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CÂMARA DOS DEPUTADOS |
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER À PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO Nº 344-A, DE 2013, DO SR. MENDONÇA FILHO E OUTROS, QUE "ALTERA O ART. 17 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, CONDICIONANDO O ACESSO DOS PARTIDOS POLÍTICOS AO FUNDO PARTIDÁRIO E AO USO GRATUITO DO RÁDIO E DA TELEVISÃO A PRÉVIA DISPUTA ELEITORAL E À ELEIÇÃO DE REPRESENTANTE PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS OU O SENADO FEDERAL", E APENSADAS
55ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária
ATA DA 1ª REUNIÃO ORDINÁRIA
REALIZADA EM 10 DE FEVEREIRO DE 2015.
Instalação da Comissão e Eleição do Presidente e dos Vice-Presidentes
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Às
quatorze horas e quarenta e seis minutos do dia dez de fevereiro de
dois mil e quinze, no Plenário 01 do Anexo II da Câmara dos
Deputados, reuniram-se os Deputados Afonso Motta, Alceu Moreira,
Antonio Bulhões, Arthur Oliveira Maia, Benito Gama, Carlos
Zarattini, Chico Alencar, Esperidião Amin, Henrique Fontana, Índio
da Costa, Joaquim Passarinho, Leonardo Picciani, Lincoln Portela,
Luciano Ducci, Marcelo Aro, Marcelo Castro, Marcus Pestana, Max
Filho, Milton Monti, Moema Gramacho, Pedro Fernandes, Renata Abreu,
Renato Molling, Rodrigo Maia, Rubens Bueno, Rubens Otoni, Sandro
Alex, Silvio Torres, Tadeu Alencar, Uldurico Junior, Valtenir
Pereira, Veneziano Vital do Rêgo e Victor Mendes - Titulares; e
Afonso Hamm, Bacelar, Capitão Augusto, César Halum, Danilo Forte,
Diego Andrade, Evandro Gussi, Fábio Sousa, Julio Lopes, Lelo
Coimbra, Lucio Vieira Lima, Luiza Erundina, Manoel Junior, Margarida
Salomão, Mendonça Filho, Odorico Monteiro, Orlando Silva, Padre
João, Raquel Muniz, Ronaldo Nogueira, Samuel Moreira e Zé Carlos –
Suplentes. Compareceram também os Deputados Alexandre Baldy, Aluisio
Mendes, André Abdon, Andre Moura, Bruna Furlan, Bruno Covas, Eduardo
Cury, Flavinho, Irmão Lazaro, Izalci, Jefferson Campos, João
Gualberto, Lobbe Neto, Luiz Lauro Filho, Marco Tebaldi, Maria do
Rosário, Mariana Carvalho, Miguel Haddad, Pedro Cunha Lima, Pedro
Vilela, Sérgio Reis, Vanderlei Macris, Vinicius Carvalho, Vitor
Lippi e Weliton Prado, não-membros. Deixaram de comparecer os
Deputados Daniel Almeida e Edmar Arruda. ABERTURA: Havendo número regimental, o
Deputado Sílvio Torres, declarou aberta a reunião convocada para
instalação da Comissão e eleição do Presidente e dos
Vice-Presidentes, esclarecendo que lhe coube a direção dos trabalhos
nos termos do art. 39, § 4º, do Regimento Interno da Câmara dos
Deputados. Passou-se à ORDEM DO DIA: O Presidente
apresentou breve retrospectiva da criação da Comissão
Especial, informando que a Proposta de Emenda à Constituição - PEC
Nº 352, de 2013, apensada à PEC Nº 344/13, foi resultado de um Grupo
de Trabalho instituído em junho de 2013 por decisão do Presidente
Henrique Eduardo Alves, cuja intenção foi de que a Câmara dos
Deputados desse uma resposta política às manifestações de rua
ocorridas à época. Ressaltou a participação dos Deputados Alfredo
Sirkis, Antonio Brito, Daniel Almeida, Esperidião Amin, Guilherme
Campos, Izalci, Júlio Delgado, Leonardo Gadelha, Luciano Castro,
Luiza Erundina, Marcelo Castro, Marcus Pestana, Miro Teixeira,
Ricardo Berzoini, Rodrigo Maia, Rosane Ferreira e Sandro Alex nesse
grupo, que apresentou o resultado de seu trabalho em novembro de
2013, com o texto da PEC 352/2013, que teve a admissibilidade
aprovada neste mês de fevereiro de 2015, pelo Plenário da Câmara dos
Deputados, já sob a Presidência do Deputado Eduardo Cunha. O
Presidente da Reunião concedeu a palavra ao Presidente da Câmara dos
Deputados, Deputado Eduardo Cunha, que ressaltou a importância
política da instalação da presente Comissão, da ampla composição do
seu colegiado e da importância de que os parlamentares ofereçam
emendas à PEC a fim de que todos tenham a possibilidade de
apresentar propostas e de debater amplamente o tema antes da
votação. Solicitou, ainda, celeridade nos trabalhos, tendo em vista
a necessidade de que a nova legislação esteja aprovada em ambas as
Casas e de que seja promulgada até um ano antes das próximas
eleições em 2016. Em seguida, foi concedida a palavra ao Deputado
Danilo Forte que indagou se a Comissão trabalharia a partir do
relatório do Grupo de Trabalho ou de um texto totalmente novo e se
as emendas seriam individuais ou se haveria necessidade de
apoiamento. O Deputado Eduardo Cunha esclareceu que a Comissão
deveria partir dos textos da proposição principal, das apensadas e
das emendas apresentadas, ressaltando ser necessário que as emendas
tenham o apoiamento de 171 Deputados, conforme determina o Regimento
da Casa, explicando que, por isso, solicita que todos assinem as
emendas apresentadas para que várias propostas possam ser
apresentadas e discutidas, propiciando amplo debate sobre o tema.
Com a palavra, o Deputado Esperidião Amin, Relator da PEC 352/13 na
CCJC, manifestou-se a favor que o texto de referência a que a
Comissão deveria se ater seria o da PEC 352/2013, apresentado pelo
Grupo de Trabalho, ressaltando a importância dos itens discutidos na
semana anterior no Plenário, por ocasião da aprovação da sua
admissibilidade. O Deputado também ressaltou a importância da busca
de um acordo e da dificuldade em se tratar de temas como
financiamento de campanha, dentre outros relativos à matéria. A
seguir, fez uso da palavra o Deputado Mendonça Filho, Líder do
Democratas, que indicou o Deputado Rodrigo Maia para a Presidência e
informou que solicitara a apensação da PEC 344/13, de sua autoria, à
PEC 352/13, precedendo aquela, portanto, as discussões em relação ao
tema “Reforma Política”. O Presidente da Reunião leu o Ato de
Constituição e declarou instalada a Comissão e, antes de dar início
ao processo eleitoral, esclareceu que a única indicação recebida
pela Comissão até aquele momento era a do Deputado Rodrigo Maia para
Presidente, representando seu Bloco Parlamentar. Informou ainda que
aguardaria cinco minutos para que novas candidaturas fossem
apresentadas. O Presidente concedeu a palavra ao Deputado Chico
Alencar que indicou o nome da Deputada Luiza Erundina para compor a
Mesa da Comissão. Em seguida, usou da palavra a Deputada Luiza
Erundina, declarando aceitar a indicação proposta pelo Deputado
Chico Alencar. O Presidente esclareceu, no entanto, que conforme
art. 39, §5º do Regimento Interno, que na condição de suplente da
Comissão, a Deputada estaria impedida de se candidatar, sendo
necessário que sua Liderança a indicasse como membro titular da
Comissão. Em seguida, o Presidente concedeu a palavra ao Deputado
Sibá Machado que apresentou a seguinte proposta de chapa, em
conformidade com os blocos partidários estabelecidos para a eleição
da Mesa Diretora da Casa: Deputado Rodrigo Maia para Presidente;
Deputado Rubens Otoni para Primeiro Vice-Presidente; e Deputado
Marcus Pestana para Segundo Vice-Presidente. O Presidente concedeu a
palavra ao Deputado Índio da Costa que indagou de quem seria a
proposta de chapa apresentada pelo Deputado Sibá Machado, tendo em
vista que ele fora indicado pelo Líder do PSD, Deputado Rogério
Rosso, para a Primeira Vice-Presidência da Comissão. Ele acrescentou
ter interesse em contribuir com o Relator, sugerindo que possam ser
designados Sub-Relatores, dividindo-se os temas da proposição, e que
ele abriria mão da disputa para Primeira Vice-Presidência para
trabalhar como Sub-Relator, junto ao Relator a ser indicado. Nos
debates, usaram da palavra os Deputados Adrian, Arthur Oliveira
Maia, Valtenir Pereira e Afonso Hamm, esse último tendo apoiado a
proposta do Deputado Índio Costa de serem designados Sub-Relatores
para a matéria e sugerido o nome do Deputado Esperidião Amin para
compor a Mesa da Comissão. Foi concedida a palavra ao Deputado
Esperidião Amin que agradeceu a indicação, mas declinou do convite.
O Presidente informou que aguardaria mais cinco minutos pela
alteração na indicação da Deputada Luiza Erundina pela Liderança do
PSB antes de dar início à votação. Usaram da palavra os Deputados
André Moura, Lincoln Portela, Benito Gama, Orlando Silva, Moema
Gramacho, Chico Alencar, César Halum e Maria do Rosário. O
Presidente então consultou a Deputada Luiza Erundina se a Comissão
poderia fazer a eleição da terceira Vice-Presidência num outro
momento, em função do tempo já decorrido, com o que concordou a
Deputada. O Presidente passou a palavra ao Deputado Índio da Costa
que confirmou a retirada da sua indicação à primeira
Vice-Presidência, reafirmando sua disposição em ser Sub-Relator da
matéria. Usaram ainda da palavra os Deputados Afonso Hamm e Victor
Mendes. O Presidente informou então os nomes dos candidatos fruto de
acordo: para Presidente, Deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ); para
primeiro Vice-Presidente, Deputado Rubens Otoni (PT/GO); para
segundo Vice-Presidente, Deputado Marcus Pestana (PSDB/MG). Em
seguida, o Presidente orientou os Deputados quanto ao funcionamento
da urna eletrônica, informou que a partir daquele momento eventuais
alterações na composição dos membros da Comissão só seriam
efetivadas após o término do processo e declarou o início da
votação. Votaram os Deputados Afonso Motta, Alceu Moreira, Antonio
Bulhões, Arthur Oliveira Maia, Benito Gama, Carlos Zarattini, Chico
Alencar, Esperidião Amin, Henrique Fontana, Índio da Costa, Joaquim
Passarinho, Lincoln Portela, Marcelo Castro, Marcus Pestana, Max
Filho, Moema Gramacho, Pedro Fernandes, Renata Abreu, Renato
Molling, Rodrigo Maia, Rubens Bueno, Rubens Otoni, Silvio Torres,
Tadeu Alencar, Udurico Junior, Valtenir Pereira, Veneziano Vital e
Victor Mendes - Titulares; e Afonso Hamm, Julio Lopes, Orlando
Silva, Raquel Muniz, Samuel Moreira e Zé Carlos – Suplentes. Às
dezesseis horas e doze minutos, o Presidente encerrou a votação,
cujo quórum foi de trinta e quatro votos, e divulgou o seguinte
resultado: para Presidente: o Deputado Rodrigo Maia, com trinta e
dois votos e dois votos em branco; para Primeiro Vice-Presidente: o
Deputado Rubens Otoni, com trinta e um votos e três votos em branco;
e para Segunda Vice-Presidente: o Deputado Marcus Pestana, com
trinta e três votos e um voto em branco. O Presidente declarou
empossados os eleitos, agradeceu ao Departamento de Comissões,
especialmente ao Diretor Sílvio Avelino presente à reunião, e ao
Centro de Informática pelo desempenho das eleições com o uso do
painel eletrônico. Em seguida, convidou o Deputado Rodrigo Maia a
assumir a presidência da Comissão. O Presidente eleito, nos termos
do art. 41, inciso VI, do Regimento Interno, designou o Deputado
Marcelo Castro (PMDB/PI) Relator da Comissão e o convidou junto com
os Vice-Presidentes eleitos a tomar lugar à Mesa. O Presidente
agradeceu o apoio do Presidente da Casa, do Líder do Democratas e
dos membros da Comissão e enfatizou que buscaria encontrar
convergências para a construção de um caminho que viabilize um
sistema político-eleitoral em que o eleitor se considere bem
representado e com maior participação já a partir das eleições de
2016 e 2018. O Presidente passou a palavra ao Relator que assegurou
fazer uma relatoria neutra, isenta e imparcial e que, na qualidade
de Relator, redigiria aquilo que fosse decidido pelo Colegiado. Em
seguida, fizeram suas considerações os Vice-Presidentes, Deputado
Marcus Pestana e Deputado Rubens Otoni. Também se manifestaram os
Deputados Sandro Alex, Zé Carlos, Afonso Hamm, Henrique Fontana,
Esperidião Amin, Lelo Coimbra, Moema Gramacho, Orlando Silva, Renato
Molling, Raquel Muniz, Joaquim Passarinho, Benito Gama, Tadeu
Alencar, Júlio Lopes, Chico Alencar, Renata Abreu, Padre João,
Odorico Monteiro, Samuel Moreira, Jefferson Campos e Diego Andrade.
O Deputado Tadeu Alencar esclareceu que, como as indicações do PSB
já haviam sido feitas anteriormente, não seria possível fazer a
troca de titularidade da Deputada Luiza Erundina para que a
parlamentar pudesse disputar a terceira Vice-Presidência. Com a
palavra, o Presidente
esclareceu que o prazo inicial para proferir parecer à PEC é de
quarenta sessões ordinárias da Casa, contadas da data da
constituição da Comissão. Informou, também, que o prazo para
apresentação das emendas à PEC é de dez sessões ordinárias que serão
contadas a partir do dia seguinte à instalação, lembrando que o
quórum regimental mínimo exigido para a apresentação das emendas é
de cento e setenta e uma assinaturas de Deputados. O Presidente
convocou reunião ordinária para o dia vinte e quatro de fevereiro,
terça-feira, às quatorze horas e trinta minutos, em Plenário a ser
divulgado oportunamente, para eleição da 3ª Vice-Presidência, para
apresentação da proposta de Roteiro de Trabalho pelo Relator e para
deliberação de requerimentos e passou a presidência dos trabalhos ao
Primeiro Vice-Presidente Rubens Otoni, que concedeu a palavra aos
Deputados Samuel Moreira, Orlando Silva e Jefferson Campos. Nada
mais havendo a tratar, o Presidente encerrou a reunião às dezessete
horas e cinquenta minutos, O inteiro teor foi gravado, passando o
arquivo de áudio correspondente a integrar o acervo documental da
reunião. E, para constar, eu ______________________, Regina
Pereira Games, Secretária, lavrei a presente Ata, que após ter sido
lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, Deputado Rodrigo
Maia ______________________, e publicada no Diário da Câmara dos
Deputados.
x-x-x-x-x-x- DEPARTAMENTO
DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO
DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO
COM REDAÇÃO FINAL Versão
para registro histórico Não
passível de alteração DEPOENTE/CONVIDADO
- QUALIFICAÇÃO SUMÁRIO Instalação
da Comissão Especial e eleição do Presidente e dos
Vice-Presidentes. OBSERVAÇÕES O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Havendo número regimental, declaro aberta a sessão
destinada à instalação da Comissão Especial que vai debater a
reforma política. Na
mesma sessão, já vamos eleger o Presidente, o Vice-Presidente e,
posteriormente, será indicado o Relator. Fazendo
uma breve retrospectiva, esta Comissão Especial é resultado de um
grupo de trabalho instituído em julho de 2003, com a ideia de dar
uma resposta às manifestações de rua no País, ocorridas em junho,
uma resposta política deste Parlamento, por decisão do então
Presidente Henrique Alves. Essa Comissão trabalhou com a
participação de Deputados que eu faço questão de citar: Alfredo
Sirkis, Antonio Brito, Daniel Almeida, Esperidião Amin, Guilherme
Campos, Izalci, Júlio Delgado, Leonardo Gadelha, Luciano Castro,
Luiza Erundina, Marcelo Castro, Marcus Pestana, Miro Teixeira,
Ricardo Berzoini, Rodrigo Maia, Rosane Ferreira e Sandro Alex.
A
Comissão, em novembro de 2013, entregou o resultado do seu trabalho.
Desde então, o resultado do trabalho ficou aguardando
admissibilidade na Comissão de Constituição e Justiça.
