DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
TEXTO
SEM REVISÃO
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COMISSÃO
ESPECIAL - PEC 182/07 - REFORMA
POLÍTICA |
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EVENTO:
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REUNIÃO
Nº: 0041/15 |
DATA:
05/03/2015 |
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LOCAL:
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INÍCIO:
09h46min |
TÉRMINO:
14h30min |
PÁGINAS:
116 |
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DEPOENTE/CONVIDADO
- QUALIFICAÇÃO |
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu quero declarar aberta a 5ª Reunião da
Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda
Constitucional nº 182 — mudou agora —, de 2007, do Senado Federal e
apensadas da reforma política. Esses apensados, me informa aqui a
secretaria, já são em torno de 107 PECs. Então, V.Exas. imaginem...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Com as emendas? (Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Sem contar as emendas! As emendas, até
agora, são poucas, mas eu espero até segunda-feira a gente vá receber aqui
uma profusão de emendas. Mas esse é o nosso trabalho, a que nos
propusemos, e vamos ver se a gente dá bom termo.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Mas o prazo mesmo é até quando? (Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O prazo são 40 sessões regimentais. Isso é
uma coisa que eu gostaria de esclarecer aqui à Comissão, porque eu já fui
alertado pelo Presidente Eduardo Cunha, que não prorrogará este prazo e
que se nós ultrapassarmos as 40 sessões regimentais ele avocará, sem nós
termos votado, sem nós termos decidido, para o Plenário decidir — como já
fez com a PEC à qual estamos fazendo parecer. E quando ele me fez essa
“ameaça velada”, eu respondi de dedo em riste: “Não lhe darei esse prazer”. (Risos.)
Então, quando eu digo aqui que nós estamos em ritmo de frevo, nós
temos que nos aprofundar ao máximo. Estamos fazendo sessões às
terças-feiras pela manhã, às terças à tarde, às quintas pela manhã e
seminário todas as sextas-feiras. Ou seja, nós estamos aqui numa
verdadeira imersão, com dedicação praticamente exclusiva ao tema reforma
política, porque é um tema profundo, com muitas implicações,
importantíssimo para o nosso País, e nós temos que tratá-lo com a devida
seriedade, com a devida profundidade, mas nós temos um prazo a ser
cumprido. Então, vamos fazer tudo para não comprometer o conteúdo; agora,
que nós temos que chegar ao final do prazo com nossa tarefa aqui cumprida,
isso nós temos.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - A entrega das emendas? (Intervenção fora do microfone.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - A entrega das emendas é até terça-feira...
Segunda-feira, Regina?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - São dez sessões ordinárias. (Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São dez sessões ordinárias, e me parece
que esse prazo expira até segunda-feira. Até segunda-feira, o prazo está
aberto.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Se houver sessão. (Intervenção fora do microfone.)
(Intervenções simultâneas ininteligíveis.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois é, mas segunda-feira pode haver
sessão. Se houver sessão, conta prazo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - São dez sessões ordinárias? (Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São dez sessões
ordinárias.
(Intervenções simultâneas ininteligíveis.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Ou é segunda, ou é terça-feira. Então, por
precaução, seria bom trabalhar para apresentar
segunda-feira.
Avisos: informo aos Srs. Deputados que a Presidência da Casa criou
a Comissão Especial destinada a efetuar estudo e apresentar proposta com
relação a matérias infraconstitucionais da reforma política, o que era um
desejo de todos nós. Porque, legalmente, nós estávamos limitados a dar
parecer sobre as PECs, só isso. Então, qualquer matéria que nós
julgássemos importante que fosse infraconstitucional nós só teríamos dois
caminhos: ou a tornaríamos PEC, ou não trataríamos do assunto.
Mas, aí, ontem, foi lido no Plenário que o Presidente Eduardo Cunha
criou uma nova Comissão, está pedindo aos Líderes — “Eu peço a V.Exa. que peça aos Líderes
de V.Exa. para indicarem os mesmos membros”. Ficaria a mesma Comissão,
com o mesmo Presidente, com o mesmo Relator, para a gente poder fazer um
trabalho cinético, coordenado. Aquilo que fosse matéria de PEC iria na
PEC; o que fosse infraconstitucional iria num projeto de lei — feito pelas
mesmas mãos, para não haver divergência, não haver
discordância.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É possível que alguma liderança partidária resolva indicar
outra pessoa. É um direito. Então, já fica aqui o antídoto: só faça
reuniões conjuntas.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Tudo bem.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputada
Erundina.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Eu não me lembro do que estava no plano de trabalho, mas
estavam previstos também seminários, audiências públicas em outros
Estados. Isso está mantido?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Está mantido.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - E é possível dentro desse prazo?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É possível dentro desse
prazo.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Como é que está essa programação?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Nós já temos agora, sexta-feira, seminário no
Ceará; na sexta-feira seguinte, no Maranhão; na outra sexta-feira, em
Curitiba, no Paraná; depois, no sábado, em Campo Grande, no Mato Grosso do
Sul e; na outra sexta-feira, no Goiás. Há pedidos para o Espírito Santo,
para Sergipe, para São Paulo e acho que também para o Rio Grande do Sul.
Então, toda sexta-feira, nós vamos fazer esses seminários. Agora, nada
impede que alguém, membro da Comissão, possa fazer seminários nos seus
Estados e trazer aqui para nós o resultado dos seminários, com suas
sugestões. Nesse caso, ele será o coordenador do seminário. Agora, como
nós temos atividades aqui, nas terças-feiras e nas quintas-feiras, eu
estou reservando as sextas-feiras ao meu querido Piauí — será numa
segunda-feira, nesta próxima agora. (Risos.)
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Sim, Deputada.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Eu pediria que a Secretaria nos fornecesse esse cronograma
dos seminários nos Estados.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Tudo bem.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Obrigada.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Outro aviso aqui: a PEC 344, de 2013, foi
apensada à PEC 182, de 2007, do Senado Federal, que passa a ser a PEC
principal desta Comissão.
Informo ainda que determinei que, a partir da próxima reunião, o
painel seja aberto para registrar a presença com 30 minutos antes do
horário marcado para a reunião, exceto naquelas marcadas para as 9 horas
ou quando houver outra Comissão reunida nesse
período.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Sr. Presidente, por gentileza.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputado Veneziano.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Se V.Exa. puder, como de costume, dar conhecimento a
todos os integrantes do teor, em detalhe, da PEC 182, até para que nós
possamos nos debruçar sobre ela, porque, se ficar mudando de uma para
outra, você termina sem saber o teor específico.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Com certeza.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Se puder chegar às nossas mãos
ainda...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São cento...
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Não, esta, porque V.Exa. está dizendo que nós vamos
ter como bússola a PEC 181; a partilha vai ser a PEC
182.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É porque ela é a mais
antiga.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Pois bem.
O SR. PRESIDENTE
(Marcelo Castro) - Mas a que nós vamos ter como bússola é a PEC 352, a
famosa PEC Vaccarezza, que hoje vai ser apresentada aqui pelo ilustre e
distinto Deputado Esperidião Amin. Eu participarei também dessa
apresentação, porque nós fizemos parte desse Grupo de Trabalho que
produziu a PEC Vaccarezza.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Então eu renovo o pedido ao querido Relator e ao
próprio Deputado Esperidião Amin para que façam chegar ao nosso
conhecimento, em seu pleno teor, a PEC 352.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não.
Então, os Deputados Esperidião Amin e eu vamos apresentar hoje aqui
a PEC 352. O Deputado Esperidião Amin foi o Relator neste Grupo de
Trabalho. Ele já tem isso produzido em Power Point e em transparências,
bem organizadas, e fala sobre os assuntos. Quanto a essa PEC aqui, eu
quero antecipar que há um certo preconceito; foi divulgado como se fosse
uma PEC retrógrada...
(Não identificado) - Do
mal.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Do mal. Então, eu peço a V.Exas. que a
recebam com espíritos desarmados, evidentemente, com críticas, que devem
ser feitas, porque não há trabalho perfeito. Nem estou defendendo a
perfeição dessa PEC, pelo contrário, minhas ideias estão naquela cartilha
que eu distribuí, mas não na PEC Vaccarezza. Essa PEC foi produzida por
vários Parlamentares, como os Deputados Erundina, Esperidião Amin e eu,
dos que aqui estão presentes.
Vamos passar a palavra ao Deputado Esperidião Amin para fazer a
explanação da PEC Vaccarezza.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Sim, estou ocupando aqui a Presidência
temporariamente, aguardando a presença do nosso Presidente Rodrigo Maia. E
aqui também não está presente nenhum dos Vice-Presidentes, os Deputados
Rubens Otoni, Marcus Pestana e o outro... Também não
está.
O SR. DEPUTADO BALEIA ROSSI - Sr.
Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputado Baleia
Rossi.
O SR. DEPUTADO BALEIA ROSSI
- Enquanto o Deputado se prepara para fazer a sua explanação, gostaria
de expressar minha alegria de ter sido indicado ontem pelo Líder do PMDB
para fazer parte desta Comissão
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É um prazer para todos
nós.
O SR. DEPUTADO BALEIA ROSSI
- E gostaria de reafirmar um convite e um pedido para uma data para
São Paulo. Nós estávamos numa conversa informal aqui entre os Deputados de
São Paulo e reafirmo o convite que nós fizemos ontem e a sua sugestão de
fazermos um grande encontro na Assembleia Legislativa, com a participação
de todos os Deputados de São Paulo, inclusive estaduais, para podermos
levar esse debate para São Paulo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Com certeza. Inclusive já há um pedido
oficial do Deputado Capitão Augusto.
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
Deputado, regimentalmente 15 minutos, mas eu acho que a relevância
é tão grande, que nós teremos a tolerância devida para V.Exa. ter o prazo
necessário para explanar.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Prezadas Deputadas, prezados Deputados e demais cidadãos que
estão prestigiando esta reunião, eu tenho só uma observação a fazer. Eu
acho que nós temos que inovar, daqui para frente, em matéria de
tempo.
Primeira regra: começar com, no máximo, 10 minutos de tolerância em
relação ao horário programado. Chegou atrasado, paciência, pode ser até
justificável. Mas não é justo com quem chega na hora. Essa é uma regra de
bom costume, que eu acho que nós deveríamos cultuar e praticar se
possível. Eu vou procurar me cingir ao tempo
determinado.
O que eu quero dizer preliminarmente? Nós estamos numa longa
corrida de revezamento. Nós somos a Estação 55. Nem todos os que estão no
trem da Estação 55 estarão na Estação 56 — 55 é o número da nossa
Legislatura —, nem estivemos na Estação 54, e muito menos no grupo de
trabalho ou Comissão — seja qual for o nome — quer tratou desse assunto.
Esse assunto sempre tem uma Comissão ou um grupo de trabalho tratando. E
nunca se chega a um termo.
Não vou fazer o histórico das tentativas, mas quem participou da
chegada à Estação 53, quem viajou da 51 para a 52 sabe que não faltaram
tentativas bem-intencionadas, mas sem resolutividade. E democracia sem
resolutividade geralmente não tem a vida tão longa quanto a gente
desejaria.
(Trecho de falha no áudio:
de 3:41 até 4:10)
... grupo de trabalho. Por que nós criamos, por que o Presidente
Henrique Eduardo Alves criou esse grupo de trabalho? Por que nós
desenvolvemos, no começo da Legislatura anterior, através de uma Comissão
idêntica a essa, amplo estudo com dezenas de visitas pelo Brasil afora,
dezenas de visitas, inclusive ao meu Estado, com audiência da CNBB, com
audiência da OAB. Esse filme não aconteceu só em 2011. Esse filme já
aconteceu em outras ocasiões e é bom que ele aconteça e se renove. Não é
nenhuma crítica. Mas ele não pode ser motivo para que não se
delibere.
Então, foi criado um grupo de trabalho porque a Comissão de Reforma
Política não conseguiu deliberar. E não foi por falta de aplicação do
Deputado Almeida Lima, nem por falta de esforço — e eu quero aqui
assinalar —, um esforço denodado, inteligente do Deputado Henrique
Fontana. Não foi por falta. Foi porque esse assunto tem, primeiro, a lei
da inércia — não mudar — contra ele. Segundo, há os interesses
partidários, que são legítimos, os interesses particulares e pessoais, que
também são legítimos, dos atuais detentores de mandato, que comparam o
quadro que se quer desenhar com a sua situação. E finalmente temos os
modismos, muitos deles determinados pelo sentimento popular do
momento.
Então, criou-se esse grupo de trabalho, foi o grupo talvez mais
resolutivo, porque deliberou. O Marcelo Castro sabe disso. Eu fui
derrotado em vários tópicos. Ele também o foi. Mas se chegou a um
denominador, que é o texto da 352. Findo o prazo, que foi estimulado pelo
quê? Pelo movimento das ruas de junho de 2013. Qual era o principal bordão
nas ruas em 2013, além do combate à corrupção, da reclamação pela
deficiência dos serviços públicos, especialmente transporte coletivo, mas
não só ele, também saúde, educação, segurança? Foi um bordão que tem que
ficar aqui todo dia no nosso ouvido: “Você não me representa”. Eu me
lembro disso. Ou seja, você está exercendo um mandato sem ter tido votos,
ou voto suficiente, ou tantos votos quanto outros que não são Deputados
porque não alcançaram quociente eleitoral, ou porque a coligação ou um
candidato que puxa voto levou 4 ou 5 junto com ele. Eu não vou mencionar
nomes, mas todo mundo sabe do que estou falando. Ou porque o suplente de
Senador normalmente é desconhecido. “Você não me
representa”.
Então, esses 16 tópicos que vou apresentar aos senhores e às
senhoras resumem a 352. Deputado Graziano, eu não
vou...
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
Veneziano. Veneziano e
gran
signore.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Veneziano. Inclusive há uma...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deixe-me dizer-lhe: Veneza é a mais importante província do
Vêneto, de onde eu sou oriundo por parte de mãe. Veneziani — os venezianos — são
grandes senhores.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Que bom! Deixe-me dizer da alegria e da honra de poder
vê-lo e ouvi-lo, até porque uma figura muito importante, a mais importante
em minha vida, foi o seu colega, Deputado Antônio Vital do Rêgo, in memoriam.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É um grande amigo.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Por isso me honra muito estar neste mesmo ambiente, a
ouvi-lo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só quero dizer que, no meu Estado, nós temos Nova Veneza, que é
em sua homenagem também.
Mas o Deputado Veneziano há pouco pediu detalhes sobre o projeto.
Aqui ele está resumido. São dezesseis. Ninguém pode ter a pretensão de
aprovar os 16 tópicos. E o meu partido, por exemplo, não quer discutir os
16 tópicos. O meu partido selecionou 5 tópicos para debater e, se
possível, aprovar: primeiro, coincidência de eleições; segundo, não
reeleição para cargos executivos; distritão como sistema eleitoral — é a
posição do meu partido; não é exatamente a minha, mas é a do meu partido
—; financiamento eleitoral a ser decidido pelo Congresso e não pelo
Judiciário, mas decidido — sem decisão, outros decidirão por nós —; e
cláusula de barreira ou de desempenho partidário ou de desempenho
individual, com proibição de coligação nas eleições
proporcionais.
Isso é o que um partido preferiu. Agora nós vamos ver os 16 tópicos
que fazem parte. Essa é a ementa — eu vou ficar do lado de cá. E esse aqui
é o resumo. O que é a PEC? São 16 tópicos. Primeiro, não pela importância,
mas pela ordem de apresentação: torna facultativo o voto. Foi decidido,
foi aprovado por maioria simples no grupo de trabalho. Você pode aprovar
ou não aprovar, agora, cá para nós, isso não é
inconstitucional.
E essa PEC ficou 14 meses e 16 dias obstruída na Comissão
de Constituição e Justiça para que não se votasse sobre a sua
admissibilidade. Veja bem, o parecer que eu apresentei como Relator na
Comissão de Constituição e Justiça foi assinado no dia 19 de novembro.
Cheguei a fazer uma modificação em alguns tópicos para buscar um acordo
para votação da admissibilidade. Não consegui. Isso foi no dia 19 de
novembro de 2013. No dia 4 de fevereiro de 2015, depois de 14 meses e 16
dias, o Deputado Eduardo Cunha — eu aplaudo sua decisão — avocou para o
Plenário e foi aprovada a admissibilidade.
Nós temos a raríssima oportunidade de, no começo de uma nova
Legislatura, ter um documento para criticar, para malhar, para consertar,
mas, acima de tudo, a nossa obrigação é deliberar. Esse é o primeiro
tópico.
O segundo é unificar, em 6 meses, o prazo mínimo de filiação
partidária como condição de elegibilidade. É a criação de uma janela. Você
tem que ser fiel ao seu partido até 6 meses antes da eleição, até 6 meses
antes da eleição, até o momento da convenção.
Como o Autor dessa proposta foi o então membro do grupo de trabalho
Marcelo Castro, eu vou me abster de defendê-la. Está na hora de ele
defender as criaturas dele.
Proibir a reeleição. E é doído você escutar pelo Brasil afora,
ignorar que a PEC propõe isso. Eu já recebi dezenas de mensagens de
pessoas instruídas que dizem: “Você
não tem nada que ficar discutindo sobre esse assunto. Você tem é que
proibir a reeleição”, mas isso consta da PEC. Proíbe a reeleição para
cargos executivos nos três níveis.
Quatro. Condiciona a formação de coligações para a disputa de
eleições proporcionais à decisão dos respectivos partidos em nível
nacional de constituir federação, ou seja, pode constituir uma federação
partidária com prazo para sua existência, mas essa federação obedece a
certos preceitos que a tornam mais estáveis.
Alterar a exigência de apoiamento mínimo de eleitores para o
registro de partidos políticos, permitindo ainda que se possa substituí-lo
por 5% dos Deputados Federais. Nós agora votamos um projeto de lei de
autoria do Deputado Mendonça Filho que altera isso, que aborda inclusive a
questão de fusão do partido, mas esse texto, eu repito, é de
2013.
Seis. Estabelecer critérios para o direito dos partidos políticos
ao fundo partidário e para o acesso gratuito ao rádio e à televisão em
função de votos por eles obtidos. Também já foi alterado por lei ordinária
dispondo que não há mais a transferência do Deputado com fundo partidário,
tempo de rádio e de televisão para um partido novo criado, como aconteceu
na Legislatura anterior.
Instituir cláusula de barreira para o funcionamento parlamentar dos
partidos políticos nas Casas legislativas consistente na obtenção de pelo
menos 5% dos votos apurados para cada uma delas, não computados os em
branco e nulos. Só advirto que não é 5% na primeira eleição. Essa
exigência começa na primeira eleição geral com 3%, na segunda com 4% e
estaciona em 5% na terceira eleição posterior a
adoção deste dispositivo.
“Estabelecer o financiamento das campanhas eleitorais, conforme
decidido pelo órgão partidário competente, por meio de recursos privados,
de recursos públicos ou da combinação de ambas as
formas.”
Nesta apresentação está faltando o asterisco. Quando se procurava
uma solução, eu ofereci a possibilidade de se retirar da PEC tudo que
versasse sobre financiamento de campanha. Para quê? Para que não ficasse a
impressão que foi amplamente divulgada de que a PEC pretendia
constitucionalizar algo que o Supremo está decidindo. Refiro-me ao
financiamento por pessoa jurídica.
A OAB tem uma Ação Direta de Inconstitucionalidade a respeito do
assunto. Já existem 6 votos, se não me engano. São
7?
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
Então, é o 8º voto que está com pedido de
vista?
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Então, é o 7º voto que está com pedido de vista — retificaram-me, aqui, os
Deputados Zarattini e Luiza Erundina, e eu agradeço —, só que essa ação é
posterior a essa discussão aqui. Quando esse assunto foi debatido, a ação
judicial nem era momentosa, nem estava considerada como tal. Mas esse é um
tema relevante.
Eu posso antecipar que a minha posição pessoal é a favor dessa
inclinação do Supremo, mas o que eu acho pior é nós não deliberarmos sobre
o assunto e esperarmos que o Supremo legisle a respeito
dele.
Na minha apresentação, tinha que haver o asterisco, porque eu
ressalvo, sempre, as questões que foram alteradas, no segundo relatório
que eu fiz, e, como não houve um acordo, voltou o texto original. Mas, eu
repito, eu apresentei um segundo relatório, tendo combinado isto com o
Deputado Vaccarezza: vamos retirar tudo que disser respeito a
financiamento de campanha, para ver se nós conseguimos fazer com que essa
deliberação de admissibilidade aconteça. Nem assim conseguimos, e a causa
continuou sendo um texto que já não estava mais no
relatório.
Aqui, já há um asterisco:
“Fixar diretrizes a serem observadas, pela lei, para as doações de
pessoas jurídicas para as campanhas eleitorais.”
Isso entrou no grupo de trabalho, saiu, no meu 2º relatório, e
voltou, quando não houve um acordo e a matéria foi avocada pelo Plenário,
mas eu faço questão de assinalar que, se nós não deliberarmos a respeito
disso, o Supremo, num prazo que a gente não sabe qual é, deliberará.
Entendo, porém, e insisto que é competência e responsabilidade do
Congresso Nacional decidir sobre esse assunto.
“Condicionar a arrecadação de recursos e os gastos de campanha à
fixação, em lei” — a cada eleição — “de limites
(...)”
Sem a fixação da lei, é proibida a doação. Ou seja, há uma cláusula
suspensiva.
O Deputado Marcelo Castro também ajudou a escrever esse texto,
razão pela qual eu vou deixar de detalhar a
explicação.
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Não, hoje é o limite do doador... Esse é o limite da percepção, da
arrecadação, do quanto que você pode gastar. Hoje, ele é fixado,
arbitrariamente, por cada um.
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Trata-se do valor da contribuição e do valor de quanto você pode receber,
dos dois.
Esse aqui é o foco 2.
O valor da contribuição nós já temos. Agora, o valor de quanto seu
partido pode arbitrar como sendo...
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Não, mas isso aqui é em valores absolutos e percentuais, os dois. Na
primeira, é só o percentual — o quanto da sua receita, o quanto do seu
faturamento.
“Estabelecer critérios para divisão dos Estados e do Distrito
Federal em circunscrições destinadas a preencher de quatro a sete lugares
na Câmara dos Deputados, as quais serão as mesmas para as eleições dos
Deputados Estaduais”.
Vou me deter um pouquinho mais nesse ponto. No Movimento Não me
representa, havia a seguinte advertência... Isso também gera impacto no
custo da campanha.
O que é distritão? Em Roraima, deve haver um eleitorado de 300 mil
ou 350 mil eleitores, menos de 400 mil eleitores. Em São Paulo, nós temos
33, 34 milhões de eleitores. Distritão significa o seguinte, em São Paulo,
elegem os 70 Deputados Federais mais votados. Não há carona. Se eu fiz 1
milhão de votos, fiz para mim. Se o povo votou no cidadão fulano de tal,
isso não significa uma autorização para que eu leve mais quatro ou cinco
Deputados comigo. Esse é o sentido do distritão.
O que é o projeto das circunscrições? Esse projeto foi apresentado
aqui por um Deputado do PSDB, que faz parte da Comissão, o Deputado Marcus
Pestana. Você divide o Estado em subdistritões. São Paulo, por exemplo,
tem quatorze distritões, e os cinco mais votados são Deputados. Não há
carona. De quatro a sete Deputados seriam eleitos Deputados Federais em
cada subdistritão. É difícil criar o subdistritão, seja no Rio Grande do
Sul, seja em Santa Catarina. Nós teríamos quatro subdistritões em Santa
Catarina, cada um elegeria quatro Deputados, perfazendo os dezesseis.
Vocês imaginem como será fácil criar os distritos eleitorais! Se é difícil
dividir por quatro, imaginem dividir por dezesseis. Imaginem dizer que até
o número 70 da rua tal é o distrito tal, e do 72 em diante é o distrito
‘x’. O distritão seria um bom exercício para um dia se pensar em se chegar
ao distrito. Em São Paulo, seriam, no máximo, quatorze distritões, podendo
ser até dez distritões apenas, elegendo sete Deputados em cada distritão.
Sempre os 7 mais votados. Eu me estendi um pouquinho mais, porque é o que
eu prefiro.
“Definir o Município como circunscrição”. Ou seja, no Município,
não há divisão. Pode ser São Paulo, pode ser Oeiras, o Município é o
distritão.
“Estabelecer cláusula de barreira individual para as eleições
proporcionais”. Quer dizer, se o quinto do meu distritão não fizer 10% do
quociente, ele também não conseguiu chegar à cláusula de barreira. Nesse
caso, são a barreira partidária e a barreira
individual.
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É um caso a se resolver. Vamos resolvê-lo depois. Há o
dispositivo próprio.
“Remeter para lei ordinária a organização e a competência da
Justiça Eleitoral, matéria para qual a Constituição exige lei
complementar, criando um paradoxo em relação ao Código Eleitoral. Enquanto
os temas relativos ao Direito Eleitoral foram recepcionados como lei
ordinária, as disposições sobre a organização e a competência daquela
Justiça Especializada foram recepcionadas como lei complementar. A par de
ter solucionado essa questão, propõe-se um núcleo básico de competências
para a própria Lei Maior”. Há uma assimetria nas disposições dessas duas
questões.
“Inserir regras de transição para o direito a recursos do fundo
partidário, acesso gratuito ao rádio e à televisão e ao funcionamento
parlamentar. Explico que sempre se remete ao dispositivo legal do tópico
que eu destaquei aqui. Então, a resposta à pergunta sobre o que se faz
está no art. 45, § 6º, citado na PEC 352. Poderemos abordá-lo se a
pergunta voltar.
Eu quero me cingir ao meu tempo. Esta é a exposição do texto da PEC
352, que foi a proposta de emenda à Constituição que, devidamente
destravada, ensejou a criação da Comissão. Agora é que nós vamos começar a
trabalhar. Na corrida de revezamento, eu tenho a grande satisfação de
poder criticar o trabalho do novo Relator, porque já apanhei bastante.
Como é psiquiatra, ele sabe até distinguir as agressões involuntárias
daquelas premeditadas, reiteradas e talvez até fruto de alguma perversão.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Quero parabenizar o nosso sempre brilhante
Deputado Esperidião Amin.
O nosso Presidente se encontra aqui, mas tem outros compromissos e
não quis assumir a Presidência.
Eu também vou falar um pouco aqui sobre a PEC Vaccarezza,
acentuando alguns aspectos. O prazo de filiação de 6 meses funciona assim:
hoje, para uma pessoa concorrer a um cargo eletivo, precisa estar filiada
ao partido 1 ano antes da eleição, a não ser que seja do Ministério
Público, seja um magistrado ou seja um policial. O nosso capitão aqui está
liberado dessa exigência de 1 ano. Nesse caso, o prazo é de 6
meses.
Na Comissão, nós achamos que esse prazo é uma coisa antiga, do
tempo da Revolução, e o melhor seria igualar todos os brasileiros e
reduzir o prazo para 6 meses como condição de elegibilidade. Ou seja, a
pessoa que não é filiada, filiando-se 6 meses antes do pleito, pode se
candidatar naquela eleição.
(Segue-se exibição de
imagens.)
(Não identificado) - É
uma janela que se abre.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não, esse não é o caso. Há um outro
aspecto, que é a janela, na qual você teria o prazo de 1 mês para mudar de
partido. Mas não é isso aqui, apenas coincide.
