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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
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Às dez horas e vinte minutos do dia três de março de dois mil e quinze, reuniu-se a Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição nº 344-A, de 2013, do Sr. Mendonça Filho e outros, que "altera o art. 17 da Constituição Federal, condicionando o acesso dos partidos políticos ao fundo partidário e ao uso gratuito do rádio e da televisão a prévia disputa eleitoral e à eleição de representante para a Câmara dos Deputados ou o Senado Federal", e apensadas, no Anexo II, Plenário 01 da Câmara dos Deputados. Estiveram presentes os Deputados Rodrigo Maia - Presidente; Rubens Otoni, Marcus Pestana e Tadeu Alencar - Vice-Presidentes; Marcelo Castro - Relator; Afonso Motta, Alceu Moreira, Antonio Bulhões, Arthur Oliveira Maia, Benito Gama, Carlos Zarattini, Chico Alencar, Daniel Almeida, Esperidião Amin, Henrique Fontana, Indio da Costa, Josi Nunes, Lincoln Portela, Luciano Ducci, Max Filho, Milton Monti, Moema Gramacho, Pedro Fernandes, Renata Abreu, Renato Molling, Silvio Torres, Uldurico Junior, Valtenir Pereira, Veneziano Vital do Rêgo e Victor Mendes - Titulares; Adail Carneiro, Átila Lins, Danilo Forte, Evandro Gussi, Fábio Sousa, Gorete Pereira, Julio Lopes, Leônidas Cristino, Lucas Vergilio, Margarida Salomão, Odorico Monteiro, Orlando Silva, Padre João, Paes Landim, Raquel Muniz, Samuel Moreira e Zé Carlos – Suplentes. Compareceram também os Deputados Bruno Covas, Cabo Sabino, Dulce Miranda, João Daniel, José Fogaça, Marcelo Álvaro Antônio, Moroni Torgan, Soraya Santos e Vinicius Carvalho, não-membros. Deixaram de comparecer os Deputados Edmar Arruda, Joaquim Passarinho, Marcelo Aro e Sandro Alex. ABERTURA: o Presidente declarou abertos os trabalhos e colocou à apreciação a Ata da segunda reunião, realizada no dia vinte e quatro de fevereiro de 2015. A pedido do Deputado Esperidião Amin, foi dispensada a leitura e, em votação, a Ata foi aprovada sem restrições. ORDEM DO DIA: Audiência Pública para debater o tema Sistemas Eleitorais, Partidos Políticos e Financiamento de Campanha em outros países, com a presença do Professor Renato Beneduzi, da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC/RJ. A audiência atende ao Requerimento nº 12/15, do Dep. Rodrigo Maia, aprovado pelo Colegiado em vinte e quatro de fevereiro do corrente. O Presidente informou os procedimentos relativos à reunião e concedeu a palavra ao convidado para sua explanação. Fizeram uso da palavra os Deputados Esperidião Amin, Arthur Oliveira Maia, Margarida Salomão, Evandro Gussi, Marcus Pestana, Rubens Otoni, Afonso Motta, Raquel Muniz, Daniel Almeida, Marcelo Castro, José Fogassa, João Daniel, Pedro Fernandes, Renato Molling, Silvio Torres, Margarida Salomão, Carlos Zarattini, Indio da Costa, Benito Gama, Milton Monti, Henrique Fontana, Alceu Moreira e Julio Lopes. Nada mais havendo a tratar o Presidente convidou todos a participar da Audiência Pública que se realizaria às catorze horas e trinta minutos no mesmo local e encerrou a reunião às treze horas e quarenta e um minutos. O inteiro teor da reunião foi gravado, passando os arquivos de áudio, vídeo e notas taquigráficas a integrarem o acervo documental desta reunião. E, para constar, eu ______________________, Regina Pereira Games, lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Rodrigo Maia ______________________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x- x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL Versão
para registro histórico Não
passível de alteração
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Declaro aberta a 5ª Reunião da Comissão
Especial destinada a proferir parecer à Proposta de Emenda Constitucional
nº 182 — e mudou agora —, de 2007, do Senado Federal, e apensadas, da
reforma política. A Secretaria aqui me informa que esses apensados já são
em torno de 107 PECs. Então, V.Exas. imaginem...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Com as emendas?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Sem contar as emendas! As emendas, até
agora, são poucas, mas eu espero que, até segunda-feira, a gente vá
receber aqui uma profusão de emendas. Mas esse é o nosso trabalho, a que
nos propusemos, e vamos ver se a gente dá bom termo.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Mas o prazo mesmo é até quando, Sr. Presidente?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O prazo são 40 sessões regimentais, e eu
gostaria de esclarecer isso aqui à Comissão. Eu já fui alertado pelo
Presidente Eduardo Cunha de que esse prazo não será prorrogado e que, se
nós ultrapassarmos as 40 sessões regimentais, ele avocará a
admissibilidade, sem termos votado aqui, sem termos decidido, para o
Plenário, como já fez com a PEC à qual vamos proferir parecer. E, quando
ele me fez essa “ameaça velada”, eu respondi de dedo em riste: “Não lhe darei esse prazer”. (Risos.)
Então, quando eu digo aqui que nós estamos em ritmo de frevo, nós
temos que nos aprofundar ao máximo. Estamos fazendo sessões às
terças-feiras pela manhã e à tarde, às quintas-feiras pela manhã, e
seminário todas as sextas-feiras. Ou seja, nós estamos aqui numa
verdadeira imersão, com dedicação praticamente exclusiva ao tema reforma
política, porque é um tema profundo, com muitas implicações,
importantíssimo para o nosso País, e nós temos que tratá-lo com a devida
seriedade, com a devida profundidade, mas nós temos um prazo a ser
cumprido.
Então, vamos fazer tudo para não comprometer o conteúdo; agora, que
nós temos que chegar ao final do prazo com a nossa tarefa aqui cumprida,
isso nós temos.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - E a entrega das emendas?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - A entrega das emendas é para terça...
Segunda-feira, Regina?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - São dez sessões ordinárias.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São dez sessões ordinárias, e me parece
que esse prazo expira segunda-feira. Até segunda-feira, o prazo está
aberto.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Se houver sessão.
(Intervenções simultâneas ininteligíveis.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois é, mas segunda-feira pode ter sessão.
Se tiver sessão, conta prazo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - São dez sessões ordinárias?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São dez sessões ordinárias. Ou é segunda
ou é terça-feira. Então, por precaução, seria bom trabalhar para
apresentar nas segundas-feiras.
Avisos.
Informo aos Srs. Deputados que a Presidência da Casa criou a
Comissão Especial destinada a efetuar estudo e apresentar proposta com
relação a matérias infraconstitucionais da reforma política, o que era um
desejo de todos nós, porque, legalmente, nós estávamos limitados a dar
parecer sobre as PECs, só isso. Então, qualquer matéria que nós
julgássemos importante que fosse infraconstitucional nós só teríamos dois
caminhos: ou a tornaríamos PEC ou não trataríamos do assunto.
Mas, aí, ontem, foi lido no Plenário que o Presidente Eduardo Cunha
criou uma nova Comissão e está pedindo aos Líderes o seguinte: “Eu peço a V.Exa. que peça aos Líderes
de V.Exa. para indicarem os mesmos membros”. Ficaria a mesma Comissão,
com o mesmo Presidente, com o mesmo Relator, para a gente poder fazer um
trabalho cinético, coordenado. Aquilo que fosse matéria de PEC ficaria na
PEC; o que fosse infraconstitucional ficaria em um projeto de lei, feito
pelas mesmas mãos, para não ter divergência nem
discordância.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sr. Presidente, peço a palavra pela
ordem.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É possível que alguma liderança partidária resolva indicar
outra pessoa, é um direito. Então, já fica aqui o antídoto: só faça
reuniões conjuntas.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Tudo bem.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputada Luiza
Erundina.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Eu não me lembro do que estava no plano de trabalho, mas
estavam previstos também seminários e audiências públicas em outros
Estados. Isso está mantido?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Está mantido.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - E é possível dentro desse prazo?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É possível dentro desse
prazo.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Como é que está essa programação?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Nós já temos agora, sexta-feira, seminário no
Ceará; na sexta-feira seguinte, no Maranhão; na outra sexta-feira, em
Curitiba, no Paraná; depois, no sábado, em Campo Grande, no Mato Grosso do
Sul; e na outra sexta-feira, no Goiás. Há pedidos para o Espírito Santo,
para Sergipe, para São Paulo e acho que também para o Rio Grande do Sul.
Então, toda sexta-feira nós vamos fazer esses seminários. Agora,
nada impede que alguém, membro da Comissão, possa fazer seminários nos
seus Estados e trazer aqui para a Comissão o resultado dos seminários com
as sugestões, qualquer um dos membros aqui, sendo o coordenador do
seminário. Agora, como nós temos atividades aqui, nas terças-feiras e nas
quintas-feiras, eu estou reservando as sextas-feiras ao meu querido Piauí,
que será numa segunda-feira, nessa próxima agora. (Risos.)
Pois
não, Deputada.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Eu pediria que a Secretaria nos fornecesse esse cronograma
dos seminários nos Estados.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Tudo bem.
A SRA. DEPUTADA LUIZA
ERUNDINA - Obrigada.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Outro aviso aqui: a PEC 344, de 2013, foi
apensada à PEC 182, de 2007, do Senado Federal, que passa a ser a PEC
principal desta Comissão.
Informo ainda que determinei que, a partir da próxima reunião, o
painel seja aberto para registrar a presença com 30 minutos antes do
horário marcado para a reunião, exceto naquelas marcadas para as 9 horas
ou quando houver outra Comissão reunida nesse
período.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Sr. Presidente, por gentileza.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputado Veneziano.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Se V.Exa. puder, como de costume, dar conhecimento a
todos os integrantes do teor, em detalhe, da PEC 182, até para que nós
possamos nos debruçar sobre ela, porque, se ficar mudando de uma para
outra, você termina sem saber o teor específico.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Com certeza.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Se puder chegar às nossas mãos
ainda...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São cento...
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Não, esta, porque V.Exa. está dizendo que nós vamos
ter como bússola a PEC 182; a partilha vai ser a PEC
182.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É, porque ela é a mais
antiga.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Pois bem.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Mas a que nós vamos ter como bússola é a PEC
352, a famosa PEC Vaccarezza, que hoje vai ser apresentada aqui pelo
ilustre e distinto Deputado Esperidião Amin. Eu participarei também dessa
apresentação, porque nós fizemos parte desse Grupo de Trabalho que
produziu a PEC Vaccarezza.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Então, eu renovo o pedido ao querido Relator e ao
próprio Deputado Esperidião Amin para que faça chegar ao nosso
conhecimento, em seu pleno teor, a PEC 352.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não.
Então, eu e o Deputado Esperidião Amin vamos apresentar hoje aqui a
PEC 352. O Deputado Esperidião Amin foi o Relator nesse Grupo de Trabalho,
já tem isso produzido em Power Point e em transparências, bem organizado,
falando sobre os assuntos. Quanto a essa PEC aqui, eu quero antecipar que
há certo preconceito; foi divulgado como se fosse uma PEC
retrógrada.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Do mal.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Do mal. (Riso.)
Então, eu peço a V.Exas. que a recebam com espíritos desarmados,
evidentemente, com as críticas que devem ser feitas, porque não tem
trabalho perfeito, nem estou defendendo a perfeição dessa PEC. Pelo
contrário, minhas ideias estão naquela cartilha que eu distribuí, mas não
na PEC Vaccarezza. Eu me recordo que essa PEC foi produzida por vários
Parlamentares, como a Deputada Luiza Erundina, o Deputado Esperidião Amin
e eu, os que aqui estão presentes. Nós participamos dessa
PEC.
Passo a palavra para o Deputado Esperidião Amin para fazer a
explanação da PEC Vaccarezza.
Estou ocupando aqui a Presidência temporariamente, aguardando a
presença do nosso Presidente Rodrigo Maia. E aqui também não está presente
nenhum dos Vice-Presidentes, os Deputados Rubens Otoni, Marcus Pestana e o
outro que também não está.
O SR. DEPUTADO BALEIA ROSSI -
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputado Baleia
Rossi.
O SR. DEPUTADO BALEIA ROSSI
- Enquanto o Deputado se prepara para fazer a sua explanação, gostaria
de expressar minha alegria de ter sido indicado, ontem, pelo Líder do PMDB
para fazer parte desta Comissão
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - É um prazer para todos
nós.
O SR. DEPUTADO BALEIA ROSSI
- E gostaria de reafirmar um convite e um pedido para uma data para
São Paulo. Nós estávamos em uma conversa informal aqui entre os Deputados
de São Paulo, e reafirmo o convite que nós fizemos ontem e a sua sugestão
de fazermos um grande encontro na Assembleia Legislativa, com a
participação de todos os Deputados de São Paulo, inclusive Deputados
Estaduais, para podermos levar esse debate para São
Paulo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Com certeza, inclusive já tem um pedido
oficial do Deputado Capitão Augusto.
Deputado, regimentalmente, são 15 minutos.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Tem que ser mais ou menos isso.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Mas eu acho que a relevância é tão grande,
que nós teremos a tolerância devida para V.Exa. ter o prazo necessário
para explanar.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Prezadas Deputadas, prezados Deputados e demais cidadãos que
estão prestigiando esta reunião, eu tenho só uma observação a fazer. Eu
acho que nós temos que inovar, daqui para frente, em matéria de
tempo.
Primeira regra: começar com, no máximo, 10 minutos de tolerância em
relação ao horário programado. Chegou atrasado, paciência, pode ser até
justificável, mas não é justo com quem chega na hora. Essa é uma regra de
bom costume, que eu acho que nós deveríamos cultuar e praticar se
possível. Eu vou procurar me cingir ao tempo
determinado.
O que eu quero dizer preliminarmente? Nós estamos numa longa
corrida de revezamento. Nós somos a estação 55. Nem todos os que estão no
trem da estação 55 estarão na estação 56 — 55 é o número da nossa
Legislatura —, nem estivemos na estação 54, muito menos no Grupo de
Trabalho ou Comissão, seja qual for o nome, que tratou desse assunto. E
sempre tem uma Comissão ou Grupo de Trabalho tratando desse assunto, e
nunca se chega a um termo.
Não vou fazer o histórico das tentativas, mas quem participou da
chegada à estação 53, quem viajou da estação 51 para a 52 sabe que não
faltaram tentativas bem-intencionadas, mas sem resolutividade. E
democracia sem resolutividade geralmente não tem vida tão longa quanto a
gente desejaria. (Falha na
gravação.) ... grupo de trabalho. Por que o Presidente Henrique
Eduardo Alves criou esse Grupo de Trabalho? Por que nós desenvolvemos, no
começo da Legislatura anterior, através de uma Comissão idêntica a essa,
amplo estudo com dezenas de visitas pelo Brasil afora, dezenas de visitas
inclusive ao meu Estado, com audiência da CNBB, com audiência da OAB. Esse
filme não aconteceu só em 2011. Esse filme já aconteceu em outras ocasiões
e é bom que ele aconteça e se renove. Não é nenhuma crítica, mas ele não
pode ser motivo para que não se delibere.
Então, foi criado o Grupo de Trabalho porque a Comissão de Reforma
Política não conseguiu deliberar. E não foi por falta de aplicação do
Deputado Almeida Lima, nem por falta de esforço — e eu quero aqui
assinalar —, um esforço denodado, inteligente do Deputado Henrique
Fontana. Não foi por falta, foi porque esse assunto tem, primeiro, a lei
da inércia, de não mudar, contra ele. Segundo, há os interesses
partidários, que são legítimos, os interesses particulares e pessoais, que
também são legítimos, dos atuais detentores de mandato, que comparam o
quadro que se quer desenhar com a sua situação. E, finalmente, temos os
modismos, muitos deles determinados pelo sentimento popular do
momento.
Então, criou-se esse Grupo de Trabalho, foi o Grupo talvez mais
resolutivo, porque deliberou, e o Marcelo Castro sabe disso. Eu fui
derrotado em vários tópicos, ele também o foi, mas se chegou a um
denominador, que é o texto da PEC 352.
Findo o prazo, que foi estimulado pelo movimento das ruas de junho
de 2013, qual era o principal bordão nas ruas em 2013, além do combate à
corrupção, da reclamação pela deficiência dos serviços públicos,
especialmente transporte coletivo, mas não só ele, também saúde, educação,
segurança? Foi um bordão que tem que ficar aqui todo dia no nosso ouvido:
“Você não me representa”. Eu me
lembro disso. Ou seja, você está exercendo um mandato sem ter tido votos,
ou voto suficiente, ou tantos votos quanto outros que não são Deputados,
porque não alcançaram quociente eleitoral, ou porque a coligação ou um
candidato que puxa voto levou quatro ou cinco junto com ele. Eu não vou
mencionar nomes, mas todo mundo sabe do que estou falando. Ou porque o
suplente de Senador muitas vezes é desconhecido. “Você não me
representa”.
Então, esses 16 tópicos que eu vou apresentar aos senhores e às
senhoras resumem a PEC 352. Deputado Graziano, eu não
vou...
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO -
Veneziano.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Veneziano. Veneziani gran
signori.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Veneziano. Inclusive...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Veneziano, deixe-me dizer que eu estou falando que Veneza é a
mais importante província do Vêneto, de onde eu sou oriundo por parte de
mãe. Veneziani: os venezianos
são grandes senhores.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Que bom! Deixe-me dizer da alegria e da honra de poder
vê-lo e ouvi-lo, até porque uma figura muito importante, a mais importante
em minha vida, foi o seu colega, Deputado Antônio Vital do Rêgo, in memoriam.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É um grande amigo.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - É por isso que me honra muito estar neste mesmo
ambiente a ouvi-lo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu só quero dizer que, no meu Estado, nós temos Nova Veneza,
que é em sua homenagem também. (Riso.)
Mas o Deputado Veneziano pediu, há pouco, detalhes sobre o projeto.
Aqui ele está resumido, são 16 tópicos. Ninguém pode ter a pretensão de
aprovar os 16 tópicos, e o meu partido, por exemplo, não quer discutir os
16 tópicos.
O meu partido selecionou 5 tópicos para debater e, se possível,
aprovar: coincidência de eleições, não reeleição para cargos executivos,
distritão como sistema eleitoral — é a posição do meu partido; não é
exatamente a minha, mas é a do meu partido —, financiamento eleitoral a
ser decidido pelo Congresso e não pelo Judiciário, mas decidido, pois, sem
decisão, outros decidirão por nós, e cláusula de barreira ou de desempenho
partidário ou de desempenho individual, com proibição de coligação nas
eleições proporcionais. Isso é o que um partido preferiu.
Agora nós vamos ver os 16 tópicos que fazem parte da PEC. Então,
essa é a ementa e esse aqui é o resumo. O que é a PEC? São 16
tópicos.
(Segue-se exibição de
imagens.)
O primeiro tópico, não pela importância, mas pela ordem de
apresentação, é tornar o voto facultativo. Foi decidido e foi aprovado por
maioria simples no Grupo de Trabalho. Você pode aprovar ou não; agora, cá
para nós, isso não é inconstitucional.
Essa PEC ficou 14 meses e 16 dias obstruída na Comissão
de Constituição e Justiça para que não se votasse sobre a sua
admissibilidade. Veja bem, o parecer que eu apresentei como Relator na
Comissão de Constituição e Justiça foi assinado no dia 19 de novembro.
Cheguei a fazer uma modificação em alguns tópicos para buscar um acordo
para votação da admissibilidade, mas não consegui. Isso foi no dia 19 de
novembro de 2013. No dia 4 de fevereiro de 2015, 14 meses e 16 dias
depois, o Deputado Eduardo Cunha — e eu aplaudo a sua decisão — avocou
para o Plenário e foi aprovada a admissibilidade.
Nós temos a raríssima oportunidade de, no começo de uma nova
Legislatura, ter um documento para criticar, para malhar, para consertar,
mas, acima de tudo, com a obrigação de deliberar. Esse é o primeiro
tópico.
O segundo tópico é unificar, em 6 meses, o prazo mínimo de filiação
partidária, como condição de elegibilidade. É a criação de uma janela.
Você tem que ser fiel ao seu partido até 6 meses antes da eleição, até 6
meses antes da eleição, até o momento da convenção.
Como o autor dessa proposta foi o então membro do Grupo de
Trabalho, Marcelo Castro, eu vou me abster de defendê-la. Está na hora de
ele defender as criaturas dele.
O terceiro tópico é proibir a reeleição. É doído você escutar pelo
Brasil afora, ignorar que a PEC propõe isso. Eu já recebi dezenas de
mensagens de pessoas instruídas que dizem: “Você não tem nada que ficar
discutindo sobre esse assunto. Você tem é que proibir a reeleição”.
Mas isso consta da PEC, a proibição da reeleição para cargos executivos
nos três níveis.
O quarto tópico é condicionar a formação de coligações para a
disputa de eleições proporcionais à decisão dos respectivos partidos, em
nível nacional, de constituir federação. Ou seja, pode constituir uma
federação partidária com prazo para sua existência, mas essa federação
obedece a certos preceitos que a tornam mais
estáveis.
O quinto é alterar a exigência de apoiamento mínimo de eleitores
para o registro de partidos políticos, permitindo, ainda, que se possa
substituí-lo por, pelo menos, 5% dos Deputados Federais. Nós agora votamos
um projeto de lei, de autoria do Deputado Mendonça Filho, que altera isso
aqui, porque aborda inclusive a questão de fusão de partidos. Mas esse
texto, eu repito, é de 2013.
O sexto é estabelecer critérios para o direito dos partidos
políticos ao fundo partidário e para o acesso gratuito ao rádio e à
televisão em função dos votos por eles obtidos. Também já foi alterado por
lei ordinária dispondo que não há mais a transferência do Deputado, com
fundo partidário, com tempo de rádio e de televisão, para um partido novo
criado, como aconteceu na Legislatura anterior.
O sétimo é instituir cláusula de barreira para o funcionamento
parlamentar dos partidos políticos nas Casas legislativas, consistente na
obtenção de, pelo menos, 5% dos votos apurados para cada uma delas, não
computados os em branco e os nulos. Só advirto que não são 5% na primeira
eleição. Essa exigência começa na primeira eleição geral com 3%, na
segunda com 4% e estaciona em 5% na terceira eleição posterior
à
adoção deste dispositivo.
O oitavo é estabelecer o financiamento das campanhas eleitorais,
conforme decidido pelo órgão partidário competente, por meio de recursos
privados, recursos públicos ou da combinação de ambas as
formas.
Nessa apresentação está faltando o asterisco. Quando se procurava
uma solução, eu ofereci a possibilidade de retirar da PEC tudo que
versasse sobre financiamento de campanha. Para quê? Para que não ficasse a
impressão que foi amplamente divulgada de que a PEC pretendia
constitucionalizar algo que o Supremo está decidindo. Refiro-me ao
financiamento por pessoa jurídica.
A OAB tem uma Ação Direta de Inconstitucionalidade a respeito do
assunto. Já existem seis votos, se não me engano. (Pausa.)
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Sete.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sete?
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Seis a um.
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Então é o oitavo que está com pedido de vista?
A
SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA -
Seis a favor e um pendente de decisão.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Então é o sétimo que está com pedido de vista, retificam aqui os Deputados
Carlos Zarattini e Luiza Erundina, e eu agradeço.
Só que essa ação é posterior a esta discussão aqui. Quando esse
assunto foi debatido, a ação judicial nem era momentosa, nem estava
considerada como tal. Mas é um tema relevante.
Eu posso antecipar que a minha posição pessoal é a favor dessa
inclinação do Supremo, mas o que eu acho pior é nós não deliberarmos sobre
o assunto e esperarmos que o Supremo legisle a respeito
dele.
Na minha apresentação, tinha que haver o asterisco, porque eu
ressalvo sempre as questões que foram alteradas no segundo relatório que
eu fiz e depois eu suprimi. Como não houve acordo, voltou o texto
original. Mas, repito, eu apresentei um segundo relatório, tendo combinado
isso com o Deputado Vaccarezza, vamos retirar tudo que disser respeito a
financiamento de campanha, para ver se nós conseguimos fazer com que essa
deliberação de admissibilidade aconteça. Nem assim conseguimos, e a causa
continuou sendo um texto que já não estava mais no
relatório.
Aqui já tem um asterisco: fixar diretrizes a serem observadas pela
lei para as doações de pessoas jurídicas para as campanhas
eleitorais.
Isso entrou no Grupo de Trabalho, saiu no meu 2º relatório e
voltou, quando não houve acordo e a matéria foi avocada pelo Plenário. Mas
eu faço questão de assinalar que, se nós não deliberarmos a respeito
disso, o Supremo, em um prazo que a gente não sabe qual é, deliberará.
Entendo, porém, e insisto que é competência e responsabilidade do
Congresso Nacional decidir sobre esse assunto.
O décimo tópico é condicionar a arrecadação de recursos e os gastos
de campanha à fixação, em lei, a cada eleição, de um
limite.
Sem a fixação da lei, é proibida a doação. Ou seja, há uma cláusula
suspensiva.
O Deputado Marcelo Castro também ajudou a escrever esse texto,
razão pela qual eu vou deixar de detalhar a
explicação.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Deputado, quando fala em limite, é o limite que hoje nós
temos?
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Não, hoje é o limite do doador. Esse é o limite da percepção, da
arrecadação, do quanto que você pode gastar. Hoje, ele é fixado,
arbitrariamente, por cada um.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- É a hipótese de permanecer a pessoa física com o valor, como a
proposta da OAB, que é o valor da contribuição?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
O valor da contribuição e do valor de quanto você pode
receber.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Os dois?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Os dois.
Esse aqui é o foco segundo, é o foco 2.
O valor da contribuição nós já temos. Agora, o valor de quanto seu
partido pode arbitrar como sendo...
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Estou falando em valores absolutos.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não, mas isso aqui é em valores absolutos e percentuais, os
dois. Na primeira, é só o percentual, o quanto da sua receita, o quanto do
seu faturamento.
O tópico seguinte é estabelecer critérios para a divisão dos
Estados e do Distrito Federal em circunscrições destinadas a preencher de
quatro a sete lugares na Câmara dos Deputados, as quais serão as mesmas
para as eleições dos Deputados Estaduais.
Vou me deter um pouquinho mais nesse ponto. No Você não me
representa tinha a seguinte advertência... Isso também gera impacto no
custo da campanha.
O que é distritão? Em Roraima, deve haver um eleitorado de 300 ou
350 mil eleitores, menos de 400 mil eleitores. Em São Paulo, nós temos 33
ou 34 milhões de eleitores. Distritão significa o seguinte: em São Paulo,
elegem-se os 70 Deputados Federais mais votados. Não tem carona. Se eu fiz
1 milhão de votos, fiz para mim. Se o povo votou no cidadão fulano de tal,
isso não significa uma autorização para que eu leve mais quatro ou cinco
Deputados comigo. Esse é o sentido do distritão.
O que é o projeto das circunscrições? Esse projeto foi apresentado
por um Deputado do PSDB, que faz parte da Comissão, o Deputado Marcus
Pestana. Você divide o Estado em subdistritões. São Paulo, por exemplo,
tem 14 distritões em que os cinco mais votados é que serão Deputados. Não
tem carona também. Quatro a sete Deputados seriam eleitos Deputados
Federais em cada subdistritão. É difícil criar o subdistritão, seja no Rio
Grande do Sul, seja em Santa Catarina. Nós teríamos quatro subdistritões
em Santa Catarina, cada um elegeria quatro Deputados, perfazendo os 16.
Vocês imaginem como será fácil criar os distritos eleitorais! Se é difícil
dividir por 4, imaginem dividir por 16! Imaginem dizer que até o número 70
da rua tal é o distrito tal, e do 72 em diante é o distrito xis. O
distritão seria um bom exercício para um dia se pensar em se chegar ao
distrito.
Em São Paulo seriam, no máximo, 14 distritões, podendo ser até dez
distritões apenas, elegendo sete Deputados em cada distritão. Sempre os
sete mais votados. Eu me estendi um pouquinho mais, porque é o que eu
prefiro.
Definir o Município como circunscrição. Ou seja, no Município não
há divisão. Pode ser São Paulo, pode ser Oeiras... O Município é o
distritão.
