opinião e
dizendo que o relatório não seria opinião dele, que o relatório
seria opinião da Comissão. Só por causa da fala dele.
Regimentalmente, é óbvio.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Da mesma forma que temos que respeitar o
Regimento... Esse é um direito que ele tem.
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
Claro, mas é pela fala dele, Presidente.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Ainda há a proposta do partido dele. Ele
vai ter que ver como resolver isso.
(Não
identificado)
- Não é problema nosso.
O
SR. DEPUTADO MARCELO ARO -
Mas ele disse que o relatório seria fruto do debate aqui e não da
opinião dele.
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Como Líder, por 3
minutos.
O
SR. DEPUTADO WEVERTON ROCHA -
Estou inscrito, e também pela Liderança.
Sr.
Presidente, eu queria cumprimentar todos os colegas Deputados e os
senhores de partidos que estão participando desta importante
audiência pública, onde estamos discutindo talvez uma das mais
importantes ou a mais importante pauta que precisa ser colocada no
nosso País, que é a reforma política.
Quero
cumprimentar todos os presidentes nacionais, através do nosso
Presidente, Sr. Carlos Lupi. Temos a clareza de que tem sido um
Presidente que, de verdade, tem feito partido neste Brasil. Eu não
me canso de dizer que você tem de separar, de verdade, legendas de
partidos. E eu sinto orgulho hoje de fazer parte de um partido
político cuja direção discute política, faz o partido e está
realmente preocupada em debater os temas importantes para a nossa
sociedade.
Sr.
Relator, colegas Deputados, é importante, sempre que possível, nós
podermos dar as nossas opiniões, até porque esta é a Casa do
entendimento, do diálogo, do ponto de vista, do acordo. E eu tenho
certeza de que, para chegarmos a uma boa reforma política, há seis
pontos... Se conseguirmos entender que, com os seis pontos
existentes, vamos fazer profundamente algumas mudanças, nós já vamos
dar uma grande resposta para a sociedade.
Entre
as mudanças, há a questão do fim das coligações proporcionais. Eu
entendo que, com isso, acaba, de qualquer forma, essa discussão
periférica sobre se tem a mais ou a menos, se vão ser criados 200 ou
300 partidos no Brasil. Acaba-se com as coligações proporcionais,
dando um teto mínimo de desempenho para quem está participando dessa
chapa, para não acontecer o caso de um colega ter 3 milhões de votos
e puxar um de 5 mil votos, de 3 mil votos. Então, ele tem de ter um
mínimo de desempenho dentro da sua coligação, dentro da sua chapa,
para que possa ter um bom desempenho.
Eu
tenho uma emenda nesta Comissão e gostaria de pedir que o nosso
Relator a analisasse com carinho. É a Emenda nº 18.
A
outra questão diz respeito ao voto impresso. Há uma emenda nesta
Comissão, que é do Deputado Jair Bolsonaro. Nunca imaginei que eu
iria concordar com ele, mas concordo. (Risos.) Com esse voto
impresso, o PDT concorda. Nós temos que lutar pela impressão do
voto. Isso não é bicho de sete cabeças.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - E o Deputado Bolsonaro acabou de se desfiliar do PP.
Pode fazer o convite para o PDT.
O
SR. DEPUTADO WEVERTON ROCHA -
Não. Calma! Eu disse que, neste caso, nós concordávamos. (Riso.)
(Intervenções
fora do microfone. Inaudíveis.)
O
SR. DEPUTADO WEVERTON ROCHA -
Muita calma! Eu acho que o DEM tem mais força para segurar a
parada.
O
SR. CARLOS LUPI - Afunda
para a direita!
O
SR. DEPUTADO WEVERTON ROCHA -
Nós gostaríamos de colocar essa questão do voto impresso. Há também,
Sr. Presidente, Sr. Relator e colegas Deputados, a questão das
pesquisas eleitorais. É inadmissível, hoje, não só a fábrica das
pesquisas eleitorais, mas a manipulação que fazem, principalmente
nos Estados mais longínquos do nosso centro.
Eu
vou dar o exemplo do Maranhão. O IBOPE lá é campeão em dar
informação errada. Aí, chega o dia da eleição, eles dão a informação
correta e dizem que são os melhores, os que mais acertam no Brasil.
É um absurdo o quanto eles trabalham para manipular a opinião
popular!
A
outra questão é sobre o financiamento — já foi bem discutida aqui na
nossa Comissão —, o marketing eleitoral. Mas eu
acho que a principal questão, Sr. Presidente — e aí eu vou usar os
meus 40 segundos —, é a nossa Emenda nº 19. Ela trata do fim da
judicialização da eleição.
Sr.