Outro aspecto que eu gostaria de falar é essa questão das
federações e das coligações. O que foi que nós aprovamos na PEC 352? Que
os partidos são livres para se coligarem e não há necessidade de
correspondência de coligações nacionais, estaduais e municipais. Elas são
inteiramente livres.
Mas, só para Deputado Federal, os partidos que quiserem formarão
uma federação nacional. Nos Estados, para a eleição de Deputado Federal,
ou essa federação permanece, ou se divide, ou alguém vai separado, mas
eles não podem se coligar com outra federação. Então, suponhamos que os
partidos A, B, C e D constituam uma federação nacional. Lá no Estado do
Piauí, os partidos A, B, C e D podem repetir essa coligação nacional, essa
federação, ou podem se dividir dois a dois, ou três dentro e um fora, ou
não fazer coligação nenhuma e cada um ir independente. Por quê? Porque tem
que manter a lógica nacional, a coerência nacional. Aquele Parlamentar que
foi eleito em qualquer Estado do Brasil, quando chegar aqui à Câmara dos
Deputados, terá que estar dentro daquela federação. Então, ele não pode
ser eleito por outra federação. Ele tem que ser eleito por
ela,
ou
individualmente ou coligado entre si. Ficou claro isso
aí?
(Não identificado) -
Nacional?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - A
Nacional que faz a Federação Nacional. Quem são os partidos? Qual é a
diferença da Federação?
(Não
identificado)
- O lado complicador seria esse: haveria uma rebeldia nos Estados não
acomodatícios — digamos assim.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Mas qual
a alternativa que fica do Estado? Por exemplo, no Rio Grande do Sul, o seu
Estado? Se os partidos “a”, “b”, “c” e “d” construíram uma federação, lá,
no Rio Grande do Sul, ou eles vão os quatro juntos ou eles vão todos
separados ou eles coligam de 3 a 3 ou de 2 a 2. Mas não tem como eles
ficarem de fora dessa lógica.
Porque, mesmo que eles se elejam... Suponhamos que o partido “a”,
no Rio Grande do Sul, diga: “Eu não quero fazer essa coligação. Eu vou
sozinho.” Ele vai sozinho. Ele não pode fazer outra coligação. Ele só pode
fazer dentro daquele complexo ali.
Ele disputou sozinho, mandou para cá dois Deputados. Quando esses
Deputados chegarem aqui, eles
não serão Deputados independentes.
Eles vão fazer parte desse Bloco Parlamentar constituído pelo
partido “a”, “b”, “c” e “d”.
Então, qual é a diferença básica entre federação e coligação?
A Federação é feita antes da eleição e permanece por todo o período
legislativo subsequente. Então é um Bloco Parlamentar que vai funcionar
durante os 4 anos. Ele foi eleito. Na verdade, é uma maneira.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - Como funcionaria para as eleições Municipais,
Vereador?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Não. Os
Vereadores são liberados.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - Liberados?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Outra
coisa que eu gostaria de falar aqui e de enfatizar um pouco é sobre a
questão do financiamento. Isso aqui é uma questão complicada. Mas eu acho
que o projeto aqui, embora ele seja demonizado exatamente na questão do
financiamento, ele foi bastante equilibrado, na minha lógica e
inteligente.
O que diz aqui o financiamento? Diz que os partidos políticos, as
suas direções partidárias poderão definir se aquele partido vai fazer uma
eleição com recurso público exclusivo, com recurso privado exclusivo,
podendo ser doações de empresas e de pessoas físicas, ou se ele vai optar
pra fazer uma campanha com recursos mistos. Então, cada partido vai
definir.
Isso está na Constituição, mas é remetido para a lei. A lei
regulamentará as doações de pessoas jurídicas para as campanhas
eleitorais, observado o seguinte: Não pode haver doação de empresa para
candidatos, só para partidos
políticos. Então, vai tirar aquela suspeição de que a empresa tal ajudou o
candidato “a” e esse candidato “a” está trabalhando em função da empresa
que ajudou a financiar a sua campanha. A ideia é que
...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Isso nunca foi mencionado por quem atacava o
projeto.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Então, a empresa que tem uma simpatia por
determinado tipo de partido, que defende determinada causa que vai ao
encontro dos interesses daquela empresa, doará aquele
partido.
Eu foi estabelecer.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Neste caso, Relator, uma breve pergunta. Neste caso, o partido
constituirá um fundo único que vai subdividir provavelmente os recursos
entre os diversos candidatos de maneira igualitária.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Os partidos deverão definir critérios para
distribuição interna dos recursos, até o término do prazo da definição das
candidaturas.
Então, cada partido vai dizer como é que vai ser. Deixa-me
concluir, pode esclarecer.
No § 7º está dito: os partidos e candidatos somente poderão
arrecadar
recursos, como disse o Deputado Esperidião Amin, e efetuar gastos de
campanha, após a fixação, em lei, de limites para.
Então, o partido só vai poder arrecadar e gastar depois que estiver
aprovada a lei, que vai estabelecer limites para aquela eleição. Primeiro,
as doações de pessoas físicas e jurídicas em valores absolutos e
relativos.
Porque, hoje, como é que é? A pessoa física tem um limite de doação
de até 10% do que ela ganhou no ano anterior, na sua declaração de imposto
de renda, na declaração da sua renda, da renda; e 2% da empresa, do seu
faturamento. Só que 2%, há empresas e há empresas.
Então, quando você bota em percentuais, uma empresa pode doar 100
mil reais; outra empresa pode doar 100 milhões de reais. E aí a distorção
é grande.
Então, o que é que está previsto na proposta de emenda à
Constituição? Que a lei estabelecerá o limite de doação, que uma pessoa
física pode doar — a lei vai estabelecer — em percentuais e em valores
absolutos, e o que uma empresa pode doar em percentual e em valores
absolutos para equiparar, para ficar mais ou menos igual à doação das
empresas e das pessoas físicas, e as despesas com as campanhas de cada
cargo eletivo.
Sim. Então, a lei também (falha no áudio), que seja
estabelecido o limite das despesas de cada cargo.
Então, para Presidente da República, a lei vai dizer: vai gastar
tantos milhões; para Governador do Estado, e há Estado e há Estados, vai
ter que ser pela população, provavelmente, Estado e população tal, a lei é
que vai dizer — a Constituição só está remetendo à lei, que terá que ter
um limite —; para Senador; para Deputado Federal; para Deputado Estadual;
para Prefeito.
Então, esse é um trabalho grande, mas está remetido aqui na
Constituição para a lei. Então, na verdade, todo o financiamento vai ser
tratado em lei. E a gente ouve muito, assim, essa demonização da famosa
PEC Vaccarezza, “constitucionalizou
tudo...”
Pois não, Deputado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só pode arrecadar e também gastar depois que a lei for
aprovada, porque, se não houver lei, nem pode arrecadar, nem
gastar.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Bom, outro assunto que eu gostaria de enfatizar aqui um
pouco...
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Só para entender um pouco...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - (Ininteligível.) que
decida.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Para entender, Deputado Esperidião. Se não houver lei, fica
só o financiamento individual de pessoa física.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Se não puder arrecadar, campanha sem recursos..., nem os
franciscanos fazem. O Paulinho da Força de forma bem (ininteligível)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Os franciscanos trapistas fazem. Os franciscanos trapistas
fazem.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Mas, olhem só, brincadeiras à parte, só para
entender.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só para o senhor se situar olhe o § 7º, que é o que o Deputado
Marcelo está lendo. Os partidos e candidatos somente poderão arrecadar
recursos e, consequentemente efetuar gastos, após a fixação em lei de
limites para: 1) doações de pessoas físicas e jurídicas. Em que? Em
valores absolutos e percentuais — que era o que o Deputado Marcelo Castro
estava explicando —; 2) as despesas com as campanhas para cada cargo — que
ele também deu explicação.
Ou seja, se nós não tivermos a coragem de estabelecer em lei quais
são esses limites, não haverá a percepção legal desses
recursos.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Bom, outro assunto que eu gostaria...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Portanto, a lei não é imoral, como tantos (ininteligível)
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Eu queria falar também sobre a circunscrição. Isso é uma
inovação que foi apresentada pelo Deputado Marcus Pestana que é da lavra e
da inteligência de outro Deputado do PSDB, Deputado Antonio Carlos Mendes
Thame, que está presente ali, que é assim: nós já tentamos fazer inúmeras
reformas políticas aqui no Congresso. Aí institui uma Comissão, um grupo de
trabalho, estuda-se, debate-se, começa com aquela euforia, aquele
ânimo, agora vai, desta vez vamos fazer a reforma, aí vai esfriando, vai
desanimando e termina não se aprovando nada. Muitas vezes não chega nem a
plenário para se deliberar.
O Deputado Mendes Thame apresentou uma proposta que a gente
entendeu à época que era um meio caminho entre o que a gente quer, o PSDB
naquela época defendia o voto distrital, o PMDB defendia o distritão, a
maior parte do PTB, o PP também, o PT defendia a lista fechada, qual a
proposta do Deputado Mendes Thame? Uma proposta muito inteligente e que
poderia sensibilizar os Parlamentares, para a gente aprovar uma coisa que
melhorasse o nosso sistema que era manter o mesmo sistema que nós temos
hoje: sistema proporcional de lista aberta.
Os cálculos da representação são todos iguais ao de hoje, só que,
ao invés de o Deputado ser votado em todo o Estado, ele seria votado em
circunscrições, em regiões. Então, diminuía o tamanho da região que o
Parlamentar pudesse ser votado.
Nós conseguimos estabelecer no projeto de lei que essas
circunscrições teriam de ter, no mínimo, quatro Deputados e, no máximo,
sete. Então, o Estado do Piauí, que tem 10 Deputados Federais, teria duas
circunscrições cada uma de cinco Deputados. Essa circunscrição tem uma
ordem, uma série de exigência, de homogeneidade, de contiguidade do
distrito, do espaço, uma identidade cultural, às vezes, questão de
logística, o número de eleitores mais ou menos idênticos para cada uma
dessas circunscrições.
Então, vamos pegar o caso do Piauí aqui. Há 10 Deputados Federais e
2 milhões e 300 mil eleitores. Então, o Piauí teria duas circunscrições de
aproximadamente 1.100, 1.200 eleitores do norte e do sul do
Estado.
Então, eu seria Deputado do Piauí, mas eu disputaria a eleição não
mais como eu faço atualmente em todo o Estado. Eu disputaria apenas no sul
do Estado do Piauí, na minha circunscrição. E eu faria isso junto com
outros candidatos e, pelos cálculos aqui da proporcionalidade como são
feitos hoje, nós não mexeríamos nas regras eleitorais, no consciente
eleitoral de proporcionalidade, tudo como é hoje. Então, pela
proporcionalidade, aqueles cinco mais votados, aqueles partidos que fossem
eleitos, não são os cinco mais votados não, os cinco partidos que tivessem
mais votos mandariam os Deputados para cá.
Aí, nós fazemos outra inovação. Hoje, os partidos fazem a divisão
dos votos, do consciente partidário pelo consciente eleitoral e aí
determinam o número de cadeiras e há as sobras. Aí, essas sobras, os
partidos que não tiverem nenhum Deputado eleito, que não adquiriram
consciente eleitoral, eles não entrariam no cálculo da sobra. Aí, nesse
projeto, nós inovamos. Nós implantamos o distritão, ou seja, o sistema
majoritário para as sobras.
Então, o Piauí, pela regra direta, elegeu oito Deputados Federais.
Há duas sobras. De quem são essas duas sobras? Do primeiro e do segundo
Deputado mais votado do Piauí que não conseguiram se eleger, de qualquer
partido. Aí, faz o majoritário. Ou seja, aí nós evitamos aquele efeito de
a pessoa vir para cá com pouco voto. Ele vai ser o segundo, quer dizer,
primeiro, e o segundo Deputado do Estado do Piauí mais votado que não
conseguiu se eleger.
E, paralelo a isso, nós criamos uma cláusula de desempenho
individual, porque essa cláusula de desempenho individual, o Parlamentar
só assumiria o cargo se ele tivesse, pelo menos, 10% do consciente
eleitoral. Eu propus 20, mas foram passados 10.
Deputado Marcus Pestana.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Só para dizer,
principalmente aos novos membros da Comissão, qual foi o espírito do grupo
de trabalho. Com base no grupo de estudos especiais de 2011, 2012, e os
impasses criados não permitiram sequer a votação do relatório, nós fizemos
o aprendizado. Calculamos, grosso modo, que o distrital misto teria uns
30% de voto no plenário, a lista
fechada uns 20, o distrital puro uns 10 e o distritão uns 30. E por que
não anda? Porque há um impasse real. Não é por falta de vontade, por falta
de trabalho. O conflito de visões é real.
E por que dessa proposta, inspirada em reflexões iniciais do Mendes
Thame e do Bonifácio de Andrada e que eu sistematizei em um texto no grupo
de trabalho? Pelo seguinte: o PT e a esquerda, isso é histórico, não é no
Brasil, têm uma cláusula pétrea ideológica, que é o voto proporcional. A
esquerda e o PT não abrem mão do voto proporcional.
Por outro lado, PMDB, PP e PSDB não topam nenhum tipo de lista
fechada. O PSDB defende o distrital misto, que, no caso, contempla...
Então, o impasse e por isso que não anda. Essa discussão é difícil de
avançar, porque cada um tem os seus princípios.
Qual foi a ideia? Mexer com uma única variável. Tudo o que é
difícil de explicar já está derrotado. Se você tem que explicar demais,
você já está a meio caminho da derrota. Então, qual foi a ideia? Mexer em
uma única variável, que é território, a única variável que muda. É tudo
como é hoje. Só que o PT, o PSDB, o Democratas, o PMDB e o PP, em São
Paulo, em vez de lançar uma única chapa concorrendo a 70 cadeiras, vão
lançar 10 chapas pelo sistema em 10 regiões. Isso
barateia...
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Sete,
sete! Concorrendo a sete cadeiras em cada região. E qual o sentido disso?
Não podemos chamar isso de distrito.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Reduzir
despesas.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Reduzir despesas, porque o candidato em São Paulo, em vez de
estar focado em 32 milhões de votos, está focado em 3 milhões e
200.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - E o exemplo de Minas Gerais, com 853
Municípios?
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - É. Eu visito na campanha municipal e na minha própria
campanha de 130 a 150 Municípios. Isso é irracional. Não existe em lugar
nenhum do mundo. A campanha fica caríssima. Então, reduz custos, introduz
elementos do distritão, mas não podemos chamar isso de distrito, porque
qualquer forma de distritão é majoritária. A eleição é majoritária. No
caso, isso é um fundamento que a esquerda não
assimila.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É um subdistritão.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Então, o Samuel estava brincando que é uma jabuticaba. É
mesmo, mas é fruto de uma convergência. Tanto que o Ministro Berzoini
votou nessa proposta no grupo de trabalho. Vários membros... Houve 12
votos contra uma proposta final, porque foi afunilando, do Sirkis, que era
metade distritão e metade lista. Isso foi uma construção política para
sair do impasse.
Não adianta. Eu defendo. Estou convencido de que o melhor sistema é
o distrital misto de tipo alemão. Mas o que eu posso fazer se precisa de
três quintos e eu só tenho apoio de trinta? Vai ficar empacado. Não
adianta. Se a gente não tiver um esforço de cabeça aberta, de alma aberta,
pensando, a longo prazo, na democracia brasileira, não
anda.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só para reiterar o que V.Exa. está dizendo, em 1979, no meu
primeiro mantado de Deputado Federal, eu apresentei um projeto para
implantar o distrital misto alemão. Não dá.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Presidente, como a...
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Só para uma questão de encaminhamento, porque eu entendi...
Só uma questão de ordem e de encaminhamento, Deputado Marcelo. O senhor
está fazendo uma palestra, o senhor está fazendo uma exposição. Então, ao
concluí-la, podia abrir para as inscrições, e a gente... Senão, vão ficar
intervenções entre perguntas e posicionamentos.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Eu quero me inscrever para o debate.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - É bem rápido, é bem rápido. Assim, Esperidião, quando tu
falaste ali nessa questão de que, por exemplo, o Município de São Paulo
não se divide, eu imagino que o Município de São Paulo tem quanto? Dez
milhões de habitantes? Tem dez milhões de eleitores?
Nove?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não. Espere aí. Só um
instante...
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - Então, ele não vai ser dividido. Quer dizer,
ali...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Só um instante aí. Para
Vereador, é que a circunscrição do Município...
(Não identificado) -
Ah, não, aí...
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - ...vai ficar tal como é hoje. Agora, para Deputado
Federal e para Deputado Estadual, a circunscrição vai ficar, em São Paulo,
aproximadamente com 3 milhões e 200 mil eleitores.
(Não identificado)
- Então se divide o Município?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São Paulo, provavelmente, será dividido em
10 circunscrições; cada circunscrição elegendo sete Deputados Federais e o
número correspondente de Deputados Estaduais. Então eu vou sugerir aqui
que a gente faça as inscrições, como foi reclamado, mas antes eu gostaria
de perguntar ao Deputado Mendes Thame se ele não gostaria de se pronunciar
sobre essa ideia brilhante dentre tantas que ele sempre apresenta aqui
nesta Casa.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - Imagine, bondade do nosso Presidente.
Essa proposta que foi apresentada pelo Deputado Marcus Pestana e
que faz parte da proposta que...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Mendes Thame, só para racionalizar, eu vou, juntamente
com a Regina, anotar o nome dos inscritos. Só quero começar: Deputado
Samuel Moreira, Deputado Carlos Zarattini, Deputado Evandro Gussi,
Deputado Alceu Moreira e Deputado Chico Alencar. Já comecei a me perder
aqui...
(Não identificado) -
Deputada Moema Gramacho...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputada Moema Gramacho...
(Não identificado) -
Deputado Veneziano Vital do Rêgo...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Veneziano Vital do Rêgo...
(Não identificado) -
Deputado José Fogaça...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado José Fogaça, Deputado Major Olimpio. Já estamos
promovendo.
(Não identificado) -
Deputado Valtenir Pereira...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - E Deputado Valtenir Pereira, a Deputada Luiza Erundina. Por
ora, são os inscritos.
Deputado Mendes Thame, devolvo a palavra a
V.Exa.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - Essa proposta tem uma simplicidade tão grande
que já foi até retificada por isso, por ser simples. Falaram: “Ah, que coisa simples, estamos
esperando uma reforma que realmente mude tudo, que realmente... Como pode
uma reforma ser tão simples?” A palavra simples tem a mesma raiz de
simplório, então dá a impressão de que a proposta é simplória. Mas não é!
Ela tem uma simplicidade que é resolver um dos grandes problemas do
sistema atual, que é a escolha dos Deputados. Ter que fazer uma campanha
um Deputado Estadual, Federal para 32 milhões de eleitores de São Paulo é
um contrassenso. A Argentina inteira tem 27 milhões de eleitores, a
Argentina inteira! Patagônia, Bariloche, Buenos Aires, Córdoba, (ininteligível), somando tudo dá
28 milhões. Bom, então a eleição acaba ficando caríssima, o eleitor fica
longe do eleito, longe do eleito, regiões não conseguem eleger ninguém, (ininteligível) e há um
enfraquecimento dos partidos.
Vamos ver essas três questões. Se eu puder dividir o Estado em
regiões, eu vou permitir um barateamento da campanha, é óbvio, isso não
tem como alguém contestar porque é uma coisa aritmética; segundo, haverá
uma proximidade dos eleitos e dos eleitores, e terceiro: todas as regiões
terão os seus representantes, todas as regiões.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) -
Haverá a facilidade de o eleitor acompanhar a atuação do seu
Parlamentar.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - Exatamente, é uma proximidade antes e depois,
antes e depois.
Também essa divisão não é só para Estados como São Paulo, pode ser
também interessantíssima em Estados como Amazonas, Pará, onde, para chegar
ao Município, precisa-se ir de barco. Portanto, dividir em regiões é
altamente interessante para todos os Deputados, para todos os candidatos.
Além disso, há uma outra vantagem: pode cada região eleger um
Deputado com 50, 60 mil votos. Hoje, em São Paulo, precisa-se ter mais de
100 mil votos para ser eleito. O que um Deputado novato, um profissional
liberal, pode esperar? Que vai ser derrotado, que vai esquentar o nome
para uma próxima eleição. Então é muito difícil, acabam umas eleições só
privilegiando os que têm igrejas, sindicatos ou é um apresentador de
televisão ou é um milionário, que pode gastar uma fortuna para ter cabos
eleitorais no Estado inteiro. Já tivemos exemplos de pessoas que, na sua
cidade, em regiões, tiveram pouquíssimos votos, pouquíssimos, ou seja, no
local onde ele é conhecido, já foi Prefeito até ou o pai foi Prefeito, ele
não consegue votos, por ser conhecido. Mas fora, onde ninguém o conhece,
contratando cabos eleitorais, ele consegue somar os votos necessários,
indispensáveis para sua eleição. Tudo isso seria resolvido em boa parte.
A minha única dúvida que ficou na apresentação do nosso querido
amigo Esperidião Amin é a seguinte: se há uma votação por votos
individuais e não pelo partido, qual interesse que teria um partido
pequeno de fazer uma coligação num Estado? Se depende da capacidade de ele
reproduzir a coligação na proporcionalidade em que foi feita a nível
federal, a nível estadual, não teria muita lógica, seria um contrassenso
com essa votação, em que só são escolhidos os mais votados naquela
circunscrição. Só esse detalhe é que eu não entendi. De resto, a proposta
significa um incrível avanço, uma melhora de qualidade, a possibilidade de
a gente ter realmente um upgrade aqui, uma melhora
substantiva na escolha dos Deputados.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Mendes Thame, eu deixei de salientar o seu nome, mas
quero aqui repetir que o Deputado Marcus Pestana apresentou a ideia, mas
nós sabemos que ela tem o seu DNA. É um DNA de uma pessoa dedicada, séria,
competente, que todos nós respeitamos.
Quanto à sua indagação, o Deputado Marcelo Castro fez uma digressão
sobre a questão do que é a coligação e o que é a federação; eu não sei se
ainda remanescem dúvidas, mas a coligação é para eleição; a federação,
vamos dizer, é para eleição e para mandato, pelo menos para o mandato até
a nova convenção, em que o partido e a pessoa até podem tomar rumos
diferentes. Então a coligação tem o sentido da disputa eleitoral, não
necessariamente na circunscrição, mas na eleição, naquele Estado, até
porque eu quero lembrar: as eleições serão coincidentes, isso é um pacote.
Se você desfizer a coincidência, isso pode ser rearranjado, é claro, mas,
se é no projeto, eu repito, na teia de aranha, a eleição simultânea,
coincidência de mandatos, de Presidente a Vereador, a coligação tem que
ser admitida, mesmo que, na circunscrição “x”, alguém que seja de um
partido pequeno possa fazer, possa se classificar entre os sete mais
votados daquela circunscrição do Estado de São Paulo.
Então são interesses não divergentes, muito embora prevaleça aquilo
que o Deputado Marcelo Castro falou: a coligação é definida como coligação
nacional porque os partidos são nacionais, mas ela não precisa se repetir
na integralidade, nem no Município, nem no Estado. O que ela não pode é
afrontar, ela não pode misturar sangue; ela pode ser subdividida e não
transgredida.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - E a gente sabe que, na prática, os
partidos têm interesse em se coligarem, então, praticamente, todos vão se
coligar; algum ou outro vai ficar de fora, mas a maioria vai querer
concorrer coligadamente; quanto mais coligado, mais chance de fazer mais
voto, mais chance de eleger maior número de Parlamentares,
claro.
Então vou passar aqui à lista dos inscritos. Com a palavra o
Deputado Samuel Moreira.
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Bom, eu queria começar dizendo o seguinte: a reforma... Na
verdade, nós vamos mexer nas regras do nosso sistema eleitoral. Então eu
acho que duas condições são básicas e a gente deve ter muito cuidado.
Primeira: deverá haver uma possibilidade de escolha ao eleitor que
facilite a sua escolha e que garanta uma qualidade na sua escolha. Então
nós temos que ter um sistema que se limite ao eleitor a escolha, mas que
garanta uma qualidade na sua escolha, uma garantia de que haja
qualidade.
Segunda coisa: que garanta um acompanhamento depois de eleito.
Depois de eleito, ele precisa ter o acompanhamento do mandato do Deputado,
não só para cobrar, mas para participar, para dar ideias, para estar
próximo. Esse acompanhamento é fundamental. E também procurar reduzir
custos das nossas campanhas.
Eu acho que estas três condições são fundamentais para mexer nessas
regras. Agora, para mexer nas regras, para fazer essa reforma, é evidente
que aqui há muitos diagnósticos. São 513 Deputados com diagnósticos
completamente diferentes. A gente precisa partir de um
diagnóstico.
Acho que nós precisamos ter um cuidado, porque são muitas coisas
para serem mexidas e nós corremos o risco de perder o foco da questão, que
é esta questão da aproximação com o eleitor.
O Deputado Esperidião Amin falou aqui do movimento 2013 que dizia
claramente que precisa dessa representação. O eleitor clama por uma
representação, de estar próximo. Ele precisa identificar claramente quem é
o seu representante.
Aí nós precisamos ver se reeleição... Veja, eu não tenho nada
contra discutir e até tenho ideia sobre isso, mas será que reeleição é
importante? Voto facultativo é tão importante? Coincidência de mandatos é
tão importante? Ou nós devemos centrar no foco de um sistema que, por
exemplo, reduza o tamanho do distrito? Porque essa questão do distritão,
por exemplo... o que acontece com o distritão? Ela dificulta a
representação de novo, porque ela é no Estado inteiro. É isso que cria uma
ausência de representação. O custo também aumenta, porque você faz
campanha no Estado inteiro. As dificuldades são enormes do mesmo jeito e
acirra-se mais a disputa.
Eu sou muito a favor da redução do tamanho do distrito. Hoje nós já
temos distrito do tamanho do Estado. São Paulo, por exemplo, é no Estado
inteiro. Cada Deputado faz uma campanha de governador, se quiser ou se
puder, de senador... Reduzir o tamanho do distrito a que tamanho? Àquele
que seja melhor em benefício do eleitor.
Eu sou muito a favor do voto distrital puro. Acho muito difícil,
mas não vou desistir por enquanto. Essa é nossa divergência aqui com
Marcus Pestana, porque é o seguinte: nós vamos ter que negociar tudo.
Evidente que alguns não concordam, mas a gente precisa defender aqui, pelo
menos no começo, cada um tentar convencer as pessoas das nossas
propostas.
Eu, por exemplo, acho... É porque nós temos tempo ainda. Não há uma
divergência aqui. Nós temos tempo ainda. Ele estava no final do tempo e
agora nós temos tempo de novo.
Então o distrital vai permitir tudo isso. Essa é uma questão
central. São experiências, inclusive, que já existem em outros países. Nós
não estaríamos correndo muito risco. O financiamento poderia até ser
público, porque o financiamento tem que ter como princípio também o quê? A
igualdade de condições de disputa. Nós precisamos ter um financiamento que
permita disputa em condições iguais, para que priorize a qualidade da
proposta e não o tamanho, a dimensão da campanha do ponto de vista
financeiro.