Estabelecer cláusula de barreira individual para as eleições
proporcionais. Quer dizer, se o quinto do meu distritão não fizer 10% do
quociente, ele também não conseguiu chegar à cláusula de barreira. Nesse
caso, são a barreira partidária e a barreira
individual.
(Intervenção
fora do microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É um caso a se resolver. Vamos resolvê-lo depois. Há o
dispositivo próprio.
Remeter para lei ordinária a organização e a competência da Justiça
Eleitoral, matéria para qual a Constituição exige lei complementar,
criando um paradoxo em relação ao Código Eleitoral: enquanto os temas
relativos ao Direito Eleitoral foram recepcionados como lei ordinária, as
disposições sobre organização e competência daquela Justiça Especializada
foram recepcionadas como lei complementar. Há
uma assimetria nas disposições dessas duas questões. A
par de ter solucionado essa questão, propõe-se um núcleo básico de
competências para a própria Lei Maior.
E, finalmente, inserir regras de transição para o direito a
recursos do fundo partidário, acesso gratuito ao rádio e à televisão e ao
funcionamento parlamentar.
Explico que sempre se remete ao dispositivo legal do tópico que eu
destaquei aqui. Então, a resposta à pergunta sobre o que se faz está no
art. 45, § 6º, citado na PEC 352. Poderemos abordá-lo se votarem a
perguntar.
Eu quero me cingir ao meu tempo. Esta é a exposição do texto da PEC
352, que foi a proposta de emenda à Constituição que, devidamente
destravada, ensejou a criação da Comissão. Agora é que nós vamos começar a
trabalhar. Na corrida de revezamento, eu tenho a grande satisfação de
poder criticar o trabalho do novo Relator, porque eu já apanhei bastante.
Como é psiquiatra, ele sabe até distinguir as agressões involuntárias
daquelas premeditadas, reiteradas e talvez até fruto de alguma perversão.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Quero parabenizar o nosso sempre brilhante
Deputado Esperidião Amin.
O nosso Presidente se encontra aqui, mas tem outros compromissos e
não quis assumir a Presidência.
Eu também vou falar um pouco aqui sobre a PEC Vaccarezza,
acentuando alguns aspectos. O prazo de filiação de 6 meses funciona assim:
hoje, para uma pessoa concorrer a um cargo eletivo, precisa estar filiada
ao partido 1 ano antes da eleição, a não ser que seja do Ministério
Público, seja um magistrado, seja um policial. O nosso capitão aqui está
liberado dessa exigência de 1 ano. Nesse caso, o prazo é de 6
meses.
Na Comissão, nós achamos que esse prazo ainda é uma coisa antiga,
do tempo da Revolução, e o melhor seria igualar todos os brasileiros e
reduzir o prazo para 6 meses como condição de elegibilidade, ou seja, se a
pessoa que não é filiada, filiando-se 6 meses antes do pleito, pode se
candidatar naquela eleição.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - E quem já é Parlamentar...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Pode mudar de partido.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pode mudar. Há
outro aspecto, que é a janela, na qual você teria o prazo de 1 mês para
mudar de partido. Mas não é isso aqui, apenas coincide.
Outro aspecto que eu gostaria de falar é essa questão das
federações e das coligações. O que foi que nós aprovamos na PEC 352? Que
os partidos são livres para se coligarem e não há necessidade de
correspondência de coligações nacionais, estaduais e municipais. Elas são
inteiramente livres.
Mas, só para Deputado Federal, os partidos que quiserem formarão
uma federação nacional. Nos Estados, para a eleição de Deputado Federal,
ou essa federação permanece, ou se divide, ou alguém vai separado, mas
eles não podem se coligar com outra federação. Então, suponhamos que os
partidos A, B, C e D constituam uma federação nacional. Lá no Estado do
Piauí, os partidos A, B, C e D podem repetir essa coligação nacional, essa
federação, ou podem se dividir dois a dois, ou três dentro e um fora, ou
não fazer coligação nenhuma e cada um ir independente. Por quê? Porque tem
que manter a lógica nacional, a coerência nacional. Aquele Parlamentar que
foi eleito em qualquer Estado do Brasil, quando chegar aqui à Câmara dos
Deputados, terá que estar dentro daquela federação. Então, ele não pode
ser eleito por outra federação. Ele tem que ser eleito por ela, ou
individualmente, ou coligado entre si. Ficou claro? A
Nacional que faz a Federação Nacional. Quem são os partidos? Qual é a
diferença da Federação? O
SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA -
O lado complicador seria esse: haveria uma rebeldia nos Estados não
acomodatícios — digamos assim.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Mas qual
é a alternativa que fica para o Estado? Por exemplo, no Rio Grande do Sul,
o seu Estado, se os partidos A, C, C e D construíram uma federação, lá, no
Rio Grande do Sul, ou eles vão os quatro juntos, ou eles vão todos
separados ou eles se coligam de três a três ou de dois a dois. Mas não tem
como eles ficarem de fora dessa lógica, porque, mesmo que eles se
elejam... Suponhamos que o partido A, no Rio Grande do Sul, diga: “Eu não quero fazer essa coligação.
Eu vou sozinho.” Ele vai sozinho. Ele não pode fazer outra coligação.
Ele só pode fazer dentro daquele complexo ali.
Ele disputou sozinho, mandou para cá dois Deputados. Quando esses
Deputados chegarem aqui, eles
não serão Deputados independentes.
Eles vão fazer parte desse bloco parlamentar constituído pelos
partidos A, B, C. e D. Então, qual é a diferença básica entre federação e
coligação?
A Federação é feita antes da eleição e permanece por todo o período
legislativo subsequente. Então é um bloco parlamentar que vai funcionar
durante os 4 anos. Ele foi eleito. Na verdade, é uma maneira.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - Como funcionaria para as eleições
Municipais?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Os
Vereadores são liberados.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - Liberados?
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Outra
coisa que eu gostaria de falar aqui e de enfatizar um pouco é sobre a
questão do financiamento. Isso aqui é uma questão complicada. Mas eu acho
que o projeto aqui, embora ele seja demonizado exatamente na questão do
financiamento, foi bastante equilibrado, na minha lógica, e inteligente.
O que se diz aqui do financiamento? Que os partidos políticos, as
suas direções partidárias poderão definir se aquele partido vai fazer uma
eleição com recurso público exclusivo, com recurso privado exclusivo,
podendo ser doações de empresas e de pessoas físicas, ou se ele vai optar
para fazer uma campanha com recursos mistos. Então, cada partido vai
definir.
Isso está na Constituição, mas é remetido para a lei. A lei
regulamentará as doações de pessoas jurídicas para as campanhas
eleitorais, observado o seguinte: Não pode haver doação de empresa para
candidatos, só para partidos
políticos. Então, vai tirar aquela suspeição de que a empresa tal ajudou o
candidato “a” e esse candidato “a” está trabalhando em função da empresa
que ajudou a financiar a sua campanha.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Isso nunca foi mencionado por quem atacava o
projeto.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Então, a empresa que tem uma simpatia por
determinado tipo de partido, que defende determinada causa que vai ao
encontro dos interesses daquela empresa, doará para aquele
partido.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Sr. Relator, uma breve pergunta: nesse caso, o partido constituirá
um fundo único e vai subdividir, provavelmente, os recursos entre os
diversos candidatos de maneira igualitária?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Os partidos deverão definir critérios para
a distribuição interna dos recursos, até o término do prazo da definição
das candidaturas.
Então, cada partido vai dizer como é que vai ser. Deixe-me
concluir, porque assim poderá se esclarecer.
No § 7º está dito: os partidos e candidatos somente poderão
arrecadar
recursos, como disse o Deputado Esperidião Amin, e efetuar gastos de
campanha, após a fixação, em lei, de limites para...
Então, o partido só vai poder arrecadar e gastar depois que estiver
aprovada a lei, que vai estabelecer limites para aquela eleição. Primeiro,
as doações de pessoas físicas e jurídicas em valores absolutos e
relativos.
Hoje, como é que é? A pessoa física tem um limite de doação de até
10% do que ela ganhou no ano anterior, na sua declaração de imposto de
renda, na declaração da sua renda; e 2% da empresa, do seu faturamento. Só
que há empresas e há empresas. Então, quando você bota em percentuais, uma
empresa pode doar 100 mil reais; outra empresa pode doar 100 milhões de
reais. E aí a distorção é grande.
Então, o que é que está previsto na proposta de emenda à
Constituição? Que a lei estabelecerá o limite de doação, que uma pessoa
física pode doar — a lei vai estabelecer — em percentuais e em valores
absolutos, e o que uma empresa pode doar em percentual e em valores
absolutos para equiparar, para ficar mais ou menos igual à doação das
empresas e das pessoas físicas, e as despesas com as campanhas de cada
cargo eletivo.
Então, que seja estabelecido um limite das despesas de cada cargo.
Para Presidente da República, a lei vai dizer: vai gastar tantos milhões;
para Governador do Estado, e há Estado e há Estado, vai ter que ser pela
população, provavelmente, Estado e população tal, a lei é que vai dizer —
a Constituição só está remetendo à lei, que terá que ter um limite —; para
Senador; para Deputado Federal; para Deputado Estadual; para Prefeito.
Então, esse é um trabalho grande, mas está remetido aqui na
Constituição para a lei. Então, na verdade, todo o financiamento vai ser
tratado em lei. E a gente ouve muito, assim, esta demonização da famosa
PEC Vaccarezza: “Constitucionalizou
tudo.”
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Deputado, V.Exa. me permite?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não, Deputado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só pode arrecadar e também gastar depois que a lei for
aprovada, porque, se não houver lei, nem pode arrecadar, nem
gastar.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Outro assunto que eu gostaria de enfatizar
aqui um pouco...
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Só para entender um pouco, Deputado Esperidião: se não
houver lei, fica só o financiamento individual de pessoa
física?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Se não puder arrecadar, campanha sem recursos nem os
franciscanos fazem. O Paulinho da Força, de forma
bem...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Os franciscanos trapistas fazem. Os franciscanos trapistas
fazem.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Mas, olhem só, brincadeiras à parte, só para
entender...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só para o senhor se situar, olhe o § 7º, que é o que o Deputado
Marcelo Castro está lendo. Os partidos e candidatos somente poderão
arrecadar recursos e, consequentemente efetuar gastos, após a fixação em
lei de limites para: 1) doações de pessoas físicas e jurídicas. Em quê? Em
valores absolutos e percentuais — era o que o Deputado Marcelo Castro
estava explicando —; 2) as despesas com as campanhas para cada cargo — que
ele também deu explicação.
Ou seja, se nós não tivermos a coragem de estabelecer em lei quais
são esses limites, não haverá a percepção legal desses
recursos.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Bem, outro assunto que eu
gostaria...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Portanto, a lei não é imoral, como tanto se
decantou.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu queria falar também sobre a
circunscrição. Isso é uma inovação que foi apresentada pelo Deputado
Marcus Pestana que é da lavra e da inteligência de outro Deputado do PSDB,
Deputado Antonio Carlos Mendes Thame, que está presente ali, que é assim:
nós já tentamos fazer inúmeras reformas políticas aqui no Congresso. Aí se constitui uma Comissão, um grupo de
trabalho, estuda-se, debate-se, começa aquela euforia, aquele ânimo: “Agora vai, dessa vez nós vamos fazer
a reforma.” Depois vai esfriando, vai desanimando e termina não se
aprovando nada. Muitas
vezes não chega nem a plenário para se deliberar.
O Deputado Mendes Thame apresentou uma proposta que a gente
entendeu, à época, que era um meio caminho entre o que a gente quer — o
PSDB naquela época defendia o voto distrital, o PMDB defendia o distritão,
a maior parte do PTB, o PP também, o PT defendia a lista fechada. Qual é a
proposta do Deputado Mendes Thame? É uma proposta muito inteligente e
poderia sensibilizar os Parlamentares, para a gente aprovar uma coisa que
melhorasse o nosso sistema, que era manter o mesmo sistema que nós temos
hoje, o sistema proporcional de lista aberta.
Os cálculos da representação são todos iguais ao de hoje, só que,
ao invés de o Deputado ser votado em todo o Estado, ele seria votado em
circunscrições, em regiões. Então, diminuiria o tamanho da região em que o
Parlamentar pudesse ser votado.
Nós conseguimos estabelecer no projeto de lei que essas
circunscrições teriam de ter, no mínimo, quatro Deputados e, no máximo,
sete. Então, o Estado do Piauí, que tem 10 Deputados Federais, teria duas
circunscrições, cada uma de cinco Deputados. Essa circunscrição tem uma
ordem, uma série de exigências... O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Uma regra de homogeneidade, de equivalência... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - De homogeneidade, de contiguidade do distrito, do
espaço, uma identidade cultural, às vezes, questão de logística, o número
de eleitores mais ou menos idênticos para cada uma dessas circunscrições.
Então, vamos pegar o caso do Piauí aqui. Há 10 Deputados Federais e
2.300 milhões de eleitores. Então, o Piauí teria duas circunscrições de
aproximadamente 1.200 eleitores do norte e do sul do
Estado.
Então, eu seria Deputado do Piauí, mas eu disputaria a eleição não
mais como eu faço atualmente em todo o Estado. Eu disputaria apenas no sul
do Estado do Piauí, na minha circunscrição. E eu faria isso junto com
outros candidatos e, pelos cálculos da proporcionalidade como são feitos
hoje, nós não mexeríamos nas regras eleitorais, no quociente eleitoral de
proporcionalidade, tudo como é hoje. Então, pela proporcionalidade,
aqueles cinco mais votados, aqueles partidos que fossem eleitos, não são
os cinco mais votados não, os cinco partidos que tivessem mais votos
mandariam os Deputados para cá.
Aí, nós fazemos outra inovação. Hoje, os partidos fazem a divisão
dos votos, do quociente partidário pelo quociente eleitoral e aí
determinam o número de cadeiras, e há as sobras. Aí, nessas sobras, os
partidos que não tiverem nenhum Deputado eleito, que não adquiriram
consciente eleitoral, eles não entrariam no cálculo da sobra. Nesse
projeto, nós inovamos. Nós implantamos o distritão, ou seja, o sistema
majoritário para as sobras.
Então, o Piauí, pela regra direta, elegeu oito Deputados Federais.
Há duas sobras. De quem são essas duas sobras? Do primeiro e do segundo
Deputado mais votado do Piauí que não conseguiram se eleger, de qualquer
partido. Aí, faz o majoritário. Ou seja, aí nós evitamos aquele efeito de
a pessoa vir para cá com pouco voto. Ele vai ser o segundo, quer dizer,
primeiro, e o segundo Deputado do Estado do Piauí mais votado que não
conseguiu se eleger.
Paralelo a isso, nós criamos uma cláusula de desempenho individual,
porque, por essa cláusula de desempenho individual, o Parlamentar só
assumiria o cargo se ele tivesse, pelo menos, 10% do consciente eleitoral.
Eu propus 20, mas passaram 10.
Com a palavra o Deputado Marcus Pestana.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Só para dizer, principalmente aos novos membros da Comissão,
qual foi o espírito do grupo de trabalho. Com base no grupo de estudos
especiais de 2011, 2012, e os impasses criados que não permitiram sequer a
votação do relatório, nós fizemos o aprendizado. Calculamos, grosso modo, que o distrital misto
teria uns 30% de voto no plenário, a
lista fechada uns 20, o distrital puro uns 10 e o distritão uns 30. E por
que não anda? Porque há um impasse real. Não é por falta de vontade, por
falta de trabalho. O conflito de visões é
real.
E por que essa proposta, inspirada em reflexões iniciais do Mendes
Thame e do Bonifácio de Andrada, que eu sistematizei em um texto do grupo
de trabalho? Pelo seguinte: o PT e a Esquerda — isso é histórico, não é no
Brasil — têm uma cláusula pétrea ideológica, que é o voto proporcional. A
Esquerda e o PT não abrem mão do voto proporcional.
Por outro lado, PMDB, PP e PSDB não topam nenhum tipo de lista
fechada. O PSDB defende o distrital misto, que, no caso, contempla...
Então, há um impasse e por isso não anda. Essa discussão é difícil de
avançar, porque cada um tem os seus princípios.
Qual foi a ideia? Mexer com uma única variável. Tudo o que é
difícil de explicar já está derrotado. Se você tem que explicar demais,
você já está a meio caminho da derrota. Então, qual foi a ideia? Mexer em
uma única variável, que é território, a única variável que muda. É tudo
como é hoje. Só que o PT, o PSDB, o Democratas, o PMDB e o PP, em São
Paulo, em vez de lançarem uma única chapa concorrendo a sete cadeiras, vão
lançar dez chapas pelo sistema em dez regiões. Isso barateia,
concorrendo
a sete cadeiras em cada região. E qual é o sentido disso? Não podemos
chamar isso de distrito?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Reduzir
despesas.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Reduzir despesas, porque o candidato em São Paulo, em vez de
estar focado em 32 milhões de votos, está focado em 3.200
milhões.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - E o exemplo de Minas Gerais, com 853
Municípios?
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - É. Eu visito, na campanha municipal e na minha própria
campanha, de 130 a 150 Municípios. Isso é irracional. Não existe em lugar
nenhum do mundo. E a campanha fica caríssima. Então, reduz custos,
introduz elementos do distritão, mas não podemos a chamar isso de
distrito, porque qualquer forma de distritão é majoritária. A eleição é
majoritária. No caso, isso é um fundamento que a Esquerda não
assimila.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - É um subdistritão.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Então, o Samuel estava brincando que é uma jabuticaba. É
mesmo, mas é fruto de uma convergência, tanto que o Ministro Berzoini
votou nessa proposta no grupo de trabalho. Houve 12 votos contra uma
proposta final, porque foi afunilando, do Sirkis, que era metade distritão
e metade lista. Isso foi uma construção política para sair do
impasse.
Não adianta. Eu defendo. Estou convencido de que o melhor sistema é
o distrital misto de tipo alemão. Mas o que eu posso fazer se preciso de
três quintos e eu só tenho apoio de trinta? Vai ficar empacado. Não
adianta. Se a gente não tiver um esforço de cabeça aberta, de alma aberta,
pensando, a longo prazo, na democracia brasileira, não
anda.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só para reiterar o que V.Exa. está dizendo, em 1979, no meu
primeiro mantado de Deputado Federal, eu apresentei um projeto para
implantar o distrital misto alemão.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Presidente, como a...
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Só para uma questão de encaminhamento, porque eu entendi...
Só uma questão de encaminhamento, Deputado Marcelo. V.Exa. está fazendo
uma palestra, uma exposição. Então, ao concluí-la, V.Exa. poderia abrir as
inscrições. Senão, vão ficar intervenções, perguntas e
posicionamentos.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Eu quero me inscrever para o debate.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - É bem rápido. Esperidião, quando tu falaste ali nessa
questão de que, por exemplo, o Município de São Paulo não se divide, eu
imagino que o Município de São Paulo tenha 10 milhões de habitantes? Tem
10milhões de eleitores? Nove?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Só um instante. Para Vereador é que a
circunscrição vai ficar no Município, tal como é hoje. Agora, para
Deputado Federal e para Deputado Estadual, a
circunscrição em
São Paulo vai ficar com, aproximadamente, 3 milhões e 200 mil
eleitores.
O SR. DEPUTADO MARCO TEBALDI
- Então se divide o Município?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São Paulo, provavelmente, será dividido em
10 circunscrições, cada circunscrição elegendo sete Deputados Federais e o
número correspondente de Deputados Estaduais. Então eu vou sugerir aqui
que a gente faça as inscrições, como foi reclamado, mas antes eu gostaria
de perguntar ao Deputado Mendes Thame se ele não gostaria de se pronunciar
sobre essa ideia brilhante dentre tantas que ele sempre apresenta aqui
nesta Casa.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - Imagine, bondade do nosso Presidente.
Essa proposta que foi apresentada pelo Deputado Marcus Pestana e
que faz parte da proposta que...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Mendes Thame, só para racionalizar, eu vou, juntamente
com a Regina, anotar o nome dos inscritos. Quero começar: Deputado Samuel
Moreira, Deputado Carlos Zarattini, Deputado Evandro Gussi, Deputado Alceu
Moreira e Deputado Chico Alencar. Já comecei a me perder
aqui...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Deputada Moema
Gramacho...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputada Moema Gramacho...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Deputado Veneziano Vital do
Rêgo...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Veneziano Vital do Rêgo...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Deputado José
Fogaça...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado José Fogaça, Deputado Major Olimpio. Já estamos
promovendo...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Deputado Valtenir
Pereira...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - E Deputado Valtenir Pereira, a Deputada Luiza Erundina. Por
ora, são os inscritos.
Deputado Mendes Thame, devolvo a palavra a
V.Exa.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - Essa proposta tem uma simplicidade tão grande
que já foi até retificada por isso, por ser simples. Falaram: “Ah, que coisa simples, estamos
esperando uma reforma que realmente mude tudo, que realmente... Como pode
uma reforma ser tão simples?” A palavra “simples” tem a mesma raiz de
“simplório”, então dá a impressão de que a proposta é simplória. Mas não
é! Ela tem uma simplicidade que é resolver um dos grandes problemas do
sistema atual, que é a escolha dos Deputados. Ter que fazer uma campanha
um Deputado Estadual ou Federal para 32 milhões de eleitores em São Paulo
é um contrassenso. A Argentina inteira tem 27 milhões de eleitores, a
Argentina inteira! Patagônia, Bariloche, Buenos Aires, Córdoba, Mendoza,
somando tudo dá 28 milhões. Bom, então a eleição acaba ficando caríssima,
o eleitor fica longe do eleito, longe do eleito, regiões não conseguem
eleger ninguém, e há um enfraquecimento dos partidos.
Vamos ver essas três questões. Se eu puder dividir o Estado em
regiões, eu vou permitir um barateamento da campanha, é óbvio, isso não
tem como alguém contestar porque, primeiro, é uma coisa aritmética;
segundo, haverá uma proximidade dos eleitos e dos eleitores; e, terceiro,
todas as regiões terão os seus representantes, todas as
regiões.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Haverá a facilidade de o eleitor
acompanhar a atuação do seu Parlamentar.
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - Exatamente, é uma proximidade antes e depois,
antes e depois.
Também essa divisão não é só para Estados como São Paulo; pode ser
também interessantíssima em Estados como Amazonas, Pará, onde, para chegar
ao Município, precisa-se ir de barco. Portanto, dividir em regiões é
altamente interessante para todos os Deputados, para todos os candidatos.
Além disso, há outra vantagem: pode cada região eleger um Deputado
com 50, 60 mil votos. Hoje, em São Paulo, o candidato precisa ter mais de
100 mil votos para ser eleito. O que um Deputado novato, um profissional
liberal, pode esperar? Que vai ser derrotado, que vai esquentar o nome
para uma próxima eleição. Então é muito difícil. Acabam as eleições só
privilegiando os que têm igrejas, sindicatos ou é um apresentador de
televisão ou é um milionário, que pode gastar uma fortuna para ter cabos
eleitorais no Estado inteiro. Já
tivemos exemplos de pessoas que, na sua cidade, em regiões, tiveram
pouquíssimos votos, pouquíssimos, ou seja, no local onde ele é conhecido,
onde já foi Prefeito ou até filho do Prefeito, ele não consegue votos, por
ser conhecido. Mas fora, onde ninguém o conhece, contratando cabos
eleitorais, ele consegue somar os votos necessários, indispensáveis para
sua eleição. Tudo isso seria resolvido em boa parte.
A minha única dúvida que ficou na apresentação do nosso querido
amigo Esperidião Amin é a seguinte: se há uma votação por votos
individuais e não pelo partido, qual interesse que teria um partido
pequeno de fazer uma coligação num Estado? Se depender da capacidade de
ele reproduzir a coligação na proporcionalidade em que foi feita em âmbito
federal, em âmbito estadual, não teria muita lógica, seria um contrassenso
com essa votação, em que só são escolhidos os mais votados naquela
circunscrição. Só esse detalhe é que eu não entendi. De resto, a proposta
significa um incrível avanço, uma melhora de qualidade, a possibilidade de
a gente ter realmente um upgrade aqui, uma melhora
substantiva na escolha dos Deputados.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Mendes Thame, eu deixei de salientar o seu nome, mas
quero aqui repetir que o Deputado Marcus Pestana apresentou a ideia, mas
nós sabemos que ela tem o seu DNA. É um DNA de uma pessoa dedicada, séria,
competente, que todos nós respeitamos.
Quanto à sua indagação, o Deputado Marcelo Castro fez uma digressão
sobre a questão do que é a coligação e o que é a Federação; eu não sei se
ainda remanescem dúvidas, mas a coligação é para eleição; a Federação,
vamos dizer, é para eleição e para mandato, pelo menos para o mandato até
a nova convenção, em que o partido e a pessoa até podem tomar rumos
diferentes. Então a coligação tem o sentido da disputa eleitoral, não
necessariamente na circunscrição, mas na eleição, naquele Estado, até
porque eu quero lembrar: as eleições serão coincidentes. Isso é um pacote.
Se você desfizer a coincidência, isso poderá ser rearranjado, é claro,
mas, se é no projeto, eu repito, na teia de aranha, eleição simultânea,
coincidência de mandatos, de Presidente a Vereador, a coligação tem que
ser admitida, mesmo que, na circunscrição X, alguém que seja de um partido
pequeno possa fazer, possa se classificar entre os sete mais votados
daquela circunscrição do Estado de São Paulo.
Então são interesses não divergentes, muito embora prevaleça aquilo
que o Deputado Marcelo Castro falou: a coligação é definida como coligação
nacional porque os partidos são nacionais, mas ela não precisa se repetir
na integralidade, nem no Município, nem no Estado. O que ela não pode é
afrontar, ela não pode misturar sangue; ela pode ser subdividida e não
transgredida.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - E a gente sabe que, na prática, os
partidos têm interesse em se coligarem, então, praticamente, todos vão se
coligar; algum ou outro vai ficar de fora, mas a maioria vai querer
concorrer coligadamente; quanto mais coligado, mais chance de fazer mais
voto, mais chance de eleger maior número de Parlamentares,
claro.
Então vou passar aqui à lista dos inscritos. Com a palavra o
Deputado Samuel Moreira.
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Bom, eu queria começar dizendo o seguinte. Na verdade, nós
vamos mexer nas regras do nosso sistema eleitoral. Então eu acho que duas
condições são básicas, e a gente deve ter muito cuidado. Primeiro, deverá
haver a possibilidade de escolha ao eleitor que facilite a sua escolha e
que garanta uma qualidade na sua escolha. Então nós temos que ter um
sistema que limite ao eleitor a escolha, mas que garanta uma qualidade na
sua escolha, uma garantia de que haja qualidade.
Segundo, que garanta um acompanhamento depois de eleito. Depois de
eleito, ele precisa ter o acompanhamento do mandato do Deputado, não só
para cobrar, mas para participar, para dar ideias, para estar próximo.
Esse acompanhamento é fundamental. Além disso, deve também procurar
reduzir os custos das nossas campanhas.
Eu acho que essas três condições são fundamentais para se mexer
nessas regras. Agora, para se mexer nas regras, para fazer essa reforma, é
evidente que aqui há muitos diagnósticos. São 513 Deputados com
diagnósticos completamente diferentes. A gente precisa partir de um
diagnóstico.
Eu acho que nós precisamos ter cuidado, porque são muitas coisas
para serem mexidas, e nós corremos o risco de perder o foco da questão,
que é esta questão da aproximação com o eleitor.
O Deputado Esperidião Amin falou aqui do movimento de 2013, que
dizia claramente que precisa dessa representação. O eleitor clama por uma
representação, por estar próximo. Ele precisa identificar claramente quem
é o seu representante.
Aí nós precisamos ver se reeleição... Veja, eu não tenho nada
contra discutir a reeleição — e até tenho ideia sobre isso —, mas será que
reeleição é importante? Voto facultativo é tão importante? Coincidência de
mandatos é tão importante? Ou nós devemos centrar no foco de um sistema
que, por exemplo, reduza o tamanho do distrito? Em relação a essa questão
do distritão, por exemplo, o que acontece com o distritão? Ela dificulta a
representação de novo, porque ela é no Estado inteiro. É isso que cria uma
ausência de representação. O custo também aumenta, porque você faz
campanha no Estado inteiro. As dificuldades são enormes do mesmo jeito, e
acirra-se mais a disputa.