Posteriormente, o Presidente eleito Eduardo Cunha remeteu ao
Plenário da Câmara a decisão da admissibilidade da instalação da
Comissão, que foi aprovada pelo Plenário da Câmara, e já hoje
estamos iniciando o processo. Vou
fazer a leitura do ato da Presidência sobre a
instalação: “Nos
termos do § 2º do art. 202 do Regimento Interno e conforme despacho
exarado ao Requerimento nº 164, de 2015, esta Presidência decide
constituir Comissão Especial destinada a proferir parecer à Proposta
de Emenda à Constituição nº 344-A, de 2013, do Sr. Mendonça Filho e
outros, que ‘altera o art. 17 da Constituição Federal, condicionando
o acesso dos partidos políticos ao fundo partidário e ao uso
gratuito do rádio e da televisão a prévia disputa eleitoral e à
eleição de representante para a Câmara dos Deputados ou o Senado
Federal”, e apensadas, e Resolve I
- designar para compô-la, na forma indicada pelas Lideranças, os
Deputados constantes da relação anexa; II
- convocar os membros ora designados para a reunião de instalação e
eleição, a realizar-se no dia 10 de fevereiro, terça-feira, às
14h30min, no Plenário 1 do Anexo II. Brasília,
9 de fevereiro de 2015. Eduardo
Cunha Presidente
da Câmara dos Deputados.” Antes
de passarmos para a próxima etapa, gostaria de dar a palavra ao
nosso Presidente Eduardo Cunha, para fazer a abertura dos nossos
trabalhos de eleição. O
SR. PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (Deputado
Eduardo Cunha) - Prezado Presidente da reunião de instalação,
Deputado Silvio Torres, meus companheiros, senhoras e senhores, este
é um gesto político da maior relevância no início da Legislatura. A
presença maciça dos nossos companheiros na instalação, hoje, desta
Comissão Especial marca definitivamente que esta Casa está começando
a Legislatura querendo votar. É isso o que nós refletimos no
Plenário quando tomamos a decisão de avocar a admissibilidade para o
Plenário, de permitir uma Comissão ampla, com a participação de
praticamente todos os partidos, inclusive os partidos menores, de
modo que fosse uma Comissão plural; e, ao mesmo tempo, permitir a
apensação de outras propostas de emenda à Constituição que visem a
debater assuntos conexos. Também ao mesmo tempo, Presidente Silvio,
estaremos em condição de constituir grupo de trabalho para debate
das propostas infraconstitucionais que possam surgir, quando não for
decisão desta Comissão apreciar sua constitucionalidade.
Vai-se
iniciar, a partir da instalação, da eleição do Presidente e
designação do Relator, o processo de permissão de emendamento, que
tem o prazo regimental de dez sessões. Então, a partir de hoje, são
dez sessões, que deverão se esgotar provavelmente na última semana
de fevereiro, início de março — na primeira semana de março —, com a
possibilidade de apresentação de emendas. E é muito importante que
todos as façam. Todos nós concordamos em colaborar com as
assinaturas, porque cada emenda tem de ter o apoiamento igual ao
apoiamento para emenda constitucional. Então, que as bancadas
possam, por meio de seus Líderes, mesmo que não concordem com os
textos, permitir o debate. Esse
é o compromisso, porque mais importante do que fazer valer a vontade
ou a opinião de um ou outro partido, de um outro Parlamentar, é
permitir que todos tenham a possibilidade de debater aquilo que
pensam e votar. É
muito difícil encontramos um consenso em reforma política. Reforma
política é igual à Seleção Brasileira, todos têm a sua. Se não
formos persistir na busca dos pontos de interseção, jamais sairemos
da mesmice em que estamos. Muito
se falou em tratar de financiamento, em não tratar. Isso não está em
discussão. O que poremos em discussão será tudo: como será feita a
eleição, qual será a forma de eleição, qual será o tempo de
campanha, se teremos ou não coincidência de eleições, se teremos ou
não coligações, se teremos distrital ou distritão, se será lista, se
não será lista. Então, definiremos, primeiro, qual será o processo
eleitoral, para, aí, sim, sabermos qual o tipo de financiamento a
ser definido no processo eleitoral a ser feito.
Então,
teremos amplo debate à frente. A Comissão funcionará durante 10 a 40
sessões. É perfeitamente factível que saia alguma coisa que, se não
for consensuada, expresse a posição da grande maioria. Que possamos
ainda assim permitir... E
para que isso possa ser votado serão necessários 308 votos, em dois
turnos no plenário. Então, quanto mais apoiamento e menos
dificuldade, mais fácil será implementarmos isso.
Lembramos
que haverá eleições em 2016. Se uma proposta não estiver válida na
Câmara e no Senado Federal e promulgada até 1 ano antes do pleito,
corremos o risco de aprovar algo que vai frustrar a sociedade e que
não vai ser implementado no próximo pleito. Esta é a razão da
celeridade. Agradeço
a todos os Parlamentares que apoiaram a proposta.
Deputado
Silvio, essa participação inicial já dá ideia de como vai ser a
participação daqui para a frente. Os debates deverão ser acalorados.
Queremos
que seja feita a vontade da maioria do Parlamento.
O
SR. DEPUTADO DANILO FORTE -
Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de
ordem. O
SR. PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
(Deputado Eduardo Cunha) - Não sou o Presidente, o Presidente é
ele. O
SR. DEPUTADO DANILO FORTE -
V.Exa. é o nosso grande Presidente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Quem solicitou a palavra para questão de ordem? (Pausa.) Deputado
Danilo Forte. O
SR. DEPUTADO DANILO FORTE -
Sr. Presidente, nós vamos partir do relatório do Deputado Cândido
Vaccarezza, ou vamos partir do zero? Segundo, as emendas são
individuais, ou elas passam pelo rito de coleta de
assinaturas? O
SR. PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
(Deputado Eduardo Cunha) - Vai-se partir daquilo que tem texto. E o
que tem texto vai-se configurar pelas propostas existentes, pelas
PECs que porventura sejam apensadas e pelas emendas que serão
acrescentadas. E essas emendas só podem ser admitidas com
apoiamento. Por isso, apelo para que todas as bancadas assinem as
emendas de todos, a fim de que o debate seja
feito. O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Tem a palavra o Deputado Esperidião Amin.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO
AMIN -
Sr. Presidente, quero aproveitar a questão de ordem heterodoxa
apresentada pelo nosso Deputado Danilo Forte, porque o Presidente da
Casa teria pedido o dispositivo regimental em que se ancorava. Mas
eu quero fazer uma pequena retificação ao seu resumo e prestar um
esclarecimento, na condição de Relator do projeto que fui até o dia
da sua aprovação. Número
1. V.Exa. disse bem: o parecer a favor da admissibilidade do texto
aprovado pelo grupo é datado de 19 de novembro
de... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - De 2013. O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Só estou precisando o dia. E creio que o termo que nós temos que ter
como referência não é o relatório, é o texto da Proposta de Emenda à
Constituição nº 352, de 2013 — essa é a minha visão — na sua
inteireza. E há uma particularidade final, que acho que vai ser
muito interessante se confrontada esta realidade que vou aqui
externar com o debate que nós tivemos na semana passada, Sr.
Presidente. Com
o objetivo de conseguir a aprovação na Comissão de Justiça, e com a
anuência do Deputado Vaccarezza, em novembro de 2014, eu propus que
se retirasse da PEC tudo o que diz respeito ao financiamento. Tudo
isso com o objetivo final de tentar aprovar. Nem assim conseguimos
aprovar. Portanto, o que vale é o texto original, que está ancorado
no relatório do Deputado Vaccarezza e preconiza, também, o
dispositivo sobre financiamento de campanha. São dezesseis
tópicos. Como
disse o Deputado Eduardo Cunha, é claro que votar 16 tópicos não é
fácil. Mas eu não tenho dúvida em dizer que o texto base sobre o
qual nós temos que nos debruçar é o texto aprovado pelo grupo de
trabalho, que consiste na PEC 352, apresentada em
2013. Muito
obrigado. O
SR. DEPUTADO MENDONÇA FILHO -
Sr. Presidente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Deputado Mendonça Filho. Antes,
eu queria fazer só uma pequena ponderação. A questão do apensamento
de proposições é de competência exclusiva do Presidente da Casa. Não
vai caber a esta Comissão decidir. E
eu queria declarar instalada a Comissão Especial e liberar o
Presidente Eduardo Cunha para suas funções. Depois, após as
eleições, eu acho que essa discussão poderá continuar, porque senão
nós nem sequer instalamos a Comissão. Então,
queria pedir a compreensão do Deputado Mendonça Filho e dos demais
Líderes, porque, depois de instalada, eu vou determinar uns 5
minutos de intervalo para a gente dar continuidade ao processo
eleitoral. Podemos fazer assim? Eu
queria esclarecer que assumi esta Presidência dos trabalhos nos
termos do art. 39, § 4º, do Regimento Interno. Quero
agradecer a presença do Presidente Eduardo Cunha; cumprimentá-lo
pela iniciativa de instalar tão rapidamente, no início do seu
mandato, esta Comissão; dizer que todos nós certamente nos
empenharemos muito para cumprir os prazos previstos; e liberá-lo dos
nossos trabalhos. Muito
obrigado. Declaro
instalada a Comissão
Especial. (Palmas.)
Vamos
passar ao processo eleitoral. Vou
propor 5 minutos para que os Líderes indiquem ou quem se interessar
se candidate aos cargos, para vermos como nós... Se houver acordo,
nós podemos rapidamente decidir essa questão. Então
nós aguardaremos 5 minutos aqui na Mesa para fazer nossas
conversas. A
única indicação que tem a Mesa, lembra-me a Assessoria, é a do
Deputado Rodrigo Maia, para concorrer ao cargo de Presidente da
Comissão, indicado pelo Líder Mendonça Filho. Os
demais que quiserem fazer indicação poderão fazê-lo à Mesa. Eu peço
que façam à Mesa, se for possível. O
SR. DEPUTADO MENDONÇA FILHO
- Peço-lhe apenas uma informação, Sr. Presidente. Na verdade, o
Deputado Rodrigo Maia não representa tão somente o meu partido, o
Democratas, mas o bloco parlamentar do qual nós fazemos parte, que
envolve, além do partido Democratas, o PMDB, o PTB, o Solidariedade,
o PHS, dentre outros partidos. É o bloco majoritário. Então, que
fique claro isso. Também
quero informar ao Plenário que eu requeri à Mesa da Casa que nós
apensássemos a Proposta de Emenda à Constituição nº 344, de 2013, de
nossa autoria, à tramitação do relatório do ex-Deputado Cândido
Vaccarezza. Como ela é precedente, evidentemente ela encabeça as
discussões com relação ao tema “reforma
política”. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Esclarecido, então. Muito
obrigado. O
SR. DEPUTADO MENDONÇA FILHO -
Eu peço apoio para que a gente vote no candidato indicado pelo bloco
majoritário — no caso, o Deputado Rodrigo
Maia. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Com a palavra o Deputado Chico
Alencar. O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Obrigado, Presidente Silvio. Quero
fazer uma indagação e uma proposição. Como
o Deputado Mendonça Filho, com toda a legitimidade, já apresentou o
bloco que apoia a candidatura do meu conterrâneo Deputado Rodrigo
Maia, e destacando, obviamente, que o que eu vou indagar a seguir
não tem nada de pessoal contra o Deputado, pergunto se um Líder pode
apresentar a propositura de um outro nome para a consideração dos
colegas desta Comissão Especial, ou se tem que ser decisão pessoal a
indicação do nome. Não será o meu. Não chego a esse ponto, de
cabotinismo. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - É possível, sim, Deputado Chico Alencar. Pode
trazer à Mesa. O
SR. DEPUTADO CHICO ALENCAR -
Assim como o nome do Deputado Rodrigo Maia, do DEM do Rio de
Janeiro, já foi apresentado, eu quero, por razões de ordem política,
de mais participação popular e de interferência da sociedade nesses
trabalhos do Parlamento nesta Comissão Especial, pelo histórico de
atuação dela nesse âmbito da plataforma dos movimentos sociais pela
reforma política, indicar o nome da Deputada Luiza
Erundina. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Está registrada, Deputado, a sua indicação. (Pausa.) Com
a palavra a Deputada Luiza Erundina. A
SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA -
Sr. Presidente, colegas Parlamentares, eu estou nesta Casa há 16
anos e participei de todas as Comissões Especiais pela reforma
política que foram criadas, e frustradas, por todo esse curso de
tempo. Coordenei a Frente Parlamentar pela Reforma Política, com
participação popular, com a participação de mais de cem entidades da
sociedade civil. Então, com essa trajetória e com esse compromisso
parlamentar desta Deputada com o tema e com a causa importante da
reforma política, eu aceito a indicação do nobre Deputado Chico
Alencar, porque tenho a certeza de que posso contribuir, junto com a
sociedade civil organizada, na busca da melhor proposta para
resolver os problemas do sistema político brasileiro, que necessita
de uma reforma estrutural, de uma reforma sistêmica, capaz de
resolver as distorções do nosso sistema político como um todo. Essas
são as razões da minha aceitação da indicação do nobre Deputado.
Agradeço-lhe a confiança e espero que os nobres pares possam
considerar de forma independente, não necessariamente vinculado a
blocos parlamentares, o nome desta Deputada. Obrigada. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Deputada Luiza Erundina e Deputado Chico Alencar,
eu queria fazer um esclarecimento. Deputada,
todos nós reconhecemos os seus méritos para ocupar esse cargo, mas a
Assessoria aqui nos alerta para o fato de que o candidato a
Presidente de uma Comissão precisa ser membro titular da Comissão.
E V.Exa. está
inscrita como membro suplente. Neste caso, a sua candidatura não
pode prosperar, a não ser que V.Exa. assuma a condição de titular.
V.Exa. me desculpe, mas essa informação é
necessária. Com
a palavra o Deputado Marcus Pestana. O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Sr. Presidente, esta Comissão... O
SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO -
Posso anunciar? Deixe-me anunciar. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Com a palavra o Deputado Sibá
Machado. O
SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO -
Sr. Presidente, buscando aqui o ritmo desta nova Legislatura, houve
o entendimento dos blocos que se formaram para a Mesa Diretora, que
deve continuar até o final deste mandato. Então,
seguindo essa linha e buscando a harmonia, nós queremos apresentar,
pela indicação do primeiro bloco, de Maioria, o nome do Deputado
Rodrigo Maia para a Presidência da Comissão (palmas); para a
Primeira-Vice-Presidência, pelo segundo bloco, o Deputado Rubens
Otoni; e, para a Segunda-Vice-Presidência, pelo terceiro bloco, o
Deputado Marcus Pestana. Essa
é a chapa que queríamos indicar para V.Exa. A relatoria é uma
decisão do Presidente eleito. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - É uma outra etapa. Como chapa, é a única inscrita
até agora, mas não há impedimento para que haja inscrições
separadas, isoladas, para quem quiser se candidatar aos demais
cargos, além da manifestação que já houve para
Presidente. Com
a palavra o Deputado Indio da Costa. O
SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA -
Boa tarde, Sr. Presidente. Eu
queria tentar entender, fazer uma ponderação, de quem é essa chapa
sugerida, porque o Líder do PSD, o Deputado Rosso, indicou o meu
nome para a 1ª Vice-Presidência. Já está sobre a mesa essa
indicação. Na
realidade, Sr. Presidente, eu fui Relator da Lei da Ficha Limpa aqui
na Câmara dos Deputados, em 2010, e acho que há passos importantes
que precisam ser dados ainda para aproximar o eleitor do eleito,
baratear as campanhas eleitorais, e tenho um enorme interesse em
contribuir com o Relator que foi escolhido pela maioria em alguns
temas. Eu
dei uma sistematizada no trabalho, Sr. Presidente, e só aqui temos
33 páginas de PECs apresentadas, e essa especificamente, a 352, tem
temas absolutamente estratégicos. Eu
queria sugerir à Comissão que, ao escolher um Relator, esse Relator
pudesse ter Sub-Relatores, para cada um tratar de um tema. Nessa
hipótese, eu abriria mão de disputar a 1ª Vice-Presidência e
gostaria de ser um Sub-Relator com aquele Relator que tiver a
maioria. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - O.k., Deputado. Então, nós vamos poder
considerar... Eu
vou dar como encerradas as inscrições. Há mais alguém que tenha
interesse em se inscrever? O
SR. DEPUTADO ARTHUR OLIVEIRA MAIA
- Eu tenho. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Pois não, Deputado. O
SR. DEPUTADO ARTHUR OLIVEIRA MAIA
- O Partido Solidariedade quer, em primeiro lugar, parabenizar o
Presidente Eduardo Cunha pela instalação desta Comissão. Estamos
absolutamente convencidos de que estamos cumprindo um desejo da
sociedade brasileira. E, dentro dessa linha, queremos dizer também
que apoiamos a chapa que foi apresentada. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - De acordo, Deputado Arthur Maia. (Pausa.) Deputado
Sibá, só um momentinho. É que há um Deputado lá no final que pediu a
palavra antes. O
SR. DEPUTADO VALTENIR PEREIRA -
Sr. Presidente, sou o Deputado Federal Valtenir
Pereira. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Pois não. O
SR. DEPUTADO VALTENIR PEREIRA -
Foram inscritas as chapas, indicações oficiais. Pode-se fazer a
inscrição avulsa para disputar qualquer vaga na
Mesa. Sr.