Outra questão é a questão dos partidos. É preciso ter regra para
funcionamento de partido. Não dá para funcionar de qualquer jeito. As
coligações que nós tivemos nessas reeleições... Como é que são as nossas
regras hoje? O meu partido, por exemplo, em São Paulo, foi protagonista
nas eleições. Houve eleição para Governador, para o Senado, tudo bem. Só
que para Deputado Estadual fez uma coligação, para Deputado Federal fez
outra coligação, para Senador outra, para Presidente da República outra,
para Governador outra. Tudo em detrimento do eleitor, que não tem nada a
ver com isso, me desculpa. Não tem nada a ver com isso, ele nem sabe, nem
nós sabemos quais foram essas coligações e às vezes acabam ocorrendo
muitos acordos, isso sim, entre donos de partidos, que acabam virando
donos, porque hoje se cria partidos no País com uma facilidade depois
vira-se dono.
Então essas coisas são centrais. Acho que essas questões são
centrais. Financiamento, a questão... O financiamento pode até ser público
num sistema distrital para igualar as condições de disputa. Sempre
facilitando a vida do eleitor. Porque é o seguinte: é muito difícil para
nós, cada um de nós dá a vida, não é fácil colocar em risco aquilo que a
gente já conquistou, perder aquilo que a gente já conquistou não é fácil.
Só que isso aqui não é nosso. Nós estamos fazendo uma reforma para a
sociedade, para o estágio civilizatório do Brasil melhorar, que são regras
no sistema democrático que permitam facilitar e melhorar a vida da
sociedade.
Então é possível se discutir isso, nesse momento histórico, que nós
estamos com um relator experiente, que nós estamos com um Presidente da
Câmara disposto a pôr para votar, está com muita disposição. Então a
regra, quanto melhor, será mais perene. Mais histórico será para nós para
avaliarmos, inclusive, o funcionamento do sistema.
Eu quero concluir deixando essa manifestação e a nossa crença de
que é possível realmente fazer uma boa reforma com essas
características.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Próximo inscrito Deputado Carlos
Zarattini.
Vamos fazer um grupo de pelo menos uns três, quatro, tudo bem. Aí a
gente procuraria responder.
Deputado Zarattini.
Pediria aos colegas também que procurassem ser o mais conciso
possível, para dar oportunidade a todos falarem
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Sr. Relator,
quero cumprimentar a todos aqui dessa Comissão.
Queria primeiro só... Pelo que entendi, há uma distorção nesse
sistema de circunscrição, vamos chamar assim. Por exemplo, no Estado do
Deputado Marcelo Castro vai ter, em cada circunscrição, quatro eleitos,
cinco, cinco eleitos, certo? E em São Paulo, nós vamos ter sete. Se o
necessário para que eu seja eleito na minha chapa é que eu tenha pelo
menos 10% dos votos, é mais fácil atingir os 10% no Piauí do que eu
atingir os 10% em São Paulo. Por quê? Porque a divisão... eu vou ter mais
candidatos disputando na mesma circunscrição em São Paulo, porque eu vou
ter sete de cada partido ou federação e, no Piauí, eu vou ter quatro de
cada partido ou federação disputando na circunscrição. Então chegar aos
10% no Piauí vai ser mais fácil do que chegar aos 10% em São Paulo, certo?
Porque (ininteligível) do voto vai ser maior, devido ao número maior de
candidatos. Então, há um problema aí que eu não sei como é possível
resolver e gostaria até de perguntar se isso foi discutido na proposta
do... Isso tenderia a levar um voto que originalmente seria proporcional,
pelo que eu entendi da proposta do Deputado Marcus Pestana, por um voto
majoritário. Quer dizer, teríamos mais candidatos, mais deputados eleitos
pelo seu voto próprio do que pelo seu voto
proporcional.
A segunda questão é em relação ao financiamento público. Aqui no
texto se prevê financiamento público, mas não tem mais nada de
financiamento público do que a previsão. O que fala aqui discorre muito
mais sobre o financiamento privado do que sobre o financiamento público.
Então também não sei se houve nos debates alguma coisa a mais que se
tratou de financiamento público do que de financiamento
privado.
A terceira questão eu gostaria que o nosso relator também
apresentasse, se fosse possível, o mais breve possível, uma divisão do que
nós vamos colocar na legislação ordinária e o que efetivamente nós vamos
colocar como emenda constitucional. Eu acho que o quanto menos nós
constitucionalizarmos é melhor para o futuro, mas também, no processo de
votação no Plenário, é importante observar que, se houver um destaque de
votação em separado, o texto-base tem que ter 308 votos. Não só tem que
ter 308 votos na primeira votação, como também depois, a cada destaque de
votação em separado, o texto tem que manter os 308
votos.
Então é uma dificuldade de aprovação que nós vamos enfrentar que
pode desconjuntar toda a proposta. Por isso, eu advogo que a gente caminhe
o máximo possível para a legislação ordinária e o mínimo para a
constituição.
Eu gostaria de solicitar também que, no mais breve período, nosso
relator apresentasse uma proposta em relação a isso, para que a gente
fosse tratando aqui também de questões, logicamente, partindo da
constituição para depois a legislação ordinária.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Em seguida o Deputado Evandro
Gussi.
O SR. DEPUTADO EVANDRO
GUSSI - V.Exa. me promoveu, mas é Gussi. Se fosse Gucci, as coisas
talvez seriam mais fáceis.
(Risos.) Vou por meu tempo aqui, Excelência, para não ser traído pelo
entusiasmo do tempo.
Em primeiro lugar, queria cumprimentar a exposição do Deputado
Esperidião Amin e do Deputado Marcelo Castro, sobretudo no exemplo de um
trem e de estações a que chegamos. Eu, como um Deputado no primeiro
mandato, quero aqui louvor o esforço, a dedicação e a atuação efetiva que
foi feita por V.Exas. E acho que temos, sim, que valorizar, no máximo
possível, esse esforço e esse processo construtivo.
Eu quase fui contemplado totalmente com a fala do Deputado Samuel
Moreira, tanto nos valores que colocou como fundamentais, que devem
orientar nossa discussão, quanto efetivamente nos temas dos quais me
aproximo muito. Acho que a proposta tem um grande mérito, que é o de
aproximação do eleitor com o eleito.
Eu queria fazer um registro aqui, corroborando, Deputado Fontana,
de que há uma confusão clássica no Brasil, perdão pela redundância, de si
confundir tamanho de circunscrição eleitoral com critério de eleição.
Queria registrar, e isso é importante para nós, e vai, talvez, acabar com
animosidades. Uma coisa é o tamanho da circunscrição eleitoral, outra
coisa é o critério como se elege. Dou um exemplo: a Espanha tem um sistema
clássico proporcional, com a fórmula "d´Hondt".
No entanto, a Espanha é dividida em 52 circunscrições eleitorais. Um país
muito menor que o Brasil é dividido em 52 circunscrições eleitorais.
Barcelona, talvez um dos maiores distritos, tem 4 milhões de eleitores. E
32 Deputados, se não me engano, vêm da circunscrição de
Barcelona.
Então, não precisamos nos preocupar, aqueles que defendem o sistema
proporcional, de que a divisão em distritos inviabiliza o sistema
eleitoral, porque há formas clássicas, consagradas, no sentido contrário.
Podemos, sim. Acho que a proposta de aproximar eleitor e eleito, que
permita, como disse o Deputado Samuel Moreira, esse acompanhamento, não só
essa cobrança, mas o acompanhamento.
Uma vez, dando uma palestra, uma moça me pergunta: Por que um
Deputado na Inglaterra custa 16 vezes mais do que no Brasil? Eu disse:
Ora, porque é uma coerência interna do sistema. Aqui o sujeito tem que
fazer campanha em 600, 800 cidades, e outra, depois de eleito, tem que se
comunicar com seus eleitores também em seiscentas e poucas cidades. Na
Inglaterra, o sujeito tem um Distrito médio de 72 mil eleitores. Dá para
trabalhar de manhã em outra profissão, dá para clinicar pela manhã e ser
Deputado à tarde. Não há problema nenhum, porque são 72 mil eleitores com
quem ele tem que se colocar à disposição.
Então, eu acho que é um grande mérito. Em outros pontos de
divergência, poderíamos conversar. Acho que o voto deve ser obrigatório.
Enfim, mas quero aqui louvor esse passo fundamental, esse passo que vai ao
encontro dos anseios da sociedade brasileira, que quer ter proximidade com
seus representantes. Então, essa concepção de começarmos a diminuir a
circunscrição eleitoral que, repito pela terceira vez, não se confunde com
o sistema majoritário ou proporcional, acho que tem um profundo mérito e
ilumina nossa discussão.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo inscrito, Deputado Alceu
Moreira.
O SR. DEPUTADO ALCEU
MOREIRA - Deputado Marcelo Castro, Deputado Esperidião Amin, Srs.
Parlamentares, quando nós andávamos pelo Brasil na legislatura passada,
eu, a Deputada Erundina, o Deputado Marcelo Castro e tantos outros,
chegando ao final do ano, tínhamos a sensação clara de que nadamos muito e
chegamos em lugar nenhum.
Hoje eu percebo que, ao recolher a palavra de tantos, de discutir
com tantas pessoas, aquela massa crítica se seguiu para chegarmos a esse
nível de maturidade, para começarmos essa nova
discussão.
Cá para nós, Deputada Erundina, não estamos de novo subindo o
primeiro degrau. Nós continuamos subindo a escada. Já estamos no décimo
degrau. Nós subimos muito, nós temos hoje uma compreensão muito mais clara
do processo. A meu juízo, talvez o maior aprendizado seja perceber que não
é possível estabelecer-se um processo de travessia sem que o cidadão, para
fazer a travessia da ponte, tenha o mínimo de
confiabilidade.
Então, quem imagina que se pode sair de um sistema anárquico como o
nosso, proporcional, largo, e imediatamente ir para o modelo de lista, de
financiamento público e de distrito fechado clássico? Certamente não,
porque o Parlamentar que não está nesta Comissão e não consegue aprofundar
o debate, quando chegar ali fora, sabendo que vai acontecer genericamente,
vai conversar com o espelho. E aí perguntará para si mesmo: “Será que eu me elejo nessa outra
fórmula?” Imediatamente ele nega tudo. Pouco importa se está certo, se
está errado — não quer saber. Ele diz: “Desse jeito, eu estou aqui. Do outro
jeito, posso perder tudo o que tenho.” Então, não
dá.
Logo, eu quero dizer o seguinte para o Deputado Mendes Thame:
trata-se de um avanço muito qualificado, talvez pela inteligência e
simplicidade, estabelecer a redução da circunscrição no mesmo modelo. A
forma de buscar-se o primeiro colocado depois de completados os quocientes
é muito similar à Fórmula D’Hondt, porque vai-se buscar o partido que não
conseguiu atingir o quociente. Não é que não tenha se elegido. Ele não
atingiu o quociente eleitoral, mas é o primeiro depois do quociente.
Portanto, não podem ficar os seus eleitores sem representação. Acho que é
muito inteligente o processo e quero dizer o seguinte: podem ter certeza
de que está longe do ideal que nós queremos, mas é certo o caminho de
travessia. Nós estamos bem por aí.
A segunda questão está ligada ao financiamento de campanha. E aí,
pessoal, aqui foi dita uma frase que me parece absolutamente verdadeira:
“É preciso estabelecer igualdade de
condições na competição.” Cada vez que se discute isso, alguém com
argumento raso diz o seguinte: “Se
fizer tal coisa, tal coisa acabará?” Perguntar-se-ia: “Depois do Código de Trânsito, nunca
mais se matou ninguém? Depois do Código Penal, nunca mais se matou
ninguém? Depois da Lei Seca, ninguém mais bebeu?” É claro que
não.
Estabelece-se uma norma de conduta para ser seguida, mas já se sabe
perfeitamente que o fato de haver a norma não significa que ninguém a
descumprirá. Isso não quer dizer que o processo, como instrumento, não
pode ir amadurecendo na sociedade, de tal maneira que se aproxime do
ideal, até pelo processo de fiscalização, que fica muito mais fácil. Em um
distrito menor, fiscaliza-se mais fácil.
Queria, no entanto, insistir numa tese: retirar definitivamente, em
qualquer circunstância, o financiamento de empresas; criar a possibilidade
do financiamento público como estruturação do sistema político; e o
financiamento de pessoa física com limite, para garantir a participação da
cidadania no distrito. Para mim, é a situação mais fácil também no caminho
de travessia.
Eu sou favorável ao financiamento público puro, mas sei que não
passará isso. Logo, se eu conseguir tirar as empresas, eu já tiro primeiro
essa mácula da corrupção de ter que pagar contas para quem financiou a
campanha ao longo do mandato. Eu não devo nada, não preciso pagar contas
para quem me financiou. Estabelece-se um valor máximo, de 3 ou 4 mil
reais, a cada pessoa física para fazer o processo. Assim, as condições são
estabelecidas. Pode-se dizer: “Mas
o cidadão vai ter um financiamento maior, porque conhece mais gente.”
Bom, isso é uma virtude dele! Que bom que tem (ininteligível.) muito
amplo.
Por último, talvez a questão mais importante seja a reforma
eleitoral. Nós insistimos em falar em reforma política, o que a meu juízo
é um erro. A reforma política trata da estruturação do Estado, do
exercício do poder e do controle dele. E disso nós não estamos tratando —
nenhuma linha. Nada. Continua a anarquia de indicar os membros do Supremo,
de fazer o que bem se quer com medida provisória, de legislar a partir do
Poder Executivo. Essa anarquia continua. Nem mexemos nisso. Estamos
falando de uma reforma eleitoral — jeito de avaliar e votar. Só. Nada
mais.
De qualquer sorte, queria pedir o seguinte: o fim da coligação
proporcional. Isso é inegociável! E, a meu juízo, para concluir meu
pensamento: por favor, não ponham o Plenário para votar quatro, cinco
coisas dessas juntas, porque nós temos um conjunto de adversários das
propostas, que não são homogêneos, são diferentes para cada tema. Se nós
botarmos quatro temas, teremos dois (ininteligível); se botarmos
cinco, cinco (ininteligível).
Então, vamos votar essas coisas fatiadas para ir vencendo a cada
vez e, pelo menos, excluir parte dos adversários, que serão adeptos aos
outros porque, como querem ver sua tese vitoriosa, se unem ao que não
acreditam.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Agradecendo a todos, eu vou tentar
responder, resumidamente, pelo menos em parte.
O Samuel Moreira fez uma longa exposição, defendendo os princípios
que devem nortear a nossa reforma política-eleitoral, que são, sem nenhuma
dúvida, aquilo que a gente tem que procurar fazer: diminuir os custos das
campanhas; aproximar o eleitor do seu representante; permitir, dar meios
ao eleitor para que ele possa escolher bem o seu representante.
Só faltou V.Exa. falar da necessidade de partidos programáticos,
ideológicos, para que o eleitor vote num partido sabendo exatamente porque
está votando naquele partido, e não no outro, o que hoje não acontece no
Brasil, pela fragmentação, pela pulverização partidária, pela bagunça que
são os partidos. Nós não temos verdadeiramente partidos, e sim um
amontoado de siglas partidárias.
É defensor do distrital puro e faz uma crítica às coligações, na
mesma linha do Deputado Alceu Moreira. Eu já aproveito para responder os
dois juntos.
Na verdade, coligações para eleições proporcionais é a negação da
existência do partido. A gente tem que ir à origem das coisas. Pra que
partido? Por que partido? Porque o partido é uma parte da sociedade,
representa um segmento da sociedade. Então, ele tem que ser dotado de
conteúdo programático, de conteúdo ideológico, tem que ter aquela doutrina
partidária, aquela filosofia administrativa. Para quê? Para o eleitor
saber que está votando naquele partido porque ele vai defender o
agronegócio no Brasil. O outro, que acha que não, que o agronegócio não
tem que existir, vota é no partido que defende o sem-terra, que vai
invadir... E aí a sociedade se organiza em torno de segmentos.
Quando a gente coloca vários partidos num saco só, num cesto só, o
eleitor está votando a favor do quê? Como nós sabemos, Deputado Fogaça, as
coligações são feitas das maneiras mais díspares nos diversos Estados
brasileiros. Os partidos que se coligam num Estado às vezes são
completamente contrários aos que se coligam no outro. Então, essa anarquia
é geral.
Eu acho que nós não teremos avançado aqui qualitativamente — minha
opinião modesta — se nós não acabarmos com as coligações proporcionais. É
um propósito para dar ao eleitor uma oportunidade de escolher melhor
aquele candidato, aquele partido ao qual ele se filia.
O Deputado Zarattini faz umas observações interessantes sobre as
circunscrições. Deputado, a regra não muda. A riqueza da ideia do Deputado
Mendes Thame é que essa proposta não espanta os Deputados, porque eles vão
continuar sendo eleitos pelas mesmas regras. O que já acontece, de certa
forma, na prática, nós estamos botando agora em lei. Isso facilita a vida
de todos. Todos nós já temos votações mais ou menos regionalizadas. Ou,
pelo menos, temos um núcleo principal e completamos a votação em cidades
de fora. Agora, seguindo essa proposta, não haveria mais isso. Cada um de
nós teria que ficar dentro daquela circunscrição.
Então, no caso do Piauí, para um partido eleger um Deputado no
Piauí, ele tem que ter um décimo dos votos. Agora, como nós vamos dividir
em duas circunscrições, para cada partido eleger um Deputado, ele vai ter
que ter 20% dos votos, mais da metade dos votos que correspondem à mesma
coisa; 10% do todo ou 20% da metade, dá no mesmo. Então, a lógica vai ser
a mesma.
São Paulo: o Parlamentar hoje tem que disputar voto no meio de 32
milhões de eleitores. Ele disputaria só entre 3 milhões e
200.
(Não identificado.) -
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Se fossem 10 circunscrições...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São 10 circunscrições. Então, seriam 3
milhões e 200 mil eleitores. Só que, em vez de ele concorrer a 70 vagas,
ele vai concorrer a 7; quer dizer, vai ser um décimo. A proporção que se
mantém é a mesma.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Está certo, mas o cálculo... O candidato que não chegou a
10% é mais difícil...
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Ele está falando da Cláusula de Desempenho
Individual.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - A Cláusula de Desempenho Individual que está colocada
lá...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Você tem que dividir 3 e 200 por 7.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - ... apesar de ela ser a mesma para o Brasil inteiro, ela
vai ser mais difícil de ser atingida em São Paulo do que nos outros
Estados.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Claro, por isso é que eu aceitei a redução
da minha proposta, que era de 20% para 10%, por causa de São Paulo.
São Paulo tem uma proporção distorcida. Nós a distorcemos de
propósito. Se fizéssemos uma regra de três direta no Brasil, se pegássemos
a população do Brasil e a dividíssemos por 513 vagas de Deputados, se
colocássemos a população de São Paulo, São Paulo teria 120 Deputados
Federais, Roraima, 1 Deputado Federal.
Mas não foi isso que o Constituinte quis, e eu acho que não é isso
que esta Casa quer. Nós queremos um piso e queremos um teto. Então, o que
diz a nossa Constituição? As bancadas serão representadas
proporcionalmente à população dos seus Estados, respeitando o mínimo de 8
e o máximo de 70 Parlamentares. Por isso é que tem essa distorção.
O quociente eleitoral de São Paulo é muito maior do que nos outros
Estados. Tirando esses pequenos Estados, normalmente o quociente eleitoral
de todos nós que estamos aqui é mais ou menos de 200 mil eleitores, 200
mil votos, melhor dizendo; agora, em relação aos Estados pequenos, é
menos, a São Paulo, é mais. A distorção está entre os pequenos e São
Paulo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só em socorro a essa questão específica, eu fiz aqui um ensaio:
você tem que retirar branco e nulo do cálculo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Claro.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Então, dos 3 e 200, vamos dizer que sobrassem 2.5 — é um pouco
menos —, mas só para efeito...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Dos 3 e 200, retirando brancos e nulos, tira-se mais de 20% —
sim, senhor.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Tira-se 30% de ausente, branco e nulo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu estou fazendo um número inflado. Esse número não é para
menos. Não é para mais, é para menos. Sobram 2 milhões e meio de votos. Ao
dividir isso por 3, ao dividir isso por 7, dá mais ou menos 350 mil. Quem
não fizer 10% disso, leia-se 35 mil votos, vai para o purgatório.
O SR. DEPUTADO EVANDRO
GUSSI - (Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sim, em todos os distritos porque todas as circunscrições têm 3
milhões e 200. Não fez 10%...
O SR. DEPUTADO EVANDRO
GUSSI - Uma questão de ordem. É do quociente, não é do eleitorado, não
é?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - O quociente é 350. Eu dividi 2 milhões e meio por 7, aliás, o
que deu 350, em número redondo. Se não fizer 35, ele vai para a “bacia das
almas”. Para quê? Para permitir que quem fez mais voto do que ele
entre.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - E se ninguém atingir?
(Não identificado.) - A
vaga vai para outro.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Quem é que falou isso? Quem é que falou isso? Quem fez essa
pergunta? Tebaldi, você anda muito pessimista. (Risos.)
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - (Risos.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado
Zaratini...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sempre haverá o mais votado. É só ler o art. 45, 7: “Serão eleitos os mais votados dos
individuais” — “bacia das almas”.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - São 10% dos votos válidos.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Agora, no Piauí, como seria? No Piauí, como seria?
Vamos botar 1 milhão 150, que é rigorosamente a metade, para 5
vagas. Dividindo, dá 250 mil. Quem não fizer 22 mil votos vai para a
“bacia das almas”. Pode ser até que ele seja um dos dois mais votados, mas
ele vai ser escolhido por exclusão e não porque tenha vencido a cláusula
de barreira individual.
O Paulo, que tem tantos poderes e tantos direitos, tem que ter mais
deveres também, tem que trazer mais votos.
Não identificado - E
vai pela regra, ou seja, se explicar muito é porque não passa. Está bom.
Deixa assim.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado Zarattini falou sobre o
financiamento público. Na verdade, Deputado, o que quis o grupo de
trabalho foi apenas constitucionalizar o tema, mas tudo é remetido para a
lei ordinária, então toda questão de financiamento será tratada em lei. A
lei é que vai dizer como vai ser o financiamento público, como vai ser a
divisão, como vão ser as doações de campanha, de pessoa física, de pessoa
jurídica, os limites percentuais, os limites
absolutos.
E V.Exa. faz uma observação para decidirmos, o mais rápido
possível, o que será objeto de PEC e o que será objeto de projeto de lei.
Então quero comunicar aqui mais uma vez aos nobres colegas, aos que não
estavam presentes, que ontem foi aprovada, na Câmara, a nova Comissão com
poderes para analisar todos os projetos de lei que tramitam na Casa sobre
reforma política, e foi criada uma nova Comissão com a mesma quantidade de
membros, com a mesma divisão pelos blocos partidários. Falta aos partidos
indicarem os membros, e o que estamos pedindo? Estamos pedindo a cada um
de V.Exas. que falem com os seus líderes para indicarem os mesmos membros,
para não haver discordância e assim fazermos um trabalho único. No final
do nosso trabalho, vamos apresentar uma PEC e vamos apresentar um projeto
de lei feito pelas mesmas mãos, pela mesma equipe, pelo mesmo grupo, pela
mesma Comissão.
Respondendo objetivamente ao Deputado Carlos Zarattini. O que vai
para a PEC? Aquilo que for objeto de PEC. E o que vai para o projeto de
lei? Aquilo que for objeto de projeto de lei. Estou sendo mais do que
simplório para levar outra mensagem, a de que eu não vou
constitucionalizar uma matéria que pode perfeitamente ser tratada em
projeto de lei. Estou dizendo a V.Exa. de maneira bem simplória, e para
que não haja dúvida, que nós vamos botar na PEC aquilo que for objeto de
PEC; o que for objeto de projeto de lei, nós vamos manter no projeto de
lei. Eu não tenho a intenção de constitucionalizar uma matéria que é
objeto de projeto de lei, porque vamos ter dificuldade maior para
aprová-la e vamos ter uma dificuldade, no futuro, para modificá-la. Essa é
uma matéria que precisa ser sempre trabalhada, é um processo, é uma
evolução. Satisfeito?
O nosso colega Evandro Gussi elogiou a circunscrição, que, sem
nenhuma dúvida, é um meio caminho. Eu vejo essa tentativa de circunscrição
como aquela ideia do Deputado Marcus Pestana. Nós temos aqui adeptos da
lista fechada, mas não em número suficiente para aprová-la; nós temos
adeptos do “distritão”, mas não em número suficiente para a maioria
qualificada de três quintos; nós temos adeptos do distrital puro, mas não
do distrital misto. Quer dizer, nenhum sistema eleitoral tem maioria nesta
Casa. Por que eu digo isso? Porque eu fiz uma pesquisa na Legislatura
passada, não fiz nesta ainda, mais à frente um pouco vou fazer, na qual
perguntei a 100 companheiros Parlamentares aqui do Congresso — excluí os
do PMDB, então perguntei a cerca de 100 (naquele tempo, pemedebistas eram
quase 80) — sobre todos os sistemas eleitorais. E qual foi a resposta? A
maioria era contra, só tinha uma minoria a favor. Eu perguntei: Em relação ao sistema eleitoral atual,
V.Exa. é a favor, é contra, é indiferente? Esse número eu tenho de
cabeça: a favor, 22%; contra: 58%. E assim em todos os sistemas eleitorais
que eu perguntei, Deputado Chico Alencar, o número a favor era menor do
que o número contrário. Ora, se nós dependêssemos de maioria simples, já
estaríamos em dificuldade, porque o número em contrário é maior do que o
número a favor. Imagine, a maioria desses sistemas aqui vão depender de
maioria qualificada de três quintos, porque isso depende de
PEC.
E o nosso Deputado Alceu Moreira vem fazendo observações há algum
tempo mostrando que nós estamos aqui há alguns anos lutando por isso, o
que capacitou mais ainda a todos nós para o debate de hoje. Ele propõe que
aprovemos uma reforma eleitoral que seja uma travessia, um caminho, porque
o ideal, eu acho, ele já dá como uma causa perdida ou difícil de construir
maioria aqui para chegar lá. Ele propõe que não haja financiamento de
empresas, porque acha que é um fator de corrupção. E muitas pessoas pensam
assim. Acho que essa ideia está muito reforçada pelo momento que estamos
vivendo de tantas crises, de tantos escândalos de corrupção, um atrás do
outro e parece que não acaba nunca. Os 4 milhões que o Roberto Jefferson
disse que havia recebido do PT no Mensalão, que escandalizou o Brasil,
hoje parece que viraram troco diante de tanta coisa que está acontecendo.
Isso, sem nenhuma dúvida, incomoda aqueles políticos que querem manter uma
linha coerente e ética na atividade política.
Eu proponho como uma missão precípua nossa aqui, e com a qual eu
concordo: acabar com as coligações partidárias. Se chegarmos ao final do
nosso trabalho e não tivermos eliminado as coligações partidárias, eu acho
que teremos feito muito pouco em favor de uma reforma eleitoral e política
no nosso Brasil. E proponho uma forma que estou analisando ainda, que é a
de fatiar as propostas. Isso porque ele acha que se forem colocadas as
propostas todas num projeto de lei só, nós vamos conquistar adversários
que não o sendo em um ponto, o seriam por causa daquele ponto específico
no todo; e os adversários em um ponto não o seriam obrigatoriamente em
outro ponto. Quer dizer, as maiorias poderão se formar, independente das
pessoas, porque serão favoráveis num ponto e em outro não. É uma questão
que precisamos analisar, e daqui para lá vamos chegar a uma segurança de
como fazer melhor.