Eu sou muito a favor da redução do tamanho do distrito. Hoje nós já
temos distrito do tamanho do Estado. São Paulo, por exemplo, é no Estado
inteiro. Cada Deputado faz uma campanha de Governador, se quiser ou se
puder, de Senador... Reduzir o tamanho do distrito a que tamanho? Àquele
que seja melhor em benefício do eleitor.
Eu sou muito a favor do voto distrital puro. Acho muito difícil,
mas não vou desistir por enquanto. Essa é nossa divergência aqui com o
Deputado Marcus Pestana, porque nós vamos ter que negociar tudo. É
evidente que alguns não concordam, mas a gente precisa defender aqui, pelo
menos no começo, as nossas propostas, tentar convencer as pessoas das
nossas propostas.
Eu, por exemplo, acho... É porque nós temos tempo ainda. Não há uma
divergência aqui. Nós temos tempo ainda. Ele estava no final do tempo, e
agora nós temos tempo de novo.
Então o distrital vai permitir tudo isso. Essa é uma questão
central. São experiências, inclusive, que já existem em outros países. Nós
não estaríamos correndo muito risco. O financiamento poderia até ser
público, porque o financiamento tem que ter como princípio também o quê? A
igualdade de condições de disputa. Nós precisamos ter um financiamento que
permita disputa em condições iguais, para que priorize a qualidade da
proposta e não o tamanho, a dimensão da campanha do ponto de vista
financeiro.
Outra questão é a questão dos partidos. É preciso ter regra para
funcionamento de partido. Não dá para funcionar de qualquer jeito. As
coligações que nós tivemos nessas reeleições... Como é que são as nossas
regras hoje? O meu partido, por exemplo, em São Paulo, foi protagonista
nas eleições. Ganhou a eleição para Governador, para o Senado, tudo bem.
Só que para Deputado Estadual fez uma coligação, para Deputado Federal fez
outra coligação, para Senador, outra, para Presidente da República, outra;
para Governador, outra. Tudo em detrimento do eleitor, que não tem nada a
ver com isso, desculpem-me. Não tem nada a ver com isso, ele nem sabe, nem
nós sabemos quais foram essas coligações, e às vezes acabam ocorrendo
muitos acordos, isso sim, entre donos de partidos, que acabam virando
donos, porque hoje se criam partidos no País com grande facilidade.
Eu acho que essas questões são centrais. O financiamento pode até
ser público num sistema distrital para se igualarem as condições de
disputa, sempre facilitando a vida do eleitor. É muito difícil para nós —
cada um de nós dá a vida —, não é fácil colocar em risco aquilo que a
gente já conquistou; perder aquilo que a gente já conquistou não é fácil.
Só que isso aqui não é nosso. Nós estamos fazendo uma reforma para a
sociedade, para que o estágio civilizatório do Brasil melhore, com regras
no sistema democrático que permitam facilitar a vida da sociedade.
Então, é possível discutir isso neste momento histórico em que nós
estamos com um Relator experiente, em que nós estamos com um Presidente da
Câmara disposto a pôr para votar a matéria, está com muita disposição.
Então a regra, quanto melhor, será mais perene. Mais histórico será para
nós para avaliarmos, inclusive, o funcionamento do
sistema.
Eu quero concluir deixando essa manifestação e a nossa crença de
que é possível realmente fazer uma boa reforma com essas
características.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Próximo inscrito, Deputado Carlos
Zarattini.
Vamos fazer um grupo de pelo menos uns três, quatro Deputados. Aí a
gente procuraria responder a todos.
Deputado Zarattini.
Pediria aos colegas também que procurem ser o mais conciso
possível, para dar oportunidade a todos de falar.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Sr. Relator, quero cumprimentar a todos aqui desta
Comissão.
Pelo que entendi, há uma distorção nesse sistema de circunscrição,
vamos chamar assim. Por exemplo, no Estado do Deputado Marcelo Castro vai
ter, em cada circunscrição, quatro eleitos, cinco eleitos, certo? E em São
Paulo nós vamos ter sete. Se o necessário para que eu seja eleito na minha
chapa é ter pelo menos 10% dos votos, é mais fácil atingir os 10% no Piauí
do que atingir os 10% em São Paulo. Por quê? De acordo com a divisão, eu
vou ter mais candidatos disputando na mesma circunscrição em São Paulo,
porque eu vou ter sete de cada partido ou Federação e, no Piauí, eu vou
ter quatro de cada partido ou Federação disputando na circunscrição. Então
chegar aos 10% no Piauí vai ser mais fácil do que chegar aos 10% em São
Paulo, certo? O fracionamento do voto vai ser maior, devido ao número
maior de candidatos. Então,
há um problema aí que eu não sei como seria possível resolver. Gostaria
até de perguntar se isso foi discutido na proposta do... Isso tenderia a
levar um voto que originalmente seria proporcional, pelo que eu entendi da
proposta do Deputado Marcus Pestana, por um voto majoritário. Quer dizer,
teríamos mais candidatos, mais Deputados eleitos pelo seu voto próprio do
que pelo seu voto proporcional.
A segunda questão é em relação ao financiamento público. Aqui no
texto se prevê financiamento público, mas não tem mais nada de
financiamento público do que a previsão. O que fala aqui discorre muito
mais sobre financiamento privado do que sobre financiamento público. Então
também não sei se houve nos debates alguma coisa a mais que se tratou de
financiamento público do que de financiamento
privado.
A terceira questão é a seguinte: eu gostaria que o nosso Relator
também apresentasse, se fosse possível, o mais breve possível, uma divisão
do que nós vamos colocar na legislação ordinária e do que efetivamente nós
vamos colocar como emenda constitucional. Eu acho que o quanto menos nós
constitucionalizarmos será melhor para o futuro, mas também, no processo
de votação no Plenário, será importante observar que, se houver um
destaque de votação em separado, o texto base tem que ter 308 votos. Não
só tem que ter 308 votos na primeira votação, como também depois; a cada
destaque de votação em separado o texto tem que manter os 308
votos.
Então é uma dificuldade de aprovação que nós vamos enfrentar que
pode desconjuntar toda a proposta. Por isso, eu advogo que a gente caminhe
o máximo possível para a legislação ordinária e o mínimo para a
Constituição.
Eu gostaria de solicitar também que, no mais breve período, nosso
Relator apresentasse uma proposta em relação a isso, para que a gente
fosse tratando aqui também de questões, logicamente, partindo da
Constituição para depois a legislação ordinária.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Em seguida o Deputado Evandro
Gussi.
O SR. DEPUTADO EVANDRO
GUSSI - Vou pôr meu tempo aqui, Excelência, para não ser traído pelo
entusiasmo do tempo.
Em primeiro lugar, queria cumprimentar a exposição do Deputado
Esperidião Amin e do Deputado Marcelo Castro, sobretudo no exemplo de um
trem e de estações a que chegamos. Eu, como um Deputado de primeiro
mandato, quero aqui louvor o esforço, a dedicação e a atuação efetiva que
foi feita por V.Exas. E acho que temos, sim, que valorizar, ao máximo
possível, esse esforço e esse processo construtivo.
Eu quase fui contemplado totalmente com a fala do Deputado Samuel
Moreira, tanto nos valores que colocou como fundamentais, que devem
orientar nossa discussão, quanto efetivamente nos temas aos quais me
aproximo muito. Acho que a proposta tem um grande mérito, que é o de
aproximação do eleitor com o eleito.
Eu queria fazer um registro aqui, corroborando, o Deputado Fontana.
Há uma confusão clássica no Brasil, perdão pela redundância, de se
confundir tamanho de circunscrição eleitoral com critério de eleição.
Queria registrar — e isso é importante para nós, e vai, talvez, acabar com
animosidades — que uma coisa é o tamanho da circunscrição eleitoral, outra
coisa é o critério como se elege. Dou um exemplo: a Espanha tem um sistema
clássico proporcional, com a Fórmula D’Hondt.
No entanto, a Espanha é dividida em 52 circunscrições eleitorais. Um país
muito menor do que o Brasil é dividido em 52 circunscrições eleitorais.
Barcelona, talvez um dos maiores distritos, tem 4 milhões de eleitores. E
32 Deputados, se não me engano, vêm da circunscrição de
Barcelona.
Então, não há essa confusão... Nós não precisamos nos preocupar,
aqueles que defendem o sistema proporcional, com o fato de que a divisão
em distritos inviabiliza o sistema eleitoral, porque há formas clássicas,
consagradas, no sentido contrário. Podemos, sim. Acho que a proposta de
aproximar eleitor e eleito, que permita, como disse o Deputado Samuel
Moreira, esse acompanhamento, não só essa cobrança, mas o
acompanhamento.
Uma vez, dando uma palestra, uma moça me pergunta: “Por que um Deputado na Inglaterra
custa 16 vezes mais do que no Brasil?” Eu disse: “Ora, porque é uma coerência interna
do sistema”. Aqui o sujeito tem que fazer campanha em 600, 800
cidades. E, depois de eleito, tem que se comunicar com seus eleitores
também em seiscentas e poucas cidades. Na Inglaterra, o sujeito tem um
distrito médio de 72 mil eleitores. Dá para trabalhar de manhã em outra
profissão, dá para clinicar pela manhã e ser Deputado à tarde. Não há
problema nenhum, porque são 72 mil eleitores para os quais ele tem que se
colocar à disposição.
Então, eu acho que é um grande mérito. Sobre outros pontos de
divergência, poderíamos conversar. Acho que o voto deve ser obrigatório.
Enfim, quero aqui louvor esse passo fundamental, esse passo que vai ao
encontro dos anseios da sociedade brasileira, que quer ter proximidade com
seus representantes. Então, essa concepção de começarmos a diminuir a
circunscrição eleitoral, que, repito pela terceira vez, não se confunde
com o sistema majoritário ou proporcional, eu acho que tem um profundo
mérito e ilumina nossa discussão.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo inscrito, Deputado Alceu
Moreira.
O SR. DEPUTADO ALCEU
MOREIRA - Deputado Marcelo Castro, Deputado Esperidião Amin, Srs.
Parlamentares, quando nós andávamos pelo Brasil na legislatura passada,
eu, a Deputada Erundina, o Deputado Marcelo Castro e tantos outros,
chegando ao final do ano, tínhamos a sensação clara de que nadamos muito e
chegamos a lugar nenhum. Hoje eu percebo que, ao recolher a palavra de
tantos, de discutir com tantas pessoas, aquela massa crítica se seguiu
para chegarmos a esse nível de maturidade, para começarmos essa nova
discussão.
Cá para nós, Deputada Erundina, não estamos de novo subindo o
primeiro degrau. Nós continuamos subindo a escada; e já estamos no décimo
degrau. Nós subimos muito, nós temos hoje uma compreensão muito mais clara
do processo. A meu juízo, talvez o maior aprendizado seja perceber que não
é possível estabelecer um processo de travessia sem que o cidadão, para
fazer a travessia da ponte, tenha o mínimo de
confiabilidade.
Então, quem imagina que podemos sair de um sistema anárquico como o
nosso, proporcional, largo, e imediatamente ir para o modelo de lista, de
financiamento público e de distrito fechado clássico? Certamente não,
porque o Parlamentar que não está nesta Comissão e não consegue aprofundar
o debate, quando chegar ali fora, sabendo que vai acontecer genericamente,
vai conversar com o espelho. E aí perguntará para si mesmo: “Será que eu me elejo nessa outra
fórmula?” Imediatamente ele nega tudo. Pouco importa se está certo, se
está errado — não quer saber. Ele diz: “Olha ,desse jeito, eu estou aqui. Do
outro jeito, posso perder tudo o que tenho”. Então, não
dá.
Logo, eu quero dizer o seguinte para o Deputado Mendes Thame:
trata-se de um avanço muito qualificado, talvez pela inteligência e
simplicidade, estabelecer a redução da circunscrição no mesmo modelo. A
forma de se buscar o primeiro colocado depois de completados os quocientes
é muito similar à Fórmula D’Hondt, porque se vai buscar o partido que não
conseguiu atingir o quociente, não é que não tenha se elegido. Ele não
atingiu o quociente eleitoral, mas é o primeiro depois do quociente.
Portanto, não podem ficar os seus eleitores sem
representação. Eu
acho que é muito inteligente o processo e quero dizer o seguinte: podem
ter certeza de que está longe do ideal que nós queremos, mas é certo o
caminho de travessia. Nós estamos bem por aí.
A segunda questão está ligada ao financiamento de campanha. E aí,
pessoal, aqui foi dita uma frase que me parece absolutamente verdadeira:
“É preciso estabelecer igualdade de
condições na competição”. Cada vez que se discute isso, alguém com
argumento raso diz o seguinte: “Se
se fizer tal coisa, tal coisa acabará?” Perguntar-se-ia: “Depois do Código de Trânsito, nunca
mais se matou ninguém? Depois do Código Penal, nunca mais se matou
ninguém? Depois da Lei Seca, ninguém mais bebeu?” É claro que
não!
Estabelece-se uma norma de conduta para ser seguida, mas já se sabe
perfeitamente que o fato de haver a norma não significa que ninguém a
descumprirá. Isso não quer dizer que o processo, como instrumento, não
pode ir amadurecendo na sociedade, de tal maneira que se aproxime do
ideal, até pelo processo de fiscalização, que fica muito mais fácil. Em um
distrito menor, fiscaliza-se mais fácil.
Queria, no entanto, insistir numa tese: retirar definitivamente, em
qualquer circunstância, o financiamento de empresas; criar a possibilidade
do financiamento público como estruturação do sistema político; e o
financiamento de pessoa física com limite, para garantir a participação da
cidadania no distrito. Para mim, é a situação mais fácil também no caminho
de travessia.
Eu sou favorável ao financiamento público puro, mas sei que não
passará isso. Logo, se eu conseguir tirar as empresas, eu já tiro primeiro
essa mácula da corrupção de se ter que pagar contas para quem financiou a
campanha ao longo do mandato. “Eu
não devo nada, não preciso pagar contas para quem me financiou.”
Estabelece-se um valor máximo, de 3 ou 4 mil reais, a cada pessoa física
para fazer o processo. Assim, as condições são estabelecidas. Pode-se
dizer: “Mas o cidadão vai ter um
financiamento maior, porque conhece mais gente”. Bom, isso é uma
virtude dele! Que bom que ele tem um conhecimento
amplo.
Por último, talvez a questão mais importante seja a reforma
eleitoral. Nós insistimos em falar em reforma política, o que, a meu
juízo, é um erro. A reforma política trata da estruturação do Estado, do
exercício do poder e do controle dele. E disso nós não estamos tratando
nada, nenhuma linha. Nada! Continua a anarquia de indicar os membros do
Supremo, de fazer o que bem se quer com medida provisória, de legislar a
partir do Poder Executivo. Essa anarquia continua. Nem mexemos nisso.
Estamos falando de uma reforma eleitoral, do jeito de avaliar e votar. Só.
Nada mais!
De qualquer sorte, queria pedir o seguinte: o fim da coligação
proporcional. Isso é inegociável! E, para concluir meu pensamento: por
favor, não ponham levem a plenário para se votarem quatro, cinco coisas
dessas juntas, porque nós temos um conjunto de adversários das propostas
que não são homogêneos; são diferentes para cada tema. Se nós botarmos
quatro temas, teremos dois molhos; se botarmos cinco, cinco molhos. Então,
vamos votar essas coisas fatiadas para ir vencendo a cada vez e, pelo
menos, excluir parte dos adversários, que serão adeptos aos outros porque,
como querem ver sua tese vitoriosa, se unem ao que não
acreditam.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Agradecendo a todos, eu vou tentar
responder, resumidamente, pelo menos em parte.
O Deputado Samuel Moreira fez uma longa exposição, defendendo os
princípios que devem nortear a nossa reforma política-eleitoral e que são,
sem nenhuma dúvida, o que temos que procurar fazer: diminuir os custos das
campanhas; aproximar o eleitor do seu representante; permitir e dar meios
ao eleitor para que ele possa escolher bem o seu representante. Só faltou
V.Exa. dizer “partidos programáticos, ideológicos”, de maneira que o
eleitor vote num partido sabendo exatamente porque está votando naquele
partido, e não no outro, o que hoje não acontece no Brasil, pela
fragmentação, pela pulverização partidária que existe e pela bagunça que
são os partidos. Nós não temos verdadeiramente partidos, e sim um
amontoado de siglas partidárias.
S.Exa. é defensor do distrital puro e faz uma crítica às
coligações, na mesma linha do Deputado Alceu Moreira. Eu já aproveito para
responder os dois juntos.
Na verdade, coligações para eleições proporcionais é a negação da
existência do partido. A gente tem que ir à origem das coisas. Para que
partido? Por que partido? Porque o partido é uma parte da sociedade,
representa um segmento da sociedade. Então, ele tem que ser dotado de
conteúdo programático, de conteúdo ideológico, tem que ter aquela doutrina
partidária, aquela filosofia administrativa. Para quê? Para o eleitor
saber que está votando naquele partido que é o que vai defender o
agronegócio no Brasil. O outro, que acha que não, que acha que o
agronegócio não deve existir, que ele tem que votar é no partido que
defende o sem-terra que vai invadir... E, aí, a sociedade se organiza em
torno de segmentos.
Quando a gente coloca vários partidos num saco só, num cesto só, o
eleitor está votando a favor do quê? Como nós sabemos, Deputado Fogaça, as
coligações são feitas das maneiras mais díspares nos diversos Estados
brasileiros. Os partidos que se coligam num Estado às vezes são
completamente contrários aos que se coligam nos outros Estados. Então,
essa anarquia é geral.
Na minha modesta opinião, nós não teremos avançado aqui
qualitativamente se nós não acabarmos com as coligações proporcionais. É
um propósito para dar ao eleitor uma oportunidade de escolher melhor
aquele candidato, aquele partido ao qual ele se filia.
O Deputado Zarattini faz umas observações interessantes sobre as
circunscrições. Deputado, a regra não muda. A riqueza da ideia do Deputado
Mendes Thame é que essa proposta não espanta os Deputados, porque eles vão
continuar sendo eleitos pelas mesmas regras. O que já acontece, de certa
forma, na prática, nós estamos botando agora em lei. Isso facilita a vida
de todos. Todos nós já temos votações mais ou menos regionalizadas. Ou,
pelo menos, temos um núcleo principal e completamos a votação em cidades
de fora. Agora, seguindo essa proposta, não haveria mais isso. Cada um de
nós teria que ficar dentro daquela circunscrição.
Então, no caso do Piauí, para um partido eleger um Deputado no
Piauí, ele tem que ter um décimo dos votos. Agora, como nós vamos dividir
em duas circunscrições, para cada partido eleger um Deputado, ele vai ter
que ter 20% dos votos, mais da metade dos votos, o que correspondem à
mesma coisa, pois 10% do todo ou 20% da metade dá no mesmo. Então, a
lógica vai ser a mesma.
Em São Paulo, o Parlamentar hoje tem que disputar voto no meio de
32 milhões de eleitores. Ele disputaria só entre 3 milhões e 200
mil.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Se fossem 10 circunscrições...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - São 10 circunscrições. Então, seriam 3
milhões e 200 mil eleitores. Só que, em vez de ele concorrer a 70 vagas,
ele vai concorrer a 7; quer dizer, vai ser um décimo. Ou seja, a proporção
se mantém a mesma.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Está certo, mas o cálculo... Para o candidato que não
chegou a 10% é mais difícil. A cláusula individual que está
colocada...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Ah! Sim.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Ele está falando da Cláusula de Desempenho
Individual.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - A Cláusula de Desempenho Individual que está colocada
lá...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Você tem que dividir 3 milhões e 200 mil por
7.
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - ... apesar de ela ser a mesma para o Brasil inteiro, ela
vai ser mais difícil de ser atingida em São Paulo do que no
Piauí.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Claro. Por isso é que eu aceitei a redução
da minha proposta, que era de 20% para 10% Foi por causa de São Paulo,
porque São Paulo tem uma proporção distorcida. Nós a distorcemos de
propósito. Se fizéssemos uma regra de três direta no Brasil, se pegássemos
a população do Brasil e a dividíssemos por 513 vagas de Deputados, se
colocássemos a população de São Paulo, São Paulo teria 120 Deputados
Federais, enquanto Roraima, 1 Deputado Federal. Mas não foi isso que o
Constituinte quis, e eu acho que não é isso que esta Casa quer. Nós
queremos um piso e queremos um teto. Então, o que diz a nossa
Constituição? As bancadas serão representadas proporcionalmente à
população dos seus Estados, respeitando o mínimo de 8 e o máximo de 70
Parlamentares. Por isso é que existe essa distorção. O quociente eleitoral
de São Paulo é muito maior do que nos outros Estados.
Tirando esses pequenos Estados, normalmente o quociente eleitoral
de todos nós que estamos aqui é mais ou menos de 200 mil votos. No
entanto, nos Estados pequenos, é menos e, em São Paulo, é mais. A
distorção está entre os pequenos e São Paulo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só em socorro a essa questão específica, eu fiz aqui um ensaio.
Você tem que retirar branco e nulo do cálculo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Claro.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Então, dos 3 milhões e 200 mil, vamos dizer que sobrassem 2.5 —
é um pouco menos —, mas só para efeito...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Dos 3 milhões e 200 mil , retirando-se brancos e nulos,
tiram-se mais de 20% — sim, senhor.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Tira-se 30% de ausente, branco e nulo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu estou fazendo um número inflado. Esse número não é para
menos... Não é para mais, é para menos. Sobram 2 milhões e meio de votos.
Ao dividir-se isso por sete, tem-se mais ou menos 350 mil. Quem não fizer
10% disso — leia-se 35 mil votos — vai para o purgatório.
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sim, em todos os distritos, porque todas as circunscrições têm
3 milhões e 200 mil. Não fez 10%...
O SR. DEPUTADO EVANDRO
GUSSI - É do quociente; não é do eleitorado, não
é?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - O quociente é 350 mil. Eu dividi 2 milhões e meio por 7, o que
deu 350. Estou utilizando número redondo. Se não fizer 35 mil votos, ele
vai para a bacia das almas. Para quê? Para permitir que quem fez mais voto
do que ele entre.
O SR. DEPUTADO MARCO
TEBALDI - E se ninguém atingir?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - A vaga vai para
outro.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Quem é que falou isso? (Pausa.) Quem é que falou isso? (Pausa.) Quem fez essa pergunta?
(Pausa.) Deputado Tebaldi, você
anda muito pessimista. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado Carlos
Zarattini...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sempre haverá o mais votado. É só ler o art. 45, VII: serão
eleitos os mais votados dos individuais. Bacia das
almas!
O SR. DEPUTADO ANTONIO
CARLOS MENDES THAME - São 10% dos votos válidos.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Agora, no Piauí, como seria? No Piauí, como seria?
Vamos colocar 1 milhão 150 mil, que é rigorosamente a metade, para
5 vagas. Dividindo, dá 250 mil. Quem não fizer 22 mil votos vai para a
bacia das almas. Pode ser até que ele entre se for um dos dois mais
votados, mas ele vai ser escolhido por exclusão e não porque tenha vencido
a cláusula de barreira individual. Mas
ele vai ser escolhido por exclusão e não porque tenha vencido a cláusula
de barreira individual.
São Paulo, que tem tantos poderes e tantos direitos, tem que ter
mais deveres também, tem que trazer mais votos.
O SR. DEPUTADO ALCEU
MOREIRA - Deputado Esperidião Amin, vai pela regra. Se explicar muito
é porque não passa. Está bom. Deixa assim.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado Zarattini falou sobre o
financiamento público. Na verdade, Deputado, o que quis o grupo de
trabalho foi apenas constitucionalizar o tema, mas tudo é remetido para a
lei ordinária. Então toda questão de financiamento será tratada em lei. A
lei é que vai dizer como vai ser o financiamento público, como vai ser a
divisão, como vão ser as doações de campanha, de pessoa física, de pessoa
jurídica, os limites percentuais, os limites
absolutos.
E S.Exa. faz uma observação para decidirmos, o mais rápido
possível, o que será objeto de PEC e o que será objeto de projeto de lei.
Então quero comunicar aqui mais uma vez aos nobres colegas, principalmente
aos que não estavam presentes quando eu falei, que ontem foi aprovada, na
Câmara, a nova Comissão com poderes para analisar todos os projetos de lei
que tramitam na Casa sobre reforma política. E foi criada a nova Comissão
com a mesma quantidade de membros, com a mesma divisão pelos blocos
partidários. Faltam os partidos indicarem os
membros.
O que nós estamos pedindo? Estamos pedindo a cada um de V.Exas. que
falem com os seus Líderes para indicarem os mesmos membros, para não haver
discordância e assim fazermos um trabalho único. No final do nosso
trabalho, vamos apresentar uma PEC e vamos apresentar um projeto de lei
feito pelas mesmas mãos, pela mesma equipe, pelo mesmo grupo, pela mesma
Comissão.
Respondendo objetivamente ao Deputado Carlos Zarattini: o que vai
para a PEC? Aquilo que for objeto de PEC. E o que vai para o projeto de
lei? Aquilo que for objeto de projeto de lei. Estou sendo mais do que
simplório para levar uma outra mensagem: eu não vou constitucionalizar uma
matéria que pode perfeitamente ser tratada em projeto de lei, porque
nós...
(Intervenção fora do
microfone. Ininteligível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não. É isso! Não é isso o que eu estou
dizendo? Estou dizendo a V.Exa. de maneira bem simplória, para que não
haja dúvida, que nós vamos botar na PEC aquilo que for objeto de PEC; o
que for objeto de projeto de lei, nós vamos manter no projeto de lei. Eu
não tenho a intenção de constitucionalizar uma matéria que é objeto de
projeto de lei, porque teremos dificuldade maior para aprová-la e teremos
uma dificuldade, no futuro, para modificá-la. Essa é uma matéria que
precisa ser sempre trabalhada, é um processo em evolução e em modificação.
Satisfeito? (Pausa.)
O nosso colega Deputado Evandro Gussi elogiou a circunscrição, que,
sem nenhuma dúvida, é um meio caminho. Eu vejo essa tentativa de
circunscrição como aquela ideia que deu o Deputado Marcus Pestana. Nós
temos aqui adeptos da lista fechada, mas não em número suficiente para
aprová-la; nós temos adeptos do distritão, mas não em número suficiente
para a maioria qualificada de três quintos; nós temos adeptos do distrital
puro, mas não do distrital misto. Quer dizer, nenhum sistema eleitoral tem
maioria nesta Casa. Por que eu digo isso? Porque eu fiz uma pesquisa na
Legislatura passada. Não fiz nesta ainda, mas mais à frente um pouco vou
fazer.
Na Legislatura fiz a pesquisa com 100 companheiros Parlamentares
aqui do Congresso. Como excluí os do PMDB, que naquele tempo eram quase
80, então perguntei a cerca de 100 de um total de quatrocentos e poucos
Parlamentares. E qual foi a resposta? A maioria era contra a todos os
sistemas eleitorais. Só havia uma minoria a favor. Em relação ao sistema
eleitoral atual, eu
perguntei: “V.Exa. é a favor, é
contra, é indiferente”? Esse número eu tenho de cabeça: a favor, 22%;
contra: 58%. E assim, em relação a todos os sistemas eleitorais que eu
perguntei, Deputado Chico Alencar, o número a favor era menor do que o
número contrário.
Ora, se nós dependêssemos de maioria simples, já estaríamos em
dificuldade, porque o número de contrários é maior do que o número a
favor, imaginem que a maioria desses sistemas aqui vão depender de maioria
qualificada de três quintos, porque isso depende de
PEC.
E o nosso Deputado Alceu Moreira vem fazendo observações há algum
tempo, mostrando que nós estamos aqui há alguns anos lutando por isso, o
que nos capacitou mais ainda para o debate de hoje. Ele propõe que
aprovemos uma reforma eleitoral que seja uma travessia, um caminho, porque
o ideal, eu acho, ele já dá como uma causa perdida por ser difícil
construirmos uma maioria aqui para chegar lá. Ele propõe que não haja
financiamento de empresas, porque acha que é um fator de corrupção. E
muitas pessoas pensam assim. Acho que essa ideia está muito reforçada pelo
momento que estamos vivendo de tantas crises, de tantos escândalos de
corrupção, um atrás do outro, que parece que não acaba nunca. Os 4 milhões
de reais que o Roberto Jefferson disse que havia recebido do PT no
Mensalão, que escandalizou o Brasil, hoje parece que viraram troco diante
de tanta coisa que está acontecendo. Isso, sem nenhuma dúvida, incomoda
aqueles políticos que querem manter uma linha coerente e ética na
atividade política.