Presidente, é um absurdo a fábrica de liminares que nós temos hoje
nos tribunais do Brasil para promover o que eu chamo de democracia
dos derrotados. O candidato majoritário que perde a eleição, a
exemplo de Prefeitos... Os colocados em segundo lugar entram na
Justiça, e surge uma nova eleição no tribunal. O Prefeito não tem
tempo de trabalhar, e o derrotado fica o tempo todo armando para
derrubá-lo.
Sr.
Presidente, é necessário fazer com que, se um Prefeito for cassado,
imediatamente o tribunal providencie uma nova eleição, entre 20 e 40
dias, para que somente o povo eleja o seu representante, através do
voto soberano.
Muito
obrigado, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - E os advogados estão ficando
ricos.
Concedo
a palavra ao Deputado Henrique Fontana.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Quero cumprimentar o nosso Presidente Rodrigo Maia, o nosso Relator
Marcelo Castro e os Presidentes desses cinco importantes partidos
que expressaram aqui suas opiniões, suas posições: Carlos Siqueira,
do PSB; Renato Rabelo, do PCdoB; Guilherme Campos, do PSD; Carlos
Lupi, do PDT; e Marcos Pereira, do PRB.
Eu
pude ouvir três das exposições dos Presidentes. Tive que sair para
uma reunião e estou aqui de volta para contribuir com esta nossa
reflexão, que vai construindo o relatório e a nossa votação, na data
em que ela for marcada.
A
primeira questão, sobre a qual eu percebi que há, parece-me, maioria
ampla entre os Presidentes que usaram a palavra, diz respeito à
importância de defendermos um sistema que garanta que o voto de
todos os brasileiros conte na hora de compor o Parlamento.
Na
minha opinião, temos de estar todos aqui abertos à negociação,
porque o sistema puro, do sonho de cada um de nós, como bem diz o
nosso Relator, dificilmente será aprovado. Agora, é muito importante
a busca de um sistema 100% proporcional. Ou seja, o voto do cidadão
será contado na hora de compor o Parlamento, o que é totalmente
diferente na eleição para Governador, Prefeito e Presidente da
República.
Usar
um esquema distrital para definir a conquista da vaga é diferente de
usar algum sistema distrital para preencher uma vaga. Mas, para a
conquista, é um sistema que pode deixar 50%, 60% dos eleitores de
uma região fora do Parlamento.
Por
exemplo, com a multiplicidade de partidos que nós temos no Brasil,
num distrito podem sete ou oito candidatos disputar uma vaga e um
candidato com 30% dos votos ganhar a vaga inteira. Então, isso gera
uma perda de legitimidade. Além disso, os componentes distritais
onde foram usados mais largamente, Estados Unidos e Inglaterra,
levaram a um bipartidarismo forçado, o que não é bom para a cultura
política brasileira.
Eu
concordo com o Presidente Carlos Lupi em que, com respeito, de forma
progressiva, podemos, sim, diminuir o número de partidos que temos,
mas não sair, na marra, de uma democracia com 28 partidos para uma
democracia com 3, 4, 5 partidos. Isso é artificial para a cultura
política do Brasil.
Eu
tenho me colocado, nas nossas reuniões, contra a cláusula de
barreira. Por enquanto, estamos ainda muitas vezes expressando
posições pessoais. Os partidos vão fechar posições, obviamente, na
hora de votar esse tema. Mas eu entendo que, se nós nos colocarmos
de acordo com o fim da coligação proporcional — respeito os
argumentos em contrário —, isso vai gerar naturalmente a necessidade
de o partido ter um desempenho mínimo para garantir uma
vaga.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Encerre, Deputado.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Por fim, Presidente, sobre o tema do financiamento, ontem mesmo eu
fui convidado e participei de um debate no Instituto Fernando
Henrique. Eu dizia lá que a pergunta que cabe é a seguinte: “Qual é a vantagem de empresas
contribuírem para financiar partidos políticos e/ou candidatos em
eleições?” Eu tenho encontrado muito pouco argumento para
sustentar... Eu insisto com a pergunta: qual é a vantagem para a
democracia, neste momento que estamos vivendo, inclusive com toda a
luz e experiência que o Brasil acumulou nesses últimos anos,
empresas financiarem campanhas eleitorais?
As
campanhas podem ser mais baratas. No tema do marketing foi colocado: “Por que uma campanha
presidencial tem que custar 300 milhões?” Se o teto for de 50
milhões, para estar dentro do próprio teto, o marqueteiro não vai
poder fazer o que faz hoje.
O
SR. CARLOS LUPI
- Bota o percentual.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Pode também. Mas o que eu digo é: por que uma candidatura a Deputado
Federal tem que custar 4, 5, 6, 8 milhões? O teto global, na minha
opinião, é a única maneira de baratear campanha, porque elimina
isso, elimina aquilo, e nós inventamos outro jeito de gastar. Então,
parece-me que o teto global é a melhor
alternativa.