Presidente, por estar aqui nesta Comissão, eu poderia registrar o
meu nome e disputar, mas vou respeitar a indicação oficial. E eu
gostaria de deixar um protesto aqui, porque na eleição da Mesa cabia
ao Bloco e ao PROS — Partido Republicano da Ordem Social a indicação
oficial. Eu disputei aquela eleição, e houve várias candidaturas
avulsas, em que o PROS foi prejudicado. Aliás, era para ter sido
feito o segundo turno das eleições, e nós fomos atropelados, o
segundo turno acabou não acontecendo, o que está sendo motivo de uma
questão de ordem. Então
quero dizer que eu vou respeitar a indicação oficial e vou hipotecar
o meu voto, o apoio do PROS, a essa indicação oficial, mas deixando
o registro de que o PROS foi prejudicado na Mesa Diretora por conta
de candidaturas avulsas. O
SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO -
Sr. Presidente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - O.k., obrigado. Com a palavra o Deputado Sibá
Machado. O
SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO -
Faço apenas um informe da chapa. É porque existe também a 3ª
Vice-Presidência... O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Sr. Presidente. O
SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO -
Só um minutinho. Existe
também a 3ª Vice-Presidência. Na linha de manter todos os blocos
minimamente contemplados aqui, o bloco de que participa o PSB
poderia colocar o nome para a 3ª Vice-Presidência; e se, na linha
que V.Exa. sugeriu, a Deputada Luiza Erundina fosse contemplada —
mas isso é um problema do partido dela —, ela teria que virar
titular. Então, se for isso, não... (O
microfone é desligado.) O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Já foi explicado a S.Exa. A candidatura dela não é
possível. O
SR. DEPUTADO SIBÁ MACHADO -
Eu vou terminar aqui. É porque o partido pode trocar o nome dela, e
não votaríamos hoje o 3º Vice-Presidente. Se isso for resolvido, na
próxima reunião, aprova-se o 3º Vice-Presidente, nessa
linha. O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Não, não. Sr. Presidente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Eu vou passar ao processo de votação, porque acho
que já foi entendido que quem queria se...
O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Sr. Presidente, eu
só queria fazer uma sugestão aqui de aproveitamento da capacidade e
da dedicação do nosso Relator do Grupo de Trabalho, que foi o
Deputado Esperidião Amin. Embora
eu seja hoje suplente, o suplente participa de todas as etapas, e eu
quero dizer que o nome do Deputado Esperidião Amin, pela condição de
Relator no Grupo de Trabalho, é um nome importante nessa composição
da organização diretiva da Comissão Especial. Outro
aspecto, para finalizar a minha fala, é a sugestão do Deputado Indio
da Costa: a questão das sub-relatorias. Eu imagino que no eixo
estrutural desta discussão, com tantos temas de competência, mas
temas diversos, nós precisamos exatamente ter uma estruturação de
sub-relatorias, porque elas são fundamentais para facilitar o
entendimento e, consequentemente, a votação e a aprovação de uma lei
importante, do ponto de vista desse aspecto, que é a nossa
reforma... (O
microfone é desligado.) O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - V.Exa.
está propondo o nome do Deputado Esperidião Amin para a 3ª
Vice-Presidência? O
SR. DEPUTADO AFONSO HAMM -
Exatamente. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Deputado
Esperidião Amin. O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Declino, Sr. Presidente. Declino. Obrigado. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - O.k., obrigado. O
Deputado André Moura pediu a palavra primeiro. Onde
está? O
SR. DEPUTADO ANDRÉ MOURA -
Sr. Presidente, como Líder do PSC, eu quero parabenizar aqui o
Presidente... O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Não sem antes agradecer ao Deputado Afonso Hamm pelo gesto, para
mim, surpreendente, mas muito fraterno e amigo. Mas eu declino,
porque acho que há outras acomodações por
fazer. Obrigado. O
SR. DEPUTADO ANDRÉ MOURA -
Então, Sr. Presidente, como eu ia dizendo, quero parabenizar o
Deputado Eduardo Cunha, Presidente da Casa, pela celeridade que está
dando em já hoje instalar esta Comissão e parabenizar V.Exa. pela
condução dos trabalhos. Quero dizer também que nós, do PSC, apoiamos
as indicações feitas, respeitando os Blocos parlamentares, no caso,
sob a Presidência do Deputado Rodrigo Maia. Desejo
êxito a todos os que irão compor esta Comissão, na certeza de que os
membros do PSC, o Deputado Edmar Arruda e a Deputada Raquel Muniz,
farão um grande trabalho para colaborar com o engrandecimento desta
Comissão. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Obrigado. Com
a palavra o Deputado Lincoln Portela. V.Exa.
também pediu a palavra, Deputado Marcus Pestana. Está abrindo
mão? O
SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA -
Não! O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Com a palavra o Deputado Lincoln
Portela. O
SR. DEPUTADO LINCOLN PORTELA -
Apenas para marcar a posição do Partido da República, Sr.
Presidente, nós concordamos plenamente com a chapa oficial, de
acordo com o número de Parlamentares por bloco. Então, o PR votará
também dessa maneira. Obrigado,
Sr. Presidente. O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Sr. Presidente, eu quero me inscrever para a fase da discussão
também, depois da... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Depois da eleição? O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Isso. Na fase da discussão. O
SR. DEPUTADO LINCOLN PORTELA
- Eu também, Sr. Presidente. O
SR. DEPUTADO JULIO LOPES -
O pessoal fala direto, não é, Sr. Presidente? Nós queremos
subscrever a composição da chapa oficial, reitero, ainda que o
Deputado Esperidião Amin tenha aberto mão da sua enorme experiência
e do seu aproveitamento, num grau de acomodação que ele está
sugerindo a esta Comissão. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Eu queria fazer um esclarecimento. Está sendo feita uma mudança
na titularidade do PSB, e a Deputada Luiza Erundina vai se
candidatar à 3ª Vice-Presidência. Eu
acho que, se não houver mais nenhuma pretensão, nós podíamos fechar
esta chapa e colocar em votação. Depois, podemos continuar
discutindo.
Deputado Benito Gama.
O SR. DEPUTADO BENITO
GAMA - Sr. Presidente, com relação ao PTB, o partido apoia os
nomes indicados nessa chapa também. Com relação ao PTB, o Partido
Trabalhista Brasileiro, nós concordamos com todos os nomes
apresentados na chapa. Só isso.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Muito obrigado. (Pausa.)
Deputada Luiza Erundina e Deputado Chico Alencar,
nós vamos aguardar que, o mais rapidamente possível, chegue a
mudança da Comissão para nós podermos fazer a votação. Antes disso,
não vai ser possível V.Exa. participar.
O SR. DEPUTADO
RODRIGO MAIA -
Sr. Presidente, se há concordância de todo mundo, não há
problema.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - Eu acho que nós devemos seguir o Regimento,
Deputado Rodrigo Maia. Não custa.
Deputado Afonso Hamm.
O SR. DEPUTADO AFONSO
HAMM - Vamos fazer a votação de todos os cargos e deixar a 3ª
Vice-Presidência. Como é de praxe em outras Comissões, a 3ª
Vice-Presidência fica para um segundo momento.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Deputado, se nós votarmos em uma
chapa só, será uma votação só. Todo mundo já vota e já fica
liberado. Vamos aguardar. Eu acho que não vai demorar 2 minutos.
O
prazo de 5 minutos está bom? Vão se preparando para serem
chamados.
Concedo a palavra ao Deputado Orlando Silva e ao Deputado
Milton Monti depois.
O SR. DEPUTADO
ORLANDO SILVA - Sr. Presidente, eu quero aproveitar para
declarar aqui a posição do PCdoB de apoio ao acordo firmado para que
o Deputado Rodrigo Maia
conduza a Comissão, assim como para que o Deputado Marcelo
Castro relate esta matéria, decisão posterior.
Eu espero só, Sr. Presidente, que a celeridade com que o
Presidente Eduardo Cunha encaminhou a montagem desta Comissão agora
seja substituída pela serenidade com que o Deputado Eduardo Cunha
tem conduzido o Plenário. Esta
Comissão terá que ter muita serenidade para fazer as mudanças que a
sociedade brasileira exige, garantindo mais legitimidade para os
partidos, para o Congresso e assegurando a participação direta da
nossa população.
Um bom trabalho para a Comissão que se inicia
hoje.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Obrigado, Deputado Orlando
Silva.
A Deputada Moema Gramacho pediu a
palavra.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na realidade,
eu me inscrevi para falar após a instalação da Comissão, mas, já que
foi aberto este espaço, eu queria dizer que, quando V.Exa. abriu os
trabalhos, referiu-se que este momento estaria também para dar uma
resposta aos movimentos que aconteceram em junho de 2013. Portanto,
eu queria dizer que, logo após a instalação, estaremos apresentando
um requerimento para a constituição de uma audiência pública
envolvendo todas as entidades e movimentos sociais que têm
trabalhado no sentido de construção de uma reforma política à luz do
que a população deseja para que esta Casa, em consonância com a
população, possa construir não só as emendas, mas também uma reforma
política de acordo com os anseios dessa população.
Essa audiência pública poderia ser o mais rápido possível. Se
não for possível já no início de março, que não passe do dia 31 de
março. Acho até que a data 31 de março é muito sugestiva para que
possamos realizar essa audiência pública para a construção da
reforma política.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Muito obrigado, Deputada Moema. Isso
vai ser feito no momento em que tivermos o Presidente de fato da
Comissão.
Deputado Chico Alencar, V.Exa. ainda está inscrito. V.Exa.
quer falar?
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Sim. Obrigado, Presidente
Silvio.
Já adianto, por uma economia do nosso tempo, a visão do PSOL,
que eu represento aqui, junto com o Suplente, Deputado Jean Wyllys,
na Comissão Especial. Ela terá como tese-guia, como base, a PEC —
mal apelidada de “Vaccarezza” — produzida por uma Comissão Especial
e relatada na CCJ pelo Deputado Esperidião Amin na Legislatura
passada.
Esta Comissão, de fato, faz com que a chamada reforma
política, sempre na pauta das conversas, mas nunca na pauta efetiva
da Câmara, tenha uma tramitação, agora, objetiva. Eu estimo que o
trabalho dessa Comissão Especial se encerre, considerando as 40
sessões do plenário, em torno de maio.
O fundamental — e daí a proposição da Presidência com a
Deputada Luiza Erundina, pelo que ela simbolizaria — é que a gente
esteja aberto às demandas da população. É
verdade é que a grande maioria tem é rejeição pela política, o que é
gravíssimo. Todo mundo falou do desgaste do Governo Federal, do
desgaste — menor, é verdade, mas efetivo — do Governo de São Paulo,
da Prefeitura de São Paulo, em função da pesquisa Datafolha
publicada no último domingo. Pouca gente destacou algo que essa
mesma pesquisa detectou e que nos atinge a todos, sem exceção: o
profundo desgaste e descrédito dos partidos. Apenas 3 de cada 10
brasileiros têm algum interesse pela vida partidária e pela
política. Isso é porta aberta para soluções autoritárias, golpistas,
regressistas, aventureiras.
Esta Comissão tem um papel estratégico para a sociedade
brasileira, que é reformar em profundidade o sistema político
brasileiro. A nossa posição claríssima quanto a um dos temas
centrais em debate aqui é a de que a continuidade do financiamento
de grandes corporações, do financiamento empresarial de partidos e
campanhas é o duto — e não só no petrolão — para a corrupção, que
nos infelicita e se aprofunda.
Portanto, vamos ouvir as entidades da sociedade. Vamos
considerar a iniciativa popular de lei — hoje já com mais de 700 mil
assinaturas — pela reforma política democrática e eleições limpas,
assumida por todas as entidades que propuseram a famosa ampliação da
Lei das Inelegibilidades, chamada Lei da Ficha Limpa; vamos ouvir a
Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política.
Ainda que o povo esteja, em sua grande maioria, alheio à
política, a nossa tarefa é fazer desta Comissão um espaço aberto e
de atração da população para este tema central para o futuro do
Brasil.
Eu espero que a gente não frustre essas expectativas. Sei que
vários de nós aqui estaremos com esta preocupação, com este
engajamento e com este compromisso: reforma política com
participação popular, fim do poder dissolvente do dinheiro nas
eleições.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Obrigado, Deputado Chico
Alencar.
Concedo a palavra ao Deputado César Halum, enquanto nós
aguardamos chegar aqui a mudança da titularidade da Deputada Luiza
Erundina, que merece essa deferência.
O SR. DEPUTADO CÉSAR
HALUM - Em nome do PRB e de todo o nosso bloco, queremos
manifestar o nosso apoio à chapa oficial constituída, ao Deputado
Rodrigo Maia e ao Deputado Rubens Otoni, como Vice, indicado pelo
PT.
Esta Casa tem uma grande oportunidade agora de parar de
reclamar do Poder Judiciário. A gente diz que o Judiciário está
querendo legislar e interferir, mas é a omissão do Legislativo que
permitiu ao Judiciário começar a normatizar as eleições no
Brasil.
Então, esta é a nossa grande oportunidade de mostrar uma
atuação firme do Legislativo, parar de olhar para o próprio umbigo e
fazer uma reforma política que agrade à sociedade
brasileira.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Obrigado, Deputado César
Halum.
A Deputada Raquel Muniz vai falar depois.
Concedo a palavra à Deputada Maria do Rosário, que também
está inscrita.
A SRA. DEPUTADA MARIA
DO ROSÁRIO - Sr. Presidente, eu quero referir aqui a que este
Parlamento, particularmente esta Comissão, assume uma tarefa diante
do Brasil de guardiões da democracia.
A democracia perpassa, sem dúvida, o processo eleitoral, mas
não se extingue nele. A democracia exige também que esta Casa tenha
as suas paredes de vidro; que ela possa ser vista do lado de fora
dos prédios construídos e que constituem o Parlamento. E exige,
portanto, Sr. Presidente, que venhamos a reconhecer, desde o início,
que o tema, a expressão “reforma política” pertence a esta Casa nos
encaminhamentos e soluções, mas pertence a uma vontade hoje do povo
brasileiro. Há uma hegemonia do povo brasileiro a dizer que quer uma
reforma política.
É verdade que, quando nós falamos em reforma política, nós
podemos falar em muitos e variados aspectos. Mas só há uma forma,
Sr. Presidente, colegas Deputados, homens e mulheres, de sabermos
também qual reforma política é a mais adequada para o Brasil: é
consultarmos as nossas instituições políticas, os nossos mandatos, a
representatividade que temos, mas também não fecharmos as portas
para as entidades da sociedade civil.
Sras. e Srs. Deputados, a OAB e a CNBB, legitimamente,
apresentaram uma proposta também a esta Casa; o Plebiscito Popular
apresentou proposta, e há inúmeros projetos de lei. Eu me inscrevo
para dizer que, do ponto de vista político, ao lado do tema
regimentalmente constituído, da PEC que o Sr. Presidente da Casa
instituiu como prioritária; a PEC que foi retirada da Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania e trazida a esta Comissão
Especial, a PEC 352, ao lado dessa PEC, Sr. Presidente, tem uma
expectativa: que figure no debate, junto ao Relator, o projeto de
lei e a PEC da OAB e da CNBB, a do movimento social e sindical e as
nossas propostas. Eu
sou autora de proposta lá de 2004. Eu tenho a certeza de que,
olhando aqui ao redor, vários colegas também têm ideias. Então, que
funcione como uma tese-guia a PEC 352, mas não como um ponto de
chegada porque, ao estabelecer o voto facultativo, o financiamento
privado, nós estamos dando passos ao contrário e produzindo uma
antirreforma.
Era isso o que eu queria dizer, Sr. Presidente, uma
ponderação aos colegas desta Comissão para que ela esteja, como
disse a colega Moema Gramacho, aberta a ouvir a sociedade, como o
Parlamento deve ser.
O SR. DEPUTADO DANILO
FORTE
-
Sr. Presidente, já passaram os 5 minutos. Vamos
votar.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Silvio Torres) - Existem
dois caminhos: ou nós esperamos e vota toda a chapa; ou vai ter que
haver duas votações. Todo mundo vai ter que esperar da mesma
maneira. Ou vamos deixar para votar posteriormente, na outra
sessão.
Então, eu queria fazer uma consulta mais democrática.
Deputada, V.Exa. se incomoda se a maioria decidir a sua eleição em
uma outra votação? Parece que está havendo alguma
dificuldade.
A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA - Sr. Presidente, eu
agradeço a tolerância da Mesa, do Presidente, dos colegas. Se for
possível — e regimentalmente o é — ser submetido logo em seguida,
até que eu consiga resolver este entendimento com a minha Liderança,
eu agradeceria muito. Se não...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN - Ou seja, vamos
fracionar então.
A SRA. DEPUTADA LUIZA ERUNDINA - Sr. Presidente, a
única preocupação de tentar viabilizar é porque eu vejo que a Mesa
não tem nenhuma representante das mulheres, e a PEC que está em
discussão não trata, em nenhum aspecto, da participação da mulher.
Essa é uma questão que todas as Comissões Especiais têm levado em
conta, têm pautado e têm deliberado, inclusive propondo alterações
de forma a viabilizar uma mais ampla participação política das
mulheres. Somos mais da metade da sociedade, mais da metade dos
eleitores...
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN - Sr. Presidente, então
vamos votar os cargos a serem preenchidos. Vamos votar para
Presidente, para 1º Vice-Presidente e para 2º
Vice-Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Silvio Torres) - Aí é uma
chapa só. Depois, teria que se votar novamente só para a 3ª
Vice-Presidência. Os Deputados terão que aguardar,
então.
O SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN - Aguardamos. E já
passou o prazo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Silvio Torres) - Vou
consultar o Deputado Indio da Costa sobre se ele retira a sua
candidatura a Vice.
O SR. DEPUTADO AFONSO HAMM - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O SR. DEPUTADO INDIO DA COSTA - Sr. Presidente, de
acordo com o art. 57, inciso II, a decisão da criação da
sub-relatoria é uma decisão da Comissão. Eu
gostaria, mesmo que depois o nome a assumir essa sub-relatoria seja
apreciado pelo Presidente, pelo Relator, e seja outro nome, eu
gostaria de sugerir aqui, logo nesse início de trabalho, a criação
dessa sub-relatoria. Eu
abro mão da candidatura a Vice-Presidente para poder avançar com os
trabalhos. E a decisão depois cabe ao Presidente e ao Relator de
quem será esse Sub-Relator.