E S.Exa. propõe, como uma missão precípua nossa aqui, com a qual eu
concordo, acabar com as coligações partidárias. Se nós chegarmos ao final
do nosso trabalho e não tivermos eliminado as coligações partidárias, eu
acho que teremos feito muito pouco em favor de uma reforma eleitoral e
política no nosso Brasil. E propõe uma forma que estou analisando ainda,
que é a de fatiar as propostas, porque ele acha que, se forem colocadas as
propostas todas numa PEC só ou num projeto de lei só, nós vamos conquistar
adversários que não seriam adversários em um ponto, mas que serão
adversários daquele ponto específico pelo todo. E os adversários de um
ponto não seriam obrigatoriamente adversários de um outro ponto. Quer
dizer, as maiorias poderão se formar, independente das pessoas, porque
serão favoráveis a um ponto e a outro não. É uma questão que precisamos
analisar e, daqui para lá, vamos chegar a uma segurança de como fazer
melhor.
Vou passar a palavra ao próximo inscrito, Deputado Chico
Alencar.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Colegas, o Deputado Marcus Pestana falou que é quase uma
cláusula pétrea, é uma tradição da Esquerda o voto proporcional. Esse
debate é muito rico, muito instigante, mas eu quero dizer que parece que
nós todos — me incluo também — estamos prisioneiros de duas questões
centrais. E essa discussão da circunscrição, que foi a mais estimulante
aqui, revela isso.
Primeiro, à individualização da ação política, à fulanização dela.
Isso acontece também comigo, que pertenço a um partido pequeno, mas que se
pretende ideológico, programático. A gente fica prisioneiro disso. As
pessoas na sua grande maioria — e isso é muito ruim, faço um juízo de
valor — nos olham como pessoas. Quem aqui nunca ouviu largamente a
expressão: “Eu voto em pessoas; não
em partidos”? Como se os partidos não fossem constituídos por pessoas
e como se não estivéssemos aqui por causa dos partidos, do voto,
inclusive, somado nos partidos.
Então, quando a gente fala, num dos argumentos, seja para
circunscrição, seja para o voto distrital, reconhecendo que há diferenças,
e a proposta da circunscrição é uma mediação, do controle do eleitor sobre
o eleito, é porque a gente está esquecendo totalmente, aposentando a ideia
de partido.
No Rio de Janeiro, felizmente — só no Rio de Janeiro, e eu posso
falar isso em razão da minha vivência partidária —, quem tem a relação
mais direta com o eleitor no Município são os quatro Vereadores do PSOL.
Acreditem! Temos quatro na capital. Quem faz a interlocução com as
questões do Estado são os nossos cinco Deputados Estaduais. Eu quero ser
sempre Deputado Federal. Às vezes, cuido para que isso não pareça
arrogância. Eu digo: eu sou Deputado do Brasil.
Se a gente quisesse complicar ainda mais a bagunça aqui, o certo
mesmo — já ocorreu isso no Brasil — seria o Deputado ser votado no Brasil
inteiro. O Getúlio, se não me engano, não sei se para Senador, mas acho
que para Deputado Federal, foi eleito por seis ou sete Estados. Não foi
tanto por causa da força do velho PTB, muito diferente do atual, mas pelo
carisma do Vargas, pela visibilidade que tinha.
Por que eu digo que a gente é prisioneiro da individualização,
quando discute circunscrição ou distrito? Porque na verdade a gente
esquece que quem tem que expressar o que o partido programático pensa é o
Vereador. Há um Município do Rio de Janeiro chamado Varre-Sai. Eu nunca
nem varri, nem entrei, nem saí de lá. E olha que o Rio tem só 92
Municípios. Acho que tive 11 votos lá, na eleição anterior; agora, 9
votos, ou seja, perdi base. O PSOL não tem nenhum Vereador lá. Ele é quem
tem que cuidar das questões mais diretas. Aliás, não é só no Brasil,
Deputado Federal, além da Federação, tem que pensar no mundo, no
planeta.
Acho que ninguém está propondo revogar Câmara Municipal, Assembleia
Legislativa e Câmara dos Deputados. Senado é uma outra discussão. Eu já
oscilei pelo fim do Senado, por uma Assembleia Nacional, como há em alguns
países, mas o Senado é o equilíbrio da Federação. O Senador também é do
País, Senador da República.
Eu acho que a gente se vincula muito a isto: “Ah, o eleitor tem que me conhecer
pessoalmente”. Não, não. Ele tem que conhecer as suas ideias, e as
suas ideias têm que corresponder aos fatos programáticos do seu
partido.
Segundo ponto, outro argumento que também sensibiliza: baratear as
campanhas. Sinceramente, dá para fazer campanha muito mais barata se ela
de novo for partidária, programática e de opinião. Isso não é
mérito.
O Deputado Paulinho da Força estava chiando sobre doações que eu e
o Deputado Ivan Valente recebemos. Fez denúncia na CPI da PETROBRAS,
incomodado com o nosso questionamento.
Aliás, o Senador José Serra assumiu e falou: “Eu recebi dinheiro da OAS. Se fosse
CPI Mista, eu ia me considerar impedido de participar dela” — essa do
petrolão. Bom, isso é só um parêntese para instigar os meus colegas
tucanos. Vejam que a gente concorda também. Louvores ao Senador Serra com
essa posição.
O Deputado Paulinho falou: “Ah, o pessoal do PSOL chiando que eu
recebi de empreiteiras e tal, mas eles também receberam de seus
servidores”. Sim; dentro da margem da lei, 10% se não me engano, do
recebido no ano anterior. Ele falou: “Olha aqui o seu”. Eles pesquisam,
ficam numa futrica danada. O servidor, um baita sociólogo, Leo Lince do
Carmo. Aliás, o Deputado Marcus Pestana também foi vítima dessa
“acusação”, entre aspas. “Ele doou
12 mil para sua campanha” — olhem que soma! — “e recebe 7 mil ou 8 mil por mês.”
Claro! Ele tem outras atividades, registradas, todas na declaração de
renda. Cria-se um auê que não se sustenta.
Baratear a campanha, que é o objetivo de todos nós, é possível e
necessário, e hoje há instrumentos, como a Internet, que dispensam aquela
relação presencial. A gente tem que reeducar também o eleitor, que fica
pedindo coisas, pedindo que a gente cometa o crime de captação de
sufrágio. Eu entendo que é possível, sim, baratear.
A ideia do partido e da lista pré-ordenada — o pessoal chama de
lista fechada, o que é depreciativo. Na iniciativa popular de lei,
liderada pela OAB e pela CNBB, ela é alterada, inclusive com alternância
de gênero, pelo eleitor, naquela ideia também engenhosa.
O Deputado Pestana fica falando de jabuticaba para cá e para lá.
Ele me confessou que adora jabuticaba, mas não só a frutinha: ele
corretamente quer botar umas jabuticabas jurídico-políticas aqui. Está
certo! Esse negócio de que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o
Brasil é papo do falecido Juracy Magalhães — Que Deus o
tenha.
Mas a captação de sufrágio está aí, e ela encarece a campanha. Você
não tem que percorrer 300 Municípios e cumprimentar o eleitor. É claro que
esse encontro presencial é bom, mas o partido, esse ente coletivo, faz
isso por nós.
Por fim, essa sub-relatoria das infraconstitucionais tem que atuar
em conjunto com a da PEC, porque há muita lei que a gente vai ter que
aprovar junto com o que vier a ser aprovado de emenda constitucional.
Eu também sou daqueles que pensam que a Constituição tem que ser
enxuta — não vamos constitucionalizar tudo —, mas, de fato — não se trata
de demonização —, a PEC constitucionaliza, ou seja, dá um vigor quase
pétreo ao financiamento empresarial. E eu, respaldado, aliás, por grandes
juristas, entendo que o financiamento empresarial é nocivo à democracia,
ele quebra um princípio caro, que é a igualdade de oportunidades. Não há
empresa que não tenha interesse direto, na sua perspectiva do lucro e do
ganho. Vamos avançar.
E é preciso haver mediação também para doação física, com um limite
rigoroso. Eu acho que a gente tem essa oportunidade. Tomara que isso
aconteça.
Por fim, quero encerrar com uma frase bombástica: o sistema de
financiamento atual é inequivocamente corrupto, e o nosso modelo político
está falido, degenerado, absolutamente putrefato. E cito o autor: Deputado
Marcelo Castro, Relator. Aplausos! (Riso.) Não é Deputado
Marcelo?
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - “Esqueçam o que eu
escrevi.”
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro)
- Não! (Riso.)
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Eu anotei a hora e a data em que ele falou isso
publicamente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu não vou esquecer o que escrevi, não! Está
escrito. Está na minha cartilha. É incontestável.
Bom, vamos ao próximo inscrito, o Deputado Joaquim
Passarinho.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Sr. Presidente, Relator, demais amigos, bom
dia.
Quero somente dizer, Relator, que, como o Deputado Esperidião Amin
falou há pouco, quando eu cheguei aqui e vi essa PEC, percebi que a
satirizaram muito, acharam que ela era tudo o que não prestava. Agora, que
a gente começa a estudá-la, a gente vê que não é tudo aquilo.
Eu acho, como já dito aqui, que a escada já subiu um pouco. Não
vamos começar do zero. Muitas dessas propostas podem ser aperfeiçoadas,
mas acho que nós vamos poder chegar a um denominador para a votação.
Eu queria, para não repetir o que já foi dito, levantar duas
preocupações e tirar uma dúvida depois com o Sr. Relator. As preocupações
se devem até ao fato de, como já disse na outra reunião, eu vir do Norte —
sou do Pará —, e voto facultativo na nossa região é muito complicado. É
muito complicado! Nós temos regiões, cidades, locais de votação em que a
pessoa tem que navegar 12 horas de barco para votar. Nós temos pontos de
votação em que não temos como transmitir via telefone, EMBRATEL. Nós temos
que andar com o Exército para poder passar para outro Município e, então,
poder transmitir os dados.
Ou seja, com a dificuldade da votação, se se permitir o voto
facultativo, vai-se beneficiar, Deputado Chico Alencar, o poder econômico.
Vai votar aquele eleitor que está financiado para ir votar. Para nós, do
Pará e do Norte do País, principalmente, o voto facultativo será nefasto,
pelas dificuldades de locomoção, pelas distâncias. Essa é uma
preocupação.
A outra preocupação é com relação ao financiamento público. Eu não
sou contra o financiamento, mas acho que nós precisamos delimitar algumas
coisas. Falam para mim do financiamento público, mas não dizem de onde
vem. Até no financiamento privado se coloca que tem que ser determinado
percentual, absoluto. Citam até regras, com as quais eu concordo. Mas, no
financiamento público, isso fica em aberto, a ser regulamentado com uma
lei complementar ou uma próxima lei. Mas de onde vem o recurso? Fala-se
muito que o financiamento não vai sair da área social, mas tem que sair de
algum lugar! Vai sair do fundo partidário? É daí que se vai financiar? Sai
do pagamento que é feito para as empresas de televisão? É daí que vem?
Se não me disserem de onde vem, é difícil votar. Não sai da área
social, mas sai de onde? Dos investimentos, de estradas, de portos?
Enquanto eu não souber de onde sai o recurso público, fica muito difícil
votar a favor desse financiamento público. Essas são as duas
preocupações.
E outra questão, Relator, é sobre o sistema de regiões, de
distritos, que eu acho muito válida. Agora, eu tenho uma preocupação: foi
falado que, por distrito, no mínimo, seriam quatro representantes e, no
máximo, sete. Mas o art. 45, § 3º, inciso I, do projeto fala que a
diferença máxima seria de um lugar entre as circunscrições do mesmo
Estado. Seria de uma vaga?
Temos regiões muito densas no nosso Estado, enquanto outras regiões
são pouco densas. Então, se eu tiver sete em uma, só posso ter seis nas
outras? Acaba isso de quatro para sete?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não, quatro para sete é de um Estado até o
outro.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Não é entre circunscrições?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Pode-se fazer de quatro ou de cinco, de seis ou de sete, ou de
cinco ou de seis.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Quer dizer, a diferença é de um só entre um e outro
dentro do Estado? Pois é, isso me preocupa. É uma das dúvidas que eu
tenho. Há regiões metropolitanas no Norte, por exemplo, que são muito
densas.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - No Amazonas, por exemplo.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Amazonas, Pará...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - A Capital tem 50% da população.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Mais! Tem mais de 50%. Como se faria? Dividiria a cidade
de Manaus em quatro ou cinco partes? A proposta é essa? Só quero
entender.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não, porque Manaus tem 10 Deputados.
(Não identificado) -
Oito!
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Oito Deputados.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu estou falando que, se fôssemos abordar o critério da
população, teria 10, assim como o Pará teria mais
quatro.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Teria 21. O Pará teria mais quatro.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - O Pará teria mais quatro. Pelo critério atual, seria uma para a
capital e outra para o restante.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Dr. Esperidião Amin, gosto de falar com V.Exa., porque já
tive o prazer de votar em V.Exa. para Presidência da República. Eu ia
dizer...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Até agora, com isso, há três aqui presentes que votaram em mim:
o Deputado Marcelo Castro, representado pelo seu filho, que é o mais
inteligente da família, o Deputado Eduardo Cunha e
V.Exa.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM
PASSARINHO - Pronto, V.Exa. já arrumou três votos
aqui.
Mas eu queria dizer o seguinte: a minha preocupação é saber se,
dividindo dessa maneira, nós teremos realmente uma representatividade pelo
número de eleitores. É só uma preocupação.
Obrigado.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu tive que me ausentar.
Eu queria lembrar a alguns dos companheiros — eu não escutei
ninguém falar essa expressão — que a base da representatividade, para cada
homem, no sentido de ser humano, um voto. Nós temos que procurar ser fiéis
a esse princípio, com os tetos e os pisos a que se referiu o Deputado
Marcelo Castro.
Nos Estados Unidos,
nós temos Estados — não é um só —, como o Yeoman, por exemplo, que elegem
dois Senadores e um Deputado Federal. Por quê? Porque a sua população não
permite eleger mais do que um. Mas elege-se um. Há cinco ou seis Estados
que só elegem um, enquanto a Califórnia elege dois Senadores e 52
Deputados Federais — um homem, um voto.
E, para quem gosta muito de distrital, visitem a Inglaterra. A
expressão “burgo podre” vem de lá. Por despopulação, ou seja, por redução
da população, e até por erosão marinha que o mar possa ter provocado no
antigo distrito, têm-se verdadeiras fraudes eleitorais, ou seja, pouca
gente com grande representação.
Então, essa busca que o Deputado mencionou...
O SR. DEPUTADO CARLOS
ZARATTINI - Mas, Deputado, nos Estados está acontecendo isso. Os
Estados hoje estão mudando suas proporções populacionais, e nós não
estamos corrigindo nem prevendo qualquer regra de
correção.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - A regra de correção foi derrubada no ano passado. Não vamos
entrar nesse assunto. Meu Estado, por exemplo, é um dos
atingidos.
Mas eu queria dizer o seguinte: a busca sempre é no sentido de que
haja o subdistritão — a circunscrição — e uma população tão parelha quanto
à do outro, no que for
possível.
O SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
Relator, só para terminar, eu me esqueci de falar que eu queria concordar
— acho que foi o Deputado Alceu quem falou — sobre nós podermos fatiar. É
muito perigoso, porque às vezes você tem alguém que defende o
financiamento público, mas não concorda com o voto facultativo. Se nós
juntarmos isso tudo num pacote só, nós vamos ter muitos adversários.
Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Relator!
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo
inscrito.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Relator, só para complementar, porque é exatamente sobre isso
a minha dúvida. Aqui, Indio da Costa, do PSD. Quero aproveitar a
oportunidade com o Deputado Esperidião.
Na verdade, a gente fez um exemplo do Rio de Janeiro a partir do
que foi entendido da regra. A cidade do Rio de Janeiro, se fosse por
região, teria mesorregião e microrregião. Não é isso? É o que está
colocado aqui.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Exato.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Por esse conceito, na cidade do Rio de Janeiro, com 11 milhões
e 600 mil... Aliás, esse é o Estado do Rio de Janeiro. Houve um erro. Mas,
de qualquer maneira, a cidade do Rio de Janeiro tem 4,5 milhões de
eleitores, quase 5 milhões. Estou arredondando. Aí, você pega a bacia de
São João com 149 mil e a baía de Ilha Grande com 177 mil. O que a gente
está falando é que os distritos seriam regionalizados, e não pela
quantidade de votos?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Não, é pela quantidade de votos.
Mas vamos seguir a regra, senão nós não vamos chegar... Vamos
passar a palavra para a Deputada Moema Santiago, que está inscrita, e
depois nós vamos tirar todas essas dúvidas e responder a um por um.
Deputada Moema Gramacho.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Nada contra Santiago, mas o meu é Gramacho.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu falei Santiago?
Perdão.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Não tem problema.
Digníssimo Relator, primeiro eu queria agradecer seu empenho para
que já trouxesse hoje a resposta em relação à questão de como
discutiríamos os infraconstitucionais. E, na medida em que já está
decidido que será a mesma Comissão, eu acho que nós devemos dar celeridade
a essa questão, para que já possamos entrar na construção também dessa
proposição, para não ficarmos com várias emendas e tratarmos também dos
projetos.
Eu queria também dizer que reconheço que vamos ter muitas
dificuldades por conta de vários pensamentos que estão sendo externados
aqui, que também o foram nas audiências e serão nas diversas audiências
que vão acontecer ainda.
Eu queria fazer uma pergunta a V.Exa. Nós vamos ter alguns
consensos também. Na hora da sistematização dos consensos, vamos ter
algumas proposições e podemos até buscar ver como afunilá-las para
melhorá-las, para aprofundá-las. Mas como V.Exa. vai dar tratamento às
divergências principais? Nós vamos ter várias audiências públicas. Qual o
peso que essas audiências públicas terão no seu
relatório?
Nós estamos fazendo seminários regionais. Aproveito para já dizer
que o seminário da Bahia deve acontecer no dia 16. Ele está sendo proposto
em comum acordo com os diversos Deputados componentes desta Comissão que
são da Bahia — Deputado Daniel Almeida e outros — e nós vamos fazê-lo no
dia 16 na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia.
Eu preciso, até para que as pessoas que vão participar das
audiências possam ter uma expectativa desta Comissão, saber como o senhor
vai dar tratamento a essas questões das audiências públicas, os pesos que
elas terão. A oitiva da população e dos movimentos sociais que peso terão
na composição do seu relatório?
Segundo, eu queria dizer que me coloco, assim como meu partido,
completamente contrária a essa PEC, que tenta efetivamente
constitucionalizar o financiamento empresarial. Eu acho que é muito
importante, em relação às emendas que estão sendo construídas para
suprimir o financiamento empresarial, que a gente possa conseguir as 171
assinaturas, mas, mesmo que a gente não consiga essas emendas, que o
Relator esteja aberto a promover esse amplo debate, porque o tempo foi
muito curto para a coleta das emendas. Se a gente só tem até segunda-feira
para coletar as emendas, eu temo que a gente corra o risco de não
conseguir as 171 assinaturas para fazer as emendas, e que isso crie um
prejuízo no trabalho desta Comissão.
Eu reitero aqui a nossa contrariedade ao financiamento empresarial
e, portanto, sou contrária à PEC. E que nós possamos abrir imediatamente a
construção dos infraconstitucionais, para que nós possamos discutir.
Defendo o financiamento público em composição — como defendem a CNBB e a
OAB, a coalizão — com pessoa física, no limite de até 700 reais. Acho que
poderíamos fazer essa composição de financiamento público e de pessoa
física, para que nós possamos definitivamente sepultar o financiamento
empresarial, que não é a única causa, mas que é também uma causa da
corrupção, porque fica a troca de favores, e a gente tem uma representação
completamente distorcida da sociedade.
Para finalizar, eu queria dizer que não vi falar — eu tive que
sair, não sei se foi tratada essa questão — da paridade de gênero. Eu acho
que essa é uma discussão que está na ordem do dia. Nós estamos já
coletando a emenda para tratar dessa questão, já há um consenso com as
mulheres do Senado. Nós queremos trabalhar uma proposta de paridade de
mulheres, e até concordamos que essa paridade se dê de forma gradativa,
para que nós possamos num primeiro momento já garantir 30% de mulheres nas
vagas. Não necessariamente estamos aqui falando da disputa eleitoral, das
chapas para concorrer, porque isso tem sido uma coisa falseada. Primeiro,
a gente está lá com a garantia de participar das chapas, mas não tem as
condições para que a gente dispute em igualdade com os homens. Então, nós
estamos discutindo aqui os 30% iniciais nas vagas e, obviamente, um
crescimento de 5% a cada pleito, para que — quem sabe? — daqui a 20 anos
nós possamos chegar a 50% e à paridade de gênero. Nós somos mais da metade
da população e somos menos de 10% nos Legislativos. Portanto, há que se
aprofundar e trabalhar para que essa emenda possa ser apoiada por todos os
Parlamentares desta Comissão e, obviamente, para a aprovação definitiva.
As mulheres não querem mais estar sub-representadas do ponto de vista
numérico, apesar de qualitativamente estarem bem representadas. Não
queremos ser sub-representadas no Parlamento mais.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Agora, tem a palavra o próximo inscrito, o
Deputado Veneziano Vital do Rêgo.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO
VITAL DO RÊGO - Meu querido Deputado Marcelo Castro, serei breve,
porque eu já tive a oportunidade de fazer rápidas
menções.
Quando, pelo nosso partido — tanto a mim quanto a outros
companheiros —, nos foi delegada a incumbência de participar e colaborar
com algumas ideias, eu vim extremamente, como ainda estou, envolvido e
entusiasmado com a possibilidade de ver algumas mudanças se
efetivarem.
Nós somos muito atraídos pela tese de produzir legislativamente. A
meu ver, nós Parlamentares, em quaisquer situações, imaginamos que, ao
estabelecer novos regramentos, estamos dando soluções a situações que
porventura, decididamente, ao meu convencimento, poderiam ser resolvidas
de outra forma. Aqui, meu querido Deputado Henrique Fontana, não sei se
por receio de se falar que essas distorções partem muito do nosso
comportamento, do nosso procedimento e do procedimento do próprio eleitor,
nós nos abstraímos com receio de sermos mal interpretados. Mas a realidade
eleitoral do País, o próprio sistema eleitoral me permite dizer que não é
apenas a falta de um regramento melhor que nos permite assistir
aterrorizados ou chocados a situações atuais ou que vêm remotamente. Mas
defendo essa reforma e alguns pontos que são cruciais para que nós
demarquemos o que pensamos ser melhor para o País.
Tenho, Deputado Marcelo Castro — e a gente já discutiu isso —, uma
posição muito firme. Vejo como uma das maiores distorções, com todo o
respeito, o fato da ilegitimidade — não apenas nesta Casa, Deputado Chico
Alencar, mas nas Casas Legislativas — de quem passa a representar sem a
legitimidade de ter conquistado votos suficientes. Isso me incomoda,
porque ofende diretamente ao princípio básico da democracia — nós, que nos
atemos e falamos muito sobre ela —, que determina que tudo, principalmente
nas contendas e nos antagonismos, decidamos pelo princípio da maioria. Nós
terminamos por não entender quanto essa democracia é ferida, ao tempo em
que vemos Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e esta própria Casa
com um número razoável de Parlamentares que não granjearam essa
legitimidade. Isso me preocupa profundamente. E aqui não estou a fazer
apontamentos a partidos ou a quaisquer outros companheiros. E não vejo,
não me convenço, com todo o respeito, quiçá possa ser convencido... Mas eu
sou favorável — e não batizo de distritão — à escolha majoritária dos
Parlamentares. Nem batizo, nem vou utilizar o termo distritão.
Eu acho que quem deve estar na Câmara, quem deve estar na
Assembleia, ou nas Assembleias, quem deve vir para o Senado — que já é
majoritário —, quem deve vir para a Câmara Federal é quem tenha
conquistado, granjeado pelos seus merecimentos, pela sua história, pelo
seu poder de convencimento votos suficientes para a representação. Porque
eu tenho ouvido aqui mesmo, de outros companheiros, que falam muito sobre
representatividade: “É preciso que
a sociedade esteja toda representada, é preciso que todas as
entidades...” Isso, sem sombra de dúvidas. Mas a maior
representatividade está na escolha que o eleitor faz através do somatório
de votos.
Eu sou defensor do voto majoritário, sem batizá-lo de distritão.
Porque também, por mais que ideal fosse falarmos sobre distrital misto, ou
subdistritão, não concordo com todas as razões para que nós enalteçamos —
porque cada um de nós tem o desejo de poder colaborar com o que seja mais
factível, mais plausível, que se aproxime mais do desejável.
Mas, quando se fala sobre o voto em distritos — e aí eu não vou
tomar o meu caso em particular, da Paraíba, poderia fazê-lo até porque
somos conterrâneos, da mesma região, meu querido Deputado Marcelo Castro,
mas vamos fazer menção ao seu querido, ao nosso querido Estado do Piauí —,
existem realidades, Deputado, que não nos permitem garantir a
homogeneidade. Um dos nossos companheiros, a mim me parece um companheiro
de Roraima ou de Rondônia, falava exatamente sobre o subpovoamento, a
densidade demográfica eleitoral.
Então, vejamos um caso muito prático: eu, que tive o prazer e a
honra de poder representar no Executivo a minha cidade, Campina Grande,
por oito anos, tenho como domicílio eleitoral Campina Grande. Campina
Grande tem seis Parlamentares aqui nesta Casa, domiciliados em Campina
Grande. E há a ideia do Deputado Esperidião Amin, em falar sobre divisões.
Levemos em conta que vamos dividir a Paraíba em dois grandes distritos, e
nesses dois grandes distritos, ou quatro grandes distritos, e reservemos
quatro vagas para a região de Campina Grande. Se um companheiro, que hoje
está aqui na Câmara Federal, se sentir “derrotado”, em tese, disputando
com outros três que, numa hipótese, são mais fortes eleitoralmente, o que
ele vai fazer, Deputado Henrique Fontana? Nós vamos estar inaugurando aqui
um processo de candidaturas itinerantes. Ele sai do domicílio eleitoral de
Campina Grande e da região e vai para o Cariri paraibano, que é
subpovoado, ou vai para a região do Sertão da Paraíba, que é subpovoado.
Depois, se esse cidadão, companheiro, candidato, tiver pessoalmente
condições materiais a mais, ele vai se sentir muito mais confortável de
sair dessa disputa para ir a uma disputa onde lhe seja mais favorável. A
meu ver, isso é muito claro.
Por isso eu sou favorável ao voto majoritário: leva, conquista quem
tem esse voto. Na hora que nós estabelecermos aqui subdistritões, nós não
vamos estar reconhecendo aquele que conquistou pelos seus
merecimentos.
Outra questão: diminuir os custos. Mas nós não estamos
estabelecendo regras, nós não já estamos limitando esses custos? A escolha
nossa... Eu não fui fazer campanha em Cajazeiras, eu não fui fazer
campanha no litoral da Paraíba. Eu me detive aos Municípios próximos ao
Município sede, Campina Grande, que conheceram o meu trabalho como
Prefeito daquela cidade e me permitiram, portanto, esse relacionamento.
Eu, próprio, fiz e estabeleci esse ponto de partida. São Paulo, com os
seus 800 Municípios: necessariamente, Milton, você não teve que fazer nos
800 Municípios! Fez na sua região! Então, eu tenho essas opiniões. É claro
que vamos travar...