Obviamente,
por fim, quero falar sobre uma frase que não é muito popular. Eu
compreendo que os partidos estão em baixa, mas não há democracia
forte sem partido organizado, representativo e forte. E o distritão
— com todo respeito àqueles que o defendem, eu tenho conversado com
os colegas aqui — é o fim dos partidos.
O
SR. PRESIDENTE (Rodrigo
Maia) - Encerre, Deputado.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Será a minha última frase, Presidente. Farei uma brincadeira aqui.
Eu já tive a honra de ser Líder do Governo do Presidente Lula e da
Presidenta Dilma. Sabem como seria, nobres Presidentes, a reunião de
Colégio de Líderes, uma reunião para preparar o Plenário? No
plenário, temos 513 Deputados. Hoje em dia, com 28 Líderes,
encaminha-se alguma coisa. A tendência, com o distritão, é ter o
Auditório Nereu Ramos para organizar a reunião de Líderes e o
plenário para, depois, levar à votação, porque nós vamos ter, com o
distritão, 513 mandatos individuais, que vão operar a política como
quiserem, e os partidos ficarão em terceiro ou quarto plano, na
nossa democracia.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - O resultado das votações no plenário, hoje, já é
quase isso, Deputado Henrique.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Inclusive aumentaram a mesa.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Vocês perderam o controle da maioria, aí está aquela
confusão. Há quase 513 Líderes.
Tem
a palavra o Deputado Joaquim Passarinho.
O
SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
Presidente Rodrigo e, hoje, Presidentes de
partidos...
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputado Joaquim, quero lhe pedir desculpas, porque
V.Exa. era o primeiro da lista. Eu sabia que o Deputado Henrique
queria falar muito e acabei pulando o seu
nome.
O
SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
Os novatos ficam para trás aqui. (Risos.)
Queria
dizer primeiramente, Presidente, que hoje é um dia diferente. Nós
vimos aqui o PDT concordar com o Deputado Bolsonaro e o Deputado
Fontana dizer que palestrou ontem no Instituto Fernando Henrique
Cardoso. Este é um dia bom para a democracia. Essas duas coisas
chamam muita atenção, mais do que tudo aqui.
Sr.
Presidente, Sr. Relator, Deputado Marcelo, eu tinha feito algumas
anotações, mas as falas de V.Exa., Relator, preencheram quase tudo
que eu queria ter colocado. Mas eu notei algumas expressões para as
quais eu gostaria de chamar a atenção.
O
Presidente do PRB falou em “apressado”. O nosso Líder disse aqui: “Nós estamos trabalhando no
Congresso há muito tempo”. E nós, que chegamos agora, já
discutíamos isso há mais de 10 anos nos nossos Estados, nos nossos
partidos, seja lá onde for que tenhamos ocupado algum cargo antes.
Então, não acho que há nenhuma pressa em se fazer a reforma
política. Eu acho que está na hora certa, ou melhor, eu acho que
está é tarde, que isso não está sendo feito de forma
apressada.
Sr.
Presidente, eu gostei da fala do PSB sobre a divisão da eleição com
o Executivo e o Legislativo. A única dúvida que eu tive foi que
V.Exa. colocou que seria primeiro o Executivo e depois o
Legislativo. Na minha opinião, todos os Legislativos vão estar
compostos pelos partidos que ganharam a eleição no Executivo, porque
a tendência natural é as pessoas votarem no partido ou nos partidos
aliados ao vencedor da eleição. Então, você estará prejudicando
seriamente... Eu já tinha ouvido falar de se fazer no sábado uma e
no domingo outra. Disso eu já tinha ouvido falar. Mas, se for bem
apartado, com certeza o resultado da eleição do Executivo vai
macular sobremaneira a decisão do Legislativo.
Quanto
à fala do PDT, Presidente, eu anotei uma coisa aqui que me deixou
espantado no início: “Ninguém
está discutindo seriamente isso neste País”. Eu acho que esta
Comissão talvez seja a que mais se reuniu, na qual eu mais tenho
trabalhado e mais tenha vindo. Já fiz mais de 30 palestras no meu
Estado. Acho que nós estamos discutindo seriamente, sim. Eu não sei
de onde V.Exa. tirou a expressão de que nós não estamos discutindo
seriamente isso aqui. Estamos!
V.Exa.,
inclusive, fala em marketing eleitoral. Este é
um dos pontos, como falou há pouco o Deputado Jordy, que talvez
tenha 100% de aceitação aqui: nós temos que mexer no marketing eleitoral. Isso
tem 100% de aceitação! Eu acho que não há um Deputado aqui que
concorda que o marketing
eleitoral fique do jeito que está. Esse foi o ponto que V.Exa. mais
colocou, e esta Comissão está praticamente... Está aí uma coisa que
está decidida, eu acho, nesta Comissão e no Plenário deste
Poder.
