ATA DA 24ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA
PÚBLICA REALIZADA EM 2 DE JULHO DE 2014
Às
onze horas e trinta e nove minutos do dia dois de julho de dois mil e
quatorze, reuniu-se a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa
Nacional, no Anexo II, Plenário 3 da Câmara dos Deputados, sob a
presidência do Deputado Eduardo Barbosa – Presidente; e com a
presença dos Deputados Hugo Napoleão e Alfredo Sirkis –
Vice-Presidentes; Antonio Carlos Mendes Thame, Carlos Zarattini,
César Halum, Claudio Cajado, Emanuel Fernandes, Henrique Fontana, Íris de
Araújo, Janete Rocha Pietá, José Chaves, Marco Maia, Nelson Marquezelli,
Roberto de Lucena e Vieira da Cunha – Titulares; Alexandre Leite,
Cida Borghetti, Devanir Ribeiro, Dr. Grilo, Dr. Rosinha, Izalci, Jair
Bolsonaro, João Ananias, Luiz Carlos Hauly, Rubens Bueno, Stefano Aguiar e
Vanderlei Siraque – Suplentes. Deixaram de registrar suas presenças
os Deputados Almeida Lima, André Zacharow, Aracely de Paula, Carlos
Sampaio, Duarte Nogueira, George Hilton, Ivan Valente, Jaqueline Roriz,
Jefferson Campos, João Dado, Josias Gomes, Major Fábio, Perpétua Almeida,
Raul Lima e Urzeni Rocha. ABERTURA: O Presidente deu início à
Reunião Extraordinária de Audiência Pública, que tem por objetivo debater
sobre a exportação de serviços de engenharia no Brasil. Explicou que a
realização da reunião decorria da aprovação do Requerimento nº 442, de
2014, de autoria do Deputado Claudio Cajado (DEM/BA). Em seguida, foram
convidados a compor a Mesa o Senhor Dyogo Henrique de Oliveira, Secretário
Executivo Adjunto da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda; o
Senhor Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva, Diretor Internacional do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); o Senhor
José Augusto de Castro, Presidente da Associação de Comércio Exterior do
Brasil (AEB); e o Senhor Fernando José de Camargo, Diretor de
Investimentos e Finanças Corporativas da LCA Consultores (Soluções
Estratégicas em Economia). Em seguida, o Presidente cedeu a palavra ao
Senhor Dyogo Henrique de Oliveira, que iniciou sua fala ressaltando que o
Brasil possui um sistema completo de incentivo às exportações que está
baseado principalmente no incentivo financeiro por meio do PROEX (Programa
de Financiamento às Exportações) e SCE (Seguro de Crédito à Exportação).
Ressaltou que este conjunto de instrumentos fornece ao exportador
brasileiro condições adequadas de financiamento quando comparado ao seu
competidor internacional. Assim, o exportador brasileiro tem como competir
em condições de igualdade com o exportador internacional em vários setores
como o aeronáutico, máquinas e equipamentos e o setor de serviços.
Acrescentou que o SCE é administrado pelo Ministério da Fazenda e tem como
finalidade garantir as operações de crédito à exportação contra os riscos
comerciais, políticos e extraordinários que possam afetar a produção e
exportação de bens e serviços. Relatou que em 1999 foi criado o FGE (Fundo
de Garantia à Exportação) para dar cobertura às garantias prestadas pela
União nas operações do SCE. Destacou que este sistema está sendo
construído faz muitos anos, sendo complementar ao sistema de mercado
normal. Ademais, enfatizou que no SCE já foi aprovado seguros na ordem de
57 bilhões de dólares com 30 bilhões sendo concretizados. Mostrou que o
seguro com exportação está dividido da seguinte forma considerando o setor
do devedor: 63% com infraestrutura, 26% com transporte aéreo de
passageiros e o restante corresponde aos segmentos de defesa, equipamentos
para energia elétrica, equipamentos de defesa e transporte automotivo de
passageiros. Acrescentou que nestas operações, considerando a natureza do
contratante, mais de 60% são feitas com órgãos públicos nos outros países
importadores e 23,5% com empresas do transporte aéreo sendo que petróleo,
gás e energia elétrica também tem uma participação relevante. Considerando
a exposição por país, a Argentina é o principal utilizador seguido por
Estados Unidos, Venezuela, Angola e outros países. Considerando o agente
operador, o BNDES é o principal banco financiador representando 98% das
operações. Relatou que até o momento, apenas 36 milhões de dólares foram
sinistrados dentro do seguro de crédito mostrando uma baixa sinistralidade
e também a qualidade do processo de aprovação das operações e da condução
da utilização deste instrumento. Assim, alguns objetivos estratégicos do
SCE são: ampliar as exportações de bens e serviços para África e América
Latina que são parceiros do Brasil, ampliar o financiamento para pequenas
empresas, ampliar a participação dos bancos privados reduzindo a carga
sobre o BNDES, desenvolvimento de um novo produto de curto prazo para a
África cobrindo risco político e risco comercial e desenvolvimento da
capacidade de recuperação de crédito em operações com devedores privados.