Em relação ao financiamento público, eu acho que a gente tem que
enfrentar essa situação. Não é estabelecer a limitação ao ideal. Eu também
prego o ideal, eu tenho ainda alguma coisa da juventude utópica de dizer
que sou favorável — e sou — ao financiamento público. Mas sabemos nós não
ser praticável, porque se você investe contra a participação do
financiamento de pessoa jurídica, dá uma ideia de que a pessoa física não
pode fazê-lo e, entre aspas, já que é o nosso receio de tentar evitar
incestuosas e promíscuas relações de que essa pessoa, fazendo um aporte
financeiro, pessoa física, não tenha interesse de se vincular a você para
outros propósitos.
A gente tem que enfrentar, e enfrentar com instrumentos de
fiscalização.
O SR. DEPUTADO MILTON MONTI
- (Ininteligível.) ...
pessoa física.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO
RÊGO - É uma pessoa
física. A gente tem de enfrentar com instrumentos de fiscalização que nos
permitam acompanhar e evitar tudo isso que está acontecendo.
São algumas rápidas colocações, meu querido Deputado Marcelo
Castro, mas eu queria aqui já pontuar algumas divergências, quem sabe, se
até a 44ª reunião, não poderei ser convencido do contrário.
Muito obrigado.
Quadragésima quarta, não é?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN -
Quadragésima.
O SR. DEPUTADO VENEZIANO VITAL DO
RÊGO - Ah,
desculpe. Eu estava ampliando.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcelo Castro) - Eu vou chamar
atenção dos nossos colegas porque estamos bastante atrasados. Já são 12
horas. Eu pediria aos colegas, por obséquio que procurassem se cingir ao
tempo de 3 minutos e, se possível, também ao tema de debate aqui. Nós
vamos ter oportunidade de debater todos os temas. Nada é proibido. Tudo
pode ser dito, mas nós estamos tratando aqui da PEC Vaccarezza. Deputado
Esperidião Amin, que foi Relator, fez aqui uma belíssima explanação e nós
estamos aqui tentando tirar alguma dúvida que normalmente surge e podemos
tratar dos outros assuntos, como estamos fazendo, mas vamos enfatizar
esses dois aspectos para a gente ganhar tempo.
Então, tentando responder — Esperidião Amin me ajude — Deputado
Chico Alencar, em seu brilhante pronunciamento como sempre, dado as
escolas e o aprendizado que ele teve no Rio de Janeiro, mas, sem dúvida,
um pouco em função da genética que ele trouxe do Piauí. Não sei se V.Exas.
sabem, mas ele é um piauiense.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Eu tive de sair de Alto Longá para poder me eleger, porque
lá eu não conseguiria. No Rio era mais fácil.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Ele é descendente da tribo dos
pimenteiras, lá do Piauí. Pode olhar as feições dele aí. Ele tem uns
traços de Gengis Khan, da nossa origem oriental de quando o homem
ultrapassou o Estreito de Bering.
Bom, ele fala em um assunto aqui que é corrente. A gente sempre
ouve as pessoas dizerem: “Eu voto em candidato e não em partido”. As
pessoas dizem isso com certo orgulho como se fosse um valor, jogando o
partido em segundo plano. Eu gosto de dizer sempre, Deputado Fogaça — sou
da velha guarda, da Mangueira —, que bom para um país são instituições
democráticas, consolidadas, regime estável, democrático; partidos
políticos fortes, programáticos, ideológicos, para dar nitidez ao processo
de escolha e de seleção. Isso faz bem. É só olhar o desenvolvimento dos
países. O PNUD — Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento fez uma
pesquisa recentemente: os dez maiores IDHs do mundo estão nas democracias
consolidadas, que têm partidos, há décadas, há séculos, consolidados. Isso
é um valor que não podemos perder de vista nessa reforma que estamos
fazendo. Eu acho que é muito importante sempre que a gente puder enfatizar
partido forte, estável, coeso, representativo, com conteúdo programático,
ideológico, doutrinário. É saudável para a democracia inverter esses
valores.
A Folha de S.Paulo,
Deputado Chico Alencar, fez uma pesquisa recentemente: 71% do
eleitorado do Brasil não tem identificação com nenhum partido. O partido
que tem maior identificação no Brasil ainda é o PT. Por que eu digo ainda
é o PT? Porque está caindo. Era 28%, numa pesquisa que eu tinha visto e,
agora, são 12%. Então, o partido que tem maior apelo popular tem 12% de
identificação. O segundo, o PSDB, tem 5%; o terceiro, o mais antigo de
todos, o PMDB, tem 4%, e o restante, os 29 partidos têm 4%, todos
juntos.
Quer dizer, nós somos
um País sem partido. Essa é a conclusão. Hoje, o eleitor vota no
candidato, 2 anos depois, 70% não sabe em quem votou. Se ele não sabe em
quem votou, ele vai cobrar de quem? Se ele não tem nenhuma identidade.
Nós temos 28 partidos representados no Congresso
Nacional.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Trinta e dois criados.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Temos
32 em funcionamento e uma lista de 21 para serem criados. Virou um bom
negócio no Brasil, partidos absolutamente sem nenhuma identidade.
Pelo amor de Deus — se pudéssemos desligar as câmeras para o que eu
vou dizer aqui, porque isso só pode ser dito dentro de quatro paredes —,
eu não tenho nada contra, eu acho que quase todos os partidos são como
ele, mas estou usando-o como exemplo porque é muito ilustrativo: o nosso
PROS, querido partido criado recentemente, que tem figuras ilustres dentro
desse partido, o que quer dizer? Partido Republicano da Ordem Social.
Qual é o partido aqui, no Brasil, que não é republicano? Tem algum
defendendo monarquia aqui? E qual é o partido que é da desordem social?
Não existe isso. Então, é uma sigla feita adrede para dizer exatamente o
que diz: absolutamente nada. Esse é o ponto a que chegamos.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Mas eles se unificam na habilidade verbal, na delicadeza ao
se referir ao Congresso. O PROS tem essa marca.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu não estou fazendo crítica ao PROS. Ao
PMDB também, o meu partido, faço críticas constantemente. Não
tem...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - O que quer dizer a sigla do PMDB? Partido do
Movimento...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - ... Democrático Brasileiro. Pois não é?
Essa
crítica vale para todos. Eu só me lembro do PROS porque é o Partido
Republicando da Ordem Social. Todos são.
O SR. DEPUTADO VALTENIR
PEREIRA - Sr. Presidente, Deputado Valtenir, do
PROS.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Como V.Exa. foi citado, tem o direito. (Risos.) Eu já pedi escusas, está
entendendo? Não é minha intenção acusar o PROS, são todos assim ou
praticamente todos. Nós não temos identidade. Os partidos hoje no Brasil
não são siglas, são amontoados de siglas. Não significam praticamente
nada.
O SR. DEPUTADO VALTENIR
PEREIRA - Sr. Presidente, Sr. Relator, o PROS respeita o
posicionamento de V.Exa., mas nós temos um Estatuto, com programa bem
definido; inclusive, no nosso Estatuto, nós lutamos pela redução da carga
tributária no Brasil. Temos o programa, temos o Estatuto e o seguimos.
O que nós precisamos fazer, para finalizar, é mais formação
política, construção partidária, dialogar mais com a sociedade, para que a
sociedade possa ganhar confiança e fazer a participação política. Esse é o
grande desafio.
Por isso nós colocamos 300 milhões ao ano de dinheiro público no
Fundo Partidário, para que os partidos possam cumprir essa função
social.
Então, o PROS tem lutado para que isso
aconteça.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado Chico Alencar estava aqui
fazendo observações para baratear as campanhas. Ele vê a circunscrição
como uma mediação, cuja intenção, eu acho, é exatamente esta mesma: fazer
um meio termo para ver se a gente consegue chegar ao fim e para a gente se
posicionar — como muitos se posicionam, eu também — contra o financiamento
empresarial.
O nosso Joaquim Passarinho questiona aqui de onde sai o
financiamento público. Nós estamos tratando da PEC 352. O que diz a PEC?
Que isso será remetido para a lei. A lei é que vai dizer como será o
financiamento público. No projeto que nós fizemos com Henrique Fontana — e
na época também com o Caiado e com o Sérgio Machado, do Senado — era
estipulado um valor de 7 reais por eleitor para definir aquele conteúdo,
aquela quantidade de recursos para financiar as campanhas. Isso seria
dividido pelos candidatos à Presidência da República, Governadores de
Estado, Deputados Federais e, nos Estados, pela proporção dos eleitores...
(Não identificado) -
Qual é a fonte?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - A fonte é o Orçamento da União. É claro
que nós já temos hoje a renúncia fiscal das televisões, temos o Fundo
Partidário, que é dinheiro de recurso público.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Eu defendo que isso seja submetido a
referendo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O nosso Índio da Costa faz uma questão
sobre a circunscrição.
Então, no projeto, na PEC estão estabelecidos os critérios para a
circunscrição. O Rio de Janeiro tem 46 Deputados Federais. É isso? (Pausa.) Aí o Rio de Janeiro poderá
ser dividido em um número de circunscrições de forma tal que não tenha
nenhuma circunscrição com menos de quatro nem mais de sete e que não possa
haver diferença de mais de um entre o Estado. Então,
digamos, se nós pegássemos 46 dividido por sete no Rio de Janeiro. Dariam
seis circunscrições de sete. Como não fecha a conta, algumas
circunscrições teriam que ser de oito. Por isso se diz que a diferença
pode ser, no máximo, de um. Entenderam? Então, teriam algumas
circunscrições de oito e outras de sete, para, quando somar tudo dar...
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Não pode ter de oito? O
SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) -
Não,
de oito não pode. No máximo, de sete.
Teria que ser de seis e de sete. Então, aumentaria o número, mas que
ficasse no máximo de sete e no mínimo de seis. Não pode ficar uma de sete
e outra de cinco, porque a lei prevê isso aí, para não ter discrepância.
O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Quer dizer, a circunscrição seria definida aqui,
então? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - O Tribunal Superior Eleitoral é que vai fazer isso daí.
O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Não tem nada, então, com as chamadas micro e mesorregião que existem
lá? O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Tem. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Tem que obedecer a micro e mesorregião, desde que não
descumpra o eleitor, que é o princípio principal. O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Sr. Presidente Marcelo, posso fazer um parêntese? O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Se o Rio de Janeiro tem um número X de eleitores, as
circunscrições têm que ter um número... O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Uma proporcionalidade por eleitor. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Exatamente. O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Está ótimo. O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Posso fazer um parêntese? Deputado Indio da Costa, essa concepção foi
muito inspirada numa prática do SUS: o Plano Diretor de Regionalização.
Com base nisso, a lei está fixando parâmetros rígidos que o tribunal, ao
fixar as regiões, não pode desrespeitar. É um conjunto de diretrizes que a
lei está oferecendo às micro e mesorregiões, às atuais seções, às atuais
zonas eleitorais, para evitar o efeito salamandra, que tem num distrito
dos Estados Unidos. Você tem uma bolotinha de um lado, uma estrada, e
outra lá. Então, a Justiça, ao fixar, não pode saltar uma seção e fazer um
vácuo na regional. Tem que haver conexão logística. Nós
temos um caso em Minas na experiência da saúde. Temos uma cidade a 100 km
de um polo de saúde, mas o Rio São Francisco está no meio. Então, o polo
de saúde está a duas horas. Não é Janaúba e, sim, Januária, porque temos o
rio, mas não temos ponte. Então, tem que haver conexão logística para o
eleitor poder trafegar naquela região eleitoral, identidade cultural, e
tal. Mas
o Congresso Nacional podia fixar as regiões, porque não sai daqui. Então,
fornecemos as diretrizes na PEC, e aí o tribunal, com essas diretrizes
rígidas, muito bem amarradas, vai lá e monta as regiões.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Perfeito. Bom,
a Deputada Moema Gramacho faz algumas observações sobre a nossa PEC. E
vamos dar parecer sobre o projeto de lei. Então,
o que estamos pedindo? Para V.Exas. falarem com seus líderes para
constituírem a nova Comissão com os mesmos membros, para não trazer
transtornos. Senão isso vai atrapalhar o nosso trabalho.
A
Deputada questiona como eu vou dar tratamento às questões principais. Eu
vou responder a V.Exa. de maneira bem direta: não sou eu que vou dar o
tratamento, são V.Exas. Eu disse isso no primeiro dia, quando falei aqui e
distribuí minha cartilha. Na cartilha estão as minhas ideias. Eu não vou
relatar as minhas ideias, vou relatar as ideias de V.Exas. Então, não há
nenhuma matéria tabu, nada é proibido, vamos discutir todas elas. E o que
a maioria decidir eu vou colocar no relatório, e depois nós vamos fazer a
votação final. V.Exa. está satisfeita com a
resposta? Manifesta-se
contra a constitucionalidade do financiamento de campanha. Mas a PEC teve
um cuidado, é verdade. O financiamento de empresas fica
constitucionalizado, só que remete tudo para a lei. Então, se nós
quisermos, podemos botar na lei, porque as empresas poderão contribuir,
mas com 0,000001%, que é nada. (Riso.) Está entendendo? Quer
dizer, se nós quisermos mesmo seguir por esse caminho, a
constitucionalização não vai impedir tanto, embora eu ache que matéria de
financiamento de campanha deve ser tratada em matéria infraconstitucional,
em projeto de lei, tranquilamente.
Agora, a Deputada Moema Gramacho inova, porque nós temos, na lei,
que os partidos, ao fazerem as listas de candidatos, têm que colocar 30%
de mulheres. Mas a Deputada está inovando. Quero chamar a atenção das
Sras. e dos Srs. Deputados para isso. Ela quer que sejam reservadas 30%
das vagas para as mulheres, que é outra coisa completamente diferente.
O que existe no mundo, quando analisamos o mundo democrático? Há,
infelizmente, uma sub-representação das mulheres praticamente em todos os
Parlamentos do mundo afora, com exceção de alguns países da Europa, como
Dinamarca, Noruega, aqueles países mais ao norte da Europa. E onde as
mulheres são bem representadas o sistema é normalmente de lista
preordenada. O Deputado Chico Alencar não gosta muito do termo “lista
fechada”. É lista preordenada.
Até as mulheres do PMDB me procuraram, e eu sugeri a elas que, para
defender uma participação maior do gênero feminino, o melhor sistema que
está comprovado no mundo é o de lista fechada. O problema é passar no
Congresso Nacional a lista preordenada. Então, fica essa questão. Agora,
vamos ver, é uma questão nova reservar 30% das vagas para mulheres, como
são reservadas nos concursos públicos para deficientes e para negros. É
uma questão nova que precisamos incorporar na discussão.
O
SR. DEPUTADO ALCEU MOREIRA -
Não é só para mulher, mas para qualquer gênero.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) -
Nós estamos falando da mulher porque é o gênero que está em questão.
Eu
disse para a Deputada Moema Gramacho que, infelizmente, a proposta que a
OAB faz não favorece as mulheres. Fala tanto em paridade de gênero, mas,
no primeiro turno, teria paridade de gênero: um homem e uma mulher, um
homem e uma mulher, um homem e uma mulher.
Então, na Bahia, suponhamos o caso: o PT fez cinco Deputados. Quem
são? Aí os dez primeiros da lista, pela proposta da OAB e da CNBB, vão
para um segundo turno para disputar entre eles quais serão os cinco mais
votados para virem para Brasília. Então, vão ser cinco homens competindo
com cinco mulheres. O que vai dar? Vai dar o que sempre deu: 90% de homens
e 10% de mulheres. Não há por que mudar.
Então, a proposta da OAB, que aparentemente prega a paridade, vai
fazer exatamente o contrário. Vai perpetuar o que temos aqui no Congresso
Nacional: essa maioria esmagadora de homens. E nós acreditamos que seria
melhor para a democracia uma participação melhor.
O nosso colega Veneziano já saiu. S.Exa. defende o distritão,
embora não queira usar esse nome, porque defende o sistema majoritário em
todo o Estado. Então, é o chamado distritão. E levanta a questão da
demografia. Campina Grande tem seis Deputados Federais, então, teriam que
migrar... Claro,
essa é uma das grandes vantagens da proposta dos nossos Deputados Marcus
Pestana e Mendes Thame. É uma regionalização, uma diminuição do espaço. E
todas as regiões do País teriam representantes aqui. E um grande ponto
positivo do sistema distrital é que todas as regiões estariam
representadas.
Quanto à região com densidade demográfica mais baixa, não há
problema, faz uma região maior, contanto que as circunscrições tenham
aproximadamente a mesma quantidade de eleitores. É a exigência aqui do que
está estabelecido na lei.
Com a palavra o Deputado Esperidião Amin.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Só tenho duas pequenas observações. Nada a acrescentar, mas
duas observações a fazer. Queria
pedir a atenção do Deputado Indio da Costa só para dizer o seguinte: como
já falou o Deputado Marcus Pestana, há uma prescrição razoavelmente
detalhada para como constituir um subdistritão. O
senhor chamou a atenção para o
inciso I do § 3º do art. 45: “Art.
45..................................................................... §
3º...........................................................................
I - diferença máxima de um lugar entre as circunscrições do mesmo
Estado ou do Distrito Federal;
II - contiguidade territorial, respeitados os limites das Zonas
Eleitorais;
III - integridade das mesorregiões e microrregiões;
(...)”
Mas ainda que esteja no item 6, o princípio de um homem, um voto
poderia ser o primeiro, mas ele é acima do que se considera direito
produzido por nós. É um princípio universal da democracia. Tanto quanto
possível, temos que nos aproximar de números mais ou menos
equivalentes.
Se há regiões subpovoadas ou superpovoadas, o que o Deputado
Veneziano nos ofereceu é o caso clássico da super-representada. Se alguém
está sub-representado, é porque há alguém super-representado. Se temos uma
dúzia de ovos e uma parte da sala ficou com 12, é impossível que a outra
tenha. O Deputado Veneziano nos deu a contribuição de uma região que se
acha super-representada. Nós também temos Estados super-representados que,
pelo último censo demográfico, têm mais representantes federais do que
outros no per capita. Isso deu
um grande problema aqui no Congresso no ano passado. Eu não vou
rememorar.
O Estado do Pará, pela sua população, tem direito a quatro
Deputados a mais. Só que, para ter mais quatro, outros terão que perder
esses quatro, porque não vamos passar de 513 para 520. E dou mais um
exemplo, o dos Estados Unidos. Eles mantêm os mesmos 345 Deputados
Federais sempre, e o censo demográfico, a cada 10 anos, empurra um para um
lado e outro para outro, sob pena de, daqui a pouco, nós criarmos mais
cadeiras indefinidamente, de acordo com o aumento da
população.
Então, temos sub-representado e temos super-representado. Como se
conserta isso? Respeitando o princípio de um homem, um voto, dentro do
possível. E, no Brasil, isso está bem longe de ser uma regra draconiana,
porque o mínimo é oito. O mínimo não é um, e o máximo é 70, que é o caso
de São Paulo, que, como lembrou o Deputado Marcelo Castro, iria a 120, se
fosse aplicar o princípio puro de um homem, um voto.
Então, são as seis balizas para que o Tribunal Eleitoral procure
construir o subdistritão ou como se queira chamar a circunscrição.
É
o que eu gostaria de adicionar.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - Só para agradecer sua explanação, o § 3º do art. 25 da
Constituição Federal fala dessas regiões: “Art.
25................................................................... §
3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões
metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por
agrupamento de Municípios limítrofes, para integrar a organização, o
planejamento e a execução de funções públicas de interesse
comum.”
Na realidade, estamos falando aqui de outra divisão a ser feita
pelo Tribunal Regional Eleitoral. Acho que é importante, de alguma
maneira, deixar isso mais claro no texto, sobretudo concordando com a
ideia de que há — art. 45, § 3º, inciso VI — “relação equivalente entre o número de
eleitores e o de representantes nas circunscrições do mesmo Estado ou do
Distrito Federal”, se pudermos, para não haver essa discrepância no
Rio. No Rio, haveria uma região com 11 milhões e 500 mil moradores,
elegendo quatro ou cinco, enfim, dependendo da divisão, e a
outra...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Lembrando que o parâmetro é sempre
eleitores.
O SR. DEPUTADO INDIO DA
COSTA - É isso que estou dizendo. Mas é preciso deixar isso claro no
texto, porque, na hora em que o inciso III falar na
integridade...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Um belo trabalho para suas sugestões. O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Obrigado. O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Eu confesso que me considero satisfeito com o que está escrito, mas cada
um pode aperfeiçoá-lo.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O próximo orador inscrito é o Deputado
José Fogaça.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Obrigado, Sr. Relator. Muito obrigado pela palavra agora. Não sou
membro desta Comissão, mas eu me sinto muito à vontade e tenho um grande
entusiasmo em participar dessas reuniões.
Lembro-me de uma pequena história que explica um pouco daquilo que
nós estamos discutindo. O Senador e Deputado Esperidião Amin — como fui
colega dele no Senado, não perco a mania de chamá-lo de Senador — deve
lembrar que o Dr. Ulysses Guimarães, na Assembleia Nacional Constituinte,
disse que apresentaria só uma emenda. Ele, que era tripresidente —
Presidente do PMDB, Presidente da Assembleia Nacional Constituinte e
Presidente da Câmara dos Deputados —,
naquele momento, realmente era tudo de poder que se possa
imaginar.
Havia uma ascendência enorme sobre aquele Congresso que se reunia
para a Constituinte. E ele disse: “Só vou apresentar uma emenda”.
Em
toda a Assembleia Nacional Constituinte, ao longo de 2 anos, só apresentou
uma emenda, que era fazer o Estado de São Paulo passar de, creio, 50
Deputados ou 45 na época, para 70, para tentar dar um pouco mais de
realidade à representação paulista que realmente estava deformada para
baixo.
Naquele momento, em seu gabinete na Câmara dos Deputados, o Deputado
Siqueira Campos fazia greve de fome pela criação do Estado do Tocantins.
Quando o Dr. Ulysses apresentou a emenda, o Deputado Aldo Arantes, do
PCdoB de Goiás, na iminência de perder a metade do Estado, disse: “Nós aceitamos, desde que passem de
quatro Deputados, no mínimo, para oito”.
No Colégio de Líderes da Constituinte essa decisão nasceu dessa
proposta do querido Deputado Aldo Arantes.
Então, a partir daí, nós tivemos o que hoje temos estabelecido na
Constituição. São oito, no mínimo, por Estado. E, com a Constituição,
foram criados três Estados: Tocantins, Roraima, Amapá. Só aí já tivemos 24
Deputados a mais. Houve
realmente um inchaço, um crescimento da Câmara dos Deputados e, claro,
também do Senado, porque surgiram mais nove
Senadores.
Mas é importante dizer que é muito difícil mudar isso. Acho que
isso é quase uma cláusula pétrea, não legal ou institucional. É uma
cláusula pétrea física, é uma pedra de verdade. Acho que é muito
difícil.
Portanto, essa pretensão de um homem, um voto, um cidadão, um voto,
é bastante complicado, porque esta divisão por Estados nos levou a uma
certa super-representação de alguns Estados. Oito Parlamentares era muito
para os Estados muito pequenos e 70 era pouco para uma São Paulo que
crescia vertiginosamente.
Mas estou dizendo isso apenas para ilustrar o fato de que, às
vezes, acho que Bismarck tinha razão: “É bom não saber como se fazem as leis
e as salsichas”. (Risos.)
Mas o que eu estou querendo dizer é que vou voltar a insistir,
querido Relator, naquilo que
disse na reunião anterior. Eu acho que nós temos que perseguir a
simplicidade, perseguir uma forma absolutamente unificadora, que nos una.
Aquilo que nos une é o que deve servir de base para esta reforma política. E devemos expurgar da emenda tudo aquilo que nos
separa. O voto facultativo aqui — tenho certeza de que não é unanimidade.
E
há outras questões que têm que ser enfrentadas. São polêmicas, mas têm que
ser enfrentadas. Infelizmente, não tem como
vencê-las.
Acho que, em primeiro lugar, está a simplicidade. Em segundo lugar,
nós temos que visar o foco em alguns pontos fundamentais, ter objetivos
claros e inequívocos, e o primeiro deles é o da redução drástica dos
custos de uma campanha eleitoral.
Como reduzir os custos de uma campanha eleitoral? Há dois meios. O
Deputado Veneziano fez referência a isso. Um deles é por via da lei, por
limitação e proibição. Eu concordo plenamente com o Deputado Alceu
Moreira: nós deveríamos vedar doação por empresas ou doação por pessoas
jurídicas. Essa questão me parece fundamental, mas é a opinião de um
Deputado. Agora, limitar doações a pessoas físicas ou limitar em valores
absolutos e percentuais é realmente fundamental. E aí a PEC está no
caminho certo, a proposta está no caminho certo.
Outra é a redução do tamanho da circunscrição. Essa proposta
subcircunscricional, vamos chamar assim, porque a única circunscrição que
existe para Deputado é a circunscrição do Estado. Se nós dividirmos os
Estados em novas circunscrições, serão subcircunscrições. Na verdade, essa
proposta é inteligente, é uma saída bastante engenhosa, mas também tem os
seus defeitos, tem também as suas dificuldades. Uma delas está na divisão
do mapa, em que ponto o mapa vai ser dividido.
Nos países onde vigora o voto distrital, os distritos são revistos
a cada eleição. O desenho do mapa distrital é revisto pela Justiça
Eleitoral — não existe a Justiça Eleitoral. Mas, pela autoridade eleitoral
de cada País, o distrito é revisto, justamente por causa do sistema de
burgos podres a que se referiu o Deputado Esperidião Amin. Para que não
haja burgos podres, burgos ou distritos que perdem população, que diminuem
em tamanho populacional, a cada eleição, a Justiça Eleitoral deve revisar
o mapa do distrito, para estabelecer uma situação mais equânime, mais
igualitária.
Então é realmente importante a redução da área de circunscrição, do
tamanho da circunscrição. Acho que isso é fundamental. Se não passar aqui
a proibição de doações por empresas privadas — não é unanimidade também,
mas uma questão polêmica —, a redução do tamanho da circunscrição é também
instrumento poderoso para controle de gastos. Isto, combinado com as
limitações de gastos em campanha por lei, acho que pode resultar numa
situação bem diferente da que temos agora.
O segundo objetivo tem que ser o de vincular o candidato ao
eleitor. E isso também se faz pela menor circunscrição. Quanto menor a
circunscrição, quanto menor o distrito, mais vinculado está o candidato ao
seu eleitor, mais direta, mais próxima é a relação entre
ambos.
Mas a proibição de coligações ou a criação do sistema de federações
partidárias é também um caminho indireto para esse fim, ou seja, também
determina, de alguma maneira, a mudança nesse tipo de
situação.
Então, eu quero aqui chamar a atenção para o fato de que o
distritão, que é uma proposta gerada no seio do meu partido, PMDB, por
pessoas que merecem todo o respeito e consideração, tem alguns aspectos
que, a meu ver, são extremamente negativos. E um deles é estabelecer uma
verdadeira guerra entre os candidatos. Vamos ter um sistema muito
semelhante ao sistema majoritário; é quase que um “sistema Geni”, um
jogando pedra no outro. Por outro lado, evidentemente, para vencer as
eleições no Estado inteiro, os candidatos vão extrapolar nos seus
objetivos e vão procurar arrecadar fundos em proporções gigantescas. Ou
seja, tenderá a ter um custo enorme a campanha
eleitoral.
Então, acho que nós temos que refletir sobre isso e procurar não
retroceder. Estamos querendo avançar, dar um passo à frente e não
retroceder.
Por fim, eu vejo um sério problema nesse sistema chamado
subcircunscricional, eu vejo um sério problema, que também vale para o
voto distrital, para o sistema distrital tradicional, que é a inexistência
de simetria entre o número de Deputados Federais e o número de Deputados
Estaduais. Ao estabelecer, por exemplo, a subcircunscrição no Estado de
Santa Catarina, eu não sei como seria, não me recordo
exatamente.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Está afeiçoado para isso. São 16 federais e 40 estaduais. Cada
região, cada subdistritão, elegeria dez Deputados Estaduais e quatro
Deputados Federais, sem necessidade de
arredondamento.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Está bem.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Sim. Isso é uma questão de resultado. Por exemplo, o Rio Grande
do Sul já tem, neste momento, dois clubes na Série A, já alcançou a metade
do quociente de Santa Catarina, que tem quatro. (Risos.)
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Não só tem quatro, como tem um desempenho maravilhoso. Ganhou do
Internacional de 5 a 1.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - São pequenas maldades que a gente faz.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- E eu aproveito para fazer a minha pequena maldade, também, com os
meus adversários do Internacional.