O
Presidente do PCdoB também... Como é um dia de discordarmos, às
vezes, de pessoas ou de partidos antagônicos, eu concordo com o
sistema proporcional, mas, infelizmente, também discordo da lista
fechada. Eu acho que não temos, ainda, condições de trabalhar com
lista fechada, porque, como foi falado aqui, nós temos 40 partidos
quase, e partidos têm dono. Haverá listas fechadas aí que serão
compostas pela mulher do dono do partido, pelo filho do dono, pelo
vizinho, e por aí vai. Eu acho que nós não temos, ainda, maturidade
para isso.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Para encerrar.
O
SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
Já estou encerrando, Presidente.
O
Líder do PHS falou em cláusula de caveira. Eu quero me solidarizar
com o nosso Relator. Eu sou a favor, talvez não no modelo que está
sendo apresentado, mas eu acho que tem que haver algum tipo de
cláusula. Não dá para um partido que não tenha representação no
Congresso Nacional, por exemplo, ter tempo na televisão, fundo
partidário, e assim por diante. Eu acho que nós temos que ter alguma
restrição nesse ponto.
Desculpe-me
por ter-me alongado um pouco, Presidente.
Obrigado.
E
obrigado pela presença do nosso Presidente.
Eu
queria só saudar o meu Presidente — deixei para fazê-lo por último
—, que é do PSD...
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - E a nossa Ponte Preta.
O
SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
...e a Ponte Preta. Ele sofre um pouquinho...
Quero
dizer que eu não vou fazer perguntas para ele. Depois, se o
Presidente Guilherme Campos puder falar, Presidente, sobre aquele
sistema eleitoral proporcional, sobre o qual temos conversado muito
— com a mudança, como são distribuídas as sobras. Eu acho que V.Exa.
me convenceu, inclusive, na nossa reunião de bancada, sobre esse
sistema.
Muito
obrigado.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - As inscrições estão
encerradas.
Eu
passo a palavra ao Deputado Daniel Almeida.
O
SR. DEPUTADO DANIEL ALMEIDA -
Sr. Presidente, nobre Relator, senhores convidados para esta
audiência pública, nós já fizemos várias audiências públicas. Há
muitos Parlamentares novos que chegaram nesta Legislatura. Nas
primeiras audiências, nobre Relator, há aquele ímpeto de que nós
vamos fazer rapidamente a unificação de posições para apresentar uma
proposta de reforma política. E ao longo do debate, todos vão se
dando conta de que não é tão simples assim.
Na
última audiência pública, eu ouvi uma reflexão de estudiosos do
tema, levantando a dificuldade, a impossibilidade de chegarmos a
algo perfeito, porque isso não existe. E concluíram todos eles pela
possibilidade de fazermos adaptações, ajustes no modelo atual — e
fazê-lo gradativamente. Eles trouxeram inclusive as experiências do
mundo, dizendo que, segundo um estudioso da ONU, os resultados mais
produtivos no mundo inteiro foram aqueles que enxergaram a reforma
política como um processo.
Acho
que nós tínhamos que levantar esses aspectos, que colocar a reforma
política no contexto das grandes reformas estruturantes que são
necessárias e ver qual é o processo que pode nos levar a
aperfeiçoamentos. Nós não deveríamos abandonar essa tese, sob o
risco de apresentarmos para a sociedade expectativas que podem não
se confirmar ou de fazermos uma “deforma” política na tentativa de
compor coisas que não se combinam, deformando o nosso processo
político nacional.
Portanto,
é bom haver essas reflexões sobre a pressa de se fazer. Lá no sertão
de onde eu venho, na Bahia, dizem que a pressa é inimiga da
perfeição. Nós não vamos ter a perfeição, mas devemos fazer um
esforço grande para alcançar maioria.
Eu
estou aqui há algum tempo. Não é que não tenhamos apresentado
caminhos, pois fizemos uma Comissão Especial há uns 6 ou 8 anos. O
Relator Ronaldo Caiado apresentou uma proposta que foi a plenário e
lá foi derrotada, sem alcançar a maioria. Fizemos outra Comissão
Especial, na qual o Deputado Henrique Fontana apresentou um
relatório, nós produzimos um relatório. A Comissão chegou a um
entendimento sobre o que deveríamos encaminhar. E também não foi
possível alcançar a maioria, ainda mais por se tratar de mudança na
Constituição. O relatório Vaccarezza também foi produzido, e não se
conseguiu levá-lo adiante. Nós temos que levar em conta os caminhos
que devemos percorrer para encontrar um grau de
maioria.
Eu
tenho insistido que há um elemento que é absolutamente necessário
que tratemos. São todos importantes, mas, entre todos, há o problema
do financiamento, que, na minha opinião, é um elemento central. O
financiamento empresarial está à beira, como disse aqui o Renato, de
capturar a política brasileira. Tirar o financiamento empresarial é
um passo importante para que nós possamos evoluir. E nós sabemos que
não é simples encontrar uma saída. Acho que a questão do
financiamento público articulado com o financiamento de pessoa
física dialoga bem com as forças políticas e com a sociedade
brasileira.