O SR. DEPUTADO AFONSO
HAMM - Sr. Presidente, só para facilitar e dar o trâmite. Não há
prejuízo, então, da terceira...
O SR. DEPUTADO MARCUS
PESTANA - Vamos votar, gente!
O SR. DEPUTADO AFONSO
HAMM - A Deputada Luiza Erundina não vai ter prejuízo, porque o
Deputado Indio da Costa acaba de fazer a sua
retirada...
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - É outra posição. É uma candidatura a
3º Vice, Deputado Afonso Hamm.
Nós vamos, então, iniciar o processo de votação com a
chapa...
Deputado Indio da Costa, só para esclarecer a V.Exa. que a
questão da relatoria vai ser tratada depois de eleita a nova Mesa
Diretora dos trabalhos. Não faz parte desta nossa
decisão.
A chapa até agora apresentada...
(Intervenção fora do
microfone. Inaudível.)
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Silvio Torres) - A chapa apresentada, então: Presidente, Deputado
Rodrigo Maia; 1º Vice-Presidente, Rubens Otoni; 2º Vice-Presidente,
Marcus Pestana. E, quanto à vaga da 3ª Vice-Presidência, estamos
aguardando uma decisão da Deputada Luiza
Erundina.
Deputado, V.Exa. queria se manifestar?
O SR. DEPUTADO VICTOR
MENDES - Eu queria falar, mas já estou vendo que não vai ter
espaço para a minoria aqui. Se esse for o sentimento... Faz meia
hora que eu estou tentando apenas registrar a posição do PV, que é
de acordo, e não consigo a voz nem a vez para falar. Se for esse o
tom, eu estou com medo desta Comissão, do resultado
dela.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - V.Exa. seria o próximo a falar, mas
pode falar durante o processo da votação.
O SR. DEPUTADO VICTOR
MENDES - Acho que não é o momento, agora. É claro, os holofotes
estão aqui. Há muita gente que está querendo mostrar a sua opinião
agora. Eu acredito que a Comissão vai ser instituída para isso, no
momento oportuno. Eu
queria apenas registrar que o Partido Verde, eu, como membro
titular, e o meu colega Evandro concordamos. Estamos de acordo. Era
apenas esse o posicionamento. Mas eu já senti o tom aqui: até para
falar na Comissão a gente vai ter que fazer mais do que pedir
questão de ordem ou ligar o microfone. Espero que na próxima
experiência flua melhor a nossa participação.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Muito obrigado, Líder. Está
registrada a sua participação.
Então, nós vamos dar início ao processo eleitoral. As regras
serão as seguintes: a eleição dos membros vai se fazer em escrutínio
secreto pelo sistema eletrônico, de acordo com o art. 7º do
Regimento. Será eleito em primeiro escrutínio o candidato que
obtiver maioria dos votos. Como só há uma chapa inscrita, obviamente
é a única. Os votos em branco serão computados apenas para efeito de
quórum.
Eu pediria que permanecessem logo depois para ver se há
oportunidade de se votar ainda a 3ª Vice-Presidência
hoje.
Vamos iniciar o processo eletrônico pela chamada à urna
eletrônica.
Acho que todos sabem como usar a cabine eletrônica. Não há
necessidade de esclarecer. Deverá digitar o código da sua carteira
parlamentar com três dígitos no teclado do monitor. Em seguida,
posicionar a sua digital que está cadastrada no leitor biométrico. E
aí vão aparecer as opções de voto. São aquelas opções que vocês já
votaram. Não
existe suplente. Os suplentes só votarão se não der... Tendo o
número que já está registrado na maioria, não vai haver... A cabine fica no fundo do
plenário. Então,
está aberta a votação para a eleição da chapa que já é do
conhecimento de todos. Podem dirigir-se à cabine. O sistema está
sendo carregado, mas já podem formar a fila. Têm 1
minuto.
(Processo de
votação.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Eu queria esclarecer que os membros
suplentes poderão ir votar. O voto só será contado se faltarem
titulares. Esse é um esclarecimento para quem está como
suplente.
(Processo de
votação.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Faltam apenas dois Deputados para
votar, e nós vamos encerrar a votação. Não, mas há três na fila. São
titulares? (Pausa.)
(Processo de
votação.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Silvio Torres) - Vou encerrar a votação. Já votaram
todos que estavam aptos? (Pausa.) Está
encerrada a votação. Agora
vamos à apuração dos votos. (Processo
de apuração.) Presidente:
Deputado Rodrigo Maia, 32 votos; 1º Vice-Presidente: Deputado Rubens
Otoni, 31 votos; 2º Vice-Presidente: Deputado Marcus Pestana, 33
votos; votos em branco para Presidente: 2; votos em branco para
Vice-Presidente: 3; votos em branco para 2º Vice-Presidente: 1.
Total de votos: 34. Declaro
eleita a chapa, como manifestado pela votação: Deputado Rodrigo
Maia, Presidente; Deputado Rubens Otoni, 1º Vice-Presidente; e
Deputado Marcus Pestana, 2º Vice-Presidente. (Palmas.) Antes
de passar a Presidência ao Deputado Rodrigo Maia, o que eu faço com
muito prazer, desejando-lhe boa sorte, quero agradecer e parabenizar
as equipes de apoio que puderam viabilizar esta reunião tão
disputada, tão prestigiada: o Departamento de Comissões, o Diretor
Silvio Avelino, e o Centro de Informática, o
CENIN. Deputado
Rodrigo Maia, pode assumir a Presidência. Felicidades! (Palmas.) (Pausa.) O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Nos termos do art. 41, VI, do Regimento Interno,
designo para a Relatoria da Comissão o Deputado Marcelo Castro, que
convido para compor a Mesa. Quero
primeiro agradecer ao Presidente Eduardo Cunha. Quero agradecer
também ao Líder do meu partido, Deputado Mendonça Filho, pela
indicação; aos membros da Comissão que me elegem para presidir a
Comissão Especial da Reforma Política, um tema tão polêmico, tão
difícil de encontrar convergências, mas essa é a beleza da
política. A
política é diferente da Engenharia. O engenheiro estuda para
construir pontes. A política não é uma ciência exata. A paixão que
todos nós temos pela política é exatamente pela construção de um
caminho nesta Comissão para que nós possamos, a partir de 2016 e
2018, ter um sistema político-eleitoral em que o eleitor se
considere mais bem representado e com maior participação. Então,
desde já, agradeço a todos. Passo
a palavra ao Relator, Marcelo Castro, para
que ele faça suas primeiras considerações.
O
SR. DEPUTADO ZÉ CARLOS -
Questão de ordem, Sr. Presidente. As
inscrições... O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Serão mantidas. Só depois
do Relator. O
SR. DEPUTADO MARCELO CASTRO -
Eu quero cumprimentar a todos e dizer que há muitos anos, há décadas
que nós aqui nesta Casa lutamos por uma reforma política. Sempre,
quando começamos qualquer Comissão, grupo de trabalho sobre reforma
política, o fazemos com muita animação, muito entusiasmo, certos de
que, desta vez, nós conseguiremos e, no final, a gente se frustra
mais uma vez. Eu espero que, desta vez, Deputado Esperidião Amin,
não haja mais uma frustração para todos nós e para a sociedade
brasileira. No
último grupo de trabalho do qual participei, eu disse: “Será minha última vez a fazer
parte de um grupo de reforma política.” Não estou descumprindo a
palavra porque, na verdade, esta é
uma continuação do grupo no qual nós realizamos esse trabalho que
está hoje aqui e sobre o qual nós vamos nos
debruçar. Quero
dizer e tranquilizar a todos que não é preciso ninguém ficar com
prevenção, pois nós vamos fazer uma relatoria absolutamente neutra, isenta e
imparcial. Eu tenho a concepção exata do que eu acho que deve ser
uma reforma política boa para o Brasil, mas não vou escrever uma
palavra da minha cabeça. Eu, na qualidade de Relator, vou redigir
aqui aquilo que for decidido por vocês. É lógico, é claro que, nos
debates, cada um vai se empenhar em defender, argumentar e defender.
E eu, como um de vocês, terei esse papel, mas o que eu vou relatar é
aquilo que vocês decidirem. Naturalmente, eu tenho uma ideia e
outros têm outras. Eu,
às vezes, gosto de brincar, Deputado Benito, dizendo que, para
apaziguar aqui o Congresso, só se tivéssemos 513 reformas, porque
cada Parlamentar, cada um de nós, tem uma ideia do que acha que
seria melhor para a reforma política. Gostaria de fazer algumas perguntas aqui para centrarlizar o
meu pensamento sobre reforma política. Então, queria fazer esta
pergunta: por que os sistemas eleitorais funcionam razoavelmente bem
no resto do mundo e não funcionam aqui no Brasil? É uma pergunta
para a gente amadurecer. Outra pergunta: quantos partidos existem representados no
Parlamento americano, inglês, francês, sueco, alemão, japonês,
israelense, coreano? Eu não sei, mas sei que não são 28.
Outra pergunta que eu gostaria de uma meditação: quantas
campanhas houve na Suécia, na Espanha, na Dinamarca, em Israel, nos
últimos 4 anos para o Parlamento, para elegerem seus representantes?
Quatro, cinco, seis? Depende do número de partidos que concorrem.
Aqui no Brasil, só em São Paulo, na última eleição, foram
mais de duas mil campanhas, porque tivemos mil e tantos candidatos a
Deputado Federal, mil e tantos candidatos a Deputado Estadual, e
cada candidato faz uma campanha individual. Gente, isso só existe no
Brasil! Como já se disse à exaustão, se não for jabuticaba e só
tiver no Brasil, não deve ser boa coisa.
Então, estou chamando a atenção para vermos a penúria do
nosso sistema eleitoral, de campanhas caríssimas, de uma influência
excessiva do poder econômico.
Esse é o nosso objetivo. O que eu penso que será nossa meta a
alcançar? Uma reforma política que traga um sistema mais racional
para o Brasil, que, ao final, fortaleça os partidos políticos como
instrumento coletivo de representação da sociedade e que diminua
drasticamente a influência do poder econômico no resultado
eleitoral.
É vergonhoso, é deprimente o que ouvimos todos os dias de
nossas vidas: “Ah, Fulano é
um bom candidato, é uma boa pessoa, mas ele não é eleito porque não
tem dinheiro”. Ora, o dinheiro não pode ser um fator tão
determinante, tão preponderante, para inviabilizar a eleição de
pessoas que são bem dotadas intelectualmente, que são bem dotadas de
recursos de relacionamento; simplesmente o dinheiro passa ser um
fator preponderante e determinante da vitória ou do fracasso
eleitoral.
Então, essa síntese que estou fazendo é mais ou menos a minha
ideia, que vou debater aqui de igual para igual. Vou colocar no
relatório aquilo que V.Exas. decidirem.
Muito obrigado por hoje. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputado Marcus
Pestana.
O SR. DEPUTADO MARCUS PESTANA - Sr. Presidente Rodrigo Maia, Relator Marcelo Castro, Sras.
e Srs. Deputados, esta é uma intervenção muito breve de uma pessoa
que participou intensamente da Comissão de Estudos em 2011, cujo
Relator foi o Deputado Henrique Fontana e do grupo de trabalho cujo
Relator foi o Deputado Esperidião Amin.
Houve uma grande renovação da Comissão, o que é natural numa
Câmara que teve 48% de renovação. Então, é importante resgatar um
pouco, ainda que preliminarmente, as raízes dessa PEC, para que não
haja um processo de demonização vã do que foi construído.
Não se faz reforma por modismo, não é por um desejo subjetivo
de parecer moderninho de transformar por transformar. Mal ou bem,
Tancredo e Ulysses nos entregaram a democracia em 1985, e chegamos
aqui: sete eleições presidenciais, um impeachment,
crises econômicas profundas, crises éticas profundas também, e
sobrevivemos. A democracia é sólida. Mas fica cada vez mais evidente
o esgotamento do atual sistema político-partidário eleitoral. As
disfunções estão claras, e é hora de mudar.
O objetivo fundamental, central — e temos de clarear isso
para sabermos qual é a nossa agenda — é aproximar o cidadão, a
sociedade da sua representação política. Eu não me canso de repetir
que reiteradas pesquisas de opinião demonstram que 70% dos
brasileiros não
sabem dizer sequer o nome do Deputado em que votaram 2 anos depois
da eleição.
Se
não sabem dizer o nome, é porque não controlam, não fiscalizam; não
há controle social algum sobre o exercício dos mandatos.
Eu tenho uma pesquisa junto com um Deputado de minha cidade,
Júlio Delgado, para checar sobre temas como Código Florestal,
imposto da saúde
e
salário mínimo. E 95% dos cidadãos
de uma cidade grande e escolarizada como Juiz de Fora não tinham a
mínima ideia de como eu e o Deputado Júlio Delgado havíamos votado
em questões substanciais. Isso é fruto do nosso sistema e é o
objetivo principal.
O segundo objetivo é fortalecer os partidos. O atual sistema
transfere a competição para dentro dos partidos. Há esse fenômeno no
Brasil, que não acontece com a lista fechada ou com o sistema
distrital puro ou sistema distrital misto, em que se compete com seu
próprio igual e não com os adversários. Então, fortalecer os
partidos é um objetivo principal.
O terceiro objetivo é melhorar as
regras de financiamento. Agora vamos deixar claro: não é o
sistema político-eleitoral o culpado pela corrupção. É uma
das válvulas onde a corrupção se apresenta. Corrupção se combate com
corrupto na cadeial. Temos de aprimorar o sistema eleitoral, que é
uma porta de entrada para relações incestuosas de intereses privados
com a esfera pública, mas não é o sistema o culpado de corrupção.
Vamos separar o joio do trigo: muito do que está sendo apurado por
aí é enriquecimento ilícito, não tem nada a ver com financiamento da
atividade política.
Nós instalamos a Comissão Especial e sequer votamos o
relatório, por falta de consenso. Trabalhamos intensamente em 2011 e
em 2012, com várias audiências públicas, inclusive nos Estado, em
horas e horas de reunião, e não aprovamos sequer o relatório. Depois
das manifestações de junho, surgiu a tese da Constituinte exclusiva,
que foi logo rechaçada: como instalar uma Constituinte, quando
existe uma Constituição em vigor e instituições republicanas e
democráticas em pleno funcionamento? Não se gera um Poder
Constituinte numa democracia madura e que está em pleno
funcionamento.
Veio a tese do plebiscito;
também não se adequou, porque há múltiplas alternativas, não há como
submeter ao povo um plebiscito. A um referendo, sim, pois a PEC
prevê o referendo.
Então, o que quero dizer, para encerrar, é que a PEC nasceu
do melhor esforço de criação de convergência. Estão aqui presentes
os Deputados Sandro Alex, Esperidião Amin, Rodrigo Maia e Marcelo
Castro — estou esquecendo alguém? —, que participaram do grupo de
trabalho. Esse grupo trabalhou 4 meses,
longe dos holofotes, com pragmatismo e disciplina. Quero fazer uma
homenagem ao Deputado Vaccarezza, que teve papel fundamental na
construção dessa PEC. Tivemos reuniões muito produtivas, ricas, e
houve uma convergência. Essa reforma não pode ser a reforma do PSDB,
não pode ser a reforma do PMDB, não pode ser a reforma do PT, do
Democratas ou de qualquer outro partido, como do PTB do nosso Benito
Gama. Ela não pode ser de nenhum partido.
É preciso haver uma visão de longo prazo e de fortalecimento
e modernização da democracia.
Para isso, eu defendo o sistema distrital misto de tipo
alemão. Há uma PEC em tramitação, e eu tenho consciência plena de
que não haveria 35% de apoio a essa PEC. Como é mudança
constitucional e precisa de três quintos, estava destinada aos
arquivos. Muito mais a lista fechada ou distrital puro
infelizmente; não temos consenso.
Eu acho que as democracias avançadas apontam o caminho. Copiar coisa boa é
sinal de inteligência. Originalidade excessiva, como o Deputado
Marcelo citou o caso da jabuticaba, não é um bom caminho. Nós não
temos votos na Casa para um sistema clássico. E aí surgiu um elenco
de questões. A PEC é, acho, o melhor produto que já se gerou no
esforço de construção de consenso.
Então, vamos trabalhar sem preconceitos, sem análises prévias
e radicalizadas. Vamos estudar a proposta da OAB, sim, outras
propostas, vamos consultar a sociedade. Existe uma linha guia com
grandes avanços. Essa PEC aprovada representa uma pequena revolução
na democracia brasileira.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. DEPUTADO SANDRO
ALEX - Sr. Presidente, peço a palavra para uma questão de ordem.
Apenas desejo fazer o registro e explicar aqui à nossa Comissão que
meu nome agora consta no painel como titular do Bloco
PSDB/PSB/PPS/PV, e nós só deliberamos isso durante a instalação da
Comissão. Então, por isso eu não estive aqui na eleição de V.Exa.,
pela qual eu o cumprimento. Registro, então, que fui indicado
titular, e o Deputado Arnaldo Jordy,
suplente.
Congratulo-me com todos. Fiz parte da Comissão da Reforma
Política, com o Deputado Henrique Fontana, que está aqui; depois, do
grupo de trabalho, com 13 Parlamentares, dentre os quais Marcelo
Castro, Pestana e V.Exa. Tudo isso amadureceu, para que, no dia de
hoje, estejamos novamente instalando a Comissão Especial e dando um
passo à frente para o fortalecimento da democracia.