Mas, Sr. Presidente,
apenas digo isso porque temos que simplificar para evitar adversários da
emenda.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Falando sério, haverá arredondamentos a fazer, acertos. O Rio
Grande do Sul tem 31...
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- São 31 e 55.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - ...e 55.
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- São números muito díspares.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Não é difícil, com a matemática e o bom senso, chegar a um
resultado. Não é tão fácil quanto no meu Estado.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Desde que os arredondamentos sejam sempre para cima, fica
mais fácil, porque arredondar para baixo complica,
né?
O SR. DEPUTADO JOSÉ FOGAÇA
- Uma região terá que ter um Deputado a mais do que outra. E aí é uma
discussão que pode não terminar nunca.
Mas é isso. Quero cumprimentar o Relator pelo trabalho que vem
fazendo, pelo espírito democrático aberto, essa isenção, a capacidade de
ouvir, de aceitar, e simplesmente trabalhar aquilo que vai nos fazer dar
um novo passo adiante na democracia brasileira.
Temos um bloco histórico de 25 anos, 26 anos agora, sem golpe de
Estado. Não há nenhum outro bloco histórico da vida republicana em que não
tenha havido uma tentativa de derrubada pela força de um Presidente da
República. Então, quando um presidente eleito, subsequentemente, entrega a
outro presidente eleito a Presidência da República pelo voto democrático,
isto é um valor extremamente precioso que nós não podemos
perder.
Obrigado, Sr. Relator.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro)
- Nós é que agradecemos, Deputado José Fogaça, que vem nos relembrar
aqui traços históricos ainda da nossa Constituinte, da qual V.Exa.
participou. Agora,
eu vou pedir novamente aos nossos companheiros, porque já estou vendo
certa apreensão, e ainda há muitos inscritos, para encurtarmos um pouco o
tempo, em nome de todos, porque senão alguns vão falar e outros vão
ficar... Pois
não.
(Intervenção fora do microfone.
Ininteligível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Boa ideia! E vamos procurar ser sintéticos,
para a gente alcançar o nosso objetivo.
Com a palavra o Deputado Capitão Augusto.
O SR. DEPUTADO CAPITÃO
AUGUSTO - Sr. Presidente, usarei minhas breves palavras e prometo ser
bastante breve, até para compensar o tempo. Antes de entrar na questão
propriamente dita, de dar a minha opinião, permita-me fazer um pedido, um
apelo aos Deputados, para que a gente aproveite esta Comissão para
corrigir um erro que a Constituição Federal, em 1988, no seu art.14,
acabou excluindo os direitos políticos de uma parcela da sociedade. E não
há nenhum País que possa se considerar plenamente democrático enquanto uma
parcela da sociedade estiver alijada dos seus direitos políticos.
Nós temos mais de 1 milhão de militares que não têm direitos
políticos neste País — não têm direito à filiação partidária; não têm
direito a concorrer em igualdade de condições; não temos o direito, após
eleitos, sequer de retornar a nossa profissão.
Eu, a partir do momento em que fui eleito — poderia continuar minha
carreira no Estado de São Paulo —, infelizmente, fui tolhido dessa
possibilidade e não posso sequer retornar à instituição. Para quem não
sabe, nós somos exonerados. Se eu não me reeleger, sou mais um
desempregado neste País. Então, trata-se de um direito que os militares
têm. Esperamos...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - (Ininteligível.) ... grande
emoção.
O SR. DEPUTADO CAPITÃO
AUGUSTO - Sem dúvida nenhuma. Não tenho a menor dúvida disso. É com o
maior prazer do mundo que estou aqui. A reserva é somente para quem tiver
mais de 10 anos proporcionais. E quem tem tempo proporcional — posso dizer
a V.Exa. — recebe um salário bem pequeno, bem pequeno mesmo, o que não
permite a nossa aposentadoria. Com menos de 10 anos, há a exclusão, a
exoneração das fileiras da Polícia Militar. Então, faço um apelo aos
demais Deputados, que se sensibilizem, para que a gente consiga alterar
essa diferença que é feita com os militares do
Brasil.
Quanto à questão propriamente dita, Excelência, eu tenho duas
preocupações. Primeiro, com a questão do distritão, da circunscrição,
porque, pelo que eu tenho visto, isso vai privilegiar somente a
territorialidade, esquecendo-se das demais
categorias.
Então, nós temos as categorias de classe, e elas, obviamente,
recebem votos do Estado inteiro. Não podemos partir apenas para o voto
distrital direto, duro — como é dito —, mas sim, pelo menos, para o voto
distrital misto, que não levaria em conta tão somente a questão da
territorialidade, mas também a das entidades de classe, o que não pode ser
esquecido nesse processo. Então, eu sou plenamente favorável ao voto
distrital, desde que ele seja misto e não do jeito que está sendo
apresentado.
Outra questão, dentro ainda do voto distrital. O nosso Deputado
Veneziano estava falando da lista. Essa lista também é uma questão
complicada. Por quê? O que nós vamos querer: a representatividade
individual ou a representatividade política?
Então, digamos que, nesse distrito, um partido lance 10 candidatos.
Desses 10 candidatos, cada um tem 50 mil votos. Essa legenda, essa
ideologia partidária, leva consigo, carrega consigo, 500 mil eleitores. Aí
nós temos outro partido que lança apenas um candidato, que tem 51 mil.
Então, esses 51 mil votos entram com a ideologia partidária dele, e aquele
partido com 500 mil votos deixa de entrar.
Então, o que nós queremos aqui? Uma representatividade individual
ou uma representatividade política? Essa questão deve ser considerada para
que nós também não prejudiquemos os partidos. Afinal de contas, houve
duros processos aqui para que fosse privilegiada a questão partidária e
não a individual. Talvez a gente tenha um retrocesso com a aprovação dessa
lista ao levar em consideração somente a pessoa, a individualidade.
Obviamente, nisso, acabam levando uma grande vantagem — como já foi dito
aqui — artistas, pessoas públicas, pessoas extremamente conhecidas. A
questão financeira também influencia isso aí.
Então, em breves palavras, Presidente, são essas as minhas duas
preocupações: quanto à questão do distrito e da lista. Volto a fazer um
apelo aos Srs. Deputados: que a gente inclua o direito político aos
militares deste Brasil.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Em seguida, tem a palavra o Deputado Valtenir
Pereira.
O SR. DEPUTADO VALTENIR
PEREIRA - Sr. Presidente, nobres pares do PROS, a grande discussão que
nós temos é exatamente baratear os custos das campanhas. Eu vejo como
extremamente importante, embora não esteja sendo objeto deste debate,
porque
são questões que nós vamos tratar através de leis, a vedação da
contratação de cabos eleitorais.
Em 2010, esta Casa inovou no parecer do Relator, Deputado Flávio
Dino, quando colocou a contratação de cabos eleitorais. Nessa contratação,
há um exagero no período eleitoral, porque essa contratação de cabos
eleitorais não tem finalidade nenhuma de divulgar proposta, tem outras
finalidades, que é legalizar a compra de voto.
Há situações, por exemplo, lá no meu Estado, na última eleição, em
que cheques de 200 reais foram preenchidos na reta final. Inúmeros cheques
foram emitidos, e a gente tomou conhecimento disso. Só que você não tem
como alegar qualquer vício, porque existe contrato, contratação; está tudo
legalizado, de tudo foi prestado conta; a Justiça Eleitoral homologa — “Bacana!”; “Beleza!” —, e as coisas
acontecem.
Dentro desta sugestão, é preciso, sim, contratar cabos eleitorais,
claro, no limite suficiente para levar, para propagar a proposta dos
candidatos majoritários ou proporcionais, mas aí nós teríamos que colocar,
por exemplo, que esses cabos eleitorais estejam filiados ao partido no
mínimo 1 ano antes; que, durante esse período que antecede a 1 ano das
eleições, tenham se submetido a cursos de formação política para conhecer
a bandeira programática do partido político.
Então, são coisas assim, desse nível, porque hoje nós já destinamos
cerca de 300 milhões de reais/ano para fazer formação política, construção
partidária, para exatamente nós podermos apresentar isso ao eleitor com
qualidade.
Dentro desta lógica, nós vamos apresentar uma emenda à PEC. Já
temos as assinaturas suficientes — já estamos chegando a 190 assinaturas —
para separarmos as eleições do Executivo das eleições do Legislativo.
Hoje, nós temos esse processo misturado: temos a eleição do Executivo, em
que temos um projeto a ser apresentado ao eleitor, que é exatamente um
plano de gestão, um plano de ação, um plano estratégico; e temos as
eleições para o Parlamento, as eleições voltadas a temas, a projetos de
lei, à fiscalização. Os papéis, as tarefas são distintas. As tarefas do
Executivo são umas; as tarefas do Legislativo são outras. Então, a eleição
de Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal, e Senador da República,
que é Parlamento, que é fiscalizar o Executivo, seria separada das
eleições de Prefeito, Governador e Presidente da
República.
Tudo que acontece no País é mazela do Parlamento — é o que a gente
tem visto. Nós estaríamos aí ocupando um protagonismo ao separar as
eleições, ao fazer as eleições para o Parlamento em uma época, como
acontece nos Estados Unidos, e uma eleição para o Executivo em outra
ocasião, em outra época. Nós vamos ocupar assim temas importantes na época
em que estivermos nas eleições para o Legislativo. É uma forma de
fortalecer o Parlamento, que é a voz da população, é a voz do povo.
Então, Sr. Presidente, deixo essas
contribuições.
Quanto ao fim das coligações, só para finalizar, se isso acontecer,
nós temos que tirar o quociente eleitoral, se for o caso de acabar com o
fim das coligações. No meu Estado, com 1 milhão e 600 mil eleitores e 8
vagas, 200 mil é o quociente eleitoral: coligações ou partidos vão
alcançar 190 mil votos e não vão ocupar nenhuma cadeira; e partido que
conseguiu 210 mil votos vai ocupar duas cadeiras. Aí a gente não encontra
uma justeza na aplicação quando se mantém o quociente
eleitoral.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu vou convidar a próxima oradora inscrita, a
Deputada Luiza Erundina.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Só quero fazer uma questão de ordem, ou melhor, dar uma
sugestão para todos nós. Tem gente preocupada em coletar assinaturas para
emendas. Eu quero propor um acordo entre os partidos na Comissão. O que
vai decidir será a nossa votação. Portanto, todos poderíamos — e
deveríamos — assinar as emendas de todos, para que tudo seja acolhido, sem
compromisso de mérito.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - V.Exa. me permite? Eu falei hoje com o Deputado Marcelo Castro
e torno isso público: vamos pedir ao Presidente Eduardo Cunha que repita o
que ele já disse. Hoje, no plenário, eu vou pedir para ele repetir o
seguinte: “Temos o compromisso de
subscrever todas as emendas que forem produzidas”. Se nós criarmos
dificuldades para obter o número de assinaturas, alguns serão
prejudicados. Então, eu vou pedir, e, se Deus quiser, o Deputado Marcelo
Castro também vai pedir que ele diga: “Por favor, assinem todas. Depois elas
vão se classificadas”. Isso é para que não haja uma barreira, uma vez
que nós queremos cumprir o prazo.
Obrigado, Deputado Henrique Fontana.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo orador.
Com a palavra a Deputada Luiza Erundina. (Pausa.) Cansou de esperar e
saiu.
Com a palavra a ilustre colega Deputada Josi Nunes. São
12h57min.
A SRA. DEPUTADA JOSI
NUNES - Obrigada.
Bom dia a todos! Esta discussão é muito complexa, tanto que cada um
tem uma ideia, cada um tem uma sugestão. Foi exatamente por essa
complexidade que ela passou tanto tempo nesta Casa sem se concretizar um
caminho.
Eu quero aqui usar um pouco da fala em que o Deputado José Fogaça
usa exatamente a palavra que eu gostaria de utilizar. S.Exa. falou antes e
acabou colocando a questão da simplicidade. Eu tenho participado de todas
as discussões. Sou Deputada Federal no primeiro mandato e não participei
das outras grandes discussões que esta Casa realizou com relação à reforma
política, mas estou buscando informações, estudando, participando das
discussões.
Nós vimos a proposta do sistema eleitoral misto, vimos uma outra
proposta do sistema igual ao da Alemanha, que alguns falam que é o ideal.
Depois, vimos a proposta do sistema majoritário, que é o prioritário na
Inglaterra. Nós temos a proposta das 44 entidades, que propõe um processo
de reforma eleitoral em dois turnos. Estamos agora recebendo e ouvindo a
proposta do Deputado do Solidariedade para dividir a eleição do
Legislativo e do Executivo. Então, temos várias
propostas.
Nós também estamos colhendo sugestões para uma proposta com relação
à participação das mulheres. Essa sugestão é muito positiva. Quando dizem
que é cota, não queremos assinar, mas vamos todos assinar, sem analisar o
mérito, por enquanto.
Então, é complexo, mas hoje eu fiquei mais tranquila com essa
proposta da PEC 352, porque ela simplifica. Nós não vamos conseguir fazer
a reforma ideal de uma vez. É necessário um processo. A cada tempo, nós
vamos ter que aprimorar. Às vezes, não adianta nós tentarmos um processo
ideal, que deu certo em outros lugares, mas que não corresponde a nossa
cultura ou que seja mais difícil para os Deputados e para o povo.
Na minha avaliação, utilizar um sistema em que você tem que ter
duas eleições, dois turnos, voto em lista fechada, voto de uma parte em
lista aberta, particularmente, eu acho que é complicar o processo. Eu vejo
que essa proposta é simples e avança em relação à proposta original. Sou
favorável, sim, a esse modelo tradicional, mas temos que corrigir as
distorções que estamos vendo acontecer ao longo do tempo.
Há alguns itens aqui, como o voto facultativo — eu já sou a favor
do voto obrigatório. Então, temos alguns temas, mas acredito que a
síntese, o conjunto é a proposta viável. Assim vai ser muito mais fácil
nós sensibilizarmos os Parlamentares e a nossa comunidade. Vai ser fácil o
povo entender e fazer essa transição. Eu fiquei mais tranquila com essa
proposta.
Agora, entendo que, se colocarmos todos os itens numa só proposta,
nós vamos ter problemas. O correto é fatiar mesmo. Eu acho que o
encaminhamento depois é pegar item por item, tirar o consenso e levar para
o plenário, é fatiar, porque, assim, nós poderemos avançar naquilo que é
consensual e trabalhar mais, discutir mais aquilo que ainda não
conseguimos elaborar, que é a questão do financiamento, o grande problema
que nós temos.
Eu vejo que a proposta é ideal, ela transfere para uma lei que vai
especificar e aprofundar esse assunto e avançar naquilo que é
consensual.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Vamos por partes, como ensinou Jack, o Estripador. (Risos.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Passo a palavra ao nosso companheiro Deputado
Renato Molling.
O SR. DEPUTADO RENATO
MOLLING - Sr. Presidente, Deputado Marcelo Castro, Deputado Esperidião
Amin, eu acho que o grande objetivo desta reforma é melhorar a
credibilidade da política e dos políticos e reduzir os custos de campanha.
A unificação das eleições, com certeza, é importante não só para a
diminuição dos custos de campanha, mas também para ter mais eficiência na
aplicação dos recursos públicos.
Se nós olharmos hoje, há um calote que se está dando na população,
no povo. Antes da campanha, empenham recursos e logo depois da campanha
desempenham, fazem inúmeras promessas e não cumprem absolutamente nada.
Nas eleições de 2 em 2 anos, os recursos não são repassados, as pequenas
empresas quebram, porque não recebem os recursos, obras são paralisadas.
Acredito que a unificação das eleições, com o fim da reeleição e o mandato
de 5 anos, seria uma solução para isso.
Acredito que essa nova proposta que surgiu hoje — eu até não estava
na hora da apresentação do Deputado Marcus Pestana e do Deputado Antonio
Carlos Mendes Thame — corrigiria em grande parte também uma questão que
hoje tira a credibilidade dos políticos de fazer campanha em todo o
Estado. Naquela região em que eu não resido ou não trabalho muito, eu vou
lá, faço todo tipo de promessa e nunca mais apareço por lá, só que aquela
comunidade vai criticar todos os políticos. Por isso, nós novamente somos
tachados de “promete tudo e não cumpre nada”.
Eu gostei muito da fala do Deputado José Fogaça, que fez uma
síntese bem grande. Só não concordo com uma questão: eu acho que hoje está
se querendo colocar que toda origem da corrupção da política é o
financiamento privado. Eu tenho certeza absoluta, tenho a convicção de que
a maior corrupção é de dinheiro público, não é de doações privadas, mas de
dinheiro público. Estão demonizando as empresas, as indústrias. Não que,
daqui a pouco, não se possa ter algum desvirtuamento, mas a maior
corrupção é na área pública. Se nós não diminuirmos o custo de campanha,
vai continuar a corrupção, e todo aquele que entra em campanha quer se
eleger. Então, nós temos que limitar as doações.
Por que nós vamos privilegiar as pessoas físicas? Com certeza, vai
haver interesses também. O cara que vai doar dinheiro vai receber um
cargo, vai receber alguma promessa, alguma bolsa. Vai continuar a mesma
coisa. Então, nós temos que limitar as campanhas. Podem até tirar o cabo
eleitoral oficialmente, mas ele vai trabalhar igual e vai receber dinheiro
de outra maneira.
Nós temos que fazer a unificação das eleições, a divisão para menos
nos Estados, para que tenham uma representação. E, ali, o Deputado que não
trabalhar, na próxima, ele não volta. Ele tem que trabalhar. Então, as
pessoas vão estar mais perto. Temos principalmente de limitar as doações,
e limitar bastante. Se o camarada trabalha, ele não precisa de muito
dinheiro. Não é necessário dinheiro para se eleger.
Então, eu quero parabenizar de novo o Relator pela celeridade. Eu
acredito que dessa vez nós vamos conseguir fazer... O distritão vai
significar muito gasto, e, como disse o Fogaça, vai ser aquilo de um
companheiro jogar pedra no outro. Então, isso não resolve.
Agora, a divisão em circunscrições menores, com certeza,
possibilitará que o camarada fique mais perto da população. Não adianta
prometer aquilo que não vai cumprir, pois na próxima campanha a população
vai cobrar. Hoje, não. Hoje se promete tudo e não se cumpre absolutamente
nada.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo inscrito: Deputado Marcus
Pestana.
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Boa tarde. Eu gostaria de pedir um pouco de atenção. Eu não
vou entrar nas questões de mérito, apenas me basear na experiência
acumulada no grupo de trabalho. O Relator do grupo de trabalho da Comissão
Especial foi o Deputado Henrique Fontana, que está aqui, e o Deputado
Esperidião Amin participou também desse grupo de trabalho.
Na Comissão Especial nós trabalhamos por 2 anos e não votamos o
relatório. No grupo de trabalho nós trabalhamos 4 meses e chegamos a uma
PEC. Então, há uma experiência acumulada. Nós zeramos o placar. Há muitos
Deputados novos. Ninguém é obrigado a carregar essa
herança.
Com base nisso, eu quero falar sobre questões procedimentais,
processos de trabalho. O Deputado Zarattini levantou questões importantes.
É bom compartilhar, principalmente com os novos Deputados. Ao final de
2012, eu e os Deputados Esperidião, Marcelo e Henrique Fontana éramos
ridicularizados em nossas bancadas. O pessoal perguntava assim: “Aonde você está indo?” Nós
respondíamos: “Numa articulação da
reforma política”. Aí já falavam: “Ah! Você ainda está acreditando nisso?
Está perdendo tempo”. Era uma L’Armata Brancaleone, que manteve
a chama acesa e que foi reacendida pelas manifestações de rua de junho de
2013. Por isso foi criado o grupo de trabalho.
Então, pegando a fala do Deputado Zarattini, eu acho que existem
três axiomas fundamentais. Há que se ter um esforço aberto e sincero de
construção de um consenso. Nós precisamos de 309 votos. Não vai haver a
reforma do PSDB, do PT, do PMDB, do PP, do PROS, de nenhum partido. Não há
a menor hipótese.
Há 10 anos o Congresso tenta aprovar uma reforma e não consegue. É
necessária uma construção a partir de um método de trabalho sincero, com
uma abertura de espírito. Foi isso que aconteceu no grupo de trabalho, que
estava decidido a ficar fora dos holofotes, para, em silêncio, tentar
construir um consenso.
Segundo axioma: separar o principal do secundário. Algumas questões
são polêmicas, mas não são essenciais para a democracia brasileira:
coincidência de mandatos, voto obrigatório. Quer dizer, existem questões
que não são o coração do problema. O principal é o sistema político
partidário eleitoral e o financiamento. Esse é o primeiro bloco.
Surgiu uma ideia simples, que acabamos não incorporando à PEC: o
tempo de televisão seria proporcional ao titular e ao vice. Acabamos não
incorporando isso. O Vaccarezza e o Esperidião chegaram à conclusão de que
não seria bom incorporar isso à PEC, mas teríamos uma pequena grande
mudança. Acabaríamos com o mercado de venda de minutos ou segundos de
televisão. Um minuto de televisão em São Paulo e no Rio de Janeiro, às
vezes, vale milhares ou milhões de reais.
Então, é uma mudança que não atinge o coração do problema, mas é um
grande avanço. É preciso haver um esforço coletivo e suprapartidário de
construção de consenso e separar o secundário do principal, o acessório do
principal.
O outro axioma é o pior inimigo do bom: o ótimo. Se não der para
aprovar o ótimo, não vamos paralisar o bom. Então, se não der para
construir o consenso em matérias mais complexas, vamos aperfeiçoar o que
temos.
Então, são degraus progressivos. Aí, eu quero insistir em duas
questões procedimentais. Uma coisa é o conteúdo, outra coisa é a forma, o
processo de deliberação, que vai chegar até o plenário, passando pela CCJ
e por esta Comissão Especial.
Ponto 1: não é uma questão menor. O Marcelo alertou que o ideal
para não haver esquizofrenia é que as lideranças nomeiem os mesmos
membros, para que o trabalho da PEC, das leis complementares e das leis
ordinárias seja todo coerente. Se nós tivermos duas frentes de trabalho,
vai ser uma coisa de doido, vai ser uma esquizofrenia. Não esqueçamos de
que o Senado está começando um esforço fragmentário. O nosso esforço tem
uma visão mais global. O Senado está começando a votar no varejo uma série
de iniciativas que estão lá sem a preocupação com o
todo.
Então, se abrimos duas frentes na Câmara, um grupo de estudo que
pode encaminhar em outro sentido, e esta Comissão Especial da PEC vai para
outra direção, vira uma bagunça, uma anarquia, e nós não vamos chegar a
lugar nenhum. Então, a primeira questão importante é relacionada ao
procedimento.
Outra questão é que o consenso partidário, majoritário, tem que
embutir um acordo de procedimento correto, que temos que fatiar, mas com
consistência. O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Fatiar, e não picotar. O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Pode haver cinco projetos de lei, dois projetos de lei complementares,
duas PECs, mas tudo tem que ser tratado num acordo de procedimento
envolvendo o Presidente da Câmara. Isso tem que ser tratado como um
pacote.
É claro que depois de o Relator aprovar aqui o seu relatório e
derivar disso duas, três PECs ou tantos projetos de lei, podemos colocar
cláusula de desempenho numa, a questão de financiamento em outra, fazer a
PEC avançar. Lembremos que a cláusula de desempenho a Câmara aprovou e o
Supremo derrubou. Por isso, o grupo de trabalho coordenado pelo Vaccarezza
optou por constitucionalizar tudo.
Então, vamos discutir conteúdo para depois ver a forma. O Relator
Marcelo Castro, depois de aprovadas as ideias, o conteúdo, decide se são
duas, três ou uma PEC, duas leis complementares, duas leis ordinárias,
mas, nós temos que fazer um acordo entre os partidos, em que nós, membros
da Comissão, seremos os fiadores, com a concordância do Presidente da
Câmara, para a deliberação ser tratada como um pacote, embora ela seja
fatiada.
Foi o que aconteceu no Senado. Para quem não acompanhou, o Senado,
em 2011, no outro mandato, fez, a toque de caixa, uma Comissão que votou
em 60 dias um projeto de reforma política, que foi desfigurado na CCJ e
começou a tramitar. Não se somava lé com cré. Uma coisa era contraditória
a outra. Algumas coisas são conexas. Por exemplos: só faz sentido o recall no distrital puro. Se for
o distrital puro, também não faz sentido falar em cláusula de desempenho.
Então, para não ser um Frankenstein, nós temos que ter esses
acordos de procedimento e um entendimento político elevado, libertados do
curto prazo, pensando a longo prazo e no sentido do fortalecimento da
democracia brasileira.
Então, eu gostaria de fazer essas observações. Sem avançar nas
minhas opiniões de mérito, eu acho que devemos ter um entendimento
político e procedimental para obter sucesso.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Deputado Marcus Pestana...
Sr. Presidente, eu posso fazer uma pergunta para que o Deputado
Marcus Pestana ajude na minha reflexão?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não.
O
SR. DEPUTADO ORLANDO SILVA -
Deputado Marcus Pestana, eu considerei muito importantes suas observações
no que diz respeito a um acerto de procedimentos para que o trabalho seja
eficiente. Considerando a sua experiência, eu queria que V.Exa. comentasse
— eu sou um novo Parlamentar e, então, estou acompanhando com muito
interesse as manifestações dos mais antigos — o item relativo à cláusula
de desempenho ou cláusula de barreira. Como V.Exa. pode tratar deste
assunto, à luz da decisão de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade —
ADI, do Supremo, que teve como base não o art. 17 da Constituição, que
fixa as atribuições dos partidos políticos,
mas os arts. 1º e 5º, que tratam de cláusulas pétreas? Portanto, não é
passível de uma emenda, conforme a interpretação do conjunto.
Eu queria que o Deputado Marcus Pestana se manifestasse sobre
isso...,
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Deputado Orlando, o pessoal está reclamando
aqui que não foi exatamente uma pergunta. (Risos.)
O
SR. DEPUTADO ORLANDO SILVA -
... para evitar contradição e ineficiência, porque uma eventual ADI
poderia produzir o mesmo resultado. Como V.Exa. observa
isso?
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - O Deputado não está inscrito. Então, vamos
deixar para o Deputado Marcus Pestana responder
depois.
Vamos seguir agora, para ver se chegamos ao final.
Com a palavra o Deputado Henrique
Fontana.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Primeiro, quero cumprimentar o nosso Relator e dizer que,
nesse acordo de procedimentos, ontem ele lavrou uma conquista muito
importante, porque, se nós não constituíssemos aqui, simultaneamente, de
forma gêmea, uma Comissão que pudesse votar lei infraconstitucional e lei
constitucional, nós não iríamos fazer um reforma
política,
mesmo com todo o nosso esforço e nossa
mediação.
Eu, óbvio, me dediquei muito a pensar uma forma justa e segura de
garantir um processo de votação, porque eu posso perder ou ganhar na
democracia. Os meus argumentos podem ser majoritários ou minoritários. Mas
o que mais assalta qualquer Parlamentar, ou seja, qualquer um de nós, é a
dúvida de que um truque regimental possa colocá-lo numa circunstância
defensiva. E, se ele se sente desconfiado de que um truque regimental pode
ocorrer, ele tende a ir para uma posição defensiva. Quer dizer: “Eu não deixo votar nada”. E isso
aconteceu muitas vezes nos processos de reforma
política.
Por exemplo, alguém diz: “Olha, se
a reforma
política
terminar, vão votar primeiro esta PEC”.
Vou dar aqui um exemplo clássico. Se disserem que a primeira PEC a ser
votada é a do fim da coligação proporcional e se não derem garantias de
que vão votar outras duas ou três PECs e outro projeto de lei, é óbvio que
os partidos pequenos — e os chamo assim momentaneamente — vão bloquear
toda a reforma, porque, para eles, aquilo ali é cláusula das mais
importantes.
Então, há que haver transparência prévia no formato de votação, na
ordem de votação e, por último — sugiro eu —, na garantia de que todas as
peças surgidas da mão do Relator, que vai procurar fazer a melhor síntese,
e não a sua própria opinião, serão votadas. E os partidos terão como fazer
destaques, em número razoável, para poderem disputar temas que lhes
interessam.