Portanto,
eu queria fazer aqui essas ponderações em torno do debate que temos
conduzido até então, valorizando todas as opiniões dos cinco
partidos que aqui estão. Mas isso também revela que, mesmo entre os
partidos que convivem e que tratam de se unificar sobre temas, não é
tão simples encontrar tantos pontos de
unidade.
E
quero ressaltar a presença aqui da Maria Quitéria, Presidente da
União dos Municípios da Bahia — UPB, que traz um documento. Eles
fizeram um debate ontem, lá na UPB, no qual produziram sugestões que
trazem a esta Comissão. Há uma sugestão que os prefeitos trazem, que
é a prorrogação do mandato. Eu já disse a ela que vamos ter que
debater esse tema com muita profundidade, porque não é tão simples
até do ponto de vista jurídico.
Mas
quero saudar a presença aqui dos Prefeitos da
Bahia.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Já começou a Ordem do Dia. Então, eu vou restringir
a fala dos próximos inscritos a 3 minutos, para que todos possamos
ir para o Plenário, onde há uma votação polêmica e acho que todos
querem participar.
Com
a palavra a Deputada Tia Eron, por 3 minutos.
A
SRA. DEPUTADA TIA ERON -
Sr. Presidente, quero cumprimentar os demais Presidentes partidários
na pessoa do meu Presidente, Marcos Pereira, que reconhecidamente
aqui já foi destacado, quando se lembrou que o PRB foi o único
partido que, nas últimas eleições de 2014, de fato cresceu. Eu fico
extremamente fortalecida ao vê-lo nesta Mesa, com tanta competência,
discutindo o tema do distrital, do qual, como já falou aqui o nobre
Deputado e um dos Relatores mais influentes nesta Casa, as pessoas
não têm domínio. De fato, esse tema ainda foge ao entendimento de
alguns, mas tantos outros já são discutidos, pois desde o porteiro
ao grande empresário estudioso conseguem fazer essas distinções e
também suas sugestões.
Eu
quero, Presidente Marcos Pereira, associar-me à fala do senhor sobre
a necessidade de cuidado, cautela e excesso de zelo para a
apreciação da reforma política. O colega também baiano, Daniel
Almeida concorda que é preciso parar para pensar e maturar, apesar
das 3 ou 4 décadas em que se arrasta aqui esse processo. Isso ainda
se faz necessário em razão dessa renovação de quase 43% dos
Deputados que chegam aqui, querem participar e dar, portanto, a sua
contribuição.
Então,
deixo aqui o meu encaminhamento no sentido de que todos os demais
possam participar desse grande debate. Eu penso que a ordem hoje
aqui, nesta tarde, foi justamente discutir, discutir e discutir,
para que possamos esgotar todas as possibilidades, sobretudo quando
há uma mulher, a única no Brasil, na Presidência da União dos
Municípios da Bahia. Graças a Deus, ela é de lá do meu Estado! E ela
tinha que ser da Bahia, depois de quase 70 anos em que não tínhamos
uma mulher à frente de uma pasta como esta, no comando de diversos
prefeitos que lotam este plenário. Eu fico extremamente feliz porque
ela traz a sua contribuição à pauta.
Então,
Sr. Presidente, com a tolerância de V.Exa., é importante que
venhamos a ter o máximo de cautela para as maiores discussões.
Obrigada.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Renata Abreu.
Eu
vou pedir a todos que sejam um pouco mais rápidos, porque os
Presidentes dos partidos têm que sair até as 17h25min. E eu vou ter
que encerrar a reunião às 17h20min ou 17h25min, no
máximo.
A
SRA. DEPUTADA RENATA ABREU -
Boa tarde a todos!
Queria
só falar com o nosso Relator, que falou que Taiwan tem 300 partidos,
mas só 4 com representação. Minha pergunta é: por que, no Brasil,
dos 32 partidos, 28 têm representação? Eu acho que é porque, no
fundo, a população acha que nenhum nos representa. Eu acho que isto
é natural do processo eleitoral: se houver 300 partidos, e a
população se sentir representada com 1, com 2 ou com 3, que sejam
esses.
Então,
quando nós falamos da questão da cláusula de barreira num sistema
eleitoral desigual, eu acho que nós estamos indo na contramão do
nosso povo. Eu queria falar disso porque, como aqui estão os
Presidentes do PSB, do PSD, do PCdoB, do PRB e do PDT, queria ter a
oportunidade de mostrar aos senhores outro ponto de
vista.