Vou passar a palavra ao próximo inscrito, Deputado Chico
Alencar.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Colegas, o Deputado Marcus Pestana falou que é quase uma
cláusula pétrea, é uma tradição da Esquerda o voto proporcional. Esse
debate é muito rico, instigante, mas quero dizer que parece que nós todos,
me incluo também, estamos prisioneiros de duas questões centrais. E essa
discussão da circunscrição, que foi a mais estimulante aqui, revela,
primeiro, a individualização da ação política, a “fulanização” dela. Isso
acontece também comigo que pertenço a um partido pequeno, mas que se
pretende ideológico, programático. Ficamos prisioneiros disso. As pessoas
na sua grande maioria — e isso é muito ruim, faço um juízo de valor — nos
olham como pessoas. Quem aqui nunca ouviu largamente a expressão: Eu voto em pessoas, não em
partidos? Como se os partidos não fossem constituídos por pessoas, e
como se não estivéssemos aqui por causa dos partidos, do voto, inclusive,
somado nos partidos.
Então, quando a gente fala, num dos argumentos, seja para
circunscrição, seja para o voto distrital, reconhecendo que há diferenças,
e a proposta da circunscrição é uma mediação, do controle do eleitor sobre
o eleito, é porque a gente está esquecendo totalmente, aposentando a ideia
de partido.
No Rio de Janeiro, felizmente — só no Rio de Janeiro, eu posso
falar isso a respeito da minha vivência partidária —, quem tem a relação
mais direta com o eleitor no Município são os quatro Vereadores do PSOL.
Acreditem, temos quatro na capital. Quem faz a interlocução com as
questões do Estado são os nossos cinco Deputados Estaduais. Eu quero ser
sempre Deputado Federal. Às vezes, cuido para que isso não pareça
arrogância. Eu digo: eu sou Deputado do Brasil. Se a gente quisesse
complicar ainda mais a bagunça aqui, o certo mesmo — já ocorreu isso no
Brasil — seria o Deputado ser votado no Brasil inteiro. O Getúlio, se não
me engano, não sei se para Senador, acho que para Deputado Federal, foi
eleito por seis ou sete Estados. Não foi tanto por causa da força do velho
PTB, muito diferente do atual, mas pelo carisma do Vargas, pela
visibilidade que tinha.
Por que eu digo que a gente é prisioneiro da individualização,
quando discute circunscrição ou distrito? Porque na verdade a gente
esquece que quem tem que expressar o que o partido programático pensa é o
Vereador. Há um Município do Rio de Janeiro chamado Varre-Sai. Eu nunca
nem varri, nem entrei, nem saí de lá. E olha que o Rio tem só 92
Municípios. Acho que tive 11 votos lá, na eleição anterior; agora, 9
votos, ou seja, perdi base. O PSOL não tem nenhum Vereador lá. Ele é quem
tem que cuidar das questões mais diretas. Aliás, não é só no Brasil,
Deputado Federal, além da Federação, tem que pensar no mundo, no
planeta.
Acho que ninguém está propondo revogar Câmara Municipal, Assembleia
Legislativa e Câmara dos Deputados. Senado é uma outra discussão. Eu já
oscilei pelo fim do Senado, por uma Assembleia Nacional, como há em alguns
países, mas o Senado é o equilíbrio da Federação. O Senador também é do
País, Senador da República.
Eu acho que a gente se vincula muito a isto: “Ah, o eleitor tem que me conhecer
pessoalmente”. Não, não. Ele tem que conhecer as suas ideias, e as
suas ideias têm que corresponder aos fatos programáticos do seu
partido.
Segundo ponto, outro argumento que também sensibiliza: baratear as
campanhas. Sinceramente, dá para fazer campanha muito mais barata se ela
de novo for partidária, programática e de opinião. Isso não é
mérito.
O Deputado Paulinho da Força estava chiando sobre doações que eu e
o Deputado Ivan Valente recebemos, fez denúncia na CPI da PETROBRAS,
incomodado com o nosso questionamento.
Aliás, o Senador José Serra assumiu e falou: “Eu recebi dinheiro da OAS. Se fosse
CPI Mista, eu ia me considerar impedido de participar dela” — essa do
petrolão. Bom, isso é só um parêntese para instigar os meus colegas
tucanos. Vejam que a gente concorda também. Louvores ao Senador Serra com
essa posição.
O Deputado Paulinho falou: “Ah, o pessoal do PSOL chiando que eu
recebi de empreiteiras e tal, mas eles também receberam de seus
servidores”. Sim, dentro da margem da lei, 10% se não me engano, do
recebido no ano anterior. Ele falou: “Olha aqui o seu”. Eles pesquisam,
ficam numa futrica danada. O servidor, um baita sociólogo, Leo Lince do
Carmo. Aliás, o (ininteligível)
também foi vítima dessa “acusação”, entre aspas. “Ele doou 12 mil para sua
campanha” — olha que sono — “e
recebe 7 mil ou 8 mil por mês.” Claro, ele tem outras atividades,
estão registradas, estão todas na declaração de renda. Cria-se um auê que
não se sustenta.
Baratear a campanha, que é o objetivo de todos nós, é possível e
necessário, e hoje há instrumentos, como a Internet, que dispensam aquela
relação presencial. A gente tem que reeducar também o eleitor, que fica
pedindo coisas, pedindo que a gente cometa o crime de captação de
sufrágio!
Eu entendo que é possível, sem baratear, a ideia do partido e da
lista pré-ordenada — o pessoal chama de lista fechada, o que é
depreciativo. Na iniciativa popular de lei, liderada pela OAB e pela CNBB,
ela é alterada, inclusive com alternância de gênero, pelo eleitor, naquela
ideia também engenhosa.
O Deputado Pestana fica falando de jabuticaba para cá e para lá.
Ele me confessou que adora jabuticaba, mas não só a frutinha: ele
corretamente quer botar umas jabuticabas jurídico-políticas aqui. Está
certo! Esse negócio de que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o
Brasil é papo do falecido Juraci Magalhães — Deus o
tenha.
Mas, olha, a captação de sufrágio está aí, e ela encarece a
campanha. Não se tem que percorrer 300 Municípios, cumprimentando o
eleitor. É claro que esse encontro presencial é bom, mas o partido, esse
ente coletivo, faz isso por nós.
Por fim, essa sub-relatoria das infraconstitucionais tem que atuar
em conjunto com a da PEC, porque há muita lei que a gente vai ter que
aprovar junto com o que vier a ser aprovado de emenda constitucional.
Eu também sou daqueles que pensam que a Constituição tem que ser
enxuta — não vamos constitucionalizar tudo —, mas, de fato — não se trata
de demonização —, a PEC constitucionaliza, ou seja, dá um vigor quase
pétreo ao financiamento empresarial.
E eu, respaldado, aliás, por grandes juristas, entendo que o
financiamento empresarial é nocivo à democracia, quebra um princípio caro,
que é a igualdade de oportunidades. Não há empresa que não tenha interesse
direto, na sua perspectiva do lucro e do ganho. Vamos avançar. É preciso
mediação também para doação física, com um limite rigoroso. Eu acho que a
gente tem essa oportunidade. Tomara que isso
aconteça.
Por fim, quero encerrar com uma frase bombástica: o sistema de
financiamento atual é inequivocamente corrupto, e o nosso modelo político
está falido, degenerado, absolutamente putrefato. Dou o autor: Deputado
Marcelo Castro, o Relator. Aplausos! (Riso.) Não é
Marcelo?
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Esqueça o que eu escrevi.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Não! (Riso.)
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Eu anotei a hora e a data em que ele falou isso
publicamente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu não vou esquecer o que escrevi, não. Está
escrito. Está na minha cartilha. É incontestável.
Bom, vamos ao próximo inscrito, o Deputado Joaquim
Passarinho.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Sr. Presidente, Relator, demais amigos, bom
dia!
Quero somente dizer, Relator, que, como o Deputado Esperidião Amin
falou há pouco, quando eu cheguei aqui e vi essa PEC, percebi que a
satirizaram muito, acharam que ela era tudo o que não prestava. Agora que
a gente começa a estudá-la, a gente vê que não é tudo aquilo.
Eu acho, como já dito aqui, que a escada já subiu um pouco. Não
vamos começar do zero. Muitas dessas propostas podem ser aperfeiçoadas,
mas acho que nós vamos poder chegar a um denominador para a votação.
Eu queria, para não repetir o que já foi dito, levantar duas
preocupações e tirar uma dúvida depois com o Relator. As preocupações se
devem até ao fato de que, como já disse na outra reunião, venho do Norte —
sou do Pará —, e voto facultativo na nossa região é muito complicado. É
muito complicado.
Nós temos regiões, cidades, locais de votação em que a pessoa tem
que navegar 12 horas de barco para chegar e votar. Nós temos pontos de
votação em que não temos como transmitir via telefone, EMBRATEL. Nós temos
que andar com o Exército para poder passar para outro Município e, então,
poder transmitir os dados.
Ou seja, com a dificuldade da votação, se se deixar o voto
facultativo, vai-se beneficiar, Deputado Chico Alencar, o poder econômico.
Vai votar aquele eleitor que está financiado para ir votar. Para nós, do
Pará e do Norte do País, principalmente, o voto facultativo será nefasto,
pelas dificuldades de locomoção, pelas distâncias. Essa é uma
preocupação.
A outra preocupação é com relação ao financiamento público. Eu não
sou contra o financiamento, mas acho que nós precisamos delimitar algumas
coisas. Falam para mim do financiamento público, mas não dizem de onde
vem. Até no financiamento privado se coloca que tem que ser determinado
percentual, absoluto. Eu concordo que deve haver regras, mas, no
financiamento público, isso fica em aberto, a ser regulamentado com uma
lei complementar ou uma próxima lei.
Fala-se muito que o financiamento não vai sair da área social, mas
tem que sair de algum lugar! Sai do fundo partidário? É daí que se vai
financiar? Sai do pagamento que é feito para as empresas de televisão? É
daí que vem?
Se não me disserem de onde vem, é difícil votar. Não sai da área
social, mas sai de onde? Dos investimentos, de estradas, de portos? Então,
enquanto eu não souber de onde sai o recurso público, fica muito difícil
votar a favor desse financiamento público. Essas são as duas
preocupações.
E outra questão, Relator, é sobre o sistema de regiões, de
distritos, que eu acho muito válida. Agora, há uma preocupação: foi falado
que, por distrito, no mínimo, seriam quatro representantes e, no máximo,
sete. Mas o art. 45, § 3º, I, do projeto fala que a diferença máxima seria
de um lugar entre as circunscrições do mesmo Estado. Seria de uma vaga?
Temos regiões muito densas no nosso Estado, enquanto outras regiões
são pouco densas. Então, se eu tiver sete em uma, só posso ter seis nas
outras? Acaba isso de quatro para sete?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não, quatro para sete é de um Estado até o
outro.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Não é entre circunscrições?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Pode-se fazer de quatro ou de cinco, de seis ou de sete, ou de
cinco ou de seis.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Quer dizer, a diferença é de um só entre um e outro
dentro do Estado? Pois é, isso me preocupa. É uma das dúvidas que eu
tenho. Há regiões metropolitanas no Norte, por exemplo, que são muito
densas.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - No Amazonas, por exemplo.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Amazonas, Pará...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - A Capital tem 50% da população.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Mais! Tem mais de 50%. Como se faria? Dividir-se-ia a
cidade de Manaus em quatro ou cinco partes? A proposta é essa? Só quero
entender.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não, porque Manaus tem 10 Deputados.
(Não identificado) -
Oito!
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Oito? Oito Deputados.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu estou falando que, se fôssemos abordar o critério da
população, teria 10, assim como o Pará teria mais
quatro.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Teria 21. O Pará teria mais quatro.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - O Pará teria mais quatro. Pelo critério atual, seria uma para a
capital e outra para o restante.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Dr. Esperidião Amin, gosto de falar com V.Exa., porque já
tive o prazer de votar em V.Exa. para Presidência da República. Eu ia
dizer...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Até agora, com isso, há três aqui presentes que votaram em mim:
o Deputado Marcelo Castro, representado pelo seu filho, que é o mais
inteligente da família, o Deputado Eduardo Cunha e
V.Exa.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Pronto, V.Exa. já arrumou três votos
aqui.
Mas eu queria dizer o seguinte: a minha preocupação é saber se,
dividindo dessa maneira, nós teremos realmente uma representatividade pelo
número de eleitores. É só uma preocupação.
Obrigado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu tive que me ausentar.
Eu queria lembrar a alguns dos companheiros — eu não escutei
ninguém falar essa expressão — que a base da representatividade é a
equivalência de um homem, no sentido de ser humano, e um voto. Nós temos
que procurar ser fiéis a esse princípio, com os tetos e os pisos a que se
referiu o Deputado Marcelo Castro.
Nos Estados Unidos,
nós temos Estados — não é um só —, como o Yeoman, por exemplo, que elegem
dois Senadores e um Deputado Federal. Por quê? Porque a sua população não
permite eleger mais do que um. Mas elege-se um. Há cinco ou seis Estados
que só elegem um, enquanto a Califórnia elege dois Senadores e 52
Deputados Federais — um homem, um voto.
E, para quem gosta muito de distrital, visitem a Inglaterra. A
expressão “burgo podre” vem de lá. Por despopulação, ou seja, por redução
da população, e até por erosão marinha que o mar possa ter provocado no
antigo distrito, têm-se verdadeiras fraudes eleitorais, ou seja, pouca
gente com grande representação.
Então, essa busca que o Deputado mencionou...
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Mas, Deputado, nos Estados está acontecendo isso. Os
Estados hoje estão mudando suas proporções populacionais, e nós não
estamos corrigindo nem prevendo qualquer regra de
correção.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - A regra de correção foi derrubada no ano passado. Não vamos
entrar nesse assunto. Meu Estado, por exemplo, é um dos
atingidos.
Mas
eu queria dizer a busca é sempre para que haja o subdistritão, a
circunscrição e uma população tão parelha quanto a do outro, no que for
possível.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
Relator, só para terminar, eu esqueci de falar que eu queria concordar —
acho que foi o Deputado Alceu quem falou — com nós podermos fatiar. É
muito perigoso, porque às vezes você tem alguém que defende o
financiamento público, mas não concorda com o voto facultativo. Se nós
juntarmos isso tudo num pacote só, nós vamos ter muitos adversários.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Relator!
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo
inscrito.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Relator, só para complementar, porque é exatamente sobre isso
a minha dúvida. Aqui, Indio da Costa, do PSD. Quero aproveitar a
oportunidade com o Deputado Esperidião.
Na verdade, a gente fez um exemplo do Rio de Janeiro a partir do
que foi entendido da regra. A cidade do Rio de Janeiro, se fosse por
região, teria mesorregião e microrregião. Não é isso? É o que está
colocado aqui.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Exato.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Por esse conceito, na cidade do Rio de Janeiro, com 11 milhões
e 600 mil... Aliás, esse é o Estado do Rio de Janeiro. Houve um erro. Mas,
de qualquer maneira, a cidade do Rio de Janeiro tem 4,5 milhões de
eleitores, quase 5 milhões. Estou arredondando. Aí, você pega a bacia de
São João com 149 mil e a baía de Ilha Grande com 177 mil. O que a gente
está falando é que os distritos seriam regionalizados, e não pela
quantidade de votos?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não, é pela quantidade de votos.
Mas vamos seguir a regra, senão nós não vamos chegar... Vamos
passar a palavra para a Deputada Moema Santiago, que está inscrita, e
depois nós vamos tirar todas essas dúvidas e responder a um por um.
Deputada Moema Gramacho.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Nada contra Santiago, mas o meu é Gramacho.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu falei Santiago?
Perdão.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Não tem problema.
Digníssimo Relator, primeiro eu queria agradecer seu empenho para
que já trouxesse hoje a resposta em relação à questão de como
discutiríamos os infraconstitucionais. E, na medida em que já está
decidido que será a mesma Comissão, eu acho que nós devemos dar celeridade
a essa questão, para que já possamos entrar na construção também dessa
proposição, para não ficarmos com várias emendas e tratarmos também dos
projetos.
Eu queria também dizer que reconheço que vamos ter muitas
dificuldades por conta de vários pensamentos que estão sendo externados
aqui, que também o foram nas audiências e serão nas diversas audiências
que vão acontecer ainda.
Eu queria fazer uma pergunta a V.Exa. Nós vamos ter alguns
consensos também. Na hora da sistematização dos consensos, vamos ter
algumas proposições e podemos até buscar ver como afunilá-las para
melhorá-las, para aprofundá-las. Mas como V.Exa. vai dar tratamento às
divergências principais? Nós vamos ter várias audiências públicas. Qual o
peso que essas audiências públicas terão no seu
relatório?
Nós estamos fazendo seminários regionais. Aproveito para já dizer
que o seminário da Bahia deve acontecer no dia 16. Ele está sendo proposto
em comum acordo com os diversos Deputados componentes desta Comissão que
são da Bahia — Deputado Daniel Almeida e outros — e nós vamos fazê-lo no
dia 16 na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia.
Eu preciso, até para que as pessoas que vão participar das
audiências possam ter uma expectativa desta Comissão, saber como o senhor
vai dar tratamento a essas questões das audiências públicas, os pesos que
elas terão. A oitiva da população e dos movimentos sociais que peso terão
na composição do seu relatório?
Segundo, eu queria dizer que me coloco, assim como meu partido,
completamente contrária a essa PEC, que tenta efetivamente
constitucionalizar o financiamento empresarial. Eu acho que é muito
importante, em relação às emendas que estão sendo construídas para
suprimir o financiamento empresarial, que a gente possa conseguir as 171
assinaturas, mas, mesmo que a gente não consiga essas emendas, que o
Relator esteja aberto a promover esse amplo debate, porque o tempo foi
muito curto para a coleta das emendas. Se a gente só tem até segunda-feira
para coletar as emendas, eu temo que a gente corra o risco de não
conseguir as 171 assinaturas para fazer as emendas, e que isso crie um
prejuízo no trabalho desta Comissão.
Eu reitero aqui a nossa contrariedade ao financiamento empresarial
e, portanto, sou contrária à PEC. E que nós possamos abrir imediatamente a
construção dos infraconstitucionais, para que nós possamos discutir.
Defendo o financiamento público em composição — como defendem a CNBB e a
OAB, a coalizão — com pessoa física, no limite de até 700 reais. Acho que
poderíamos fazer essa composição de financiamento público e de pessoa
física, para que nós possamos definitivamente sepultar o financiamento
empresarial, que não é a única causa, mas que é também uma causa da
corrupção, porque fica a troca de favores, e a gente tem uma representação
completamente distorcida da sociedade.
Para finalizar, eu queria dizer que não vi falar — eu tive que
sair, não sei se foi tratada essa questão — da paridade de gênero. Eu acho
que essa é uma discussão que está na ordem do dia. Nós estamos já
coletando a emenda para tratar dessa questão, já há um consenso com as
mulheres do Senado. Nós queremos trabalhar uma proposta de paridade de
mulheres, e até concordamos que essa paridade se dê de forma gradativa,
para que nós possamos num primeiro momento já garantir 30% de mulheres nas
vagas. Não necessariamente estamos aqui falando da disputa eleitoral, das
chapas para concorrer, porque isso tem sido uma coisa falseada. Primeiro,
a gente está lá com a garantia de participar das chapas, mas não tem as
condições para que a gente dispute em igualdade com os homens. Então, nós
estamos discutindo aqui os 30% iniciais nas vagas e, obviamente, um
crescimento de 5% a cada pleito, para que — quem sabe? — daqui a 20 anos
nós possamos chegar a 50% e à paridade de gênero. Nós somos mais da metade
da população e somos menos de 10% nos Legislativos. Portanto, há que se
aprofundar e trabalhar para que essa emenda possa ser apoiada por todos os
Parlamentares desta Comissão e, obviamente, para a aprovação definitiva.
As mulheres não querem mais estar sub-representadas do ponto de vista
numérico, apesar de qualitativamente estarem bem representadas. Não
queremos ser sub-representadas no Parlamento mais.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Agora, tem a palavra o próximo inscrito, o
Deputado Veneziano Vital do Rêgo.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Meu querido Deputado Marcelo Castro, serei breve,
porque eu já tive a oportunidade de fazer rápidas
menções.
Quando, pelo nosso partido — tanto a mim quanto a outros
companheiros —, nos foi delegada a incumbência de participar e colaborar
com algumas ideias, eu vim extremamente, como ainda estou, envolvido e
entusiasmado com a possibilidade de ver algumas mudanças se
efetivarem.
Nós somos muito atraídos pela tese de produzir legislativamente. A
meu ver, nós Parlamentares, em quaisquer situações, imaginamos que, ao
estabelecer novos regramentos, estamos dando soluções a situações que
porventura, decididamente, ao meu convencimento, poderiam ser resolvidas
de outra forma. Aqui, meu querido Deputado Henrique Fontana, não sei se
por receio de se falar que essas distorções partem muito do nosso
comportamento, do nosso procedimento e do procedimento do próprio eleitor,
nós nos abstraímos com receio de sermos mal interpretados. Mas a realidade
eleitoral do País, o próprio sistema eleitoral me permite dizer que não é
apenas a falta de um regramento melhor que nos permite assistir
aterrorizados ou chocados a situações atuais ou que vêm remotamente. Mas
defendo essa reforma e alguns pontos que são cruciais para que nós
demarquemos o que pensamos ser melhor para o País.
Tenho, Deputado Marcelo Castro — e a gente já discutiu isso —, uma
posição muito firme. Vejo como uma das maiores distorções, com todo o
respeito, o fato da ilegitimidade — não apenas nesta Casa, Deputado Chico
Alencar, mas nas Casas Legislativas — de quem passa a representar sem a
legitimidade de ter conquistado votos suficientes. Isso me incomoda,
porque ofende diretamente ao princípio básico da democracia — nós, que nos
atemos e falamos muito sobre ela —, que determina que tudo, principalmente
nas contendas e nos antagonismos, decidamos pelo princípio da maioria. Nós
terminamos por não entender quanto essa democracia é ferida, ao tempo em
que vemos Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e esta própria Casa
com um número razoável de Parlamentares que não granjearam essa
legitimidade. Isso me preocupa profundamente. E aqui não estou a fazer
apontamentos... a partidos ou a quaisquer outros companheiros. E não vejo,
não me convenço, com todo o respeito, quiçá possa ser convencido... Mas eu
sou favorável — e não batizo de distritão — à escolha majoritária dos
Parlamentares. Nem batizo, nem vou utilizar o termo distritão.
Eu acho que quem deve estar na Câmara, quem deve estar na
Assembleia, ou nas Assembleias, quem deve vir para o Senado — que já é
majoritário —, quem deve vir para a Câmara Federal é quem tenha
conquistado, granjeado pelos seus merecimentos, pela sua história, pelo
seu poder de convencimento votos suficientes para a representação. Porque
eu tenho ouvido aqui mesmo, de outros companheiros, que falam muito sobre
representatividade: “É preciso que
a sociedade esteja toda representada, é preciso que todas as
entidades...” Isso, sem sombra de dúvidas. Mas a maior
representatividade está na escolha que o eleitor faz através do somatório
de votos.
Eu sou defensor do voto majoritário, sem batizá-lo de distritão.
Porque também, por mais que ideal fosse falarmos sobre distrital misto, ou
subdistritão, não concordo com todas as razões para que nós enalteçamos —
porque cada um de nós tem o desejo de poder colaborar com o que seja mais
factível, mais plausível, que se aproxime mais do desejável.
Mas, quando se fala sobre o voto em distritos — e aí eu não vou
tomar o meu caso em particular, da Paraíba, poderia fazê-lo até porque
somos conterrâneos, da mesma região, meu querido Deputado Marcelo Castro,
mas vamos fazer menção ao seu querido, ao nosso querido Estado do Piauí —,
existem realidades, Deputado, que não nos permitem garantir a
homogeneidade. Um dos nossos companheiros, a mim me parece um companheiro
de Roraima ou de Rondônia, falava exatamente sobre o subpovoamento, a
densidade demográfica eleitoral.
Então, vejamos um caso muito prático: eu, que tive o prazer e a
honra de poder representar no Executivo a minha cidade, Campina Grande,
por oito anos, tenho como domicílio eleitoral Campina Grande. Campina
Grande tem seis Parlamentares aqui nesta Casa, domiciliados em Campina
Grande. E há a ideia do Deputado Esperidião Amin, em falar sobre divisões.
Levemos em conta que vamos dividir a Paraíba em dois grandes distritos, e
nesses dois grandes distritos, ou quatro grandes distritos, e reservemos
quatro vagas para a região de Campina Grande. Se um companheiro, que hoje
está aqui na Câmara Federal, se sentir “derrotado”, em tese, disputando
com outros três que, numa hipótese, são mais fortes eleitoralmente, o que
ele vai fazer, Deputado Henrique Fontana? Nós vamos estar inaugurando aqui
um processo de candidaturas itinerantes. Ele sai do domicílio eleitoral de
Campina Grande e da região e vai para o Cariri paraibano, que é
subpovoado, ou vai para a região do Sertão da Paraíba, que é subpovoado.
Depois, se esse cidadão, companheiro, candidato, tiver pessoalmente
condições materiais a mais, ele vai se sentir muito mais confortável de
sair dessa disputa para ir a uma disputa onde lhe seja mais favorável. A
meu ver, isso é muito claro.
Por isso eu sou favorável ao voto majoritário: leva, conquista quem
tem esse voto. Na hora que nós estabelecermos aqui subdistritões, nós não
vamos estar reconhecendo aquele que conquistou pelos seus
merecimentos.
Outra questão: diminuir os custos. Mas nós não estamos
estabelecendo regras, nós não já estamos limitando esses custos? A escolha
nossa... Eu não fui fazer campanha em Cajazeiras, eu não fui fazer
campanha no litoral da Paraíba. Eu me detive aos Municípios próximos ao
Município sede, Campina Grande, que conheceram o meu trabalho como
Prefeito daquela cidade e me permitiram, portanto, esse relacionamento.
Eu, próprio, fiz e estabeleci esse ponto de partida. São Paulo, com os
seus 800 Municípios: necessariamente, Milton, você não teve que fazer nos
800 Municípios! Fez na sua região! Então, eu tenho essas opiniões. É claro
que vamos travar...
Em relação ao financiamento público, eu acho que a gente tem que
enfrentar essa situação. Não é estabelecer a limitação ao ideal. Eu também
prego o ideal, eu tenho ainda alguma coisa da juventude utópica de dizer
que sou favorável — e sou — ao financiamento público. Mas sabemos nós não
ser praticável, porque se você investe contra a participação do
financiamento de pessoa jurídica, dá uma ideia de que a pessoa física não
pode fazê-lo e, entre aspas, já que é o nosso receio de tentar evitar
incestuosas e promíscuas relações de que essa pessoa, fazendo um aporte
financeiro, pessoa física, não tenha interesse de se vincular a você para
outros propósitos.