Então,
cumprimento V.Exa. e já me coloco à disposição de todos como membro
titular, com muito orgulho, do meu partido, o
PPS. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Obrigado, Deputado. Agora,
vou seguir a ordem dos inscritos, se não acabo desrespeitando os
pedidos. Passo
a palavra ao Deputado Rubens Otoni por 5 minutos. Daqui para a
frente serão 5 minutos, para que todos tenham direito a se
manifestar. O
SR. DEPUTADO RUBENS OTONI -
Boa tarde, Sras. e Srs. Deputados. Minha
saudação especial ao nosso Presidente da Comissão, Deputado Rodrigo
Maia, aos Deputados Marcus Pestana, Marcelo Castro, assumindo o
desafio da relatoria. Quero
dizer a V.Exas. do nosso empenho, do nosso interesse de fazer com
que esta Comissão possa atender a expectativa da nossa sociedade. É
verdade que não há consenso nesta Casa sobre uma proposta de reforma
política, mas há o entendimento de uma grande maioria das Sras. e
Srs. Parlamentares da necessidade da reforma política. Não há
consenso sobre uma proposta que possa resolver os problemas do nosso
sistema, mas há o entendimento de que este sistema
político-eleitoral que nós temos está esgotado e precisa ser
reformulado. Este é o começo. E é claro que aí todos nós temos
ideias. É
muito importante que nós que participamos desta Comissão nos
sintamos à vontade para trazer todas essas contribuições. O nosso
Relator terá a responsabilidade, como ele disse, de mediar e de
expressar o pensamento médio da Comissão.
Então, precisamos nos debruçar sobre as propostas existentes,
mas também ter a liberdade de trazer — quem sabe? — novas ideias,
luz sobre esse debate.
Vejo, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, o desafio que
temos de avançar, garantir uma proposta de reforma política que
contribua na consolidação da democracia, que fortaleça os partidos,
que possa diminuir a distância entre os representantes e os
representados, fazer com que a sociedade retorne a ter credibilidade
na ação política.
Vejo, Sr. Presidente, que o grande desafio que teremos nesta
Comissão será não virmos para cá apenas para marcar posição. Marcar
posição é fácil. Cada um tem a sua posição, e não abre mão dela. Eu
vejo que o nosso grande desafio é termos a nossa posição, mas termos
a sensibilidade e a flexibilidade para avançar no debate, sabendo
ceder naquilo que for possível, a fim de aprovar uma posição e uma
proposta mais próxima daquilo que acreditamos e defendemos. Este,
para mim, é o grande desafio que nós temos. Vamos ter que nos
exercitar aqui no debate que juntos teremos nessas várias sessões.
Sucesso para todos nesse trabalho!
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Passo a palavra ao Deputado Zé
Carlos.
O SR. DEPUTADO ZÉ
CARLOS - Sr. Presidente, Deputado Rodrigo Maia, nosso
Vice-Presidente, Deputado Rubens Otoni, Deputado Marcelo Castro,
Relator, Deputado Marcus Pestana, demais Sras. e Srs. Deputados,
quero só registrar minha satisfação imensa em estar aqui neste
momento participando de uma Comissão que, tenho certeza, ao seu
final, vamos iniciar uma nova história no Estado brasileiro. Esta
Comissão deve e vai, com certeza, Deputado Rubens Otoni, expressar
realmente aquilo que as brasileiras e os brasileiros querem de uma
reforma política.
É imperioso, como V.Exa. muito bem falou, ouvir a sociedade,
fazer audiências públicas — como aqui já foi protocolado por uma
companheira nossa — para tratar, já no mês de março, dessa questão.
Esta Comissão é formada por partidos, mas tenho certeza de que ela
vai ser suprapartidária, vai representar a voz das brasileiras e dos
brasileiros. Espero que possamos ter orgulho de, no final do ano,
não ser mais uma Comissão que se iniciou e não se
concluiu.
Portanto, era só, Presidente, para registrar a minha
satisfação e o orgulho de poder participar neste
momento.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Afonso
Hamm.
O SR. DEPUTADO AFONSO
HAMM - Sr. Presidente, primeiro, quero agradecer aos nossos
eleitores por nos conduzirem a este momento em que se inicia este
período legislativo.
Eu estou tendo a terceira oportunidade de atuar na condição
de Deputado Federal em representação do meu Estado do Rio Grande do
Sul e fundamentalmente do nosso País. Fiz minha escolha de
prioridade deste mandato participar desta Comissão.
O que vem ocorrendo no País, os desdobramentos, as
preocupações, as angústias que a população brasileira tem e
fundamentalmente os eleitores que nos conduziram à condição de
representá-los por esta legislatura são absolutamente procedentes do
ponto de vista de estabelecemos uma agenda para a política, os
políticos, o Congresso Nacional, a Câmara e o Senado, uma agenda
positiva para a política brasileira, uma agenda estrutural.
Quero parabenizar o Presidente Rodrigo Maia; o Deputado
Rubens Otoni, como 1º Vice-Presidente; o Deputado Marcus Pestana,
cuja atuação compartilhada é forte, como Vice-Presidente; a Deputada
Luiza Erundina e o Deputado Marcelo Castro, Parlamentar experiente
que também ouvimos.
Quero dizer que também, nesses dois mandatos em que atuei
aqui como Deputado titular, procurei participar daquela Comissão
Especial na qual o Deputado Henrique Fontana fez um esforço muito
grande, com os demais Parlamentares, para também estabelecer um
componente de indicativos de reforma, e, depois, de um grupo, que
foi montado recentemente, que teve o Deputado Esperidião Amin como
Relator. Acabamos não votando o relatório, mas nos inteiramos ao
longo de todo esse tempo. Mais recentemente, houve indicativos e
proposições, como aquela proposta da OAB junto com outras
instituições, como a CNBB, que traz um conteúdo interessante.
Mais uma vez, temos de propiciar um reforço do debate, para
trazer à luz a construção de um documento, mas com uma legislação
própria, que já tem 16 itens trabalhados. Inclusive, há muito tempo,
nós já vínhamos estudando, mas sempre as posições pessoais ou até
mesmo as posições político-partidárias se sobrepuseram aos
interesses nacionais.
Pelo momento que passa o País, nós temos o dever de
apresentar uma proposta estruturante, definitiva, do ponto de vista
dos eixos, para um novo momento da política brasileira. Na questão
do financiamento, o modelo hoje é falido, comprometido e com seus
desdobramentos, como nós estamos vendo, nas páginas policiais. Não
se sustentam esse modelo e toda essa estrutura organizacional
política. A cada 2 anos, temos uma eleição no País. Há condições de
um País como o nosso ter eleições a cada 2 anos com um envolvimento
pleno, com trancamento de orçamentos, ora no âmbito do Município,
ora nas Unidades da Federação? Depois, temos as eleições
presidenciais, em 4 anos, e nós vivemos 2 anos absolutamente dentro de eleições.
Como se trabalha previamente à eleição, de cada 4 anos, se vive
trabalhando 3 anos, ou seja, 75% do tempo. Sem exagerar, em 50% do
tempo, vivemos eleições num intervalo de 4
anos.
Não se sustenta o País do ponto de vista econômico, que está
tendo seus problemas, claro, por questões de definições de políticas
e outras coisas. A reforma política, a estruturação do eixo político
é de responsabilidade e de competência de todos nós.
Por
Depende o País, o seu futuro, o nosso futuro, o futuro das
próximas gerações, exatamente de uma deliberação,
de uma legislação inteligente, capaz de nos contemplar com uma
estrutura política eficaz.
Nosso País é diferente de todos os outros. Não precisamos
copiar modelos na íntegra. Voto em lista, a atual conjuntura — é a
minha opinião —, não comporta. O eleitor não vota no partido. O
eleitor, cada vez mais, está votando na postura, na conduta, no
histórico do seu candidato de preferência. Muitos estão
desestimulados em função exatamente de que muitas vezes não
conseguem ter a representatividade na dimensão que acreditam que
venham a ser.
Por isso, a movimentação financeira das campanhas é algo que
deve ser coibido. Nós temos que racionalizar, sob o ponto de vista
de oportunidade, para aqueles que se renovam ou que renovam e trazem
a renovação permanente à política brasileira e sob o ponto de vista
da representatividade autêntica, que é a representatividade pelo
voto de representação, pelo trabalho realizado pela política
moderna, que gera trabalho e
resultado.
Então, eu queria cumprimentar e dizer da importância do
debate. Deixo uma sugestão, que aqui já foi feita, de que, com o
andamento, através da relatoria e da Presidência, tenhamos
sub-relatorias elencando os temas mais definitivos desses 16 itens,
estabelecendo quais são os eixos, o sistema político, enfim.
Sem me alongar, eu quero parabenizar aqui o Presidente da
Casa, Deputado Eduardo Cunha, que foi pragmático. Agora também já
começou muito bem, porque começou com uma direção de consenso, uma
chapa única de direção dos trabalhos.
Sucesso ao Presidente! Sucesso aos membros da direção, ao
nosso Relator! Contem com o nosso trabalho e a interação dos demais
colegas aqui do Partido Progressista.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - O Deputado Milton Monti está presente? (Pausa.) Não
está.
Concedo a palavra ao Deputado Henrique Fontana por 5
minutos.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
Sr. Presidente, primeiro, quero cumprimentar V.Exa. pela condução
dos nossos trabalhos; o meu companheiro de partido, Deputado Rubens
Otoni, nosso Vice-Presidente; o Deputado Marcelo Castro, nosso
Relator, a quem desejo toda sorte nessa missão, sempre tão
desafiadora e difícil, que tive a honra de desempenhar por um
período. Cumprimento também
o Deputado Marcus Pestana e todos nossos
colegas que compõem esta Comissão.
Eu coloco uma preliminar, porque hoje é a minha primeira fala
em um debate que será rico. O nosso objetivo é evidentemente
chegar a uma reforma política possível.
Sempre que nós aqui falarmos de algum tema, isso jamais deve
ser compreendido como qualquer tipo de visão que personalize a
proposta A ou a proposta B.
Tenho comigo uma convicção: se nós formos escolher o
principal problema da democracia brasileira — e ela tem
diversos em seu sistema político, mas há que se ter foco e
principalidade —, de longe, em minha opinião, temos que a democracia
brasileira se transformou, ao longo das últimas décadas, numa
democracia cada vez mais dominada pelo dinheiro, pelo poder
econômico, pelo poder dos grandes financiadores, em detrimento da
política, da visão de mundo dos candidatos, da história de vida, do
trabalho de cada um dos candidatos. Esse é um problema
central.
Aí tenho minha primeira crítica à PEC que funda esta
Comissão. Lógico que nós temos a palavra do Presidente, que aqui
vamos votar projeto de lei, não só emenda constitucional. Eu, por
exemplo, vou fazer muita força para trazer ao debate desta Comissão
um projeto de lei que tem muitas qualidades. Tem também defeitos, e
colocarei, na minha opinião, os defeitos que nele
vejo.
Trata-se de um projeto capitaneado por mais de 70 entidades,
entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil, a Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil e a União Nacional dos Estudantes. São setenta
e poucas entidades que têm uma visão diferente desta que está posta
na PEC sobre questão do financiamento.
Por exemplo, Sr. Presidente, lógico que, em outros debates,
nós entraremos em outros pontos. O que diz o texto da PEC a respeito
desse grande dilema que é o financiamento eleitoral? Ele encontra
uma solução supostamente salomônica que parece até ou poderia ser
interpretada como um tanto quanto ingênua,
talvez.
Diz ali o seguinte: “Financiamento das campanhas. Os
partidos políticos poderão financiar as campanhas eleitorais com
recursos privados, com recursos públicos ou com a combinação de
ambos.” Ou seja, descreve quase uma obviedade, que é o que
ocorre hoje. Hoje há recursos públicos, recursos de empresas e
recursos de pessoa física. Então, a PEC não muda nada no sentido do
financiamento. Talvez não mudasse nada.
Eu percebo aqui uma vontade de mudar algo para o negativo.
Talvez alguns colegas não tenham tido essa mesma intuição. Como há
uma ampla maioria social, e aqui é importante que o Parlamento
sempre busque se sintonizar com a sociedade...
Hoje, em pesquisas de opinião pública, Deputada Renata,
Deputado Orlando, Deputado Afonso Hamm, 80% da população responde
que quer retirar o dinheiro de empresas do financiamento de eleições
ou do financiamento aos partidos.
Eu concordo com a frase do meu colega Pestana. É evidente que
a corrupção tem múltiplas causas, mas também
me parece evidente que esse sistema de financiamento eleitoral é um grande
contribuinte para incentivar a corrupção. Se nós olharmos, ao longo
das últimas três décadas, diferentes casos de corrupção que foram
analisados no País, e não só no Brasil, e em outros países do mundo,
o financiamento eleitoral por empresas está fortemente relacionado a
esses casos.
Então, nós temos que ter limite de gastos e campanhas mais
baratas. Do meu ponto de vista, quero, vou trabalhar muito com os
colegas para conquistar a maioria aqui num ponto que seja de
convergência: retirar o dinheiro de empresas de eleições. Eu mesmo,
que originalmente fui um defensor do financiamento público
exclusivo, sinto que a proposta da OAB e da CNBB é melhor, porque
medeia melhor a situação, acolhe o financiamento de pessoas físicas
com valor limitado de 700 reais, proíbe o financiamento de empresas
e coloca um teto. Ou seja, ela não gera a situação de hoje, na qual
nós, Parlamentares, entramos em uma verdadeira corrida do ouro. Por
quê? Porque, se um colega meu pode fazer uma campanha com 4 milhões,
como eu vou concorrer em igualdade de condições, se tenho 500 mil
reais? A igualdade entre candidatos é fundamental para melhorar a
democracia brasileira. Nesse sentido, o projeto da OAB e da CNBB é
muito feliz ao estabelecer a retirada de empresas, o teto e a
redução de custos das campanhas.
Outro dia, em um debate em que não podemos trocar ideias,
porque era em plenário, o Deputado Pestana dizia: “Não, mas por que essa obsessão
com financiamento?” Óbvio que tenho opinião sobre diversos
outros temas. Eu, por exemplo — e isso me coloca em posição
diferente de outros colegas —, sou pelo fim da coligação
proporcional.
Tenho ideias sobre diversos pontos, mas, se não mexer no
financiamento, não mexe no problema estrutural, na minha opinião, da
democracia brasileira. Nós continuaremos com um processo em que
cresce exponencialmente o custo de campanha e se estabelece o que se
chama de uma cláusula de barreira econômica. Ou seja, como disse o nosso
Relator Marcelo Castro, defensor histórico do financiamento público
também
ou da redução de custo de campanha: “Tu
tens uma cláusula de barreira. O Líder X pode ter uma grande possibilidade de ser um excelente
Deputado, mas ele não tem chance de disputar uma eleição, porque não
consegue chegar a um mínimo de condição financeira para disputar a
eleição.”
Sr. Presidente, nós vamos aqui contribuir muito com todos os
colegas. Eu quero, de imediato, saber de V.Exa., não para uma
resposta hoje, mas na nossa próxima sessão, como será a nossa
sistemática de trabalho em relação a projeto de lei e emenda
constitucional. Por exemplo, o financiamento eleitoral não precisa
ser constitucionalizado. Ele pode ser modificado por um projeto de
lei.
Então, a ideia de constitucionalizar o financiamento de
empresas pode ser interpretada por alguns como uma tentativa,
inclusive, de interferir naquilo que está a um passo de ser
decidido, que é um julgamento do Supremo Tribunal Federal em que já
está 6 a 1 no mérito. Seis Ministros do Supremo já definiram que o
financiamento empresarial deve ser considerado, a partir de agora,
inconstitucional.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputado Henrique.
O SR. DEPUTADO
HENRIQUE FONTANA - Então, se nós formos no caminho de
constitucionalizar
— e eu concluo, Presidente — estaremos fazendo quase que um
contraponto a um julgamento que está na undécima hora de ser
concluído. Mas isso nós vamos debater nas próximas sessões com
certeza.
Sr. Presidente, desejo a V.Exa. sucesso na condução dos
nossos trabalhos.
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Sr. Presidente, pela ordem, por
favor.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Esperidião
Amin.
O
SR. DEPUTADO ESPERIDIÃO AMIN -
Eu vou ter que sair e não quero ser deselegante. Os companheiros de
partido sabem que nós temos uma reunião previamente marcada para
apresentarmos os dezesseis pontos da reforma política, da PEC 352,
aos Deputados e às Deputadas do Partido Progressista. Está marcada
para as 17 horas. Eu vou ter que sair agora, mas não poderia
deixar... Será no Plenário 11.
Se algum Parlamentar de outro partido... Se o Deputado
Marcelo Castro, que já está um pouco esquecido do texto da PEC 352,
que gravita ao seu redor desde novembro de 2013, quiser nos
distinguir com sua presença lá, ele nos distinguirá e vai ser muito
beneficiado pela sua convivência com o Partido Progressista, que
tanto o preza.
Quero pedir desculpas, porque vou me ausentar, mas não sem
antes, Sr. Presidente, homenagear também o Deputado Henrique
Fontana. Eu participei da Comissão. Ao ouvir agora a sua voz, sempre
apaixonada a respeito das suas teses, não vou contraditá-lo. Vou
apenas dizer que fico muito feliz por vê-lo aqui na
Comissão.