O
PTN é um partido histórico e, ao contrário do que a Tia Eron falou,
também é um que cresceram. Fizemos quatro Deputados Federais nessas
eleições. Mas por que, quando chegamos aqui, não temos direito a
funcionamento parlamentar? Que regra é essa? Foi o povo que nos
botou aqui!
Então,
eu acho que nós temos que tomar muito cuidado quando o nosso Relator
fala que um partido como o mico-leão-dourado consegue fazer 300 mil
votos em São Paulo, mesmo sem fundo partidário e sem tempo de
televisão. Eu acho errado que, ao chegar a esta Casa aqui, ele ainda
não tenha o direito de dar voz a esses 300 mil eleitores que o
trouxeram aqui.
Conseguir
aqui o voto do Deputado Joaquim Passarinho, do PSD, já é uma
evolução para garantir pelo menos um Deputado para a cláusula de
barreira. Então, como o Marcelinho falou, nós já estamos quase com o
voto da maioria. Vamos segurar isso lá.
Mas
eu queria só parabenizar o Carlos Lupi e o Marcos Pereira pelas
palavras. Gostei muito do que os senhores falaram. Eu acho que nós
temos que pensar qual o motivo real dessa reforma política. Há
realmente um desinteresse, um descrédito com relação à nossa
política, por atitudes, por comportamento. E isso não é só da classe
política, é do nosso povo. Enquanto não se educar, colocar valores e
melhorar a cultura da nossa população, vai ser muito difícil mudar
os quadros da nossa política.
Não
é só uma reforma política que vai solucionar os problemas do nosso
País. Então, eu acho que temos que ter muito cuidado para realmente
dar ao nosso povo facilidade na renovação de quadros. E dou a minha
sugestão de que sempre falo — mas eu acho que eu sou a única aqui —,
porque sempre penso no que eu gostaria para uma reforma política: eu
acho que é muito importante conhecer melhor os candidatos e também
garantir uma renovação política nesta Casa. É por isso que eu
defendo uma única reeleição também no Legislativo.
É
muito importante estimularmos as novas lideranças do País, para que
elas consigam entrar aqui. E se nós não criarmos efetivamente um
mecanismo que permita essa renovação, sempre vão continuar os mesmos
quadros, as mesmas pessoas. E eu acho muito importante essa
renovação.
Só
para terminar, tenho outra sugestão, Sr. Relator, se V.Exa. não
colocar a previsão do referendo: que a coloque, então, depois de
duas eleições, pois eu acho muito importante o referendo da
população. Eu concordo que, infelizmente, há desconhecimento. Até
aqui mesmo, quando você fala em distritão, as pessoas às vezes não
sabem direito o que é. Mas depois de um determinado período, eu acho
que a população tem de avaliar essa mudança. Então, preveja o
referendo sim.
Eu
defendo também a distribuição de sobras, como o PSD. Também
apresentei essa emenda. Vamos fazer essa união que eu acho muito
importante.
Muito
obrigada.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Muito bem.
Peço
que os Deputados colaborem com o tempo, porque algum pode não
conseguir falar por causa do horário de encerramento da
reunião.
Tem
a palavra o Deputado Orlando Silva.
O
SR. DEPUTADO ORLANDO SILVA -
Sr. Presidente, eu vou ser econômico nas palavras, porque concordo
com a maioria das falas dos Presidentes dos partidos,
particularmente do meu Presidente Renato
Rabelo.
Eu
queria fazer uma reflexão a partir da provocação feita pelo
Presidente Marcos Pereira, quando ele fala do açodamento no processo
de discussão da reforma política.
Eu
tenho a impressão, Deputado Marcelo Castro, que o açodamento não se
dá apenas na análise de 40 sessões desta Comissão Especial. Senão,
vejamos: nós, em 1988 — há poucos anos, 25 anos apenas —, aprovamos
uma nova Constituição no Brasil e, a partir da Constituição,
aprovamos uma lei dos partidos políticos em 1990, salvo engano. Se
nós observarmos, historicamente houve um período muito breve. Eu
tenho sustentado aqui que a democracia brasileira é uma democracia
recente, é uma democracia que exige um tempo maior de maturação, de
experimentação do seu sistema.
Quando
nós observamos democracias maduras na Europa e mesmo aqui na
América, Presidente Marcos Pereira e Renato, e nós nos regozijamos
com os modelos alcançados nesses países, verificamos que foram
modelos construídos ao longo de décadas e, em alguns casos, de
séculos. E no Brasil, foram 25 anos, que é o período mais largo de
vida democrática. De 1985 para cá é o período mais largo de vida
democrática da história do nosso País. Mas nós ficamos impacientes e
não nos damos o direito de, como Nação, experimentar de modo mais
aprofundado um modelo de sistema eleitoral e
partidário.
Portanto,
eu queria fazer esta consideração de que o açodamento não se trata
apenas das 40 sessões, de querer impor uma reforma política num
prazo exíguo de 40 sessões. E será gravíssimo se for feita a
avocação para o Plenário examinar, na ausência de um relatório da
Comissão. Isso seria mais uma violência à dinâmica interna desta
Casa.