Alertou que os principais desafios hoje são garantias incondicionais para
exportações com financiamento de bancos privados, garantia de carteira de
exportação para micro e pequenas empresas e buscar parcerias para
operações conjuntas com outras agências de crédito à exportação no mundo.
Finalizou lembrando que não apenas o Brasil, mas todos os países
desenvolvidos e em desenvolvimento possuem um Sistema de Financiamento às
Exportações. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao Senhor Luiz
Eduardo Melin de Carvalho e Silva, que iniciou sua fala realizando uma
comparação entre o BNDES e dois bancos internacionais de desenvolvimento,
o CDB (China Development Bank) e o KfW (Banco alemão de desenvolvimento).
Esta comparação demonstrou a solidez, a relevância e a contribuição do
BNDES para a expansão da capacidade produtiva dos setores de
infraestrutura e indústria brasileira. Lembrou que todo país tem na
maioria dos casos múltiplas instituições de apoio às exportações e
múltiplos instrumentos. Mostrou que o valor do apoio à exportação em 2012
do BNDES junto com o FGE foi de 2,2 bilhões de dólares enquanto que na
China foi de 45 bilhões de dólares e nos EUA foi de 31 bilhões. Assim,
constatou que as agências públicas do mundo inteiro têm apoiado firmemente
e de forma agressiva as exportações de seus países com diversos
instrumentos, como seguro de crédito, financiamento e garantias. Alertou
que o Brasil tem um leque de instrumentos de apoio bem inferior em relação
aos seus concorrentes. Acrescentou que em 2012 a União Europeia teve um
avanço extraordinário com um superávit na conta de serviços 20 vezes maior
do que em 2002 e 5 vezes maior no setor de manufaturados. Relatou que os
EUA firmou um compromisso no setor de energia na África de mais de 7
bilhões de dólares de apoio público até 2018, apoiando fortemente suas
empresas, apesar de defender o não intervencionismo na economia. Ademais,
alertou que a China tem oferecido crédito para vários países da África com
baixa taxa de juros e elevados prazos de pagamento. Também mostrou a
participação de alguns países no mercado mundial de serviços de
engenharia: Europa com 50%, EUA com 14% e o Brasil com participação
modesta de 2,3%. Relatou que os países com maior crescimento neste setor
de 2006 a 2012 são Espanha, China e EUA. Enfatizou que em serviços de
engenharia o Brasil tem um saldo positivo exportando mais do que
importando e apresentando crescimento de quatro vezes na última década,
mas disse que é necessário avançar muito mais, pois exportações de
serviços de engenharia e construção reduzem o imenso déficit na conta de
serviços do Brasil, que aumentou dez vezes na última década. Finalizou
afirmando que o desafio do BNDES é aumentar os instrumentos de apoio às
exportações de alto valor o que irá proporcionar ganhos estratégicos,
receitas comerciais em moeda internacional e lucratividade financeira. Em
sequência, o Presidente passou a palavra ao Senhor José Augusto de Castro
que iniciou sua participação apresentando as características do mercado de
serviço de engenharia. Mostrou que as empresas exportadoras de serviços de
engenharia são estruturadoras e gestoras de negócios, que prospectam
oportunidades comerciais e transformam em contratos, abrindo mercados para
outras empresas parceiras exportarem. Alertou que novas obras e projetos
de infraestrutura e empresariais, concentrados na América Latina e África,
tem surgido com o aumento da demanda mundial, privatizações e elevadas
cotações das commodities. Porém, o exportador de serviços precisa conhecer
a cultura, legislação societária, comercial, aduaneira do país importador
além de assumir riscos fiscal, cambial, comercial e financeiro. Enfatizou
que para conquistar projetos, países concorrentes oferecem forte apoio
governamental em nível institucional, técnico e financeiro, pois a maioria
dos governos considera prioritária a exportação de serviços de engenharia
devido aos benefícios diretos e indiretos que proporciona elevado poder de
alavancar exportação de bens. Acrescentou que na América do Sul
efetivamente apenas o Brasil exporta serviços de engenharia, pois o Brasil
possui as três condições necessárias para exportar serviços: empresas com
competência técnica e capacidade de gestão, estrutura de apoio financeiro
de longo prazo e mecanismos de garantia de crédito. Assim, as exportadoras
de serviço de engenharia são de grande porte sendo que o Brasil possui