Acho que nós vamos reeditar, se possível atualizando, algumas
das discussões construtivas que sempre tivemos, com admiração e
respeito que lhe dedico, como dedico também às Deputadas em primeiro
lugar — não canso de dizer que Santa Catarina é um Estado feminino,
tem nome de mulher — e aos Deputados
também.
Muito obrigado.
O
SR. DEPUTADO HENRIQUE FONTANA -
A recíproca é verdadeira, Deputado Esperidião
Amin.
O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Eu vou pedir aos próximos Deputados que sejam mais
resumidos, já que a Ordem do Dia já
começou.
Eu passo a palavra ao Deputado Lelo
Coimbra.
O
SR. DEPUTADO LELO COIMBRA -
Sr. Presidente, só gostaria também que a última questão de ordem
admitida para poder ultrapassar a palavra fosse a do Deputado
Esperidião Amin.
Em primeiro lugar, eu queria dizer da alegria de estar neste
espaço debatendo a reforma política, tão decantada na eleição e tão
decantada ao longo dos últimos anos. Participei aqui de vários
momentos, momentos das contribuições do Fontana, que acabou de
falar, do Marcelo Castro, do Pestana e de tantos outros companheiros
e companheiras desta Casa. O Cândido Vaccarezza foi bem lembrado
pelo Marcus Pestana. Todos são muito
importantes.
O trabalho da OAB e da CNBB, que é um trabalho de grande
vulto e de grande importância, traz temas que para nós são
relevantes. Mas eu queria fazer apenas alguns registros. Primeiro,
instalar esta Comissão no início da Legislatura, no calor do
ambiente político que pede pela reforma, é uma grande oportunidade
de fazermos um encontro com a opinião pública. É um encontro com a
sociedade, que, após a eleição, já vê envelhecer seu voto de maneira
muito brutal pela descrença
que existe.
Em segundo lugar, isso nos impõe a obrigação de darmos
respostas objetivas ao processo eleitoral. Nós não podemos correr o
risco de fazer artifícios. Não podemos fazer uma modificação
eleitoral para que um partido que já foi constituído recentemente
possa se constituir na sua plenitude, como também não podemos fazer
artifícios para que outro partido, que seria constituído, não
pudesse ser constituído dentro do ambiente democrático previsto.
Então, os casuísmos, que têm marcado algumas questões para nós,
devemos evitar.
Em terceiro lugar, nós temos um prazo regimental — 40 sessões
— para concluirmos os nossos trabalhos. Eu acredito que nós
precisemos ter um escopo global de um projeto de reforma, mesmo que
a gente o gradue no tempo, na próxima eleição, na outra eleição, na
outra eleição, mas que seja um formato estruturante capaz de dar
respostas a algumas coisas.
Perturba-me muito ouvir falar que nós precisamos fortalecer
os partidos, mas, ao mesmo tempo, estabelece-se que o eleitor não
vota em partido, vota no candidato. Claro que não vota em partido!
Os partidos não existem! Os partidos são depositários de
candidaturas e de projetos de poder daqueles que ali estão. Nós
precisamos restaurar os partidos. Na primeira legislatura em que
aqui estive, eram 18 os partidos que estavam nesta Casa, na segunda,
eram 22, neste momento são 28. Proliferam-se siglas cujo conteúdo
programático é nenhum, é apenas um artifício para fazer arranjos e
para buscar questões que para nós são muito complicadas — e nós
precisamos fugir disso.
Portanto, eu torço — e o meu empenho aqui será nesse sentido
— para uma condução global, com gradações no tempo, para que nós
possamos responder a questões centrais.
E eu não tenho dúvidas de que o Marcelo Castro é o Relator
feito sob medida para essa matéria, o alfaiate não poderia ter sido
outro. Que o Marcelo Castro possa ser o coordenador dos nossos
desejos coletivos que aqui estão — e que não só aqui estão, mas que
precisam a partir daqui ser acompanhados e ser recepcionados pelo
Plenário —, para que possamos ter uma resposta rápida, nos próximos
4 meses, de uma reforma política que nos orgulhe e que orgulhe a
sociedade.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Deputada Moema
Gramacho.
A SRA. DEPUTADA MOEMA
GRAMACHO - Sr. Presidente,
gostaria de começar parabenizando V.Exa. pelo processo eleitoral,
toda a Mesa Diretora e também a Relatoria. Quero também parabenizar
o meu partido, que, já exercitando o que viemos defendendo na
reforma política — a garantia também da participação das mulheres
nas disputas eleitorais, concretamente tendo oportunidade de disputa
com igualdade —, indicou-me como membro titular e também a Deputada
Margarida como membro suplente para fazermos parte desta Comissão.
São quatro membros do Partido dos Trabalhadores componentes desta
Comissão. Portanto, nós já começamos exercitando a presença das
mulheres.
Queria também, Sr.
Presidente, dizer que já protocolamos nesta Casa o
Requerimento nº 1, no qual conclamamos que seja aprovado por este
Plenário, no momento oportuno, quando V.Exa. assim decidir, a
realização de várias audiências públicas. Gostaríamos que para a
primeira delas nós pudéssemos convidar as representações de várias
entidades de movimentos sociais que já vêm tratando do assunto, que
já têm proposições amplamente discutidas no seio de suas categorias,
como a CNBB, a OAB, a UNE, a CUT, a Associação dos Magistrados e
outras entidades.
Essa audiência pública poderia efetivamente garantir o que
tem sido o anseio colocado pelos Deputados desta Casa de se fazer
uma reforma política à luz dos anseios da população. Não consigo
vislumbrar que essa reforma possa ser feita sem que haja
efetivamente essa construção a várias mãos, ouvindo aqueles que já
se manifestaram nesse sentido e, até mesmo, fazendo com que haja um
maior aprofundamento por parte da sociedade, daqueles que por
ventura ainda não tiveram condições de opinar, para que a gente
possa fazer essa reforma
política para melhorar efetivamente a vida do nosso
povo.
Nós sabemos que existem várias reformas que precisam ser
feitas. A reforma tributária, principalmente taxando as grandes
fortunas e não subtraindo, em hipótese alguma, direitos
trabalhistas, mas, ao mesmo tempo, garantindo uma melhor
distribuição de renda, desconcentrando,
inclusive, rendas da União, fortalecendo o municipalismo brasileiro.
Não tenho dúvida disso. Fui Prefeita por dois mandatos e sei o
quanto é importante a gente fortalecer o municipalismo, com
distribuição de renda. Além
dessas reformas e da aceleração da reforma agrária, a gente sabe
também que a reforma política pode e deve interferir diretamente em
todos os demais processos que tenham a ver com a vida do povo
brasileiro. E, portanto, se há efetivamente essa interferência, nós
precisamos aproximar o povo desta construção. Por isso, a audiência
pública, para que nós possamos ouvi-los.
E, mais do que isso, é importante que os Deputados desta Casa
possam também auscultar essas vozes, que muitos dizem que têm uma
resposta a dar ao junho de 2013. Mas, para que possamos dar a
resposta ao junho de 2013, nós precisamos ouvir todos. E eu
presenciei algumas falas no plenário, em que alguns diziam que
financiamento público de campanha é para tirar dinheiro do social,
para jogar para os partidos políticos e para eleger
Deputados.
Eu acho que essa fala não constrói. Nós precisamos tratar da
questão do sistema de financiamento, seja ele público, seja ele
privado, seja ele de qualquer outra forma, com uma seriedade muito
grande. Inclusive, no tocante a financiamento público, não há que se
retirar recurso do social, se assim for a ideia de passar
exclusivamente o financiamento público de campanha. É preciso, sim,
ter controle dos gastos, ter limites, ter critérios e ter,
efetivamente, fiscalização, porque de nada vai adiantar fazermos as
mudanças se não houver uma fiscalização
efetiva.
Portanto, eu acho que esse discurso não ajuda, não constrói.
E nós precisamos exercitar esse trabalho de construção das
propostas, colocando dados concretos e fazendo com que essas
proposições possam ter argumentos importantes e verdadeiros para a
construção dessa reforma política.
Acho até, Sr. Presidente — já estou concluindo —, que essa
audiência pública pode acontecer o mais rápido possível, mas com o
tempo necessário para que haja uma mobilização para a participação
dessas entidades. Sugiro que seja já em março. Se não tivermos
consenso para uma data já no início de março, que não passemos do
dia 31 de março. Até sugiro a data do dia 31, que é uma data
importante, para darmos resposta, inclusive na construção de uma
reforma política, ao golpe que alguns chamam diferentemente de
“revolução”.
Gostaria também de dizer que os nossos Deputados, nos seus
Estados, deveriam também promover essas audiências públicas, para
que a gente pudesse regionalizar a discussão e trazer efetivamente
para o Congresso algo muito mais trabalhado do ponto de vista do
conceito que a população quer para essa reforma
política.
No mais, eu me coloco à disposição para construir a reforma
para o povo brasileiro, oriunda das ideias do povo brasileiro.
O SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Deputado Orlando Silva.
O SR. DEPUTADO
ORLANDO SILVA - Obrigado, Sr. Presidente.
Cumprimento V.Exa., Presidente Rodrigo Maia, a quem desejo
sucesso na condução dos trabalhos desta Comissão. Cumprimento também
o Deputado Marcus Pestana, o Deputado Rubens Otoni, o Deputado
Marcelo Castro.
Eu considero, Sr. Presidente, colegas, que esta primeira
reunião, evidentemente, não vai tratar do mérito das propostas que
nós vamos examinar e finalizar para encaminhar ao plenário da Casa.
É uma reunião que deve tratar de
procedimentos.
Nesse sentido, eu me filio à ideia de alguns que já se
manifestaram aqui quanto à necessidade de que esta Comissão elabore
o seu projeto de emenda à constituição, ou encaminhe outros projetos
de iniciativa infraconstitucional, legislação ordinária, em diálogo
com a sociedade.
Eu considero que este é um mecanismo que pode reforçar o
trabalho liderado pelos Deputados: firmar um diálogo com entidades
representativas da sociedade civil, de modo a adensar politicamente
a proposta que o Plenário da Casa deve
examinar.
Aqui foi feita referência a um conjunto de entidades que
compõem a chamada coalisão democrática, mas sei que há um conjunto
de outras instituições, inclusive pesquisadores, pensadores, que
trabalham temas importantes que podem ser assimilados por esta
Comissão.
Uma segunda questão que considero importante foi registrada
pelo Deputado Marcus Pestana. Evidentemente, eu, que sou novato aqui
na Casa — estou exercendo o meu mandato há uma semana —, devo
reconhecer que o debate da reforma política nesta Casa não começou
nesta semana. Evidentemente, a sabedoria
coletiva desta Comissão Especial deve incorporar os debates
anteriormente feitos no que diz respeito à elaboração de uma boa
proposta de reforma constitucional. Mas deve considerar também,
creio eu — aí eu faço uma reflexão junto com o Deputado Marcelo
Castro —, a experiência do Brasil. Tem que ser uma reforma que
ajuste o funcionamento do sistema partidário eleitoral do
Brasil.
O Deputado Marcelo Castro fala: “Mas nos Estados Unidos são
quantos os partidos?” Faltou completar que há décadas, por que
não dizer séculos, eles construíram o seu modelo de democracia. E o
nosso modelo vive neste instante, a partir de 1985, a mais longa
experiência de vida democrática, ou seja, uma democracia
absolutamente jovem. Portanto, a democracia ainda constrói os seus
caminhos, ainda busca a maior legitimação das suas instituições
políticas e da sua representação. O que é certo para os Estados
Unidos pode não ser certo para o Brasil, no caso concreto do sistema
político eleitoral. Por isso, considero que temos que ter paciência
na afirmação e na construção da democracia brasileira.
Considero que é preciso estar atento ao equilíbrio entre os
poderes. Há pouco tempo, a Corte Constitucional do Brasil, o Supremo
Tribunal Federal, julgou a proposta de cláusula de barreira. Por
unanimidade, considerou inconstitucional a introdução no nosso
sistema político eleitoral de cláusula de barreira. Assusta-me
quando a PEC 352 retoma esse debate, sob pena de um choque, porque
há repartição de poderes, responsabilidades diferenciadas entre o
Parlamento e o Supremo. Portanto,
considero que, assim como a cláusula de barreira, o financiamento
privado ser constitucionalizado quando existe o exame que há neste
momento na Corte Constitucional é algo que me
preocupa.
Não basta o argumento de que se insira, portanto, um artigo
na Constituição com esse texto, porque a análise da
constitucionalidade não diz respeito a um artigo da Constituição,
mas ao conjunto da Constituição. As cláusulas pétreas, os direitos
fundamentais, tudo isso baliza a análise feita pela Corte Suprema.
Por
isso, eu considero que nos procedimentos, não no mérito, que vamos
examinar no próximo período há que se ter cuidado por equilíbrio
entre os poderes, respeitando a história do Brasil, a história desta
Casa, de modo que nós possamos seguir os três pontos manifestados
pelo Relator Marcelo Castro, que, confesso, me inspirou. Se esta
Comissão der bom resultado para estes três pontos — aproximar o
cidadão da política, fortalecer os partidos e melhorar o regime de
financiamento —, ao final, seguramente, nós seremos reconhecidos
pelo trabalho que fizemos no fortalecimento da nossa
democracia.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Agradeço as palavras do Deputado
Orlando, que foi um grande Ministro do Esporte. O Brasil deve a ele
com certeza o processo vitorioso das Olimpíadas na minha cidade, o
Rio de Janeiro.
Passo a palavra ao Deputado Renato
Molling.
O SR. DEPUTADO RENATO
MOLLING - Queria cumprimentar o Presidente Rodrigo Maia, o
Relator Marcelo Castro, o Vice-Presidente Rubens Otoni. Parabenizo
também o Presidente da Casa, que de imediato instalou esta Comissão
tão importante, que está sendo reivindicada pelo País todo,
especialmente para melhorarmos a política, termos mais credibilidade
e fazermos com que a política atinja os seus objetivos, porque ela
está em tudo. Hoje, ela está bastante desacreditada. Por isso, a
importância de fazermos essa reforma.
Não adianta nós nos iludirmos como fato de que tirando o
financiamento privado nós vamos resolver todos os problemas. Se nós
não diminuirmos os custos de campanha, com certeza o caixa dois, a
corrupção, tudo isso vai continuar. Nós temos que trabalhar para
diminuir custos de campanha e também para ter mais eficiência na
aplicação dos recursos públicos.
Eu apresentei uma PEC em 2007. Eu fui Prefeito 8 anos e senti
na pele o problema das eleições de 2 em 2 anos. Convênios com o
Governo Federal e estadual não andam em ano eleitoral. Tudo
paralisa. Obras não são pagas, recursos não são repassados, além dos
custos de campanha. Então, eu acredito que a unificação das eleições
com certeza vai melhorar a eficiência da aplicação dos recursos
públicos, diminuir os custos de campanha. Uma campanha única vai
melhorar bastante isso. Além disso, Além
disso, como já foi colocado, há o fortalecimento dos partidos. Nós
temos que diminuir o número de partidos também. Há partidos que têm
a sua filosofia, mas hoje a maior parte dos partidos são danosos
para o País, porque, quando chegam as campanhas, não se elege nem
mais para prefeito sem dez, quinze alianças. E essas alianças são
para cargos em comissão ou cargos de confiança, por isso os
prefeitos hoje não conseguem fazer nada, estão gastando tudo em
pessoal. Então nós temos que diminuir o número de partidos, para
fazermos com que o eleitor consiga discernir um pouco mais. Hoje ele
está todo confuso com tantos partidos que
existem. Eu
tenho certeza de que a Comissão está em boas mãos com o nosso
Presidente e com o Relator, que já tem experiência. Esse é um tema
que foi muito discutido. É claro que nós precisamos continuar
ouvindo a comunidade, mas não precisamos ficar fazendo audiências
durante 1 ano, porque é um tema que já está bastante maduro. E
precisamos avançar para que essa PEC possa entrar em vigor já nas
eleições do ano que vem. Parabéns
e um ótimo trabalho para todos os membros que fazem parte desta
Comissão tão importante! O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Raquel
Muniz. A
SRA. DEPUTADA RAQUEL MUNIZ -
Eu quero parabenizar o nosso Presidente desta importante Comissão,
Deputado Rodrigo Maia, e os demais membros eleitos.
Quero
dizer a V.Exas. que a minha intenção de participar desta Comissão
vem da necessidade da minha região, de que sou a única
representante. Há muito tempo o norte de Minas, que é uma região
grande, estava sem representação. No
painel da Câmara, a gente observa a relação dos Deputados por
Estado. E aí a gente faz uma reflexão sobre o Estado de Minas
Gerais, onde há mais de 800 Municípios. Eu tive votos em mais de 600
Municípios, fruto de um trabalho enorme na escolha até do partido
para me candidatar, um esforço enorme durante a campanha. E o medo
de que a minha região não estivesse novamente representada aqui
nesta Legislatura fez com que eu caminhasse muito durante a
campanha. Consegui a minha eleição e, mais do que isso, trouxe na
minha coligação mais uma mulher, a Deputada Brunny. Meus
amigos, a minha presença aqui será constante, porque eu quero que a
minha região, o norte de Minas, esteja mais representada na próxima
Legislatura. Portanto, conclamo V.Exas. para discutirmos também a
questão eleitoral através dos Estados, porque cada Estado tem uma
dificuldade, cada Estado tem uma diferença no tamanho, no processo
eleitoral, no número de partidos. O
meu desejo é agir como o nosso Presidente, que teve celeridade para
constituir esta Comissão, que hoje tem tanta participação,
especialmente no início. E quero dizer que V.Exas. vão ter aqui a
presença de uma mulher que vai estar lutando por sua região, por
mais representação e, mais do que isso, por maior participação das
mulheres através do processo eleitoral que vamos conseguir
efetivamente votar aqui, durante todas as reuniões de que vamos
participar. Enfim, espero que possamos entregar à população aquilo
que ela mais deseja: a reforma eleitoral. Muito
obrigada. O
SR. PRESIDENTE (Deputado
Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Joaquim
Passarinho. O
SR. DEPUTADO JOAQUIM PASSARINHO -
Sr. Presidente, serei breve, até porque acho que, com relação ao
tema, vamos ter oportunidade de discutir as divergências. Mas em
nome do nosso partido, o PSD, eu quero dar os parabéns a V.Exa.