Mas
eu considero que há, sim, um açodamento, porque nós deveríamos
aprofundar o nosso modelo. O sistema proporcional é relevante, pois
o Brasil tem no seu Parlamento a representação de todas as vozes. E
nós erramos ao querer calar alguma voz. Nós precisamos de um
Parlamento em que todos falem.
Por
isso, entre todos os temas, um deles é essencial: o problema da
cláusula de barreira, que o nosso Presidente Renato Rabelo pautou.
Eu considero que, entre todos os temas que estão na pauta, talvez
aqui nós tenhamos o tema mais grave, porque há uma restrição ao
pleno funcionamento partidário, violando o art. 2º e o art. 5º da
Constituição, que tratam dos fundamentos da República e dos direitos
fundamentais para a livre associação.
Portanto,
Sr. Presidente, eu considero que a nossa Comissão precisa refletir
sobre como encaminhar e o que encaminhar no sentido de ampliar a
democracia de participação e não de
restringi-la.
Muito
obrigado, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputada Moema Gramacho, eu peço que cumpra os 3
minutos, por favor.
A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Sr. Presidente, inicialmente, eu gostaria de cumprimentar todas as
representações partidárias e agradecer pelas contribuições
oferecidas.
Eu
queria, neste momento, solicitar a V.Exa. e ao nobre Relator que
dessem uma certa atenção ao documento que foi trazido pela nossa
Presidenta da União dos Municípios da Bahia, a nossa Prefeita
reeleita Maria Quitéria, da cidade de Cardeal da Silva, que tem
desempenhado um papel muito importante à frente da UPB.
Temos
aqui também o Prefeito Osni Cardoso, Prefeito de Serrinha e
Presidente também no CONSISAL, consórcio que reúne uma quantidade
bastante razoável de Municípios.
Nós
estivemos presentes, hoje pela manhã, numa reunião da CNM que
discutia a Marcha dos Prefeitos. E ficamos surpresos porque todas as
entidades estaduais que estiveram presentes têm uma posição
unificada em relação ao processo de prorrogação dos mandatos, que é
diferente da posição que foi aqui apresentada pela entidade
nacional.
Portanto,
acho que V.Exas. deveriam abrir uma exceção para que, numa próxima
audiência das estão sendo programadas, pudesse estar aqui a
representação das entidades estaduais. Não precisariam vir todas,
mas poderia vir a representação das entidades estaduais, para que
elas pudessem ser ouvidas, já que elas têm uma posição unânime em
relação à questão, que difere da entidade nacional.
Eu
acho que é importante que, além do documento, tenhamos a presença
das entidades estaduais, que representam os Municípios de todo o
nosso País, Municípios grandes, Municípios médios e Municípios
pequenos. Portanto, elas têm uma grande
representatividade.
Portanto,
eu gostaria de fazer este apelo a V.Exas.: que incluíssem as
entidades estaduais numa próxima audiência que viermos a realizar
aqui nesta Casa. Ficarei muito grata se assim for
possível.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputada Moema Gramacho, será um prazer receber a
Prefeita. Mas acho que o tema de prorrogação de mandato é um tema
superado inclusive no Supremo. Também acho que não podemos gerar a
expectativa aqui de coisas que não ocorrerão, porque, se hoje houver
a prorrogação de mandato de prefeito, amanhã entra aqui um
presidente forte, faz uma maioria aqui e prorroga o próprio
mandato.
Eu
acho que o Supremo — o Presidente do TSE já disse aqui — não vai
aceitar que uma tese destas prospere. Então, nós não podemos criar
expectativa em relação a coisas sobre as quais, eu acredito, há um
consenso neste Plenário e no Plenário da Casa de que não vão
ocorrer, como a prorrogação de nenhum mandato no nosso País. Se nós
não conseguimos prorrogar 1 dia de mandato ou 1 hora — veja que a
posse se dá o dia 1º de janeiro —, como é que vamos conseguir
prorrogar 2 anos?
É
uma tese sobre a qual é difícil criarmos expectativa, pelo menos do
meu ponto de vista. Pode ser que eu esteja errado. E é assim que eu
tenho feito no Rio de Janeiro com os Vereadores e Prefeitos que me
procuram.
A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Sr. Presidente, permita-me só uma colocação?
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Claro, com certeza.
A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Eles não têm só esse assunto a tratar. Têm
outros.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Eu sei que não. É por isso que eu estou dizendo:
contanto que eles entendam que esse tema específico é matéria
discutida.
A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Mas também para esse tema, eles têm
documentos.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Todo mundo tem, de forma democrática, direito a
falar o que quiser numa audiência pública. Só estou querendo deixar
claro aqui que não é posição do Plenário e muito menos do Supremo
acatar uma sugestão dessas. Só quero que isso fique claro.