A gente tem de enfrentar e enfrentar com instrumentos de
fiscalização.
(Intervenção fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO RÊGO
– É uma pessoa
física. A gente tem de enfrentar com instrumentos de fiscalização que nos
permitam acompanhar e evitar tudo isso que está acontecendo.
São algumas rápidas colocações, meu querido Deputado Marcelo
Castro, mas eu queria aqui já pontuar algumas divergências, quem sabe, se
até a 44ª reunião, não poderei ser convencido do contrário.
Muito obrigado.
Quadragésima quarta, não é?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN
– Quadragésima.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO RÊGO
– Ah, desculpe. Eu
estava ampliando.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Eu vou chamar
atenção dos nossos colegas porque estamos bastante atrasados. Já são 12
horas. Eu pediria aos colegas, por obséquio que procurassem se cingir ao
tempo de 3 minutos e, se possível, também ao tema de debate aqui. Nós
vamos ter oportunidade de debater todos os temas. Nada é proibido. Tudo
pode ser dito, mas nós estamos tratando aqui da PEC Vaccarezza. Deputado
Esperidião Amin, que foi Relator, fez aqui uma belíssima explanação e nós
estamos aqui tentando tirar alguma dúvida que normalmente surge e podemos
tratar dos outros assuntos, como estamos fazendo, mas vamos enfatizar
esses dois aspectos para a gente ganhar tempo.
Então, tentando responder — Esperidião Amin me ajude — Deputado
Chico Alencar, em seu brilhante pronunciamento como sempre, dado as
escolas e o aprendizado que ele teve no Rio de Janeiro, mas, sem dúvida,
um pouco em função da genética que ele trouxe do Piauí. Não sei se V.Exas.
sabem, mas ele é um piauiense.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Eu tive de sair de Alto Longá para poder me eleger, porque
lá eu não conseguiria. No Rio, era mais fácil.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Ele é descendente da tribo dos
Pimenteiras, lá do Piauí. Pode olhar as feições dele aí. Ele tem uns
traços de Gengis khan, da nossa origem oriental de quando o homem
ultrapassou o Estreito de Bering.
Bom, ele fala em um assunto aqui que é corrente. A gente sempre
ouve as pessoas dizerem: “Eu voto em candidato e não em partido”. As
pessoas dizem isso com certo orgulho como se fosse um valor, jogando o
partido em segundo plano.
Eu gosto de dizer
sempre, Deputado Fogaça — sou da velha guarda, da Mangueira —, que bom
para um país são instituições democráticas, consolidadas, regime estável,
democrático; partidos políticos fortes, programáticos, ideológicos, para
dar nitidez ao processo de escolha e de seleção. Isso faz bem. É só olhar
o desenvolvimento dos países. O PNUD — Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento fez uma pesquisa recentemente: os dez maiores IDHs do
mundo estão nas democracias consolidadas, que têm partidos, há décadas, há
séculos, consolidados. Isso é um valor que não podemos perder de vista
nessa reforma que estamos fazendo. Eu acho que é muito importante sempre
que a gente puder enfatizar partido forte, estável, coeso, representativo,
com conteúdo programático, ideológico, doutrinário. É saudável para a
democracia inverter esses valores.
A Folha de S.Paulo,
Deputado Chico Alencar, fez uma pesquisa recentemente: 71% do
eleitorado do Brasil não tem identificação com nenhum partido. O partido
que tem maior identificação no Brasil ainda é o PT. Por que eu digo ainda
é o PT? Porque está caindo. Era 28%, numa pesquisa que eu tinha visto e,
agora, são 12%. Então, o partido que tem maior apelo popular tem 12% de
identificação. O segundo, o PSDB, tem 5%; o terceiro, o mais antigo de
todos, o PMDB, tem 4%, e o restante todo dos 29% têm 4%, todos
juntos.
Quer dizer, nós somos
um País sem partido. Essa é a conclusão. Hoje, o eleitor vota no
candidato, 2 anos depois, 70% não sabe e quem votou. Se ele não sabe em
quem votou, ele vai cobrar de quem? Se ele não tem nenhuma identidade.
Nós temos 28 partidos representados no Congresso
Nacional.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Trinta e dois criados.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) -Temos
32 em funcionamento e uma lista de 21 para serem criados. Virou um bom
negócio no Brasil, partidos absolutamente sem nenhuma identidade.
Pelo amor de Deus — se pudéssemos desligar as câmeras para o que eu
vou dizer aqui, porque isso só pode ser dito dentro de quatro paredes —,
eu não tenho nada contra, eu acho que quase todos os partidos são como
ele, mas estou usando-o como exemplo porque é muito ilustrativo: o nosso
PROS, querido partido criado recentemente, que tem figuras ilustres dentro
desse partido, o que quer dizer? Partido Republicano da Ordem Social.
Qual é o partido aqui, no Brasil, que não é republicano? Tem algum
defendendo monarquia aqui? E qual é o partido que é da desordem social?
Não existe isso. Então, é uma sigla feita a dread para dizer exatamente o que
diz: absolutamente nada. Esse é o ponto a que chegamos.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Eles se
unificam na habilidade verbal, na delicadeza ao se referir ao Congresso. O
PROS tem essa marca.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu não estou fazendo crítica ao PROS. Ao
PMDB também, o meu partido, faço críticas constantemente. Não
tem...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - O que quer dizer a sigla do PMDB? Partido do
Movimento...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - ... Democrático Brasileiro. Pois não é?
Essa crítica vale para todos. Eu só me lembro do PROS porque é o Partido
Republicando da Ordem Social. Todos são.
O SR. DEPUTADO VALTENIR
PEREIRA - Sr. Presidente, Deputado Valtenir, do
PROS.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Como V.Exa. foi citado, tem o direito. (Risos.) Eu já pedi escusas, está
entendendo? Não é minha intenção acusar o PROS, são todos assim ou
praticamente todos. Nós não temos identidade. Os partidos hoje no Brasil
não são siglas, são amontoados de siglas. Não significam praticamente
nada.
O SR. DEPUTADO VALTENIR
PEREIRA - Sr. Presidente, Sr. Relator, o PROS respeita o
posicionamento de V.Exa., mas nós temos um Estatuto, com programa bem
definido; inclusive, no nosso Estatuto, nós lutamos pela redução da carga
tributária no Brasil. Temos o programa, temos o Estatuto e o seguimos.
O que nós precisamos fazer, para finalizar, é mais formação
política, construção partidária, dialogar mais com a sociedade, para que a
sociedade possa ganhar confiança e fazer a participação política. Esse é o
grande desafio.
Por isso nós colocamos 300 milhões ao ano de dinheiro público no
Fundo Partidário, para que os partidos possam cumprir essa função
social.
Então, o PROS tem lutado para que isso
aconteça.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado Chico Alencar estava aqui
fazendo observações para baratear as campanhas. Ele vê a circunscrição
como uma mediação, cuja intenção, eu acho, é exatamente esta mesma: fazer
um meio termo para ver se a gente consegue chegar ao fim e para a gente se
posicionar — como muitos se posicionam, eu também — contra o financiamento
empresarial.
O nosso Joaquim Passarinho questiona aqui de onde sai o
financiamento público. Nós estamos tratando da PEC 352. O que diz a PEC?
Que isso será remetido para a lei. A lei é que vai dizer como será o
financiamento público. No projeto que nós fizemos com Henrique Fontana — e
na época também com o Caiado e com o Sérgio Machado, do Senado — era
estipulado um valor de 7 reais por eleitor para definir aquele conteúdo,
aquela quantidade de recursos para financiar as campanhas. Isso seria
dividido pelos candidatos à Presidência da República, aos Governadores de
Estado, aos Deputados Federais e, nos Estados, pela proporção dos
eleitores.
(Não identificado.) -
Qual é a fonte?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - A fonte é o Orçamento da União. É claro
que nós já temos hoje a renúncia fiscal das televisões, temos o Fundo
Partidário, que é dinheiro de recurso público.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu defendo que isso seja submetido a
referendo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O nosso Índio da Costa faz uma questão
sobre a circunscrição.
Então, no projeto da PEC estão estabelecidos os critérios para a
circunscrição. O Rio de Janeiro tem 46 Deputados Federais. Aí o Rio de
Janeiro poderá ser dividido em um número de circunscrições de forma tal
que não tenha nenhuma circunscrição com menos de quatro nem mais de sete e
que não possa haver diferença de mais de um entre o Estado.
Então,
digamos, se, no Rio de Janeiro, nós pegássemos 46 dividido por 7. Dariam
seis circunscrições de sete. Como não fecha a conta, algumas
circunscrições teriam que ser de oito. Por isso é que se diz que a
diferença pode ser no máximo de um, entenderam? Então, teriam algumas
circunscrições de oito e outras de sete, para, quando somar tudo... Não,
de oito não pode. (Intervenção fora do microfone.
Inaudível.) No máximo de sete. Teria que ser de seis e de sete. Então,
aumentaria o número, mas que ficasse no máximo de sete e no mínimo de
seis. Não pode ficar uma de sete e outra de cinco, porque o que a lei
prevê é isso aí, para não ter discrepância.
O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA –
Quer dizer, a circunscrição seria definida aqui,
então?
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - O tribunal eleitoral é que vai fazer isso daí.
O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA –
Não tem nada, então, com as chamadas micro e mesorregião que existem
lá?
O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA (?) –
Tem.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Tem que obedecer a micro e mesorregião desde que não
descumpra o eleitor, que é o princípio.
O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA –
Presidente Marcelo, posso fazer um parêntese?
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Quer dizer, se o Rio de Janeiro tem um número X de
eleitores, as circunscrições têm que ter um
número...
O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Uma proporcionalidade por eleitor.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Exatamente.
O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Está ótimo.
O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA –
Posso fazer um parêntese: Deputado Indio da Costa, essa concepção foi
muito inspirada numa prática do SUS: o Plano Diretor de Regionalização.
Com base nisso, a lei está fixando parâmetros rígidos que o tribunal, ao
fixar as regiões, não pode desrespeitar. É um conjunto de diretrizes que a
lei está oferecendo às micro e mesorregiões, às atuais seções e zonas
eleitorais, para evitar o efeito salamandra, que tem num distrito dos
Estados Unidos. Você tem uma bolotinha de um lado, uma estrada e outra lá.
Então, a justiça, ao fixar, não pode saltar uma seção e fazer um vácuo na
regional. Tem que ter conexão logística.
Nós
temos um caso em Minas na experiência da saúde. Uma cidade está a 100 km
de um polo de saúde, mas tem o rio São Francisco no meio. Então, o polo de
saúde está a duas horas. É Janaúba e Januária. Tem o rio e não tem ponte.
Então, tem que ter conexão logística para o eleitor poder trafegar naquela
região eleitoral. É identidade cultural.
Mas
o Congresso Nacional podia fixar as regiões, porque não sai daqui. Então,
a gente fornece as diretrizes na PEC, e aí o tribunal, com essas
diretrizes rígidas, muito bem amarradas, vai lá e monta as regiões.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Perfeito. Bom, a Deputada Moema Gramacho faz algumas
observações sobre a nossa PEC e um parecer sobre um projeto de lei.
Então,
o que estamos pedindo? Para V.Exas. falarem com os seus líderes para
constituírem a nossa Comissão com os mesmos membros, para não trazerem
transtornos. Senão isso vai atrapalhar o nosso trabalho.
Ela
questiona como eu vou dar tratamento às questões principais. Vou lhe
responder de uma maneira bem direta: não sou eu que vou dar o tratamento,
são V.Exas. Eu disse no primeiro dia aqui quando falei e distribuí a minha
cartilha com as minhas ideias. Eu não vou relatar as minhas ideias, vou
relatar as ideias de V.Exas. Então, não tem nenhuma matéria tabu, nada é
proibido, vamos discutir todas elas. O que a maioria decidir eu vou botar
no relatório, e depois nós vamos fazer a votação final. Satisfeita com a
resposta?
Manifesta-se
contra a constitucionalidade do financiamento de campanha. Mas a PEC teve
um cuidado, é verdade. O financiamento de empresas fica
constitucionalizado, só que remete tudo para a lei. Então, se nós
quisermos, podemos botar na lei, porque as empresas poderão contribuir,
mas com 0,000001%, que é nada. Está entendendo? Quer dizer, se nós
quisermos mesmo seguir por esse caminho, a constitucionalização não vai
impedir tanto. Embora eu ache que matéria de financiamento de campanha
deve ser tratada como matéria infraconstitucional, projeto de lei,
tranquilamente.
Agora, a Deputada Moema Gramacho inova, porque nós temos, na lei,
que os partidos, ao fazerem as listas de candidatos, têm que colocar 30%
de mulheres. Mas ela está inovando. Quero chamar a atenção das Sras. e dos
Srs. Deputados. Ela quer que sejam reservadas 30% das vagas para as
mulheres, que é outra coisa completamente diferente.
O que existe no mundo, quando analisamos o mundo democrático? Há,
infelizmente, uma sub-representação das mulheres praticamente em todos os
Parlamentos do mundo afora, com a exceção de alguns países da Europa, como
a Dinamarca, a Noruega, aqueles países mais do norte da Europa. E, onde as
mulheres são bem representadas, o sistema é normalmente de lista
preordenada. O Deputado Chico Alencar não gosta muito do termo lista
fechada. É a lista preordenada.
Até as mulheres do PMDB me procuraram, e eu sugeri a elas que, para
defender uma participação maior do gênero feminino, o melhor sistema que
está comprovado no mundo é o de lista fechada. O problema é passar no
Congresso Nacional a lista preordenada. Então, fica essa questão. Agora,
vamos ver, é uma questão nova reservar 30% das vagas para as mulheres,
como são reservadas nos concursos públicos para os deficientes e para os
negros. É uma questão nova que precisamos incorporar na discussão. (Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
Nós estamos falando da mulher porque é o gênero que está em
questão. Eu disse para a Deputada Moema Gramacho que a proposta que a OAB
infelizmente faz não favorece as mulheres. Fala tanto em paridade de
gênero, mas, no primeiro turno, teria paridade de gênero: um homem e uma
mulher, um homem e uma mulher.
Então, na Bahia, suponhamos o caso: o PT fez cinco Deputados. Quem
são? Aí os dez primeiros da lista, pela proposta da OAB e da CNBB, vão
para um segundo turno para disputar entre eles quais serão os cinco mais
votados para virem para Brasília. Então, vão ser cinco homens competindo
com cinco mulheres. O que vai dar? Vai dar o que sempre deu: 90% de homens
e 10% de mulheres. Não tem por que mudar.
Então, a proposta da OAB, que aparentemente prega a paridade, vai
fazer exatamente o contrário. Vai perpetuar o que tem aqui no Congresso
Nacional: essa maioria esmagadora de homens. E nós acreditamos que seria
melhor para a democracia uma participação melhor.
O nosso colega Veneziano Vital do Rêgo já saiu. Defende o
distritão, embora não queira usar esse nome, porque defende o sistema
majoritário, mas no Estado todo. Então, não quer chamar de distritão. E faz a questão do problema da
demografia. Campina Grande tem seis Deputados Federais. Então, teriam que
migrar.
Claro,
essa é uma das grandes vantagens da proposta dos nossos Deputados Marcus
Pestana e Antonio Carlos Mendes Thame. É uma regionalização, uma
diminuição do espaço e representar todas as regiões do País. Teriam
representante aqui no Brasil, o que é um grande ponto positivo do sistema
distrital. É que todas as regiões são representadas.
E a região que tem uma densidade demográfica mais baixa não tem
problema, faz uma região maior, contanto que as circunscrições tenham
aproximadamente a mesma quantidade de eleitores. É a exigência do que está
estabelecido na lei.
Deputado Esperidião Amin.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só tenho duas pequenas observações. Nada a acrescentar mas
duas... Queria pedir a atenção do Deputado Indio da Costa. É só para dizer
o seguinte: como já falou o Deputado Marcus Pestana, há uma prescrição
razoavelmente detalhada para como constituir um subdistritão.
O
senhor chamou a atenção de que
O
inciso I do § 3º:
“I - diferença máxima de um lugar entre as circunscrições do mesmo
Estado ou do Distrito eleitoral;
II - contiguidade territorial, respeitado os limites das zonas
eleitorais.
I
II - integridade das mesorregiões e
microrregiões;”
Mas ainda que esteja no item 6º, o princípio de um homem, um voto
poderia ser o primeiro, mas ele é acima do que se considera direito
produzido por nós. É um princípio universal da democracia. Tanto quanto
possível, temos que nos aproximar de números mais ou menos
equivalentes.
Se há regiões subpovoadas ou superpovoadas, o que o Deputado
Veneziano nos ofereceu é o caso clássico da super-representada. Se alguém
está sub-representado, é porque há alguém super-representado. Se temos uma
dúzia de ovos e uma parte da sala ficou com 12, é impossível que a outra
tenha. O Deputado Veneziano nos deu a contribuição de uma região que se
acha super-representada. Nós também temos Estados super-representados que,
pelo último censo demográfico, têm mais representantes federais do que
outros no per capita. Isso deu
um grande problema aqui no Congresso no ano passado. Eu não vou me
rememorar.
O Estado do Pará, pela sua população, tem direito a 4 Deputados a
mais. Só que, para ele ter mais quatro, outros terão que perder esses
quatro, porque não vamos passar de 513 para 520. E dou mais um exemplo, o
dos Estados Unidos. Eles mantêm os mesmos 345 Deputados Federais sempre, e
o censo demográfico, a cada 10 anos, empurra um para um lado e outro para
outro, sob pena de, daqui a pouco, criarmos mais cadeiras indefinidamente,
de acordo com o aumento da população.
Então, tem sub-representado e tem super-representado. Como se
conserta isso? Respeitando o princípio de um homem, um voto, dentro do
possível. E, no Brasil, isso está bem longe de ser uma regra draconiana,
porque o mínimo é oito, o mínimo não é um, e o máximo é 70, que é o caso
de São Paulo, que, como lembrou o Deputado Marcelo Castro, iria a 120, se
fosse aplicar o princípio puro de um homem, um voto.
Então, são as seis balizas para que o Tribunal Eleitoral procure
construir o subdistritão ou como se queira chamar a circunscrição. É o que
eu gostaria de adicionar.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Só para agradecer sua explanação, o art. 25 da Constituição
Federal fala dessas regiões:
“Os Estados poderão,
mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamento de Municípios
limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de
funções públicas de interesse comum”.
Na realidade, quem está falando aqui é de uma outra divisão a ser
feita pelo Tribunal Regional Eleitoral. Acho que é importante, de alguma
maneira, deixar isso mais claro no texto, sobretudo concordando com a
ideia de que a relação equivalente — inciso VI — entre número de
eleitores, de representantes nas circunscrições do mesmo Estado ou do
Distrito Federal, se a gente puder, para não haver essa discrepância no
Rio. No Rio teria uma região com 11 milhões e 500 mil moradores, elegendo
quatro ou cinco, enfim, dependendo da divisão, e a
outra...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Lembrando que o parâmetro é sempre
eleitores.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - É isso que estou dizendo, mas deixar claro no texto, porque,
na hora que o inciso III falar na integridade...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Um belo trabalho para suas sugestões. Eu confesso que me
considero satisfeito com o que está escrito, mas cada um pode
aperfeiçoá-lo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O próximo orador inscrito aqui é o
Deputado José Fogaça.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Obrigado, Sr. Relator. Muito obrigado pela palavra agora. Eu não sou
membro desta Comissão, mas me sinto muito à vontade e tenho um grande
entusiasmo em participar dessas reuniões.
Lembro-me de uma pequena história que explica um pouco daquilo que
nós estamos discutindo. O Senador e Deputado Esperidião Amin — como fui
colega dele no Senado, não perco a mania de chamá-lo de Senador — deve
lembrar que o Dr. Ulysses Guimarães, na Assembleia Nacional Constituinte,
disse que apresentaria só uma emenda. Ele, que era tri-Presidente — era
Presidente do PMDB, era Presidente da Assembleia Nacional Constituinte e
era Presidente da Câmara dos
Deputados —, naquele momento, realmente era tudo de poder que se
possa imaginar.
Havia uma ascendência enorme sobre aquele Congresso que se reunia
para a Constituinte. E ele disse: “Só vou apresentar uma emenda.” Em
toda a Assembleia Nacional Constituinte, ao longo de 2 anos, só apresentou
uma emenda que era fazer o Estado de São Paulo passar de, creio, 50
Deputados ou 45 na época, para 70, para tentar dar um pouco mais de
realidade à representação paulista que realmente estava deformada para
baixo.
Naquele momento, no seu gabinete, na Câmara dos Deputados, o Deputado
Siqueira Campos fazia greve de fome pela criação do Estado do Tocantins.
Quando o Dr. Ulysses apresentou a emenda, o Deputado Aldo Arantes do
PCdoB, de Goiás, na iminência de perder a metade do Estado, disse: “Nós aceitamos, desde que passem de
quatro Deputados no mínimo para oito.”
No Colégio de Líderes da Constituinte essa decisão nasceu dessa
proposta do querido Deputado Aldo Arantes.
Então, a partir daí, nós tivemos o que hoje temos estabelecido na
Constituição. São oito no mínimo por Estado. Aí, criaram-se três Estados:
Tocantins, Roraima, Amapá — foram criados na Constituinte. Só aí já
representaram 24 Deputados a mais.
Então, houve realmente um inchaço, um crescimento da Câmara dos Deputados e, claro,
também do Senado, porque surgiram mais nove
Senadores.
Mas é importante dizer que acho que isso é muito difícil mudar.
Acho que isso é quase uma cláusula pétrea, não legal ou institucional. É
uma cláusula pétrea física, é uma pedra de verdade. Acho que é muito
difícil.
Portanto, essa pretensão de um homem, um voto; um cidadão, um voto,
é bastante complicada, porque essa divisão por Estados nos levou a uma
certa super-representação de alguns Estados. Oito era muito para os
Estados muito pequenos e 70 era pouco para uma São Paulo que crescia
vertiginosamente.
Mas estou dizendo isso apenas para ilustrar o fato de que, às
vezes, acho que Bismarck tinha razão: “É bom não saber como se fazem as leis
e as salsichas.”
Mas o que eu estou querendo dizer é que vou voltar a insistir,
querido Relator, naquilo que
disse na reunião anterior. Eu acho que nós temos que perseguir a
simplicidade, perseguir uma forma absolutamente unificadora, que nos una.
Aquilo que nos une é o que deve servir de base para essa reforma política. E devemos expurgar da emenda tudo aquilo que nos
separa. O voto facultativo aqui, tenho certeza de que não é
unanimidade. E
há outras questões. E, aí, têm que ser enfrentadas. São polêmicas, mas têm
que ser enfrentadas. Infelizmente, não tem como
vencê-las.
Acho que, em primeiro lugar, está a simplicidade. Em segundo lugar,
nós temos que visar o foco em alguns pontos fundamentais, ter objetivos
claros e inequívocos, e o primeiro deles é o da redução drástica dos
custos de uma campanha eleitoral.
Como reduzir os custos de uma campanha eleitoral? Há dois meios. O
Deputado Veneziano Vital do Rêgo fez referência a isso. Um deles é por via
da lei, por limitação e proibição. Eu concordo plenamente com o Deputado
Alceu Moreira, nós deveríamos proibir, vedar a doação por empresas ou a
doação por pessoas jurídicas. Essa questão me parece fundamental. Mas é a
opinião de um Deputado. Mas limitar doações a pessoas físicas ou limitar
em valores absolutos e percentuais é realmente fundamental. E, aí a PEC
está no caminho certo, a proposta está no caminho
certo.
A outra é a redução do tamanho da circunscrição. Essa proposta
subcircunscricional... Vamos chamar assim, porque a única circunscrição
que existe para Deputado é a circunscrição do Estado. Se nós dividirmos os
Estados em novas circunscrições, serão subcircunscrições. Na verdade, essa
proposta é inteligente, ela é uma saída bastante engenhosa, mas também tem
os seus defeitos. Tem também as suas dificuldades. Uma delas está na
divisão do mapa, em que ponto o mapa vai ser
dividido.
Nos países onde vigora o voto distrital, os distritos são revistos
a cada eleição. O desenho do mapa distrital é revisto pela Justiça
Eleitoral — não existe a Justiça Eleitoral, mas pela autoridade eleitoral
de cada País. O distrito é revisto, justamente por causa do sistema de
burgos podres a que se referiu o Deputado Esperidião Amin. Para que não
haja burgos podres, burgos ou distritos que perdem população, que diminuem
em tamanho populacional, para que isso não aconteça, a cada eleição, a
Justiça Eleitoral deve revisar o mapa do distrito, para estabelecer uma
situação mais equânime, mais igualitária.
Então, é importante a redução, realmente, da área de circunscrição,
do tamanho da circunscrição. Acho que isso é fundamental, porque, se não
passar aqui a proibição de doações por empresas privadas — que não é
unanimidade também, mas uma questão polêmica —, a redução do tamanho da
circunscrição é um instrumento poderoso, também, para controle de gastos.
Isso, combinado com as limitações de gastos em campanha por lei, acho que
pode resultar em uma situação bem diferente da que temos
agora.
O segundo objetivo tem que ser o de vincular o candidato ao
eleitor. E isso também se faz pela menor circunscrição. Quanto menor a
circunscrição, quanto menor o distrito, mais vinculado está o candidato ao
seu eleitor, mais direta e mais próxima é a relação entre
ambos.
Mas a proibição de coligações ou a criação do sistema de federações
partidárias é, também, um caminho indireto para esse fim, ou seja, também
determina, de alguma maneira, a mudança nesse tipo de
situação.
Então, eu quero aqui chamar a atenção para o fato de que o
distritão, que é uma proposta gerada no seio do meu partido, PMDB, por
pessoas que merecem todo o respeito e consideração, quero dizer que o
distritão tem alguns aspectos que, a meu ver, são extremamente negativos.
E um deles é estabelecer uma verdadeira guerra entre os candidatos. Vamos
ter um sistema muito semelhante ao sistema majoritário, é quase que um
sistema Geni, um jogando pedra no outro. Por outro lado, evidentemente,
para vencer as eleições no Estado inteiro, os candidatos vão extrapolar
nos seus objetivos e vão procurar arrecadar fundos em proporções
gigantescas. Ou seja, tenderá a ter um custo enorme a campanha
eleitoral.
Então, acho que nós temos que discutir sobre isso e procurar não
retroceder. Estamos querendo avançar, dar um passo à frente e não
retroceder.
Por fim, eu vejo um sério problema nesse sistema chamado
subcircunscricional, eu vejo um sério problema, que também vale para o
voto distrital, para o sistema distrital tradicional, que é a inexistência
de simetria entre o número de Deputados Federais e o número de Deputados
Estaduais. Ao estabelecer, por exemplo, a subcircunscrição no Estado de
Santa Catarina, eu não sei como seria, não me recordo
exatamente.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Está afeiçoado para isso. São 16 federais e 40 estaduais. Cada
região, cada subdistritão, elegeria dez Deputados Estaduais e quatro
Deputados Federais, sem necessidade de
arredondamento.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Tá bem.
(Intervenção
inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sim. É uma questão de resultado. Por exemplo, o Rio Grande do
Sul já tem neste momento dois clubes na Série A, já alcançou a metade do
quociente de Santa Catarina, que tem quatro. (Risos.)