Desejo uma boa gestão nesta Comissão ao nosso ao Vice-Presidente e
boa sorte ao Relator, que, com certeza, tem a função mais espinhosa,
de recolher 513 pensamentos diferentes de 28
partidos. Em
meu nome, em nome do Deputado Indio da Costa e no nome do nosso
Líder Rogério Rosso, há pouco aqui presente, quero dizer que, afora
isso tudo, preocupa-nos quando olhamos a lista aqui e deparamos com
o fato de que eu sou o único representante do Norte do País todo. Se
há diferenças entre partidos e pensamentos, também há diferenças
muito grandes entre as Regiões deste País. E o norte do País está
representado nesta Comissão apenas com um
membro. Mas
como o nosso Relator é do Piauí, um Estado mais próximo do nosso,
nós ficamos mais tranquilos porque S.Exa. sabe dos problemas que
enfrentamos, como de locomoção e diversos outros de uma campanha
eleitoral. É
lógico que não vai sair daqui o ideal de cada um de nós. Mas
esperamos poder fazer o melhor para este País, para que possamos ter
uma eleição cada vez mais justa. Parabéns
e sucesso a esta Comissão!
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Tem a palavra o Deputado Benito
Gama.
O SR. DEPUTADO BENITO
GAMA - Sr. Presidente, quero cumprimentar V.Exa., com a grande
responsabilidade que sempre teve aqui nesta Casa e agora presidindo
esta Comissão Especial; o Deputado Marcelo Castro, este grande
companheiro e Relator, que tem mostrado ao longo da sua vida
pública, não somente aqui no Congresso, a sua luta para fazer um
Brasil melhor; o Deputado Marcus Pestana; e o Deputado Rubens Otoni.
Quero dizer, em meu nome pessoal e em nome do partido, da nossa
esperança e da nossa expectativa. Queremos dar todo o crédito a esta
Comissão para que ela, organizada hoje e presidida por V.Exa.,
chegue a bom termo.
A presença do Presidente da Casa, Eduardo Cunha, aqui hoje
foi um emblema muito forte com relação à reforma política, porque
este é um tema recorrente, que está em toda legislatura. E eu não
tenho dúvida de que há massa crítica, há informações suficientes
para que possamos chegar a um projeto e uma mudança importante no
Brasil. Acredito que faltava — e ainda vamos recuperar isso, sem
dúvida alguma — a vontade política. Então a presença do Presidente
da Casa neste momento, bem como de todos os partidos interessados
nesse processo, vai fazer com que nós possamos chegar realmente a um
projeto importante e uma mudança que o Brasil não pode mais
prorrogar. É
evidente que V.Exa. está realmente com uma responsabilidade muito
grande. E nós todos estamos aqui para colaborar e ajudar a fazer
essa reforma política. Sem dúvida alguma é um tema sobre o qual há,
como eu disse, massa crítica para uma decisão. E o prazo, ainda
neste primeiro semestre, será fundamental para que, em 2016 e nos
anos seguintes, possamos realmente fazer eleições mais competitivas,
mais claras e mais determinadas em nosso País.
Sucesso
a V.Exa. e meus cumprimentos a toda a Mesa!
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Concedo a palavra ao Deputado Tadeu
Alencar.
O SR. DEPUTADO TADEU
ALENCAR - Sr. Presidente Rodrigo Maia, eu quero me congratular
com a eleição de V.Exa. para presidir os trabalhos desta Comissão de
Reforma Política; com os demais membros da Mesa, Deputados Marcus
Pestana e Rubens Otoni; e com o nosso Relator, Deputado Marcelo
Castro.
Recentemente, assistindo à TV Câmara, tive a
oportunidade de aprender com o que o nosso Relator dizia naquele
debate exatamente sobre reforma política, uma reforma que o Brasil
inteiro espera profundamente e que está enraizada na consciência da
sociedade civil como um instrumento que pode atacar de frente muitos
dos problemas que a política vem enfrentando hoje em nosso
País. Estamos
assistindo, com grave preocupação, ao que passa o Brasil.
Certamente, nos ombros das Sras. e dos Srs. Deputados integrantes
desta Comissão, pesa uma grande responsabilidade. Acho que em boa
hora o Presidente da Casa, Deputado Eduardo Cunha, trouxe a essa
matéria a admissibilidade aprovada pelo Plenário, passando por cima
de questões formais absolutamente acessórias no debate maior da
reforma política, permitindo que esse debate pudesse ser travado e,
com grande velocidade, instalando esta Comissão no dia de
hoje. V.Exa.
terá do PSB, o meu partido, e da minha participação todo empenho e
toda energia para que nós possamos colaborar fortemente com esse
debate. Quero
cumprimentar o Deputado Esperidião Amin e o Deputado Henrique
Fontana. Certamente
foram despendidas muitas horas de trabalho pela Comissão anterior.
Eu queria sugerir que a Presidência distribuísse, se houver, o
relatório preliminar dos trabalhos dessa Comissão, para que
pudéssemos nos orientar pelos debates que foram travados e pelas
conclusões. Eu acho que isso iria enriquecer fortemente o trabalho
desta nova Comissão. Por
fim eu quero esclarecer a questão da Deputada Luiza Erundina, minha
companheira de bancada. Lamentavelmente a indicação de S.Exa. aqui,
para poder ocupar um espaço na Mesa, deu-se no momento em que eu já
havia sido indicado pelo Líder. Já havia sido feita da nossa parte
uma comunicação ao nosso Estado, sobre a nossa participação na
Comissão. Além do mais, a nossa campanha foi feita em cima desse
tema central da reforma política. A Deputada é uma companheira que
merece o nosso respeito pela condição de ser mulher. Seria
interessante a participação de uma mulher na Mesa, mas certamente
nós temos o exemplo da Deputada como suplente da Comissão. E a
Deputada Luíza Erundina vai, dentro do conjunto da bancada, orientar
a posição do partido, que sempre contou com a respeitabilidade e a
honorabilidade de S.Exa.
Eu desejo ao Presidente, à Mesa Diretora e aos colegas
integrantes desta Comissão muito sucesso. Sei que o Brasil espera do
nosso trabalho aqui um resultado que possa fortalecer a política e
fazer com que ela seja um instrumento de progresso social em nosso
País. Muito
obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Julio Lopes.
O SR. DEPUTADO JULIO
LOPES - Sr. Presidente Rodrigo Maia, eu queria cumprimentar
V.Exa. em nome também aqui do Senador Francisco Dornelles, por quem
estou aqui também hoje, nesta Comissão. Quero parabenizar o Deputado
Rubens Otoni e o Deputado Marcelo Castro. Deputado
Orlando Silva, conversando com o Senador e hoje Vice-Governador do
Rio, eu queria aqui, com a admiração que tenho pelo trabalho que fez
V.Exa. à frente do Ministério do Esporte, divergir frontalmente da
questão do financiamento e das decisões ou encaminhamentos do
Judiciário relativamente a esse tema. A nossa posição é que não é a
origem dos recursos que caracteriza a sua licitude ou exatidão de
aplicação. Muito pelo contrário: isso depende de regras e
acompanhamento de aplicação.
Eu queria aqui também colocar que, sendo a quarta eleição de
que participo, cada vez sinto mais complexo o regime eleitoral e
mais os advogados sendo beneficiados pela enorme complexidade desse
sistema. Então eu queria aqui, Sr. Presidente e Deputado Rubens
Otoni, propugnar que nós fizéssemos um esforço para que tudo fosse
muito prático, simples e objetivo. Quanto mais simples for a
legislação que nós pudermos aqui criar, mais convidativa ela será
para cada cidadão. Também queria propugnar que debatêssemos com mais
profundidade esse tema do financiamento. Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Mais) - Com a palavra o Deputado Chico
Alencar.
O SR. DEPUTADO CHICO
ALENCAR - Sr. Presidente Rodrigo Maia, Relator Marcelo Castro,
que deve voltar já, 1º Vice-Presidente Rubens Otoni e 2º
Vice-Presidente Marcos Pestana, V.Exas. são os nossos dirigentes
desse embate que, estimo, vai durar nesta Comissão até maio, com a
abertura de possibilidade de emendas e substitutivos à PEC 352 até
no início de março. É o cálculo que temos. Também
avalio que há pelo menos quatro pontos centrais dos nossos embates
aqui, que serão tanto mais substantivos quanto mais a população se
interessar por eles, quanto mais as entidades da sociedade civil
estiverem participando aqui deste espaço. A nossa representação não
é uma delegação conquistada nas urnas que fica intocável,
cristalizada por 4 anos. Ela é uma relação dialética, dinâmica com
aqueles que nos trouxeram para cá. Então o povo precisa ser
escutado, embora saibamos que a maioria está desinteressada desses
temas.
Eu imagino que os quatro pontos centrais sejam: o
financiamento de partidos e campanhas, sobre o qual as divergências
já apareceram aqui, claras e objetivas; o sistema territorial da
representação, pois há muitos segmentos sociais sub-representados no
Brasil de hoje; o fortalecimento dos partidos e a forma das suas
nominatas; e as cláusulas de desempenho.
Alerto que, pela PEC que vai nortear os nossos debates aqui e
que será, espero eu, bastante emendada, transformada, hoje, naquele
sistema gradual de cláusula de desempenho, ficariam sem fundo
partidário, tempo de TV e rádio e representação ou Liderança no
Parlamento, nada menos do que 17 partidos, entre eles o PCdoB, o
PPS, o PROS, o PV, o Solidariedade e, claro, o nosso PSOL também.
Será que isso é o mais democrático? Por mais que partidos tenham
virado muitas vezes balcão de negócios escusos e impublicáveis e que
o dono de partido negocie tempo de TV, há outros modos e meios de
tirar esse fisiologismo institucional que degrada a vida partidária.
Então eu creio que esses quatro pontos vão levar muito debate
aqui. E eu espero que a gente produza algo ao final, para o Plenário
decidir até setembro, lembrando que o Senado também vai ter que
opinar sobre isso. Não sei se necessariamente precisamos
constitucionalizar todos os temas que vierem ao debate aqui, pois
podemos, também concomitantemente, fazer uma legislação
infraconstitucional. Mas é preciso fazer um arcabouço que mude o
sistema político. Talvez
o único ponto de concordância seja o de que como está não dá mais. A
economia ou, vale dizer, as forças dominantes da economia estão
colonizando a política. Isso é péssimo para o País. Eu não quero
dialogar com a bancada dos empreiteiros, com a bancada dos
frigoríficos, com a bancada da bola, da bala. As
eleições — nós que disputamos há algum tempo — cada vez mais estão
sob a égide do poder do dinheiro, em que o convencimento, a opinião,
o programa, a proposta e a visão de mundo têm pouca relevância. Isso
é péssimo, é deprimente e leva ao descrédito.
Então eu estou animado pela maior virtude desta Comissão. E a
responsabilidade de juízes de V.Exas. da Mesa é determinar um tempo,
estabelecer um cronograma. A OAB, a CNBB e todas as entidades vão
ter que agilizar para terem interferência aqui. É claro que elas
serão chamadas em audiências públicas, em debates.
Chegou
a hora, não é? Então vamos para o ringue: não vale golpe baixo; e a
Mesa Diretora vai agir como juiz.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra a Deputada Renata
Abreu.
A SRA. DEPUTADA
RENATA ABREU - Obrigada, Sr. Presidente.
Cumprimento toda a Mesa aqui também como novata da Casa, pois
é minha primeira eleição, e representando uma minoria, as mulheres e
os partidos pequenos.
Eu quero terminar esta reunião falando para V.Exas. que
espero muito que esta Comissão realmente seja pautada pela
imparcialidade. Todos nós aqui temos partidos políticos, mas agora é
o momento em que vamos definir realmente os rumos da nossa
democracia. Então nós temos que deixar as nossas siglas de lado e
ver o que é melhor para o Brasil.
Eu sou uma idealista. E fico muito feliz de estar aqui nesta
Comissão como membro titular porque, mesmo antes de ser Deputada, eu
redigia projetos de lei para Deputados da Casa que me falavam: “Renata isso nunca vai ser
aprovado”. E eu falava: “Mas isso é justo, é
democrático. Eu acho legal”. E eles falavam: “Isso não interessa aos grandes
partidos”.
E eu quero fazer um apelo aqui, juntamente com o Deputado
Orlando Silva e com o Deputado Chico Alencar, sobre a questão da
cláusula de desempenho. Hoje no Congresso Nacional, há uma das
maiores fragmentações da história do Brasil. Muitos partidos — não
novos, mas partidos pequenos — ingressaram nesta Casa, dando um
sinal claro de que o nosso povo quer gente nova, quer sim que outros
partidos deem voz aqui no Congresso Nacional. E como nós podemos ir
na contramão do que está gritando, nas ruas, o nosso povo, colocando
uma cláusula de desempenho, quando as regras eleitorais são
desleais? Eu falo isso como Deputada de um pequeno partido. Com um
fundo partidário superpequeno, com um tempo de televisão pífio, eu
consegui chegar a esta Casa com os três “s” que meu pai me ensinou:
com o suor, com a saliva e com a sola de
sapato,.
Eleição é um momento em que todo esse processo tem que ser
zerado. Se todos os partidos não tiverem as mesmas condições de
concorrer com igualdade, nós não estaremos vivendo numa democracia.
Como dizer que, numa eleição municipal, um partido tem 30 segundos
de televisão para lançar um prefeito e outro tem 8 minutos? Até que
ponto nós não estamos direcionando uma eleição, para manter os mais
fores no poder? Nós
precisamos de verdade fazer dessa reforma política realmente
democrática. Quando um processo começa numa eleição, nós temos que
defender que todos os partidos tenham igualdade. Se vamos defender um
financiamento público, que ele também seja igual.
Temos,
sim, de debater o tempo de televisão em uma eleição. Por que ele não
tem de ser igual quando o Brasil quer conhecer todas as
possibilidades de escolha numa eleição? Então, eu queria realmente
aqui desejar um excelente trabalho a esta Comissão e aclamar e pedir
que ela garanta a imparcialidade para que os nossos futuros
representantes cheguem aqui efetivamente em uma democracia justa e
que garanta condições para que todos os partidos e todas as pessoas
do bem que queiram amanhã ter voz neste Congresso consigam chegar
aqui e brigar pela sua bandeira e pelo seu
ideal.
Muito obrigado, Srs. Parlamentares, e bom trabalho a
todos.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Concedo a palavra ao Deputado Padre
João.
O SR. DEPUTADO PADRE
JOÃO - Saúdo a todos os companheiros e companheiras. Agora quem
nos dirige é o Rubens Otoni. Acho
que a maior conquista de fato de uma nação é realizar eleições
diretas. Foi a nossa grande conquista, mas esse tempo já foi
suficiente para também mostrar que a nossa democracia manca. Você
dificilmente consegue consertar um processo que começa errado.
Infelizmente, o processo de escolha na conquista do poder, seja no
Legislativo, seja no Executivo, está errado, porque o que prevalece
é o poder econômico. Ele fere todo esse processo e possibilita que
sejam eleitos não representantes de fato do povo, mas representantes
do setor econômico. Esta é a realidade. É a realidade desta Casa.
Então, é um processo excludente o que nós estamos vivendo e
que, portanto, tem que ser corrigido. E é temeroso, Sr. Presidente,
temeroso a gente usar uma realidade, uma conjuntura para passar uma
mentira para a sociedade. É verdade que queremos uma reforma
política, é verdade que o povo quer uma reforma política. Agora,
qual é o receio, o risco? É de a gente ser oportunista, de quem está
nesta Casa ser oportunista e passar para o povo que está fazendo uma
reforma política e fazer uma antirreforma, de fazer algo que vai
distanciar ainda mais possibilidade de o nosso povo conquistar o
poder, seja no Legislativo, seja no Executivo.
O
que está provado, o que prevalece, é que quem consegue fazer a
campanha é quem está aliado ao poder econômico, a não ser que tenha
uma base social muito forte. No meu caso, se não fosse de fato uma
base social de trabalhadoras e trabalhadores da agricultura
familiar, que lutam pela reforma agrária, dos movimentos sociais, de
trabalhadores e trabalhadoras da educação, de trabalhadores e
trabalhadoras do Tribunal de Justiça que estão lutando, eu não
estaria aqui, não estaria aqui! Não recebi recursos de nenhuma
empresa, mas a gente sabe que aqui prevalece o poder das
mineradoras, dos grandes laboratórios, dos grandes empresários do
agronegócio. Com isso, temos aqui uma falsa representação, que não
representa de fato o povo.