Segundo, Sr. Presidente, Sr. Relator, eu faço aqui uma escolha. A
gente fala 5 minutos numa reunião, 5 minutos na outra, 10 minutos na
outra. Eu acho muito positivas as reuniões, porque às vezes a gente traz
muitos convidados eméritos, com muito conhecimento,
e é importante ouvi-los. Só que os Parlamentares têm a larga experiência
da eleição no mundo real. Eles sabem muito das coisas que às vezes a gente
inclusive não pode sustentar publicamente, porque não há prova do
ocorrido.
Por exemplo, quando alguém me diz que, se nós proibirmos ou
retirarmos o financiamento empresarial do processo eleitoral, isto vai
gerar uma disparada de caixa dois, eu digo: Essa pessoa não conhece a
política
brasileira de hoje. Porque, na
realidade, o paraíso do caixa dois é hoje, aqui e agora, no sistema
político atual, o paraíso do abuso do poder
econômico.
O paraíso do caixa dois custa caríssimo para o povo brasileiro, que
às vezes, eu até compreendo, usa a frase: “Mas como é que se vai tirar 1 bilhão
de reais para o financiamento de eleições se esse dinheiro vai fazer falta
no hospital, na escola e na universidade?” Mal sabe a população que,
quando se investir com clareza e republicanismo esse 1 bilhão,
provavelmente vai se gerar uma economia de 4 bilhões, 5 bilhões, 10
bilhões para os cofres públicos para poder se investir nessas áreas tão
importantes.
Então, eu escolho esses 2 minutos que me restam para falar de
financiamento. Eu, como muitos de nós, já estudei muito: leis, alterações,
experiências de vida. A única coisa, na minha opinião, que efetivamente,
Deputado Afonso Hamm, Deputado Afonso Motta, pode diminuir o custo de
campanha é um teto definido para cada nível de eleição e que tenha que ser
duramente respeitado por todos os competidores. Alguém diz: “Tu votas o teto e o Deputado que quer
respeitar vai ser suplantado por aquele que vai cometer o crime de gastar
caixa dois e duplicar o valor da campanha que ele faz”.
Então,
quando vier a regra do teto, tem que vir uma regra dura, clara e firme,
que dê segurança jurídica e política, se me permitem a mistura das duas
coisas, para que os competidores sintam que, com a regra, eles têm a
chance efetiva de ganhar uma eleição e que aquele que a descumprir tem
grande chance de ser fortemente punido. A virtuosidade não é uma
característica do ser humano por natureza. Para isso surgiu o mundo das
leis, que, ao longo da história, foram se aperfeiçoando para coagir, se me
permitem a palavra, o ser humano a respeitar, para
constranger.
Às vezes se ouve muito a fala: “Mas nos países mais
desenvolvidos...” Aí tu chegas lá e há multa se fizer isso, multa se
fizer aquilo. Ou seja, tem que haver uma regra clara. Eu, por exemplo, sou
a favor de que haja o teto de gastos. É o que eu defendo, porque não
adianta proibir o outdoor e o
marqueteiro inventar um outro jeito: lançar um balão no ar, colocar um
avião voando com uma faixa. Ou seja, proibir itens da campanha não a
barateia; reduzir o espaço geográfico pode ser um incentivo, mas não
barateia a campanha, porque a pessoa pode fazer uma campanha riquíssima
dentro de um Distrito ou uma campanha riquíssima dentro do Estado
inteiro.
Então, na minha opinião, tem que haver o teto. E tem que haver a
criminalização do caixa dois se ele for utilizado para suplantar este
teto.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Permita-me um aparte, só para contribuir, Deputado Henrique
Fontana.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Pois não, com certeza.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Deputado Henrique Fontana, eu também concordo. Nós temos que ter a
capacidade de colocar esses mecanismos de fiscalização, porque na medida
em que nós temos um dimensionamento — eu já fiz uma menção dentro desta
linha e quero aqui colaborar — com limites, naturalmente nós vamos ter um
tamanho de dimensionamento de campanha.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Um critério para fiscalizar.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Exatamente.
O SR. DEPUTADO HENRIQUE
FONTANA - Exatamente.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Então a fiscalização fica facilitada a partir disto, com a
criminalização, a responsabilização, porque aí a denúncia de um cidadão
pode levar exatamente alguém a perder o...
O SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Porque hoje — sejamos claros, Deputado Afonso Hamm — a Justiça Eleitoral
não tem como fiscalizar o abuso do poder econômico, Deputado Chico
Alencar. Ela fica fiscalizando notas, o que foi feito, o que não foi
feito, mas o abuso do poder econômico é praticamente impossível de se
fiscalizar hoje porque não há parâmetro.
Alguém pode legalmente fazer uma campanha de 2 milhões, 3 milhões,
5 milhões, 10 milhões. Nós temos campanhas de valores diferenciados, então
nós temos que criar um critério, baratear as
campanhas.
E sobre a segunda questão, todo mundo aqui está a fim de transigir
em suas posições para sair do sistema atual: é o Relator, é o Presidente,
somos todos nós Deputados. Ninguém vai aprovar a sua reforma
aqui.
Eu tenho convicção da defesa do financiamento público exclusivo e a
farei sempre. Eu entendo que é possível haver uma mediação em que se
retirem as empresas do financiamento da eleição e de partidos políticos.
Em qualquer período. Não é só retirar da eleição. A empresa não pode
financiar, em momento algum, a política brasileira.
Se se abre um financiamento de valor reduzido, impede-se, portanto,
o abuso do poder econômico. No projeto da Ordem dos Advogados do Brasil —
OAB e da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil — CNBB, fala-se em 700
reais por pessoa física. Aí, lógico, uma pessoa que tiver, por exemplo, 1
milhão de reais de dinheiro próprio para colocar numa campanha não poderá
colocar. Ele só poderá colocar os 700 reais.
Esse financiamento de pessoa física, Relator, resolve um dilema que
sempre me cobram quando eu defendo o financiamento público exclusivo, e
vou continuar defendendo. Com o tempo de televisão também é assim. O tempo
de televisão é maior para os partidos que têm mais votos. Portanto, o
senhor da decisão é o eleitor.
Esse sistema com financiamento de pessoa física permite que a
pessoa física contribua até chegar a esse mesmo teto. Então, por exemplo:
o candidato a Governador de um partido que tenha mais votos na eleição
anterior tem, portanto, um teto maior de financiamento de recurso público,
mas o outro candidato a Governador pode chegar nesse mesmo teto com
contribuições de pessoas físicas. E esse, que já está no teto, não pode ir
além. Pelo menos é a regra que eu defendo para, de fato, se baratear a
campanha e sairmos desse debate — é a minha última frase, meu Relator —,
sairmos desse debate e de acusações mútuas. Como disse o Deputado José
Fogaça: “a Geni”.
Nós podemos continuar mais 50 anos na política brasileira fazendo
luta política com o tema da corrupção. Eu acuso o partido A, o partido A
acusa o meu partido. O Governo A acusa o Governo B, o Governo B acusa o
Governo C. E de todos os escândalos de corrupção que eu, pelo menos,
estudei ao longo dos últimos 30 anos no Brasil, 90% deles têm relação com
o financiamento eleitoral.
Então, se não é verdade que o financiamento eleitoral é a única
causa da corrupção — óbvio que não é, há muitas causas —, é verdade que o
financiamento eleitoral é uma grande causa de escândalos de corrupção no
nosso País e em qualquer país do mundo. Não é só no Brasil, é em todos os
países do mundo.
Então, vamos corrigir isso e outras coisas. Nós estamos aqui
reunidos com esforço, acreditando que vamos vencer. Eu sou otimista. Não é
porque faz 20 anos que não se vota a reforma política... A crise bateu no
teto. Criminalizar o partido A, o partido B, o colega A, o colega B, leva
a uma única consequência: a criminalização inteira da política. E a
criminalização da política é a criminalização do voto do eleitor, é a
criminalização da democracia e, portanto, é facilitar que o poder
econômico exerça aquilo que deve ser o poder político que emana do voto da
população.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Bom, vamos ao próximo inscrito, o Deputado
José Carlos. (Pausa.)
Não está presente.
Concedo a palavra ao Deputado Afonso Motta.
O SR. DEPUTADO AFONSO MOTTA
- Eminente Relator, Deputado Marcelo, meu amigo, em particular —
registro o nosso reconhecimento pelo trabalho apresentado —, Deputado
Esperidião Amin, colegas Parlamentares, eu quero registrar, primeiro, uma
preocupação com relação à simplificação eleitoral.
É claro que me somo àqueles que estão entendendo que os
procedimentos, a celeridade, os prazos são fundamentais — e realmente são
fundamentais —, mas quero me valer de um enunciado não tão rigoroso quanto
o do Deputado Marcelo Castro, mas de um enunciado de que nós estamos
diante do esgotamento do atual sistema político nacional — esgotamento do
atual sistema político nacional.
O que é esse sistema de hoje? O sistema, nós todos sabemos, é o
presidencialista, de coalizão e fragmentado, multipartidário. Ora, é pouco
crível que nós saiamos da melhor das reformas com um sistema, nos seus
pressupostos, diferente deste.
Então, eu acredito que, a par de toda a regulação política,
eleitoral, nós tenhamos que dar uma resposta — e essa resposta é
fundamento para a reforma —, para a governabilidade, porque, se nós não
dermos uma reposta para a governabilidade, nós vamos ter um debate, como
tivemos ontem, sobre o achacamento. E essa resposta para a governabilidade
passa — nós comentamos um pouco isso aqui — pelo o quê? Não pela garantia
da maioria, mas por como aqueles que conquistarem o poder vão governar com
as garantias mínimas. Eu
acho que, a par dessa regulação mais particular, nós temos de construir um
conjunto de regulamentos que permita a governabilidade. Se esses
instrumentos são constituídos fora do processo eleitoral, consequência do
processo eleitoral, eu acho que esse ponto talvez seja a resposta ao que
nós estamos dizendo, ao que a sociedade está dizendo, que é o esgotamento
do atual sistema. E os pressupostos são presidencialismo, coalizão e
multipartidário, fragmentação. Que respostas poderemos ter, partindo do
princípio de que esses pressupostos vão estar presentes, largamente,
dentro do sistema que nós vamos, no futuro, operar? Então, eu acho que
este é um ponto fundamental.
Queria também fazer um registro sobre financiamento público
que eu acho que pode contribuir muito para o nosso debate, sem fazer ainda
qualquer análise de mérito. Nós poderemos — ainda não há isso de forma
efetiva — ter uma destinação de recursos de mais de 1 bilhão de reais para
o fundo partidário. Hoje nós estamos superando 350 milhões de fundo
partidário. Ora, eu acho que é muito importante nós incorporarmos ao
debate realmente a distribuição desses valores na atualidade: os
critérios, quanto cada partido está recebendo, a transparência e a
destinação desses recursos. Eu acho que, como nós estamos diante de uma
realidade — de certa forma é um financiamento público —, nós precisaríamos
ter essa realidade incorporada aqui na Comissão. Isso é uma realidade.
Há também a realidade do uso do tempo do horário gratuito de
televisão, porque há um custo, um critério de distribuição. Nós até
estamos defendendo que, vencidas as cláusulas de desempenho, haja uma
reconsideração com relação à utilização do horário gratuito de televisão.
Achamos fundamental que esses elementos venham para a nossa Comissão como
instrumentos para uma avaliação do financiamento, porque eu acho que nós
corremos um grande risco em aprovar o financiamento público de campanha,
seja ele apenas público, seja ele misto, sem fazermos uma avaliação dos
recursos de que já dispomos na atualidade.
Eu também acho que o pressuposto da redução de custos da campanha
eleitoral tem que ser acompanhado do conceito de igualdade. É redução dos
custos com igualdade. É por isso que eu estou com esse espírito de
mediação com relação à igualdade, seja qual for o sistema, mesmo que ele
seja misto. A própria declaração de que é vedada a contribuição por parte
das empresas... Vamos
admitir, apenas para argumentar, que seja um sistema misto: o sistema
misto realmente tem que ter limites, não esses limites que estão
estabelecidos neste momento, que são insuficientes, mas eu acredito que —
claro que há certos constrangimentos do ponto de vista de fundamentação
até jurídica — deva haver limite para a doação. Se eventualmente viermos a
ter a continuidade de contribuição das pessoas jurídicas, que essa pessoa
jurídica só possa contribuir com um determinado valor, até um determinado
limite para um candidato. Só assim nós vamos ter igualdade, além da
redução. E
não vamos nos esquecer do candidato que tem mais poder econômico. Hoje, se
nós também não estabelecermos limites para que o candidato contribua com a
sua campanha, isto vai trazer desigualdade, porque o candidato com mais
poder econômico vai ficar desigual se ele puder colocar recursos com as
limitações de hoje na campanha, na competição. Então,
acho que isso é um ponto muito importante.
Eu queria também não abrir mão, na mediação, de considerarmos o
sistema misto, com todas as suas dificuldades. Por quê? Porque é pouco
crível que nós não tenhamos que, de certa forma, considerar alguns
critérios. Vejamos. Minorias.
Eu acho que não há retrocesso mais nesse ponto no debate público que está
estabelecido no sistema político nacional. Nós
não temos como deixar de considerar a questão de gênero, seja qual for a
formulação, mas eu acho que nós não vamos ter reconhecimento na nossa
reforma política. Nós não vamos ter condições de desconsiderar os
programas partidários da questão da representação, que é o partido que tem
uma posição, que defende uma determinada inserção. E
há também a questão classista. Ora, a questão classista não é uma questão
restrita a uma categoria. E a bancada ruralista, por exemplo? É uma
bancada classista, de certa forma; não deixa de ser uma bancada classista,
pois defende um segmento, uma política pública direcionada para um
segmento. Eu
acho que a questão da lista... Qual vai ser o distrito? A questão da lista
é a única alternativa que oferece um abrigo para a construção desses
aspectos.
Eu também admito a mediação para avançarmos e estabelecermos
condições para o distritão, mas eu acredito que será uma grande frustração
pública se nós não avançarmos nessas questões que estão na pauta, que
estão no debate, que vão ser muito importantes no
debate.
E, por último, eu acho que nós precisaríamos realmente incluir no
nosso debate a questão da democracia direta, pelo menos a questão do
referendo, que é aquilo que, nas formulações, se aproxima mais de
democracia direta nesse tipo de matéria. Eu também acredito que a questão
do referendo popular para nossas proposições pode ser uma boa
saída.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pois não. Quero chamar a atenção dos
colegas que ainda faltam aqui seis oradores e quero ver se a gente encerra
até às 14h. Então, eu gostaria de pedir que os oradores falassem mais
rápido, porque, às 13h50min, temos que encerrar a participação dos
oradores para podermos comentar e responder as questões que foram
levantadas aqui, e, às 14h, findar os nossos
trabalhos.
Com a palavra o Deputado Tadeu Alencar.
O SR. DEPUTADO TADEU
ALENCAR - Sr. Presidente, obrigado. Serei muito breve. Eu venho
observando aqui, desde a primeira reunião da Comissão, que os objetivos da
reforma política, na visão de todos os Parlamentares que têm se
manifestado, além das entidades que têm sido ouvidas aqui no plenário da
Comissão, são relativamente os mesmos: a diminuição da influência do poder
econômico, o fortalecimento dos partidos, a questão da sub-representação
de gênero e de ditas minorias, a questão de aproximar a sociedade de seus
representantes. Em suma, são questões que giram em torno desses
elementos.
As fórmulas para resolver esses problemas parecem diferentes e são
diferentes. Eu acho que o Senador e hoje Deputado José Fogaça falou muito
bem da busca da simplicidade. O problema é que essa busca da simplicidade,
Deputado, é complexa. O meu partido, o PSB, que fez isso na campanha
eleitoral de 2014, defendeu alguns pontos, um deles foi a unificação do
calendário eleitoral. O
Brasil não aguenta, a cada 2 anos, uma eleição, com o custo altíssimo das
campanhas, interrompendo a atividade da administração pública, que se vê
paralisada, muitas vezes, por questões formais — porque há uma interrupção
do repasse dos recursos voluntários da União para os Estados, de Estados
para Municípios — e até mesmo pelo envolvimento das máquinas da
administração, o que é lamentável. A gente sabe que, razoavelmente, isso é
uma realidade no Brasil. Então,
a defesa dessa unificação do calendário eleitoral, com mandato de 5 anos
sem reeleição para os cargos executivos, é algo que o PSB vem defendendo e
que eu vejo, também, fazer parte do ideário programático de outros
partidos.
Mas isso traz alguns problemas. Quando se tem mandato de 4 anos,
mandato de 8 anos para o Senado e eleição de 2 em 2 anos, a transição para
que haja essa unificação vai levar ao aumento ou à diminuição desses
mandatos. São questões muito complexas.
Sei que há a proposição de um mandato tampão para Prefeitos e
Vereadores, o que resolveria — se fosse de 4 anos seria mais fácil — o
problema do intervalo para haver eleições gerais a partir de 2018. Mas,
como defendemos o mandato de 5 anos, pois entendemos que o tempo de 4 anos
é curto para quem tem a responsabilidade de responder aos compromissos com
a sociedade, isso traz uma série de questões. Nós estamos apresentando
duas medidas para resolver isso, mas é algo que precisaríamos discutir
aqui.
Acho, como muitos que me antecederam já disseram, a proibição de
coligações para as eleições proporcionais fundamental. Não é possível
conviver com essa realidade que de fato faz com que legendas de aluguel —
e são muitas — sirvam a objetivos que não sejam nem republicanos nem
democráticos. De modo que entendemos a proibição dessas coligações como
fundamental nessa reforma política.
Além de afirmar mais uma vez a crença no financiamento público,
quero registrar que filosoficamente nós entendemos ser este o melhor
sistema. E quero me associar às palavras do Deputado Henrique Fontana no
sentido de que, no mundo inteiro, o financiamento privado, empresarial
especialmente, está ligado à corrupção. Não é o único fator de corrupção,
mas certamente é um dos muitos influentes na corrupção
brasileira.
Mas o que é grave mesmo não é o financiamento empresarial, é o
caixa dois. Isto acontece com o financiamento público e com o
financiamento privado, de modo que a instituição do modelo proposto aqui,
que é inclusive o que o PSB defende, de financiamento público com admissão
de doação de pessoa física, tem que ser acompanhado de limites e de
controles, sob pena de a instituição desse regime terminar não atingindo
os objetivos que se pretende.
Além disso, a gente defende também a manutenção do sistema
proporcional. Quero discordar de alguns que defendem aqui a chamada
verdade eleitoral ou distritão, por entender que este sistema enfraquece
ao invés de fortalecer os partidos, gerando essa guerra fratricida que foi
referida aqui por muitos.
Por fim, Sr. Presidente, quero apenas esclarecer um questionamento.
Foi dito aqui, e acho que é razoável, que propostas deveriam ser fatiadas
para que fossem votadas de modo a receber aprovação daqueles que concordam
com um instituto e discordam de outro, permitindo essa convergência.
Evidentemente que não se pode picotar a reforma, sob pena de se gerar o
Frankenstein que foi dito aqui pelo Deputado Marcus Pestana. Mas, existem
questões de natureza e sede constitucional e existem questões que são da
legislação infraconstitucional. Eu
pergunto se as questões regulamentadoras — os projetos de lei complementar
ou de lei ordinária que vão regulamentar as medidas com sede
constitucional — seriam tratadas na segunda Comissão, que deve ser
constituída com os mesmos membros, ou se esta Comissão apenas vai tratar
das questões que têm efetivamente natureza infraconstitucional, sem se
debruçar sobre as questões que regulamentarão os dispositivos
constitucionais da reforma.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Vamos ao próximo inscrito, o Deputado
Padre João.
Eu alerto mais uma vez aos companheiros que o nosso prazo está
findando e que, se não acelerarem, uma parte vai ficar sem
falar.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Sr. Presidente, quero fazer uma sugestão de encaminhamento. Em
respeito a todos os colegas, a lista remanescente ao final do prazo
poderia abrir a próxima reunião de debate. Eu considero que essa seria uma
forma de respeitar...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Perfeito.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Independente do que seja o próximo
assunto.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Está aceita a sugestão de V.Exa.,
Deputado. Deputado
Padre João está com a palavra.
O SR. DEPUTADO PADRE JOÃO
- Parece-me que cresce o entendimento sobre o grande risco que é o
financiamento empresarial. E, agora, qual é o meu temor? A doação física
também. Se não houver um teto... Temos que ter dois tetos, o teto para a
pessoa física e o teto para cada candidatura. Isso amarra. Nós não temos
como fechar tudo.
A Lei nº 9.840 moralizou um pouco essa questão da compra de votos,
mas ainda há aqueles, que já foram citados aqui, que contratam, nos
últimos 15 dias antes das eleições, mil cabos eleitorais. São 500 salários
mínimos! E nem obriga, só amarra aquela família ali. Então, é uma compra
de voto disfarçada. Por isso, tem que haver um teto. Por
quê?
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Deputado Padre João, só quero pedir ao senhor que depois leia o
§ 7º do art. 45 do avulso que foi distribuído.
O SR. DEPUTADO PADRE JOÃO
- Está ótimo! Esse tem que ser o caminho, senão o Esperidião Amin lá,
o empresário, vai soltar o dinheiro para os fiéis dele, dos jesuítas, e aí
domina tudo, não tem jeito! (Risos.) É
brincadeira!
Na outra questão, nós vamos conflitar um pouco. Eu acho que vai
haver uma esquizofrenia em relação aos entes da Federação, quando a gente
trabalha o aspecto da circunscrição. Para nós, Deputados Federais, já
temos como que um distritão, que é cada Estado. Nós somos Deputados
Federais, nacionais, nós temos que nos preocupar de fato com o Brasil, com
o todo. Nesse sentido, você, de um lado, causa uma proximidade
territorial, uma proximidade física, mas distancia do aspecto temático. Se
a natureza do Poder Legislativo é legislar e fiscalizar, a lei não é para
aquela circunscrição, a lei não é para aquele distritão. Então, eu acho
que isso fragiliza a natureza do Poder Legislativo, embora aproxime
fisicamente.
Eu vou dar, Relator, um testemunho claro aqui — o Deputado Marcus
Pestana também conhece o nosso trabalho. Em Minas Gerais, são 853
Municípios, e eu tive voto em 776 Municípios. Eu consigo acompanhar quase
quinhentos Municípios, porque tenho um trabalho temático claro: a
agricultura familiar, os movimentos sociais, o MST, os atingidos por
barragens, os servidores do Tribunal de Justiça, os trabalhadores e
trabalhadoras na educação. Eles estão espalhados no Estado inteiro. Então,
eu tenho um compromisso temático. Não nego as demandas mais geográficas
ali, onde se cria uma relação, mas eu acho que fragiliza a natureza do
poder essa questão da circunscrição.
Nós já temos um compromisso com o Estado, é verdade. Contudo,
embora eu seja Deputado por Minas, já tirei dias para ir lá a Roraima e
sentar-me com os índios. E lá não tenho voto, não tenha nada, mas há um
compromisso com determinadas bandeiras que se dá em âmbito nacional e
também na América Latina. Há os acordos internacionais. Então, não podemos
perder essa dimensão maior.
Essas são as duas grandes preocupações. Acho que fragiliza muito o
Poder Legislativo essa parte da circunscrição. E eu tenho relação, de
fato, direta. Então, acho que depende de cada mandato. Eu tenho um mandato
que, de fato, é coletivo e participativo. Tenho um conselho deliberativo,
que reúno periodicamente. Tenho uma assembleia-geral: são três dias de
plenário, uma vez por ano, com mais de trezentas lideranças. E é
deliberativa. Então, tenho essa convicção. Há o Regimento Interno do
mandato. Há, de fato, uma participação popular. Acho que tudo depende
também de o Parlamentar provocar sempre essa participação. E acho que essa
questão fragiliza muito.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Passo a palavra agora à nossa Deputada
Renata Abreu.
A SRA. DEPUTADA RENATA
ABREU - Boa tarde a todos!
Presidente, eu queria sugerir que nestas Comissões, se possível,
tomássemos alguns temas de maior importância e restringíssemos o debate a
estes temas. Acho que isso seria muito produtivo, pelo menos para
avançarmos em algumas questões. Por exemplo, eu mesma tinha uma opinião
sobre o sistema eleitoral, e, ouvindo os colegas — e acho
superinteressantes estes debates —, comecei a ver outro ponto de
vista.
Eu queria tocar em um ponto sobre o qual que o senhor falou, a
questão dos partidos políticos. Concordo plenamente, e falo isso como
Vice-Presidente Nacional do partido e Presidente Estadual de um partido
pequeno. Realmente, o nosso eleitor, os nossos cidadãos não têm tido
afinidade com os partidos políticos. Acho que a gente precisa não só
repensar e se recolocar, mas também lutar muito, como eu disse outro dia
para Excelência, pela educação política do nosso povo. As lideranças
antigas do País estão morrendo, as novas não estão nascendo. Enquanto a
gente não estimular a vontade política do nosso povo, cada vez vai ficar
mais difícil a afinidade com qualquer partido
político.
Eu mesma, que tenho história no PTN, não entendo e não me
identifico com a sigla. Um é o Partido Trabalhista Nacional, o outro é o
Partido Trabalhista Brasileiro. Talvez o trabalhismo tivesse muito sentido
na época de Getúlio, mas hoje nós precisamos repensar até mesmo as nossas
bandeiras.
Eu quero aqui assinalar um ponto específico na questão do sistema
eleitoral. Eu defendia um, e estou repensando na direção de outro, o
próprio “distritão”. Eu ouvi algumas coisas interessantes, que o próprio
Deputado falou. A princípio, você pensa que vai acabar com os partidos.
Mas, por outro lado, eu, como dirigente partidária, penso o seguinte: se o
candidato não vai escolher um partido que seja mais conveniente para a
eleição dele, talvez ele escolha por afinidade com o dirigente, por
afinidade com a sigla, por afinidade com o trabalho. Então, talvez, a
bandeira política do partido possa ter efetivamente uma força maior. É
outro ponto de vista — não que o meu esteja certo! Acho que o objetivo
dessas nossas reuniões é justamente dar outro ponto de
vista.
Também entendo que nós teríamos menos candidatos e efetivamente a
população poderia explorar mais cada candidato. Dentro do meu partido
mesmo, nós temos que montar uma chapa gigante, muitas vezes com tantos
candidatos, que fica difícil darmos tempo de televisão. Só se consegue
falar nome e número. Talvez, com menos candidatos, eles tivessem a
possibilidade de falar melhor de suas bandeiras e o povo conheceria melhor
em quem está votando. Então, eu vi uma outra vantagem nesse
princípio.
Em relação à regionalização, que seria outro ponto, quando eu
passei a estudar realmente a base dos Deputados, eu vi que a maioria tem,
sim, essa questão já regionalizada. O Vereador está ali para representar o
Município. O Deputado Federal tem a amplitude maior, sim, discutindo
questões de âmbito nacional. Então, eu comecei a ver algumas coisas que eu
não via.
E eu acho que hoje, por não terem uma afinidade com a sigla, os
nossos cidadãos acabam votando na pessoa. Isso é fato. A gente não pode
fechar os olhos para isso. A gente quer fortalecer os partidos políticos,
temos que fortalecê-los, mas temos que considerar o cenário nacional de
hoje. Forçamos o cidadão que não gosta da política, que odeia a política,
a votar em um partido sem que repensemos alguns pontos de base? Eu acho
que não é por isto que a população está clamando.
Quando você fala do distritão para o povo — e eu estou fazendo
algumas reuniões em São Paulo —, nota-se que é realmente um sistema
simples. Eles acham justo, porque não votam em partido mais: eles votam em
pessoas. Setenta e um por cento não têm identidade com os
partidos.
Será que a gente tem que forçar, goela abaixo, um sistema que nós,
como dirigentes partidários, como representantes de partidos políticos,
entendemos que seria melhor para o Brasil — e eu concordo, acho que o
sistema proporcional é maravilhoso quando os partidos políticos têm
realmente essa diferenciação —, ou será que a gente tem que neste momento
atender ao anseio da nossa população e, num segundo momento, lutar
realmente por uma educação política, para, aí sim, buscar fortalecer essas
siglas partidárias?