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Não só tem quatro, como tem um desempenho maravilhoso. Ganhou do
Internacional de 5 a 1.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - São pequenas maldades que a gente faz.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- E eu aproveito para fazer a minha pequena maldade, também, com os
meus adversários do Internacional.
Mas, Sr. Presidente,
apenas digo isso porque temos que simplificar para evitar adversários da
emenda.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Falando sério, haverá arredondamentos a fazer, acertos. O Rio
Grande do Sul tem 31...
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Tem 31 e 55.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - ...e 55.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- São números muito díspares.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não é difícil, com a matemática e o bom senso, chegar a um
resultado. Não é tão fácil quanto no meu Estado.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Desde que os arredondamentos sejam sempre pra cima, fica
mais fácil, porque arredondar pra baixo complica,
né?
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Uma região terá que ter um Deputado a mais do que outra. E, aí, é
uma discussão que pode não terminar nunca.
Mas é isso. Quero cumprimentar o Relator pelo trabalho que vem
fazendo, pelo espírito democrático aberto, essa isenção, a capacidade de
ouvir, de aceitar, e simplesmente trabalhar aquilo que vai nos fazer dar
um novo passo adiante na democracia brasileira.
Temos um bloco histórico de 25 anos, 26 anos agora, sem golpe de
Estado. Não há nenhum outro bloco histórico da vida republicana em que não
tenha havido uma tentativa de derrubada pela força de um Presidente da
República. Então, quando um presidente eleito, subsequentemente, entrega a
outro presidente eleito a Presidência da República pelo voto democrático,
isso é um valor extremamente precioso, que nós não podemos
perder.
Obrigado, Sr. Relator.
O SR. DEPUTADO MARCELO
CASTRO - Nós é que agradecemos, Deputado José Fogaça, que vem nos
relembrar aqui traços históricos ainda da nossa Constituinte, da qual
V.Exa. participou. Agora, eu vou pedir novamente aos nossos companheiros,
porque já estou vendo uma certa apreensão, e ainda tem muitos inscritos,
para a gente encurtar um pouco o tempo, em nome de todos, porque senão
alguns vão falar e outros vão ficar... Pois não!
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Boa ideia! E vamos procurar ser
sintéticos, para a gente alcançar o nosso objetivo.
Com a palavra o Deputado Capitão Augusto.
O SR. DEPUTADO CAPITÃO
AUGUSTO - Sr. Presidente, usarei minhas breves palavras e prometo ser
bastante curto, até para compensar o tempo. Antes de entrar na questão
propriamente dita, de dar a minha opinião, permita-me fazer um pedido, um
apelo aos Deputados, para que a gente aproveite esta Comissão para
corrigir um erro que a Constituição Federal, em 1988, no seu art.14,
acabou excluindo os direitos políticos de uma parcela da sociedade. E não
há nenhum País que possa se considerar plenamente democrático enquanto uma
parcela da sociedade estiver alijada dos seus direitos políticos.
Nós temos mais de 1 milhão de militares que não têm direitos
políticos neste País — não têm direito à filiação partidária; não têm
direito a concorrer em igualdade de condições; não temos o direito, após
eleitos, sequer de retornar à nossa profissão.
Eu, a partir do momento em que fui eleito — poderia continuar minha
carreira no Estado de São Paulo —, infelizmente, fui tolhido dessa
possibilidade e não posso sequer retornar à instituição. Para quem não
sabe, nós somos exonerados. Se eu não me reeleger, sou mais um
desempregado neste País. Então, trata-se de um direito que os militares
têm. Esperamos...
(Intervenção fora do microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO CAPITÃO
AUGUSTO - Sem dúvida nenhuma. Não tenho a menor dúvida disso. É o
maior prazer do mundo isto aqui. A reserva é somente para quem tiver mais
de 10 anos proporcionais. E quem tem tempo proporcional — posso dizer a
V.Exa. — recebe um salário bem pequeno, bem pequeno mesmo, o que não
permite a nossa aposentadoria. Com menos de 10 anos, há a exclusão, a
exoneração das fileiras da Polícia Militar. Então, faço um apelo aos
demais Deputados, que se sensibilizem, para que a gente consiga alterar
essa diferença que é feita com os militares do
Brasil.
Quanto à questão propriamente dita, Excelência, eu tenho duas
preocupações. Primeiro, com a questão do distritão, da circunscrição,
porque, pelo que eu tenho visto, isso vai privilegiar somente a
territorialidade, esquecendo-se das demais
categorias.
Então, nós temos as categorias de classe, e elas, obviamente,
recebem votos do Estado inteiro. Não podemos partir apenas para o voto
distrital direto, duro — como é dito —, mas sim, pelo menos, para o voto
distrital misto, que não levaria em conta tão somente a questão da
territorialidade, mas também a das entidades de classe, o que não pode ser
esquecido nesse processo. Então, eu sou plenamente favorável ao voto
distrital, desde que ele seja misto, e não do jeito que está sendo
apresentado.
Outra questão, dentro ainda do voto distrital, é a do misto. O
nosso Deputado Veneziano estava falando da lista. Essa lista também é uma
questão complicada. Por quê? O que nós vamos querer: a representatividade
individual ou a representatividade política?
Então, digamos que, nesse distrito, um partido lance 10 candidatos.
Desses 10 candidatos, cada um tem 50 mil votos. Essa legenda, essa
ideologia partidária, leva consigo, carrega consigo, 500 mil eleitores. Aí
nós temos outro partido que lança apenas 1 candidato, e esse 1 candidato
tem 51 mil. Então, esses 51 mil votos entram, com a ideologia partidária
dele, e aquele partido com 500 mil votos deixa de entrar.
Então, o que nós queremos aqui? Uma representatividade individual
ou uma representatividade política? Essa questão deve ser considerada para
que nós também não prejudiquemos os partidos. Afinal de contas, houve
duros processos aqui para que fosse privilegiada a questão partidária e
não a individual. Talvez a gente tenha um retrocesso com a aprovação dessa
lista ao levar em consideração somente a pessoa, a individualidade.
Obviamente, nisso, acabam levando uma grande vantagem — como já foi dito
aqui — artistas, pessoas públicas, pessoas extremamente conhecidas. A
questão financeira também influencia isso aí.
Então, em breves palavras, Presidente, são essas as minhas duas
preocupações: quanto à questão do distrito e da lista. E volto a fazer um
apelo aos Srs. Deputados: que a gente inclua o direito político aos
militares deste Brasil.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Em seguida, o Deputado Valtenir
Pereira.
O SR. DEPUTADO VALTENIR
PEREIRA - Sr. Presidente, nobres pares do PROS, a grande discussão que
nós temos é exatamente baratear os custos das campanhas. Eu vejo como
extremamente importante — embora não está
sendo objeto aqui deste debate, porque são questões que nós vamos tratar
através de leis, que é a vedação da contratação de cabos
eleitorais.
Em 2010, esta Casa inovou no parecer do Relator, Deputado Flávio
Dino, quando colocou a contratação de cabos eleitorais. E nessa
contratação há um exagero no período eleitoral, porque essa contratação de
cabos eleitorais não tem finalidade nenhuma de divulgar proposta, tem
outras finalidades, que é legalizar a compra de
voto.
Há situações, por exemplo, lá no meu Estado, na última eleição, em
que cheques de 200 reais foram preenchidos na reta final. Inúmeros cheques
foram emitidos, e a gente tomou conhecimento disso. Só que você não tem
como alegar qualquer vício, porque existe contrato, contratação; está tudo
legalizado, de tudo foi prestado conta; a Justiça Eleitoral homologa — “Bacana!”; “Beleza!” —, e as coisas
acontecem.
Dentro desta sugestão, é preciso, sim, contratar cabos eleitorais,
claro, no limite suficiente para levar, para propagar a proposta dos
candidatos majoritários ou proporcionais, mas aí nós teríamos que colocar,
por exemplo, que esses cabos eleitorais estejam filiados ao partido no
mínimo 1 ano antes; que, durante esse período que antecede a 1 ano das
eleições, tenham se submetido a cursos de formação política para conhecer
a bandeira programática do partido político.
Então, são coisas assim, desse nível, porque hoje nós já destinamos
cerca de 300 milhões de reais/ano para fazer formação política, construção
partidária, para exatamente nós podermos apresentar isso ao eleitor com
qualidade.
Dentro desta lógica, nós vamos apresentar uma emenda à PEC. Já
temos as assinaturas suficientes — já estamos chegando a 190 assinaturas —
para separarmos as eleições do Executivo das eleições do Legislativo.
Hoje, nós temos esse processo misturado: temos a eleição do Executivo, em
que temos um projeto a ser apresentado ao eleitor, que é exatamente um
plano de gestão, um plano de ação, um plano estratégico; e temos as
eleições para o Parlamento, as eleições voltadas a temas, a projetos de
lei, a fiscalização. Os papeis, as tarefas são distintas. As tarefas do
Executivo são umas; as tarefas do Legislativo são outras. Então, a eleição
de Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal, e Senador da República,
que é Parlamento, que é fiscalizar o Executivo, seria separada das
eleições de Prefeito, Governador e Presidente da
República.
E tudo que acontece no País é mazela do Parlamento — é o que a
gente tem visto. Nós estaríamos aí ocupando um protagonismo ao separar as
eleições, ao fazer as eleições para o Parlamento em uma época, como
acontece nos Estados Unidos, e uma eleição para o Executivo em outra
ocasião, em outra época. Nós vamos ocupar assim temas importantes na época
em que estivermos nas eleições para o Legislativo. É uma forma de
fortalecer o Parlamento, que é a voz da população, é a voz do povo.
Então, Sr. Presidente, deixo essas
contribuições.
Quanto ao fim das coligações, só para finalizar, se isso acontecer,
nós temos que tirar o quociente eleitoral, se for o caso de acabar com o
fim das coligações. No meu Estado, com 1 milhão e 600 mil eleitores e 8
vagas, 200 mil é o quociente eleitoral: coligações ou partidos vão
alcançar 190 mil votos, e não vão ocupar nenhuma cadeira; e partido que
conseguiu 210 mil votos vai ocupar duas cadeiras. E aí a gente não
encontra uma justeza na aplicação quando se mantém o quociente
eleitoral.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu vou convidar o próximo orador inscrito,
a Deputada Luiza Erundina.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Só quero fazer uma questão de ordem, ou melhor, dar uma
sugestão para todos nós. Tem gente preocupada em coletar assinaturas para
emendas. Eu quero propor um acordo entre os partidos na Comissão. O que
vai decidir vai ser a nossa votação, portanto todos poderíamos — e
deveríamos — assinar as emendas de todos, para que tudo seja acolhido, sem
compromisso de mérito.
(Intervenção fora do
microfone.
Inaudível.)
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Sem compromisso de mérito. Exatamente.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - V.Exa. me permite? Eu falei hoje com o Deputado Marcelo Castro
e torno isso público: vamos pedir ao Presidente Eduardo Cunha que repita o
que ele já disse. Hoje, no plenário, eu vou pedir para ele repetir o
seguinte: “Temos o compromisso de
subscrever todas as emendas que forem produzidas”. Se nós criarmos
dificuldades para obter o número de assinaturas, alguns serão
prejudicados. Então, eu vou pedir e, se Deus quiser, o Deputado Marcelo
Castro também vai pedir que ele diga: “Por favor, assinem todas. Depois elas
vão se classificadas”. Isso é para que não haja uma barreira, uma vez
que nós queremos cumprir o prazo.
Obrigado, Deputado Henrique Fontana.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo
orador.
Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. (Pausa.) Cansou de esperar e
saiu.
Com a palavra a ilustre colega Deputada Josi Nunes. São
12h57min.
A SRA. DEPUTADA JOSI NUNES
- Obrigada.
Bom dia a todos! Essa discussão é muito complexa, tanto que cada um
tem uma ideia, cada um tem uma sugestão. Foi exatamente por essa complexidade
que ela passou tanto tempo nesta Casa sem se concretizar um
caminho.
Eu quero aqui usar um pouco da fala em que o Deputado José Fogaça
usa exatamente a palavra que eu gostaria de utilizar. S.Exa. falou antes e
acabou colocando a questão da simplicidade. Eu tenho participado de todas
as discussões. Sou Deputada Federal no primeiro mandato e não participei
das outras grandes discussões que esta Casa realizou com relação à reforma
política, mas estou buscando informações, estudando, participando das
discussões.
Nós vimos a proposta do sistema eleitoral misto, vimos uma outra
proposta do sistema igual ao da Alemanha, que alguns falam que é o ideal.
Depois, vimos a proposta do sistema majoritário, que é o prioritário na
Inglaterra. Nós temos a proposta das 44 entidades, que propõe um processo
de reforma eleitoral em dois turnos. Estamos agora recebendo e ouvindo a
proposta do Deputado do Solidariedade para dividir a eleição do
Legislativo e do Executivo. Então, temos várias
propostas.
Nós também estamos colhendo sugestões para uma proposta com relação
à participação das mulheres. Essa sugestão é muito positiva. Quando dizem
que é cota, não queremos assinar, mas vamos todos assinar! Mas sem
analisar o mérito, por enquanto.
Então, é complexo, mas hoje eu fiquei mais tranquila com essa
proposta da PEC 352, porque ela simplifica. Nós não vamos conseguir fazer
a reforma ideal de uma vez. É necessário um processo. A cada tempo, nós
vamos ter que aprimorar. Às vezes, não adianta nós tentarmos um processo
ideal, que deu certo em outros lugares, mas que não corresponde à nossa
cultura ou que seja mais difícil para os Deputados e para o povo.
Na minha avaliação, utilizar um sistema em que você tem que ter
duas eleições, dois turnos, voto em lista fechada, voto de uma parte em
lista aberta, particularmente, eu acho que é complicar o processo. Eu vejo
que essa proposta é simples e avança em relação à proposta original. Sou
favorável, sim, a esse modelo tradicional, mas temos que corrigir as
distorções que estamos vendo acontecer ao longo do tempo.
Há alguns itens aqui, como o voto facultativo — eu já sou a favor
do voto obrigatório. Então, temos alguns temas, mas acredito que a
síntese, o conjunto, é a proposta viável. Assim vai ser muito mais fácil
nós sensibilizarmos os Parlamentares e a nossa comunidade. Vai ser fácil o
povo entender e fazer essa transição. Eu fiquei mais tranquila com essa
proposta.
Agora, entendo que, se colocarmos todos os itens numa só proposta,
nós vamos ter problemas. O correto é fatiar mesmo. Eu acho que o
encaminhamento, depois, é pegar item por item, tirar o consenso e levar
para o plenário, é fatiar, porque, assim, nós poderemos avançar naquilo
que é consensual e trabalhar mais, discutir mais aquilo que ainda não
conseguimos elaborar, que é a questão do financiamento, o grande problema
que nós temos.
Eu vejo que a proposta é ideal, ela transfere para uma lei que vai
especificar e aprofundar esse assunto e avançar naquilo que é
consensual.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Vamos por partes, como ensinou Jack, o Estripador. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Passo a palavra ao nosso companheiro
Deputado Renato Molling.
O SR. DEPUTADO RENATO
MOLLING - Sr. Presidente, Deputado Marcelo Castro, Deputado Esperidião
Amin, eu acho que o grande objetivo desta reforma é melhorar a
credibilidade da política e dos políticos e reduzir os custos de campanha.
A unificação das eleições, com certeza, é importante não só para
diminuição dos custos de campanha, mas também para ter mais eficiência na
aplicação dos recursos públicos.
Se nós olharmos hoje, há um calote que se está dando na população,
no povo. Antes da campanha, empenham recursos e logo depois da campanha
desempenham, fazem inúmeras promessas e não cumprem absolutamente nada.
Nas eleições de 2 em 2 anos, os recursos não são repassados, as pequenas
empresas quebram, porque não recebem os recursos, obras são paralisadas.
Acredito que a unificação das eleições, com o fim da reeleição e o mandato
de 5 anos, seria uma solução para isso.
Acredito que essa nova proposta que surgiu hoje — eu até não estava
na hora da apresentação do Deputado Marcus Pestana e do Deputado Antonio
Carlos Mendes Thame — corrigiria em grande parte também uma questão que
hoje tira a credibilidade dos políticos de fazer campanha em todo Estado.
Naquela região em que eu não resido ou não trabalho muito, eu vou lá, faço
todo tipo de promessa e nunca mais apareço por lá, só que aquela
comunidade vai criticar todos os políticos. Por isso, nós novamente somos
tachados de “promete tudo e não cumpre nada”.
Eu gostei muito da fala do Deputado José Fogaça, que fez uma
síntese bem grande. Só não concordo com uma questão: eu acho que hoje está
se querendo colocar que toda origem da corrupção da política é o
financiamento privado. Eu tenho certeza absoluta, convicção, de que a
maior corrupção é de dinheiro público, não é de doações privadas, mas de
dinheiro público. Estão demonizando as empresas, as indústrias. Não que,
daqui a pouco, não se possa ter algum desvirtuamento, mas a maior
corrupção é na área pública, e, se nós não diminuirmos o custo de
campanha, vai continuar a corrupção, e todo aquele que entra em campanha
quer se eleger. Então, nós temos que limitar as
doações.
Por que nós vamos privilegiar as pessoas físicas? Com certeza, vai
haver interesses também. O cara que vai doar dinheiro ou ele vai receber
um cargo, ou vai receber alguma promessa, alguma bolsa, vai continuar a
mesma coisa. Então, nós temos que limitar as campanhas. Podem até tirar o
cabo eleitoral oficialmente, mas ele vai trabalhar igual e vai receber
dinheiro de outra maneira.
Nós temos que fazer a unificação das eleições, a divisão para menos
nos Estados, para que tenham uma representação. E, ali, o Deputado que não
trabalhar, na próxima, ele não volta, ele tem que trabalhar. Então, as
pessoas vão estar mais perto. Temos principalmente de limitar as doações,
e limitar bastante. Se o camarada trabalha, ele não precisa de muito
dinheiro. Não é necessário dinheiro para se eleger.
Então, eu quero parabenizar de novo o Relator pela celeridade. Eu
acredito que dessa vez nós vamos conseguir fazer... O Distritão vai
significar muito gasto, e, como disse o Fogaça, vai ser aquilo de um
companheiro jogar pedra no outro. Então, isso não resolve.
Agora, a divisão em circunscrições menores com certeza
possibilitará que o camarada fique mais perto da população. Não adianta
prometer aquilo que não vai cumprir, pois na próxima campanha a população
vai cobrar. Hoje, não. Hoje se promete tudo e não se cumpre absolutamente
nada.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Muito bem. Vamos ao próximo inscrito: Deputado
Marcus Pestana.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Boa tarde. Eu gostaria de pedir um pouco de atenção. Eu não
vou entrar nas questões de mérito. Eu vou tentar, com base na experiência
acumulada no grupo de trabalho... O Relator do trabalho dirigido da
Comissão Especial foi o Deputado Henrique Fontana, que está aqui, e o
Deputado Esperidião Amin participou do grupo de trabalho.
Na Comissão Especial nós trabalhamos dois anos e não votamos o
relatório. No grupo de trabalho nós trabalhamos quatro meses e chegamos a
uma PEC. Então, há uma experiência acumulada. Nós zeramos o placar. Há
muitos Deputados novos. Ninguém é obrigado a carregar essa
herança.
Com base nisso, eu quero falar sobre questões procedimentais e
processos de trabalho. O Deputado Zarattini levantou coisas importantes. É
bom compartilhar, principalmente com os novos Deputados, que, ao final de
2012, eu, Esperidião, Marcelo e Henrique Fontana éramos ridicularizados em
nossas bancadas.
O pessoal perguntava assim: “Aonde você está indo?”. Nós
respondíamos: “Ah em uma
articulação da reforma política.” E, aí, já falavam: “Ah, você ainda está acreditando nisso?
Está perdendo tempo.” Era uma Armata de Brancaleone, que manteve a
chama acesa e que foi reacendida pelas manifestações de rua de junho de
2013. Por isso foi criado o grupo de trabalho.
Então, pegando a fala do Deputado Zarattini, eu acho que existem
três axiomas fundamentais. Há que se ter um esforço aberto e sincero de
construção de um consenso. Nós precisamos de 309 votos. Não vai ser a
reforma do PSDB, do PT, do PMDB, do PP, de nenhum partido, do PROS, de
nenhum partido... Não há a menor hipótese...
E, por isso, há 10 anos o Congresso tenta aprovar uma reforma e não
consegue. É necessária uma construção a partir de um método de trabalho
aberto, sincero, com uma abertura de espírito. Foi isso que aconteceu no
grupo de trabalho. O grupo de trabalho estava decidido a ficar fora dos
holofotes, para, em silêncio, tentar construir um consenso.
Segundo axioma: separar o principal do secundário. Algumas questões
são polêmicas, mas não são essenciais para a democracia brasileira:
coincidência de mandatos, voto obrigatório. Quer dizer, existem questões
que não são o coração do problema. O principal é o sistema político
partidário eleitoral e o financiamento. Esse é o primeiro bloco. Há uma
série de questões...
Surgiu uma ideia simples, que acabamos não incorporando à PEC: o
tempo de televisão seria proporcional ao titular e ao vice. Acabamos não
incorporando isso. O Vaccarezza e o Esperidião chegaram à conclusão de que
não seria bom incorporar isso à PEC, mas teríamos uma pequena grande
mudança. Acabaríamos com o mercado de vendas de minutos de televisão, que
em algumas grandes cidades...
(Não identificado)
- De segundos!
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - De segundos. Um minuto de televisão em São Paulo e no Rio de
Janeiro, às vezes, vale milhares e milhões de reais.
Então, é uma mudança que não vai no coração do problema, mas que é
um grande avanço. É preciso haver um esforço de construção de consenso,
que tem que ser um esforço coletivo e suprapartidário, e separar o
secundário do principal, o acessório do principal.
O outro axioma é o pior inimigo do bom: é o ótimo.
Se
não der para aprovar o ótimo, não vamos paralisar o bom. Então, se não der
para construir o consenso em matérias mais complexas, vamos aperfeiçoar o
que temos.
Então, são degraus progressivos. E, aí, eu quero insistir em duas
questões procedimentais. Uma coisa é o conteúdo, outra coisa é a forma, o
processo de deliberação, que vai chegar até o plenário, passando pela CCJ
e por esta Comissão Especial.
Ponto 1: não é uma questão menor. O que o Marcelo alertou é que o
ideal para não haver esquizofrenia é que as lideranças nomeiem os mesmos
membros, para que o trabalho da PEC, das leis complementares e das leis
ordinárias seja todo coerente.
Se nós tivermos duas frentes de trabalho, vai ser uma coisa de
doido, vai ser uma esquizofrenia. Não esqueçamos que o Senado está
começando um esforço fragmentário. O nosso esforço tem uma visão mais
global. O Senado está começando a votar no varejo uma série de iniciativas
que estão lá sem a preocupação com o todo.
Então, se abrimos duas frentes na Câmara, um grupo de estudo que
pode encaminhar em outro sentido, e esta Comissão Especial da PEC vai para
outra direção, vira uma bagunça, uma anarquia, e nós não vamos chegar a
lugar nenhum. Então, a primeira questão importante é relacionada ao
procedimento.
Outra questão é que o consenso partidário, majoritário tem que
embutir um acordo de procedimento correto, que temos que fatiar, mas
fatiar com consistência, porque, senão, vira uma coisa também
totalmente...
(Não identificado)
- Fatiar e não cortar...
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - É. Independente. Podem ser cinco projetos de lei, dois
projetos de lei complementares, duas PECs, mas tudo tem que ser tratado em
um acordo de procedimento, envolvendo o Presidente da Câmara. Isso tem que
ser tratado como um pacote, porque, senão...
É claro que depois de o Relator aprovar aqui o seu relatório e
derivar disso duas ou três PECs ou tantos projetos de lei... Podemos
colocar cláusula de desempenho em uma, a questão de financiamento em
outra, fazer a PEC avançar. Porque, lembremos: a cláusula de desempenho a
Câmara aprovou e o Supremo derrubou. Por isso, o grupo de trabalho
coordenado pelo Vaccarezza optou por constitucionalizar
tudo.
Então, vamos discutir conteúdo para depois ver a forma. O Relator
Marcelo Castro, depois de aprovadas as ideias, o conteúdo, decide se são
duas PECs, três PECs, uma PEC, duas leis complementares, duas leis
ordinárias, mas, aí, nós temos que fazer um acordo entre os partidos, em
que nós, membros da Comissão, seremos os fiadores, com a concordância do
Presidente da Câmara, para a deliberação ser tratada como um pacote,
embora ela seja fatiada.
Foi o que aconteceu no Senado. O Senado, para quem não acompanhou,
em 2011, no outro mandato, fez, a toque de caixa, uma Comissão que votou
em 60 dias um projeto de reforma política, que foi desfigurado na CCJ e
começou a tramitar. Não se somava lé com cré. Uma coisa era contraditória
a outra. Algumas coisas são conexas. Por exemplos: só faz sentido o recall no distrital puro. Se for
o distrital puro também não faz sentido falar em cláusula de desempenho.
Então, para não ser um “Frankenstein”, nós temos que ter esses
acordos de procedimento e um entendimento político elevado, libertados do
curto prazo, pensando a longo prazo e no sentido do fortalecimento da
democracia brasileira.
Então, eu gostaria de fazer essas observações. Sem avançar em
minhas opiniões de mérito, eu acho que nós temos que ter um entendimento
político e procedimental para que tenhamos sucesso.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Deputado Marcus Pestana...
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Presidente, eu posso fazer uma pergunta ao Deputado Marcus
Pestana para que ele possa ajudar a reflexão?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Deputado Marcus Pestana, eu considerei muito importante suas
observações no que diz respeito a um acerto de procedimentos para que o
trabalho seja eficiente. Considerando a sua experiência, eu queria que
V.Exa. comentasse — eu sou um novo Parlamentar e, então, estou
acompanhando com muito interesse as manifestações dos mais antigos — o
item relativo à cláusula de desempenho ou cláusula de barreira. Como
V.Exa. pode tratar desse assunto, à luz da decisão de uma ADIN do Supremo,
que teve como base não o art. 17 da Constituição, que fixa as atribuições
dos partidos
conhecimento,
é é importante ouvi-los. Só que os Parlamentares têm a larga experiência
da eleição no mundo real. Eles sabem muito das coisas que às vezes a gente
inclusive não pode sustentar publicamente, porque não há prova do
ocorrido.
Por exemplo, quando alguém me diz que, se nós proibirmos ou
retirarmos o financiamento empresarial do processo eleitoral, isso vai
gerar uma disparada de caixa dois, eu digo: “Essa pessoa não conhece a
a
brasileira de hoje”. Porque,
na realidade, o paraíso do caixa dois é hoje, aqui e agora, no sistema
político atual, o paraíso do abuso do poder
econômico.
O paraíso do caixa dois custa caríssimo para o povo brasileiro, que
às vezes, eu até compreendo, usa a frase: “Mas como é que vai se tirar 1 bilhão
de reais para o financiamento de eleições se esse dinheiro vai fazer falta
no hospital, na escola e na universidade?”. Mal sabe a população que,
quando se investir com clareza e republicanismo esse 1 bilhão,
provavelmente vai se gerar uma economia de 4, 5, 10 bilhões para os cofres
públicos para poder se investir nessas áreas tão
importantes.