Por isso, no meu entender, pude cobrar do Presidente do meu
partido, na reunião do Diretório Nacional do Partido dos
Trabalhadores, nessa última sexta-feira, com esse sentimento do povo
muito bem colocado, bem sintetizado, na proposta da OAB, da
CNBB,
com a assinatura de mais de 7 milhões que apontaram a reforma
política que de fato querem.
Então, quero me somar a esses esforços. Para mim, o central é
o financiamento de campanha, é o financiamento. Para mim, ele é o
cerne de tudo e o que vem fazendo grandes estragos, é o início de
fato de toda a corrupção ou de uma representação que claudica, uma
representação que manca aqui nesta Casa.
A minha disposição, Sr. Presidente, é a de me dedicar a esta
Comissão. Aproveito para justificar minha ausência anteriormente,
porque eu estava coordenando um grupo de 16 Deputados numa reunião
ministerial.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Diego
Andrade.
O SR. DEPUTADO DIEGO
ANDRADE - Sr. Presidente, eu gostaria de desejar sucesso na
condução dos trabalhos desta Comissão e deixar uma sugestão para que
possamos ter um trabalho mais produtivo, com a participação de
todos. É um tema muito polêmico, todo mundo sabe. Não é fácil achar
consenso em todos os pontos. Portanto, eu gostaria de sugerir a
instalação de sub-relatorias, onde poderíamos ter maior participação
e conseguir chegar a um relatório final com
tópicos.
Vamos aprender com os erros, como os que ocorreram, na
Legislatura passada, na última tentativa que fizemos de levar a
reforma política adiante. Com todo respeito ao Deputado Henrique,
mas S.Exa. já chegou defendendo o ponto mais polêmico, que era o
voto de lista. Aí, a sessão caiu, e não conseguimos tratar mais de
reforma política aqui no Congresso Nacional. Então, um item pode
colocar tudo a perder, se mal conduzido.
Então, se trabalharmos com sub-relatorias, se trabalharmos
com os tópicos e dar opção aos Parlamentares que, às vezes, divergem
de alguns de nós aqui na Comissão, vamos construir, se Deus quiser,
um bom acordo e vetar determinado ponto. Nós precisamos trabalhar
com esse foco, com essa ideia.
A sugestão que eu estou colocando para os pares, para os
Deputados Indio e Rosso, com os quais já conversei, é a de termos o
cuidado nesse tema, mais do que em qualquer outro tema, de manter
informados os demais colegas, nas reuniões de cada um dos partidos,
dos passos que formos dando aqui. Assim, chegaremos ao plenário com
um clima menos hostil, um clima mais favorável, para conseguirmos
avançar, senão com todos os pontos que discutimos aqui, mas com os
principais pontos, e tentar, principalmente naqueles temas em que há
maior adesão, como a coincidência das eleições. Temos conversado com
os colegas no plenário e vemos que tem muita gente favorável. Vamos
tentar colocar esses pontos e, se não conseguirmos melhorar tudo o
que gostaríamos, que, pelo menos, consigamos avançar um
pouco.
Para finalizar, quero relembrar as palavras muito sábias do
Deputado Julio, no que diz respeito à questão de simplificar. Tudo
que tem que ser explicado demais, num País em que infelizmente ainda
temos 4% da população com curso superior, se torna difícil. É muito
difícil explicar para quem não participou do processo eleitoral que
um candidato que teve 80 mil votos em Minas Gerais — e eu gostaria
saudá-lo aqui, o meu amigo Walter Tosta — não veio para cá, mas
outro, com 30 mil, 40 mil votos, veio.
É a minha posição pessoal. Eu acho que para entrar na
política tem que ter voto, tem que ter representação. Esse negócio
de o candidato ser matemático para ganhar eleição, montar chapinha,
me incomoda muito. O sujeito tem que ter trabalho, tem que ter voto
e tem que vir pelo voto. Eu acho que nós temos que ter essa premissa
e buscar simplificar cada ponto, cada item da reforma
política.
Vamos juntos construir, se Deus quiser, um bom
relatório!
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Com a palavra o Deputado Odorico
Monteiro.
O SR. DEPUTADO
ODORICO MONTEIRO - Sr. Presidente, Deputado Rodrigo Maia, quero
saudar V.Exa., o companheiro Vice-Presidente, Deputado Rubens Otoni,
o nosso Relator, Deputado Marcelo Castro, meu querido Deputado
Pestana, com quem vamos ter aqui um debate intenso, retomando os
tempos em que eu era Secretário de Saúde de Minas Gerais, eu era
Presidente do CONASEMS. Quero também dizer da satisfação por ter
sido indicado pelo meu partido para compor esta
Comissão.
Esse tema da reforma política fez parte da nossa campanha.
Discutimos com os movimentos sociais, discutimos inclusive a
proposta da OAB e da CNBB. Esta é uma orientação do nosso partido,
na reunião realizado agora pelo Diretório Nacional, em Belo
Horizonte. A orientação é para que a gente discuta com a sociedade,
discuta nesta Casa. E eu fico muito feliz por participar desse
momento.
Quero reforçar a importância do requerimento da Deputada
Moema Gramacho. É importante que esta Comissão se contamine pelos
movimentos sociais, fortalecendo o mecanismo da democracia
participativa, que ela possa ter aqui o eco do acúmulo de que vários
segmentos da sociedade brasileira estão debatendo a reforma
política. Queremos reforçar isso e manifestar a nossa vontade de
contribuir com esse debate. Sem dúvida nenhuma, as grandes questões
debatidas aqui serão importantes para o avanço da reforma política
no Brasil.
Obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rodrigo Maia) - Peço a atenção dos Srs. Deputados para
alguns esclarecimentos sobre a tramitação de PECs.
O
prazo inicial da Comissão para proferir parecer à PEC é de 40
sessões ordinárias, contadas a partir da sua constituição.
O
prazo para apresentação das emendas é de 10 sessões ordinárias,
contadas a partir de amanhã, dia 11 de fevereiro. Ressalto que o
quórum regimental mínimo exigido para apresentação de emendas é de
um terço de assinaturas, o que corresponde a 171 Deputados.
As
emendas deverão ser apresentadas à Secretaria da Comissão, Sala
165-B, 2º Piso do Anexo II, em uma via original devidamente
autenticada e duas cópias. Preenchidos
esses requisitos, a Secretaria emitirá recibo e posteriormente
relatório de conferência das assinaturas.
Antes de franquear a palavra aos senhores membros, lembro que
a próxima reunião será destinada à definição do roteiro do trabalho,
apresentação de requerimentos e eleição do 3º Vice-Presidente.
A fim de dar publicidade a todas as matérias a serem
apreciadas na Comissão, solicito aos Srs. Deputados que queiram
sugerir nomes para serem ouvidos em audiência pública que o façam
por requerimento escrito, autenticado e apresentado à Secretaria da
Comissão até às 19 horas da sessão anterior à data marcada, que,
neste caso, o da primeira sessão, estou marcando para o próximo dia
24, terça-feira, às 14h30min, em plenário a ser
definido.
Antes de encerrar, passo a palavra ao Deputado Samuel
Moreira.
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Sr. Presidente, a grande discussão nossa aqui é no
sentido de alterar e estabelecer novas regras para promover uma
melhor escolha para o cidadão, para que ele possa ter melhor
critério. E, obviamente, que tendo melhores critérios, o resultado
da escolha é melhor. Então, nós temos que melhorar os
critérios.
O segundo objetivo é fazer com que possa haver um bom
acompanhamento depois, que o eleitor possa também acompanhar melhor
os mandatos dos Deputados. Então, estes são os objetivos que nós
vamos buscar.
O diagnóstico ainda é muito ruim. O meu partido, o PSDB, por
exemplo, foi protagonista nas eleições em São Paulo. Nós fizemos
coligações para Deputado Estadual com alguns partidos, para Deputado
Federal com outros partidos, para Senador com outros, para
Presidente da República com outros ainda! O eleitor compreende isso?
Olhem a distância do eleitor em relação às coligações partidárias.
Cada partido tem que montar sua chapa. Hoje, você vota num, elege
outro. Você vota num candidato e elege um partido que é de oposição
e, ao mesmo tempo, naquela coligação tem outro partido que é de
situação, da base do Governo. O eleitor é uma vítima bárbara desse
processo. Não tem como dar certo. Você vota num candidato e elege
outro!
A influência do dinheiro virou algo absurdo. As regras hoje
permitem que você contrate cabos eleitorais em todos os Estados. São
Paulo tem 645 Municípios. Você pode contratar cabo eleitoral e,
obviamente, registrar, pagar, tudo direitinho dentro das regras, nos
645 Municípios. E o voto vem, às vezes, sem o candidato se mexer. É
a influência do dinheiro. Ela é imensa.
Como disse o Deputado Marcelo Castro, eram 1.319 candidatos a
Deputado Estadual e 1.888 Deputados Federais para o eleitor
escolher. Eu sei que V.Exa. não quis dizer: “Vamos trazer o modelo dos
Estados Unidos para cá.” V.Exa. não quis dizer isso, mas são
referências que nós temos para até melhorar as nossas
regras.
Agora, imagine o eleitor acompanhar depois o desempenho dos
candidatos, dos 70 Deputados Federais eleitos em São Paulo. O
eleitor vai chegar em casa e vai fazer conta no Facebook para
acompanhar? Ele vai entrar no Twitter para acompanhar? Se fosse um,
seria diferente. Ele poderia ver a agenda do candidato, ele poderia
ver como o candidato votou. Todos seriam acompanhados. Hoje, isto é
impossível. E ainda colocam a culpa no eleitor, dizendo que ele não
acompanha, quando ele é uma vítima, como nós políticos também
estamos sendo.
Pior ainda hoje é a sensação de que a política é feita só
para os políticos, completamente distante da população, do eleitor,
o principal objetivo, do estágio civilizatório da nossa sociedade,
melhorando a disputa para que nós possamos ter uma sociedade com
regras melhores.
Então, nós vamos ter que nos desprender. Nós vamos ter que
encontrar um caminho para que o eleitor possa ser o protagonista
deste processo, porque senão a gente começa a fazer política...
Criar partido, por exemplo, aqui é muito fácil. Não tem regra para
criar partido, é só pegar a assinatura. Você cria partido e aí tem
tempo de televisão. Não que não se tenha que criar partido. Pode-se
ter partido. Agora, precisa ter regras rígidas para funcionar.
Talvez precise ter votos, sim. Talvez não possa ter tempo de TV, não
possa ter tempo de rádio, não possa ter acesso a fundo partidário.
Nós vamos ter que discutir, porque nós temos que discutir do ponto
de vista do eleitor! Nós todos temos espírito público e dá para
fazer política nos partidos, seja do ponto de vista ambiental, do
ponto de vista... Tem partido para tudo que é gosto. Então, nós
precisamos encontrar uma solução que melhore as condições de escolha
e, depois, de acompanhamento do eleitor, para fazer essa interação
entre o eleitor e o político.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Permite-me um aparte?
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Pois não.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Só para complementar, porque o Orlando disse
que eu teria dito “Estados Unidos”. Na verdade, eu não disse
“Estados Unidos”; eu disse “Estados Unidos, França, Alemanha,
Inglaterra, Espanha, Japão, Israel”. Eu citei todos os países porque
isso só ocorre no Brasil. Nenhum eleitor do mundo é submetido ao
vexame de escolher entre mil e tantas candidaturas. Não tem como o
eleitor fazer minimamente um voto consciente. Como é que ele vai
escolher entre mil e tantos candidatos a Deputado Federal, mil e
tantos candidatos a Deputado Estadual?
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - E depois eles querem que ele acompanhe ainda os 70
eleitos.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Ele não tem nem como saber o nome dos
candidatos, nem que ele se dedique só a isso daí. Isso não ocorre em
nenhum lugar do mundo, porque, quando o sistema é majoritário
distrital, e é o caso da França, da Inglaterra, dos Estados Unidos,
do Canadá...
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Japão.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Não.
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - No Japão é distrital também.
O SR. DEPUTADO
MARCELO CASTRO - Mas tem um pouco de misto. Nos sistemas da
Índia, da Austrália, que são sistemas puros, o eleitor escolhe entre
quantos candidatos. É como se fosse uma eleição de prefeito. Quantos
candidatos a Prefeito temos? Normalmente, uns 4, 5. Cada candidato
tem tempo de televisão para defender as suas ideias, o seu programa,
Então, o eleitor fica mais ou menos bem informado sobre aquele
candidato em que ele está votando. Se o sistema é proporcional, o
eleitor não vota no candidato, mas no partido, como na Espanha, por
exemplo. É o partido comunista, cujas ideias o eleitor já conhece,
ou um partido socialista. Pronto, tranquilo!
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Lista fechada.
O problema, Relator, é que nós...
O SR. DEPUTADO
ORLANDO SILVA - Deputado Samuel, permite-me um aparte de 1
minuto...
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Lógico, lógico.
O SR. DEPUTADO
ORLANDO SILVA - ... e em consideração ao nosso querido Deputado
Marcelo Castro? De
fato, o mérito, Deputado, vamos ter que examinar com calma. Enquanto
o Deputado Samuel Moreira, a quem admiro muito — conheço-o de São
Paulo e sei do seu compromisso com o Brasil — faz a defesa implícita
ainda do voto distrital, eu fico imaginando cá com os meus botões:
imaginem São Paulo, dividido em 70 distritos, e nós temos 70
Deputados, nós podemos viver uma situação inusitada; poderemos ter o
mesmo partido vencendo a eleição nos 70 distritos e poderemos ter
outros partidos com 20%, 30%, 40% mesmo da intenção popular e sem a
representação. Aí, voto distrital poderia esmagar o direito de
manifestação das minorias. Mas é um tema apaixonante, que vai ser
objeto de reflexão no momento adequado.
O SR. DEPUTADO SAMUEL
MOREIRA - Mas, Deputado, nós temos que ter a coragem de delegar
isso um pouco ao eleitor. Eu acho que o caminho aqui, para
começar... Realmente, tem a PEC, tem outras PECs apensadas, tem
emendas e discussões que nós vamos fazer. Agora, eu me sinto com
toda a legitimidade de quem foi eleito para o Parlamento para
decidir sobre reforma política. Eu acho que nós temos condições,
fomos eleitos recentemente, debatemos esse assunto e temos
legitimidade — ouvindo a população, sem se distanciar, mas com a
legitimidade que o Congresso tem.
E tenho uma preocupação: que a gente use muito da razão nesse
processo, porque o distanciamento entre nós e a sociedade está
ficando muito grande; além da crise que está aí, mais esse
distanciamento, e aí é vala comum para a classe política. Nós
precisamos liderar esse processo, antecipar-nos enquanto um
Congresso que quer e que vai fazer a reforma
política.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Obrigado, Deputado. Uma rápida
concessão aqui...
O SR. DEPUTADO
JEFFERSON CAMPOS - Só para registrar um momento tão importante
nesta Casa. Nós estamos aqui no quarto mandato parlamentar, ouvindo
os companheiros. Gostaria de parabenizar o Deputado Rodrigo Maia,
nosso querido Relator, que, com toda certeza, tomando conta de um
tema apaixonante como esse. Eu assinei ainda há pouco um apoiamento
a um projeto do Deputado Miro Teixeira. Trata-se do distritão,
aquela fórmula proposta pelo Vice-Presidente Michel Temer, segundo a
qual os mais votados de cada Estado deveriam ser os eleitos. Assinei
um apoiamento que, com certeza, chegará, e tantos temas
interessantes.
Nós estamos agora mesmo participando de um debate que a OAB
tem realizado em todo o Brasil — vou participar agora na cidade de
Sorocaba —, dentro daquela cartilha que ela enviou aos nossos
gabinetes, o projeto de iniciativa popular, que já está aqui na
Casa. Nós sabemos que o tema não é fácil. O Relator, o Presidente e
esta Comissão terão uma missão árdua.
Quando nós falamos do financiamento, hoje o grande nó, o
grande debate que se faz do financiamento da campanha, quando nós
expomos como a sociedade reagiria ao saber que alguns milhões de
reais, ou bilhões de reais, seriam gastos especificamente... E aí já
se começa discurso de quantos hospitais, quantas creches, quantos
quilômetros de asfalto, quantos benefícios públicos poderiam ser
feitos com esse dinheiro que se entregará nas mãos dos
políticos.
Então, eu só estou parabenizando V.Exa., que está com a gente
há tanto tempo aqui, Deputado Rubens Otoni, que, com certeza, já
conduziu outras Comissões, já foi nosso... Aqui na Comissão de
Justiça já tivemos grandes embates. Mas é um tema apaixonante, que
vai tomar conta nos próximos meses e talvez neste ano. Já vimos
nascerem tantas ideias de reforma política e esperamos que essa se
concretize.
Obrigado pela deferência de, no limiar desta sessão, poder
ainda me manifestar. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE
(Deputado Rubens Otoni) - Agradeço e parabenizo a todas as Sras.
Deputadas e a todos os Srs. Deputados pela participação nesta
reunião de instalação da Comissão Especial da Reforma
Política.
Nada mais havendo a tratar, eu lembro que teremos reunião
ordinária destinada à eleição da 3ª Vice-Presidência, assim como à
definição do roteiro de trabalho e à apreciação de requerimentos, no
próximo dia 24 de fevereiro, terça-feira, às 14h30min, em plenário
ainda a ser definido.
Está encerrada a presente reunião.
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