Eu vou me estender somente neste ponto. Eu gostaria, nas próximas
reuniões de falar um pouquinho na cláusula de barreira — e todos sabem do
meu empenho aqui — para dar um ponto de vista diferente para vocês. E
quero já dizer que a gente tem opiniões divergentes, mas a democracia é
justamente isto: a gente pode não concordar com o que o outro diz, mas
temos que lutar para que ele tenha o direito de dizer. E não podemos sair
daqui com raiva de alguém, só porque ele pensa diferente de nós. Eu acho
que o debate é muito importante. Eu mesma mudei minhas posições, ouvindo
os argumentos dos colegas.
Então, eu queria deixar aqui a minha opinião sobre o sistema
eleitoral. E avento a possibilidade de restringirmos os temas, para
ouvirmos os argumentos sobre cada um, o que seria muito
produtivo.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Com a palavra o Deputado Orlando
Silva.
O SR. DEPUTADO ORLANDO
SILVA - Sr. Presidente, na ausência do diálogo que eu tinha sugerido
para esclarecer as minhas ideias, eu vou sustentar aqui uma preocupação: a
abertura para debater qualquer hipótese de sistema eleitoral e sistema
partidário deve ser um fundamento para que nós possamos levar a Comissão a
bom termo. Considero que a condução que o Relator tem dado ao debate, até
quando fez a provocação inicial, na abertura dos trabalhos desta Comissão,
está sendo muito importante para que nós possamos desarmar os espíritos.
Nós do PCdoB acreditamos que, ao final desta Comissão, nós poderemos
chegar, sim, a bom termo, porque a reforma política é uma necessidade.
Recordo-me que em muitos debates, em muitas cidades que visitei,
questionava-se qual era a prioridade. Muitas vezes, minha resposta era: “Fazer uma reforma política que
aproxime o cidadão da política, que legitime os partidos, que fortaleça a
democracia”. Portanto, a resultante desse esforço seguramente será uma
resultante muito positiva.
Mas quero falar, Sr. Presidente, apenas de um tema que considero
chave, para que nós possamos realizar uma reforma política verdadeiramente
democrática: refiro-me à questão do art. 3º, salvo engano, da PEC 352, que
versa sobre a cláusula de desempenho ou a cláusula de barreira. Considero
que essa é uma medida restritiva da atividade democrática do
Brasil.
E considero que, como me referi ao julgamento da ADIN pelo Supremo
Tribunal Federal, podemos criar mesmo uma crise, um mal-estar com a Corte
Constitucional do País, eu insisto. A Ação Direta de Inconstitucionalidade
que questionou a constitucionalidade da lei aprovada aqui no Congresso
fundamentou-se não no art. 17 da Constituição, artigo que fala sobre a
atividade dos partidos políticos, mas fundamentou-se no art. 1º da
Constituição, que fala sobre os fundamentos da República, e no art. 5º,
que versa sobre os direitos fundamentais. Tanto o art. 1º quanto o art. 5º
são cláusulas pétreas da Constituição do Brasil. Não basta apenas inserir
no texto da Constituição, em alguns dos seus artigos, uma modificação,
para que nós possamos sustentar a constitucionalidade dessa medida.
Portanto, eu considero que o primeiro aspecto a se ver diz respeito à
constitucionalidade da introdução da cláusula de desempenho no sistema
normativo brasileiro.
A segunda observação sobre essa mesma matéria diz respeito à
legitimidade da medida. O Brasil vive o período mais longo da sua história
democrática, apenas 30 anos, pouco mais que uma geração. Quando nós aqui,
na sessão anterior, examinamos o Direito Comparado, analisando democracias
maduras como as da França, da Alemanha, dos Estados Unidos, da Inglaterra,
em que pese haver interstícios, momentos de fechamento de alguns desses
países, notamos que são democracias que se consolidaram ao longo de um
período muito largo, aperfeiçoando o seu funcionamento partidário,
aperfeiçoando o seu funcionamento eleitoral. O Brasil vive essa democracia
há apenas 30 anos.
Portanto, eu reivindico que nós possamos ter, sim, liberdade de
funcionamento Parlamentar, independentemente do desempenho do momento. O
Partido dos Trabalhadores é um dos maiores do Brasil hoje. Na
Constituinte, Senador José Fogaça, qual era mesmo a presença do Partido
dos Trabalhadores? Na primeira Legislatura do PT, o PCdoB assinou a
Constituição. Na primeira Legislatura em que o PT esteve presente, é
possível que tivesse três ou quatro Deputados. Portanto, você impedir que
uma minoria possa converter-se em maioria, com uma restrição desse tipo, é
extremamente antidemocrático.
Aliás, nós deveríamos aprender com os Estados Unidos. Deveríamos
olhar a inspiração dos federalistas, que, quando introduziram a ideia de
cláusulas pétreas, de compromisso pré-constituinte, tinham o sentido de
quê? Havia o sentido de impedir que maiorias de ocasião se impusessem e
restringissem o direito de manifestação e mesmo a existência de
minorias.
Por isso, Sr. Presidente, eu considero importante debater o sistema
eleitoral e debater o sistema partidário. O Deputado Tadeu Alencar foi
muito feliz quando disse que, no diagnóstico, há um grande consenso. Isso
já é uma coisa boa! Quando nós falamos de fortalecer os partidos, reduzir
custos de campanha, aumentar a legitimidade, já uma coisa boa. Há um mesmo
diagnóstico. Temos que estudar e realizar um bom
encaminhamento.
Agora, faço um apelo aos companheiros Deputadas e Deputados: não
impeçamos, não limitemos a plena liberdade de organização. Permitam que
todos funcionem com a expressão eleitoral, com a força que possuem em
função do voto no momento, que pode ser diferente adiante. Essa é a
reivindicação que faço. Considero que é uma infeliz ideia a de impor uma
restrição ao funcionamento parlamentar, ao acesso ao fundo partidário de
TV neste momento.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Concedo a palavra ao penúltimo orador inscrito, o
Deputado Elmar Nascimento.
O SR. DEPUTADO ELMAR
NASCIMENTO - Sr. Relator, Deputado Marcelo Castro, prestei atenção a
todos os pronunciamentos. O grande desafio desta Comissão é ser diferente
das outras, ou seja, avançar. Confesso que fico um pouco dividido entre o
fascínio desta tese nova da circunscrição e o pragmatismo de perceber,
depois de ter ouvido a todos aqui, que vai ser muito difícil construir uma
maioria de 3/5 para levar ao Plenário. Vai ser difícil aqui e muito mais
ainda no Plenário, porque os Deputados não estão participando ativamente
desta discussão. A primeira grande contribuição que
esta Comissão já se poderia dar é trabalhar no sentido inverso: deveria
corrigir uma distorção histórica que existe e desconstitucionalizar uma
série de temas que não deveriam estar na Constituição, até para facilitar
a modernização da legislação eleitoral.
E a Comissão deveria tentar buscar — e aí é importante que funcione
a outra Comissão com os mesmos membros — a correção de uma série de
distorções que agravam a situação e a realidade da política eleitoral
brasileira, com temas com os quais 90% da Casa, acredito, concordam. Cito
como exemplo, primeiro, a coincidência das eleições; segundo, a proibição
de coligações proporcionais; terceira, a proibição de reeleição para o
Executivo. O sujeito se elege hoje Presidente, Govenador ou Prefeito já
pensando na reeleição. Esse é um dos grandes problemas do
País.
E todo mundo fala e todo mundo concorda com a diminuição do custo
de campanha. Devemos partir do pressuposto de que, seja na tese do modelo
atual, seja na tese da circunscrição, nós só vamos conseguir diminuir o
custo de campanha diminuindo a campanha e aplicando a realidade. Se formos
olhar a realidade do que foi a campanha, perceberemos que tivemos campanha
de pouco mais de 30 dias. Fazia-se em junho e julho a conversa com as
lideranças e com as pessoas que nos estavam apoiando nos Municípios novos
onde estávamos entrando, mas efetivamente a campanha na rua aconteceu em
pouco mais de 30 dias. Seja a campanha de televisão, que é o custo maior
de uma campanha majoritária, seja a campanha proporcional, só se vai
reduzir o custo se houver uma diminuição da campanha — o que já existe de
fato.
Outra questão é a fraude, a captação do ilícito, a captação do
sufrágio, o abuso de poder econômico. A gente precisa criminalizar isso.
Nós estamos tratando aqui da corrupção, da corrupção eleitoral. No que diz
respeito à figura do corrupto, a nossa é a única legislação em que não é
punido o corrompido. Você chega ao Nordeste, principalmente nas eleições
municipais, e verifica que há uma verdadeira extorsão, por parte de
determinada parcela do eleitorado, para cima dos candidatos a Vereador aos
quais se tem acesso direto. É bom, é importante que se tenha acesso direto
ao Vereador, mas há uma verdadeira extorsão. E não há nenhum tipo de
punição.
Talvez hoje haja um terceiro turno em todas as eleições
majoritárias — e isso já está caminhando também para as eleições
proporcionais —, com a judicialização do processo eleitoral. Todo mundo
entra com Ação de Investigação Judicial Eleitoral — AIJE, entra com Ação
de Impugnação de Mandato Eletivo — AIME. E o Ministério Público Eleitoral
não trata da questão criminal dessa parte. Quando se entra com ação, com a
AIJE ou com a AIME, se estiver configurado o abuso do poder econômico, tem
que criminalizar. Se houve captação ilícita do sufrágio, houve a figura do
corruptor, que corrompeu, que captou de forma ilícita o sufrágio, e a
figura do que foi corrompido. Há que se criminalizar, para coibir esse
tipo de ação.
Por último, trato da questão do limite financeiro. Fala-se aqui
sobre o financiamento privado de campanha. O principal é proibirmos — e
não fixar limite, não! — qualquer empresa que tenha relação com o Poder
Público de figurar como doador de campanha. É preciso proibir até de forma
indireta, porque isto virou prática: uma empresa transfere para uma
empresa de consultoria, e essa empresa de consultoria transfere depois,
faz doação. Vocês vão ver que a CPI da PETROBRAS vai pegar muita coisa
assim e que a investigação feita pelo Ministério Púbico vai pegar muita
coisa assim. Tem que proibir desde a origem. Trata-se de opção. A empresa
que tem contrato com o poder público, com sociedade de economia mista ou
com empresa pública fica proibida de doar.
Há outra coisa que é mexer em vespeiro. Fala-se em reduzir e
reduzir custos. Isso é bom e importante para todo mundo. Determinados
partidos, vários deles, tem a seguinte fonte estatutária: todo filiado é
obrigado a dar uma contribuição ao partido, com parcela do seu salário. E
no nosso Brasil nós temos milhares e milhares de cargos comissionados, ou
seja, é uma forma de financiamento indireto. A pessoa é nomeada para um
cargo em comissão, uma parcela do salário dela já vai para o partido, e o
partido depois financia a campanha. Isso é um vespeiro! Temos que mexer
nisso, porque isso facilita ao partido dominante ter sempre uma fonte de
receita muito maior, causando um desequilíbrio em relação aos outros
partidos.
Portanto, acho que o principal papel desta Comissão separada é
ajudar, e a ajuda que podemos dar para agora e para o futuro é
desconstitucionalizar, deixar na Constituição apenas o tema que deveria
ser objeto da Constituição, até para facilitar a modernização da
legislação nesta Legislatura e em outras que virão
adiante.
Mas estou satisfeito com o debate. Só quero reiterar a minha
opinião no sentido de que concluamos esta Comissão diferentemente das
outras, a bom termo. Será difícil nós conquistarmos três quintos aqui,
portanto vamos fazer a reforma. Ainda que não seja a reforma ideal, vamos
fazer a reforma possível, tão clamada pela nossa
sociedade.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Concedo a palavra ao último orador,
Deputado Afonso Hamm.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM
- Sr. Presidente, eu gostaria também de contribuir, porque acho que
nós estamos vindo em um crescente. Nós temos tido debates mais abertos,
com convidados.
Eu já havia acompanhado a explanação do Deputado Esperidião Amin,
que lá no Partido Progressista fez uma ampla apresentação, tratando dos
dezesseis itens. Lá tive também a oportunidade de participar de 100% da
audiência. Sempre é difícil nossa presença todo o tempo. Hoje, não
participei do primeiro momento, mas vejo, nesta reunião, que estamos com a
atribuição de fazer exatamente essa primeira proposta e fazer o
alinhamento de vários pensamentos. Isso é um exercício, é o nosso desafio.
Temos prazo. O nosso Relator tem sido sensível no sentido de ouvir a
todos. Vemos várias opiniões. O importante é que — e acho que estamos
evoluindo nisto — a gente abra mão de parte de algumas questões em nome de
um conjunto ou de uma proposta maior.
Acho que o primeiro grande avanço está na questão da viabilização
da transparência da politica brasileira e dos processos eleitorais, porque
o que nós estamos trabalhando é um conjunto de iniciativas neste sentido:
quando nós reduzimos gastos, racionalizamos, damos transparência e
estabelecemos limites, já se está trabalhando no esteio talvez fundamental
— sobre o qual muitos dizem que este modelo está falido — do ponto de
vista arrecadatório, das implicações, da falta de controle, do exagero dos
gastos, dos desvios e de tantos descaminhos que acabam tomando a questão
arrecadatória e os custos de uma campanha.
Aliás, nós estamos fechando questão de que não é mais possível para
os três níveis — em relação ao Governo Federal, à Presidência; no âmbito
do Estado, para Governadores; e na instância dos Municípios, nos
Executivos — a reeleição, porque também se trabalha muito com muitos
valores, trabalha-se com a força em relação ao uso da máquina. E se diz
que não é democrático. Também há os exageros nas arrecadações e a questão
de onde vêm os valores.
Há a questão de racionalizar as eleições. A coincidência de
eleições, que vem dentro desse conjunto, também vai trazer uma
racionalização absurda do ponto de vista de resultado positivo para o
País, porque nós vamos eliminar uma eleição e vamos ampliar o período.
Essa é uma tendência que nós estamos vendo. Temos inclusive iniciativa
nesse sentido, vários aqui temos também até emendas nesse sentido. Quem
sabe a coincidência desses mandatos em um período de 5 anos? Isso vai
trazer uma absurda racionalização de gastos. Nós não vamos ter eleição no
meio. Hoje nós temos, a cada 2 anos, uma eleição. Passará a não haver mais
essa eleição a cada 2 anos e haverá um alinhamento eleitoral. Se vamos
fazê-las no mesmo momento, isso tudo é uma discussão que vai ser feita,
mas há um avanço importante em relação a isso.
Para finalizar, trago outro tema, que é estrutural: financiamento
público ou financiamento privado? Estabelecendo os limites, temos aí já o
entendimento de que, se nós jogarmos todo o financiamento público, haja
orçamento! Mesmo que se racionalize, será que a sociedade tem que bancar
todo esse custo?
Portanto, na forma de fundo partidário, já existe. Melhorá-lo, acho
que este é o desafio que nós temos que fazer. Ser democrático como é; ou
permanecer sendo mais democrático possível, na sua plenitude, na
distribuição dos recursos, na utilização estrutural dos partidos, mas
também no apoio para alguns gastos durante a
campanha.
E aí vem a questão do financiamento e de uma proposta em relação à
questão da participação das pessoas, do ponto de vista da pessoa
física.
Eu fiz uma emenda colocando o limite, para haver um balizador, o
limite de um salário mínimo. Assim imaginei, para que haja atualização, o
limite do financiamento do ponto de vista da pessoa física. E também que a
soma desses financiamentos — porque senão você vai fazer uma grande
captação — esteja limitada a 50% da captação. Chegaria ao máximo de 50%.
Os outros 50% vêm do fundo.
E naturalmente, nessa proposição que faço, exclui-se a questão do
financiamento empresarial. E aí não há preocupação nem se a empresa é
pública, nem se é privada. Nós vamos ter que ter a capacidade de mobilizar
pessoas para que elas possam contribuir. Há limites. As campanhas vão
ficar muito menores do ponto de vista de tamanho e do financeiro, fáceis
de acompanhar. E aí cabe ao candidato ou aos candidatos, à sua capacidade,
usando um pouco do horário eleitoral e, naturalmente, usando de forma
limitada os seus recursos próprios, porque estão dentro dos limites
também. Nós vamos ter campanhas com recursos enxutos e, consequentemente,
transparentes.
E haverá credibilidade, porque a credibilidade de um mandato se dá
pela autonomia e isonomia do Parlamentar, da não dependência de empresa,
da não dependência até do ponto de vista da pessoa física, em um número
muito expressivo.
Acho que, para colaborar, fiz essa emenda. Naturalmente, há vários
avanços. O que deu para ver é que nós vamos trabalhar um texto que vai
limitar os gastos públicos de campanha e vai haver uma grande
racionalização.
Nós temos que criar ainda instrumentos de apoio para a
fiscalização, para o monitoramento no período eleitoral. Há as instâncias
de fiscalização, mas nós temos que criar componentes para que a sociedade
e o próprio eleitor possa fazer o acompanhamento. Ele vai ver o tamanho do
dimensionamento de uma eleição. E todos vão estar dentro das mesmas
regras. Hoje, não há uma regra que contemple isonomia de oportunidade para
todos. Se for bem restritiva — e tem que ser —, é ela que vai dar, porque
o tamanho da nossa dimensão política e da nossa representatividade tem que
estar pautado pelo nosso trabalho e pela nossa credibilidade, e por
aqueles que acreditam em nós. Existe o cabo eleitoral remunerado e existe
o cabo eleitoral verdadeiro, aquele que acredita nas propostas. Se nós
queremos — e nós estamos querendo, pois o Brasil, aliás, precisa disto —
essa composição de oportunidade democrática para todos, eu tenho certeza
de que, com essa racionalização, com essa transparência, com essa
fiscalização, nós vamos oferecer um componente de credibilidade à política
e aos políticos, a partir dos avanços na nossa reforma política.
Eram essas as considerações que eu gostaria de
fazer.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Rapidamente, vou tentar responder a alguns
dos questionamentos que foram feitos e algumas coisas que foram
enfatizadas aqui.
Nosso Deputado José Fogaça aqui argumentou que nós devemos procurar
um sistema que traga simplicidade. Acho que isso é fundamental. Aliás,
isso vem em oposição ao
que V.Exa. falou sobre o distritão. Eu vejo no distritão a grande vantagem
da simplicidade de comunicação. Um dos grandes atrativos do distritão é
exatamente isso.
Na linha de reduzir os custos da campanha, como uma diretriz a ser
seguida: aproximar o candidato do seu eleitor, proibir o financiamento de
empresas públicas, limitar as doações e reduzir o tamanho da
circunscrição, para naturalmente reduzir o custo das campanhas. É o que
nós tentamos fazer através da PEC 352.
Bom, foi levantada uma questão sobre como ficaria o Deputado
Estadual na circunscrição, o que o Deputado Esperidião Amin já falou. Eu
inclusive já tenho uma tabela pronta, Deputado José Fogaça, para todos os
Estados do Brasil, que adapta bem o distrito do federal com o estadual, na
circunscrição.
O Deputado Valtenir Pereira critica a questão dos cabos eleitorais.
A Deputada Josi Nunes também está na linha do simplificado do Deputado
Fogaça, também acha que deve ser fatiada a reforma.
O Deputado Renato Molling, também, quase todos: diminuição dos
custos de campanhas, coincidência das eleições, limitação das doações para
pessoas físicas e jurídicas. Quer dizer, ele é a favor do financiamento de
pessoa jurídica, mas com limitação, e é contra o distritão. Parece que o
distritão não faz muito sucesso aqui na Comissão. Agora, lá fora a força é
grande.
O nosso Vice-Presidente Marcus Pestana se pronunciou no sentido de
procurarmos consenso, separarmos o essencial do secundário e aprovarmos
aquilo que é possível. Aliás, sempre que eu me encontro com meu amigo
Ibsen Pinheiro, que participou também conosco aqui de reformas eleitorais,
ele diz que nós devemos nos restringir às propostas que, primeiro,
melhorem o nosso sistema; segundo, que tenham chance de passar. Não
adianta uma proposta maravilhosa que não tenha chance de passar. Nós
estaremos perdendo nosso tempo. O contrário também — proposta que passe,
mas não melhore o sistema — não adianta. Acha também que nós devemos
fatiar a proposta, mas com coerência, para não aprovarmos coisas que sejam
contraditórias.
O Deputado Henrique Fontana está na mesma linha, com a postura de
que nós devemos votar, que a proposta de reforma da qual ele foi Relator
nós não conseguimos votar. Eu acho que é para isso que a democracia
existe: se ganha e se perde, mas é preciso votar. Ficou com receio e
levantou alguma questão sobre truque regimental. Não vejo espaço aqui para
truque regimental; nós vamos fazer tudo às claras, com a melhor das
intenções. Quem ganhar ganhou; quem perder perdeu. Isso é da democracia.
Propõe também o teto de financiamento de campanhas e acha que o
financiamento das campanhas está vinculado à corrupção que existe no País.
Também acho. Nesse sentido, temos que limitar isso, porque sem nenhuma
dúvida esse é um fator de corrupção.
O Deputado Afonso Motta acha que o nosso sistema está inteiramente
esgotado, que para o financiamento partidário tem que haver limite.
Defende também a democracia direta.
O Deputado Tadeu Alencar argumenta que os princípios debatidos da
reforma eleitoral são os mesmos para todos: diminuição dos custos de
campanha, busca da simplicidade, para isso precisamos coincidir as
eleições, proibir reeleição — que é o que propõe também o seu partido, o
PSB —, e mandato de 5 anos. Acha que o financiamento de empresas traz
corrupção. Tem uma preocupação com o caixa dois, que sabemos que existe
com muita frequência, e limita o financiamento a financiamento público e
pessoas físicas. E fala também sobre o sistema eleitoral, mas a gente
tem...
(Intervenção fora do
microfone. Ininteligível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Eu entendo que sim. Nós vamos fazer, dentro
das nossas limitações, uma reforma eleitoral completa. Vamos tratar de
todas as matérias constitucionais e infraconstitucionais.
O nosso Deputado Padre João acha que deve haver um teto para
financiamentos e que a contratação de cabos eleitorais deve ser limitada —
S.Exa. está correto — e, como ele é um Deputado temático, é contra a
diminuição da circunscrição. Não deixa de ter razão, porque, sem nenhuma
dúvida...
(Intervenção fora do
microfone. Ininteligível.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - (Riso.)
É verdade.
A Deputada Renata Abreu acha muito importantes os debates, que as
pessoas podem mudar de ideia, que ela, inclusive, já mudou de acordo com
os debates. E S.Exa. disse que atualmente os Deputados já são
regionalizados. Sem dúvida, mas nós entendemos que, se diminuirmos a
circunscrição, isso vai facilitar a vida de todos.
O Deputado Orlando Silva insiste muito na não aplicação da cláusula
de desempenho. Ele representa o PCdoB, que é um partido histórico, e tem
essa grande preocupação. Eu
tenho conversado com ele e com outros membros do PCdoB e tenho dito que
nós estamos dando uma alternativa, que é a federação partidária. Esses
partidos que têm maior identidade vão ter que se juntar em
federações.
Nós também queremos a implantação da cláusula de barreira, o que
vai depender da Comissão. Mas ela deve, naturalmente, ser implantada
gradativamente, para os partidos e as federações irem se adaptando com o
decorrer do tempo.
O Deputado Elmar Nascimento acha que nós devemos
desconstitucionalizar alguns temas. Essa é uma proposta nova e
interessante! Há algumas matérias que estão na Constituição e que não
teriam necessidade de lá estarem, como, por exemplo, a proibição de
coligações proporcionais. Nós constitucionalizamos para combater a
verticalização que o Supremo fez, mas é uma matéria tipicamente
infraconstitucional, de projeto de lei, que não
teria...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Interessante que a PEC 352 inclusive determina em seu texto —
acho que V.Exa. não estava aqui — que se mande tudo para o mesmo foro de
lei ordinária, mas tem que haver uma imposição constitucional
mandando.
(Intervenção fora do
microfone. Ininteligível.)
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Exato. Mas na Constituição só se determina que seja regulado
por matéria de lei ordinária.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - E também advoga a coincidência das eleições, a
proibição de reeleição, proibição de coligações, enfim, temas sobre os
quais existe certo consenso. Também, na mesma linha, quase que por
unanimidade, defende-se a diminuição dos custos de campanha, o
barateamento das campanhas.
O SR. DEPUTADO ELMAR
NASCIMENTO - (Ininteligível.)
... se não seria possível, na questão municipal, nos Municípios onde
já há existência de segundo turno, talvez ser reduzida a circunscrição.
Porque nós temos a realidade de certos Municípios serem muito maiores que
alguns Estados, como é o caso de São Paulo, quando se compara com Estados
pequenos. Então, naqueles Municípios onde já é realizada uma eleição
majoritária em dois turnos, que também fosse levada a circunscrição para a
eleição proporcional.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Pela PEC 352, os Vereadores ficariam como está
na legislação atual. Mas
acho que V.Exa. poderia propor isso aí, porque, realmente, há Municípios e
Munícipios. Um Município pequeno, de 5 mil habitantes, tem espaço para ser
tratado diferentemente.
Acho que V.Exa. tem razão nesse aspecto. Procure estudar esse
assunto e traga para a gente, com maior poder de convencimento, para a
gente encampar essa ideia. Mas é interessante.
E acha que deve ser criminalizado, também — é outra inovação da sua
palavra aí —, o corrompido, porque a legislação (riso)... O
SR. DEPUTADO ELMAR NASCIMENTO -
É o único lugar do mundo onde o corrompido não paga nada. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - ... e a proibição de empresas que têm contratos com o
Governo.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Ele apenas esticou a cadeia produtiva. Não pode ser direta nem
indiretamente, nem super, nem sob a forma de...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro)
- O Deputado Afonso Hamm vem na mesma linha: de racionalizar,
coincidir as eleições, limitar os financiamentos, inclusive propôs aquela
proposta de um salário mínimo contra o financiamento de
empresa.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Ele focalizou o cluster para ir atrás do dinheiro.
Como diz o Juiz Sérgio Mouro: “Siga o dinheiro”. (Risos.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Marcelo Castro) - Então, hoje, nós tivemos uma reunião longa com a
presença do Deputado Esperidião Amin, que foi o Relator da PEC
352. Quero
explanar aos membros da Comissão a PEC Vaccarezza, que trouxe certa
aversão da sociedade, uma demonização muito grande. Eu acho que nós
cumprimos, hoje, aqui o nosso papel de...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN - Ela não chegou a ser canonizada, mas já está quase terminando o
estágio purgatório. Aliás, já terminou o estágio purgatório, já está na
vida civil. (Riso.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Marcelo Castro) - Então, eu acho que ficou claro aqui para
todos que foi um grupo que se reuniu, que votou, que chegou a uma
conclusão e que trouxe uma proposta para ser levada à sociedade. Há
vantagem e desvantagem. Mas ninguém pode acusar esse grupo de que ele não
agiu com a melhor das intenções de produzir uma peça, uma PEC que, se
fosse aplicada na prática, sem nenhuma dúvida seria uma evolução ao
sistema que nós temos hoje. Parece que está ficando cada vez mais um
consenso aqui na Comissão de que, como está o nosso sistema eleitoral, nós
não podemos continuar. Nós temos que avançar. Se não conseguirmos o ótimo
— o Pestana aqui já disse: “O ótimo
é inimigo do bom” —, temos que fazer alguma coisa que racionalize mais
o nosso sistema eleitoral.
Nós vamos passar vexame se continuarmos com esse sistema. Um País
com 28 partidos representados no Congresso Nacional, se continuar nessa
marcha, dentro de pouco tempo, terá 50 partidos aqui representados no
Congresso Nacional. Isso é uma demonstração da falência do nosso sistema
eleitoral, do nosso sistema partidário, sem nenhuma
dúvida.
Então, vamos encerrar a nossa reunião.
Nada mais havendo a tratar, agradeço a presença de
todos.
Convido todos a participarem das audiências públicas da próxima
terça-feira, 10 de março, às 10h, com a presença do Vice-Procurador-Geral
Eleitoral, Eugênio Aragão; e, às 14h30min, com a presença do Presidente do
TSE, Ministro José Antonio Dias Toffoli.
Está encerrada a presente reunião.
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