menos de 10 empresas exportadoras. Apresentou a atuação dos países na
exportação de serviços de engenharia: EUA possui tradição e volume; China
tem agressividade e crescimento e Brasil tem estabilidade com perspectiva
ascendente. Ressaltou os benefícios da exportação de serviços de
engenharia: estimula a inserção internacional indireta de 1500 empresas
por obra que isoladamente não tem acesso a mercados, gera milhões em
divisas e milhares de empregos qualificados no Brasil, adiciona valor
agregado à pauta de exportação brasileira de bens, amplia a presença do
Brasil especialmente na América do Sul e África. Mostrou dados da
exportação para Guiné Equatorial gerada por projeto de serviço de
engenharia que em 2012 foi de 90 bilhões e em 2013 foi de 62 bilhões de
dólares. Em seguida apresentou as políticas de apoio à exportação do
governo, através de instrumentos de política de comércio exterior, e das
empresas, através da exportação de serviços de engenharia. Ressaltou que o
principal problema do Brasil é a burocracia interna que precisa ser
superada. As empresas de engenharia são competitivas, mas falta agilidade
operacional. Apresentou propostas para ampliar exportação de serviço de
engenharia como ampliação de financiamentos, agilidade operacional nas
análises, viabilizar a criação de parcerias público privadas
internacionais, coordenar e integrar órgãos públicos objetivando
racionalizar tarefas. Concluiu afirmando que exportar serviços de
engenharia não é para quem quer, mas para quem pode. O Brasil e suas
empresas podem, e querem. Neste momento, assumiu a Presidência o Deputado
Alfredo Sirkis. Em seguida, o Presidente passou a palavra ao Senhor
Fernando José de Camargo. O expositor iniciou sua fala mostrando que os
serviços de engenharia incluem construção civil que envolve tecnologia,
soluções construtivas, projetos, gestão, gerenciamento, realizados de
forma qualificada tanto no mercado doméstico como no mercado
internacional. Assim, neste cenário, os insumos e serviços efetivamente
exportados, financiados no Brasil pelas instituições brasileiras como
BNDES, são bens industrializados (aço, ferro, etc.) e serviços
especializados (engenharia mecânica, industrial, civil, elétrica etc.).
Acrescentou que a execução das obras no exterior, com financiamento
externo, inclui a implantação, montagem, construção e insumos locais (mão
de obra, combustível, alimentos etc.). Em 2012, mostrou que o setor
apresentou um saldo positivo de 4,3 bilhões de dólares frente a resultados
fortemente negativos na balança de serviços e bens manufaturados. Assim,
enquanto o setor cresceu cerca de 400% o saldo de bens teve uma queda de
20%. Relatou que as exportações de serviços de engenharia representam em
média 45% do faturamento das principais empresas exportadoras. Em 2012, o
setor suportou 1,7 milhão de postos de trabalho no Brasil. Houve um
investimento de 2 bilhões de reais em inovação nos últimos 10 anos pelos
fornecedores, sendo que 85% deles modernizaram seu processo produtivo.
Enfatizou que o Brasil está em 11º lugar no mercado mundial de serviços de
engenharia. Acrescentou que África e América Latina representam 94% do
total das exportações brasileiras neste setor e que financiamento é fator
de competitividade fundamental para as exportações deste setor. No mundo o
apoio das ECAs (Empresas de Apoio ao Crédito) tem sido essencial. Alertou
que os mecanismos brasileiros têm sido eficientes, mas precisam ser
aprimorados para se tornarem compatíveis com os utilizados por
concorrentes. Em seguida, apresentou proposições para o sistema brasileiro
de apoio às exportações que poderiam levar o Brasil a alcançar posição de
liderança no mercado internacional. Na sequência, fez uso da palavra o
Deputado Claudio Cajado. Em seguida, o Presidente cedeu a palavra aos
convidados, que atenderam e responderam as perguntas formuladas.
ENCERRAMENTO: Nada mais havendo a tratar, o Presidente agradeceu a
presença dos convidados e dos senhores parlamentares e encerrou os
trabalhos às treze horas e trinta e quatro minutos. E, para constar, eu
______________________, Edilson Holanda Silva, Secretário-Executivo,
lavrei a presente Ata, que por ter sido lida e aprovada, será assinada
pelo Presidente Deputado Eduardo Barbosa ______________________, e
publicada no Diário da Câmara dos Deputados.
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