Então eu escolho esses dois minutos que me restam para falar de
financiamento.
Eu, como muitos de nós, já estudei muito: leis, alterações,
experiências de vida. A única coisa, na minha opinião, que efetivamente,
Deputado Afonso Hamm, Deputado Afonso Motta, pode diminuir o custo de
campanha, é um teto definido para cada nível de eleição e que tenha que
ser duramente respeitado por todos os competidores. Porque alguém diz: “Tu votas o teto e o Deputado que quer
respeitar vai ser suplantado por aquele que vai cometer o crime de gastar
caixa dois e duplicar o valor da campanha que ele
faz”.
Então quando vier a regra do teto, tem que vir uma regra dura,
clara e firme, que dê segurança jurídica e política, se me permitem a
mistura das duas coisas, para que os competidores sintam que, com a regra,
eles têm a chance efetiva de ganhar uma eleição e que aquele que a
descumprir tem grande chance de ser fortemente
punido.
Porque a virtuosidade não é uma característica do ser humano por
natureza. Para isso surgiu o mundo das leis, que, ao longo da história,
foram se aperfeiçoando para coagir, se me permitem a palavra, o ser humano
a respeitar, constranger.
Porque às vezes se ouve muito a fala: “Mas nos países mais
desenvolvidos...” Aí tu chegas lá e há multa se fizer isso, multa se
fizer aquilo. Ou seja, tem
que haver uma regra clara.
Eu, por exemplo, sou a favor de que haja o teto de gastos. É o que
eu defendo. Porque não adianta proibir o outdoor e o marqueteiro inventar
um outro jeito: lançar um balão no ar, colocar um avião voando com uma
faixa.
Ou seja, proibir itens da campanha não a barateia. Reduzir o espaço
geográfico pode ser um incentivo, mas não barateia a campanha, porque a
pessoa pode fazer uma campanha riquíssima dentro de um Distrito ou uma
campanha riquíssima dentro do Estado inteiro.
Então, na minha opinião, tem que haver o teto. E tem que haver a
criminalização do caixa dois se ele for utilizado para suplantar este
teto.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Permita-me um aparte.
Só para contribuir, Deputado Henrique Fontana.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Pois não. Com
certeza.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Eu concordo. Nós temos que ter a capacidade de colocar esses mecanismos de
fiscalização. Porque na medida em que nós temos um dimensionamento — eu já
fiz uma menção dentro desta linha e quero aqui colaborar — com limites,
naturalmente nós vamos ter um tamanho de dimensionamento de
campanha.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Um critério para fiscalizar.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Exatamente.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Exatamente.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Então a fiscalização fica facilitada a partir disto, com a
criminalização, a responsabilização. Porque aí a denúncia de um cidadão
pode levar exatamente alguém a perder o...
O SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Porque hoje — sejamos claros, Deputado Afonso Hamm — a justiça eleitoral
não tem como fiscalizar o abuso do poder econômico, Deputado Chico
Alencar. Ela fica fiscalizando notas, o que foi feito, o que não foi
feito, mas o abuso do poder econômico é praticamente impossível de se
fiscalizar hoje porque não há parâmetro.
Alguém pode legalmente fazer uma campanha de 2 milhões, 3 milhões,
5 milhões, 10 milhões. Nós temos campanhas de valores diferenciados, então
nós temos que criar um critério, baratear as
campanhas.
E sobre a segunda questão, todo mundo aqui está a fim de transigir
em suas posições para sair do sistema atual: é o Relator, é o Presidente,
somos todos nós Deputados. Ninguém vai aprovar a sua reforma
aqui.
Eu tenho convicção da defesa do financiamento público exclusivo e a
farei sempre. Eu entendo que é possível haver uma mediação em que se
retirem as empresas do financiamento da eleição e de partidos políticos.
Em qualquer período. Não é só retirar da eleição. A empresa não pode
financiar, em momento algum, a política brasileira.
Se se abre um financiamento de valor reduzido, impede-se, portanto,
o abuso do poder econômico. No projeto da OAB — Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil, CNBB — Confederação Nacional dos Bispos do Brasil
fala-se em 700 reais por pessoa física. Aí, lógico, uma pessoa que tiver,
por exemplo, um milhão de reais de dinheiro próprio para colocar numa
campanha não poderá colocar. Ele só poderá colocar os 700
reais.
Esse financiamento de pessoa física, Relator, resolve um dilema que
sempre me cobram quando eu defendo o financiamento público exclusivo, e
vou continuar defendendo.
Com o tempo de televisão também é assim. O tempo de televisão é
maior para os partidos que têm mais votos. Portanto, o senhor da decisão é
o eleitor.
Mas esse sistema com financiamento de pessoa física permite que a
pessoa física contribua até chegar nesse mesmo teto. Então, por exemplo: o
candidato a Governador de um partido que tenha mais votos na eleição
anterior tem, portanto, um teto maior de financiamento de recurso público.
Mas o outro candidato a Governador pode chegar nesse mesmo teto com
contribuições de pessoas físicas. E este, que já está no teto, não pode ir
além. Pelo menos é a regra que eu defendo para, de fato, se baratear a
campanha e sairmos desse debate — é a minha última frase, meu Relator.
Sairmos desse debate e acusações mútuas. Como disse o Deputado José
Fogaça: “a Geni”.
Nós podemos continuar mais 50 anos na política brasileira fazendo
luta política com o tema da corrupção. Eu acuso o partido A, o partido A
acusa o meu partido. O Governo A acusa o Governo B, o Governo B acusa o
Governo C.
E de todos os escândalos de corrupção que eu, pelo menos, estudei
ao longo dos últimos 30 anos no Brasil, 90% deles têm relação com o
financiamento eleitoral. Então se não é
verdade que o financiamento eleitoral é a única causa da corrupção — por
óbvio que não é, há muitas causas —, é verdade que o financiamento
eleitoral é uma grande causa de escândalos de corrupção no nosso País e em
qualquer país do mundo. Não é só no Brasil, é em todos os países do
mundo.
Então vamos corrigir isso e outras coisas. Nós estamos aqui
reunidos com esforço, acreditando que vamos vencer. Eu sou otimista. Não é
porque faz 20 anos que não se vota a reforma
política...
A crise bateu no teto. Criminalizar o partido A, o partido B, o
colega A, o colega B, leva a uma única consequência: a criminalização
inteira da política. E a criminalização da política é a criminalização do
voto do eleitor, é a criminalização da democracia e, portanto, é facilitar
que o poder econômico exerça aquilo que deve ser o poder político que
emana do voto da população.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Bom, vamos ao próximo inscrito, o Deputado
José Carlos. (Pausa.)
Não está presente.
Concedo a palavra ao Deputado Afonso Motta.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Eminente Relator, Deputado Marcelo, e amigo, em particular —
registro o nosso reconhecimento pelo trabalho apresentado —, Deputado
Esperidião Amin, colegas Parlamentares, eu quero registrar, primeiro, uma
preocupação com relação à simplificação eleitoral.
É claro que me somo àqueles que estão entendendo que os
procedimentos, a celeridade, os prazos são fundamentais — e realmente são
fundamentais —, mas quero me valer de um enunciado não tão rigoroso quanto
o do Deputado Marcelo Castro, mas de um enunciado de que nós estamos
diante do esgotamento do atual sistema político nacional. Esgotamento do
atual sistema político nacional.
O que é esse sistema de hoje? O sistema, nós todos sabemos, é o
presidencialista, de coalisão e fragmentado, multipartidário. Ora, é pouco
crível que nós saiamos, da melhor das reformas, com um sistema, nos seus
pressupostos, diferente deste.
Então eu acredito que, a par de toda a regulação política-eleitoral
nós tenhamos que dar uma resposta, e essa resposta é fundamento para a
reforma, para a governabilidade, porque, se nós não dermos uma reposta
para governabilidade, nós vamos ter um debate, como tivemos ontem sobre o
achacamento. E essa resposta pela governabilidade passa — nós comentamos
um pouco aqui — como? Não a garantia da maioria, mas como aqueles que
conquistarem o poder vão governar com as garantias mínimas. Então, eu acho
que, a par dessa regulação mais particular, nós temos de construir um
conjunto de regulamentos que permita a governabilidade. Se esses
instrumentos são constituídos fora do processo eleitoral, consequência do
processo eleitoral, eu acho que esse ponto talvez seja a resposta ao que
nós estamos dizendo, e a sociedade está dizendo. E os pressupostos são
presidencialismo, coalizão e multipartidário, fragmentação. Que respostas
poderemos ter, partindo do princípio de que esses pressupostos vão estar
presentes, largamente, dentro do sistema que nós vamos, no futuro, operar?
Então, eu acho que esse é um ponto fundamental.
Queria também fazer um registro sobre financiamento público
que eu acho que pode contribuir muito para o nosso debate, sem fazer ainda
qualquer análise de mérito. Eu acho que nós estamos adiante. Nós poderemos
— ainda não há isso de forma efetiva —, ter uma destinação de recursos de
mais de 1 bilhão de reais para o fundo partidário. Hoje nós estamos
superando 350 milhões de fundo partidário. Ora, eu acho que é muito
importante nós incorporarmos ao debate realmente a distribuição desses
valores na atualidade, os critérios, quanto cada partido está recebendo, a
transparência e a destinação desses recursos. Eu acho que, como nós
estamos diante de uma realidade, de certa forma é um financiamento
público, nós precisaríamos ter aqui na Comissão, incorporada, essa
realidade. Isso é uma realidade.
Há também a realidade do uso do tempo do horário gratuito de
televisão, porque há um custo, um critério de distribuição. Nós até
estamos defendendo que, vencidas as cláusulas de desempenho, haja uma
reconsideração com relação à utilização do horário gratuito de televisão.
Achamos fundamental que esses elementos venham para a nossa Comissão como
instrumentos para uma avaliação do financiamento, porque eu acho que nós
corremos um grande risco em aprovar o financiamento público de campanha,
seja ele apenas público, seja ele misto, sem fazermos uma avaliação dos
recursos de que já dispomos na atualidade.
Em segundo lugar, eu acho que o pressuposto da redução de custos da
campanha eleitoral tem que ser acompanhado do conceito de igualdade. É
redução dos custos com igualdade, e a questão da igualdade. É por isso que
eu também estou com esse espírito de mediação com relação a ela, seja qual
for o sistema, mesmo que ele seja misto. Claro que nós estamos aí. A
própria declaração de que é vedada a contribuição por parte das empresas,
nós vamos admitir, apenas para argumentar, que ele seja um sistema misto.
O sistema misto realmente tem que ter limites, não esses limites que estão
estabelecidos neste momento, que são insuficientes. Eu acredito que, claro
que há certos constrangimentos do ponto de vista de fundamentação até
jurídica, deva haver limite para a doação. Se eventualmente viermos a ter
a continuidade de contribuição das pessoas jurídicas, que essa pessoa
jurídica só possa contribuir com um determinado valor, até um determinado
limite para um candidato. Só assim, nós vamos ter uma igualdade, além da
redução. E não vamos esquecer de que o candidato que tem mais poder
econômico. Hoje, se nós também não estabelecermos limite para que o
candidato contribua com a sua campanha, ele vai trazer a desigualdade,
porque o candidato com mais poder econômico vai ser desigual, se ele puder
colocar recursos com as limitações de hoje na campanha, na competição.
Então,
acho que isso é um ponto muito importante.
Eu queria também não abrir mão, na mediação, de considerarmos o
sistema misto, com todas as dificuldades, mas consideramos. Por quê? É
pouco crível que nós não tenhamos que, de certa forma, considerar alguns
critérios: minorias. Eu acho que não há retrocesso mais nesse ponto no
debate público que está estabelecido no sistema político nacional. Nós não
temos como deixar de considerar a questão de gênero, seja qual for a
formulação, mas eu acho que nós não vamos ter reconhecimento na nossa
reforma política. Nós não vamos ter condições de desconsiderar os
programas partidários da questão da representação, que é o partido que tem
uma posição, que defende uma determinada inserção. E também a questão
classista.
Ora, a questão classista não é uma questão restrita a uma
categoria. E a bancada ruralista, por exemplo? É uma bancada classista, de
certa forma. Não deixa de ser uma bancada classista, defende um segmento,
uma política pública direcionada para um segmento. Então, eu acho que a
questão da lista... Qual vai ser o distrito? A questão da lista é a única
alternativa que oferece um abrigo para a construção desses
aspectos.
Por isso, eu tenho permanecido... Também admito a mediação para
avançar no distritão, para estabelecermos condições, mas eu acredito que
será uma grande frustração pública se nós não avançarmos nessas questões
que estão na pauta, que estão no debate, que vão ser muito importantes no
debate.
E, por último, eu acho que nós precisaríamos realmente incluir no
nosso debate a questão da democracia direta. Acho que a democracia direta,
pelo menos a questão do referendo, que é aquilo que nas formulações se
aproxima de democracia direta nesse tipo de matéria, eu também acredito
que a questão do referendo popular para nossas proposições pode ser uma
boa saída.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não. Quero chamar a atenção dos
colegas que ainda faltam aqui seis oradores e quero ver se a gente encerra
até às 14h. Então, eu gostaria de pedir que os oradores falassem mais
rápido, porque, às 13h50min, temos que encerrar os oradores para podermos
comentar e responder as questões que foram levantadas aqui, para, às 14h,
findar os nossos trabalhos.
Com a palavra o Deputado Tadeu Alencar.
O SR. DEPUTADO TADEU
ALENCAR - Sr. Presidente, obrigado. Serei muito breve. Eu venho
observando aqui, desde a primeira reunião da Comissão, que os objetivos da
reforma política aqui, na visão de todos os Parlamentares que têm se
manifestado, além das entidades que têm sido ouvidas aqui no Plenário da
Comissão, são relativamente os mesmos: é a diminuição da influência do
poder econômico, fortalecimento dos partidos, resolver a questão da
sub-representação de gênero e de ditas minorias, a questão de aproximar a
sociedade de seus representantes. Em suma, são questões que giram em torno
desses elementos.
As fórmulas para resolver esses problemas parecem diferentes e são
diferentes. Eu acho que o Senador e hoje Deputado José Fogaça falou muito
bem da busca da simplicidade. O problema é que essa busca da simplicidade,
Deputado, é complexa. Então, o meu partido, o PSB, e fez isso na campanha
eleitoral de 2014, defendeu alguns pontos. Um deles foi a unificação do
calendário eleitoral. O Brasil não aguenta, a cada dois anos, uma eleição,
com um custo altíssimo dessas campanhas, interrompendo a atividade da
administração pública, que se vê paralisada, muitas vezes, quer por
questões formais, porque há uma interrupção do repasse dos recursos
voluntários de União para Estado, de Estados para Municípios, e até mesmo
pelo envolvimento das máquinas da administração, que são lamentáveis, mas
que a gente sabe que é razoavelmente uma realidade no Brasil. Então, a
defesa dessa unificação do calendário eleitoral, com mandato de 5 anos sem
reeleição para os cargos executivos é algo que o PSB vem defendendo e que
eu vejo também fazer parte aí do ideário programático de outros
partidos.
Isso traz alguns problemas. Essa unificação, quando você tem
mandato de 4 anos, mandato de 8 anos para o Senado e eleição de 2 em 2
anos, para resolver essa unificação, há questões, para fazer essa
transição, que vão levar ao aumento ou à diminuição desses mandatos. São
questões muito complexas.
Sei que há a proposição de um mandato tampão para Prefeitos e
Vereadores, o que resolveria — se fosse de 4 anos seria mais fácil — o
problema do intervalo para haver eleições gerais a partir de 2018. Mas,
como defendemos o mandato de 5 anos, pois entendemos que o tempo de 4 anos
é curto para quem tem a responsabilidade de responder aos compromissos com
a sociedade, isso traz uma série de questões. Nós estamos apresentando
duas medidas para resolver isso, mas é algo que precisaríamos discutir
aqui.
Acho, como muitos que me antecederam, a proibição de coligações
para as eleições proporcionais fundamental. Não é possível conviver com
essa realidade que de fato faz com que legendas de aluguel — e são muitas
— sirvam a objetivos que não sejam nem republicanos, nem democráticos, de
modo que entendemos a proibição dessas coligações como fundamental nessa
reforma política.
Além de afirmar mais uma vez a crença no financiamento público,
quero registrar que filosoficamente nós entendemos ser esse o melhor
sistema e quero me associar às palavras do Deputado Henrique Fontana no
sentido de que, no mundo inteiro, o financiamento privado, empresarial
especialmente, está ligado à corrupção. Não é o único fator de corrupção,
mas certamente é um dos muitos influentes na corrupção
brasileira.
Mas o que é grave mesmo não é o financiamento empresarial; é o
caixa 2. Isso acontece com o financiamento público e com o financiamento
privado, de modo que a instituição do modelo inclusive proposto aqui, que
é o que o PSB defende, de financiamento público com admissão de doação de
pessoa física, tem que ser acompanhado de limites e de controles sob pena
de a instituição desse regime terminar não atingindo os objetivos que se
pretende.
Além disso, a gente defende também a manutenção do sistema
proporcional. Quero discordar de alguns que defendem aqui a chamada
verdade eleitoral ou distritão, por entender que esse sistema enfraquece
ao invés de fortalecer os partidos, gerando essa guerra fraticida que foi
referida aqui por muitos.
Por fim, Sr. Presidente, quero apenas esclarecer um questionamento.
Foi dito aqui, e acho que é razoável, que propostas deveriam ser fatiadas
para que fossem votadas de modo a receber aprovação daqueles que concordam
com um instituto e discordam de outro, permitindo essa convergência.
Evidentemente que não se pode picotar a reforma sob pena de gerar o
Frankenstein que foi referido aqui pelo Deputado Marcus Pestana, mas
existem questões de natureza e sede constitucional e outras que são da
legislação infraconstitucional. Eu pergunto se as questões
regulamentadoras aos projetos de lei complementar ou de lei ordinária que
vão regulamentar as medidas com sede constitucional, se elas seriam
tratadas na segunda comissão, que deve ser constituída com os mesmos
membros, ou se essa Comissão apenas vai tratar das questões que têm
efetivamente natureza infraconstitucionais, sem se debruçar sobre as
questões que regulamentarão os dispositivos constitucionais da
reforma?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo inscrito, o Deputado
Padre João.
Eu alerto mais uma vez aos companheiros que o nosso prazo está
findando e que, se não acelerarem, uma parte vai ficar sem
falar.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Sr. Presidente, quero fazer uma sugestão de encaminhamento. Em
respeito a todos os colegas, a lista remanescente ao final do prazo
poderia abrir a próxima reunião de debate. Eu considero que essa seria uma
forma de respeitar...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Perfeito.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Independente do que seja o próximo
assunto.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Está aceita a sugestão de V.Exa.,
Deputado.
O SR. DEPUTADO PADRE JOÃO
- Parece-me que cresce o entendimento do grande risco do financiamento
empresarial. E, agora, qual é o meu temor? A doação física também. Se não
houver um teto... Temos que ter dois tetos, um teto para a pessoa física e
o teto para cada candidatura. Isso amarra. Nós não temos como fechar tudo.
A
Lei 9.840 moralizou um pouco a compra de votos, mas há aqueles — já foi
citado aqui — que contratam nos últimos 15 dias mil cabos eleitorais, são
500 salários mínimos, e nem obriga, só amarra aquela família. Então, é uma
compra de voto disfarçada, por isso tem que ter o teto. Por
quê?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Padre João, só quero pedir que o senhor depois leia o
§ 7º do artigo 45 do avulso que foi distribuído.
O SR. DEPUTADO PADRE JOÃO
– Está ótimo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN – (Ininteligível.)
O SR. DEPUTADO PADRE JOÃO
- Então, esse tem que ser o caminho, senão o Esperidião Amin, o
empresário, vai soltar o dinheiro lá para os fiéis dele, por exemplo, dos
Jesuítas, e aí domina tudo, não tem jeito. (Risos.) É
brincadeira.
Na outra questão, nós vamos conflitar um pouco. Eu acho que vai ter
uma esquizofrenia em relação aos entes da Federação quando a gente
trabalha o aspecto da circunscrição. Para nós, Deputados Federais, nós já
temos como que um “distritão”, que é cada Estado. Nós somos Deputados
Federais, nacionais, nós temos que nos preocupar de fato com o Brasil, com
o todo. Nesse sentido, você, de um lado, causa uma proximidade
territorial, uma proximidade física, mas distancia do aspecto temático. Se
a natureza do Poder Legislativo é legislar e fiscalizar, a lei não é para
aquela circunscrição, a lei não é para aquele “distritão”. Então, eu acho
que isso fragiliza a natureza do Poder Legislativo, embora aproxime
fisicamente.
Há um dado, Relator, um testemunho claro aqui — o Marcus Pestana
conhece também o nosso trabalho. Em Minas Gerais, são 853 Municípios, e eu
tive voto em 776 Municípios. Eu consigo acompanhar quase 500 Municípios,
porque eu tenho um trabalho temático claro: a agricultura familiar, os
movimentos sociais, o MST, os atingidos por barragens, os servidores do
Tribunal de Justiça, os trabalhadores e trabalhadoras na educação. Eles
estão espalhados no Estado inteiro. Então, eu tenho um compromisso
temático e não nego as demandas mais geográficas, ali, onde cria uma
relação. Mas eu acho que fragiliza a natureza do poder essa questão da
circunscrição. Nós já temos um compromisso com o Estado, é verdade. Embora
Deputado por Minas, eu já tirei dias para ir para Roraima, sentando-me com
os índios, onde não tenho voto, mas há um compromisso com determinadas
bandeiras a nível nacional, e também na América Latina, há os acordos
internacionais. Então, não podemos perder essa dimensão
maior.
Essas são as duas grandes preocupações. Acho que fragiliza muito o
Poder Legislativo essa parte da circunscrição, e eu tenho relação de fato
direta. Então, acho que depende de cada mandato. Eu tenho o mandato que de
fato é coletivo e participativo, tenho um conselho deliberativo que reúno
periodicamente, tenho uma assembleia-geral, três dias de plenário uma vez
por ano, com mais de 300 lideranças e que é deliberativa, então tenho
convicção, tem no Regimento Interno do mandato. Há de fato uma
participação popular, e acho que depende também de o Parlamentar provocar
sempre essa participação, e acho que isso fragiliza
muito.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Passo a palavra agora à Deputada Renata
Abreu.
A SRA. DEPUTADA RENATA
ABREU – Boa tarde a todos.
Presidente, eu queria sugerir que nestas Comissões pudéssemos pegar
alguns temas de maior importância e restringir o debate a eles. Acho que
isso seria muito produtivo pelo menos para avançar em algumas questões.
Por exemplo, eu mesma tinha uma opinião sobre o sistema eleitoral e,
ouvindo os colegas, acho superinteressantes esses debates, comecei a ver
outro ponto de vista.
Eu queria tocar em um ponto que o senhor falou, a questão dos
partidos políticos, com o qual concordo plenamente. E falo isso como
vice-presidente nacional do partido e presidente estadual de um partido
pequeno. Realmente, o nosso eleitor, os cidadãos não têm tido afinidade
com os partidos políticos, acho que a gente precisa não só repensar e se
recolocar, mas também lutar muito, como eu disse ao senhor outro dia, na
questão da educação política do nosso povo. As lideranças antigas do País
estão morrendo, as novas não estão nascendo, e enquanto a gente não
estimular a vontade política do nosso povo cada vez vai ficar mais difícil
a afinidade com qualquer partido política. Eu mesma, que tenho história no
PTN, não entendo, não me identifico com a sigla Partido Trabalhista
Nacional, o outro é Partido Trabalhista Brasileiro. Talvez o trabalhismo
tivesse muito sentido na época de Getúlio, mas hoje nós precisamos
repensar até mesmo as nossas bandeiras.
Então, eu quero aqui fazer um ponto específico, que é a questão do
sistema eleitoral, que eu defendia um e estou repensando em outro, que é o
próprio “distritão”, porque eu ouvi algumas coisas interessantes que o
Deputado falou. A princípio, você pensa que vai acabar com os partidos,
mas, por outro lado, eu como dirigente partidário, penso o seguinte: se o
candidato não vai escolher um partido que seja mais conveniente para a
eleição dele, talvez ele escolha por afinidade com o dirigente, por
afinidade com a sigla, por afinidade com o trabalho. Então, talvez, a
bandeira política do partido possa ter efetivamente uma força maior. É
outro ponto de vista, não que o meu esteja certo. Acho que o objetivo
dessas nossas reuniões é justamente dar outro ponto de
vista.
Também entendo que nós teríamos menos candidatos, e efetivamente a
população poderia explorar mais cada candidato. Dentro do meu partido
mesmo, nós temos que montar uma chapa gigante, muitas vezes com tantos
candidatos que fica difícil darmos tempo de televisão, só consegue falar
nome e número. Talvez com menos candidatos eles tivessem a possibilidade
de falar melhor suas bandeiras e o povo conheceria melhor em quem está
votando. Então, eu vi outra vantagem nesse
princípio.
E em relação à regionalização, que seria outro ponto, eu acho que
quando eu passei a estudar realmente a base dos Deputados eu vi que a
maioria tem sim essa questão regionalizada já. O Vereador está ali para
representar o Município, e o Deputado Federal tem a sua amplitude maior,
sim, discutindo questões de âmbito nacional. Então, eu comecei a ver umas
coisas que eu não via e eu acho que hoje por não ter uma afinidade com a
sigla os nossos cidadãos acabam votando na pessoa. Isso é fato, a gente
não pode fechar os olhos para isso. A gente quer fortalecer os partidos
políticos, temos que fortalecê-los, mas no cenário nacional como é hoje, o
cidadão que não gosta da política, que odeia a política, a gente forçá-lo
muitas vezes a votar em um partido sem a gente repensar algumas coisas de
base eu acho que não é o que a população está
clamando.
Quando você fala do “distritão” para o povo, eu estou fazendo
algumas reuniões em São Paulo, é realmente é um sistema simples, eles
acham justo, porque eles não votam em partido mais, eles votam em pessoas,
71% não têm identidade com os partidos. Então, será que a gente tem que
forçar goela abaixo um sistema que nós, como dirigentes partidários, como
representantes de partidos políticos entendemos que seria melhor para o
Brasil — e eu concordo e acho que o sistema proporcional é maravilhoso
quando os partidos políticos têm realmente essa diferenciação — ou será
que momento atender ao anseio da nossa população e um segundo momento
lutar realmente por uma educação política, para aí sim buscar fortalecer
essas siglas partidárias?
Então, eu vou me estender somente nesse ponto. Gostaria, nas
próximas reuniões de falar um pouquinho na Cláusula de Barreira, todos
sabem do meu empenho aqui, dar um ponto de vista diferente para vocês.
Quero dizer já que a gente tem opiniões divergentes, mas a democracia é
justamente isso: a gente pode não concordar com o que o outro diz, mas
temos que lutar para que ele tenha o direito de dizer, e não podemos sair
daqui com raiva de alguém só porque ele pensa diferente de nós. Acho que o
debate é muito importante, eu mesma mudei minhas posições ouvindo os
argumentos dos colegas.