Não
digo que não se possa discutir nem que alguém não possa colocar uma
emenda e tentar aprová-la aqui, pois também é uma decisão da
maioria.
A
SRA. DEPUTADA MOEMA GRAMACHO -
Eles também estão buscando informações de outros juristas e
pareceres outros.
(Não
identificado) -
É questão constitucional.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Vinicius
Carvalho.
O
SR. DEPUTADO VINICIUS CARVALHO -
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, antes de tudo, eu gostaria
de parabenizar todos os convidados e cumprimentá-los na pessoa do
nosso Presidente do PRB, Marcos Pereira.
Vou
ser bem objetivo, Sr. Presidente e Sr. Relator Marcelo Castro. Como
o Deputado Daniel Almeida colocou, nós temos falado muito a respeito
de lista fechada, fim das coligações, cláusula de desempenho, tempo
de filiação. Porém, Deputado Marcelo Castro e Presidente Rodrigo
Maia, como eu sempre tenho falado, o tema central, pela minha
análise, teria que ser financiamento de campanha. A meu ver,
teríamos que partir desse pressuposto. Por quê? Porque não adianta
fazermos nenhum outro tipo de ajuste, se não houver uma distribuição
equânime entre os candidatos que se colocarão à disputa pela
população. Não adianta colocar outra forma. Enquanto partidos
estiverem sendo privilegiados com fundos partidários — esses
astronômicos —, em detrimento dos partidos menores e dos outros
candidatos, então, não teremos ali uma igualdade de
disputa.
Eu
faço uma sugestão a V.Exa., Deputado Marcelo Castro, porque tenho
analisado inclusive a questão do financiamento. Nós somos, como o
nosso partido, o PRB, contrários ao financiamento pública de
campanha. Porém, não podemos esquecer ou impedir que tanto pessoas
físicas quanto pessoas jurídicas queiram participar do processo,
patrocinando a campanha de quem acreditem ser o seu
representante.
Faço
esta sugestão a V.Exa., para poder aqui encerrar a minha
participação: no caso de financiamento privado, pessoa física ou
jurídica, quem estiver disposto a fazer a doação, automaticamente —
por força de lei, logicamente — estará abrindo o seu sigilo fiscal e
financeiro para todos os órgãos de fiscalização federais, em caso de
suspeita ou indício de desvio de procedimento ou de conduta. Quem
quiser fazer a doação, pessoa física ou jurídica, que o
faça.
Depois,
se V.Exa. quiser ouvir mais sobre isso em tempo oportuno, eu poderei
apresentar a V.Exa. essa sugestão, para poder dar um outro viés no
tocante à questão.
É
essa a participação que deixo aqui, parabenizando todos os presentes
e agradecendo-lhes por virem a esta Comissão.
Obrigado.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Muito bem.
Quero
agradecer a cada um dos Presidentes. Alguém quer fazer um último
comentário? (Pausa.)
Com
a palavra o Sr. Guilherme Campos.
O
SR. GUILHERME CAMPOS
- Sr. Presidente Rodrigo Maia, Srs. Presidentes dos partidos,
Presidente Carlos Lupi, o mais animado da reunião, só quero
complementar o nosso posicionamento, Relator Marcelo Castro, na
questão do método eleitoral a ser adotado e defendido pelo partido.
É aquele que está inclusive na PEC: nós defendemos o proporcional,
com dois ajustes.
Todo
mundo sabe que há a tal da sobra. Agora, eu desafio qualquer um aqui
a rapidamente explicar como é que funciona a conta da sobra. Eu
desafio que alguém o faça aqui rapidamente. É lógico, é razoável,
mas é duro de explicar.
Então,
nós defendemos que aqueles que ficam na sobra deveriam ser
escolhidos pelo critério do mais votado. Então, seria o mais votado
na sobra, para darmos uma balizada em partidos que não consigam o
quociente eleitoral, para candidatos que tenham uma
representatividade de voto muito expressiva e para que haja a
oportunidade de se complementarem os eleitos de uma maneira mais
transparente.
Então,
ficaria: proporcional; na sobra, o mais votado; e uma cláusula de
desempenho mínimo de cada Deputado, um percentual de 10%, 15% ou
20%, a ser definido pela Comissão.
(Não
identificado) -
Seria um percentual do quociente eleitoral?
O
SR. GUILHERME CAMPOS
- Do quociente eleitoral daquela disputa de Vereadores,
Deputados.
Era
essa a complementação que nós gostaríamos de fazer, Relator Marcelo
Castro.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Agradeço a presença dos Presidentes Carlos Siqueira,
Carlos Lupi, Renato Rabelo, Marcos Pereira e meu amigo Guilherme
Campos.
Está
encerrada a nossa audiência.