CÂMARA DOS DEPUTADOS

 

CFFC – ATA PUBLICADA NO DCD Nº 106, DE 17-7-2014.

 

COMISSÃO DE FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E CONTROLE
54ª Legislatura – 4ª Sessão Legislativa Ordinária

ATA DA DÉCIMA-SÉTIMA REUNIÃO, EXTRAORDINÁRIA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA, REALIZADA EM 22 DE MAIO DE 2014

Às dez horas e vinte e três minutos do dia vinte e dois de maio de dois mil e catorze, reuniu-se a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC), no Plenário 9 do Anexo II da Câmara dos Deputados, sob a presidência do deputado Hugo Motta. Registraram presença os deputados Hugo Motta (Presidente) – titular; Renato Simões – suplente; e Amauri Teixeira e Bohn Gass – não-membros. Deixaram de comparecer os titulares Alexandre Santos, Carlos Brandão, Edio Lopes, Edson Santos, Eduardo da Fonte, Felipe Bornier, Francisco Tenório, João Arruda, João Pizzolatti, Luiz Fernando Machado, Manuel Rosa Neca, Márcio França, Marcio Junqueira, Nilton Capixaba, Sibá Machado, Simplício Araújo, Vanderlei Siraque e Zequinha Marinho ABERTURA: O Presidente declarou abertos os trabalhos da reunião de audiência pública extraordinária destinada a conhecer as dificuldades legislativas do governo brasileiro na recuperação dos ativos produtos de crimes encontrados no exterior, objeto dos Requerimentos nº 624/2014 e 638/2014, ambos do deputado Renato Simões, aprovados respectivamente em dois e vinte e três de abril passado. Em seguida, chamou para tomar assento à Mesa os Sr. Vladimir Barros Aras, Procurador Regional da República e Secretário de Cooperação Jurídica Internacional; os Srs. Delegados da Polícia Federal Cairo Costa Duarte, Chefe do Serviço de Inteligência de Combate aos Crimes Financeiros, e Tânia Fogaça, ambos representando o Diretor-Geral da Polícia Federal; o Sr. Roberto Biasoli, representando o Sr. Roberto Saad, do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional do Ministério da Justiça. O Presidente anunciou também a presença em plenário do Sr. Pedro Paulo G. de Medeiros, representando o Conselho Federal da OAB. Formada a Mesa, o Presidente discorreu sobre as regras a serem obedecidas na condução da audiência e passou a palavra aos convidados para suas explanações iniciais. O Sr. Vladimir Aras informou que, dos 550 mil presos do Brasil, apenas 632 pessoas estão presas por corrupção. Ele afirmou que o rastreamento de recursos financeiros enviados para fora, oriundos de crimes como corrupção e tráfico, é uma das maiores dificuldades para a repatriação dos ativos, cuja recuperação é fundamental para mudar a imagem que o Brasil tem no exterior de ser um país corrupto. Ressaltou que a ausência de tratados de cooperação internacional e as diferenças dos sistemas jurídicos entre os países, dificultam o bloqueio dos bens rastreados no exterior, permitindo que eles sejam retirados de onde se encontram pelos criminosos, e reclamou da falta de uma lei de cooperação nesse sentido. Na mesma linha, o Sr. Roberto Biazoli afirmou, que, dos R$ 35 milhões de ativos (dinheiro, propriedades, ações) que resultaram de crimes, encontrados no exterior, foram repatriados desde 2003, mas que ainda há R$ 700 milhões bloqueados em outros países, ressaltando a falta de efetividade na Justiça criminal brasileira, provocada por problemas como o excesso de recursos judiciais, dificulta o retorno desses bens ao país, e também defendendo mudanças na legislação.  O Sr. Cairo Costa Duarte, argumentou que, como o mercado financeiro internacional é muito rápido e muito ágil e não existem barreiras para entrada e saída de dinheiro num país, a Polícia Federal precisa de meios para atuar também de forma ágil, para poder conseguir captar esses valores, esses bens no exterior e também aqui no Brasil. Por isso, defendeu uma nova legislação que dê maior autonomia para a Polícia Federal atuar de forma mais direta no combate a esses crimes. A Sra. Tânia Fogaça explicou a Divisão de Cooperação Jurídica Internacional da Polícia Federal, sob sua chefia, é o órgão responsável por dar suporte aos polícias em matéria de que dá suporte aos policiais federais em matéria penal, orientando suas ações, analisando e traduzindo os pedidos de cooperação jurídica, com base nos tratados internacionais. Ressalvou, entretanto, que os pedidos formais não são o único canal para tratar desse assunto, ressaltando a importância dos adidos policiais federais no exterior que, embora não possuam poder de polícia, têm aproximação com as autoridades locais e podem prestar informações importantes sobre a legislação do país estrangeiro. Durante as explanações, assumiu a presidência o deputado Renato Simões. Passando ao debate, usaram a palavra os deputados Bohn Gass, Renato Simões e Amauri Teixeira, fazendo comentários e questionamentos sobre o tema. O deputado Renato Simões ressaltou que, conforme já anunciado pelo Presidente da Comissão, deputado Hugo Motta, iria requerer a criação de uma Subcomissão para apresentar um conjunto de projetos que altere a legislação atual para facilitar a recuperação desses ativos no exterior. Com a palavra, os convidados prestaram os esclarecimentos solicitados e fizeram suas considerações finais. ENCERRAMENTO: Não havendo mais quem quisesse fazer uso da palavra, o Presidente agradeceu a participação de todos e encerrou a reunião às doze horas e vinte e nove minutos. A reunião foi gravada e, após a degravação do arquivo de áudio, o texto com seu inteiro teor fará parte do acervo documental da audiência. E, para constar, eu, _______________ Luiz Paulo Pieri, Secretário, lavrei a presente ata, que, por ter sido lida e aprovada, será assinada pelo Presidente, deputado Hugo Motta_______________, e publicada no Diário da Câmara dos Deputados. xxxxxxxx