Então eu queria deixar aqui a minha opinião sobre o sistema
eleitoral e a possibilidade de a gente restringir os temas para ouvir os
argumentos sobre cada uma dessas coisas, o que seria muito
produtivo.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Com a palavra o Deputado Orlando
Silva.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA – Sr. Presidente, na ausência do diálogo que eu tinha sugerido
para esclarecer as minhas ideias, eu vou sustentar aqui uma preocupação: a
abertura para debater qualquer hipótese de sistema eleitoral, de sistema
partidário deve ser um fundamento para que nós possamos levar a Comissão a
bom termo. Considero que a condução que o Relator tem dado, até quando fez
a provocação inicial, na abertura dos trabalhos desta Comissão, está sendo
muito importante para que nós possamos desarmar os espíritos. Nós do PCdoB
acreditamos que, ao final desta Comissão, nós poderemos chegar, sim, a bom
termo, porque a Reforma Política é uma necessidade.
Recordo-me que em muitos debates, em muitas cidades que visitei era
questionado sobre a prioridade e, muitas vezes, minha resposta era: Fazer
uma Reforma Política que aproxime o cidadão da política, que legitime os
partidos que fortaleça a democracia. Portanto, a resultante desse esforço
seguramente será uma resultante muito positiva.
Mas quero falar, Sr. Presidente, apenas de um tema que considero
chave, para que nós possamos realizar uma reforma política verdadeiramente
democrática, que é a questão do art. 3º, salvo engano, da PEC 352, que
versa sobre a cláusula de desempenho ou a cláusula de barreira.
Considero que essa é uma medida restritiva da atividade democrática
do Brasil. Considero que, como me referi ao julgamento da ADIN pelo
Supremo Tribunal Federal, podemos criar mesmo uma crise, um mal-estar com
a Corte constitucional do País, eu insisto.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade que questionou a
constitucionalidade da lei aprovada aqui no Congresso se fundamentou não
no art. 17 da Constituição, que é o artigo que fala sobre atividade dos
partidos políticos, mas se fundamentou no art. 1º da Constituição, que
fala sobre os fundamentos da República, e no art. 5º, que versa sobre
direitos fundamentais. Tanto o art. 1º quanto o art. 5º são cláusulas
pétreas da Constituição do Brasil. Não basta apenas inserir no texto da
Constituição, em alguns dos seus artigos, uma modificação para que nós
possamos sustentar a constitucionalidade dessa medida. Portanto, eu
considero que um primeiro aspecto a ver diz respeito à constitucionalidade
da introdução da cláusula de desempenho no sistema normativo brasileiro.
A segunda observação sobre essa mesma matéria diz respeito à
legitimidade da medida. O Brasil vive o período mais longo da sua história
democrática, apenas 30 anos, pouco mais que uma geração. Quando nós aqui,
na sessão anterior, examinamos o Direito Comparado, analisando democracias
maduras como as da França, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, em que
pese haver interstícios, momentos de fechamento de alguns desses países,
mas são democracias que se consolidaram ao longo de um período muito
largo, aperfeiçoando o seu funcionamento partidário, aperfeiçoando o seu
funcionamento eleitoral. O Brasil vive essa democracia há apenas 30 anos.
Portanto, eu reivindico que nós possamos ter, sim, liberdade de
funcionamento Parlamentar, independentemente, do desempenho do momento. O
Partido dos Trabalhadores, que é um dos maiores do Brasil hoje, na
Constituinte, Senador José Fogaça, qual era mesmo a presença do Partido
dos Trabalhadores? Na primeira Legislatura do PT, o PCdoB assinou a
Constituição. Na primeira Legislatura em que o PT esteve presente, era
possível ter 3 ou 4 Deputados. Portanto, você impedir que uma Minoria
possa se converter em Maioria com a restrição desse tipo é extremamente
antidemocrático.
Aliás, nós deveríamos aprender com os Estados Unidos a olhar a
inspiração dos federalistas que, quando introduziram a ideia de cláusulas
pétreas, de compromisso pré-Constituinte tinham sentido de quê? Havia o
sentido de impedir que Maiorias de ocasião se impusessem e restringissem o
direito de manifestação e mesmo a existência de Minorias.
Por isso, Sr. Presidente, eu considero importante debater o sistema
eleitoral, debater o sistema partidário. O Deputado Tadeu Alencar foi
muito feliz, quando disse que, no diagnóstico, há um grande consenso. Isso
já é uma coisa boa. Quando nós falamos de fortalecer os partidos, reduzir
custos de campanha, aumentar legitimidade, já uma coisa boa, uma vez que
observamos o mesmo diagnóstico.
Temos que estudar e
realizar um bom encaminhamento. Agora,
Faço um apelo aos companheiros,
Deputadas e Deputados, que nós não impeçamos, que não limitemos a plena
liberdade de organização, e que permitam que todos funcionem com a
expressão eleitoral, com a força que possui em função do voto no momento,
que pode ser diferente adiante, não é? Essa é a reivindicação que faço.
Considero que é uma infeliz ideia a de impor uma restrição ao
funcionamento Parlamentar ao acesso ao fundo partidário de TV nesse
momento.
Muito obrigado, Sr. Presidente!
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Concedo a
palavra ao penúltimo orador inscrito, o Deputado Elmar
Nascimento.
O SR. DEPUTADO ELMAR
NASCIMENTO - Relator, Deputado Marcelo Castro, prestei atenção a todos
os pronunciamentos, e o grande desafio dessa Comissão é ser diferente das
outras, ou seja, avançar. Confesso que fico um pouco dividido entre o
fascínio dessa tese nova da circunscrição e o pragmatismo de perceber,
depois de ter ouvido a todos aqui, que vai ser muito difícil construir uma
maioria de 3/5 para levar ao Plenário. Vai ser difícil aqui e muito mais
ainda no Plenário, porque os Deputados não estão participando ativamente
dessa discussão. A primeira grande contribuição que já se
poderia dar é trabalhar no sentido inverso, ou seja, corrigir uma
distorção histórica que existe, qual seja a de desconstitucionalizar uma
série de temas que não deviam estar na Constituição, até para facilitar a
modernização da legislação eleitoral e tentar buscar — e aí é importante
que funcione outra Comissão com os mesmos membros — a correção de uma
série de distorções que agravam a situação e a realidade da política
eleitoral brasileira com temas que acho que 90% da Casa concordam como,
por exemplo, a coincidência das eleições.
Segunda, a proibição de coligações proporcionais.
Terceira, a proibição de reeleição para o Executivo. O sujeito se
elege hoje Presidente, Govenador ou Prefeito já pensando na reeleição e
esse é um dos grandes problemas do País.
Quarta, todo mundo fala e todo mundo concorda com a diminuição do
custo de campanha. Se partimos do pressuposto de que, seja na tese do
modelo atual, seja na tese da circunscrição, nós só vamos conseguir
diminuir o custo de campanha diminuindo a campanha e aplicando a
realidade.
Se formos perceber a realidade do que foi a campanha, nós tivemos
campanha de pouco mais de 30 dias. Fazia-se conversa com as Lideranças,
com as pessoas que nos apoiam nos Municípios novos, onde estávamos
entrando em junho, julho, mas efetivamente a campanha na rua aconteceu com
pouco mais de 30 dias. Seja a campanha de televisão, que é o custo maior
de uma campanha majoritária, seja a campanha proporcional, só vai ser
reduzido com uma diminuição da campanha, que já existe de fato.
A outra questão é a da fraude, da capitação do ilícito, capitação
do sufrágio, do abuso de poder econômico. Nós precisamos criminalizar
isso. Nós estamos tratando aqui da corrupção, da corrupção eleitoral e, no
que diz respeito à figura do corrupto, é a única legislação que não é
punido o corrompido.
Você chega ao Nordeste, principalmente nas eleições municipais, e
há uma verdadeira extorsão por parte de determinada parcela do eleitorado
para cima dos candidatos a Vereador a quem tem acesso direto. É bom, é
importante que se tenha acesso direto, mas é uma verdadeira extorsão e não
há nenhum tipo de punição.
Talvez, hoje, haja um terceiro turno em todas as eleições
majoritárias e já está caminhando também para as eleições proporcionais,
com a judicialização do processo eleitoral. Todo mundo entra com Ação de
Investigação Judicial Eleitoral — AIJE, entra com Ação de Impugnação de
Mandato Eletivo — AIME e o Ministério Público Eleitoral não trata da
questão criminal dessa parte. Quando se entrar com ação, com a AIJE ou com
a AIME e estiver configurado o abuso do poder econômico tem que
criminalizar. Se houve captação ilícita do sufrágio, houve a figura do
corruptor, que corrompeu, que captou de forma ilícita do sufrágio e a do
que foi corrompido. Há que se criminalizar para coibir esse tipo de ação.
Por último, a questão do limite financeiro. Falamos sobre
financiamento privado de campanha. O principal é proibirmos, não fixar
limite, é proibir qualquer empresa que tenha relação com o Poder Público
de figurar como doador de campanha. É preciso proibir até de forma
indireta, porque virou prática uma empresa transferir para uma empresa de
consultoria e essa empresa de consultoria transferir depois, fazer doação.
Vocês vão ver que a CPI da PETROBRÁS vai pegar muita coisa assim, que na
investigação feita pelo Ministério Púbico vai-se pegar muita coisa assim.
Tem que proibir desde a origem. A origem é opção. A empresa que tem
contrato com o Poder Público, com uma Empresa de Sociedade de Economia
Mista, ou com Empresa Pública fica proibida de doar.
Outra coisa, que é mexer em um vespeiro, é quando se fala em
reduzir custos. Isso é bom e importante para todo mundo. Há, no estatuto
de determinados partidos, vários deles, a obrigação de que todo filiado
deve dar uma contribuição ao partido com parcela do seu salário. No nosso
Brasil, temos milhares e milhares de cargos comissionados, ou seja, é uma
forma de financiamento indireto. A pessoa é nomeada para um cargo em
comissão, uma parcela do salário dela já vai para o partido e o partido
depois financia a campanha. Isso é um vespeiro, onde devemos mexer, porque
isso facilita ao partido dominante ter sempre uma fonte de receita muito
maior, causando um desequilíbrio em relação aos outros partidos.
Portanto, acho que o principal papel nesta Comissão separada é
ajudar. A ajuda que podemos
dar para agora e para o futuro é desconstitucionalizar, deixar na
Constituição apenas o que é tema do que deveria ser objeto da
Constituição, até para facilitar a modernização da legislação, nesta
Legislatura, e em outras que virão adiante.
Mas estou satisfeito com o debate. Só quero reiterar a minha
opinião, no sentido de que concluamos esta Comissão diferentemente das
outras, a bom termo. Será
difícil nós conquistarmos 3/5 aqui.
Então, vamos fazer a reforma, não a reforma ideal, que não seja a
ideal, mas a reforma possível, tão clamada pela nossa sociedade.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Concedo a palavra ao último orador,
Deputado Afonso Hamm.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Sr. Presidente, gostaria também de contribuir, porque acho que nós
estamos vindo em um crescente, nós temos tido debates mais abertos, com
convidados.
Eu já havia acompanhado a ampla explanação dos 16 itens tratados
pelo Deputado Esperidião Amin no Partido Progressista, e lá tive também a
oportunidade de participar de praticamente 100% da audiência, porque
sempre é difícil nossa presença em todo o tempo.
Hoje, não participei do primeiro momento, mas vejo que, nesta
reunião, estamos com a atribuição de competência de fazermos exatamente
essa primeira proposta e fazermos o alinhamento de vários pensamentos.
Isso é um exercício, é o nosso desafio, porque temos prazo, temos o nosso
Relator, que tem sido sensível, no sentido de ouvir a todos. Vemos várias
opiniões e o que é importante é estarmos evoluindo, pois abrimos mão de
parte de algumas questões em nome de um conjunto ou de uma proposta maior.
Acho que o primeiro grande avanço está na questão da viabilização
da transparência da politica brasileira e dos processos eleitorais, porque
o que nós estamos trabalhando é um conjunto de iniciativas, pois quando
nós reduzimos gastos, racionalizamos, damos a transparência e
estabelecemos limites, já
está-se trabalhando no esteio talvez fundamental — sobre o qual muitos
dizem que este modelo está falido — do ponto de vista arrecadatório, das
implicações, da falta de controle, do exagero dos gastos, dos desvios e de
tantos descaminhos que acabam tomando a questão arrecadatória e os custos
de uma campanha.
Aliás, nós estamos fechando muito a questão de que não é mais
possível para os 3 níveis, em relação à questão de Governo Federal, de
Presidência, no âmbito do Estado para Governadores, e na instância dos
Municípios no Executivo, a reeleição, porque também se trabalha muito com
muitos valores, se trabalha com a força que tem em relação ao uso da
máquina e que não é democrático. Também há os exageros nas arrecadações e
de onde vêm os valores.
A questão de racionalizar as eleições, à coincidência de eleições,
que vem dentro desse conjunto, também vai trazer uma racionalização
absurda do ponto de vista de resultado positivo para o País, porque nós
vamos eliminar uma eleição e vamos ampliar o período. Essa é uma tendência
que nós estamos vendo. Temos
inclusive iniciativa nesse sentido, em vários, e aqui temos também até
emendas nesse sentido, quem sabe a coincidência desses mandatos em um
período de 5 anos.
Isso vai trazer uma absurda racionalização de gastos e também vai
trazer, consequentemente,..., porque nós não vamos ter eleição no meio.
Hoje nós temos, a cada 2 anos, uma eleição. Passando a não ter mais essa
eleição a cada 2 anos e tendo um alinhamento eleitoral, se vamos fazê-las
no mesmo momento, isso tudo é uma discussão que vai ser feita, mas há um
avanço importante em relação a isso.
Para finalizar, trago outro tema, que é estrutural, que é
exatamente financiamento público ou financiamento
privado.
Estabelecendo os limites, temos aí já o entendimento de que, se nós
jogarmos todo o financiamento público, haja orçamento. Mesmo que
racionalize, será que a sociedade tem que bancar todo esse custo?
Portanto, na forma de fundo partidário, já existe. Melhorá-lo, acho
que é o desafio que nós temos que fazer. Ser democrático como ele é ou
permanecer, sendo mais democrático possível na sua plenitude, não só na
distribuição dos recursos, na utilização estrutural dos partidos, mas
também no apoio para alguns gastos durante a
campanha?
E aí vem a questão do financiamento, de uma proposta em relação à
questão também da participação das pessoas do ponto de vista da pessoa
física.
Eu fiz uma emenda, colocando aí o limite, para ter um balizador no
limite de um salário-mínimo. Imaginei, para que haja atualização, o limite
do financiamento do ponto de vista da pessoa física. Certo? E também que a
soma desses financiamentos, porque, senão, também, você vai fazer uma
grande captação, esteja limitada a 50% da captação. Ou seja, chegaria ao
máximo de 50%, e os outros 50% vêm do fundo. E, naturalmente, nessa
proposição que faço, exclui a questão do financiamento empresarial. E aí
não há preocupação, nem se a empresa é pública ou
privada.
Nós vamos ter que ter a capacidade de mobilizar pessoas para que
elas possam contribuir. Há limites. As campanhas vão ficar muito menores
do ponto de vista de tamanho e do financeiro, fácil de acompanhar. E aí
cabe ao candidato, aos candidatos terem a sua capacidade, usando um pouco
do horário eleitoral, usando inclusive limitar naturalmente os seus
recursos próprios, porque está dentro dos limites também. Nós vamos ter
campanhas com recursos enxutos, consequentemente, transparentes e com
credibilidade, porque a credibilidade de um mandato se dá pela autonomia e
isonomia do Parlamentar, da não dependência de empresa, da não dependência
do ponto de vista de também até de pessoa física em um número muito
expressivo.
Então, eu acho que, para colaborar eu fiz essa emenda, naturalmente
há vários avanços. O que deu para ver é que nós vamos trabalhar um texto
que vai limitar os gastos públicos de campanha, que vai haver uma grande
racionalização, que nós temos que criar ainda instrumentos de apoio para a
fiscalização, para o monitoramento no período
eleitoral.
Há as instâncias de fiscalização, mas nós temos que criar
componentes para que a sociedade e o próprio eleitor possa fazer o
acompanhamento. Ele vai ver o tamanho do dimensionamento de uma eleição. E
todos vão estar dentro das mesmas regras.
Hoje, não há uma regra que contemple isonomia de oportunidade para
todos. Se ela for bem restritiva — e ela tem que ser —, é ela que vai dar,
porque o tamanho da nossa dimensão política, da nossa representatividade
tem que estar pautado pelo nosso trabalho e pela nossa credibilidade e
naqueles que acreditam em nós, porque o cabo eleitoral... Existe o cabo
eleitoral remunerado e existe o cabo eleitoral verdadeiro, que é o cabo
eleitoral que acredita nas propostas.
E, se nós queremos, e nós estamos querendo, o Brasil, aliás,
precisa dessa composição de oportunidade democrática para todos, eu tenho
certeza de que, com essa racionalização, com essa transparência, com essa
fiscalização, nós vamos oferecer um componente de credibilidade à política
e aos políticos, a partir dos avanços na nossa reforma política.
Eram essas as considerações que eu gostaria de
fazer.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Muito bem. Rapidamente eu vou tentar
responder alguns dos questionamentos que foram feitos e algumas coisas que
foram enfatizadas aqui.
Nosso Deputado José Fogaça argumentou que nós devemos procurar um
sistema que traga a simplicidade. Eu
acho que isso é fundamental. Aliás, isso vem em oposição ao que V.Exa.
falou sobre o distritão. Eu vejo no distritão a grande vantagem da
simplicidade de comunicação. Um dos grandes atrativos do distritão é
exatamente isso.
Na linha de reduzir os custos da campanha, como uma diretriz a ser
seguida: aproximar o candidato do seu eleitor, proibir o financiamento de
empresas públicas, limitar as doações e reduzir o tamanho da
circunscrição, para naturalmente reduzir o custo das campanhas. É o que
nós tentamos fazer através da PEC 352.
Bom, foi levantada uma questão sobre como ficaria o Deputado
Estadual na circunscrição, o que o Deputado Esperidião Amin já falou. Eu
inclusive já tenho uma tabela pronta, Deputado José Fogaça, para todos os
Estados do Brasil, que adapta bem o distrito do federal com o estadual, na
circunscrição.
O Deputado Valtenir Pereira critica a questão dos cabos eleitorais.
A Deputada Josi Nunes também está na linha do simplificado do Deputado
Fogaça, também acha que deve ser fatiada a reforma.
O Deputado Renato Molling, também, quase todos: diminuição dos
custos de campanhas, coincidência das eleições, limitação das doações para
pessoas físicas e jurídicas. Quer dizer, ele é a favor do financiamento de
pessoa jurídica, mas com limitação, e é contra o distritão. Parece que o
distritão não faz muito sucesso aqui na Comissão. Agora, lá fora a força é
grande.
O nosso Vice-Presidente Marcus Pestana se pronunciou no sentido de
procurarmos consenso, separarmos o essencial do secundário e aprovarmos
aquilo que é possível. Aliás, sempre que eu me encontro com meu amigo
Ibsen Pinheiro, que participou também conosco aqui de reformas eleitorais,
ele diz que nós devemos nos restringir às propostas que, primeiro,
melhorem o nosso sistema, segundo, que tenham chance de passar. Não
adianta uma proposta maravilhosa que não tenha chance de passar. Nós
estaremos perdendo nosso tempo. O contrário também — proposta que passe,
mas não melhore o sistema — não adianta. Acha também que nós devemos
fatiar a proposta, mas com coerência, para não aprovarmos coisas que sejam
contraditórias.
O Deputado Henrique Fontana está na mesma linha, com a postura de
que nós devemos votar, que a proposta de reforma da qual ele foi Relator
nós não conseguimos votar. Eu acho que é para isso que a democracia
existe: se ganha e se perde, mas é preciso votar. Ficou com receio e
levantou alguma questão sobre truque regimental. Não vejo espaço para
truque regimental. Nós vamos fazer tudo às claras, com a melhor das
intenções. Quem ganhar ganhou; quem perder perdeu. Isso é da democracia.
Propõe também o teto de financiamento de campanhas e acha que o
financiamento das campanhas está vinculado à corrupção que existe no País.
Também acho. Nesse sentido, temos que limitar isso, porque sem nenhuma
dúvida esse é um fator de corrupção.
O Deputado Afonso Motta acha que o nosso sistema está inteiramente
esgotado, que para o financiamento partidário tem que haver limite.
Defende também a democracia direta.
O Deputado Tadeu Alencar argumenta que os princípios debatidos da
reforma eleitoral são os mesmos para todos: diminuição dos custos de
campanha, busca da simplicidade, para isso precisamos coincidir as
eleições, proibir reeleição, que é o que propõe também o seu partido, o
PSB, mandato de 5 anos. Acha que o financiamento de empresas traz
corrupção. Tem uma preocupação com o caixa dois, que sabemos que existe
com muita frequência, e limita o financiamento a financiamento público e
pessoas físicas. E fala também sobre o sistema eleitoral, mas a gente
tem...
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu entendo que sim. Nós vamos fazer, dentro
das nossas limitações, uma reforma eleitoral completa. Vamos tratar de
todas as matérias constitucionais e infraconstitucionais.
O nosso Deputado Padre João acha que deve haver um teto para
financiamentos e que a contratação de cabos eleitorais deve ser limitada —
S.Exa. está correto — e, como ele é um Deputado temático, é contra a
diminuição da circunscrição. Não deixa de ter razão, porque, sem nenhuma
dúvida...
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É verdade.
A Deputada Renata Abreu acha muito importante os debates, que as
pessoas podem mudar de ideia, que ela, inclusive, já mudou de acordo com
os debates. E S.Exa. disse que atualmente os Deputados já são
regionalizados. Sem dúvida, mas nós entendemos que, se diminuirmos a
circunscrição, isso vai facilitar a vida de todos.
O Deputado Orlando Silva insiste muito na não aplicação da cláusula
de desempenho. Ele representa o PCdoB e tem essa grande preocupação. É um
partido histórico.
E eu tenho conversado com ele e com outros membros do PCdoB e tenho
dito que nós estamos dando uma alternativa, que é a federação partidária.
Esses partidos que têm maior identidade vão ter que se juntar em
federações.
Nós também queremos a implantação da cláusula de barreira, o que
vai depender da Comissão. Mas ela deve, naturalmente, ser implantada
gradativamente, para os partidos e as federações irem se adaptando com o
decorrer do tempo.
O Deputado Elmar Nascimento acha que nós devemos
desconstitucionalizar alguns temas. Essa é uma proposta nova e
interessante! Há algumas matérias que estão na Constituição e que não
teriam necessidade de lá estarem, como, por exemplo, a proibição de
coligações proporcionais. Nós constitucionalizamos para combater a
verticalização que o Supremo fez, mas é uma matéria tipicamente
infraconstitucional, de projeto de lei, que não
teria...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Interessante que a PEC 352 inclusive determina em seu texto —
acho que V.Exa. não estava aqui — que se mande tudo para o mesmo foro de
lei ordinária, mas tem que tem que haver uma imposição constitucional
mandando.
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Exato. Mas na Constituição só se determina que seja regulado
por matéria de lei ordinária.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - E também advoga a coincidência das eleições, a
proibição de reeleição, proibição de coligações, enfim, temas sobre os
quais existe certo consenso entre. Também, na mesma linha, quase que por
unanimidade, defende a diminuição dos custos de campanha, o barateamento
das campanhas.
O SR. DEPUTADO ELMAR
NASCIMENTO - (Início fora do
microfone. Inaudível.) Se seria possível, na questão municipal, nos
Municípios onde já há existência de segundo turno, talvez ser reduzida a
circunscrição. Porque nós temos a realidade de certos Municípios serem
muito maiores que alguns Estados, como é o caso de São Paulo, quando se
compara com Estados pequenos. Então, naqueles Municípios onde já é
realizada uma eleição majoritária em dois turnos, que também fosse levada
a circunscrição para a eleição proporcional.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pela PEC 352, os Vereadores ficariam como está
na legislação atual, mas acho que V.Exa. poderia propor isso daí, porque
realmente há Municípios e há Munícipios. Um Município pequeno de 5 mil
habitantes tem espaço para se tratar diferentemente.
Acho que V.Exa. tem razão nesse aspecto aí. Procure estudar esse
assunto e traga para a gente, com maior poder de convencimento para a
gente encampar essa ideia. Mas é interessante.
E acha que deve ser criminalizado também, é outra inovação da sua
palavra aí, o corrompido (risos), porque a legislação (risos)...
(Fora
do microfone.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - E a proibição de empresas que têm contratos com o
Governo.
Bom...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Ele apenas esticou a cadeia produtiva. (Risos.) Não pode ser direta nem
indiretamente, nem super, nem sobre a forma de...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro)
- O Deputado Afonso Hamm vem na mesma linha de racionalizar, coincidir
as eleições, limitar os financiamentos, inclusive propôs aquela proposta
de um salário mínimo contra o financiamento de
empresa.
Gente...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Ele focalizou o (ininteligível) para ir até (ininteligível). Como diz o Juiz
Sérgio Mouro: siga o dinheiro. (Risos.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Então, hoje, nós tivemos uma reunião longa, com a
presença do Deputado Esperidião Amin que foi o Relator da PEC 352, quero
explanou aqui para os membros da Comissão a PEC Vaccarezza, que trouxe,
assim, uma certa aversão da sociedade, uma demonização muito grande. Eu
acho que nós cumprimos, hoje, aqui o nosso papel
de...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Ela não chegou a ser canonizada, mas que já está quase
terminando o estado de purgatório. (Risos.) Aliás, já terminou o
purgatório, já está na vida civil. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - E, então, eu acho que ficou claro aqui,
para todos, que foi um grupo que se reuniu, que votou, que chegou a uma
conclusão e que trouxe uma proposta para ser levado à sociedade. Há
vantagem e desvantagem, mas ninguém pode acusar esse grupo de que ele não
agiu com a melhor das intenções de produzir uma peça, uma PEC que se fosse
aplicada na prática, sem nenhuma dúvida, seria uma evolução ao sistema que
nós temos hoje, porque parece que está ficando cada vez mais um consenso
aqui na Comissão, de que como está o nosso sistema eleitoral nós não
podemos continuar.
Nós temos que avançar. Se não conseguirmos o ótimo, o Pestana aqui
já disse, o ótimo é inimigo do bom, mas nós temos que fazer alguma coisa
que racionalize mais o nosso sistema eleitoral.
Nós vamos passar vexame se continuarmos com esse sistema. Um País
com 28 partidos, representados no Congresso Nacional, se continuarmos
nessa marcha, dentro de pouco tempo, nós teremos 50 partidos aqui
representados no Congresso Nacional. Isso é uma demonstração da falência
do nosso sistema eleitoral, do nosso sistema partidário, sem nenhuma
dúvida.
Então, vamos encerrar a nossa reunião.
Nada mais havendo a tratar agradeço a presença de
todos.
Convido todos a participarem das audiências públicas da próxima
terça-feira, 10 de março, às 10h, com a presença do Vice-Procurador-Geral
Eleitoral, Eugênio Aragão; e, às 14h30min, com a presença do Presidente do
TSE, Ministro José Antonio Dias Toffoli.
Está encerrada a presente reunião.